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Especialistas debatem em torno da vacinação contra Influenza aviária

Enquanto em muitos países as vacinas são uma estratégia à prevenção e controle da doença, no Brasil, sua aplicação é proibida, fundamentada pelas condições sanitárias, econômicas e de políticas públicas, além da não identificação da enfermidade em unidades comerciais de produção.

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Foto: Renato Lopes/APA

Devido ao seu potencial devastador para as aves e possíveis riscos à saúde humana, a Influenza aviária (IA) representa uma preocupação crescente para a indústria avícola global. Enquanto em muitos países as vacinas são uma estratégia à prevenção e controle da doença, no Brasil, sua aplicação é proibida, fundamentada pelas condições sanitárias, econômicas e de políticas públicas, além da não identificação da enfermidade em unidades comerciais de produção. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e outros órgãos reguladores justificam que a adoção de estratégias de vigilância ativa, controle de tráfego de aves e biossegurança nas granjas são mais eficazes na prevenção da enfermidade.

Durante o 21º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, realizado em Ribeirão Preto (SP), uma das discussões mais importantes girou em torno da mesa redonda dedicada às vacinas para Influenza aviária. Com a participação de especialistas da área, o debate proporcionou uma visão para explorar os desafios contemporâneos enfrentados nesse campo.

A zootecnista, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e coordenadora do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Conselho Mundial da Avicultura (IPC), Sula Alves, atuou como mediadora. Ela enfatizou que a vacinação preventiva não é permitida no Brasil e ressaltou que, no contexto internacional, o mercado tem se posicionado contra a vacinação como método de controle sanitário. “Esse é também o nosso posicionamento, que é sempre dependente do contexto atual e suscetível às mudanças conforme a situação e o momento exigirem”, ressaltou.

Brasil

A chefe da Divisão de Gestão de Planos de Vigilância do Departamento de Saúde Animal do Mapa, Daniela de Queiroz Baptista, detalhou estratégias para o enfrentamento da doença e o posicionamento do Mapa em relação ao uso da vacina. “A principal estratégia do Ministério da Agricultura para vigilância, controle e monitoramento da Influenza aviária é o nosso Plano de Contingência”, frisou.

Daniela ressaltou que a biosseguridade é uma peça-chave nesse processo. “A biossegurança é imprescindível para a prevenção, não apenas da IA, mas também de outras doenças”, salientou, adiantando que o Mapa está fazendo a vigilância genômica dos vírus que chegaram ao Brasil para fazer uma caracterização completa desses agentes patogênicos.

Quanto à vacinação, esclareceu que, segundo a Instrução Normativa 32 de 2002, a aplicação de vacinas contra IA só é permitida em situações excepcionais quando da comprovação da doença em aves comerciais, avaliação do risco, análise da situação epidemiológica e após autorização do Departamento de Saúde Animal do Mapa, e não como medida preventiva rotineira. “O registro de vacinas contra Influenza aviária ainda não é autorizado pelo Mapa, mas existe a prerrogativa de solicitar a importação desses produtos para vacinar um lote em uma situação de emergência, se necessário, por meio do decreto 5053 para atendimento aos programas oficiais a qualquer momento, mesmo que essas vacinas não estejam registradas no Brasil. E isso quer dizer que a aplicação deste imunizante é proibida no Brasil, mas pode ser aplicado mediante avaliação”, explicou.

América Latina

Autoridade em sanidade avícola reconhecido mundialmente, o médico-veterinário Luiz Sesti apontou como preocupante a falta de informação sobre a vacinação contra a gripe aviária no mundo, especialmente entre a indústria avícola e as autoridades de diversos países. “É impressionante a desinformação sobre vacinação contra a gripe aviária no mundo”, apontou.

Em alguns países da América Latina, a aplicação da vacina é restrita a aves de longa vida, como poedeiras comerciais e aves de reprodução pesadas e medianas, sendo adotada apenas por Equador, Peru, Bolívia e Uruguai, contudo nenhum lote de frango de corte destes países foi vacinado até o momento. México, Guatemala e República Dominicana vacinam todas as aves.  “Uma limitação importante é que nenhum desses países na América Latina possui a capacidade de realizar o teste de diferenciação entre aves vacinadas e infectadas (DIVA), devido ao uso de plataformas de vacinas que não permitem essa tecnologia”, evidenciou.

Já o doutor em Medicina Veterinária, Filipe Fernando, destacou as tecnologias de imunizantes disponíveis no mercado e os países que já adotam a vacinação em escala. Ele ressaltou que os desafios enfrentados no mundo atualmente não se limitam apenas às aves, mas afetam todos os elos da cadeia avícola global e têm implicações na segurança alimentar do planeta.

Com sua atuação no Peru, o médico-veterinário Cesar Alfredo Reyes Macedo trouxe uma perspectiva regional, destacando os desafios únicos enfrentados pelo Peru na luta contra a Influenza aviária, destacando os conceitos aprendidos ao longo de mais de um ano do registro da gripe aviária no país, onde a imunização das aves é uma prática consolidada.

Com 85% da indústria avícola peruana situada na costa, Macedo ressaltou a preocupação com a propagação do vírus através da migração. Ele sublinhou a importância da saúde única em nível global, destacando os impactos ecológicos da doença nos países afetados. “É preciso cada vez mais reforçar que o controle do vírus não apenas protege a indústria avícola, mas também é imprescindível para prevenir novas pandemias e garantir a segurança alimentar global”.

O médico-veterinário Marcelo Zuanaze encerrou a mesa redonda com uma visão sobre o futuro da pesquisa e o desenvolvimento de vacinas. Sua apresentação destacou a importância da inovação contínua e da colaboração global para enfrentar os desafios impostos pela Influenza aviária. “Não existe uma solução única. Devemos adotar uma abordagem abrangente, incluindo biossegurança, vigilância ativa e passiva, além de educação e comunicação. Seguir as diretrizes do plano nacional contra a doença é essencial para garantir transparência e confiança na segurança alimentar. Educar a população é vital para evitar impactos negativos tanto no consumo como nas relações comerciais do Brasil”, enfatizou.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura

Fonte: O Presente Rural

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Setor da indústria e produção de ovos conquista novos mercados para exportação

No entanto, calor afeta novamente a produtividade no campo.

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Foto: Rodrigo Félix Leal

Foi anunciada recentemente a abertura do mercado da Malásia para ovos líquidos e ovos em pó produzidos no Brasil, ao mesmo tempo em que o setor projeta a retomada das exportações neste ano.

Porém, a atividade sente os efeitos das altas temperaturas no verão, situação que afeta a produtividade, menor postura de ovos e, em alguns casos, aumento da perda de aves. “Novamente teremos algumas dificuldades que poderão afetar o mercado de ovos gradativamente, refletindo a curto prazo numa possível diminuição de oferta”, comenta José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Asgav.

O setor tem capacidade de atender a demanda interna e externa, porém, em algumas épocas do ano, são necessárias algumas medidas para garantir a manutenção da atividade.

O feriadão prolongado de natal e ano novo, as férias coletivas e os recessos, retraíram parcialmente o consumo de ovos, mas já se vê a retomada de compras e maior procura desde a primeira segunda-feira útil do ano, em 05 de janeiro, onde muitas pessoas já retomaram dos recessos de final de ano.

Além do retorno do feriadão, a retomada de dietas e uma nutrição mais equilibrada com ovos, saladas e omeletes é essencial para a volta do equilíbrio nutricional.

De acordo com o dirigente da Asgav, o setor vive um período de atenção em razão do calor, que afeta a produtividade. Com a retomada das compras, do consumo e das exportações, pode haver uma leve diminuição da oferta, sem riscos ao abastecimento de ovos para a população.

Fonte: Assessoria ASGAV/SIPARGS
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VBP dos ovos atinge R$ 29,7 bilhões e registra forte crescimento

Avicultura de postura avança 11,3% e mantém trajetória consistente no agronegócio brasileiro.

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Foto: Shutterstock

A avicultura de postura encerra 2025 com um dos melhores desempenhos da sua história recente. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atualizados em 21 de novembro, o Valor Bruto da Produção (VBP) dos ovos atingiu R$ 29,7 bilhões em 2025, consolidando um crescimento expressivo de 11,3% em relação aos R$ 26,7 bilhões registrados em 2024. O resultado confirma a trajetória de expansão do setor, fortemente impulsionada pela demanda interna aquecida, pela competitividade do produto frente a outras proteínas e por custos menos voláteis do que os observados durante a crise global de grãos.

Em participação no VBP total do agro brasileiro, o segmento se mantém estável: continua representando 2,11% da produção agropecuária nacional, mesmo com o aumento do faturamento. Isso significa que, embora o setor cresça, ele avança num ambiente em que outras cadeias, como soja, bovinos e milho, também apresentaram ampliações substanciais no ciclo 2024/2025.

Um crescimento consistente na série histórica

Os dados dos últimos anos mostram a força estrutural da cadeia. Em 2018, o VBP dos ovos era de R$ 18,4 bilhões. Desde então, a evolução ocorre de forma contínua, com pequenas oscilações, até alcançar quase R$ 30 bilhões em 2025. No período de sete anos, o faturamento da avicultura de postura avançou cerca de 61% em termos nominais.

Contudo, como temos destacado nas reportagens anteriores do anuário, é importante frisar: essa evolução se baseia em valores correntes e não considera a inflação acumulada do período. Ou seja, parte do avanço reflete o encarecimento dos preços ao produtor, e não exclusivamente aumento de oferta ou ganhos de produtividade. Ainda assim, o setor mantém sua relevância econômica e seu papel estratégico no abastecimento nacional de proteína animal de baixo custo.

Estrutura produtiva e desempenho por estados

O ranking estadual permanece concentrado e revela a pesada liderança de São Paulo, responsável por R$ 6,7 bilhões em 2025. Em seguida aparecem Minas Gerais (R$ 2,8 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 2,5 bilhões), Paraná (R$ 2,5 bilhões) e Espírito Santo (R$ 2,1 bilhões). O mapa de distribuição evidencia uma cadeia geograficamente pulverizada, mas com polos consolidados que combinam infraestrutura industrial e tradição produtiva.

A maioria dos estados apresentou crescimento nominal entre 2024 e 2025, embora, novamente, parte desse avanço tenha relação direta com preços mais altos pagos ao produtor, fenômeno sensível à oscilação do custo dos insumos, especialmente milho e farelo de soja.

Cadeia resiliente e cada vez mais eficiente

A avicultura de postura vem aprofundando sua profissionalização, com forte adoção de tecnologias de manejo, sistemas automatizados, ambiência melhorada e maior qualidade no controle sanitário. Esses fatores reduziram perdas, melhoraram índices zootécnicos e ampliaram a oferta de ovos com padrão superior, especialmente no segmento de ovos especiais (cage-free, enriquecidos, orgânicos e com rastreabilidade avançada).

Ao mesmo tempo, o consumo interno brasileiro se estabilizou em patamares elevados após a pandemia, consolidando o ovo como uma das proteínas mais importantes para a segurança alimentar da população, fato que contribui diretamente para a sustentabilidade econômica da cadeia.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura fecha 2025 com recorde histórico nas exportações de carne de frango

Embarques crescem, receita se mantém elevada e recuperação pós-influenza projeta avanço em 2026

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Foto: Shutterstock

Após superar um dos momentos mais desafiadores da história do setor produtivo, a avicultura brasileira encerra o ano de 2025 com boas notícias. De acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram, no ano, 5,324 milhões de toneladas ao longo dos 12 meses de 2025, volume que supera em 0,6% o total exportado em 2024, com 5,294 milhões de toneladas, estabelecendo novo recorde para as exportações anuais do setor.

Foto: Shutterstock

O resultado foi consolidado pelos embarques realizados durante o mês de dezembro. Ao todo, foram embarcadas 510,8 mil toneladas de carne de frango no período, volume 13,9% superior ao registrado no décimo segundo mês de 2024, com 448,7 mil toneladas.

Com isso, a receita total das exportações de 2025 alcançou US$ 9,790 bilhões, saldo 1,4% menor em relação ao registrado em 2024, com US$ 9,928 bilhões. Apenas no mês de dezembro, foram registrados US$ 947,9 milhões, número 10,6% maior em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 856,9 milhões. “O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global, em compasso com a produção do setor esperada para o ano”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Principal destino das exportações de carne de frango em 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram 479,9 mil toneladas (+5,5% em

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Fechar o ano com resultados positivos é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026” – Foto: Mario Castello

relação a 2024), seguidos pelo Japão, com 402,9 mil toneladas (-0,9%), Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%). “O restabelecimento total dos embarques após os impactos da Influenza aviária já sinaliza positivamente nos números das exportações. É o caso dos embarques para a União Europeia, que registraram alta de 52% nos volumes exportados em dezembro, e da China, que, em um curto período, já importou 21,2 mil toneladas. São indicadores que projetam a manutenção do cenário positivo para o ano de 2026”, ressalta Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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