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Avicultura Voz do Cooperativismo

“Estamos aproveitando as oportunidades, como a aquisição ou incorporação de novas cooperativas e também a expansão de área”, revela presidente da Cooperalfa

Voz do Cooperativismo conta em seu novo episódio as estratégias que a Alfa usou e usa para continuar se agigantando entre as cooperativas agropecuárias do Brasil.

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Fotos: O Presente Rural

Quando uma ou mais pessoas sonham em abrir uma empresa, não basta ficar apenas sonhando, é necessário muito trabalho e dedicação. Esses atributos podem ser observados na trajetória da Cooperalfa, uma cooperativa gigante, com mais de 22 mil cooperados, fundada em 1967 por pessoas que tinham o mesmo propósito e que, a partir de suas demandas iniciais, lá nos primeiros anos, fez surgir outra gigante do setor, a Aurora Coop. A matriz da Cooperalfa está localizada em Chapecó, na região Oeste de Santa Catarina, para onde a Reportagem do Jornal O Presente Rural viajou para entrevistar o presidente da Cooperalfa, Romeo Bet. No programa Voz do Cooperativismo, que você pode acompanhar em vídeo ou podcast, Bet falou sobre os principais desafios que já foram superados nessa trajetória, destacou as inúmeras conquistas que tornaram a Cooperalfa uma das cooperativas mais importantes e pujantes do Brasil, contribuindo para o crescimento sólido e eficiente do setor. Confira.

Voz do Cooperativismo: Conte um pouco sobre sua trajetória e envolvimento com o cooperativismo. Como chegou à posição que ocupa na Cooperalfa?

Presidente da Cooperalfa, Romeo Bet

Romeo Bet: Contar uma história de 56 anos em alguns minutos é um grande desafio. Pois bem, a trajetória da Cooperalfa teve início no dia 29 de outubro de 1967, quando 39 produtores rurais sentiram a necessidade de criar uma cooperativa para comercializar a produção que era produzida aqui na nossa região. Naquela época, a principal fonte de receita dos nossos produtores era a cultura do feijão. Além disso, praticamente todas as propriedades contavam também com a criação de suínos. O problema é que em muitos momentos não encontrava-se compradores para essa produção e quando encontravam os compradores, eram esses comerciantes que faziam o preço, o que nem sempre era vantajoso para os pequenos produtores. Desta problemática surgiu a oportunidade de criar uma cooperativa. Desta forma iniciamos um trabalho de fomento, de associação e fomos ganhando forma e crescendo em nossa atuação. De início verificamos a importância de edificar uma estrutura física para receber a produção e começamos construindo armazéns.

Em apenas dois anos da formação já sentimos a necessidade de iniciar com a parte industrial, com o recebimento dos suínos que eram produzidos pelos nossos cooperados. Encontramos um frigorífico que estava desativado e pela iniciativa de oito cooperativas, formamos a Cooperativa Central Oeste Catarinense. Adequamos às instalações daquele frigorífico que estava parado e então começamos o abate de suínos. Foi assim que começou a Cooperalfa e a Aurora. Tudo isso foi bastante difícil, passamos por muitos desafios, porque iniciamos os trabalhos sem dinheiro para investir, sem capital de giro. Desta maneira, trabalhamos na conscientização e na importância de unir forças e fomos aumentando o número de cooperados. Dia após dia ganhamos novos cooperados e assim fomos crescendo e chegamos a este tamanho que estamos hoje. Somos 22.370 famílias associadas e 4.020 colaboradores. Com esta crescente e conseguindo bons negócios fomos incorporando outras cooperativas e assim fomos aumentando em tamanho.

Voz do Cooperativismo: Esse montante de 22.370 famílias são no campo, na indústria e na cidade?

Romeo Bet: Não. Todos esses são produtores rurais, são associados da Cooperalfa. É claro que algumas famílias moram na cidade, mas todas possuem propriedades no campo e desenvolvem lavoura e/ou pecuária.

Voz do Cooperativismo: Para o senhor, qual é a importância do cooperativismo no agropecuário?

Romeo Bet: Isso depende muito de cada região, pois o nosso país é muito grande. Na nossa região Sul e principalmente o estado de Santa Catarina temos pequenos produtores. Então eu vejo que o cooperativismo agrícola aqui tem uma importância muito grande, porque ele oferece uma excelente assistência técnica, bem como a segurança com relação à comercialização, pela agregação de valor que você tem. Então, eu diria assim, que o cooperativismo em Santa Catarina teve um papel muito importante, principalmente no Oeste catarinense. Depois que surgiu a Cooperalfa, novas cooperativas foram sendo criadas, a Aurora também foi criada contribuindo para que a parte industrial de frangos, suínos e leite fossem sendo produzidas. Desta forma, as cooperativas trazem uma confiabilidade e segurança aos produtores, pois auxiliam na comercialização, na produção, na agregação de valor e ofertam um preço justo para quem produz.

Voz do Cooperativismo: O senhor pode explicar como a Cooperalfa trabalha para agregar valor e também nos falar sobre os diversos setores nos quais a cooperativa atua?

Romeo Bet: A Cooperalfa atua em vários ramos. Com relação a carne e leite somos sócios da Aurora. Contamos com um número grande de cooperados que produzem suíno, frango e leite e então, a Aurora é a responsável por fazer a industrialização e a comercialização desses produtos, nossa participação na Aurora é bastante expressiva. Além disso, a Cooperalfa também atua na industrialização de soja, trigo, fábricas de ração, linha de supermercados e lojas agropecuárias, e também atuamos no mercado de insumos. Ou seja, realizamos uma diversidade muito grande de atividades, o que propicia a sustentação da nossa cooperativa. Ter esta diversificação é muito importante porque uma ajuda a sustentar a outra, como por exemplo, quando não temos uma safra muito boa, temos outras linhas que ajudam na sustentação de toda a cooperativa, contribuindo para atuar com o princípio de cooperar. Desta forma, os supermercados e as lojas agropecuárias, bem como a parte industrial, tanto de soja, quanto de trigo, como as fábricas de ração são muito importantes para agregar valor e dar segurança para o produtor.

Voz do Cooperativismo: Para onde é direcionada toda a produção da Cooperalfa e quais são os produtos que vão para a Aurora?

Romeo Bet: Praticamente toda a soja é direcionada às nossas indústrias. Alguma coisa excedente a gente faz a exportação. O milho é utilizado praticamente todo na fabricação de ração, e um pouco de excedente normalmente é comercializado. Para a Aurora, a gente mando o frango, o suíno e o leite e também fornecemos farelo de soja e de milho.

Voz do Cooperativismo: Como é a relação da Cooperalfa com seus associados e a cooperativa tem auxiliado no trabalho de planejar a sucessão familiar nas propriedades rurais?

Romeo Bet: A relação dos cooperados com a cooperativa é muito próspera. Nossos associados possuem muita confiança na Cooperalfa. Realizamos trabalhos com jovens, com casais líderes, bem como com grupos de mulheres. Os resultados não são visíveis de forma imediata, pois é um trabalho de formiguinha que realizamos. É importante destacar que nossos cooperados enxergam isso com bons olhos e observamos uma mudança na postura de muitos jovens. Há quatro ou cinco ano, por exemplo, o índice de saída dos jovens do campo era bem alto. Hoje, este cenário está diferente, pois eles estão enxergando mais oportunidades no campo. Então muitos agricultores mandam seus filhos estudar algo relacionado ao campo e muitos voltam e aplicam o aprendizado em sua propriedade. Isso está contribuindo para melhorarmos os índices de jovens que estão atuando nas propriedades rurais. É claro que existem vazios, ainda vivemos a tendência de termos cada vez menos agricultores no campo, um dos fatores que contribuem para isso é o número de filhos que nossos produtores estão tendo, que são números bem parecidos com os da cidade. A maioria tem dois ou três filhos, bem diferente da realidade de antigamente, quando era comum que os agricultores tivessem mais de 8 filhos. Desta forma, a permanência no campo também depende de oportunidade de trabalho.

Voz do Cooperativismo: Quais são os principais projetos que a Cooperalfa tem para os próximos anos?

Romeo Bet: Em todos os anos nós temos projetos para executar. Temos um planejamento macro até 2030 de crescimento. Estamos aproveitando as oportunidades que surgem, como a aquisição ou incorporação de novas cooperativas e também a expansão de área, como é o caso mais recente de Mato Grosso do Sul, que estamos entrando com atividade de suínos para abastecer o frigorífico de Aurora, lá em São Gabriel do Oeste. Nós temos a necessidade de aumentar a nossa capacidade de armazenagem. Também almejamos aprimorar o leque de negócios nos supermercados e lojas agropecuárias, além de estarmos observando algumas áreas na nossa região sul, como o Rio Grande do Sul, iniciamos um crescimento lá e percebemos que temos muitas oportunidade de negócio para avançar. Também planejamos aumentar nosso parque industrial.

Voz do Cooperativismo: O senhor pode nos adiantar se existe a previsão da incorporação de alguma cooperativa ou empresa nos próximos meses?

Romeo Bet: Momentaneamente não, mas sempre existe a possibilidade. A Alfa cresceu aproveitando boas oportunidades, incorporando, comprando ou alugando, como a Cooperchapéco, Cooperxaxiense, Cooper São Miguel, Coopercanoinhas. Em 2014, levamos a nossa cooperativa para o Mato Grosso do Sul e, em 2017, para o Rio Grande do Sul. Em todas estas regiões temos uma atuação muito forte. Então essas foram algumas das aquisições que conseguimos e a expansão na parte industrial sempre está presente. Temos um projeto para aumentar a capacidade de suínos em Mato Grosso do Sul e por consequência disso temos uma necessidade de construir uma fábrica de ração lá, mais especificamente em Sidrolândia. Ou seja, estamos sempre observando as oportunidades que surgem, desta forma não temos nada no radar hoje, mas pode ser que logo consigamos uma nova oportunidade. Estamos sempre olhando para frente.

Voz do Cooperativismo: O senhor falou bastante sobre suínos. É este o ramo que vocês estão colocando mais incentivos?

Romeo Bet: Eu não diria que nós estamos empenhando mais força, mas, sim, é uma oportunidades de mercado que observamos. A Aurora está aumentando a capacidade de abate do frigorífico de São Gabriel do Oeste de 3.500 para 5 mil suínos. Como aqui em Santa Catarina não temos condições de aumentar, estamos construindo essa nova granja para suprir a necessidade que a Aurora tem lá no Mato Grosso do Sul.

Voz do Cooperativismo: Como a Cooperalfa tem lidado com os temas atuais como bem-estar animal, práticas ESG, a integração da tecnologia. Como a Alfa tem desenvolvido estas implementações e melhorias na produção?

Romeo Bet: A Alfa tem uma equipe técnica de muita qualidade, são agrônomos e veterinários que acompanham a evolução tecnológica. Nossa instrução é para que eles assimilem as novidades e sempre estejam preparados para levar os novos conhecimentos para a criação de suíno, frango e mesmo de leite, bem como na agricultura. O mercado sempre oferece novos produtos e por isso, é primordial ter uma equipe bem preparada para acompanhar essa evolução tecnológica, para manter um padrão elevado de qualidade e sempre atualizado.

Voz do Cooperativismo: Isso tem se traduzido em um melhoria de mais produção e mais produtividade?

Romeo Bet: Sem sombra de dúvida. Se nós olharmos dez anos atrás, qual era a média que se produzia por hectare de milho? Era cento e poucas sacas, às vezes chegávamos em 180. Hoje já passamos das 200 sacas de milho por hectare e já temos produtores colhendo 300. Da mesma forma verificamos avanços significativos na produção de frango e suíno. Se antigamente precisávamos de três a quatro quilos de ração para produzir um quilo de carne, hoje conseguimos produzir com cerca de 2,8 quilos. Esses números são o resultado da evolução tecnológica e de uma equipe comprometida em levar o melhor para os produtores. Desta forma, quem trabalha com a produção de alimentos precisa acompanhar as evoluções, para continuar competitivo no mercado.

Voz do Cooperativismo – Explique como os produtores da Alfa conseguem chegar a uma média alta de 32 suínos desmamados ao ano?
Romeo Bet – É uma média alta e nós queremos mais. Veja bem, há cerca de 15 anos achávamos que era impossível produzir esta quantidade. Mas, hoje, já temos a meta de produzir ainda mais, estamos produzindo cerca de 33 e 34 suínos desmamados ano por leitoa, mas queremos chegar aos 40 suínos. Então percebam que melhorar a produtividade é uma evolução constante.

Voz do Cooperativismo: Com relação ao faturamento da Cooperalfa, como deve encerrar 2023?

Romeo Bet: No final do ano passado nós planejamos chegar em R$ 10 bilhões de faturamento em 2023. Essa expectativa era por conta do cenário bastante favorável que tínhamos naquela época. Entretanto, com a mudança de comportamento, por exemplo, na parte de mercado, principalmente das commodities, acreditamos que não conseguiremos alcançar esta meta inicial e estamos observando que devemos chegar aos R$ 9 bilhões de faturamento. Esse número menor está muito relacionado com a queda dos preços das commodities, principalmente milho e soja, e o próprio suíno, bem como o dólar que também caiu, mas estamos trabalhando o máximo para chegar bem próximo dos R$ 10 bilhões.

O Presente Rural: Como o senhor enxerga a importância da intercooperação entre a Cooperalfa e a Aurora?

Romeo Bet: Eu vejo que a intercooperação é muito importante. É claro que cada empresa busca os seus interesses e negócios, mas em todas as oportunidades que podemos trabalhar em conjunto estamos trabalhando e isso contribui para o crescimento dos nossos negócios. A prova de que a intercooperação é benéfica está na composição da Aurora, pois hoje somos 13 cooperativas que trabalhamos juntas e a partir de outubro seremos 14 cooperativas integradas a Aurora. Além disso, temos mais três cooperativas que vão se integrar, pois a Aurora adquiriu um frigorifico no Paraná – que era mantido por três cooperativas: Capal, Frísia e Castrolanda. Esse frigorifico ainda não entrou em operação com a marca Aurora, mas em breve vai entrar. Desta maneira, essas três cooperativas também vão fazer parte da Aurora.

Voz do Cooperativismo: Quais são os principais desafios enfrentados pela Cooperalfa atualmente e quais estratégias estão sendo adotadas para superá-los?

Romeo Bet: O grande desafio é a insegurança econômica e política. Esses são dois grandes desafios que precisam ser enfrentados. Claro que nós vamos ter que “dançar conforme a música toca”. Veja bem, é muito complicado de se fazer um planejamento hoje para ser realizado no próximo ano, pois existem muitas variáveis, a insegurança é bastante e ela inibe a gente de fazer um passo a mais do que deveria, ou seja, é preciso manter os pés no chão para evitar maus negócios. Veja bem, temos a gripe aviária que está rodando o mundo, caso ela chegue a algum plantel comercial aqui no Brasil teremos problemas que ainda não podem ser calculados, uma emergência sanitária dessas pode alterar de forma das nossas exportações. Sabemos que quando os produtos de exportação sobram eles precisam ser consumidos pelo mercado local, e aí impactamos em problemas que temos dentro do nosso país, que é o poder aquisitivo do povo brasileiro ser baixo. Caso este cenário se confirme em nosso país, isso será um grande caos para as nossas agroindústrias, cooperativas e todo o nosso país.

Voz do Cooperativismo: O senhor acredita que o Brasil tem trabalhado bem a questão da biosseguridade, já que ainda estamos livres da gripe aviária nos planteis comerciais? Podemos creditar isso a biosseguridade?

Romeo Bet: Não tenho dúvida de que isso ajuda e previne muito. A recomendação técnica continua para que todos protejam as granjas. Não é momento de receber gente estranha para dentro das propriedades, precisamos evitar de todas as formas a entrada de outros animais, mantendo o local bem isolado. Executando uma boa biosseguridade estaremos contribuindo para que a doença não chegue em nossas propriedades. Por outro lado, mesmo com uma excelente biosseguridade é possível de sermos atingidos por esta enfermidade, ou seja, não estamos totalmente livres deste mal. Desta forma, todos precisam fazer a sua parte e trabalhar de forma eficiente para que não tenhamos nenhuma propriedade contaminada.

Voz do Cooperativismo: Com relação ao futuro, como a Cooperalfa enxerga as oportunidades para os próximos anos?

Romeo Bet: Bem, a história da Cooperalfa é marcada por grandes conquistas. O início foi muito difícil, pois não tínhamos nada de estrutura física. Porém, todas as dificuldades foram superadas com sabedoria. Neste momento atual de muitas inseguranças e incertezas vamos manter os mesmos moldes que sempre trabalhamos. Continuamos com os pés no chão, dando passos dentro daquilo que a gente tem certeza que vai conseguir cumprir, vamos continuar trabalhando para crescer nas oportunidades que tivermos, buscando ter sabedoria em todos os momentos. Podemos andar devagar, mas continuamos crescendo. Nos últimos anos crescemos cerca de 15% ao ano, e neste ano acreditamos que não conseguiremos este número, mas devemos crescer aproximadamente 10%. Isso já é uma conquista, por conta de todas as dificuldades que passamos. Estamos felizes com este crescimento, pois acreditamos que quando uma empresa não cresce, pelo menos acima da inflação, ela está fadada a quebrar, porque os custos operacionais sobem todos os dias e não conseguimos repassar ao consumidor este aumento e aí perdemos a competitividade. Desta maneira, para continuar bem no mercado é preciso aumentar o leque de negócios para poder se tornar competitivo. E é isso que estamos fazendo e desta maneira continuamos atuando de forma bastante forte no mercado brasileiro.

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Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos

Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

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Fotos: Shutterstock

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.

O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.

Preço competitivo sustenta consumo

O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.

Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural

Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.

Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.

Custos seguem incertos

O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.

A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.

Avanço em programas sociais e políticas públicas

O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.

Combate à desinformação

A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.

Um setor mais organizado e unido

Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

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Foto: Ari Dias/AEN

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.

As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos

A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.

“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.

Fonte: ANBA
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Avicultura

Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025

Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

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Foto: Rodrigo Fêlix Leal

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal

A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.

No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%).  “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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