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Especialistas debatem difusão genética por meio de doses de sêmen

O Presente Rural conversou com três especialistas para saber mais sobre o assunto

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Arquivo/OP Rural

O 12º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu, em uma mesa redonda, renomados especialistas das maiores empresas do país para debater sobre a difusão genética através de doses de sêmen, um mercado que tem ganhado cada vez mais espaço na suinocultura moderna. O Presente Rural questionou os três debatedores, que estiveram à frente das discussões no evento, que aconteceu de 21 a 23 de maio, em Porto Alegre, RS. Confira o que pensam Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC, Diego Alkmin, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred, e Marcos Lopes, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin.

 Diego Alkmin, PhD, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Diego Alkmin (DA) – A difusão genética via doses de sêmen é uma forma de atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, segura, econômica e prática. De maneira geral, são doses de sêmen produzidas por centrais especializadas, conhecidas como UDGs (Unidade de Difusão Genética), onde estão alojados sempre os reprodutores do topo da pirâmide genética e que possuem tecnologia avançada e rígidos controles de qualidade e biosseguridade.

A difusão genética via doses de sêmen torna possível que qualquer produtor esteja sempre em consonância com o progresso obtido pelas empresas de melhoramento genético, garantindo o máximo potencial genético em seus animais.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

DA – A difusão genética via doses de sêmen permite que produtores de todos os tamanhos tenham acesso igual à genética superior, ou seja, teoricamente, um cliente que tenha 100 matrizes poderia receber sêmen com potencial genético similar a um cliente de 4000 matrizes por exemplo, isso é fantástico e sem dúvida é uma das grandes vantagens.

Para granjas médias e pequenas que ainda produzem as doses internamente, as vezes é muito difícil justificar o investimento em um reprodutor da ponta do ranking e que possui um valor mais elevado, mas se esse mesmo macho estiver em uma UDG especializada, o custo por dose para esses produtores será muito menor e se torna completamente acessível.

De qualquer forma, atualmente não há dúvidas que, independente do tamanho da granja, há enormes benefícios em adquirir doses de uma central especializada, ou seja, mesmo um produtor que tenha 5000 matrizes por exemplo, teria vantagens em adquirir o sêmen ao invés de produzi-lo, pois além da possibilidade de sempre ter acesso aos reprodutores geneticamente superiores, o nível de tecnologia requerido, controles de qualidade e pessoal especializado para realizar esse trabalho é muito alto, e dificilmente isso é encontrado em uma central interna na granja.

OP Rural – Quando e porque a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

DA – Na DB a primeira UDG foi inaugurada há mais de 10 anos, mas foi nos últimos cinco anos que realmente houve um trabalho mais intenso e focado nesse mercado. Nos últimos anos, o mercado brasileiro acabou seguindo uma tendência que já era difundida nos principais países produtores da Europa e também nos EUA, ou seja, a partir do momento que os produtores brasileiros visualizaram o maior potencial de progresso genético, vantagens sanitárias e a própria praticidade decorrente da tecnologia,  houve essa migração para a difusão genética via doses de sêmen.

OP Rural – Como foi a evolução dessa atividade?

DA – O principal desafio da indústria suína é otimizar a produção de carne suína e, ao mesmo tempo, garantir sustentabilidade a um custo competitivo. Por essa razão, se exige cada dia mais esforços para aumentar a eficiência da atividade e inevitavelmente, isso se traduz na necessidade de uma maior tecnificação do setor. Nesse sentido, a utilização de tecnologias reprodutivas sempre irá ocupar lugar de destaque, especialmente as que permitem acelerar o ganho genético, como é o caso da difusão via doses de sêmen produzidas nas UDGs especializadas, principalmente por promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel. Com isso, nos últimos anos houve uma grande evolução no uso de doses de sêmen de UDGs especializadas, exatamente pela maior aceitação e confiabilidade dos produtores quanto às vantagens e eficiência da tecnologia. As empresas de genética tiveram um papel fundamental nessa evolução, exatamente por disponibilizar ao produtor uma forma eficiente e mais rápida de atualização genética de seu plantel.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – O uso de doses de sêmen através das UDGs – DB gera vários benefícios ao sistema de produção. A principal vantagem desta tecnologia é promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel, de forma extremamente segura do ponto de vista sanitário e de qualidade do sêmen, visando a evolução na eficiência produtiva do rebanho e melhoria nos índices zootécnicos da granja, garantindo maior retorno econômico para o suinocultor.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

DA – Certamente as vantagens são imensamente superiores. Alguns consideram como desvantagem ou limitação o custo, quando comparado às doses produzidas na própria granja, mas em minha opinião isso é uma falsa percepção. O custo genético advindo do reprodutor corresponde a cerca de 1% do custo total de produção de uma granja, ou seja, mesmo que considerado somente os custos absolutos dos valores das doses, a economia seria mínima. De qualquer forma, é muito importante nesse cenário considerar os ganhos advindos da maior eficiência na produção, quando os ganhos zootécnicos e reprodutivos passam a ser contabilizados em virtude da utilização de reprodutores de maior potencial genético, fica evidente a vantagem financeira para o uso de doses de sêmen via difusão genética.

Mas como em qualquer tecnologia, existem sim desafios. Considero como principais a logística para entrega das doses, especialmente considerando a longa extensão territorial e condições geralmente ruins das estradas no Brasil; cada vez há uma maior necessidade em aumentar durabilidade (longevidade) das doses, exatamente pela estratégia de reduzir o número de entregas por semana nas granjas; a conservação e manuseio das doses nas granjas após a entrega; cada vez produzir mais doses por macho, ampliando o uso de machos geneticamente superiores (maior mérito genético);

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

DA – Uma das formas de melhorar a produtividade de uma granja é investir na evolução genética do plantel, o que garante ao produtor avanços consistentes dos resultados de campo. Para responder a esta demanda do mercado, a DB Genética Suína vem investindo continuamente em tecnologias que possam promover a atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, econômica e prática.

Foi com este objetivo que a empresa implementou o programa “Difusão Genética Avançada (DGA)”, um meio de expansão de sua genética superior via comercialização de doses de sêmen, através de Unidades de Difusão Genética (UDG). A DB possui atualmente três UDGs, com capacidade total para alojamento de 600 reprodutores. Há ainda uma quarta UDG em construção, a qual terá capacidade para 400 reprodutores em regime de produção de sêmen.

Além disso a empresa possui parceria com outras centrais de cooperativas e centrais independentes, participando sempre da gestão estratégica do plantel, garantindo sempre a utilização de machos geneticamente superiores.

As UDGs estão localizadas em regiões estratégicas, com capacidade para atender praticamente todas as regiões do Brasil de forma segura e eficiente. Atualmente temos clientes que utilizam a Difusão Genética Avançada via doses de sêmen nos estados de MG, SP, ES, RJ, GO, DF, MT, MS, PR, SC e RS.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

DA – A suinocultura é uma atividade dinâmica, novas tecnologias estão sempre em evidência, então considero essencial manter-se atualizado sobre temas relevantes como é a difusão genética via doses de sêmen. Esse debate possibilitará ouvir diferentes opiniões e pontos de vista, com o objetivo de esclarecer, mas também aumentar o interesse dos presentes sobre o assunto, estimular o pensamento crítico, etc. Os produtores e técnicos presentes poderão analisar outras realidades e aproveitar a experiência dos participantes da mesa redonda sobre o tema.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

DA – Gostaria de parabenizar a organização do evento e à Minitube por promover essa mesa redonda, possibilitando o debate de um assunto tão importante e em evidência como é a difusão genética via doses de sêmen.

Sem dúvida as discussões, perguntas, etc., irão contribuir muito para esclarecer dúvidas que possam existir sobre o assunto. Não tenho dúvidas que será um debate saudável, marcado principalmente pela elevação do conhecimento de todos ao final do evento.

Considerando ser um assunto tão atual e que acredito que seja a primeira vez em que se esteja reunindo representantes das principais genéticas do país, realmente é esperado uma grande participação de todo o público presente no evento, o que sem dúvidas irá enriquecer muito o debate.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – A utilização de doses de sêmen via UDG pelos suinocultores é uma tendência mundial e que já está altamente difundida entre os principais países produtores de carne suína. A tendência global no uso de doses de sêmen via UDGs é a resposta do mercado, que está sempre em busca de novas tecnologias que possam contribuir para a evolução do sistema de produção de suínos. Não há dúvidas que esse é um caminho sem volta, a tendência em minha opinião é que cada vez mais os produtores irão adotar essa tecnologia e usufruir das inúmeras vantagens.

Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC 

O Presente Rural (OP Rural) – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Nevton Hector Brun (NHB) – É uma avançada tecnologia reprodutiva de suínos que permite acelerar e otimizar o uso de genes superiores nas unidades de produção por meio da utilização de doses inseminantes (e não da compra de machos). Trata-se de uma tecnologia fundamentada pelo modelo das Unidades de Disseminação de Genes (UDGs) – estruturas de excelência, altamente modernas e tecnificadas, cuja produção automatizada, garante agilidade, qualidade e segurança ao processamento das doses, a chamada Genética Líquida Agroceres PIC.

São inúmeras as vantagens competitivas que a Genética Líquida traz ao suinocultor e aos sistemas de produção. A primeira e mais importante diz respeito à máxima atualização genética e a consequente elevação dos padrões zootécnicos e produtivos do rebanho suinícola. As doses inseminantes comercializadas provêm das últimas gerações de reprodutores. Ou seja, os reprodutores de nossas UDGs estão no topo da pirâmide genética. Isso permite a disseminação de material genético de ponta, com ênfase em características de grande interesse econômico.

Outro benefício é o alto status de biossegurança. Ao optar pelo uso da genética líquida, o produtor reduz os riscos sanitários decorrentes da introdução, circulação e trânsito de machos reprodutores em sua granja. Essa tecnologia permite, ainda, potencializar o uso de sua mão-de-obra, direcionando-a para outras atividades importantes dentro da granja, sem contar a eliminação de gastos com instalações, exames laboratoriais e estoque de reprodutores.

OP Rural – Qual a porcentagem de mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

NHB – A genética líquida é uma tecnologia consolidada entre os grandes players mundiais de carne suína e também no Brasil. A comercialização das doses inseminantes representa cerca de 70% do share de machos na Europa e América do Norte. No Brasil esse percentual é de aproximadamente 30%, mas vem crescendo rapidamente. A razão é simples: a suinocultura brasileira tende a crescer e ganhar qualidade. Com isso deve intensificar o movimento de migração de tecnologia ao longo dos próximos anos. O ganho de produtividade proporcionado pelo modelo de doses inseminantes deverá estimular a mudança de padrão tecnológico pelos produtores.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

NHB – A Agroceres PIC foi responsável por introduzir o modelo de comercialização de doses inseminantes no Brasil, em 2013, quando inaugurou sua primeira UDG, em Fraiburgo (SC). Com o lançamento do conceito de genética líquida no mercado brasileiro, a Agroceres PIC quebrou paradigmas ao instituir uma tecnologia reprodutiva, até então inédita e perfeitamente alinhada às demandas da suinocultura de alta performance por eficiência produtiva, biossegurança, qualidade e competitividade. Desde então, a genética líquida firmou-se como um dos fatores produtivos mais efetivos para aumentar a produtividade dos sistemas de produção suína no país, alçando a suinocultura brasileira a um novo patamar de eficiência e competitividade.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – É promover a atualização genética dos plantéis de suínos em tempo real, de forma contínua, econômica e prática, sem precisar manter na propriedade a estrutura onerosa de uma Central de Inseminação Artificial (CIA). Em suma, a genética líquida Agroceres PIC permite acelerar a disseminação de genes superiores, elevando o padrão genético dos plantéis e a eficiência produtiva do rebanho – recurso que, na prática, confere mais competitividade e rentabilidade para os suinocultores. Tudo isso com máxima biossegurança e total garantia de qualidade.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

NHB – Como tecnologia reprodutiva, a genética líquida só traz vantagens, conforme pudemos ressaltar nas questões respondidas anteriormente. Agora, os desafios existem, sobretudo para a execução desse modelo de negócios no Brasil, especialmente os logísticos, já que temos um país de dimensões continentais. Quando decidimos investir no negócio de genética líquida, estruturando uma rede de UDGs no Brasil, sabíamos que quebraríamos paradigmas de qualidade, biossegurança e velocidade em atualização genética. Ao mesmo tempo, as enormes distâncias do país, as péssimas condições das estradas e as grandes variações de temperatura entre os Estados se impunham como desafios a serem enfrentados.

Para superar os desafios logísticos, investimos e desenvolvemos uma tecnologia própria. Para garantir total precisão, rastreabilidade e qualidade na entrega das doses inseminantes, criamos um sistema logístico inédito e exclusivo, que integra todas as etapas produtivas e permite monitorar e controlar as diferentes variáveis envolvidas na produção, expedição e transporte do produto.

A partir desse sistema, chamado GL Log, tudo é absolutamente identificado e controlado. Monitoramos o produto desde o pedido feito pelo cliente, por meio de um aplicativo específico, em um processo que dura apenas de 24 a 48 horas, até o envio das doses para o produtor. Um atendimento feito de forma bastante ágil e com muita segurança em todos os detalhes, até mesmo na entrega, realizada em veículo com conservadora de sêmen, com temperatura interna rigidamente controlada, seguindo rota sanitária pré-estabelecida e monitorado online, via software especial de rastreamento. Hoje temos cerca de 25 veículos dedicados exclusivamente à entrega de genética líquida. Essa frota especializada roda 200.000 km por mês, distância que equivale a mais de 5 voltas ao redor do planeta Terra.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

NHB – A Agroceres PIC detém a maior e mais avançada estrutura de genética líquida da América Latina. Um sistema total com capacidade de produção instalada de aproximadamente 3 milhões de doses inseminantes por ano, volume capaz de atender um plantel aproximado de meio milhão de matrizes tecnificadas em todo o Brasil. Nossas 5 UDGs estão estrategicamente localizadas em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Nos últimos 5 anos, investimos cerca de R$ 80 milhões em nosso negócio de genética líquida. Os aportes foram direcionados, principalmente, para a construção das UDGs, mas também para a importação de animais de alto valor genético e no desenvolvimento de sistemas automatizados de controle da qualidade das doses de sêmen nas etapas de produção, expedição e transporte.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

NHB – Atividades produtivas como a suinocultura exigem a constante incorporação de novas tecnologias. De tempos em tempos, esse processo resulta em um salto tecnológico responsável por estabelecer novos patamares de eficiência e rentabilidade. Com a genética líquida foi assim. Desde a sua introdução no país, ela se tornou uma ferramenta tecnológica fundamental para aumentar a produtividade dos sistemas de produção de suínos no Brasil. Debater as potencialidades produtivas da genética líquida, as características desse modelos de negócio e formas de aumentar o seu uso pelos produtores é fundamental para elevar ainda mais a competitividade da suinocultura brasileira.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

NHB – Ações como esta, que estimulam o diálogo, a exposição de ideias e o compartilhamento de informações em prol de uma suinocultura mais moderna e competitiva são sempre positivas. Na Agroceres PIC buscamos, incansavelmente, novas alternativas que possam trazer maior eficiência e rentabilidade aos nossos clientes, mas, sobretudo, à suinocultura brasileira. Acreditamos que esta iniciativa da Minitube, de realizar esta mesa redonda, proporcionará um debate positivo, contribuindo para o avanço da atividade a qual estamos inseridos.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – Vivemos um momento especial e extremamente desafiador na suinocultura. Os avanços tecnológicos estão surgindo em uma velocidade jamais vista e nos permitindo obter resultados e experiências que não imaginávamos serem possíveis a poucos anos atrás e a disseminação genética não é exceção. Somos a favor de toda e qualquer tecnologia que nos permita disseminar os genes de nossos melhores animais de forma mais eficiente, rápida e segura. Nesse contexto, enxergamos muitas oportunidades e ganhos no processo de disseminação genética via doses de sêmen. Talvez a maior delas seja ainda a alta concentração espermática que é necessário ser utilizada atualmente em uma dose de sêmen fresco. A medida que tivermos a introdução de novas tecnologias que nos permitam utilizar uma concentração menor, mantendo os mesmos ou melhores índices zootécnicos, teremos ganhos ainda maiores de resultado, pois isto permitirá que um número menor de machos possa atender a mesma ou uma quantidade maior de fêmeas e com isto estaremos subindo mais um degrau da pirâmide genética, diminuindo o GAP genético entre a granja núcleo e a granja comercial, contribuindo de forma direta e positiva para que nossos clientes tenham uma estrutura de produção mais competitiva e rentável.

 Marcos Lopes, zootecnista, PhD, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin

OP Rural – Quais os modelos de difusão genética empregados atualmente na suinocultura brasileira?

Marcos Lopes (ML) – A difusão genética no Brasil atualmente é feita por meio da venda de reprodutores que serão utilizados para monta natural ou para coleta de sêmen na própria granja e também pela venda de sêmen coletado e distribuído por centrais de inseminação.

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Quando a difusão genética é feita por doses de sêmen, o produtor deixa de adquirir reprodutores na sua propriedade e passa a receber somente sêmen de animais de alto potencial genético. Com isso, reduz-se a entrada de animais vivos na granja, aumentando-se assim a biossegurança da propriedade.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

ML – A venda sêmen hoje é uma realidade em grande parte do Brasil, mesmo em algumas áreas mais remotas. Mas claro que em algumas regiões mais distantes de centrais de inseminação que não contam uma boa infraestrutura para transporte rodoviário ou aéreo, o uso de reprodutores na própria granja ainda é a ferramenta mais viável.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro? Como foi a evolução dessa atividade?

ML – Esta ferramenta vem sendo utilizada e aprimorada no Brasil já há décadas. Devemos ressaltar que a partir da década de 1970 o seu uso foi se intensificando e nos últimos anos, com a implantação de modernas centrais de inseminação pelas empresas de genética, houve um grande salto na utilização da difusão genética através de doses de sêmen. Devemos dizer também que o desenvolvimento de programas computacionais capazes de realizar uma acurada avaliação da qualidade espermática e de diluentes que possibilitam manter o sêmen fresco com excelente qualidade por até sete dias, viabilizando assim a logística em rotas de longa distância, foram marcos imprescindíveis para a evolução e sucesso da implementação desta ferramenta, não só no Brasil, mas também a nível mundial.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Em resumo, podemos ressaltar a otimização do uso de reprodutores de alto potencial genético; maior biossegurança da propriedade, já que os produtores passam a receber somente sêmen e não mais animais vivos em sua granja; e o uso de tecnologia de ponta para avaliação e posterior descarte de ejaculados impróprios à reprodução e consequentemente a melhoria dos índices reprodutivos. Enquanto na monta natural um ejaculado resulta em apenas uma cobertura, quando é feita a coleta de sêmen e posterior inseminação artificial, o mesmo ejaculado pode produzir dezenas de coberturas. Além disso, a coleta e processamento de sêmen em centrais de inseminação modernas contam com alto aparato tecnológico que devido aos seus altos custos não seriam viáveis de serem implantados na granjas.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

ML – Eu não vejo nenhuma desvantagem da difusão genética feita por doses de sêmen, porém, os desafios existem. Um dos principais gargalos para uma mais vasta implementação desta ferramenta é a logística. Em um país com dimensões continentais como o nosso, que carece de investimentos urgentes em infraestrutura, a logística é de fato um desafio. Além disso, eu não poderia deixar de citar a qualificação da mão de obra empregada na granja, que também é um fator decisivo para a implementação desta ferramenta. Contar com colaboradores bem treinados para uma correta identificação do cio e aplicação dos protocolos envolvidos no processo são indispensáveis para o sucesso da inseminação artificial.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

ML – Na Topigs Norsvin nós contamos com uma central de inseminação própria no estado do Paraná que fornece sêmen a diversos estados brasileiros, além de contarmos com centrais de inseminação parceiras em outros estados. As centrais de inseminação contam com alto nível tecnológico para coleta, processamento e controle de qualidade do sêmen para que possibilitem excelentes resultados nas granjas dos nossos clientes. Todo o processo desde a coleta até o envasamento do sêmen vem sendo automatizado para garantirmos a máxima qualidade do produto. Hoje os nossos clientes realizam os seus pedidos por meio de um aplicativo de celular ou pelo seu computador e diversas outras ferramentas estão sendo desenvolvidas para maximizar a satisfação dos clientes desde o pedido do sêmen até a entrega deste na granja. Em termos de logística, a maior parte do sêmen hoje é entregue por rotas rodoviárias com mais de 2000 Km de extensão e também pela combinação de transporte aéreo e rodoviário.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

ML – Ainda existem alguns produtores que acreditam que a utilização de inseminação artificial pode acarretar perda de produtividade da granja. Por isso é muito importante discutir o tema para mostrarmos que é uma ferramenta eficiente e segura que quando corretamente implementada é garantia de sucesso e excelentes resultados.b

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

ML – Eu tenho certeza que será um evento de sucesso que levará aos participantes muita informação relevante dentro do tema. Atualizar produtores e profissionais sobre novas ferramentas desenvolvidas pelas empresas de genética suína é sempre uma oportunidade ímpar para abrir caminho para implementação de novas tecnologias nas granjas e assim promover o avanço da suinocultura nacional.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – O futuro próximo da difusão genética por meio de doses de sêmen é a utilização de doses com menor concentração espermática. Isso já é realidade em outros países, como a Holanda, e possibilitam um uso mais intensivo dos reprodutores de mais alto potencial genético, que por sua vez possibilitam acelerar o progresso genético do plantel.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Nutrição avançada de vitamina D melhora desempenho de fêmeas suínas

Suplementação de fêmeas com metabólito bio-ativo de D3 resulta em valor econômico significativo graças à melhora de desempenho ao longo de sua vida produtiva

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Brian Fisker, Rene Bonekamp e Antoine Meuter da DSM Nutritional Products

Com inúmeros aditivos nutricionais à disposição, os suinocultores dispõem de uma crescente variedade de oportunidades para otimizar o potencial genético e a produtividade de seus animais. A rentabilidade dos suínos aumenta quando fêmeas e leitoas produzem um maior número de leitões saudáveis ao longo de sua vida produtiva, o que pode ser influenciado pela otimização da suplementação de vitamina D3.

Ainda que o papel da vitamina D na manutenção da estrutura e saúde ósseas seja amplamente conhecido, os produtores estão se voltando cada vez mais para a vitamina D3 como uma solução mais ampla, que ajuda as fêmeas a expressarem seu pleno potencial reprodutivo. Diversos estudos demonstram que fêmeas mais longevas não só vivem mais tempo, como também produzem e desmamam um maior número de leitões mais pesados por leitegada. Como a rentabilidade depende da otimização da produção e do desempenho das fêmeas, estes efeitos combinados resultam em maior retorno financeiro.

Rentabilidade das fêmeas

A rentabilidade das fêmeas é aumentada quando fêmeas e leitoas produzem mais leitões ao longo de sua vida produtiva. Isto significa manter as fêmeas no rebanho por um número maior de parições, produzindo leitegadas maiores de leitões saudáveis, com peso elevado ao nascimento e ao desmame. É importante que os leitões nasçam com maior peso, pois terão maior probabilidade de apresentar maior ganho de peso e menor mortalidade pré-desmame.

Para expressar seu potencial genético e produzir leitões mais saudáveis, as fêmeas hiperprolíficas exigem maior suporte nutricional de nutrientes vitais como vitaminas e minerais. A vitamina D3 não é bio-ativa por si só e precisa ser metabolizada até sua forma funcional. Em um primeiro passo, o fígado converte a vitamina D3 em 25(OH)D3. O composto final, calcitriol ou 1,25(OH)2D3, é formado então nos rins. Algumas vezes, entretanto, este primeiro passo é suprimido nas fêmeas hiperprolíficas e a vitamina D3 nem sempre é totalmente transformada em sua forma funcional. Desta forma, como a quantidade efetiva de vitamina disponível para o animal é reduzida, os suínos apresentam maior incidência de problemas locomotores devido à mineralização óssea deficiente, desenvolvimento muscular fetal inadequado e contrações musculares menos intensas durante o trabalho de parto. Como consequência, o desempenho e rentabilidade do rebanho são afetados.

Considerando o quadro acima descrito, os suinocultores estão recorrendo ao metabólito bio-ativo de D3 que é prontamente absorvido e utilizado pelo animal. Otimizando a disponibilidade da vitamina D3 Ao incorporar diretamente a forma ativa da vitamina D3, 25(OH)D3, à ração da fêmea, os suinocultores podem evitar os passos metabólicos críticos envolvidos na degradação da vitamina D3 padrão, aumentando assim sua biodisponibilidade.

Um estudo recente realizado pelo centro SEGES (Danish Pig Research Center, Dinamarca), conduzido em um rebanho comercial com 650 fêmeas/ano, teve como objetivo determinar se a inclusão de 50mg de 25(OH)D3 por kg de ração durante todo o período de gestação (correspondendo a 2.000 UI de vitamina D3) poderia aumentar o peso da leitegada ao desmame, se comparada a níveis padrão de vitamina D3 na ração (800 UI por kg de ração).

Foram utilizadas 800 UI de vitamina D3, pois um estudo anterior havia demonstrado um efeito limitado quando o teor de vitamina D3 passava de 800 para 2.000 UI por fêmea. Além disso, o estudo teve como objetivo avaliar se o ganho diário de peso e a mortalidade, indicadores-chave da rentabilidade dos suínos, eram afetados positivamente nos leitões nascidos e criados pelas fêmeas que receberam o metabólito bio-ativo de D3 durante a gestação.

Leitegadas maiores e com maior peso ao desmame

Estudos anteriores indicaram que os leitões de baixo peso ao nascer apresentavam menor ganho de peso, baixa produtividade e maior mortalidade prédesmame, importantes causas de baixa rentabilidade da produção de suínos. Neste estudo, os principais efeitos do metabólito bio-ativo de D3 foram observados entre as leitoas.

Os resultados mostraram que o peso da leitegada foi significativamente mais alto no grupo (19,8 kg em comparação com 18,8 kg no grupo controle) e o peso da leitegada ao desmame foi 3,6 kg maior em comparação com o grupo que recebeu vitamina D3 (Fig. 1).

O ganho da leitegada foi usado como um indicador da produção de leite das fêmeas. Como o peso ao desmame foi maior, os resultados indicam que a vitamina D3 teve um efeito positivo sobre a eficiência reprodutiva ao ajudar as fêmeas a parir mais rapidamente leitões mais sadios, de melhor desempenho e vida mais longa. Isto foi confirmado pelo maior número de leitões desmamados no grupo suplementado.

Elevação dos níveis de vitamina D3

Níveis ideais de vitamina D obtidos através da suplementação com a forma bio-ativa da vitamina D3 permite que as fêmeas atinjam as metas reprodutivas, tenham melhor desempenho ao longo de sua vida produtiva, contribuindo para máxima rentabilidade geral da granja. Este estudo demonstrou claramente que o nível sérico de 25(OH)D3 foi duplicado nas fêmeas que receberam a forma bio-ativa de D3 ao longo de todo o ciclo reprodutivo (Tabela 1) em comparação com o grupo suplementado com vitamina D3. Este resultado é altamente significativo, considerando que as fêmeas foram alimentadas com doses equivalentes de vitamina D3 (2.000 UI por unidade de ração).

A Tabela 2 mostra que fêmeas suplementadas com a forma bio-ativa de D3 durante duas semanas apresentaram níveis séricos de 25(OH) D3 no momento da parição 2,3 vezes maiores que as fêmeas suplementadas com vitamina D3 comum. Além disso, depois de sete semanas de suplementação, os níveis séricos foram 3,2 vezes mais elevados que nas fêmeas do grupo controle (46,7 ng/ml).

Um estudo similar conduzido com fetos de 90 dias mostrou elevação dos níveis de vitamina D3 depois da inclusão do suplemento na ração de gestação das leitoas, em comparação com o uso de vitamina D3 comercial. Os resultados também demonstram aumento de 9,3% no número total de fibras musculares dos fetos, fator que indica leitões saudáveis e fortes.

Além disso, as leitoas suplementadas produziram maior número de leitões de maior peso por leitegada. Outros testes também enfatizaram os efeitos positivos da suplementação sobre outras funções essenciais do organismo, como reprodução, desenvolvimento muscular e modulação da resposta imune, todos fatores importantes e que contribuem para melhora do desempenho do plantel.

Conclusão

Podemos concluir que a suplementação de fêmeas com metabólito bio-ativo de D3 resulta em valor econômico significativo graças à melhora de desempenho ao longo de sua vida produtiva. É evidente que a vitamina D desempenha um papel-chave para melhor desempenho, sustentabilidade e rentabilidade das fêmeas, além de beneficiar a saúde e o ganho de peso dos leitões.

Os suinocultores estão sempre buscando novas soluções que permitam otimizar a saúde e a produtividade de fêmeas hiperprolíficas. Estudos recentes suportam o uso metabólito bio-ativo de D3 eleva os níveis séricos de vitamina D, que resulta em produção de leitegadas com maior número de leitões mais viáveis, com maior peso ao nascer e ao desmame.

Já está comprovado que essa suplementação é a forma mais biodisponível de vitamina D, garantindo maior eficiência de assimilação do metabólito 25(OH)D3, resultando em esqueleto mais forte e saudável, animais mais produtivos, chave para maior rentabilidade dos rebanhos.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Qual o melhor relatório de custos de suínos?

Se não usarmos a ferramenta correta a resposta pode não atender as reais necessidades e questionamentos

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Foto: O Presente Rural

 Artigo escrito por Luis César Nogueira e Silva, administrador com ênfase em análise de sistemas com MBA em Gestão de negócios, Controladoria e Finanças Corporativas

luiscesarnogueira@gmail.com

Essa é uma ótima pergunta e está sempre presente nas reuniões de avaliação financeira do negócio de produção de suínos.

É comum empresários e produtores demonstrarem a intenção de receber todas as respostas em apenas um relatório financeiro, mas, se não usarmos a ferramenta correta a resposta pode não atender as reais necessidades e questionamentos.

Para isso precisamos montar um “Dashboard” – ou seja, um painel de interface gráfica que proporciona a visualização dos principais indicadores de desempenho econômicos financeiros.

Facilmente podemos fazer uma analogia com o painel de nosso carro, em uma rápida olhada temos várias informações importantes para o momento e avaliações, tais como:

  • Se teremos combustível para chegar ao destino
  • Se estamos na velocidade correta da via
  • Se não existe nenhum problema maior, como uma luz de defeito acesa

Agora, de nada adianta querer saber se está na velocidade correta olhando  para o indicador de combustível do tanque. Apesar de “obvio”, muitas vezes fazemos isso com os relatórios financeiros.

Para começar a desenvolver todo esse trabalho de análises, precisamos ter no mínimo três relatórios:

Orçamento 

Todas as principais empresas do mundo fazem esse trabalho de orçamento, que consiste em montar o cenário dos próximos anos, para que consiga dentro das suas possibilidades, se organizar para sanar os vários desafios que fazem parte da atividade.

Pensando em nosso setor, vamos imaginar uma empresa de fornecimento de genética – quantos anos ela  precisou projetar/enxergar para ter disponível hoje as fêmeas que serão comercializadas para atender as granjas em todo País, por exemplo.

Um orçamento bem feito pode ajudar o produtor a se organizar melhor ao invés de esperar o caixa avisar que algo está dando errado, e assim gerando os efeitos colaterais indesejados como juros, multas, e atrasos em fornecimento de insumos para a produção.

Não poderia deixar de mencionar um fato muito curioso dos orçamentos que normalmente acompanho, onde é comum serem considerados somente cenários positivos e cenários de crescimento, o que é certo que não vai ocorrer.

Nessa hora precisamos conseguir andar sobre a tênue linha entre o otimismo e o pessimismo. Em resumo, quem tiver a melhor visão do seu negócio e do mercado vai conseguir se posicionar de forma mais adequada.

Fluxo de Caixa 

Aqui estamos em um ambiente que os produtores convivem diariamente, uns de forma mais amigável e outros nem tanto!

O fluxo de caixa é um relatório elaborado com as informações de entrada e saída de recursos, ou seja, pagamentos e receitas.

Empresas e produtores que possuem um sistema de gestão alimentado de forma correta conseguem visualizar a linha do tempo com o cruzamento dessas informações em tempo real.

Seguindo a nossa analogia, é mais fácil fazer uma curva perigosa à esquerda  (falta de recursos) quando se tem uma placa com a distância correta fazendo essa indicação, ainda mais se estiver a noite e chovendo, algo que a suinocultura nos proporciona todos os anos, meses e porque não falar semanas.

Uma característica interessante que devemos destacar é que muitas vezes no dia a dia pode passar desapercebido pelo empreendedor é de que – caixa atual positivo, com tranquilidade pode ser indicativo de prejuízos futuros, e o contrário também é verdadeiro –  caixa apertado pode estar significando crescimento, investimentos, aumento no peso de abate, visando maior lucro posterior, enfim, quem está melhor informado toma a melhor decisão sempre.

D.R.E

Esse relatório é um dos meus preferidos com toda certeza, pois é ele que responde qual foi o resultado de todo o processo, se chama Demonstrativo de Resultado de Exercício.

É um relatório contábil, que ajustado para realidade do seu negócio, vai te informar se sua atividade teve lucro ou não.

Até para falar em lucro precisamos entender um pouco mais sobre como essas ferramentas funcionam, uma vez que existem mais de um tipo de lucro, como:

  • Lucro bruto
  • Lucro Operacional
  • Lucro líquido

A ferramenta de DRE, quando bem trabalhada, conseguirá informar ao produtor o resultado de todo exercício, apresentando do faturamento bruto até o último dado possível que é o resultado do exercício.

Analisando esse relatório poderemos identificar rapidamente um dos fatores primários e mais importantes, se a operação está saudável ou não, pois é comum granjas com operações saudáveis, mas com “pesos” de outros exercícios fazendo com que não sobre dinheiro no final do mês, dentre outros tantos desdobramentos que são possíveis.

Abaixo temos um gráfico simples apenas para ilustrar um pouco do que tratamos acima, onde temos:

  • Linha azul é a meta média de faturamento projetada para 2020.
  • Linha verde a média de faturamento real em 2020.
  • Linha laranja, o valor real faturado mês a mês.

Fonte: Autor do artigo
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Óleo essencial de orégano melhora desempenho de porcas e leitões

Óleo essencial de orégano fornece uma ferramenta natural para melhorar a saúde e o desempenho de porcas e progênies

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Reginaldo Sérgio Teixeira Filho, gerente Vendas Anpario Plc

Estamos atravessando hoje no mundo uma das maiores crises pandêmicas da era moderna, a Covid-19 transformou nossos hábitos, ações e condições humanas rapidamente. Talvez como nunca tivemos tais desafios sociais e políticos ficamos perplexos com toda a situação. Porém, como afirma o filósofo Yuval Noah Harari, “a melhor defesa que os seres humanos têm contra patógenos não é o isolamento – é a informação”.

Neste momento devemos ter mais força no agronegócio, pois somos nós que temos que garantir a continuidade da produção e que a população permaneça sendo abastecida com alimentos seguros, segundo a própria Confederação da Agricultura e Pecuária. Hoje temos uma grande vantagem competitiva em relação aos outros países na suinocultura brasileira, a boa situação sanitária é evidenciada pelos índices produtivos alcançados por seus rebanhos tecnificados, que são semelhantes aos de outros países onde a atividade também é desenvolvida.

No Brasil, as principais doenças de suínos relatadas são multifatoriais e virais, geralmente imunossupressoras, e causam elevada morbidade, mortalidade variável e, principalmente, redução no desempenho com aumento no custo de produção. Outro fato relevante e desafiador, é o desenvolvimento da resistência do uso de antibióticos em suínos e, consequentemente, o banimento das moléculas para uso como promotores de crescimento.

Várias são as opções de substituição dos antibióticos no mercado, por exemplo, prebióticos, probióticos, simbióticos, vacinas, óleos essenciais naturais, ácidos orgânicos, entre outros.

Foi realizado trabalho nos EUA, em que foi verificado o efeito do óleo essencial natural de orégano na saúde da progênie e no desempenho das porcas suplementadas.

Foram utilizadas 200 fêmeas LW x LR alocadas aleatoriamente, com tratamento controle (CON) ou suplementadas com óleo essencial natural de orégano (OS) e equilibradas quanto à paridade no serviço.

As dietas (CON) gestação e lactação, foram formuladas para atender ou exceder os requisitos da NRC (NRC, 2012) e as dietas (OS), foram suplementadas com 500g / t de óleo essencial de orégano, durante a gestação e lactação até o desmame (~ 19 dias). Todos os leitões foram marcados no nascimento e realocados conforme o necessário. Todos os leitões foram registrados, independenmente de vivos, natimortos, mortos. O peso dos leitões foi medido no nascimento, no dia 2 e dia 19, para avaliar os números de nascidos, desmamados e crescimento da leitegada para cada tratamento. Amostras de leite foram coletadas de 30 porcas (15 por tratamento) dentro de 48 horas após o parto.

O número médio de leitões nascidos vivos foi conservado em ambos os grupos de tratamento (14,61 vs 14,36 para CON e OS, respectivamente). No desmame, o peso médio dos leitões foi semelhante, mas o peso da leitegada foi numericamente mais pesado do que as porcas suplementadas com OS, devido ao aumento do número de leitões desmamados.

As remoções (mortalidade e abate) mostraram uma tendência de redução (p = 0,05) após a suplementação de OS com um maior número de leitões desmamados (11%) e uma redução de 2% na mortalidade pré-desmame em comparação com o controle (11,13 vs 9,09 para CON e OS, respectivamente).

As melhorias na capacidade de sobrevivência dos leitões resultaram em um número significativamente maior de leitões desmamados de porcas suplementadas com OS, visto também nas análises de IgA e IgG, segundo as análises ​​pelo risco relativo (rr = 0,92) (p = 0,0001).

As diferenças citadas acima, proporcionam um benefício econômico significativo, comum número maior de leitões desmamados por porca/ano, fornecendo uma margem sobre o valor de alimentação de U$ 74 por porca/ano.

O óleo essencial de orégano fornece uma ferramenta natural para melhorar a saúde e o desempenho de porcas e progênies. Melhora o desempenho e a saúde do desmame, que podem ter efeitos significativos no desempenho da vida e no uso de medicamentos.

Outro estudo foi realizado para demonstrar como o óleo essencial de orégano pode ser uma alternativa natural aos antibióticos para melhorar o desempenho dos leitões pós desmama. Foi realizado um estudo em uma unidade comercial na Grécia desde o desmame até os 21 dias de vida. Os leitões foram alocados aleatoriamente em uma 1 das 6 dietas de tratamento de 8 a 21 dias de idade, enquanto foram submetidos a estressores naturais associados ao desmame. Dos dias 1 a 7 do estudo, uma dieta basal comercial inicial foi fornecida a todos os grupos. O desempenho dos leitões foi medido considerando o ganho médio diário (GMD), mortalidade, escore de diarreia e conversão alimentar (FCR). Os níveis fecais de E. coli também foram monitorados.

O ganho médio diário foi significativamente melhorado com a inclusão de 0,5 kg / t do óleo essencial natural de orégano, em comparação ao controle negativo e dietas contendo colistina ou ácido orgânico. O óleo essencial natural de orégano reduziu a mortalidade em 11,1% quando adicionado a 0,5 kg / t em comparação ao controle negativo.  Também reduziu significativamente os escores de diarréia e forneceu uma das porcentagens mais baixas de amostras fecais com resultado positivo para E. coli.

O óleo essencial natural de orégano teve desempenho igual ou significativamente melhor que o tratamento com antibióticos durante o período pós-desmame, fornecendo uma ferramenta natural para reduzir os antibióticos nesse período crítico na vida dos leitões.

O óleo essencial natural de orégano mantêm a integridade intestinal dos suínos, fortalecendo o sistema imune, com isso se observa a melhoria no desempenho zootécnico, conversão alimentar, aumentando o ganho de peso e diminuindo a mortalidade. Também foi verificado extra proteção e controle para Salmonella spp, E.Coli, Brachyspira spp e Ileíte (Lawsonia intracellularis).

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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