Conectado com

Suínos

Estresse por calor: um problema que afeta a produtividade em suínos

Sabemos que os suínos são mais sensíveis ao calor do que outros animais porque não conseguem suar. Assim, altas temperaturas podem levar ao estresse por calor, o que afeta diretamente o desempenho.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/Vilomix

Artigo escrito por Camila Tofoli Tse, diretora Técnica de Monogástrico da Vilomix Latam

Sabemos que os suínos são mais sensíveis ao calor do que outros animais porque não conseguem suar. Assim, altas temperaturas podem levar ao estresse por calor, o que afeta diretamente o desempenho.

Um país tropical como o Brasil, o qual passamos diversos meses do ano com temperatura e umidade fora da zona de conforto térmico de suínos (em suas diferentes fases), faz com que a atenção relacionada aos sinais e perdas promovidas pelo estresse por calor mereça especial atenção.

O gráfico a seguir ilustra a relação entre o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) e o nível de estresse gerado nos animais:

Efeitos do estresse por calor nas reprodutoras

O estresse por calor desencadeia uma cascata de eventos nos animais. Quando pensamos nas reprodutoras, por exemplo, temos:

  • Ativação do sistema de regulação da temperatura corporal acionado, desviando a energia da manutenção da condição corporal e da produção de leite.
  • Ao mesmo tempo, queda na ingestão de ração, fazendo com que o organismo priorize a lactação em detrimento da manutenção da condição corporal.

O resultado combinado destas ações faz com que fêmeas percam a condição corporal de forma mais rápida e severa, comprometendo o ciclo e produtividade reprodutiva subsequente.

Infertilidade sazonal

Com os mecanismos fisiológicos para minimizar os efeitos do calor, podemos observar na produção de suínos o que chamamos de infertilidade sazonal. Esse termo se refere ao declínio usual na produção de fêmeas inseminadas durante o verão e paridas entre abril e junho.

Eventos de calor que levam ao estresse térmico (como no pico do verão) são a principal causa de infertilidade sazonal no rebanho reprodutor. Apesar do nome, a infertilidade sazonal não se relaciona ao ciclo reprodutivo porque os suínos domésticos não são reprodutores sazonais, mas sim pela perda nos indicadores de produtividade ligados à reprodução que ocorrem em determinados períodos relacionados às altas temperaturas.

Mudanças comportamentais

O estresse térmico também pode causar mudanças no comportamento das porcas. Essas alterações se devem ao impacto do desconforto na cinética de ingestão voluntária, no padrão alimentar e na capacidade de produção. Alguns sinais de estresse por calor são:

  • Animais espalham-se nas baias para maximizar o contato com o piso mais frio
  • Menor atividade física.
  • Animais procuram água não apenas para saciar a sede, mas também para se refrescar.
  • Aumento da frequência respiratória para mais de 40 vezes por minuto (respiração normal é de 15 a 25 respirações/min).

Mais consequências

Como consequência desse estresse por calor, as porcas podem apresentar:

  • Taxas de parição reduzidas.
  • Menor número de nascidos totais e vivos por leitegada.
  • Redução da ingestão de ração.
  • Menor produção de leite.
  • Aumento do intervalo desmame-cio.
  • Falha na expressão do cio.
  • Maior mortalidade embrionária (se início da gestação).
  • Maior número de natimortos (se a gestação estiver tardia).
  • Aumento da mortalidade de porcas.

Medidas para minimizar os efeitos do estresse térmico

Fotos: Shutterstock

Por todas essas possíveis perdas produtivas que podem ocorrer, ações consistentes relacionadas à ambiência, manejo e nutrição devem ser adotadas a fim de minimizar os efeitos estresse térmico. Dentre essas ações temos:

Monitoramento e Ambiência

  • Monitoramento diário de temperatura e umidade do galpão (com informações de máximas e mínimas).
  • Equipamentos ajustados para prover o maior conforto térmico possível.

Manejo Alimentar

  • Alimentação em maior frequência e menores quantidades por vez.
  • Fornecimento de ração nos horários mais frescos do dia.
  • Concentração das dietas.
  • Dietas mais palatáveis.

Suplementação nutricional

  • Uso de antioxidantes. O estresse por calor, devido ao aumento do metabolismo e da frequência respiratória, causa produção excessiva de radicais livres no animal, levando ao estresse oxidativo.
  • Uso de aditivo que promova o balanço osmótico a fim de manter a hidratação celular.
  • Direcionamento correto do balanço eletrolítico em otimizações de ração. Fêmeas sendo alimentadas com dietas com baixo nível de DEB são mais sensíveis ao estresse por calor. O estresse por calor causa um aumento na taxa de respiração, resultando em menor nível de bicarbonato (HCO3-) no sangue. O aumento na taxa de respiração reduz ainda mais o equilíbrio eletrolítico da porca, criando um ciclo vicioso.

Conclusão

Assim, ações efetivas para minimizar o efeito do estresse por calor devem ser realizadas, visto que a ambiência é o primeiro fator limitante para atingir a eficiência máxima de produção em regiões de clima quente, como a América Latina.

Deve-se ressaltar que os efeitos climáticos são intensificados nos genótipos modernos devido às altas taxas de crescimento, deposição de tecido muscular e potencial reprodutivo. Portanto, medidas de controle devem estar presentes de forma prática e cotidiana na produção de suínos modernos.

O acesso é gratuito e a edição Suínos pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural com Camila Tofoli Tse

Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
Continue Lendo

Suínos

Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
Continue Lendo

Suínos

Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026

Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.

Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30  às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.

Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.

Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.

A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo