Avicultura
Especialistas sugerem revisão das práticas da indústria avícola contra salmonelose e colibacilose
O médico-veterinário Jorge Augusto do Amaral Werlich destacou que a Salmonella é uma bactéria conhecida por ser uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos em humanos e fez uma pergunta bastante pertinente.

Desde 2004, o Brasil ocupa o 1º lugar no ranking de maior exportador de carne de frango mundial. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2022 foram abatidas 2,04 bilhões de cabeças de frango. Essa grande produção mostra a eficiência do País em controlar as enfermidades avícolas, bem como vencer os desafios e medidas de controle, para assegurar que a produção brasileira continue atuando de forma bastante eficiente e pujante. Durante a 40ª edição da Conferência Facta WPSA-Brasil 2023, promovida de forma online, em meados de maio, a temática de enfermidades reemergentes foi explanada pelos profissionais Nelva Grando, Jorge Werlich, Terezinha Knöbl e Daniela Baptista, que discorreram sobre os assuntos de biosseguridade, Salmonella, E. coli patogênica para aves (Apec) e sobre o Plano Nacional de Sanidade Avícola e chamaram a atenção sobre a necessidade de controlar efetivamente as doenças bacterianas salmonellose e colibacilose, que podem ser responsáveis por grandes prejuízos financeiros na produção avícola.
O médico-veterinário Jorge Augusto do Amaral Werlich destacou que a Salmonella é uma bactéria conhecida por ser uma das principais causas de doenças transmitidas por alimentos em humanos e fez uma pergunta bastante pertinente. Qual a base de informações para a tomada de decisões sobre o assunto salmonela? O profissional afirmou que o controle desta doença não tem atingido os resultados desejados.
“Muitos perguntam se a salmonella é um tema emergente, reemergente ou constante. A minha resposta é simples, é um tema constante que há muito tempo vem sendo trabalhado nas empresas, mas que em muitos casos, os resultados estão ficando aquém do desejado. Desta forma, o objetivo da minha fala é trazer pontos de atenção sobre o que fazer e o que nos embasa para a tomada de decisão a campo. Tem empresas que possuem pessoas específicas que estudam e buscam medidas constantes para acabar com este problema”, pontua.
O profissional explicou que a temática da Salmonella precisa ser entendida por meio dos fatores que são condicionantes e determinantes para causar a doença. De acordo com ele, em muitas empresas quando é falado neste assunto as pessoas tratam o mesmo como se fosse um grande monstro. “Isso não ajuda. Na verdade, atrapalha. A salmonella é uma bactéria que está presente em muitas etapas do processo avícola, sendo que é muito importante ter o conhecimento da prevalência dela para que ações e medidas sejam tomadas e que efetivamente tragam um efeito positivo ao plantel”, observa.
Para que a detecção seja eficiente, o médico-veterinário enalteceu a necessidade de um estudo epidemiológico amplo e que permita que a empresa identifique os sorovares de maior prevalência, para descobrir de onde ele veio e para onde foi. “Verificamos que existe a necessidade de aprofundar o estudo dos sorovares para permitir a melhor tomada de decisões, para obter o efetivo retorno das medidas adotadas de solução dos problemas”, orienta.
Jorge chamou a atenção à importância da formação técnica das equipes que trabalham para resolver este problema. “As pessoas que trabalham come esta problemática precisam estar capacitadas, necessitam conhecer os diferentes métodos de diagnósticos e buscar qual é o mais eficiente para a empresa. Não basta basear-se apenas nos dados de controle oficiais ou programas de autocontrole, é necessário tipificar as salmonellas encontradas na empresa, identificando as características delas”, adverte.
Não é custo, é investimento
O médico-veterinário também enalteceu que o controle e erradicação da salmonella precisa ser encarado não como uma grande despesa, mas como um investimento financeiro, que vai possibilitar alcançar os resultados desejados. “As equipes precisam estar alinhadas com o mesmo objetivo. Se tudo não for feito com excelência e com conhecimento não chegaremos ao resultado desejado, que é a redução da incidência de salmonella”, observa.
O profissional também chamou a atenção para a importância de estudos mais aprofundados para entender esta problemática e conseguir encontrar ações que sejam efetivas. Ele apresentou a tese que o incremento de métodos analíticos no processo de controle da salmonela tem demonstrado uma maior preocupação por alguns aspectos, tais como: a prevalência de sorovares altamente resistentes, a presença de genes de resistência contra classes de desinfetantes (inclusive formol), bem como a capacidade de resistência no ambiente (formação de biofilme, atividade de água).
“Isso acende um alerta muito grande para que tipo de análise eu estou fazendo e que tipo de ação eu tenho tomado. A multirresistência aos antimicrobianos está muito consolidada. Um estudo de 2014 apresentou 51% de cepas resistentes a mais de um ATB. Um estudo bastante similar, realizado em 2022 apresentou 97% de cepas resistentes a mais de um ATB. Isso nos traz uma grande preocupação, cabe às agroindústrias, aos produtores de proteína de frango aprofundar mais a análise”, enaltece.
Jorge apontou para a necessidade de estudos mais aprofundados para que se chegue ao melhor nível de compreensão da problemática e a consequente solução eficaz para este problema, que traz prejuízos significativos aos planteis. “O aprofundamento dos estudos nos possibilita reconhecer o sorovar mais prevalente, saber se há ocorrência deste sorovar nos diferentes pontos da cadeia ou se a repetição num mesmo local é oriunda de um ou diferentes clones, além de estabelecer um escaneamento completo deste sorovar, a fim de ajustar as ações, conforme seu perfil de resistência. Ou seja, nosso desafio é saber se estamos mesmo investigando a fundo o assunto salmonella ou se estamos criando longos, trabalhosos e frustrantes planos de ação”, recomenda.
Apec
A médica-veterinária, Terezinha Knöbl, foi a responsável por trazer novas informações sobre a E. coli patogênica para aves (Apec). Essa enfermidade pode resultar em sérios problemas de saúde e perdas econômicas na indústria avícola. Durante o painel, a especialista apresentou as características da Apec, seus fatores de virulência e as estratégias de controle para prevenir a disseminação da bactéria.
Terezinha foi bastante didática e precisa ao afirmar que a avicultura sempre precisou lidar com duas grandes doenças do ponto de vista bacteriano: salmonellose e colibacilose. “Essas doenças são muito impactantes do ponto de vista financeiro porque elas induzem a um grande aumento de condenação de carcaças nos abatedouros e elas acometem todo o segmento avícola. Começando com as matrizes que podem ter problemas respiratórios, essas bactérias são transmitidas via vertical e acabam impactando também no incubatório, com a mortalidade de pintinhos”, revela.
Mais especificamente sobre a Apec, a médica-veterinária afirmou que o problema sempre existiu, mas que na década de 1990 houve um grande esforço da indústria para conseguir reduzir os prejuízos decorrentes desta infecção. De acordo com ela, isso envolveu a adoção de uma série de estratégias que resultaram num bom desempenho. “Passamos cerca de 30 anos em que a doença ocorreu em níveis endêmicos, mas, a partir de 2020 estamos tendo um aumento das reclamações a campo, principalmente nos estados mais produtivos, porque eles verificaram níveis de condenação bastante abruptos em razão desta enfermidade”, expõe.
A profissional ressaltou três pontos de destaque para serem observados sobre a temática. O primeiro ponto é a necessidade de diferenciar uma Apec de uma Afec. “A diferença fundamental entre elas está na capacidade patogênica das cepas de E. coli. Enquanto Apec causa doenças graves nas aves, Afec refere-se às cepas comensais encontradas nas fezes de aves saudáveis. É importante realizar análises laboratoriais adequadas para identificar e distinguir entre essas duas categorias de E. coli, a fim de implementar medidas de controle apropriadas e garantir a saúde das aves”, recomenda.
O segundo ponto destacado por ela está na relação entre virulência com patogenicidade. “É importante que a gente tenha consciência de que não é toda amostra virulenta que vai se tornar em algo patogênico. Isso é um erro muito consolidado no campo, mas que precisa ser melhor explorado. É muito oportuno destacar que a doença não está relacionada apenas com o agente, e sim, com uma somatória de fatores, que chamamos de tríade epidemiológicas, ou seja, as características do parasita, a condição do hospedeiro e os fatores ambientais. Estes três fatores é que estabelecem a patogenicidade ou não”, declara.
O terceiro e último ponto, de acordo com a palestrante, é o mais atual e diz respeito ao reconhecimento e controle das linhagens de alto risco. “Existem várias ferramentas que auxiliam na verificação de como está a microbiota dos animais. Para entender o surto eu preciso combinar várias ferramentas. Isso é muito importante e pode auxiliar muito na tomada de decisões. Quando eu conheço a fundo os problemas eu consigo selecionar as melhores estratégias de controle”, reforça.
Terezinha informou que atualmente existem muitos grupos de trabalho, espalhados pelo mundo, que pesquisam a doença. De acordo com ela, esses estudiosos estão verificando que a ferramenta mais moderna para análise é o sequenciamento do DNA. “Esses estudos nos mostram que existem linhagens de alto risco cujas características apontam para surtos de distribuição global, ou seja, essas bactérias causam problemas de saúde em várias partes do mundo. Elas são virulentas e patogênicas, possuem resistência antimicrobiana, persistência e uma capacidade de ser transmitida para outros hospedeiros”, informa.
Normas para o controle da Salmonella
A médica-veterinária do Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa), Daniela Baptista, discorreu sobre o Programa Nacional de Sanidade Avícola que tem o objetivo de trazer normas que sejam capazes de aferir o controle da salmonela, o que é uma condicionante para que o Brasil continue com a manutenção dos mercados externos, que primam pela segurança e confiabilidade da carne brasileira.
A profissional destacou que as orientações brasileiras são baseadas nos códigos feitos pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) e que visam garantir a produção de carne de aves com qualidade, bem como assegurar os mercados externos para o país. “O Brasil possui certificados veterinários internacionais que garantem a procedência e qualidade dos materiais genéticos avícola que são exportados para os mais diversos países. É importante destacar que as bases para a efetividade deste programa estão na vigilância e na biosseguridade”, afirma.
Ela afirmou que as instruções normativas têm o objetivo de não deixar entrar animais doentes no país, bem como auxiliam no controle e erradicação de salmonellas nos planteis brasileiros. “É importante ressaltar que os testes positivos para a doença exigem algumas ações sanitárias bastante drásticas, como a perda da certificação livre, o sacrifício das aves, destruição de ovos, o que acarreta em prejuízos bem expressivos. Isso porque uma doença positiva impacta na exportação dos nossos produtos, o que traz um grande impacto na indústria”, afirma.
Daniela pontuou que os problemas com a salmonella são de responsabilidade das empresas e dos médicos-veterinários. “Diferente das doenças emergenciais, a salmonella é responsabilidade da empresa e do seu médico-veterinário, o Mapa tem a função de ser um apoio e oferecer as diretrizes para que o Brasil continue a ser um grande exportador”, declara.
A profissional finalizou a fala dela destacando a importância de seguir os protocolos e padrões que são estabelecidos pelo órgãos competentes. “Quando tratamos de alimentos, é muito importante que todos os envolvidos tenham ciência da necessidade e da eficácia de seguir os protocolos e padrões que são estabelecidos, pois os mesmos são diretrizes que visam a eficiência e a segurança da nossa produção. A responsabilidade de continuar com os mercados abertos deve ser compartilhada por todas as empresas e o Mapa está para ajudar, mas casa empresa deve fazer a sua parte”, adverte.
Biosseguridade: a chave para o sucesso
A médica-Veterinária da Vitalis Saúde Integrada, Nelva Grando, expôs que a biosseguridade deve ser entendida como a grande aliada para o controle e erradicação das doenças, porque ela preocupa-se com blindar as instalações avícolas, bem como as indústrias, para que as mesmas possuam medidas adequadas de biosseguridade que evitem a entrada de patógenos, como a Salmonella e a Apec, nas instalações avícolas. “Isso envolve a implementação de práticas de higiene, controle de acesso, monitoramento de visitantes e animais, além do treinamento adequado dos funcionários”, observa.
A palestrante também trouxe uma indagação aos participantes. Ela questionou se os planos de biosseguridade estão preparados para os novos desafios que estão surgindo. “Minha indicação é para que cada granja ou indústria faça um plano de biosseguridade específico que atenda as especificidades da sua região. Os planos de biosseguridade precisam ser pensados para cada empresa, pois cada lugar possui agentes diferenciados e que precisam ser descobertos, para que as ações de biosseguridade possam ser implantadas de forma eficaz”, mencionou.
Nelva disse que a produção avícola evolui muitos nos últimos anos, em vários aspectos. “Um exemplo clássico é que partimos de aviários com tela muito simples e hoje temos aviários com telas bastante modernas e que impedem a entrada de aves silvestres no seu interior. Isso é uma evolução dentro da biosseguridade. A blindagem do ciclo da água, bem como o isolamento das propriedades também são fatores extremamente importantes e que agregaram na melhoria nas condições sanitárias. Por outro lado, estes avanços precisam continuar”, afirma.
Grande concentração de aves
A palestrante expôs ainda que a avicultura da atualidade é marcada pela grande concentração de aves em algumas regiões. Segundo ela, as mais altas concentrações avícolas estão no Brasil, Estados Unidos, China e México. “Essa grande concentração possibilita uma maior proliferação de doenças. Quanto mais eu concentro aves em uma determinada região, um maior número de animais dentro de um galpão, potencialmente a gente aumenta o risco de termos problemas sanitários”, argumenta.
Por conta destas diferenças e técnicas de manejo, a profissional enaltece a importância de reformular as práticas avícolas lançadas em 2005. “O grande questionamento que eu trago é que todos pensemos sobre a importância de atualizar as práticas avícolas que estão difundidas desde 2005 e pensar se elas não precisam ser aprimoradas, para serem mais condizentes com a nossa realidade. É preciso pensar sobre isso”, afirma.
Pontos de partida
Nelva chamou a atenção para os critérios que são utilizados para a entrada no aviário, a questão de botas plásticas, roupas descartáveis, etc. “Meu questionamento é para que todos pensem sobre os protocolos que estão sendo utilizados. Será que é prudente pensarmos em novas medidas de mitigação dos riscos? Eu creio que já tivemos muitos avanços nos últimos 20 anos, mas acredito que vivemos um momento em que é preciso reavaliar as condições e verificar se estamos preparados para os novos problemas que estão surgindo ou se precisamos ainda implantar novas práticas”, sugere.
A profissional citou o exemplo norte americano que diz que as granjas que estão com um melhor controle com relação às doenças são aquelas que tem um isolamento completo entre os aviários. “Verificamos que as melhores granjas têm uma opção de entrada de pessoas, a saída do exaustor está no lado contrário. Os silos estão na parte frontal e bem seguros, essas granjas contam com um local onde as pessoas trocam de roupa para adentrar às instalações. Esses são exemplos de novos procedimentos que também podem ser adotados aqui no Brasil”, opina.
Ações conjuntas
A médica-veterinária finalizou a sua fala enaltecendo que a biosseguridade pode trazer a blindagem dos planteis e que ela precisa ser pensada de forma conjunta, enaltecendo que a biosseguridade precisa fazer parte de todos os processos, podendo ser pensada para acabar com as causas dos problemas e não apenas para a resolução do problema final. “Um exemplo bem simples para entender isso é a relação do controle de pragas com iscas e inseticidas. Isso está errado, pois este problema pode ser resolvido muito antes, quando nos preocupamos com os quatro as: acesso, água, alimentos e abrigo”, reflete.
Desta forma, a palestrante evidencia que o plano de biosseguridade precisa ser construído de forma bem alinhada e com todas as informações que são pertinentes para a produção. “O ponto-chave para a construção de um bom plano de biosseguridade está na correta análise de riscos e assim, não apenas descrever os protocolos, mas sim, buscar alternativas de mitigação e que realmente vão controlar e reduzir os riscos que o plantel pode vir a ser exposto. Desta forma, falar em biosseguridade é pensar que ela é uma das responsáveis para dar sustentabilidade a longo prazo, pois ela contribui para que o plantel tenha animais mais saudáveis e mais eficientes, com menor mortalidade e, consequentemente, maior retorno e menor investimento”.
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Avicultura
Setor da indústria e produção de ovos conquista novos mercados para exportação
No entanto, calor afeta novamente a produtividade no campo.

Foi anunciada recentemente a abertura do mercado da Malásia para ovos líquidos e ovos em pó produzidos no Brasil, ao mesmo tempo em que o setor projeta a retomada das exportações neste ano.
Porém, a atividade sente os efeitos das altas temperaturas no verão, situação que afeta a produtividade, menor postura de ovos e, em alguns casos, aumento da perda de aves. “Novamente teremos algumas dificuldades que poderão afetar o mercado de ovos gradativamente, refletindo a curto prazo numa possível diminuição de oferta”, comenta José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Asgav.
O setor tem capacidade de atender a demanda interna e externa, porém, em algumas épocas do ano, são necessárias algumas medidas para garantir a manutenção da atividade.
O feriadão prolongado de natal e ano novo, as férias coletivas e os recessos, retraíram parcialmente o consumo de ovos, mas já se vê a retomada de compras e maior procura desde a primeira segunda-feira útil do ano, em 05 de janeiro, onde muitas pessoas já retomaram dos recessos de final de ano.
Além do retorno do feriadão, a retomada de dietas e uma nutrição mais equilibrada com ovos, saladas e omeletes é essencial para a volta do equilíbrio nutricional.
De acordo com o dirigente da Asgav, o setor vive um período de atenção em razão do calor, que afeta a produtividade. Com a retomada das compras, do consumo e das exportações, pode haver uma leve diminuição da oferta, sem riscos ao abastecimento de ovos para a população.
Avicultura
VBP dos ovos atinge R$ 29,7 bilhões e registra forte crescimento
Avicultura de postura avança 11,3% e mantém trajetória consistente no agronegócio brasileiro.

A avicultura de postura encerra 2025 com um dos melhores desempenhos da sua história recente. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atualizados em 21 de novembro, o Valor Bruto da Produção (VBP) dos ovos atingiu R$ 29,7 bilhões em 2025, consolidando um crescimento expressivo de 11,3% em relação aos R$ 26,7 bilhões registrados em 2024. O resultado confirma a trajetória de expansão do setor, fortemente impulsionada pela demanda interna aquecida, pela competitividade do produto frente a outras proteínas e por custos menos voláteis do que os observados durante a crise global de grãos.
Em participação no VBP total do agro brasileiro, o segmento se mantém estável: continua representando 2,11% da produção agropecuária nacional, mesmo com o aumento do faturamento. Isso significa que, embora o setor cresça, ele avança num ambiente em que outras cadeias, como soja, bovinos e milho, também apresentaram ampliações substanciais no ciclo 2024/2025.
Um crescimento consistente na série histórica
Os dados dos últimos anos mostram a força estrutural da cadeia. Em 2018, o VBP dos ovos era de R$ 18,4 bilhões. Desde então, a evolução ocorre de forma contínua, com pequenas oscilações, até alcançar quase R$ 30 bilhões em 2025. No período de sete anos, o faturamento da avicultura de postura avançou cerca de 61% em termos nominais.
Contudo, como temos destacado nas reportagens anteriores do anuário, é importante frisar: essa evolução se baseia em valores correntes e não considera a inflação acumulada do período. Ou seja, parte do avanço reflete o encarecimento dos preços ao produtor, e não exclusivamente aumento de oferta ou ganhos de produtividade. Ainda assim, o setor mantém sua relevância econômica e seu papel estratégico no abastecimento nacional de proteína animal de baixo custo.
Estrutura produtiva e desempenho por estados
O ranking estadual permanece concentrado e revela a pesada liderança de São Paulo, responsável por R$ 6,7 bilhões em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais (R$ 2,8 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 2,5 bilhões), Paraná (R$ 2,5 bilhões) e Espírito Santo (R$ 2,1 bilhões). O mapa de distribuição evidencia uma cadeia geograficamente pulverizada, mas com polos consolidados que combinam infraestrutura industrial e tradição produtiva.

A maioria dos estados apresentou crescimento nominal entre 2024 e 2025, embora, novamente, parte desse avanço tenha relação direta com preços mais altos pagos ao produtor, fenômeno sensível à oscilação do custo dos insumos, especialmente milho e farelo de soja.
Cadeia resiliente e cada vez mais eficiente
A avicultura de postura vem aprofundando sua profissionalização, com forte adoção de tecnologias de manejo, sistemas automatizados, ambiência melhorada e maior qualidade no controle sanitário. Esses fatores reduziram perdas, melhoraram índices zootécnicos e ampliaram a oferta de ovos com padrão superior, especialmente no segmento de ovos especiais (cage-free, enriquecidos, orgânicos e com rastreabilidade avançada).
Ao mesmo tempo, o consumo interno brasileiro se estabilizou em patamares elevados após a pandemia, consolidando o ovo como uma das proteínas mais importantes para a segurança alimentar da população, fato que contribui diretamente para a sustentabilidade econômica da cadeia.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Avicultura
Avicultura fecha 2025 com recorde histórico nas exportações de carne de frango
Embarques crescem, receita se mantém elevada e recuperação pós-influenza projeta avanço em 2026

Após superar um dos momentos mais desafiadores da história do setor produtivo, a avicultura brasileira encerra o ano de 2025 com boas notícias. De acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram, no ano, 5,324 milhões de toneladas ao longo dos 12 meses de 2025, volume que supera em 0,6% o total exportado em 2024, com 5,294 milhões de toneladas, estabelecendo novo recorde para as exportações anuais do setor.

Foto: Shutterstock
O resultado foi consolidado pelos embarques realizados durante o mês de dezembro. Ao todo, foram embarcadas 510,8 mil toneladas de carne de frango no período, volume 13,9% superior ao registrado no décimo segundo mês de 2024, com 448,7 mil toneladas.
Com isso, a receita total das exportações de 2025 alcançou US$ 9,790 bilhões, saldo 1,4% menor em relação ao registrado em 2024, com US$ 9,928 bilhões. Apenas no mês de dezembro, foram registrados US$ 947,9 milhões, número 10,6% maior em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 856,9 milhões. “O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Principal destino das exportações de carne de frango em 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram 479,9 mil toneladas (+5,5% em

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026” – Foto: Mario Castello
relação a 2024), seguidos pelo Japão, com 402,9 mil toneladas (-0,9%), Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%). “O restabelecimento total dos embarques após os impactos da Influenza aviária já sinaliza positivamente nos números das exportações. É o caso dos embarques para a União Europeia, que registraram alta de 52% nos volumes exportados em dezembro, e da China, que, em um curto período, já importou 21,2 mil toneladas. São indicadores que projetam a manutenção do cenário positivo para o ano de 2026”, ressalta Santin.







