Suínos
Estresse e qualidade da carne na produção de suínos: como isso funciona?
Para entender o impacto do estresse no pH, é preciso fazer uma distinção entre estresse de curta duração e estresse prolongado.

A qualidade da carne depende de vários critérios, mas um fator importante subestimado é o estresse sofrido pelos animais durante a vida. O principal indicador para determinar a qualidade da carne suína é o pH. De fato, essa medida define a qualidade e o prazo de validade da carne, que são informações essenciais para o processamento. O pH também está fortemente correlacionado com outros parâmetros tecnológicos, como cor ou retenção de água da carne, mas também com critérios organolépticos, como maciez, suculência ou sabor.
Duas categorias de carnes devem ser evitadas devido à sua baixa qualidade:
• As carnes com pH ≤ 5,6 são chamadas de carnes PSE (do inglês pale, soft, exudative): pálidas, flácidas e exsudativas. Muito ácidas e claras, elas têm baixa capacidade de retenção de água. Elas são rejeitadas para processamento em presunto.
• As carnes com pH muito mais alto, pH > 5,8, são chamadas de DFD (do inglês dark, firm, dry): escuras, duras e secas. Estas carnes têm um prazo de validade curto.
Portanto, os abatedouros e fabricantes de alimentos preferem carnes com pH entre 5,6 e 5,8, o que garante uma boa predisposição para uma carne de boa qualidade.
O estresse e suas consequências sobre a qualidade da carne suína
Para entender o impacto do estresse no pH, é preciso fazer uma distinção entre estresse de curta duração e estresse prolongado. O estresse de curta duração refere-se a eventos estressantes que ocorrem antes da sangria. Quando o animal percebe o estresse, o corpo entra em estado de alerta. É necessária uma rápida mobilização de energia para garantir a resposta natural ao estresse: lutar ou fugir. O consumo de glicogênio como fonte de energia produzirá uma quantidade significativa de ácido lático. Se a sangria ocorrer logo após o estresse, o ácido lático não será eliminado, resultando em uma carne com pH baixo, a chamada carne PSE.
Os suínos também podem ser expostos a estresse prolongado, como a longa duração do transporte, brigas entre grupos no abatedouro e longos períodos de espera nas baias. Como os suínos chegam em jejum ao abatedouro, o estresse prolongado esgotará seus estoques de glicogênio. O processo de acidificação post-mortem será, portanto, ineficiente, e a carne permanecerá com um pH alto, resultando em carne DFD.
Quais são as soluções para garantir a boa qualidade da carne?
Você deve ter percebido que para garantir uma carne com o pH ideal, o nível de glicogênio muscular deve estar alto o suficiente na sangria e o estresse deve ser contido em um nível mínimo antes e durante o abate. Na etapa do abatedouro, é essencial gerenciar a duração do transporte, o tempo de espera ao ar livre e as condições de espera (como acesso à água ou densidade animal, por exemplo). Também podem ser tomadas medidas preventivas na granja (densidade animal, acesso ao caminhão, manejo tranquilo). Uma boa relação homem-animal também facilitará o manejo no abatedouro.

Aurélie Auvray – Foto: Divulgação/Phodé
De modo geral, todos esses elementos são bem conhecidos e controlados. Mas permanece uma variável que não controlamos: o próprio animal. Na verdade, o estresse é uma resposta individual que depende de um fator principal: a capacidade do animal de lidar com esse estresse. Esse parâmetro pode ser gerenciado por uma abordagem inovadora: reforçar a resiliência do animal a nível cerebral! Existem produtos que reforçam a capacidade de adaptação dos animais aos fatores de estresse e melhora a qualidade da carne (chagando a -61% de carne PSE) e reduz a mortalidade tardia (chegando a -1,6 ponto).
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Suínos
Exportações de carne suína superam US$ 554 milhões no 1º bimestre
Volume embarcado cresce 8,1% e setor amplia presença em mercados da Ásia e das Américas.

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 122,1 mil toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 6,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 114,4 mil toneladas.
Em receita, o desempenho também foi positivo. Ao todo, as vendas internacionais do setor somaram US$ 284,1 milhões, valor 4,1% superior ao obtido em fevereiro de 2025, quando as exportações alcançaram US$ 272,9 milhões.

No acumulado do primeiro bimestre do ano, as exportações brasileiras de carne suína chegaram a 238,4 mil toneladas, volume 8,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 220,5 mil toneladas. Em receita, o crescimento acumulado chega a 8,5%, com US$ 554,4 milhões obtidos nos dois primeiros meses de 2026, contra US$ 510,9 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Na análise por país-destino, as Filipinas ampliaram sua posição como principal mercado para a carne suína brasileira. Em fevereiro, o país importou 40,9 mil toneladas, volume 77,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Em seguida aparecem Japão, com 12,1 mil toneladas (+34,8%), China, com 11,1 mil toneladas (-43%), Chile, com 8,8 mil toneladas (+6%), e Hong Kong, com 8 mil toneladas (-40%).
Também figuram entre os principais destinos Singapura, com 5,4 mil toneladas (-16,6%), Argentina, com 4,3 mil toneladas (-10,5%), Uruguai, com 4 mil toneladas (+8,7%), México, com 3,2 mil toneladas (+8%), e Geórgia, com 3,1 mil toneladas (+122%).

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: ““O avanço expressivo em mercados como Filipinas e Japão demonstra a confiança dos importadores no status sanitário, na regularidade de fornecimento e na competitividade da proteína produzida no Brasil” – Foto: Divulgação/Arquivo OPR
“O avanço expressivo em mercados como Filipinas e Japão demonstra a confiança dos importadores no status sanitário, na regularidade de fornecimento e na competitividade da proteína produzida no Brasil. Ao mesmo tempo, a diversificação de destinos tem ampliado a segurança da pauta exportadora, reduzindo a dependência de mercados específicos e abrindo novas oportunidades comerciais. Neste cenário, fatores como a credibilidade sanitária, a capacidade produtiva e a eficiência logística do setor brasileiro deixam de ser apenas condicionantes e passam a se consolidar como diferenciais estratégicos para sustentar o crescimento das exportações ao longo do ano”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Principal exportador de carne suína, Santa Catarina embarcou 57 mil toneladas em fevereiro, número 7,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida estão o Rio Grande do Sul, com 29,7 mil toneladas (+24,1%), Paraná, com 20,6 mil toneladas (+15,3%), Mato Grosso, com 3,9 mil toneladas (+39,2%) e Minas Gerais, com 3,1 mil toneladas (+34,3%).
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná amplia difusão de conhecimento técnico
Evento reunirá produtores, cooperativas, técnicos e lideranças do setor para discutir desafios, inovação e estratégias que impulsionam a competitividade da suinocultura paranaense.

A suinocultura paranaense não se constrói em um único ponto da cadeia. Ela nasce e se fortalece na integração entre produtores, cooperativas, agroindústrias, técnicos e lideranças que, diariamente, transformam conhecimento em decisão e decisão em resultado. É dessa base – sólida, organizada e produtiva – que emerge a maior suinocultura do Paraná.
Ao longo dos anos, as cooperativas do Oeste paranaense formaram muito mais do que estruturas produtivas. Construíram sistemas, padronizaram processos, elevaram o nível técnico da atividade e deram escala a um modelo que hoje sustenta competitividade, sanidade e presença de mercado. São elas que conectam o campo à indústria, o produtor ao mercado e a informação à prática.
É exatamente nesse ponto que o jornal O Presente Rural reafirma seu compromisso. Levar informação de qualidade sempre foi – e continua sendo – a essência do nosso trabalho. No impresso, no digital e também na realização de eventos técnicos, o objetivo é o mesmo: qualificar o debate e apoiar quem produz.
Em 09 de junho, Marechal Cândido Rondon volta a ser palco de um encontro estratégico da suinocultura paranaense. O Congresso de Suinocultores do Paraná 2026 tem um propósito claro: unir conhecimento técnico, experiência prática e visão de futuro. Os convidados que compõem a programação representam exatamente essa força cooperativa que sustenta o setor. São profissionais e lideranças que conhecem a atividade por dentro, vivem os desafios do dia a dia e participam ativamente das decisões que moldam o presente e o futuro da suinocultura.
O Congresso é uma extensão natural do jornalismo que O Presente Rural pratica há décadas. Um jornalismo que não se limita a informar, mas que busca contextualizar, provocar reflexão e oferecer conteúdo que ajude o produtor a tomar melhores decisões. Ao ocupar diferentes plataformas – papel, tela e palco – o jornal amplia seu papel como elo entre informação, produção e desenvolvimento.
Informar é mais do que noticiar fatos. É sustentar a base com conteúdo relevante, confiável e aplicável. É isso que O Presente Rural faz no impresso, no digital e, cada vez mais, também fora das páginas e das telas. Porque uma suinocultura forte começa com informação de qualidade e se consolida quando essa informação chega a quem realmente produz.
Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!
Suínos
Master projeta investir R$ 1 bilhão e ampliar produção de suínos até 2030
Modelo de integração com produtores sustenta expansão da empresa de Santa Catarina, que pretende dobrar a capacidade industrial e ultrapassar 2 milhões de animais por ano.

A empresa Master Agroindustrial, de Videira (SC), dona da marca Sulita, adota o modelo de integração com produtores rurais como um dos pilares de seu negócio. Até 2030, a companhia pretende ampliar investimentos em processos produtivos, tecnologias, aumento da produção, assistência técnica e acesso a crédito aos integrados, com remuneração baseada em desempenho. A estimativa é que os investimentos no sistema como um todo cheguem a cerca de R$ 1 bilhão.
Fundada há 32 anos, a empresa tem origem no campo. O fundador, Mario Faccin, é médico veterinário e filho de agricultores. Antes de criar a empresa, atuava prestando assistência técnica a produtores rurais. “No início, eu prestava assistência a produtores. Vi de perto a evolução do agricultor, que deixou de ser chamado de colono para se tornar empresário rural”, relembra.

Foto: Shutterstock
Atualmente, a Master emprega cerca de 2 mil pessoas, mantém 350 pequenos produtores integrados e produz aproximadamente 1,1 milhão de suínos por ano. A meta é ampliar o plantel para 70 mil matrizes até 2030, alcançar a produção de mais de 2 milhões de suínos anuais e dobrar a capacidade industrial.
Mais de 70% da produção da empresa é destinada à exportação, com destaque para o Japão, considerado um dos mercados mais exigentes do mundo. No novo ciclo de expansão, cerca de R$ 250 milhões devem ser investidos diretamente nas propriedades rurais integradas. “O campo é a nossa raiz. É lá que estão nossos valores”, afirma Faccin.
A companhia também mantém o Instituto Master, responsável por ações sociais. Em 2025, os projetos somaram R$ 2,7 milhões em investimentos, além de iniciativas estruturadas de ESG desenvolvidas com apoio do SENAI.
No ano passado, a empresa anunciou R$ 800 milhões para ampliar suas operações em Santa Catarina. A expansão ocorre nas regiões do Planalto Norte e Meio-Oeste catarinense, onde a companhia já atua. A decisão de manter os investimentos no estado está ligada ao status sanitário diferenciado de Santa Catarina, único estado brasileiro autorizado a exportar carne suína para mercados como Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos e Canadá.



