Artigo escrito por Dr. Andrea Bonetti, Departamento de Serviços Técnicos – Vetagro Inc.
Na suinocultura moderna, mesmo com os contínuos avanços de melhoramento genético, práticas de manejo, status sanitário e ajustes nutricionais, os animais estão expostos a uma mistura de estímulos estressores que impactam negativamente no desempenho produtivo.
As consequências negativas desse estresse são amplificadas em animais de alta performance, como em fêmeas altamente prolíficas. As grandes demandas fisiológicas da gestação e lactação causam modificações metabólicas significativas, sendo uma das principais causas dessa alteração a superprodução de moléculas reativas de oxigênio (ROS), as quais geram um considerável estresse oxidativo.
Embora um aumento temporário de ROS seja fisiologicamente normal durante o parto e lactação, a sua persistência pode acarretar em efeitos adversos duradouros, como interferência nas próximas gestações. Altos níveis de ROS e estresse oxidativo comprometem a estabilidade do DNA, proteínas e lipídios, desregulando o metabolismo celular e iniciando processos inflamatórios que, por sua vez, exacerbam o dano oxidativo.
No contexto do período próximo ao parto, os estresses oxidativo e inflamatório podem comprometer a integridade da barreira intestinal, resultando no evento intitulado “intestino permeável”. Esta condição facilita a translocação de elementos indesejáveis como bactérias, antígenos dietéticos e toxinas, incluindo lipopolissacarídeo (LPS) para a corrente sanguínea, intensificando o estresse oxidativo e a inflamação sistêmica. O LPS é uma parte estrutural da membrana externa das bactérias Gram-negativas, sendo um dos estimuladores mais representativos do sistema imunológico.
Prejuízos
Nas fêmeas em lactação, a glândula mamária é altamente afetada pelas consequências do intestino permeável, devido à alta taxa de fluxo sanguíneo que sustenta a produção de colostro e leite. A presença de compostos pró-inflamatórios, tanto de processos endógenos e/ou do intestino permeável, aumenta o status inflamatório da glândula mamária e desencadeia o estímulo do sistema imunológico. A ativação imunológica em torno do período de parto e lactação desvia energia e nutrientes essenciais do crescimento fetal e da produção de leite. A exposição ao LPS causa uma redução significativa na quantidade e qualidade do colostro, o que impacta significativamente o crescimento dos leitões.
Além da restrição no crescimento dos leitões devido às reduções na quantidade de colostro e leite, quando a porca está passando por um evento inflamatório significativo, há níveis aumentados de citocinas pró-inflamatórias no colostro e no leite. Essas citocinas inflamatórias causam processos inflamatórios no intestino e sistemicamente nos leitões. Isso ocorre porque o intestino dos leitões é naturalmente permeável nos primeiros dias de vida, permitindo a passagem de imunidade passiva materna, mas também a absorção de moléculas inflamatórias que podem prejudicar seu crescimento. Esses fatores resultam em crescimento reduzido dos leitões, dano à integridade intestinal e status imunológico, reduzindo a possiblidade dos animais expressar todo o potencial de desempenho.
Melhoria da saúde intestinal
Ao fortalecer a integridade intestinal é possível reduzir os efeitos adversos do LPS e do estresse oxidativo, garantindo que os nutrientes sejam direcionados eficazmente para o crescimento e produção de leite. Essas melhorias se refletirão em leitegadas mais saudáveis, com leitões robustos ao desmame e um potencial de crescimento maximizado ao longo da vida.
Portanto, a melhoria da saúde intestinal durante o período crítico do parto e lactação emerge como uma estratégia essencial para mitigar o estresse das porcas e otimizar a produção de leite.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: mayra.cive@farmabase.com.
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Fonte: O Presente Rural com Dr. Andrea Bonetti