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“Espere o melhor, mas prepare-se para o pior”, diz presidente da ABPA

Em entrevista exclusiva ao O Presente Rural, Ricardo Santin destaca as medidas que estão sendo tomadas pelos órgãos governamentais e entidades ligadas ao setor.

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Presidente da ABPA, Ricardo Santin - Foto: Divulgação

Em 10 de julho, data do fechamento desta edição impressa, O Presente Rural entrevistou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, para saber o que mudou com a chegada da Influenza Aviária em aves silvestres e de subsistência, o que o Brasil tem feito para proteger seu mercado e como se prepara para uma eventual chegada no plantel comercial. “Espere o melhor, mas prepare-se para o pior”, destaca o presidente da ABPA.

Naquele dia, o Brasil contabilizava, de acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 62 focos confirmados da doença (61 em aves silvestres e um em aves de subsistência), 1.495 investigações tinham sido feitas, outras 319 coletas de prováveis casos tinham sido realizadas e seis investigações estavam em andamento. Nenhum caso em plantel comercial. Hoje, dia 04 de setembro, a gripe aviária ainda não chegou em nenhum plantel comercial, mas os números de casos positivados em aves de subsistência e silvestres subiu para 88.

O Presente Rural – Como o senhor avalia o atual panorama e os impactos da gripe aviária no Brasil?

Ricardo Santin – O quadro geral da avicultura do Brasil segue estável. Por lado, há sinalizações de reduções nos custos de determinados insumos de produção, como é o caso do milho e do farelo de soja, embora outros como plástico, papelão, diesel, além de mão de obra e outros itens, seguem nos mesmos patamares de altas acumuladas.

Em outra via, consumo e exportações seguem em níveis favoráveis. No caso dos embarques internacionais, o ritmo segue indicativo para o registro de recordes este ano. Já há registros históricos para o primeiro semestre, com alta acumulada de 8,5% este ano em relação a 2022, chegando a 2,423 milhões de toneladas exportadas entre janeiro e junho. São mais de US$ 5 bilhões em divisas para o país.
Obviamente que o bom desempenho das exportações está também condicionado ao não-fechamento de mercados, em uma eventual ocorrência de Influenza Aviária na produção comercial do Brasil.

O Presente Rural – Como o senhor avalia o trabalho das diversas instituições envolvidas com a avicultura, como agroindústrias, associações, Mapa, defesas sanitárias estaduais, produtores rurais, entre outros, na prevenção e combate à Influenza Aviária?

Ricardo Santin – Há um trabalho articulado e intensificado em todas as unidades federativas do país para a prevenção e monitoramento da Influenza Aviária. O registro e comunicação imediata dos focos reforçam a efetividade deste trabalho, realizado com excelência entre os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores, Secretarias dos Estados e setor privado, engajando ABPA, entidades estaduais e as empresas do setor.

Os protocolos de biosseguridade estão ainda mais rigorosos, incluindo suspensão de visitas e total controle de acesso às propriedades. Ao mesmo tempo, uma ampla campanha nacional trouxe uma cobertura de alto nível ao tema no Brasil, evitando circulação de fake news em relação ao produto, que sabemos, não é vetor da enfermidade. O apoio da imprensa foi fundamental neste processo.

O Presente Rural – O que mudou a partir da chegada dos primeiros focos?

Ricardo Santin – Amadurecemos, e isto é um fato. Ganhamos experiência prática frente a um problema que há anos vínhamos nos preparando. Claro que aqui menciono estritamente o monitoramento da situação, já que seguimos com o status de livre de Influenza Aviária perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) justamente por nunca ter ocorrido registros em granjas de produção. De qualquer forma, implantamos nossos protocolos de gerenciamento da crise, que se mostraram bastante efetivos.

Dobramos o monitoramento, os cuidados e a atenção a todos os pontos da biosseguridade. Reforçamos nossas campanhas e medidas de controle. A qualidade e o status sanitário da produção, contudo, segue o mesmo, com altíssimos padrões.

O Presente Rural – O que o senhor espera para o mercado interno e externo para essa proteína nos dois cenários? Com a chegada do vírus em planteis comerciais e com os planteis comerciais livres.

Ricardo Santin – Primeiramente, esperamos que não chegue! Estamos adotando todas as medidas para evitar o problema em nossas granjas. Porém, como diz o velho ditado: espere o melhor, mas prepare-se para o pior. E assim temos feito, com todas as medidas adotadas até aqui.
No mercado interno, a ampla campanha realizada até aqui apoia a orientação do público consumidor, e não esperamos efeitos no consumo. No mercado internacional, suspensões pontuais poderão ocorrer, porém de forma localizada e temporária, sem impactos severos ao fluxo dos embarques.

O Presente Rural – Como a ABPA tem agido para garantir que outros países mantenham as boas práticas do comércio internacional diante dos casos suspeitos?

Ricardo Santin – A nossa maior arma é a transparência. Neste sentido, em linha com o Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores, além das embaixadas dos mercados importadores, estamos em uma ampla ação de esclarecimentos sobre informações corretas sobre cada caso e medidas adotadas. Também temos apoiado o Ministério da Agricultura na negociação das certificações sanitárias, reforçando a construção de medidas de controle localizadas, evitando bloqueios nacionais.

O Presente Rural – O que a entidade está fazendo, por exemplo, no caso do Japão, que barrou a compra de aves vivas e carne de aves do Espírito Santo, mesmo diante de um caso em uma ave doméstica, não envolvendo plantel comercial? Em que pé está essa situação do Japão? Tem como reverter? Qual o peso dessa suspensão do Japão?

Ricardo Santin – O único efeito direto do registro de Influenza Aviária no Brasil até o momento foi a suspensão temporária dos embarques para o Japão, e apenas de produtos partindo do Espírito Santo, após a ocorrência em aves de fundo de quintal. Este, que está entre o segundo e terceiro posto entre os destinos de exportações, praticamente não importa produtos da avicultura capixaba, o que torna a medida sem efeitos práticos. Ao mesmo tempo, o fato de a medida ter se restringido ao estado é um indicativo positivo de uma visão regionalizada do problema, sem sanções de âmbito nacional.

Neste sentido, temos apoiado o governo federal na renegociação dos certificados sanitários com as autoridades japonesas, ao mesmo tempo em que temos atuado junto aos importadores locais para compartilhar informações, de forma transparente e proativa, sobre o quadro sanitário no Brasil e todas as medidas que estão sendo adotadas. Nossa transparência e parceria são peças-chave para a manutenção das boas relações e do fluxo para este mercado, que tem se mantido em altos padrões.

Ao mesmo tempo, realizaremos um seminário com clientes em Tóquio, para reforçar a confirmação da zona de contenção com raio de 10 quilômetros do foco, ou pelo estabelecimento de regionalizações que não afetem o comércio internacional do setor. O mesmo ocorrerá em Seul, na Coreia do Sul.

O Presente Rural – Os acordos que o Brasil tem com os principais compradores envolvem regionalização em caso de focos?

Ricardo Santin – Estes são acordos firmados com cada mercado, individualmente. Em alguns casos, a suspensão se refere a um raio de 3 quilômetros do foco em produção industrial, além de um raio de 7 quilômetros de zona de vigilância, totalizando uma zona com raio de 10 quilômetros com suspensão das exportações. Em outros, considera-se a regionalização por unidade federativa. Há, também a negociação pelo estabelecimento de regionalização por municípios. A maior parte absoluta dos casos indica apenas ocorrências em produção industrial para efeitos de suspensão da enfermidade, mas há situações em que ocorrências em fundo de quintal pode gerar suspensão, como ocorreu com o Japão.

O Presente Rural – Sobre compartimentos ou compartimentações, como o Brasil está e como isso pode ser usado em caso de focos em aves comerciais?

Ricardo Santin – A compartimentação no Brasil atualmente está focada na produção de genética avícola. Além dela, também a planta de Itapiranga da Seara Alimentos é compartimentada. Este modelo é relevante para a produção, considerando o rápido monitoramento e controle sobre eventuais situações sanitárias. Por outro lado, os esforços brasileiros estão, hoje, envidados com foco na regionalização e zoneamento das ações, em um parâmetro que estabeleça medidas técnicas em linha com os parâmetros da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse acesse gratuitamente a edição digital Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres

Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

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Foto: Divulgação/Seapi

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.

A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.

O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.

O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.

O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.

Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos

A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.

Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: Assessoria Ascom Seapi
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Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango

Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

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Foto: Shutterstock

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.

O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.

A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.

Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves

O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.

Petróleo e frete como vetores de transmissão

A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias

Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.

Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.

No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.

Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.

Fonte: O Presente Rural
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Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista

Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

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Foto: Shutterstock

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.

Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.

Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.

Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.

Fonte: Assessoria Cepea
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