Suínos
Estresse térmico por calor em matrizes suínas: como lidar com este problema?
Situação de estresse é classificada em quatro categorias: normal, alerta, perigo e emergência. Acima de 25°C, os animais entram em estado de alerta, e impactos negativos são observados, pois o metabolismo começa a lutar contra o estresse térmico.

Artigo escrito por equipe técnica Laboratório Phodé
O estresse térmico por calor é um problema significativo em matrizes suínas. Neste artigo, propomos definir o que é o estresse térmico, explicar seus impactos nas matrizes, e por fim, apresentar soluções para contrabalançar suas consequências negativas
O estresse térmico por calor ocorre quando a temperatura ambiental é mais alta que a zona de conforto térmico do animal. Neste cenário, o animal está produzindo mais calor a partir do seu metabolismo ou recebendo mais calor do ambiente do que consegue dissipar. Para determinar a zona de estresse térmico, não é apenas a temperatura que importa, mas também a umidade. A situação de estresse por calor é classificada em quatro categorias: normal, alerta, perigo e emergência. Acima de 25°C, os animais entram em estado de alerta, e impactos negativos são observados, pois o metabolismo começa a lutar contra o estresse térmico. Dependendo do tamanho corporal dos animais observa-se uma variação na zona de conforto térmico e na temperatura crítica.
Estudos demonstraram que a zona de conforto térmico das fêmeas é de 18°C com 50% de umidade, o que é bem menor em comparação aos suínos em fase de engorda. Sua capacidade de dissipar o estresse térmico é limitada pelo tamanho de seus pulmões. A maioria dos estudos sobre estresse térmico concentra-se em fêmeas lactantes. Assim, elas precisam consumir uma grande quantidade de ração por dia, o que aumenta a produção de calor. Já os leitões em aleitamento têm uma zona de conforto térmico entre 27 e 30°C, o que obriga os produtores a manter a maternidade entre 21 e 25°C, com ninhos aquecidos. Consequentemente, o estresse térmico em fêmeas lactantes é um grande problema a ser resolvido.
E quanto às fêmeas em gestação?

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR
O estresse térmico também impacta negativamente as fêmeas gestantes, com consequências sobre seus filhotes. Além disso, dependendo do período de gestação, os efeitos são diferentes. Pesquisadores relatam que o estresse térmico no início da gestação aumenta a mortalidade embrionária, o que afeta a taxa de parição e reduz o tamanho da leitegada ao nascer. Já o estresse térmico no final da gestação aumenta o número de leitões natimortos.
Como as porcas se mantêm frescas?
Os porcos não possuem glândulas sudoríparas funcionais para liberar calor. A primeira reação das fêmeas ao enfrentar o estresse térmico é adaptar o seu comportamento: deitando-se no chão e reduzindo suas atividades. Na maioria das vezes, observa-se uma mudança no comportamento alimentar, as porcas em lactação concentram sua alimentação no início da manhã e no final da tarde. Já as porcas em gestação não mudam necessariamente seu comportamento alimentar, pois estão em um sistema de alimentação restrita, mas passam mais tempo deitadas dormindo. Além disso, as porcas aumentarão a taxa de respiração para liberar o calor do corpo e trazer ar fresco para dentro. Um estudo realizado com porcas em lactação mostrou que a frequência de ofegação aumenta rapidamente acima de 22°C. Outro estudo, conduzido com porcas em gestação, destacou que a taxa respiratória aumenta progressivamente ao longo das semanas de gestação até atingir um platô (por volta de 8 semanas de gestação, indicando a capacidade máxima das porcas de se adaptarem ao estresse térmico.
Quais são as consequências do estresse por calor?
Em porcas em lactação, quando o animal está em uma situação de estresse térmico, uma mensagem é enviada ao cérebro para reduzir o apetite e, consequentemente, a ingestão de alimento (Figura 1).

Figura 1: consequências do aumento da temperatura no metabolismo de porcas em lactação
Nas porcas em gestação, tanto a frequência respiratória quanto a temperatura corporal aumentam para permitir a vasodilatação periférica dos vasos sanguíneos. O fluxo sanguíneo é redirecionado para a pele em detrimento do abdômen e do útero. Consequências diretas são observadas no peso fetal e no peso dos leitões ao nascer.
Em resumo, o impacto do estresse térmico em porcas em lactação é:
De 18 a 29°C, a produção de leite diminui entre 12 e 26%, com uma redução no ganho de peso médio da leitegada de 300 a 750 g/dia.
Um aumento na perda de gordura dorsal entre 1,2 e 1,4 mm, impactando negativamente o desempenho reprodutivo.
Nas porcas em gestação, o estresse térmico tem efeitos mais amplos (Figura 2):
- Parto antecipado: -1,5 dias (115,7+/-0,5 vs 117,4+/-0,5 d).
- Aumento do número de natimortos.
- Impacto direto no desempenho da leitegada: -16% no peso dos leitões ao nascer (Peso corporal 1180 +/- 50 g vs 1409 +/- 59 g).
E na prole:
- Menor peso corporal no abate.
- Maior depósito de gordura.

Figura 2: resumo dos efeitos do estresse térmico na gestação sobre a porca prenha sua progênie
Quais são as soluções para combater o estresse térmico?
- Para combater o estresse térmico por calor e dar suporte às porcas, duas ações complementares podem ser facilmente realizadas:
- Reduzir o estresse térmico proporcionando conforto adequado às porcas.
- Melhorar a resiliência do animal, aprimorando sua adaptação a situações de estresse térmico.
Focando na segunda ação, a adição de uma solução específica à base de Citrus Sinensis permite que os animais se adaptem melhor ao estresse térmico e, consequentemente, mantenham comportamentos normais, como a ingestão de água e ração.
Essa solução foi incluída na estratégia de alimentação em uma fazenda comercial localizada em um país de clima temperado. As porcas em gestação e lactação receberam a solução durante um ano inteiro. Foram observados benefícios significativos, como o aumento do total de leitões nascidos vivos (+0,5/liteira) e no ganho de peso da leitegada ao desmame (+5,37 kg/por leitegada) (tabela 1).

Tabela 1: Desempenho da leitegada com porcas sob condições de estresse térmico
Como consequências diretas, os parâmetros reprodutivos foram significativamente aprimorados. O intervalo do desmame ao estro foi reduzido em 0,2 dia, a taxa de fertilidade aumentou 4 pontos, passando de 89% para 93% e, por fim, a taxa de parto subiu de 85% para 90% (p<0,05).
Para concluir, em países de clima temperado e ainda mais em países tropicais, o estresse térmico tem efeitos de longo prazo na vida reprodutiva das porcas e em sua progênie. Ter uma solução específica que atua no nível cerebral do animal é fundamental para atender às necessidades individuais. Afinal, é importante lembrar que o estresse é uma questão de percepção. É possível fazer com que as porcas vejam o copo meio cheio!
Para ficar atualizado e por dentro de tudo, acesse a versão digital de Nutrição e Saúde Animal clicando aqui. Boa leitura!

Suínos
Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025
Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.
Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.
Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”
Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.
Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.
No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.
De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.
“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.
Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.
“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.
Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.
Suínos
Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas
Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.
Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.
No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.
Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.
Suínos
Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas
Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.
Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.
Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural
Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.
Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.
Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.
A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.
Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.



