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Especialistas debatem difusão genética por meio de doses de sêmen

O Presente Rural conversou com três especialistas para saber mais sobre o assunto

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Arquivo/OP Rural

O 12º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu, em uma mesa redonda, renomados especialistas das maiores empresas do país para debater sobre a difusão genética através de doses de sêmen, um mercado que tem ganhado cada vez mais espaço na suinocultura moderna. O Presente Rural questionou os três debatedores, que estiveram à frente das discussões no evento, que aconteceu de 21 a 23 de maio, em Porto Alegre, RS. Confira o que pensam Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC, Diego Alkmin, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred, e Marcos Lopes, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin.

 Diego Alkmin, PhD, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Diego Alkmin (DA) – A difusão genética via doses de sêmen é uma forma de atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, segura, econômica e prática. De maneira geral, são doses de sêmen produzidas por centrais especializadas, conhecidas como UDGs (Unidade de Difusão Genética), onde estão alojados sempre os reprodutores do topo da pirâmide genética e que possuem tecnologia avançada e rígidos controles de qualidade e biosseguridade.

A difusão genética via doses de sêmen torna possível que qualquer produtor esteja sempre em consonância com o progresso obtido pelas empresas de melhoramento genético, garantindo o máximo potencial genético em seus animais.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

DA – A difusão genética via doses de sêmen permite que produtores de todos os tamanhos tenham acesso igual à genética superior, ou seja, teoricamente, um cliente que tenha 100 matrizes poderia receber sêmen com potencial genético similar a um cliente de 4000 matrizes por exemplo, isso é fantástico e sem dúvida é uma das grandes vantagens.

Para granjas médias e pequenas que ainda produzem as doses internamente, as vezes é muito difícil justificar o investimento em um reprodutor da ponta do ranking e que possui um valor mais elevado, mas se esse mesmo macho estiver em uma UDG especializada, o custo por dose para esses produtores será muito menor e se torna completamente acessível.

De qualquer forma, atualmente não há dúvidas que, independente do tamanho da granja, há enormes benefícios em adquirir doses de uma central especializada, ou seja, mesmo um produtor que tenha 5000 matrizes por exemplo, teria vantagens em adquirir o sêmen ao invés de produzi-lo, pois além da possibilidade de sempre ter acesso aos reprodutores geneticamente superiores, o nível de tecnologia requerido, controles de qualidade e pessoal especializado para realizar esse trabalho é muito alto, e dificilmente isso é encontrado em uma central interna na granja.

OP Rural – Quando e porque a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

DA – Na DB a primeira UDG foi inaugurada há mais de 10 anos, mas foi nos últimos cinco anos que realmente houve um trabalho mais intenso e focado nesse mercado. Nos últimos anos, o mercado brasileiro acabou seguindo uma tendência que já era difundida nos principais países produtores da Europa e também nos EUA, ou seja, a partir do momento que os produtores brasileiros visualizaram o maior potencial de progresso genético, vantagens sanitárias e a própria praticidade decorrente da tecnologia,  houve essa migração para a difusão genética via doses de sêmen.

OP Rural – Como foi a evolução dessa atividade?

DA – O principal desafio da indústria suína é otimizar a produção de carne suína e, ao mesmo tempo, garantir sustentabilidade a um custo competitivo. Por essa razão, se exige cada dia mais esforços para aumentar a eficiência da atividade e inevitavelmente, isso se traduz na necessidade de uma maior tecnificação do setor. Nesse sentido, a utilização de tecnologias reprodutivas sempre irá ocupar lugar de destaque, especialmente as que permitem acelerar o ganho genético, como é o caso da difusão via doses de sêmen produzidas nas UDGs especializadas, principalmente por promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel. Com isso, nos últimos anos houve uma grande evolução no uso de doses de sêmen de UDGs especializadas, exatamente pela maior aceitação e confiabilidade dos produtores quanto às vantagens e eficiência da tecnologia. As empresas de genética tiveram um papel fundamental nessa evolução, exatamente por disponibilizar ao produtor uma forma eficiente e mais rápida de atualização genética de seu plantel.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – O uso de doses de sêmen através das UDGs – DB gera vários benefícios ao sistema de produção. A principal vantagem desta tecnologia é promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel, de forma extremamente segura do ponto de vista sanitário e de qualidade do sêmen, visando a evolução na eficiência produtiva do rebanho e melhoria nos índices zootécnicos da granja, garantindo maior retorno econômico para o suinocultor.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

DA – Certamente as vantagens são imensamente superiores. Alguns consideram como desvantagem ou limitação o custo, quando comparado às doses produzidas na própria granja, mas em minha opinião isso é uma falsa percepção. O custo genético advindo do reprodutor corresponde a cerca de 1% do custo total de produção de uma granja, ou seja, mesmo que considerado somente os custos absolutos dos valores das doses, a economia seria mínima. De qualquer forma, é muito importante nesse cenário considerar os ganhos advindos da maior eficiência na produção, quando os ganhos zootécnicos e reprodutivos passam a ser contabilizados em virtude da utilização de reprodutores de maior potencial genético, fica evidente a vantagem financeira para o uso de doses de sêmen via difusão genética.

Mas como em qualquer tecnologia, existem sim desafios. Considero como principais a logística para entrega das doses, especialmente considerando a longa extensão territorial e condições geralmente ruins das estradas no Brasil; cada vez há uma maior necessidade em aumentar durabilidade (longevidade) das doses, exatamente pela estratégia de reduzir o número de entregas por semana nas granjas; a conservação e manuseio das doses nas granjas após a entrega; cada vez produzir mais doses por macho, ampliando o uso de machos geneticamente superiores (maior mérito genético);

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

DA – Uma das formas de melhorar a produtividade de uma granja é investir na evolução genética do plantel, o que garante ao produtor avanços consistentes dos resultados de campo. Para responder a esta demanda do mercado, a DB Genética Suína vem investindo continuamente em tecnologias que possam promover a atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, econômica e prática.

Foi com este objetivo que a empresa implementou o programa “Difusão Genética Avançada (DGA)”, um meio de expansão de sua genética superior via comercialização de doses de sêmen, através de Unidades de Difusão Genética (UDG). A DB possui atualmente três UDGs, com capacidade total para alojamento de 600 reprodutores. Há ainda uma quarta UDG em construção, a qual terá capacidade para 400 reprodutores em regime de produção de sêmen.

Além disso a empresa possui parceria com outras centrais de cooperativas e centrais independentes, participando sempre da gestão estratégica do plantel, garantindo sempre a utilização de machos geneticamente superiores.

As UDGs estão localizadas em regiões estratégicas, com capacidade para atender praticamente todas as regiões do Brasil de forma segura e eficiente. Atualmente temos clientes que utilizam a Difusão Genética Avançada via doses de sêmen nos estados de MG, SP, ES, RJ, GO, DF, MT, MS, PR, SC e RS.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

DA – A suinocultura é uma atividade dinâmica, novas tecnologias estão sempre em evidência, então considero essencial manter-se atualizado sobre temas relevantes como é a difusão genética via doses de sêmen. Esse debate possibilitará ouvir diferentes opiniões e pontos de vista, com o objetivo de esclarecer, mas também aumentar o interesse dos presentes sobre o assunto, estimular o pensamento crítico, etc. Os produtores e técnicos presentes poderão analisar outras realidades e aproveitar a experiência dos participantes da mesa redonda sobre o tema.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

DA – Gostaria de parabenizar a organização do evento e à Minitube por promover essa mesa redonda, possibilitando o debate de um assunto tão importante e em evidência como é a difusão genética via doses de sêmen.

Sem dúvida as discussões, perguntas, etc., irão contribuir muito para esclarecer dúvidas que possam existir sobre o assunto. Não tenho dúvidas que será um debate saudável, marcado principalmente pela elevação do conhecimento de todos ao final do evento.

Considerando ser um assunto tão atual e que acredito que seja a primeira vez em que se esteja reunindo representantes das principais genéticas do país, realmente é esperado uma grande participação de todo o público presente no evento, o que sem dúvidas irá enriquecer muito o debate.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – A utilização de doses de sêmen via UDG pelos suinocultores é uma tendência mundial e que já está altamente difundida entre os principais países produtores de carne suína. A tendência global no uso de doses de sêmen via UDGs é a resposta do mercado, que está sempre em busca de novas tecnologias que possam contribuir para a evolução do sistema de produção de suínos. Não há dúvidas que esse é um caminho sem volta, a tendência em minha opinião é que cada vez mais os produtores irão adotar essa tecnologia e usufruir das inúmeras vantagens.

Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC 

O Presente Rural (OP Rural) – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Nevton Hector Brun (NHB) – É uma avançada tecnologia reprodutiva de suínos que permite acelerar e otimizar o uso de genes superiores nas unidades de produção por meio da utilização de doses inseminantes (e não da compra de machos). Trata-se de uma tecnologia fundamentada pelo modelo das Unidades de Disseminação de Genes (UDGs) – estruturas de excelência, altamente modernas e tecnificadas, cuja produção automatizada, garante agilidade, qualidade e segurança ao processamento das doses, a chamada Genética Líquida Agroceres PIC.

São inúmeras as vantagens competitivas que a Genética Líquida traz ao suinocultor e aos sistemas de produção. A primeira e mais importante diz respeito à máxima atualização genética e a consequente elevação dos padrões zootécnicos e produtivos do rebanho suinícola. As doses inseminantes comercializadas provêm das últimas gerações de reprodutores. Ou seja, os reprodutores de nossas UDGs estão no topo da pirâmide genética. Isso permite a disseminação de material genético de ponta, com ênfase em características de grande interesse econômico.

Outro benefício é o alto status de biossegurança. Ao optar pelo uso da genética líquida, o produtor reduz os riscos sanitários decorrentes da introdução, circulação e trânsito de machos reprodutores em sua granja. Essa tecnologia permite, ainda, potencializar o uso de sua mão-de-obra, direcionando-a para outras atividades importantes dentro da granja, sem contar a eliminação de gastos com instalações, exames laboratoriais e estoque de reprodutores.

OP Rural – Qual a porcentagem de mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

NHB – A genética líquida é uma tecnologia consolidada entre os grandes players mundiais de carne suína e também no Brasil. A comercialização das doses inseminantes representa cerca de 70% do share de machos na Europa e América do Norte. No Brasil esse percentual é de aproximadamente 30%, mas vem crescendo rapidamente. A razão é simples: a suinocultura brasileira tende a crescer e ganhar qualidade. Com isso deve intensificar o movimento de migração de tecnologia ao longo dos próximos anos. O ganho de produtividade proporcionado pelo modelo de doses inseminantes deverá estimular a mudança de padrão tecnológico pelos produtores.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

NHB – A Agroceres PIC foi responsável por introduzir o modelo de comercialização de doses inseminantes no Brasil, em 2013, quando inaugurou sua primeira UDG, em Fraiburgo (SC). Com o lançamento do conceito de genética líquida no mercado brasileiro, a Agroceres PIC quebrou paradigmas ao instituir uma tecnologia reprodutiva, até então inédita e perfeitamente alinhada às demandas da suinocultura de alta performance por eficiência produtiva, biossegurança, qualidade e competitividade. Desde então, a genética líquida firmou-se como um dos fatores produtivos mais efetivos para aumentar a produtividade dos sistemas de produção suína no país, alçando a suinocultura brasileira a um novo patamar de eficiência e competitividade.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – É promover a atualização genética dos plantéis de suínos em tempo real, de forma contínua, econômica e prática, sem precisar manter na propriedade a estrutura onerosa de uma Central de Inseminação Artificial (CIA). Em suma, a genética líquida Agroceres PIC permite acelerar a disseminação de genes superiores, elevando o padrão genético dos plantéis e a eficiência produtiva do rebanho – recurso que, na prática, confere mais competitividade e rentabilidade para os suinocultores. Tudo isso com máxima biossegurança e total garantia de qualidade.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

NHB – Como tecnologia reprodutiva, a genética líquida só traz vantagens, conforme pudemos ressaltar nas questões respondidas anteriormente. Agora, os desafios existem, sobretudo para a execução desse modelo de negócios no Brasil, especialmente os logísticos, já que temos um país de dimensões continentais. Quando decidimos investir no negócio de genética líquida, estruturando uma rede de UDGs no Brasil, sabíamos que quebraríamos paradigmas de qualidade, biossegurança e velocidade em atualização genética. Ao mesmo tempo, as enormes distâncias do país, as péssimas condições das estradas e as grandes variações de temperatura entre os Estados se impunham como desafios a serem enfrentados.

Para superar os desafios logísticos, investimos e desenvolvemos uma tecnologia própria. Para garantir total precisão, rastreabilidade e qualidade na entrega das doses inseminantes, criamos um sistema logístico inédito e exclusivo, que integra todas as etapas produtivas e permite monitorar e controlar as diferentes variáveis envolvidas na produção, expedição e transporte do produto.

A partir desse sistema, chamado GL Log, tudo é absolutamente identificado e controlado. Monitoramos o produto desde o pedido feito pelo cliente, por meio de um aplicativo específico, em um processo que dura apenas de 24 a 48 horas, até o envio das doses para o produtor. Um atendimento feito de forma bastante ágil e com muita segurança em todos os detalhes, até mesmo na entrega, realizada em veículo com conservadora de sêmen, com temperatura interna rigidamente controlada, seguindo rota sanitária pré-estabelecida e monitorado online, via software especial de rastreamento. Hoje temos cerca de 25 veículos dedicados exclusivamente à entrega de genética líquida. Essa frota especializada roda 200.000 km por mês, distância que equivale a mais de 5 voltas ao redor do planeta Terra.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

NHB – A Agroceres PIC detém a maior e mais avançada estrutura de genética líquida da América Latina. Um sistema total com capacidade de produção instalada de aproximadamente 3 milhões de doses inseminantes por ano, volume capaz de atender um plantel aproximado de meio milhão de matrizes tecnificadas em todo o Brasil. Nossas 5 UDGs estão estrategicamente localizadas em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Nos últimos 5 anos, investimos cerca de R$ 80 milhões em nosso negócio de genética líquida. Os aportes foram direcionados, principalmente, para a construção das UDGs, mas também para a importação de animais de alto valor genético e no desenvolvimento de sistemas automatizados de controle da qualidade das doses de sêmen nas etapas de produção, expedição e transporte.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

NHB – Atividades produtivas como a suinocultura exigem a constante incorporação de novas tecnologias. De tempos em tempos, esse processo resulta em um salto tecnológico responsável por estabelecer novos patamares de eficiência e rentabilidade. Com a genética líquida foi assim. Desde a sua introdução no país, ela se tornou uma ferramenta tecnológica fundamental para aumentar a produtividade dos sistemas de produção de suínos no Brasil. Debater as potencialidades produtivas da genética líquida, as características desse modelos de negócio e formas de aumentar o seu uso pelos produtores é fundamental para elevar ainda mais a competitividade da suinocultura brasileira.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

NHB – Ações como esta, que estimulam o diálogo, a exposição de ideias e o compartilhamento de informações em prol de uma suinocultura mais moderna e competitiva são sempre positivas. Na Agroceres PIC buscamos, incansavelmente, novas alternativas que possam trazer maior eficiência e rentabilidade aos nossos clientes, mas, sobretudo, à suinocultura brasileira. Acreditamos que esta iniciativa da Minitube, de realizar esta mesa redonda, proporcionará um debate positivo, contribuindo para o avanço da atividade a qual estamos inseridos.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – Vivemos um momento especial e extremamente desafiador na suinocultura. Os avanços tecnológicos estão surgindo em uma velocidade jamais vista e nos permitindo obter resultados e experiências que não imaginávamos serem possíveis a poucos anos atrás e a disseminação genética não é exceção. Somos a favor de toda e qualquer tecnologia que nos permita disseminar os genes de nossos melhores animais de forma mais eficiente, rápida e segura. Nesse contexto, enxergamos muitas oportunidades e ganhos no processo de disseminação genética via doses de sêmen. Talvez a maior delas seja ainda a alta concentração espermática que é necessário ser utilizada atualmente em uma dose de sêmen fresco. A medida que tivermos a introdução de novas tecnologias que nos permitam utilizar uma concentração menor, mantendo os mesmos ou melhores índices zootécnicos, teremos ganhos ainda maiores de resultado, pois isto permitirá que um número menor de machos possa atender a mesma ou uma quantidade maior de fêmeas e com isto estaremos subindo mais um degrau da pirâmide genética, diminuindo o GAP genético entre a granja núcleo e a granja comercial, contribuindo de forma direta e positiva para que nossos clientes tenham uma estrutura de produção mais competitiva e rentável.

 Marcos Lopes, zootecnista, PhD, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin

OP Rural – Quais os modelos de difusão genética empregados atualmente na suinocultura brasileira?

Marcos Lopes (ML) – A difusão genética no Brasil atualmente é feita por meio da venda de reprodutores que serão utilizados para monta natural ou para coleta de sêmen na própria granja e também pela venda de sêmen coletado e distribuído por centrais de inseminação.

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Quando a difusão genética é feita por doses de sêmen, o produtor deixa de adquirir reprodutores na sua propriedade e passa a receber somente sêmen de animais de alto potencial genético. Com isso, reduz-se a entrada de animais vivos na granja, aumentando-se assim a biossegurança da propriedade.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

ML – A venda sêmen hoje é uma realidade em grande parte do Brasil, mesmo em algumas áreas mais remotas. Mas claro que em algumas regiões mais distantes de centrais de inseminação que não contam uma boa infraestrutura para transporte rodoviário ou aéreo, o uso de reprodutores na própria granja ainda é a ferramenta mais viável.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro? Como foi a evolução dessa atividade?

ML – Esta ferramenta vem sendo utilizada e aprimorada no Brasil já há décadas. Devemos ressaltar que a partir da década de 1970 o seu uso foi se intensificando e nos últimos anos, com a implantação de modernas centrais de inseminação pelas empresas de genética, houve um grande salto na utilização da difusão genética através de doses de sêmen. Devemos dizer também que o desenvolvimento de programas computacionais capazes de realizar uma acurada avaliação da qualidade espermática e de diluentes que possibilitam manter o sêmen fresco com excelente qualidade por até sete dias, viabilizando assim a logística em rotas de longa distância, foram marcos imprescindíveis para a evolução e sucesso da implementação desta ferramenta, não só no Brasil, mas também a nível mundial.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Em resumo, podemos ressaltar a otimização do uso de reprodutores de alto potencial genético; maior biossegurança da propriedade, já que os produtores passam a receber somente sêmen e não mais animais vivos em sua granja; e o uso de tecnologia de ponta para avaliação e posterior descarte de ejaculados impróprios à reprodução e consequentemente a melhoria dos índices reprodutivos. Enquanto na monta natural um ejaculado resulta em apenas uma cobertura, quando é feita a coleta de sêmen e posterior inseminação artificial, o mesmo ejaculado pode produzir dezenas de coberturas. Além disso, a coleta e processamento de sêmen em centrais de inseminação modernas contam com alto aparato tecnológico que devido aos seus altos custos não seriam viáveis de serem implantados na granjas.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

ML – Eu não vejo nenhuma desvantagem da difusão genética feita por doses de sêmen, porém, os desafios existem. Um dos principais gargalos para uma mais vasta implementação desta ferramenta é a logística. Em um país com dimensões continentais como o nosso, que carece de investimentos urgentes em infraestrutura, a logística é de fato um desafio. Além disso, eu não poderia deixar de citar a qualificação da mão de obra empregada na granja, que também é um fator decisivo para a implementação desta ferramenta. Contar com colaboradores bem treinados para uma correta identificação do cio e aplicação dos protocolos envolvidos no processo são indispensáveis para o sucesso da inseminação artificial.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

ML – Na Topigs Norsvin nós contamos com uma central de inseminação própria no estado do Paraná que fornece sêmen a diversos estados brasileiros, além de contarmos com centrais de inseminação parceiras em outros estados. As centrais de inseminação contam com alto nível tecnológico para coleta, processamento e controle de qualidade do sêmen para que possibilitem excelentes resultados nas granjas dos nossos clientes. Todo o processo desde a coleta até o envasamento do sêmen vem sendo automatizado para garantirmos a máxima qualidade do produto. Hoje os nossos clientes realizam os seus pedidos por meio de um aplicativo de celular ou pelo seu computador e diversas outras ferramentas estão sendo desenvolvidas para maximizar a satisfação dos clientes desde o pedido do sêmen até a entrega deste na granja. Em termos de logística, a maior parte do sêmen hoje é entregue por rotas rodoviárias com mais de 2000 Km de extensão e também pela combinação de transporte aéreo e rodoviário.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

ML – Ainda existem alguns produtores que acreditam que a utilização de inseminação artificial pode acarretar perda de produtividade da granja. Por isso é muito importante discutir o tema para mostrarmos que é uma ferramenta eficiente e segura que quando corretamente implementada é garantia de sucesso e excelentes resultados.b

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

ML – Eu tenho certeza que será um evento de sucesso que levará aos participantes muita informação relevante dentro do tema. Atualizar produtores e profissionais sobre novas ferramentas desenvolvidas pelas empresas de genética suína é sempre uma oportunidade ímpar para abrir caminho para implementação de novas tecnologias nas granjas e assim promover o avanço da suinocultura nacional.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – O futuro próximo da difusão genética por meio de doses de sêmen é a utilização de doses com menor concentração espermática. Isso já é realidade em outros países, como a Holanda, e possibilitam um uso mais intensivo dos reprodutores de mais alto potencial genético, que por sua vez possibilitam acelerar o progresso genético do plantel.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil

Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

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Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural 

A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.

Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.

O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.

SBSS

As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologia e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Programação geral do  18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair

Terça-feira (11)

13h30 – Abertura da Programação Científica

Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim

14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann

14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa

15h25 às 15h55 – Mesa Redonda

16h00 às 16h30 – Coffee break

16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua

17h10 às 17h30 – Perguntas

17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS

18h30: Palestra de Abertura

20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR

Quarta-feira (12)

Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 – Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber

12h às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h: Coffee Break

16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h: Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-fera (13)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h – Coffee Break

Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Suínos

Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef

Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

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A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra Mercado e valorização da proteína, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

Fotos: Shutterstock

Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.

Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.

A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.

Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.

Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.

O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.

Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.

Novo caminho para a carne suína

Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.

Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.

Comunicação como ferramenta

Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.

Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.

Fonte: Assessoria Suinfair
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Notícias

Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

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Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destacou o impacto social da obra na cidade e no estado sul-mato-grossense e sinalizou novos investimentos. Fotos: Geter Neto/MB Comunicação

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi

O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.

A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.

Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.

Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.

Impacto regional

Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa

O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.

Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.

O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.

Indústria mais automatizada

As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.

Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, com o governador do MS, Eduardo Riedel

Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.

A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.

Homenagem a Canton

Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.

Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.

A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.

Fonte: Assessoria Aurora Coop
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