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Estresse térmico por calor em matrizes suínas: como lidar com este problema?

Situação de estresse é classificada em quatro categorias: normal, alerta, perigo e emergência. Acima de 25°C, os animais entram em estado de alerta, e impactos negativos são observados, pois o metabolismo começa a lutar contra o estresse térmico.

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Foto: Shuttestock

Artigo escrito por equipe técnica Laboratório Phodé

O estresse térmico por calor é um problema significativo em matrizes suínas. Neste artigo, propomos definir o que é o estresse térmico, explicar seus impactos nas matrizes, e por fim, apresentar soluções para contrabalançar suas consequências negativas

O estresse térmico por calor ocorre quando a temperatura ambiental é mais alta que a zona de conforto térmico do animal. Neste cenário, o animal está produzindo mais calor a partir do seu metabolismo ou recebendo mais calor do ambiente do que consegue dissipar. Para determinar a zona de estresse térmico, não é apenas a temperatura que importa, mas também a umidade. A situação de estresse por calor é classificada em quatro categorias: normal, alerta, perigo e emergência. Acima de 25°C, os animais entram em estado de alerta, e impactos negativos são observados, pois o metabolismo começa a lutar contra o estresse térmico. Dependendo do tamanho corporal dos animais observa-se uma variação na zona de conforto térmico e na temperatura crítica.

Estudos demonstraram que a zona de conforto térmico das fêmeas é de 18°C com 50% de umidade, o que é bem menor em comparação aos suínos em fase de engorda. Sua capacidade de dissipar o estresse térmico é limitada pelo tamanho de seus pulmões. A maioria dos estudos sobre estresse térmico concentra-se em fêmeas lactantes. Assim, elas precisam consumir uma grande quantidade de ração por dia, o que aumenta a produção de calor. Já os leitões em aleitamento têm uma zona de conforto térmico entre 27 e 30°C, o que obriga os produtores a manter a maternidade entre 21 e 25°C, com ninhos aquecidos. Consequentemente, o estresse térmico em fêmeas lactantes é um grande problema a ser resolvido.

E quanto às fêmeas em gestação?

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

O estresse térmico também impacta negativamente as fêmeas gestantes, com consequências sobre seus filhotes. Além disso, dependendo do período de gestação, os efeitos são diferentes. Pesquisadores relatam que o estresse térmico no início da gestação aumenta a mortalidade embrionária, o que afeta a taxa de parição e reduz o tamanho da leitegada ao nascer. Já o estresse térmico no final da gestação aumenta o número de leitões natimortos.

Como as porcas se mantêm frescas?

Os porcos não possuem glândulas sudoríparas funcionais para liberar calor. A primeira reação das fêmeas ao enfrentar o estresse térmico é adaptar o seu comportamento: deitando-se no chão e reduzindo suas atividades. Na maioria das vezes, observa-se uma mudança no comportamento alimentar, as porcas em lactação concentram sua alimentação no início da manhã e no final da tarde. Já as porcas em gestação não mudam necessariamente seu comportamento alimentar, pois estão em um sistema de alimentação restrita, mas passam mais tempo deitadas dormindo. Além disso, as porcas aumentarão a taxa de respiração para liberar o calor do corpo e trazer ar fresco para dentro. Um estudo realizado com porcas em lactação mostrou que a frequência de ofegação aumenta rapidamente acima de 22°C. Outro estudo, conduzido com porcas em gestação, destacou que a taxa respiratória aumenta progressivamente ao longo das semanas de gestação até atingir um platô (por volta de 8 semanas de gestação, indicando a capacidade máxima das porcas de se adaptarem ao estresse térmico.

Quais são as consequências do estresse por calor?

Em porcas em lactação, quando o animal está em uma situação de estresse térmico, uma mensagem é enviada ao cérebro para reduzir o apetite e, consequentemente, a ingestão de alimento (Figura 1).

 

Figura 1: consequências do aumento da temperatura no metabolismo de porcas em lactação

Nas porcas em gestação, tanto a frequência respiratória quanto a temperatura corporal aumentam para permitir a vasodilatação periférica dos vasos sanguíneos. O fluxo sanguíneo é redirecionado para a pele em detrimento do abdômen e do útero. Consequências diretas são observadas no peso fetal e no peso dos leitões ao nascer.

Em resumo, o impacto do estresse térmico em porcas em lactação é:

De 18 a 29°C, a produção de leite diminui entre 12 e 26%, com uma redução no ganho de peso médio da leitegada de 300 a 750 g/dia.
Um aumento na perda de gordura dorsal entre 1,2 e 1,4 mm, impactando negativamente o desempenho reprodutivo.
Nas porcas em gestação, o estresse térmico tem efeitos mais amplos (Figura 2):

  • Parto antecipado: -1,5 dias (115,7+/-0,5 vs 117,4+/-0,5 d).
  • Aumento do número de natimortos.
  • Impacto direto no desempenho da leitegada: -16% no peso dos leitões ao nascer (Peso corporal 1180 +/- 50 g vs 1409 +/- 59 g).

E na prole:

  • Menor peso corporal no abate.
  • Maior depósito de gordura.

Figura 2: resumo dos efeitos do estresse térmico na gestação sobre a porca prenha sua progênie

Quais são as soluções para combater o estresse térmico?

  • Para combater o estresse térmico por calor e dar suporte às porcas, duas ações complementares podem ser facilmente realizadas:
  • Reduzir o estresse térmico proporcionando conforto adequado às porcas.
  • Melhorar a resiliência do animal, aprimorando sua adaptação a situações de estresse térmico.

Focando na segunda ação, a adição de uma solução específica à base de Citrus Sinensis permite que os animais se adaptem melhor ao estresse térmico e, consequentemente, mantenham comportamentos normais, como a ingestão de água e ração.
Essa solução foi incluída na estratégia de alimentação em uma fazenda comercial localizada em um país de clima temperado. As porcas em gestação e lactação receberam a solução durante um ano inteiro. Foram observados benefícios significativos, como o aumento do total de leitões nascidos vivos (+0,5/liteira) e no ganho de peso da leitegada ao desmame (+5,37 kg/por leitegada) (tabela 1).

Tabela 1: Desempenho da leitegada com porcas sob condições de estresse térmico

Como consequências diretas, os parâmetros reprodutivos foram significativamente aprimorados. O intervalo do desmame ao estro foi reduzido em 0,2 dia, a taxa de fertilidade aumentou 4 pontos, passando de 89% para 93% e, por fim, a taxa de parto subiu de 85% para 90% (p<0,05).

Para concluir, em países de clima temperado e ainda mais em países tropicais, o estresse térmico tem efeitos de longo prazo na vida reprodutiva das porcas e em sua progênie. Ter uma solução específica que atua no nível cerebral do animal é fundamental para atender às necessidades individuais. Afinal, é importante lembrar que o estresse é uma questão de percepção. É possível fazer com que as porcas vejam o copo meio cheio!

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Fonte: O Presente Rural com equipe técnica Laboratório Phodé

Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

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O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
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Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

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Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026

Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

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Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.

Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30  às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.

Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.

Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.

A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABCS
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