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Estratégias para aumentar as taxas de curas de mastites

Analisar a situação epidemiológica da propriedade e determinar as melhores estratégias de tratamentos é fundamental para uma alta taxa de cura clínica

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Artigo escrito por Leysdson Ferreira Martins, médico veterinário na Biovet Vaxxinova

Controlar casos de mastites em uma propriedade leiteira continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo produtor. O principal esforço deve ser para evitar que novos casos apareçam no rebanho. Para isso há inúmeras tecnologias preventivas para serem utilizadas. Mas o que fazer quando todo esse cuidado não é suficiente e aparece um novo caso para ser tratado? Analisar a situação epidemiológica da propriedade e determinar as melhores estratégias de tratamentos é fundamental para uma alta taxa de cura clínica.

O conceito de cura espontânea está se tornando cada vez mais consolidado, pois as vacas têm uma certa habilidade para lidar com alguns tipos de mastites por meio de sua resposta imune, porém para tomar essa decisão uma série de análises devem ser feitas para que os animais não sejam expostos a riscos desnecessários.

É conceito consolidado também que quanto mais precoce for a identificação da mastite maior é a chance de cura clínica quando o tratamento de antibióticos é indicado. Assim, a terapia com antibióticos é uma ferramenta útil para combater casos de mastites durante a lactação.

Há inúmeras possibilidades de bases terapêuticas para serem utilizadas, que podem ser utilizadas isoladamente ou até mesmo de maneira combinada. Os tratamentos que utilizam mais de um princípio ativo na formulação têm como objetivo potencializar a cura.

Dessa maneira, é importante analisar muito bem a associação escolhida, pois é possível produzir alguns efeitos biológicos com a interação entre as moléculas de antibióticos. Se a escolha for bem feita, produz-se um efeito chamado de sinergismo, caso contrário é possível produzir o efeito do antagonismo.

Pode acontecer do produtor escolher dois bons produtos antibióticos para serem utilizados em um mesmo tratamento. E pode ser que essa escolha produza um efeito negativo no combate a infecção, isso acontecerá se os dois produtos escolhidos forem antagonistas um do outro. Um exemplo clássico é a combinação de penicilina com tetraciclina. Dois bons antibióticos quando utilizados separadamente, porém com péssimos resultados quando usados concomitantemente.

Porém, é possível buscar um efeito totalmente a favor da associação. Nesse caso, procura-se moléculas que quando combinadas produzem um efeito superior do que a simples soma dos resultados delas usadas isoladamente. Por exemplo, as cefalosporinas agridem as bactérias pelo seu exterior (parede bacteriana), já as neomicinas provocam danos no interior das bactérias. Essa combinação de mecanismos de ações diferentes pode gerar sinergismos e gerar resultados mais satisfatórios no controle da infecção.

A busca por associação de moléculas sinérgicas para o tratamento de mastites durante a lactação podem ser feitas utilizando um mesmo produto que já tenha em sua formulação a composição ideal. Nesse caso a chance de acerto da escolha das moléculas é muito alta, pois os fabricantes já estudaram e formularam o produto a fim de obter esse sinergismo.

O maior cuidado deve estar na escolha das terapias combinadas entre o uso de antibióticos intramamários com antibióticos injetáveis. Pois, essa escolha deve ser feita com técnica para evitar o uso de produtos que provocam o efeito do antagonismo.

Pensando primeiramente somente no uso de bisnagas, há no mercado diversas antibióticos associados para tratamento de vacas durante a lactação. Para muitos casos de mastites o tratamento intramamário é suficiente para o controle das infecções. Uma das principais características a serem avaliadas no produto escolhido é sua solubilidade no leite, pois quanto mais solúvel for o veículo utilizado na formulação da bisnaga, maior será a dispersão dos princípios ativos no interior do úbere.

Espera-se que após a introdução do conteúdo da bisnaga no interior do canal do teto ocorra uma intensa difusão por todo sistema de ductos capaz de gerar elevada concentração das drogas no ponto da infecção.

Combinado

Porém, há casos em que é necessário optar pelo uso combinado de antibióticos intramamários com antibióticos injetáveis. Nesse caso, a finalidade é potencializar o ataque à colônia de bactérias. Onde parte do controle será feito pelos antibióticos difundidos pelo interior do úbere, com uso de produtos intramamários, e parte dos princípios ativos chegarão ao local de combate através da vascularização sanguínea, altamente presente no tecido mamário, através do uso de antibiótico injetável. Essa combinação de vias de aplicação aumenta a porcentagem de taxa de cura.

Um possível benefício da associação de moléculas sinérgicas com a associação de vias de aplicação é a redução do período de tratamento. Uma das maiores causas de aparecimento de microrganismos resistentes é a exposição prolongada dos patógenos a agentes antimicrobianos, selecionando as cepas mais resistentes.

Considerações finais

Todos esses conceitos devem ser considerados ao se escolher os protocolos a serem utilizados para controle de mastites durante a lactação. O maior esforço ainda deve ser destinado para a prevenção de novos casos, pois quanto maior o sucesso do uso de tecnologias preventivas, menos casos clínicos aparecerão para serem tratados. Porém, quando chegar o momento de realizar um tratamento, esse deve ser altamente eficaz para que não ocorra o retorno de casos clínicos em um mesmo animal.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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Foto: Shutterstock

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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Foto: Shutterstock

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

Foto: Shutterstock

O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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