Notícias
Especialistas discutem melhorias na gestão de risco climático na agricultura
Evento reúne pesquisadores, autoridades, especialistas em políticas agrícolas, Proagro, crédito e seguro rural e representantes do setor produtivo.

Entre esta terça (18) e a próxima quinta-feira (20) será realizada na Embrapa Sede, em Brasília (DF), a 8ª Reunião da Rede Zarc Embrapa de Pesquisa e Desenvolvimento. O evento reúne pesquisadores, autoridades, especialistas em políticas agrícolas, Proagro, crédito e seguro rural e representantes do setor produtivo para discutir a gestão de riscos climáticos na agricultura brasileira.
Uma preocupação crescente para a agricultura brasileira tem sido o agravamento dos riscos climáticos observado nas últimas décadas, em particular nos últimos anos. Entre as consequências estão o aumento da frequência e intensidade de eventos adversos com danos e prejuízos crescentes aos sistemas de produção, a redução progressiva de janelas de cultivo agrícola e de áreas de produção sustentáveis, dificuldades à implantação da segunda safra em várias regiões do país, expansão do semiárido e surgimento de regiões áridas no Brasil.
Dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, do Ministério da Integração, indicam que eventos climáticos extremos causaram prejuízos de R$ 443 bilhões no Brasil, entre 2014 e 2023. Os impactos nos sistemas de produção agropecuários representam 81% desse total, com um crescimento expressivo nos anos mais recentes. “A reunião tem como objetivo discutir a experiência e visão de representantes do setor produtivo, da pesquisa, do setor de seguros e crédito rural, e de formuladores e operadores de políticas agrícolas, sobre a gestão de riscos climáticos na agricultura”, explica o pesquisador Eduardo Monteiro, da Embrapa, coordenador da Rede Zarc.
Programação
No primeiro dia do evento, a discussão será sobre política agrícola e gestão de riscos, com foco no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Participam da discussão autoridades da Embrapa, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Banco Central e Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).
No período da tarde a discussão continua com foco na gestão de riscos e sustentabilidade da agricultura, no crédito e no seguro rural. Participam como palestrantes e debatedores representantes da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Mapa.
Na quarta-feira pela manhã um painel irá abordar as estratégias de atuação das cooperativas agropecuárias na gestão de riscos e sustentabilidade de seus cooperados. Participam representantes da Coamo, CCGL, Comigo, Cocamar, Coopercitrus, Capal.
Já no período da tarde a programação terá foco em práticas de manejo agronômico como ferramentas úteis na gestão de riscos. Esta temática é uma inovação que a Embrapa vem desenvolvendo para ser incluída no Zarc em todo o país. A proposta é levar em consideração o manejo de solo e outras técnicas conservacionistas adotadas na propriedade como mais um indicador para definição do risco. Quanto melhor o manejo, maior a resiliência do sistema produtivo e menor o risco de perdas por falta de chuva, por exemplo.
Na quinta-feira pela manhã, a pauta é dedicada às tecnologias de monitoramento e levantamento massificado de dados em áreas de produção. Participarão como palestrantes representantes da Embrapa, Polícia Federal, e de algumas empresas que atuam no tema como Serasa, Visiona, SCCON e Agrorobótica. No período da tarde, a pauta é voltada aos colaboradores da Rede de pesquisa, com temas mais específicos de projetos de pesquisa e desenvolvimento em andamento, resultados preliminares e apresentação de novas propostas.
A 8ª Reunião da Rede Zarc Embrapa não é aberta ao público em geral, mas direcionada a setores de governo, organizações e empresas diretamente ligadas ao tema. Porém, interessados em acompanhar o conteúdo poderão assistir a transmissão ao vivo pelo canal da Embrapa no Youtube (https://www.youtube.com/@embrapa).
Gestão de riscos climáticos na agricultura e o Zarc
A gestão de riscos compreende o conjunto de ações coordenadas para identificação e avaliação riscos, implementação de estratégias de prevenção, redução do impacto ou transferência do risco e, por fim, acompanhamento dos resultados. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) é um estudo agrometeorológico de avaliação de riscos, que delimita regiões de produção e épocas de plantio de acordo com suas probabilidades de perda de produção causada por eventos meteorológicos adversos.
Uma análise ampla desses indicadores de risco para as diferentes culturas e regiões permitem aos produtores e técnicos avaliarem e decidirem quais as possibilidades e melhores opções quanto: culturas viáveis para o seu município; a melhor época de plantio e produção; características de cultivares, se resilientes ou de alto potencial produtivo; a necessidade de práticas de manejo agronômico complementares ou obrigatórias; uso preferencial de cultivares de ciclo curto, intermediário ou longo; e as vantagens e desvantagens ao se concentrar recursos em uma única safra ou distribuir em duas ou mais.
As informações do Zarc são utilizadas no Proagro e na subvenção federal ao prêmio do seguro rural (PSR) como critério para evitar situações de risco muito alto, contribuindo para evitar perdas excessivas em áreas ou épocas de alto risco para a agricultura. O Ministério da Agricultura e Pecuária publica as portarias de Zarc com todas as informações. Os resultados do Zarc para mais de 40 culturas, diversos tipos de solo e em todos os municípios do Brasil também podem ser consultados facilmente pelo produtor rural por meio do aplicativo Plantio Certo.

Notícias
Preços baixos devem manter área de trigo estagnada no Brasil no primeiro semestre de 2026
Cenário de oferta elevada, importações em alta e estoques robustos limita reação do mercado, apontam Cepea e Conab.

As expressivas quedas nos preços do trigo ao longo de 2025 devem manter a atratividade da cultura reduzida aos produtores brasileiros.
Pesquisadores do Cepea indicam que, diante desse cenário, não se esperam avanços significativos na área destinada ao cereal no primeiro semestre de 2026, o que tende a preservar a dependência das importações para o abastecimento interno.
As exportações, por sua vez, devem continuar a desempenhar um papel importante, contribuindo para atenuar a pressão de baixa sobre os valores domésticos.

Foto: Gilson Abreu/AEN
Segundo a Conab, as importações de agosto/25 a julho/26 devem atingir 6,7 milhões de toneladas, o que indica que, entre dezembro/25 e julho/26, o ritmo será ainda mais intenso do que o observado nos quatro primeiros meses do ano-safra.
Com isso, a Conab projeta uma disponibilidade interna superior a 16 milhões de toneladas entre agosto/25 e julho/26, volume 5,3% maior do que o registrado na temporada anterior. Desse total, cerca de 11,8 milhões de toneladas devem ser destinadas ao consumo doméstico, enquanto 2,24 milhões de toneladas devem ser exportadas entre agosto/25 e julho/26.
Mesmo assim, os estoques finais em julho/26 são estimados em 2 milhões de toneladas, o equivalente a 8,7 semanas de consumo – a maior relação desde 2020. Nesse contexto, pesquisadores do Cepea indicam que não se vislumbram recuperações consistentes de preços no início de 2026. Além disso, as importações devem continuar exercendo pressão sobre o mercado ao longo do ano, uma vez que o trigo importado continuará competindo com a produção nacional, o que é reforçado pela maior oferta do principal fornecedor, a Argentina.
De acordo com dados da Bolsa de Cereales, a produção argentina de trigo na safra 2025/26 foi estimada em 27,8 milhões de toneladas, um novo recorde.
Notícias
Pecuária lidera e sustenta avanço do agro cearense em 2025
Proteína animal responde por 58% do VBP estadual, com destaque para ovos, leite e bovinos.

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Ceará atingiu a marca de R$ 6.863,21 milhões em 2025, consolidando uma trajetória de expansão nominal.
Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro, o estado registrou um crescimento de 6,88% em relação aos R$ 6.421 milhões faturados em 2024. Embora o avanço local supere o ritmo de crescimento do VBP nacional, o Ceará ainda ocupa a 17° posição da pirâmide produtiva brasileira.
Enquanto o Brasil viu seu VBP total saltar de R$ 1.229.351,64 milhões em 2024 para R$ 1.412.203,57 milhões em 2025, o Ceará caminha em uma velocidade distinta.
A participação cearense no VBP nacional recuou levemente em termos relativos, passando de 0,52% em 2024 para 0,49% em 2025. Esse movimento indica um “descolamento”: embora o estado esteja produzindo mais riqueza do que no ano anterior, as grandes potências agrícolas (como MT, MG e SP) aceleraram de forma muito mais agressiva, ampliando a distância competitiva.
Pecuária e Grãos
A composição do agro cearense revela uma forte dependência do setor de proteína animal. A pecuária responde por 58% do VBP estadual (R$ 3,99 bilhões), superando as lavouras, que detêm 42% (R$ 2,87 bilhões).
No topo do ranking, cinco atividades sustentam a economia do campo no estado:
Ovos: O líder absoluto, com R$ 1.516,0 milhões.
Leite: Consolidado em segundo lugar, somando R$ 1.029,6 milhões.
Tomate: R$ 763,5 milhões.
Bovinos: R$ 652,3 milhões.
Banana: R$ 630,2 milhões.
Evolução Histórica
O gráfico histórico revela que o Ceará superou a estagnação observada entre 2018 (R$ 5,13 bilhões) e 2019 (R$ 4,98 bilhões). Após um salto em 2020 e uma leve correção em 2021, o estado engatou quatro anos consecutivos de crescimento. Contudo, a curva de ascensão é suave. O incremento de R$ 442 milhões entre 2024 e 2025 sugere um crescimento de manutenção, movido mais pela valorização de preços e ajustes de mercado do que por uma mudança estrutural na fronteira agrícola.

Os dados expõem um cenário de resiliência, mas de baixa escala. O fato de o Ceará estar na 17° posição do VBP do Brasil, não decorre de uma queda produtiva, já que os números são ascendentes, mas sim da limitação geográfica e climática para grandes culturas de exportação (commodities), que são os motores do VBP nacional.
A concentração de riqueza na pecuária e na avicultura (Ovos/Frangos) demonstra que o estado encontrou vocação em sistemas intensivos, que ocupam menos área. No entanto, a dependência de produtos voltados ao mercado interno e de hortifrutis torna o VBP cearense mais vulnerável ao consumo doméstico do que aos ciclos globais de preços, o que explica o crescimento mais modesto se comparado ao salto de 14,8% da média brasileira.
Notícias
Reforma tributária exige atenção de produtores rurais do Paraná a partir de 2026
Nova regra obriga a identificação do contribuinte de IBS e CBS na nota fiscal e marca a primeira etapa das mudanças no agro.

Em vigor desde a última sexta-feira (02),, a reforma tributária tem impacto direto nas atividades agropecuárias do Paraná. As mudanças devem ocorrer de forma escalonada, mas, já em 2026, os produtores rurais precisam adotar algumas providências. Nesta primeira fase, a principal alteração é a obrigatoriedade de indicar na nota fiscal se o produtor é ou não contribuinte do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Essa informação é essencial para que o comprador saiba como declarar a nota posteriormente e utilize corretamente os créditos tributários. “A reforma tributária é uma realidade e altera a forma de contribuição dos nossos produtores rurais. Embora neste ano as mudanças sejam pequenas, é importante que os agricultores fiquem atentos ao que precisam fazer”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “O Sistema FAEP e os nossos sindicatos rurais estão trabalhando para prestar toda a assistência necessária para os agricultores e pecuaristas. É fundamental fazer os ajustes o quanto antes”, complementa.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O principal objetivo da reforma é simplificar a tributação sobre o consumo. Atualmente, cinco impostos incidem sobre a venda de mercadorias e serviços: Programa de Integração Social (PIS), Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Com a reforma, esses tributos serão unificados em dois novos: CBS e IBS.
Produtores com receita anual igual ou superior a R$ 3,6 milhões devem, obrigatoriamente, aderir ao regime regular de recolhimento do IBS e da CBS. Já aqueles com faturamento abaixo desse valor podem optar ou não pelo novo regime, avaliando a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários.
Para auxiliar na decisão, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) desenvolveu uma calculadora que permite simular se a adesão é vantajosa. A ferramenta está disponível no endereço, acesse clicando aqui.
Vantagens

Foto: Divulgação/OP Rural
Ao optar pelo regime de recolhimento, o produtor com receita igual ou inferior a R$ 3,6 milhões pode obter alguns benefícios. O principal deles é o aproveitamento de créditos dos impostos pagos na aquisição de insumos, o que pode ser vantajoso em casos de custos de produção elevados, já que esses valores podem ser abatidos do imposto devido sobre as vendas.
Além disso, a formalização pode facilitar o acesso ao crédito rural e a financiamentos com melhores condições, garantir benefícios previdenciários e permitir a emissão de documentos fiscais exigidos por grandes compradores e em compras públicas, ampliando o mercado de atuação do produtor.



