Suínos Levantamento no Sul do Brasil
Estamos dando a devida importância para os diferentes genótipos do Circovírus suíno tipo 2?
A suinocultura se mostra cada vez mais tecnificada e competitiva, e a decisão de ampliar a cobertura de proteção (PCV2a, PCV2b e PCV2d) sobre um agente que circula por todas as fases da cadeia produtiva, sem dúvida alguma, é a melhor decisão a ser tomada.

Artigo escrito por Dener Tres, médico-veterinário e assistente técnico de suínos na Zoetis.
A circovirose suína é uma doença infectocontagiosa causada pelo Circovírus suíno tipo 2 (PCV2), uma das infecções virais mais importantes nos suínos causando inúmeras perdas econômicas, da UPD até ao abate. Começando na base da produção, na Unidade Produtora de Desmamados (UPD), granja responsável por produzir os leitões para o sistema de produção, o Circovírus suíno (PCV) está relacionado a perdas reprodutivas. Neste cenário seu envolvimento está associado a ocorrência de mumificação fetal, natimortos, nascimento de leitões fracos e abortos. Em um trabalho brasileiro investigando problemas reprodutivos, o agente infeccioso mais frequentemente associado a quadros patológicos nos leitões foi o PCV.
Em relação a fase de creche, crescimento e terminação, o PCV acomete predominantemente leitões de cinco a 12 semanas de vida, com morbidade variando de 70 a 80% e mortalidade de 4 a 30%. Nestas fases o vírus está relacionado com uma sintomatologia clínica sistêmica, levando aos seguintes sintomas clínicos: pneumonia, diarreia, lesões de pele, febre alta, apatia, pelo opaco, icterícia de pele e mucosas e o sinal mais característico que é emagrecimento rápido e progressivo.
O PCV possui a capacidade de se manter em um plantel positivo devido a suas diversas formas de infectar o suíno. A excreção viral e transmissão se dão por diversas rotas (nasal, oral e fecal). Além disso o PCV possui uma grande resistência no ambiente e aos desinfetantes, desse modo o contato direto entre suínos contaminados ou fômites na granja são as maneiras mais comuns nas quais o agente se perpetua no plantel. Além disso, a transmissão via sêmen de cachaços infectados e a transmissão transplacentária também devem ser levadas em consideração.
Além das perdas ocasionadas nas granjas produtoras de suínos, o PCV, por fazer parte do complexo de doenças respiratórias, atuando como agente primário, também possui grande importância nas perdas relacionadas a condenações no frigorifico. Neste cenário, o vírus atua como agente primário, causando pneumonia intersticial e depleção linfoide, facilitando assim a ocorrência de pneumonias por agentes secundários.
Frente aos desafios e importância do circovírus no sistema de produção, as vacinas possuem um papel fundamental, controlando os casos clínicos e as doenças associadas ao PCV2. Entretanto é valido ressaltar que a maioria das vacinas disponíveis no momento são baseadas no genótipo PCV2a, enquanto pesquisas de genotipagem nos mostram um aumento significativo na prevalência dos genótipos PCV2b e PCV2d em rebanhos brasileiros.
Estudo
Visando contribuir com a pesquisa e auxiliar os sistemas de produção brasileiros a entender de forma precisa os seus desafios de campo, uma pesquisa buscou entender a atual situação da prevalência dos genótipos de PCV2 no país. Para este projeto, foi realizado uma investigação completa do agente, buscando entender se os animais apresentavam viremia para PCV2 (qPCR), lesões histopatológicas e qual genótipo estava envolvido no quadro. Os resultados que serão apresentados são provenientes de levantamentos realizados nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Em relação a análise de quantidade de copias genômicas de PCV circulante, ou seja, viremia para o agente, de 1.358 animais coletados, 12,89% destes suínos apresentavam altas cargas de cópias genômicas do vírus no soro, sendo quantidade maior que Log6(10). Desse modo, é possível observar que uma quantidade significativa de animais mesmo vacinados contra o PCV2 (vacina baseada no genótipo PCV2a) se mostram virêmicos, e, portanto, suscetíveis às doenças associadas ao Circovírus suíno tipo 2 (PCVAD), tendo seu desempenho potencialmente afetado.
Além disso, para a confirmação do envolvimento do PCV, uma análise extremamente importante é a histopatologia, confirmando as lesões ocasionadas pelo agente envolvido no quadro. Desse modo, foram realizadas necropsias em animais com sinais clínicos sugestivos para o circovírus suíno, onde na análise histopatológica foram observadas lesões de PCV em 47,90% dos suínos avaliados.
Visando entender quais genótipos estavam envolvidos nos quadros de circovirose investigados, as amostras provenientes de altas quantidades de copias genômicas no soro maior que Log6(10), e dos animais com lesões histopatológicas foram encaminhadas para a análise de genotipagem (Gráfico 1).
Em relação a genotipagem das amostras coletadas, é possível observar a grande prevalência do genótipo PCV2b estando presente em 81,53% das amostras coletadas, onde em 40,00% delas sendo o único genótipo encontrado no animal coletado, e 41,54% apresentando coinfecção junto ao genótipo PCV2d. Além disso, outra descoberta relevante foi a ausência do genótipo PCV2a, responsável por enormes prejuízos na suinocultura brasileira quando a doença adentrou no Brasil.
Desafio presente
Diante dessa realidade, podemos afirmar que o desafio pela circovirose ainda é algo bastante presente na cadeia produtiva de suínos, onde muitas vezes acaba sendo subdiagnosticado ou confundido com doenças com sintomatologia clínica semelhante. Rebanhos mesmo que vacinados se encontram suscetíveis a índices de desempenho (GPD e CA) insuficientes e pouco competitivos, além da elevação da mortalidade do plantel.

Lesões encontradas em um rebanho com relato de alta mortalidade e desempenho insuficiente na fase de recria – 95 dias de vida. 1 – Pulmões não colapsados colabados com edema interlobular. 2 – Aumento dos linfonodos Inguinais. 3 – Rins com focos esbranquiçados de tamanhos variáveis, nefrite intersticial.
A ampla cobertura para diferentes genótipos de PCV2, em especial para os genótipos PCV2b e PCV2d, nunca se mostrou tão necessária como no cenário atual, onde a observação destes genótipos ligados a viremia e lesões histopatológicas em rebanhos vacinados, com vacinas baseadas apenas no genótipo PCV2a, indicam uma falha no processo de controle do vírus. A suinocultura se mostra cada vez mais tecnificada e competitiva, e a decisão de ampliar a cobertura de proteção (PCV2a, PCV2b e PCV2d) sobre um agente que circula por todas as fases da cadeia produtiva, sem dúvida alguma, é a melhor decisão a ser tomada.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: [email protected].
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Suínos Em Santa Catarina
Embrapa destaca potencial dos dejetos suínos para substituir parte da adubação mineral
Palestra técnica durante assembleia do Sindicato Rural de Joaçaba mostrou como o uso correto dos dejetos melhora a fertilidade do solo, aumenta a produtividade agrícola e fortalece a sustentabilidade das propriedades.

O Sindicato Rural de Joaçaba (SC) reuniu produtores rurais, lideranças do setor, técnicos e representantes de entidades parceiras em sua Assembleia de Prestação de Contas. Além de apresentar o balanço das ações desenvolvidas pela entidade, o encontro promoveu uma discussão técnica sobre o aproveitamento agronômico dos dejetos de suínos e reforçou a importância da atuação conjunta em defesa do agronegócio regional.

Foto: Divulgação
A programação incluiu a palestra “Potencial Agronômico dos Dejetos de Suínos”, ministrada pelo pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Evandro Carlos Barros. Durante a apresentação, o especialista abordou o uso dos dejetos como fonte de nutrientes para a agricultura, destacando seu potencial para elevar a produtividade das lavouras, otimizar o aproveitamento dos recursos disponíveis nas propriedades e contribuir para a sustentabilidade ambiental.
Na assembleia, a diretoria do Sindicato Rural de Joaçaba também apresentou um balanço das atividades desenvolvidas, além dos projetos e das ações previstos para os próximos meses.
O presidente da entidade, Clemerson Argenton Pedrozo, ressaltou que a iniciativa buscou aliar a prestação de contas à atualização técnica dos produtores. “Realizamos uma assembleia de prestação de contas e, juntamente com ela, trouxemos um palestrante da Embrapa, sempre uma grande parceira, com muito conhecimento técnico, engrandecendo o nosso evento. Fizemos uma grande assembleia, apresentamos as novidades do Sindicato Rural de Joaçaba, conversamos sobre as nossas ações e sobre o que pretendemos ainda para o futuro”, afirmou.

Foto: Lucas Scherer
Pedrozo também destacou a atuação das instituições parceiras no fortalecimento do setor agropecuário. Segundo ele, o apoio do Sistema Faesc/Senar, do Icasa, da Cidasc, da Epagri e de outras entidades tem sido fundamental para ampliar o acesso dos produtores à assistência técnica e à capacitação. “É importante agradecer a parceria do Sistema Faesc/Senar, que tem nos apoiado e trazido os recursos necessários para aplicarmos em benefício dos produtores rurais. Também agradecemos ao Icasa, à Cidasc, à Epagri e a todas as entidades que trabalham em conjunto com o nosso Sindicato, levando conhecimento e defendendo o produtor rural”, destacou.
De acordo com o dirigente, o trabalho integrado fortalece a representatividade da categoria e amplia a oferta de conhecimento aos produtores. “O objetivo do Sindicato é fazer a defesa do produtor rural e, por meio da parceria com o Senar/SC, levar conhecimento ao nosso público”, completou.
O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, ressaltou o papel dos sindicatos rurais na organização do setor e na aproximação dos produtores de informações estratégicas, assistência técnica e oportunidades de desenvolvimento.
Suínos No Oeste do Paraná
Produtores de suínos recebem orientações sobre descarte correto de carcaças
Encontro abordou exigências legais, medidas de biosseguridade e procedimentos para reduzir riscos sanitários e ambientais na suinocultura.

Produtores de suínos de Pato Bragado, no Oeste do Paraná participaram, na quinta-feira (26), de um encontro técnico voltado ao descarte adequado de carcaças de animais. A iniciativa, promovida pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente em parceria com a Associação Regional de Suinocultores do Oeste (Assuinoeste), reuniu suinocultores, representantes da entidade e de empresa parceira para discutir procedimentos previstos na legislação e medidas de biosseguridade nas propriedades.

Foto: Divulgação/Assuinoeste
A programação destacou a importância da destinação correta das carcaças como parte das ações de prevenção sanitária da atividade. Além de atender às exigências legais, o manejo adequado contribui para reduzir riscos de contaminação ambiental e minimizar a possibilidade de disseminação de agentes causadores de doenças que podem comprometer os rebanhos.
Durante o encontro, os participantes receberam orientações técnicas sobre os procedimentos recomendados para o descarte de carcaças e esclareceram dúvidas relacionadas à legislação e às práticas adotadas nas propriedades.
Segundo os organizadores, a proposta foi ampliar o acesso dos produtores a informações técnicas que auxiliem na adoção de medidas de biosseguridade e reforcem a conformidade das granjas com as normas sanitárias e ambientais.
A ação integra as atividades de orientação promovidas pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente em parceria com a Assuinoeste, com foco na qualificação dos produtores e no fortalecimento das boas práticas de produção na suinocultura.
Suínos
Tilvalosina e seus benefícios no controle das doenças respiratória em suínos
Estudos apontam que antibiótico combate Mycoplasma hyopneumoniae e ajuda a modular a resposta imunológica dos animais.

Artigo escrito por José Lino Castro Jr., DVM, Swine Technical Services Manager, South and Southeast Asia, ECO Animal Health.
Para sobreviver na presença de patógenos nocivos, a natureza forneceu aos organismos vivos uma ferramenta especializada para se proteger, que a ciência denomina sistema imunológico (Fig. 1). O sistema imunológico é dividido em duas partes: o sistema imunológico inato e o sistema imunológico adaptativo.

O sistema imunológico inato é equipado com barreiras físicas e células de defesa residentes, incluindo macrófagos e neutrófilos. O sistema imunológico adaptativo é equipado com células T e células B. Quando um patógeno ultrapassa as barreiras físicas, ele aciona o sistema imunológico inato para ativar simultaneamente as células de defesa residentes para neutralizar o patógeno.
A ativação dessas células, particularmente macrófagos e neutrófilos, desencadeia a liberação de citocinas pró-inflamatórias (por exemplo, IL-1β, IL-6, IL-8, TNFα), levando à inflamação. Enquanto isso ocorre, o sistema imunológico adaptativo também é ativado por macrófagos e células dendríticas, que apresentam fragmentos do patógeno às células T.
As células T respondem de três maneiras: destroem as células infectadas (células T citotóxicas), ativam as células B para produzir anticorpos (células T auxiliares) e regulam a resposta imune adaptativa geral (células T reguladoras).
Esses processos complexos e interligados continuam até que o patógeno seja eliminado. Uma vez eliminadas, as células T enviam sinais para desligar o sistema imunológico, permitindo que o corpo se cure e se recupere. No entanto, certas bactérias e vírus podem sobrecarregar o sistema imunológico, criando o pior cenário possível, do qual animal pode não se recuperar.
Nesse cenário, há liberação excessiva de citocinas pró-inflamatórias (tempestade de citocinas), desencadeando uma inflamação descontrolada, resultando em danos aos tecidos relacionados à inflamação.
Mycoplasma hyopneumoniae, assim como Actinobacillus pleuropneumoniae, PRRSV, coronavírus respiratório suíno e PCV2 são patógenos suínos capazes de alterar a resposta imune em detrimento do animal.
O Mycoplasma hyopneumoniae causa uma doença em suínos conhecida como Pneumonia Enzoótica. Ela afeta principalmente o trato respiratório, que se manifesta clinicamente como tosse.
Sintomas
Esta doença é de importância econômica, pois está associada à redução do ganho de peso médio diário, diminuição da eficiência alimentar e aumento do custo com medicamentos. Estima-se que a doença custe US$ 0,84/suíno na terminação de rebanhos infectados. Afeta suínos de todas as idades e é comumente observada em suínos de terminação. Mycoplasma hyopneumoniae é um dos principais agentes do Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos, juntamente com outras bactérias e vírus.
Ele pode modular e/ou evadir a resposta imune. Portanto, as lesões pulmonares observadas durante a realização de necropsias podem, em parte, ser resultado de inflamação descontrolada, devido à capacidade dessa bactéria de alterar a resposta imunológica. Além do manejo otimizado da granja e da vacinação, antibióticos com alegações licenciadas contra Mycoplasma hyopneumoniae são comumente necessários para controlar ou eliminar a doença.
Controle
Antibióticos adequados incluem macrolídeos, pleuromutilinas, fluoroquinolonas, lincosamidas, tetraciclinas, anfenicóis e aminoglicosídeos. Esses antibióticos atuam inibindo ou eliminando bactérias. Além disso, alguns macrolídeos, incluindo a tilvalosina, apresentam atividade imunomoduladora e anti-inflamatória in vitro.
Imunomoduladores são substâncias naturais ou sintéticas que ajudam a regular ou normalizar o sistema imunológico. Estudos in vitro demonstram que a tilvalosina modula a liberação de citocinas pró-inflamatórias e reduz o recrutamento e a ativação de células inflamatórias. Um estudo in vitro2 também mostrou que a tilvalosina reduz o estresse oxidativo desencadeado pelo vírus da PRRS.
A tilvalosina também induz apoptose e eferocitose e promove a secreção de mediadores lipídicos pró-resolução (lipoxina e resolvina) que auxiliam no reparo e na cicatrização de tecidos.
No estudo in vivo mais recente realizado em leitões desafiados com Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV, a tilvalosina eliminou infecções pulmonares por Mycoplasma hyopneumoniae e reduziu as citocinas pró-inflamatórias locais e sistêmicas. Os pesquisadores também observaram aumento do IFNα sérico, geralmente suprimido pelo PRRSV, em suínos tratados com tilvalosina.
Esses achados indicam que a tilvalosina pode melhorar a saúde dos suínos, se usada criteriosamente em operações com infecções coexistentes por Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV.
Pontos Principais
O sistema imunológico é uma rede de processos complexos e interligados para ajudar o animal a sobreviver na presença de patógenos nocivos.
Alguns patógenos, incluindo Mycoplasma hyopneumoniae, alteram a resposta imune, causando danos teciduais relacionados à inflamação.
Além de seu efeito antimicrobiano, acredita-se que a imunomodulação seja um atributo importante de alguns antibióticos macrolídeos na melhoria dos resultados clínicos.
In vitro, a tilvalosina auxilia na imunomodulação por meio de:
Modulação da liberação de citocinas.
Redução do estresse oxidativo.
Modulação do recrutamento e ativação de células inflamatórias.
Indução de apoptose e eferocitose.
Aumento da secreção de mediadores lipídicos pró-resolução.
In vivo, a tilvalosina combate doenças respiratórias por meio de:
Redução da carga de micoplasma dos pulmões.
Redução de citocinas pró-inflamatórias locais e sistêmicas.
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