Avicultura
Estratégias sinérgicas com aditivos zootécnicos para melhorar a saúde intestinal de aves
Estudos apontam que associação entre timol, carvacrol e ácido orgânico melhora controle microbiológico e pode substituir antibióticos promotores de crescimento.


Foto: Divulgação/Salus
Artigo escrito por Carlos Henrique de Oliveira, mestre em Zootecnia, especialista em Pesquisa e Desenvolvimento na Salus
O sucesso da produção avícola está diretamente ligado à sanidade da granja. Um ambiente sanitário controlado não só melhora os índices zootécnicos, como também garante a segurança e a qualidade do alimento destinado ao consumidor.
O uso de aditivos zootécnicos na alimentação das aves tem sido estudado como ferramenta complementar no controle de patógenos via modulação do microbioma intestinal. Entre os aditivos, os óleos essenciais, especialmente compostos fenólicos, destacam-se por sua atividade antimicrobiana. Esses compostos atuam principalmente na membrana celular bacteriana, alterando sua permeabilidade e integridade estrutural. Além disso, podem interferir em processos importantes para a colonização bacteriana, como a formação de biofilmes, reduzindo a adesão e a persistência de patógenos no intestino.
Por outro lado, os ácidos orgânicos exercem ação antimicrobiana por um mecanismo distinto. Em condições de pH mais baixo, uma maior fração do ácido permanece na forma não dissociada, permitindo sua difusão através da membrana bacteriana. No interior da célula, onde o pH é mais elevado, ocorre a dissociação da molécula, liberando prótons e ânions. Esse processo pode levar à acidificação do citoplasma e a intoxicação do microrganismo, comprometendo funções metabólicas e reduzindo o crescimento microbiano.
Interação entre as moléculas
Uma vez que a ação dos compostos fenólicos facilita a entrada dos ácidos orgânicos na célula bacteriana, potencializando seu efeito antimicrobiano, é necessário avaliar a interação entre as moléculas e estabelecer proporções adequadas que maximizem esse efeito. A associação entre timol, carvacrol e ácido benzoico em um produto comercial tem demonstrado sinergia capaz de potencializar a atividade antimicrobiana e melhorar a saúde intestinal de aves.
Um ensaio in vitro conduzido em Dijon, na França, avaliou a eficácia da combinação entre timol, carvacrol e ácido benzoico contra Salmonella, utilizando sete cepas isoladas de aves. A combinação entre os óleos essenciais e o ácido orgânico reduziu a concentração inibitória mínima (MIC), indicando maior sensibilidade bacteriana na presença dos compostos.
Adicionalmente, a inclusão de timol, carvacrol e ácido benzoico demonstrou efeito consistente na redução da capacidade de colonização bacteriana, tanto em ensaios de competição quanto de deslocamento. Em outras palavras, a combinação impediu a adesão de Salmonella Typhimurium em células cultivadas, além de remover as bactérias já aderidas.
Outros estudos
Esses resultados in vitro são consistentes com os observados em estudo conduzido na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), no qual a substituição de antibióticos promotores de crescimento pela associação dos óleos essenciais e ácido benzóico resultou na redução consistente das contagens de coliformes totais na superfície da casca dos ovos ao longo do ciclo produtivo de poedeiras.

Um estudo conduzido na Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que o uso dessa tecnologia também pode proporcionar um aumento na eclodibilidade de ovos férteis, menor incidência de ovos bicados e melhora na qualidade inicial dos pintinhos quando incluída nas dietas de matrizes pesadas como alternativa aos antibióticos promotores de crescimento.
Um fator diferencial que contribuiu para a eficácia da combinação desses aditivos está diretamente ligado à forma como esses compostos são liberados no organismo. O estudo galênico é fundamental para o desenvolvimento de aditivos estáveis, com perdas mínimas por volatilização e durante o processamento industrial, além de permitir o controle da cinética de liberação dos princípios ativos ao longo do trato gastrointestinal das aves.
Assim, tecnologias como a vetorização em matrizes específicas (por espécie e princípio ativo) permitem direcionar a ação dos aditivos zootécnicos para regiões específicas do intestino, como porções distais e o ceco, aumentando seu aproveitamento ao potencializar os efeitos sobre a modulação do microbioma intestinal.
Soluções efetivas
Em resumo, a utilização da combinação de aditivos zootécnicos representa uma abordagem promissora para promover saúde intestinal na produção avícola. Nesse cenário, o uso combinado de óleos essenciais e ácidos orgânicos, associado ao estudo galênico de técnicas de vetorização, permite viabilizar soluções efetivas no controle de microrganismos patógenos no intestino das aves, contribuindo para a manutenção da saúde intestinal, melhoria do desempenho zootécnico e avanço de sistemas de produção mais sustentáveis.

Figura 1. Efeito do timol + carvacrol e do ácido benzóico, isolados ou em combinação, sobre a adesão de Salmonella Typhimurium às células cultivadas HT-29. No ensaio de competição, Salmonella e os aditivos foram incubados simultaneamente, indicando redução da adesão por competição. No ensaio de deslocamento, os aditivos foram aplicados após a inoculação de Salmonella, evidenciando aumento da remoção de bactérias já aderidas.

Figura 2. Contagem de coliformes totais na casca dos ovos ao longo dos ciclos produtivos de galinhas poedeiras. A combinação entre timol + carvacrol + ácido benzóico (TCB) reduziu consistentemente os níveis de coliformes na casca em comparação ao controle negativo (CN) e positivo (CP).

Figura 3. Efeito da substituição de antibióticos promotores de crescimento (APC) pela combinação entre timol + carvacrol + ácido benzóico (T + C + B) em dietas para matrizes de corte. A inclusão dos aditivos aumentou a eclodibilidade e reduziu o número de ovos bicados, indicando melhora na qualidade do ovo e do embrião.

Avicultura
Simpósio da Facta debate tecnologia e dados na produção de matrizes avícolas
Evento programado para os dias 16 e 17 de setembro reúne especialistas para discutir manejo, incubação, automação e uso de indicadores na avicultura.

A integração entre tecnologia, análise de dados e práticas de manejo tem redefinido a produção de matrizes avícolas no Brasil. O tema estará no centro das discussões do Simpósio de Incubação e Matrizes, marcado para os dias 16 e 17 de setembro, em Chapecó (SC), promovido pela Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (Facta).
O encontro reunirá técnicos, pesquisadores, especialistas e profissionais da cadeia avícola para atualização sobre fatores que influenciam o desempenho de matrizes pesadas e incubatórios, com foco em eficiência produtiva e qualidade da progênie.
A programação inclui debates sobre manejo de recria, fertilidade, nutrição, programas de iluminação, controle ambiental, sanidade, vacinação e automação. Também entram na pauta o uso de indicadores de desempenho e ferramentas de análise de dados para apoiar a tomada de decisão e aprimorar resultados.
No segmento de incubatórios, os debates vão abordar manejo de ovos, ventilação, embriodiagnóstico, monitoramento de incubação e controle de qualidade, além de estratégias de gestão operacional.
Questões como gestão de pessoas, retorno sobre investimento em tecnologias e uso de dados na rotina produtiva também fazem parte da programação.
Para o presidente da Facta, Ariel Mendes, o simpósio busca aproximar conhecimento técnico e aplicação prática no campo. “A produção de matrizes e a incubação são etapas fundamentais para a eficiência de toda a cadeia avícola. O simpósio reúne especialistas e profissionais do setor para discutir tecnologias, práticas de manejo e ferramentas de gestão capazes de contribuir para ganhos consistentes de produtividade, qualidade e sustentabilidade na produção”, afirmou.
A programação completa está disponível aqui.
Avicultura
Exportações de carne de frango crescem 40,6% em junho
Brasil embarcou 482,8 mil toneladas no mês e registrou alta também na receita, que chegou a US$ 985,5 milhões.

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 482,8 mil toneladas em junho, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume supera em 40,6% o registrado no mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 343,4 mil toneladas.
A receita obtida com as exportações alcançou US$ 985,5 milhões, resultado 54,7% superior ao registrado em junho do ano passado, quando foram contabilizados US$ 637 milhões.
Impulsionados pelo desempenho de junho, os embarques brasileiros encerraram o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado da história das exportações brasileiras de carne de frango, tanto em volume quanto em receita. Entre janeiro e junho, os embarques alcançaram 2,936 milhões de toneladas, número 12,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 2,600 milhões de toneladas.
Em receita, o crescimento acumulado alcança 17%, com US$ 5,700 bilhões entre janeiro e junho deste ano, frente aos US$ 4,871 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras em junho, a China manteve a liderança, com 50,1 mil toneladas embarcadas (+12.248,8% em relação ao mesmo período do ano anterior). Na sequência aparecem Japão, com 46,6 mil toneladas (-0,9%), Emirados Árabes Unidos, com 46,2 mil toneladas (-5,1%), Arábia Saudita, com 33,1 mil toneladas (-1,0%), União Europeia, com 28 mil toneladas (+250,7%), África do Sul, com 26,3 mil toneladas (+946,3%), México, com 25,4 mil toneladas (+728,8%), Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas (+7.819,7%), Filipinas, com 12,5 mil toneladas (+330,2%) e Singapura, com 12 mil toneladas (-19,4%). Vale lembrar que parte das elevadas variações percentuais registradas em alguns mercados decorre da baixa base de comparação de junho de 2025, período impactado pelas restrições temporárias decorrentes do único caso, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no Brasil.

Foto: Jonathan Campos
No desempenho por estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, com 199,3 mil toneladas embarcadas em junho (+48,2%), seguido por Santa Catarina, com 103,3 mil toneladas (+35,2%), Rio Grande do Sul, com 56,7 mil toneladas (+40,1%), São Paulo, com 29,9 mil toneladas (+40,0%) e Goiás, com 29,4 mil toneladas (+55,4%).
“Os resultados do primeiro semestre foram conquistados em um ambiente marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelos desafios logísticos decorrentes desse contexto, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz. Mesmo diante desse cenário, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que manteve forte presença no Oriente Médio e expandiu oportunidades em mercados emergentes. O desempenho de junho, embora influenciado por uma base comparativa menor frente à ocorrência já superada de IAAP no Brasil, reforça a diversificação da pauta exportadora brasileira, a competitividade da nossa cadeia produtiva e consolida bases sólidas para mais um ano de resultados históricos nas exportações de carne de frango”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Avicultura
Preço do frango cai 0,83% no início de julho
Frango congelado e resfriado são negociados a R$ 7,20/kg no atacado paulista. Desaceleração das vendas pressionou as cotações, mas pagamento de salários pode estimular a demanda.

Após dois meses consecutivos de alta, os preços da carne de frango recuaram em junho, refletindo o enfraquecimento das vendas, sobretudo na segunda quinzena do mês. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora o volume negociado tenha permanecido satisfatório, ficou abaixo do registrado nos meses anteriores, levando vendedores a flexibilizar os preços para manter a liquidez e evitar a formação de estoques.

Foto: Divulgação
O movimento de baixa se estendeu para os primeiros dias de julho. Levantamento do Cepea/Esalq mostra que, na sexta-feira (03), tanto o frango congelado quanto o resfriado foram comercializados a R$ 7,20 por quilo no atacado do Estado de São Paulo, valor estável em relação aos dois dias anteriores, mas 0,83% inferior ao registrado no encerramento de junho.
No último dia útil de junho, o frango congelado era negociado a R$ 7,26/kg, acumulando valorização mensal de 3,27%. Já o frango resfriado fechou o mês a R$ 7,26/kg, com alta acumulada de 2,98% em junho. Na última segunda-feira (29), ambos os produtos chegaram a R$ 7,29/kg, antes do ajuste observado nos dias seguintes.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a perda de ritmo das vendas na segunda metade de junho levou frigoríficos e distribuidores a reduzirem os preços para facilitar o escoamento da produção. A estratégia buscou evitar o aumento dos estoques em um período de menor demanda.
Apesar do cenário de queda nas médias recentes, a expectativa para o início de julho é mais favorável. Conforme o Cepea, o pagamento de salários nos próximos dias tende a elevar o consumo de proteínas, o que pode contribuir para sustentar as cotações da carne de frango no atacado.
Os preços se referem à média da carne de frango negociada no atacado nas regiões da Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Descalvado, em reais por quilo.



