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Estratégias para o controle de mastite no período seco de vacas leiteiras

Medidas de manejo, nutrição, higiene e terapias específicas durante a secagem reduzem infecções e garantem melhor qualidade do leite na próxima lactação.

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Fotos: Shutterstock

Artigo escrito por Fabricio Benetti, Consultor Técnico Ruminantes da Elanco

No mundo todo, a mastite é uma das doenças mais prejudiciais para a produção leiteira. Ela é a principal doença responsável por afetar de forma direta a qualidade do leite, reduzir consideravelmente a produção e causar grandes prejuízos para os produtores.

A mastite é caracterizada pela inflamação da glândula mamária. Essa inflamação geralmente é causada por agentes infecciosos, como bactérias, fungos e algas, podendo se manifestar de duas principais formas: clínica, com sinais evidentes como inchaço do úbere e presença de grumos no leite, facilmente observadas ao olho nu; ou a forma subclínica, onde não são notados sinais visíveis, mesmo assim, prejudicam significativamente a produção e a qualidade do leite. Desta forma, medidas de controle e prevenção são fundamentais, onde podemos destacar o período seco como um momento oportuno para impedir novas infecções, ou ainda, para tentar combater infecções crônicas pré-existentes.

O período seco compreende o intervalo entre duas lactações. Nesse período, as vacas estão suscetíveis às infecções intramamárias, uma vez que alterações de manejo, rotina, dieta e ambiente, associadas ao alto potencial produtivo dos animais, desencadeia um quadro estressante ideal para o comprometimento da imunidade local e colonização por agentes infecciosos na glândula mamária.

Esse momento, em que a vaca se prepara para uma nova lactação, é o principal período para que a saúde da glândula mamária se restaure e esteja protegida para a próxima fase de produção de leite. O controle da mastite durante o período seco é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar do rebanho leiteiro, além de garantir a qualidade do leite produzido na próxima lactação. Fisiologicamente, a glândula passa por três fases distintas durante o processo de secagem.

Involução ativa: esta fase ocorre logo após o último período de ordenha. A síntese de leite cessa e a glândula começa a reabsorver o leite residual. As células secretoras sofrem apoptose (morte celular programada) e as estruturas do tecido glandular começam a encolher. Este processo dura cerca de duas a três semanas.

Estágio de repouso ou quiescência: nesta fase, a glândula mamária entra em um estado de repouso em que o tecido glandular é substituído por tecido conjuntivo e adiposo. É um período de regeneração e preparação para a próxima lactação, quando a glândula deve estar em seu melhor estado para produzir leite com eficiência.

Regeneração pré-parto: nas últimas semanas antes do parto, inicia-se a reativação da glândula mamária. As células secretoras de leite começam a se proliferar novamente e as estruturas do tecido glandular iniciam o processo de renovação para se preparar à próxima lactação.

Estratégias de Controle

Foto: Jaelson Lucas

Manejo Nutricional: uma dieta equilibrada e adequada durante o período seco é essencial para fortalecer o sistema imunológico das vacas e reduzir a suscetibilidade à mastite. A oferta de água limpa e fresca é imprescindível, não apenas nesse período, mas em toda vida da vaca. A fim de garantir a hidratação adequada, promovendo a saúde geral do animal.

Higiene e Limpeza: manter as instalações limpas e secas, em paralelo com práticas de higiene rigorosas, ajuda a prevenir a contaminação bacteriana durante o período seco. Essa prática inclui a limpeza e manutenção constante das camas quando os animais estiverem em sistema confinado, evitar acúmulo de barro e fezes nas áreas de alimentação e descanso dos animais. Medidas de higiene e limpeza, além de contribuir para a prevenção de infecções, proporcionam maior conforto e bem-estar aos animais.

Terapia de Secagem: a terapia de secagem, que envolve o uso de antibióticos intramamários após a última ordenha antes do período seco, é uma das principais estratégias que apresenta eficácia para prevenir e controlar infecções por mastite durante esse período. Os antibióticos selecionados devem ter um amplo espectro de atividade contra as principais bactérias causadoras de mastite. A terapia de secagem elimina em média 80% das mastites subclínicas existentes e previne até 80% das novas infecções intramamárias durante o período seco.

Selagem do Teto: a selagem dos tetos com produtos específicos após a aplicação da terapia de secagem é crucial para evitar a entrada de bactérias no úbere durante o período seco, além de evitar o gotejamento excessivo de leite residual. Esses selantes formam uma barreira física que impede a colonização bacteriana, reduzindo assim o risco de infecção.

Monitoramento e Identificação de Vacas de Alto Risco: é fundamental identificar precocemente as vacas com histórico de mastite ou com maior suscetibilidade à infecção. Essa prática faz com que possam ser implementadas medidas preventivas adicionais, como por exemplo, o uso de tratamentos específicos ou a segregação de animais crônicos do rebanho. Esse monitoramento permanente da saúde do úbere aliado com a análise dos dados de produção auxiliará na identificação e tratamento dos problemas de mastite de forma antecipada.

Implementação e impacto

Para que a implementação de um programa de controle de mastite no período seco seja bem-sucedido é necessário compromisso, dedicação e colaboração de toda equipe de manejo e profissionais veterinários da fazenda. Podemos citar algumas etapas-chave para criar e manter um programa eficaz:

1. Educação e Treinamento:

Fornecer treinamento regular para a equipe de manejo sobre as práticas adequadas de prevenção de mastite e manejo do úbere, a fim de que todos saibam a importância do período seco na saúde das vacas e o impacto na qualidade do leite.

2. Implementação de Protocolos:

Desenvolver protocolos claros e objetivos para o manejo do período seco, incluindo procedimentos de secagem, monitoramento de saúde e tratamento de infecções, garante que os protocolos sejam seguidos de forma consistente por todos os membros da equipe.

3. Avaliação e Ajustes:

Realizar avaliações periódicas do programa de controle de mastite para identificar áreas de melhoria e ajustar os protocolos conforme for necessário, com base nos resultados das avaliações e nas recomendações veterinárias.

Controle eficaz

Foto: Divulgação/Agência SP

Diante disso, podemos afirmar que para a implementação das estratégias de controle de mastite durante o período seco necessitamos do compromisso contínuo por parte de todos os envolvidos no manejo do rebanho, sejam eles proprietários, funcionários e equipe veterinária. Para isso, a formação adequada em práticas de higiene, o uso responsável de antibióticos e a adoção de medidas preventivas baseadas em evidências científicas são fundamentais para o sucesso do plano de controle.

A adoção das medidas para controle de mastite no período seco gera um impacto positivo que pode ser visto não apenas na saúde individual das vacas, mas também na produtividade e rentabilidade geral de toda a fazenda, através da redução da incidência de mastite que resulta em menos tratamentos veterinários, o menor descarte de leite devido a contaminação bacteriana e uma melhor qualidade do leite comercializado.

Ter um controle eficaz da mastite durante o período seco das vacas leiteiras é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar do rebanho, e assim poder maximizar a produtividade e rentabilidade da fazenda. Quando as estratégias de manejo nutricional, higiene, terapia de secagem e monitoramento proativo são adotadas de forma ativa, é possível reduzir significativamente o risco de infecções na glândula mamária e oportunizar uma produção de leite com alta qualidade.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: [email protected]

O acesso à versão digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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Foto: Shutterstock

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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