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Espectroscopia de Infravermelho Próximo – uma rápida ferramenta analítica para melhoramento de processo na indústria de extração de óleo
A indústria de extração de óleo produz alguns dos óleos comestíveis mais utilizados no mundo. Porém a importancia econômica desta grande indústria vai além de ser um ingrediente básico para a fritura de alimentos. Uma vez que o processo de extração de óleo gera importante proteína e fibra como outros produtos, ela cruza com outros segmentos de alimentos, bem como os mercados agrícolas e industriais. O subproduto principal do esmagamento de oleaginosas é o farelo ou farinha, que, graças ao seu alto teor de proteína, é um ingrediente vital para as indústrias de ração e pet food. Mais adiante, dependendo da origem regional e do nível de processamento, o farelo é usado também para consumo humano em várias partes do mundo.
A produção global de óleo vegetal é esperada alcançar próximo a 200 milhões de toneladas até o final de 2014. Isso é um aumento dos 185 milhões de toneladas de um ano atrás, registrando crescimento de 8 %, considerável para uma indústria de commoditties.
A indústria de óleo vegetal está em constante evolução devido às constantes mudanças nos hábitos alimentares, pesquisas médicas para melhor nutrição e à procura por mercados novos e mais rentáveis. Óleos vegetais são também a matéria-prima principal para a produção de Biodiesel, que possui um papél importante na conservação de energia, enquanto afeta a indústria de óleos de uma forma negativa, aumentando os preços e reduzindo as margens, resultando em pressão financeira para os produtores de óleo.
O Ambiente Analítico na Indústria de Extração de Óleo
O rítimo de produção da indústria de extração de óleo requer análises rápidas de amostras de diferentes tipos e com diferentes apresentações. O processo demanda a coleta constante de amostras sólidas e líquidas em etapas diferentes do processo de extração de óleo, desde o recebimento de matérias-primas até o refino de óleo em plantas integradas esmagadoras de oleaginosas, refinarias de óleo ou usinas de biodiesel. Para alcançar uma lucratividade atrativa na extração de óleo, é necessário um grande número de análises com grande número de amostras, o que resulta em dificuldade para os laboratórios em questão de tempo de resposta e custos, o que leva à necessidade de soluções analíticas rápidas e flexíveis e que também sejam econômicas, a fim de se manter o processo eficiente.
Assim como qualquer indústria regulada, a indústria de óleo requer métodos analíticos de referência específicos para análises posteriores em caso de desacordos comerciais ou questões de responsabilidade. Os métodos de referência para óleos comestíveis e produtos derivados são regulados pela AOCS (American Oil Chemist Society) e pela AOAC (Association of Official Analytical Chemist). Os métodos físicos e químicos padronizados por essas entidades são demorados e querem técnicos e laboratórios especializados, tornando‑os ineficientes para o rítimo rápido de produção. Mais além, vários desses métodos e suas instrumentações associadas podem apenas render resultados para um específico parâmetro necessário para o controle de qualidade de produtos intermediários ou finais no processo de extração de óleo. Alguns desses métodos envolvem elaborar extrações e reações químicas que são complicadas e arriscadas enquanto outros requerem instrumentação analítica cara como ressonância magnética nuclear ou cromatografia gasosa. Nos dois casos, o tempo necessário para obter resultados confiáveis não consegue manter o passo do rítimo de produção das plantas de extração de óleo.
Espectroscopia de Infravermelho Próximo por Reflectância na Indústria de Extração de Óleo
A Espectroscopia de Infravermelho Próximo por Reflectância conhecida como NIRS fornece a velocidade e flexibilidade necessária para acompanhar o frenético processo de extração de óleo. A capacidade desta tecnologia para a análise de moléculas orgânicas, que são a base dos produtos alimentares, torna-a adequada para a quantificação das especificações importantes da qualidade nutricional, bem como os parâmetros do processo relacionados, tais como proteínas, óleos, fibras e humidade, em matérias‑primas, farelos, flocos e pellets. O mesmo instrumento pode também ser utilizado com os acessórios especialmente construídos para analisar óleos líquidos em diferentes fases da produção, desde o óleo bruto e degomado, até o óleo refinado, e deverá ser sensível e preciso o suficiente para analisar os parâmetros importantes nestes tipos de amostras, tais como os ácidos graxos livres, teor de iodo, umidade, teor de peróxido e fósforo. NIRS é um método rápido "indireto" para análises químicas. Isto significa que os resultados são gerados a partir de uma correlação com um método direto (ou de referência). Essa correlação é feita através de modelos matemáticos que são comumente conhecidos como modelos de calibrações ou de aplicação. Estas calibrações contam com amostras sendo coletadas de cada tipo de amostra e análise de referência de acordo com a metodologia oficial sendo realizadas em cada amostra. É essencial que estas amostras de referência alcancem a gama dos constituintes sendo medidos e uma vasta gama de tipos de amostras. Como tal devem ser recolhidos a partir de diferentes fontes e variáveis para o desenvolvimento de equações quimiométricas baseadas em análises estatísticas com múltiplas variáveis, resultando em calibrações chaves que exigem ajustes mínimos a serem utilizados no local do usuário. Essas variáveis incluem entre outras: geografia, técnicas agronômicas, condições sazonais, estado higiênico das sementes, estádio de maturação, condições de colheita e sistemas de transporte, método e duração do armazenamento e tecnologia de processamento.
O DA1650 para Extração de Óleo
A solução DA1650 Oilseed Crush da FOSS foi projetada especificamente para atender as necessidades da indústria de extração de óleo.
Esta solução dedicada foi projetada como um único instrumento para fornecer uma análise rápida, confiável e de baixo custo para plantas esmagadoras de oleaginosas, oferecendo um instrumento flexível e resistente combinado com calibrações globais ANN (Redes Neurais Artificiais) para análise NIRS de amostras sólidas, incluindo sementes oleaginosas, flocos e farelos, bem como calibrações PLS e um inovador reflector de ouro para análises por transflectância de óleos líquidos. Este instrumento fácil de usar pode ser utilizado em diferentes locais da planta por operadores e equipes relacionadas às estações do processo, salas de comando específicas e no laboratório.
As calibrações e seu desempenho
Uma série de calibrações foram desenvolvidas para o instrumento e está além do objetivo deste artigo detalhar todos eles. No entanto, é relevante discutir algumas calibrações chave e o seu desempenho. Deve notar-se que, no desenvolvimento de calibrações NIR, dois conjuntos de amostras são normalmente utilizados; um conjunto de calibração e um conjunto de validação. Os dois conjuntos partilham a característica comum de serem amostras que abrangem a faixa de constituinte e contêm um nível de variabilidade nos tipos de questões discutidas anteriormente. Eles diferem no entanto no fato de que as amostras contidas no conjunto de validação, utilizadas para verificar e citar o desempenho da calibração, nunca devem ser incluídas no conjunto de calibração, ou seja, elas são amostras que o instrumento e a calibração nunca tenham "visto" antes. Este é o caso aqui. Também é muito comum que o conjunto de validação seja muito menor em tamanho do que o conjunto de calibração.
Semente de Soja: Proteína, Óleo e Umidade
As calibrações para so sementes de soja são desenvolvidas em amostras inteiras não moídas de soja e são utilizadas para determinar a qualidade do produto para análises de recebimento e para o controle de qualidade na pré-trituração.
N: Número de amostras no conjunto de teste.
Prec.: Precisão do teste é expressada como SEP (Standard Error of Prediction) corrigidos por bias.
Min.: Valor mínimo de referência no conjunto de teste.
Max.: Valor máximo de referência no conjunto de teste.
RSQ: Correlação linear entre os resultados do NIRS DA1650 e resultados de referência.
Tabela 1 acima apresenta os resultados de um conjundo de validação testados no DA1650. A partir disso podemos ver que podemos alcançar níveis muito úteis de desempenho para a análise de grãos de soja inteiros. Claramente, estes resultados não são do nível de precisão que pode ser alcançada com instrumentos de Infravermelho Próximo por Transmitância que, mesmo além do âmbito a ser tratado neste artigo, são considerados como uma tecnologia superior para amostras inteiras (não moídas). No entanto, a precisão alcançada em um conjunto de validação independente demonstra uma calibração funcional que poderia muito bem ser utilizada numa planta esmagadora de soja.
Farelo de Soja: Umidade, Proteína, Óleo, Fibra bruta e Cinzas
N: Número de amostras no conjunto de teste.
Prec.: Precisão do conjunto de teste é expressada como SEP (Standard Error of Prediction) corrgida por bias.
Min.: Valor mínimo de referência no conjunto de teste.
Max.: Valor máximo de referência no conjunto de teste.
RSQ: Correlação linear entre os resultados do NIRS DA1650 e resultados de referência.
Tabela 2 acima apresenta resultados semelhantes para o conjunto de validação de farelo de soja testado no DA1650. A partir daqui podemos ver o efeito de um menor intervalo de calibração afetar a calibração. Enquanto as faixas de calibração para a umidade e a proteína permanecem em um bom intervalo, a extração do óleo a partir dos grãos originais deixa uma pequena quantidade de óleo nas amostras em intervalos muito curtos, trazendo o RSQ para baixo. Novamente a precisão alcançada em um conjunto de validação independente demonstra uma calibração funcional que poderia muito bem ser utilizada numa planta esmagadora de soja para rápidas análises e para o controle do processo a um ritmo elevado análise. Análises certificadas para fins comerciais podem ser obtidas facilmente por métodos de referência, se necessário.
Óleo Bruto, Degomado e Refinado: Umidade, Fósforo, Iodo, Peróxido e FFA.
Na Tabela 3(em anexo) você pode ver os parâmetros de calibração para o óleo de soja analisado por transflectância com o espelho de ouro para óleo. Devido à menor quantidade de amostras utilizadas para a calibração e validação esta é uma calibração Partial Least Squares (PLS), uma técnica mais adequada para este tipo de amostra. As correlações lineares embora baixas em comparação a outras calibrações estão de acordo com os valores da literatura de método AOCS semelhante e aprovado para análise rápida de óleo. Uma quantidade maior de amostras e faixas de parâmetros poderiam ajudar a criar uma calibração ANN que irá resultar em uma calibragem mais forte. Métodos de referência para os parâmetros analisados por esta solução são muito trabalhosos e têm relativamente baixa precisão devido a erros de teste que de fato afetam a correlação expressa nesta tabela. No entanto, esta aplicação pode ser utilizada para análise rápida de amostras de óleo em diferentes etapas do processo de refinação do óleo.
Conclusão
Para que qualquer regime de testes se torne útil em um ambiente de produção, ele necessita ser preciso, o que é um requisito fundamental de qualquer técnica analítica. A precisão, no entanto, não é suficiente, especialmente se a técnica for complexa, demorada, confusa ou simplesmente desagradável. Para ser útil, uma técnica deve ser fácil, rápida, confiável e de baixo custo, além de ser precisa, se quiser ser totalmente implementada. Há uma grande variedade de técnicas analíticas disponível para a indústria de extração de óleo para as análises necessárias: A Espectroscopia NIR no entanto, com o uso de ferramentas tais como a solução DA1650 para extração de óleo pode fornecer uma "solução única" para as necessidades analíticas típicas desta indústria, garantindo maior desempenho de qualidade nos produtos, além de melhor produtividade na indústria.
Por Cristiano Araújo – Gerente de Tecnologia Industrial, FOSS
Fonte: Ass. Impr. da Foss

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Copel abre contratação para 147 vagas de eletricistas
Profissionais farão parte do Copel Agro no suporte ao primeiro atendimento a produtores rurais nas regiões Oeste, Sudoeste e Noroeste do Paraná.

A Copel está abrindo, nesta sexta-feira (26), 147 vagas para a contratação de eletricistas em nove municípios das regiões Oeste, Sudoeste e Noroeste do Paraná. As inscrições estarão abertas até o próximo dia 6 de julho. Os detalhes das vagas estão disponíveis no portal da companhia, com acesso pelo link https://www.copel.com/site/institucional/carreira/ e no endereço da Copel no LinkedIn (https://www.linkedin.com/company/copel/).
“Estamos fortalecendo as equipes da Copel em regiões estratégicas com vagas abertas a profissionais locais. É a geração de oportunidade e de empregos a quem conhece a região. Um importante reforço à companhia”, afirma o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antonio Villela de Abreu. Os profissionais farão parte do efetivo próprio da companhia em equipes do Copel Agro no suporte ao primeiro atendimento a produtores rurais.
Na região Oeste, há 24 vagas abertas para novos eletricistas em Cascavel; 18 em Medianeira e seis em Marechal Cândido Rondon. No Sudoeste, são 23 vagas abertas em Laranjeiras do Sul; 16 em Francisco Beltrão e 12 em Realeza. No Noroeste paranaense são 24 vagas em Ubiratã; 14 vagas em Campo Mourão e 10 em Cianorte.
Quadro próprio e perfil da vaga
As vagas abertas são de Eletricista de Distribuição de Redes, para atuar na manutenção, operação e atendimento em redes de distribuição de energia elétrica, executando atividades em campo com foco em segurança, qualidade e continuidade do fornecimento de energia; Eletricista de nível III, abertas a profissionais com mais de três anos de atuação na área com sólida experiência em redes de distribuição de energia; Eletricista II, com experiência de um ano na função e conhecimento prático em atividades elétricas e autonomia na execução de serviços em campo; e Eletricista nível I, iniciante na área com interesse em aprender e se desenvolver no setor elétrica.
A efetivação dos profissionais será em 5 de agosto. Aqueles que forem contratados passarão por treinamento na Escola Copel de Eletricistas.
Escola de Eletricistas
Estão em fase final de treinamento, na Escola Copel de Eletricistas, 160 profissionais que vão compor 55 equipes em todo o Paraná. Os profissionais foram selecionados e contratados pela Copel para vagas abertas em fevereiro deste ano.
O projeto da Escola Copel de Eletricistas conta com investimentos de R$ 1,4 milhão na formação de profissionais e estruturação de centros regionais de treinamento em todas as regiões do Estado.
Há oito centros de treinamento já estruturados no Estado: Curitiba e Matinhos (Leste); Londrina (Norte); Cascavel e Toledo (Oeste); Pato Branco (Sudoeste); Umuarama (Noroeste); União da Vitória (Sul). Até o final deste ano está prevista a implantação de mais centros de treinamento em regiões estratégicas.
Copel Agro
Fruto de construção coletiva da Copel com representantes do setor produtivo paranaense, o programa Copel Agro tem se consolidado como importante suporte ao desenvolvimento do agronegócio.
Cerca de 76 mil clientes da cadeia de proteína (peixe, frango, leite) estão cadastrados no programa em todo o território paranaense.
Em pouco mais de dois meses de funcionamento, o Copel Agro ultrapassou a marca de 60 mil atendimentos pela linha direta 0800 643 76 76, com 95% de aprovação dos clientes. Os teleatendentes estão à disposição 24 horas por dia, sete dias por semana.
“A primeira entrega do Copel Agro é o atendimento exclusivo. O programa vai além, com a contratação de equipes próprias de eletricistas, treinamento com foco no primeiro atendimento, mutirões de poda e outras intervenções preventivas e corretivas para garantir o fornecimento de energia de qualidade aos produtores rurais”, observa o gerente-executivo do Copel Agro, Marcelo Gonçalves.
O Copel Agro conta com infraestrutura própria que contempla equipe dedicada no Centro de Operações da Copel; a ampliação do quadro de eletricistas e de centros de capacitação e a utilização de tecnologia de ponta para a conectividade das equipes de campo.
“A contratação de eletricistas nas próprias regiões é um importante reforço às ações do Copel Agro. Será um profissional identificado com a região, com conhecimento do território e do próprio perfil de produção local, a se integrar às equipes da companhia no primeiro atendimento. Um importante reforço para a Copel e para a população dessas regiões”, completa o gerente-executivo do Copel Agro.
Notícias Bovinos
Seapi atualiza aplicativos que auxiliam tomadas de decisão relacionadas à bovinocultura
Aplicativos BovConfort, BovCria e BovSan ganham versão web, com isso o novo modelo WebApp, celulares, tablets e computadores com qualquer sistema operacional podem acessar

Os aplicativos BovConfort, BovCria e BovSan agora estão com acesso pela web, por meio de sites específicos, permitindo que os usuários os utilizem em celulares, tablets e computadores com qualquer sistema operacional. Anteriormente, em formato de aplicativo móvel, só estavam disponíveis para download em smartphones e tablets com Android.
“As funcionalidades permanecem as mesmas, com a vantagem de poder acessar pelo computador também, além dos dispositivos móveis”, explica a pesquisadora do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi) Adriana Tarouco, coordenadora do projeto de pesquisa que desenvolveu os aplicativos.
Resultados do projeto “Desenvolvimento de ferramentas digitais para a bovinocultura”, os aplicativos auxiliam tomadas de decisão relacionadas à bovinocultura, em temas como reprodução, saúde dos rebanhos de corte e produtividade em bovinos de leite frente a fatores climáticos.
Os WebApps podem ser acessados nos seguintes links:
BovConfort: https://bovconfort.vercel.app/
BovCria: https://bov-cria.vercel.app/
BovSan: https://bovsan-master.vercel.app/
Quem já tem os aplicativos móveis deve acessar os links acima para reinstalar versões mais recentes.
Colunistas Do ESG à geopolítica
Por que o agro brasileiro se tornou estratégico para o mundo
Em um cenário marcado por disputas comerciais, segurança alimentar e transição energética, o Brasil reúne ativos que poucos países possuem e pode assumir um novo protagonismo global.

O mundo mudou. E talvez a maior evidência disso seja o fato de que a sustentabilidade, como conhecíamos, já não explica mais sozinha as prioridades globais.
Durante décadas, o debate esteve sustentado no famoso “tripé”, focado no equilíbrio entre economia, meio ambiente e responsabilidade social. Depois, esse conceito evoluiu (na visão de alguns) ou regrediu (na visão de outros) para o ESG, que passou a dominar o discurso corporativo e político internacional. Mas acontecimentos recentes parecem ter inaugurado uma nova etapa.

Foto: Shutterstock
O economista Marcos Troyjo chamou esse novo momento de “ESG 2.0”. E a definição faz sentido quando observamos o mundo atual: guerras, disputas comerciais, fragmentação das cadeias produtivas, inflação global, insegurança energética e uma crescente reorganização geopolítica.
O “E”, que antes simbolizava principalmente o ambiental, agora incorpora fortemente Economia e Energia. O meio ambiente continua relevante, mas divide espaço com outra preocupação imediata: garantir energia barata, estável e suficiente para sustentar crescimento econômico e competitividade industrial. Não por acaso, muitos países desenvolvidos voltaram a ampliar o uso de combustíveis fósseis para proteger suas economias. Não é o caso do Brasil, que segue produzindo etanol, biodiesel, biometano e apostando no SAF (Combustível Sustentável de Aviação).
O “S” passa a significar Segurança, seja alimentar, energética, física e estratégica. No agro, o mundo percebeu que não existe estabilidade social sem produção de alimentos, sem cadeias produtivas resilientes e sem capacidade de defesa fitossanitária e abastecimento em momentos de crise.
Já o “G” deixa de ser apenas governança corporativa tradicional para se tornar Geopolítica. Empresas e países agora precisam operar em um ambiente marcado por

Foto: Rodrigo Alva
tensões comerciais, disputas tecnológicas, regionalização industrial, fim do multilateralismo comercial e rearranjos globais de poder.
E é justamente nesse novo cenário que o Brasil emerge como uma das nações mais estratégicas do século XXI. Poucos países possuem, ao mesmo tempo, capacidade de produção de alimentos, disponibilidade hídrica, matriz energética renovável, biodiversidade, terras competitivas, mão de obra e ciência tropical avançada. Menos ainda conseguem reunir tudo isso com possibilidade real de expansão sustentável da produção.
Novas lentes sobre o agro
Talvez o maior erro cometido por muitos analistas internacionais seja olhar para o agro brasileiro com lentes antigas.
O Brasil construiu, nas últimas décadas, uma das agriculturas tropicais mais sofisticadas do planeta. E isso não aconteceu por acaso. Foi resultado direto de ciência, tecnologia, empreendedorismo rural e investimento contínuo em inovação tropical.

Foto: Divulgação
Quando observamos algumas das principais tecnologias agropecuárias sustentáveis do mundo, muitas delas nasceram ou ganharam escala aqui. O Sistema Plantio Direto revolucionou a conservação do solo e da água, permitindo maior estabilidade produtiva e redução de erosão em larga escala. A Fixação Biológica de Nitrogênio transformou o Brasil em referência mundial ao reduzir fortemente a dependência de fertilizantes nitrogenados importados.
A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta mostrou que é possível recuperar áreas degradadas, aumentar produtividade e capturar carbono combinando diferentes sistemas produtivos na mesma área. Os bioinsumos abriram uma nova fronteira tecnológica, aproximando produtividade e sustentabilidade por meio de soluções biológicas adaptadas às condições tropicais, seja no combate a pragas, seja no fornecimento de nutrientes.
Espaço para crescer
Enquanto muitos países praticamente esgotaram suas possibilidades de expansão produtiva, o Brasil ainda possui enorme potencial de crescimento apoiado em ciência e planejamento territorial.
E talvez aí esteja um dos pontos centrais do futuro da agricultura: inteligência territorial estratégica, conceito consolidado ao longo dos 37 anos de existência da Embrapa Territorial, celebrados neste mês de maio. A agricultura moderna deixou de ser apenas operacional. Ela passou a ser orientada por dados, conectividade e análise espacial. Satélites, sensoriamento remoto, inteligência artificial, geoprocessamento e modelagem territorial passaram a integrar o cotidiano da tomada de decisão no campo.
Na Embrapa Territorial, trabalhamos exatamente nessa fronteira entre território, ciência e estratégia. O objetivo é reduzir subjetividades e aumentar a assertividade.

Foto: Shutterstock
Em outras palavras, gerar informações capazes de apoiar decisões mais inteligentes, seguras e sustentáveis.
O Brasil pode ampliar sua produção basicamente por três caminhos. O primeiro é a expansão sustentável de áreas aptas, sempre baseada em zoneamento, aptidão agrícola e inteligência territorial. Ferramentas como ZARC e ZEE ajudam a orientar esse crescimento de forma técnica e racional. Mas a plena sustentabilidade exige esforços nos dois caminhos subsequentes.
O segundo é aumentar produtividade reduzindo os chamados “yield gaps” ou folgas de produtividade. Em muitas regiões do país ainda existe enorme espaço para produzir mais na mesma área, utilizando melhor manejo, genética, tecnologia e eficiência operacional, reduzindo a diferença de produtividade entre os mais produtivos e a média local.
O terceiro é a intensificação sustentável, especialmente por meio da recuperação de pastagens degradadas, integração de sistemas produtivos (com safrinha, adubo verde e ILPF), irrigação e novas estratégias agronômicas que aumentem eficiência sem necessidade de abertura de novas áreas.

Foto: Divulgação
Mais do que simplesmente produzir mais, o desafio agora é produzir melhor. Não é quantidade, mas competividade. E isso significa rastreabilidade, previsibilidade, eficiência, transparência e viabilidade econômica.
Reconhecimento necessário
Sustentabilidade deixou de ser diferencial. Em muitos mercados, passou a ser obrigação mínima de acesso.
Ao mesmo tempo, tudo aquilo que vai além da legislação precisa ser reconhecido e remunerado. O produtor rural brasileiro não pode ser tratado apenas como fornecedor de commodities. Ele também presta serviços ambientais relevantes para o planeta. Sustentabilidade que não gera renda, competitividade e segurança econômica dificilmente se sustenta no longo prazo.
Claro que ainda temos desafios importantes. Infraestrutura e logística continuam reduzindo a competitividade em várias regiões do País. Segurança jurídica e regularização fundiária seguem fundamentais para ampliar investimentos e previsibilidade. A conectividade no campo ainda precisa avançar muito para que a agricultura digital alcance todo seu potencial.
Mas talvez exista um desafio ainda mais estratégico na comunicação. O Brasil comunica mal suas virtudes. Somos alvos de ataques, muitas vezes sem motivos, de

Foto: Matheus Flalanga
ONGs e entes altamente financiados que usam seu bom-mocismo ambiental como barreiras comerciais. Muitas vezes permitimos que narrativas simplificadas ocupem o espaço dos dados científicos. E talvez uma das grandes missões da ciência brasileira seja justamente transformar informação técnica em confiança global.
Poucas nações conseguiram transformar uma agricultura tropical de baixa produtividade em uma potência agroambiental altamente tecnológica e em larga escala em tão pouco tempo. Isso revela algo fantástico sobre os produtores rurais, e porque não a população geral do Brasil. Nossa capacidade de adaptação, inovação e resiliência.
Se conseguirmos remover gargalos históricos e avançar em infraestrutura, logística, conectividade e segurança jurídica, o agro brasileiro poderá atingir um novo patamar de competitividade global. O futuro da agricultura será digital, automatizado, rastreável, conectado, descarbonizado e baseado em bioeconomia.
Apesar disso, eu sou profundamente otimista. O Brasil é o único país do mundo que saiu da enxada para o drone em apenas uma geração e liderou essa transformação. Não apenas como potência agrícola. Mas como potência ambiental, alimentar, energética, tecnológica e estratégica do século XXI.
