Avicultura
Especialistas reforçam urgência de elevar biosseguridade diante da Influenza aviária
Setor produtivo deve intensificar medidas de prevenção e vigilância, combinando biosseguridade, vacinação e planos de contingência para proteger granjas e garantir a sanidade da avicultura brasileira.

A sanidade voltou ao centro do debate na avicultura brasileira durante o 15º Simpósio Técnico ACAV – Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição, realizado recentemente em Florianópolis (SC). No bloco Sanidade, três especialistas trouxeram análises complementares sobre os desafios globais e nacionais diante do avanço da Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) e das doenças virais emergentes. A mensagem foi clara: o setor precisa intensificar a biosseguridade e adotar medidas cada vez mais rigorosas de prevenção e reação para proteger a produção.
A médica-veterinária Isabella Lourenço dos Santos ressaltou que a biosseguridade deve ser vista como um pilar inabalável da avicultura. “Ela é a fortaleza que protege produtores e empresas. O status sanitário brasileiro é rigoroso, mas precisamos ir além. É urgente evoluir e aplicar de forma eficaz as práticas de biosseguridade”, afirmou.
Segundo ela, os surtos de doenças virais têm mostrado que a sanidade precisa acompanhar as mudanças do cenário global. “Há sinais vermelhos de falhas recorrentes no sistema, tanto em biosseguridade quanto em manejo. Doenças não acontecem por acaso. Elas têm causas multifatoriais, que precisam ser conhecidas e trabalhadas com estratégias de imunização e saúde animal”, destacou, enfatizando que a vigilância epidemiológica deve ser fortalecida, garantindo resposta mais assertiva diante das doenças virais emergentes.
O panorama internacional foi apresentado pelo pesquisador norte-americano Dawid Swayne, doutor em Patologia Veterinária. Ele detalhou o impacto da disseminação do vírus H5N1 no mundo desde 2022, quando entrou nas Américas e se espalhou por aves silvestres e mamíferos, incluindo focas, leões-marinhos e até gado leiteiro. “Nos Estados Unidos, o vírus afetou mais de 1,7 mil granjas comerciais, com perdas superiores a 175 milhões de aves. As populações de poedeiras e perus foram as mais atingidas”, elencou.
A situação se agravou em 2024, com o registro de casos em bovinos leiteiros, que se tornaram uma ponte de transmissão para granjas avícolas. Mais de mil rebanhos em 17 estados foram afetados. “Encontramos alta concentração do vírus no leite de gado infectado. A pasteurização elimina o risco, mas a contaminação demonstra a amplitude do desafio”, explicou Swayne.
De acordo com o especialista, cerca de 70 casos humanos foram confirmados nos Estados Unidos, a maioria em trabalhadores expostos diretamente a animais infectados durante suas atividades dentro das granjas.
Swayne enalteceu ainda a importância da biosseguridade e da vigilância baseada em risco para evitar a entrada do vírus em granjas comerciais, sobretudo em períodos de migração de aves silvestres. Ele também reforçou que a vacinação contra a Influenza aviária vem ganhando espaço como ferramenta de controle. “A vacinação não elimina a necessidade de biosseguridade, mas aumenta a resistência à infecção, reduz a transmissão, contribui para o bem-estar animal e para a segurança alimentar. Países como França, China e México já mostraram resultados positivos com sua aplicação”, frisou.
A realidade brasileira foi detalhada pelo médico-veterinário Bruno Pessamilio, especialista em Defesa Agropecuária Animal. Desde maio de 2023, o Brasil registrou 4,7 mil notificações de suspeitas de Influenza aviária, resultando em cerca de 1,3 mil coletas e 185 casos confirmados, dos quais um em avicultura comercial, 12 de subsistência e 172 em aves silvestres. A novidade, em 2025, é a mudança do padrão de ocorrência. “Todos os focos registrados este ano foram em aves residentes no interior do país, e não mais em aves migratórias ou costeiras. Isso altera o cenário de risco, porque aproxima o vírus das zonas de produção e da avicultura de subsistência”, alertou.
O especialista em Defesa Agropecuária Animal reforçou que a biosseguridade precisa sair do campo do discurso e se tornar uma política corporativa, sustentada por vigilância, prevenção e reação rápida. “Não se trata de inventar novas medidas, mas de fazer o básico com excelência. A desinfecção de veículos, o vazio sanitário, a vacinação: tudo precisa ser executado com nota 10. A proteção deve ser 100%, não 90%”, salientou.
Pessamilio defendeu ainda maior envolvimento dos gestores e donos de empresas, destacando que biosseguridade é também um investimento econômico. “Menos doença significa mais dinheiro. É uma relação direta”, destacou.
Os planos de contingência também precisam ser constantemente atualizados e preparados para situações reais de emergência. “A defesa agropecuária não é responsabilidade apenas do setor público, mas também das empresas. O enfrentamento de um foco exige integração, logística e preparo prévio para medidas como eutanásia, destruição de carcaças e restabelecimento da condição sanitária”, pontuou.
O consenso entre os especialistas foi que a avicultura brasileira, líder global em exportações, precisa elevar cada vez mais seu nível de biosseguridade. “Com a Influenza aviária circulando nas Américas e cada vez mais próxima das áreas produtivas, a prevenção deixou de ser apenas uma recomendação para se tornar questão de sobrevivência do setor”, reforçou Pessamilio.
A versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

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A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

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A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

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que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.
Avicultura
São Paulo confirma caso de gripe aviária em ave silvestre
Diagnóstico foi feito em ave resgatada em área urbana de Guaíra. Defesa Agropecuária iniciou investigação epidemiológica e reforçou medidas sanitárias.

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) de 2026. A confirmação foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP) após análise de amostras coletadas de uma irerê (Dendrocygna viduata), ave silvestre resgatada em uma área urbana e encaminhada ao zoológico de Guaíra, no Departamento Regional de Barretos.
O material foi coletado pela Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), no dia 8 de julho. A IAAP é uma forma grave da gripe aviária, que pode provocar elevada mortalidade entre as aves.
Após a confirmação do diagnóstico, a Defesa Agropecuária adotou uma série de medidas sanitárias. O trânsito de animais no zoológico de Guaíra foi interditado, e teve início uma investigação epidemiológica para avaliar possíveis riscos de disseminação do vírus.
A vigilância também foi intensificada em três granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco. Segundo a Secretaria da Agricultura, duas dessas propriedades estão em período de vazio sanitário e não possuem aves alojadas. Além do monitoramento, equipes técnicas prestaram orientações aos responsáveis pelas granjas.
As autoridades reforçam que o consumo de carne de aves e ovos não transmite a gripe aviária. A recomendação é que a população não manipule aves doentes ou encontradas mortas e comunique imediatamente qualquer suspeita à Defesa Agropecuária. Caso seja necessário o contato com esses animais, o procedimento deve ser realizado apenas com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que acompanha o caso em conjunto com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A pasta também monitora as pessoas envolvidas na ocorrência.
De acordo com a SES, São Paulo não registrou casos de gripe aviária em humanos até o momento. A secretaria destaca que a infecção em pessoas ocorre, principalmente, por meio do contato direto com aves infectadas.
Para orientar a resposta a esse tipo de ocorrência, o estado mantém um Plano de Contingência para Influenza Aviária em Humanos, elaborado em 2023 e atualizado em 2025 pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).



