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Especialistas debatem difusão genética por meio de doses de sêmen

O Presente Rural conversou com três especialistas para saber mais sobre o assunto

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Arquivo/OP Rural

O 12º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu, em uma mesa redonda, renomados especialistas das maiores empresas do país para debater sobre a difusão genética através de doses de sêmen, um mercado que tem ganhado cada vez mais espaço na suinocultura moderna. O Presente Rural questionou os três debatedores, que estiveram à frente das discussões no evento, que aconteceu de 21 a 23 de maio, em Porto Alegre, RS. Confira o que pensam Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC, Diego Alkmin, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred, e Marcos Lopes, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin.

 Diego Alkmin, PhD, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Diego Alkmin (DA) – A difusão genética via doses de sêmen é uma forma de atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, segura, econômica e prática. De maneira geral, são doses de sêmen produzidas por centrais especializadas, conhecidas como UDGs (Unidade de Difusão Genética), onde estão alojados sempre os reprodutores do topo da pirâmide genética e que possuem tecnologia avançada e rígidos controles de qualidade e biosseguridade.

A difusão genética via doses de sêmen torna possível que qualquer produtor esteja sempre em consonância com o progresso obtido pelas empresas de melhoramento genético, garantindo o máximo potencial genético em seus animais.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

DA – A difusão genética via doses de sêmen permite que produtores de todos os tamanhos tenham acesso igual à genética superior, ou seja, teoricamente, um cliente que tenha 100 matrizes poderia receber sêmen com potencial genético similar a um cliente de 4000 matrizes por exemplo, isso é fantástico e sem dúvida é uma das grandes vantagens.

Para granjas médias e pequenas que ainda produzem as doses internamente, as vezes é muito difícil justificar o investimento em um reprodutor da ponta do ranking e que possui um valor mais elevado, mas se esse mesmo macho estiver em uma UDG especializada, o custo por dose para esses produtores será muito menor e se torna completamente acessível.

De qualquer forma, atualmente não há dúvidas que, independente do tamanho da granja, há enormes benefícios em adquirir doses de uma central especializada, ou seja, mesmo um produtor que tenha 5000 matrizes por exemplo, teria vantagens em adquirir o sêmen ao invés de produzi-lo, pois além da possibilidade de sempre ter acesso aos reprodutores geneticamente superiores, o nível de tecnologia requerido, controles de qualidade e pessoal especializado para realizar esse trabalho é muito alto, e dificilmente isso é encontrado em uma central interna na granja.

OP Rural – Quando e porque a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

DA – Na DB a primeira UDG foi inaugurada há mais de 10 anos, mas foi nos últimos cinco anos que realmente houve um trabalho mais intenso e focado nesse mercado. Nos últimos anos, o mercado brasileiro acabou seguindo uma tendência que já era difundida nos principais países produtores da Europa e também nos EUA, ou seja, a partir do momento que os produtores brasileiros visualizaram o maior potencial de progresso genético, vantagens sanitárias e a própria praticidade decorrente da tecnologia,  houve essa migração para a difusão genética via doses de sêmen.

OP Rural – Como foi a evolução dessa atividade?

DA – O principal desafio da indústria suína é otimizar a produção de carne suína e, ao mesmo tempo, garantir sustentabilidade a um custo competitivo. Por essa razão, se exige cada dia mais esforços para aumentar a eficiência da atividade e inevitavelmente, isso se traduz na necessidade de uma maior tecnificação do setor. Nesse sentido, a utilização de tecnologias reprodutivas sempre irá ocupar lugar de destaque, especialmente as que permitem acelerar o ganho genético, como é o caso da difusão via doses de sêmen produzidas nas UDGs especializadas, principalmente por promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel. Com isso, nos últimos anos houve uma grande evolução no uso de doses de sêmen de UDGs especializadas, exatamente pela maior aceitação e confiabilidade dos produtores quanto às vantagens e eficiência da tecnologia. As empresas de genética tiveram um papel fundamental nessa evolução, exatamente por disponibilizar ao produtor uma forma eficiente e mais rápida de atualização genética de seu plantel.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – O uso de doses de sêmen através das UDGs – DB gera vários benefícios ao sistema de produção. A principal vantagem desta tecnologia é promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel, de forma extremamente segura do ponto de vista sanitário e de qualidade do sêmen, visando a evolução na eficiência produtiva do rebanho e melhoria nos índices zootécnicos da granja, garantindo maior retorno econômico para o suinocultor.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

DA – Certamente as vantagens são imensamente superiores. Alguns consideram como desvantagem ou limitação o custo, quando comparado às doses produzidas na própria granja, mas em minha opinião isso é uma falsa percepção. O custo genético advindo do reprodutor corresponde a cerca de 1% do custo total de produção de uma granja, ou seja, mesmo que considerado somente os custos absolutos dos valores das doses, a economia seria mínima. De qualquer forma, é muito importante nesse cenário considerar os ganhos advindos da maior eficiência na produção, quando os ganhos zootécnicos e reprodutivos passam a ser contabilizados em virtude da utilização de reprodutores de maior potencial genético, fica evidente a vantagem financeira para o uso de doses de sêmen via difusão genética.

Mas como em qualquer tecnologia, existem sim desafios. Considero como principais a logística para entrega das doses, especialmente considerando a longa extensão territorial e condições geralmente ruins das estradas no Brasil; cada vez há uma maior necessidade em aumentar durabilidade (longevidade) das doses, exatamente pela estratégia de reduzir o número de entregas por semana nas granjas; a conservação e manuseio das doses nas granjas após a entrega; cada vez produzir mais doses por macho, ampliando o uso de machos geneticamente superiores (maior mérito genético);

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

DA – Uma das formas de melhorar a produtividade de uma granja é investir na evolução genética do plantel, o que garante ao produtor avanços consistentes dos resultados de campo. Para responder a esta demanda do mercado, a DB Genética Suína vem investindo continuamente em tecnologias que possam promover a atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, econômica e prática.

Foi com este objetivo que a empresa implementou o programa “Difusão Genética Avançada (DGA)”, um meio de expansão de sua genética superior via comercialização de doses de sêmen, através de Unidades de Difusão Genética (UDG). A DB possui atualmente três UDGs, com capacidade total para alojamento de 600 reprodutores. Há ainda uma quarta UDG em construção, a qual terá capacidade para 400 reprodutores em regime de produção de sêmen.

Além disso a empresa possui parceria com outras centrais de cooperativas e centrais independentes, participando sempre da gestão estratégica do plantel, garantindo sempre a utilização de machos geneticamente superiores.

As UDGs estão localizadas em regiões estratégicas, com capacidade para atender praticamente todas as regiões do Brasil de forma segura e eficiente. Atualmente temos clientes que utilizam a Difusão Genética Avançada via doses de sêmen nos estados de MG, SP, ES, RJ, GO, DF, MT, MS, PR, SC e RS.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

DA – A suinocultura é uma atividade dinâmica, novas tecnologias estão sempre em evidência, então considero essencial manter-se atualizado sobre temas relevantes como é a difusão genética via doses de sêmen. Esse debate possibilitará ouvir diferentes opiniões e pontos de vista, com o objetivo de esclarecer, mas também aumentar o interesse dos presentes sobre o assunto, estimular o pensamento crítico, etc. Os produtores e técnicos presentes poderão analisar outras realidades e aproveitar a experiência dos participantes da mesa redonda sobre o tema.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

DA – Gostaria de parabenizar a organização do evento e à Minitube por promover essa mesa redonda, possibilitando o debate de um assunto tão importante e em evidência como é a difusão genética via doses de sêmen.

Sem dúvida as discussões, perguntas, etc., irão contribuir muito para esclarecer dúvidas que possam existir sobre o assunto. Não tenho dúvidas que será um debate saudável, marcado principalmente pela elevação do conhecimento de todos ao final do evento.

Considerando ser um assunto tão atual e que acredito que seja a primeira vez em que se esteja reunindo representantes das principais genéticas do país, realmente é esperado uma grande participação de todo o público presente no evento, o que sem dúvidas irá enriquecer muito o debate.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – A utilização de doses de sêmen via UDG pelos suinocultores é uma tendência mundial e que já está altamente difundida entre os principais países produtores de carne suína. A tendência global no uso de doses de sêmen via UDGs é a resposta do mercado, que está sempre em busca de novas tecnologias que possam contribuir para a evolução do sistema de produção de suínos. Não há dúvidas que esse é um caminho sem volta, a tendência em minha opinião é que cada vez mais os produtores irão adotar essa tecnologia e usufruir das inúmeras vantagens.

Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC 

O Presente Rural (OP Rural) – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Nevton Hector Brun (NHB) – É uma avançada tecnologia reprodutiva de suínos que permite acelerar e otimizar o uso de genes superiores nas unidades de produção por meio da utilização de doses inseminantes (e não da compra de machos). Trata-se de uma tecnologia fundamentada pelo modelo das Unidades de Disseminação de Genes (UDGs) – estruturas de excelência, altamente modernas e tecnificadas, cuja produção automatizada, garante agilidade, qualidade e segurança ao processamento das doses, a chamada Genética Líquida Agroceres PIC.

São inúmeras as vantagens competitivas que a Genética Líquida traz ao suinocultor e aos sistemas de produção. A primeira e mais importante diz respeito à máxima atualização genética e a consequente elevação dos padrões zootécnicos e produtivos do rebanho suinícola. As doses inseminantes comercializadas provêm das últimas gerações de reprodutores. Ou seja, os reprodutores de nossas UDGs estão no topo da pirâmide genética. Isso permite a disseminação de material genético de ponta, com ênfase em características de grande interesse econômico.

Outro benefício é o alto status de biossegurança. Ao optar pelo uso da genética líquida, o produtor reduz os riscos sanitários decorrentes da introdução, circulação e trânsito de machos reprodutores em sua granja. Essa tecnologia permite, ainda, potencializar o uso de sua mão-de-obra, direcionando-a para outras atividades importantes dentro da granja, sem contar a eliminação de gastos com instalações, exames laboratoriais e estoque de reprodutores.

OP Rural – Qual a porcentagem de mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

NHB – A genética líquida é uma tecnologia consolidada entre os grandes players mundiais de carne suína e também no Brasil. A comercialização das doses inseminantes representa cerca de 70% do share de machos na Europa e América do Norte. No Brasil esse percentual é de aproximadamente 30%, mas vem crescendo rapidamente. A razão é simples: a suinocultura brasileira tende a crescer e ganhar qualidade. Com isso deve intensificar o movimento de migração de tecnologia ao longo dos próximos anos. O ganho de produtividade proporcionado pelo modelo de doses inseminantes deverá estimular a mudança de padrão tecnológico pelos produtores.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

NHB – A Agroceres PIC foi responsável por introduzir o modelo de comercialização de doses inseminantes no Brasil, em 2013, quando inaugurou sua primeira UDG, em Fraiburgo (SC). Com o lançamento do conceito de genética líquida no mercado brasileiro, a Agroceres PIC quebrou paradigmas ao instituir uma tecnologia reprodutiva, até então inédita e perfeitamente alinhada às demandas da suinocultura de alta performance por eficiência produtiva, biossegurança, qualidade e competitividade. Desde então, a genética líquida firmou-se como um dos fatores produtivos mais efetivos para aumentar a produtividade dos sistemas de produção suína no país, alçando a suinocultura brasileira a um novo patamar de eficiência e competitividade.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – É promover a atualização genética dos plantéis de suínos em tempo real, de forma contínua, econômica e prática, sem precisar manter na propriedade a estrutura onerosa de uma Central de Inseminação Artificial (CIA). Em suma, a genética líquida Agroceres PIC permite acelerar a disseminação de genes superiores, elevando o padrão genético dos plantéis e a eficiência produtiva do rebanho – recurso que, na prática, confere mais competitividade e rentabilidade para os suinocultores. Tudo isso com máxima biossegurança e total garantia de qualidade.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

NHB – Como tecnologia reprodutiva, a genética líquida só traz vantagens, conforme pudemos ressaltar nas questões respondidas anteriormente. Agora, os desafios existem, sobretudo para a execução desse modelo de negócios no Brasil, especialmente os logísticos, já que temos um país de dimensões continentais. Quando decidimos investir no negócio de genética líquida, estruturando uma rede de UDGs no Brasil, sabíamos que quebraríamos paradigmas de qualidade, biossegurança e velocidade em atualização genética. Ao mesmo tempo, as enormes distâncias do país, as péssimas condições das estradas e as grandes variações de temperatura entre os Estados se impunham como desafios a serem enfrentados.

Para superar os desafios logísticos, investimos e desenvolvemos uma tecnologia própria. Para garantir total precisão, rastreabilidade e qualidade na entrega das doses inseminantes, criamos um sistema logístico inédito e exclusivo, que integra todas as etapas produtivas e permite monitorar e controlar as diferentes variáveis envolvidas na produção, expedição e transporte do produto.

A partir desse sistema, chamado GL Log, tudo é absolutamente identificado e controlado. Monitoramos o produto desde o pedido feito pelo cliente, por meio de um aplicativo específico, em um processo que dura apenas de 24 a 48 horas, até o envio das doses para o produtor. Um atendimento feito de forma bastante ágil e com muita segurança em todos os detalhes, até mesmo na entrega, realizada em veículo com conservadora de sêmen, com temperatura interna rigidamente controlada, seguindo rota sanitária pré-estabelecida e monitorado online, via software especial de rastreamento. Hoje temos cerca de 25 veículos dedicados exclusivamente à entrega de genética líquida. Essa frota especializada roda 200.000 km por mês, distância que equivale a mais de 5 voltas ao redor do planeta Terra.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

NHB – A Agroceres PIC detém a maior e mais avançada estrutura de genética líquida da América Latina. Um sistema total com capacidade de produção instalada de aproximadamente 3 milhões de doses inseminantes por ano, volume capaz de atender um plantel aproximado de meio milhão de matrizes tecnificadas em todo o Brasil. Nossas 5 UDGs estão estrategicamente localizadas em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Nos últimos 5 anos, investimos cerca de R$ 80 milhões em nosso negócio de genética líquida. Os aportes foram direcionados, principalmente, para a construção das UDGs, mas também para a importação de animais de alto valor genético e no desenvolvimento de sistemas automatizados de controle da qualidade das doses de sêmen nas etapas de produção, expedição e transporte.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

NHB – Atividades produtivas como a suinocultura exigem a constante incorporação de novas tecnologias. De tempos em tempos, esse processo resulta em um salto tecnológico responsável por estabelecer novos patamares de eficiência e rentabilidade. Com a genética líquida foi assim. Desde a sua introdução no país, ela se tornou uma ferramenta tecnológica fundamental para aumentar a produtividade dos sistemas de produção de suínos no Brasil. Debater as potencialidades produtivas da genética líquida, as características desse modelos de negócio e formas de aumentar o seu uso pelos produtores é fundamental para elevar ainda mais a competitividade da suinocultura brasileira.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

NHB – Ações como esta, que estimulam o diálogo, a exposição de ideias e o compartilhamento de informações em prol de uma suinocultura mais moderna e competitiva são sempre positivas. Na Agroceres PIC buscamos, incansavelmente, novas alternativas que possam trazer maior eficiência e rentabilidade aos nossos clientes, mas, sobretudo, à suinocultura brasileira. Acreditamos que esta iniciativa da Minitube, de realizar esta mesa redonda, proporcionará um debate positivo, contribuindo para o avanço da atividade a qual estamos inseridos.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – Vivemos um momento especial e extremamente desafiador na suinocultura. Os avanços tecnológicos estão surgindo em uma velocidade jamais vista e nos permitindo obter resultados e experiências que não imaginávamos serem possíveis a poucos anos atrás e a disseminação genética não é exceção. Somos a favor de toda e qualquer tecnologia que nos permita disseminar os genes de nossos melhores animais de forma mais eficiente, rápida e segura. Nesse contexto, enxergamos muitas oportunidades e ganhos no processo de disseminação genética via doses de sêmen. Talvez a maior delas seja ainda a alta concentração espermática que é necessário ser utilizada atualmente em uma dose de sêmen fresco. A medida que tivermos a introdução de novas tecnologias que nos permitam utilizar uma concentração menor, mantendo os mesmos ou melhores índices zootécnicos, teremos ganhos ainda maiores de resultado, pois isto permitirá que um número menor de machos possa atender a mesma ou uma quantidade maior de fêmeas e com isto estaremos subindo mais um degrau da pirâmide genética, diminuindo o GAP genético entre a granja núcleo e a granja comercial, contribuindo de forma direta e positiva para que nossos clientes tenham uma estrutura de produção mais competitiva e rentável.

 Marcos Lopes, zootecnista, PhD, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin

OP Rural – Quais os modelos de difusão genética empregados atualmente na suinocultura brasileira?

Marcos Lopes (ML) – A difusão genética no Brasil atualmente é feita por meio da venda de reprodutores que serão utilizados para monta natural ou para coleta de sêmen na própria granja e também pela venda de sêmen coletado e distribuído por centrais de inseminação.

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Quando a difusão genética é feita por doses de sêmen, o produtor deixa de adquirir reprodutores na sua propriedade e passa a receber somente sêmen de animais de alto potencial genético. Com isso, reduz-se a entrada de animais vivos na granja, aumentando-se assim a biossegurança da propriedade.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

ML – A venda sêmen hoje é uma realidade em grande parte do Brasil, mesmo em algumas áreas mais remotas. Mas claro que em algumas regiões mais distantes de centrais de inseminação que não contam uma boa infraestrutura para transporte rodoviário ou aéreo, o uso de reprodutores na própria granja ainda é a ferramenta mais viável.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro? Como foi a evolução dessa atividade?

ML – Esta ferramenta vem sendo utilizada e aprimorada no Brasil já há décadas. Devemos ressaltar que a partir da década de 1970 o seu uso foi se intensificando e nos últimos anos, com a implantação de modernas centrais de inseminação pelas empresas de genética, houve um grande salto na utilização da difusão genética através de doses de sêmen. Devemos dizer também que o desenvolvimento de programas computacionais capazes de realizar uma acurada avaliação da qualidade espermática e de diluentes que possibilitam manter o sêmen fresco com excelente qualidade por até sete dias, viabilizando assim a logística em rotas de longa distância, foram marcos imprescindíveis para a evolução e sucesso da implementação desta ferramenta, não só no Brasil, mas também a nível mundial.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Em resumo, podemos ressaltar a otimização do uso de reprodutores de alto potencial genético; maior biossegurança da propriedade, já que os produtores passam a receber somente sêmen e não mais animais vivos em sua granja; e o uso de tecnologia de ponta para avaliação e posterior descarte de ejaculados impróprios à reprodução e consequentemente a melhoria dos índices reprodutivos. Enquanto na monta natural um ejaculado resulta em apenas uma cobertura, quando é feita a coleta de sêmen e posterior inseminação artificial, o mesmo ejaculado pode produzir dezenas de coberturas. Além disso, a coleta e processamento de sêmen em centrais de inseminação modernas contam com alto aparato tecnológico que devido aos seus altos custos não seriam viáveis de serem implantados na granjas.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

ML – Eu não vejo nenhuma desvantagem da difusão genética feita por doses de sêmen, porém, os desafios existem. Um dos principais gargalos para uma mais vasta implementação desta ferramenta é a logística. Em um país com dimensões continentais como o nosso, que carece de investimentos urgentes em infraestrutura, a logística é de fato um desafio. Além disso, eu não poderia deixar de citar a qualificação da mão de obra empregada na granja, que também é um fator decisivo para a implementação desta ferramenta. Contar com colaboradores bem treinados para uma correta identificação do cio e aplicação dos protocolos envolvidos no processo são indispensáveis para o sucesso da inseminação artificial.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

ML – Na Topigs Norsvin nós contamos com uma central de inseminação própria no estado do Paraná que fornece sêmen a diversos estados brasileiros, além de contarmos com centrais de inseminação parceiras em outros estados. As centrais de inseminação contam com alto nível tecnológico para coleta, processamento e controle de qualidade do sêmen para que possibilitem excelentes resultados nas granjas dos nossos clientes. Todo o processo desde a coleta até o envasamento do sêmen vem sendo automatizado para garantirmos a máxima qualidade do produto. Hoje os nossos clientes realizam os seus pedidos por meio de um aplicativo de celular ou pelo seu computador e diversas outras ferramentas estão sendo desenvolvidas para maximizar a satisfação dos clientes desde o pedido do sêmen até a entrega deste na granja. Em termos de logística, a maior parte do sêmen hoje é entregue por rotas rodoviárias com mais de 2000 Km de extensão e também pela combinação de transporte aéreo e rodoviário.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

ML – Ainda existem alguns produtores que acreditam que a utilização de inseminação artificial pode acarretar perda de produtividade da granja. Por isso é muito importante discutir o tema para mostrarmos que é uma ferramenta eficiente e segura que quando corretamente implementada é garantia de sucesso e excelentes resultados.b

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

ML – Eu tenho certeza que será um evento de sucesso que levará aos participantes muita informação relevante dentro do tema. Atualizar produtores e profissionais sobre novas ferramentas desenvolvidas pelas empresas de genética suína é sempre uma oportunidade ímpar para abrir caminho para implementação de novas tecnologias nas granjas e assim promover o avanço da suinocultura nacional.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – O futuro próximo da difusão genética por meio de doses de sêmen é a utilização de doses com menor concentração espermática. Isso já é realidade em outros países, como a Holanda, e possibilitam um uso mais intensivo dos reprodutores de mais alto potencial genético, que por sua vez possibilitam acelerar o progresso genético do plantel.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Três lições para reduzir os antimicrobianos em suínos

Os estudos de campo mostram que uma abordagem multissetorial pode ajudar a atingir os objetivos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Maartje Wilhelm. Co-autores: Nienke de Groot e Javier Roques Mata – Trouw Nutrition

Por conta da resistência antimicrobiana e a ameaça a saúde humana, está aumentando a pressão sobre os suinocultores para reduzir o uso dos antimicrobianos. Os desafios estão em reduzir o uso sem comprometer a saúde e o desempenho dos animais. Em diferentes condições de produção, estruturas, instalações e em climas variados, os produtores enfrentam muitos desafios. Os estudos de campo a seguir mostram que uma abordagem multissetorial pode ajudar a atingir os objetivos.

Alguns produtores da União Europeia têm sido bem-sucedidos na redução dos antimicrobianos sem prejudicar a produtividade ou o desempenho dos animais. Listamos três lições para a redução antimicrobiana, inspirado pelo sucesso desses produtores.

  1. benchmarking otimiza o sucesso

A legislação, bem como fatores de mercado podem direcionar os objetivos de produção. Um produtor pode visar o “uso responsável dos antimicrobianos” para cumprir a legislação, enquanto outro produtor pode prosseguir “livre de antibióticos” como um ponto de diferenciação competitiva. Uma vez que as metas são definidas, é hora de avaliar e identificar pontos críticos de controle. O progresso só é real quando é mensurável.

Primeira etapa:

Uma criação na Espanha reduziu o tratamento com antibióticos na alimentação das porcas e teve um aumento de diarreia neonatal seguido de uma taxa de mortalidade pré-desmame de 21%. Quando as análises mostraram que Clostridium foi o responsável no desafio da diarreia, e as vacinas não conseguiram alcançar a melhoria desejada, a granja determinou não vacinar matrizes contra Clostridium.

Para iniciar e estabelecer metas de desempenho, amostras de ração líquida foram coletadas em diferentes etapas do processo. Os dados da análise inicial (antes de Outubro) determinaram metas para reduzir a presença de Clostridium e outros contaminantes.  Foram utilizadas misturas de ácidos orgânicos para higienizar as linhas de ração (SCFA – Ácidos Orgânicos de Cadeia Curta e MCFA – Ácidos Orgânicos de Cadeia Média).

A abordagem também incluiu a introdução de aditivos alimentares na dieta para estabilizar a microflora e melhorar a integridade intestinal. Apenas um mês mais tarde (após novembro), a análise revelou níveis reduzidos de Clostridium e de Enterobacteria na alimentação das matrizes. O protocolo de limpeza foi repetido, após a realização de outra análise (após novembro). As melhorias levaram a granja a adaptar sua rotina de gestão padrão para incluir o monitoramento periódico de linhas de fabrica de ração, garantindo a segurança alimentar.

  1. Trata-se de prevenção

Os sistemas de produção devem ser estáveis e previsíveis e os esforços para manter esses fluxos normais são essenciais. Uma vez que o problema ocorreu, tudo o que resta a fazer é tentar minimizar o impacto e voltar a um estado de equilíbrio o mais rápido possível. Investir tempo e esforço na identificação do problema é crucial para que ele não ocorra novamente. Prevenir é melhor que remediar.

Segunda etapa:

O processo de desmame tem um grande impacto sobre o desempenho dos leitões. Os padrões de ingestão de ração antes e logo após o desmame são os maiores fatores de risco para causar diarreia pós-desmame. A prevenção deste processo é essencial para garantir uma boa saúde e o desempenho dos animais. O baixo consumo de água e de ração são fatores de risco que causam disbiose (alteração da microbiota). E por isso devem ser monitorados.

Um grupo de leitões recebeu ração antes da desmama (Creep), enquanto o outro grupo não recebeu. Embora ambos os grupos tenham ido ao cocho com a mesma frequência, o que recebeu ração antes do desmame apresentou maior taxa de sucesso nas idas ao cocho: consumiu mais ração.

Fatores que ocorrem antes do desmame, podem afetar o desempenho dos leitões mais tarde. O sofrimento ao nascer é um fator de risco. Os leitões que tiveram um nascimento ‘normal’ apresentaram taxas de crescimento significativamente maiores antes e após o desmame em comparação com os leitões que sofreram no nascimento.

Ambas as situações (não fornecer ração no pré-desmame e sofrer ao nascer) são fatores de risco que têm um grande impacto no desempenho e podem ser evitados, tornando o processo produtivo mais estável e previsível.

  1. Uma abordagem integrada é fundamental

Focar em todos os fatores que interferem na saúde dos suínos, como controles da qualidade da ração, da água, do nascimento dos leitões e do ambiente são fundamentais para a redução no uso dos antibióticos.

Terceira etapa

A produção de suínos é inter-relacionada, portanto uma mudança na alimentação, na sanidade, no manejo da granja irá impactar outras áreas. Um bom exemplo é a influência que a saúde do intestino de um suíno pode ter na eficácia da vacinação. O trato gastrointestinal dos suínos funciona como uma barreira entre o animal e o ambiente. A saúde e o equilíbrio deste sistema são afetados pela qualidade, segurança e composição da água e da ração, que por sua vez influenciam o crescimento, a resposta imune e a saúde sistêmica.

Pequenas mudanças no manejo das rações, como a redução da carga microbiana, melhorando a higiene alimentar, podem influenciar a resposta imune sistêmica do animal e, assim, a eficácia vacinal e performance produtiva.

Na granja espanhola mencionada neste artigo a colaboração entre o gerente da granja, o veterinário e o consultor de nutrição melhorou a higiene da ração líquida das matrizes, o que levou à melhoria da eficácia dos protocolos de vacinação da granja. A integração de misturas de ácidos orgânicos (SCFA-MCFA) juntamente com uma vacina de Clostridium mostrou melhorias na relação Lactobacillus/Clostridium nas fezes das fêmeas. Esta relação é considerada uma das medidas para determinar a saúde do intestino.

Uma análise subsequente da diarreia dos leitões mostrou que poucos eram positivos para E. coli e Clostridium Perfringens. O programa de vacinação contra o Clostridium foi retomado com sucesso, resultando na redução da mortalidade pré-desmame de 21% para 7%.

Planeje, faça, verifique e aja

Olhando para o futuro, a União Europeia está avançando para restrições ainda mais rigorosas relacionadas à utilização de antimicrobianos. Estas são motivadas principalmente por preocupações com a resistência antimicrobiana e contaminação do ambiente com antibióticos e metais pesados. Em 2022, uma nova proibição dos níveis farmacêuticos de óxido de zinco será implementada. Haverá também restrições sobre o uso metafilático de antibióticos (tratamento grupal assim que a doença ocorrer em um animal) e a possibilidade de reservar certos antibióticos somente para uso humano.

Trabalhos científicos aplicados a práticas em granjas mostram que uma abordagem multissetorial, integrando o manejo de rações, da granja e da saúde, pode ajudar os suinocultores a atingir metas de produção, reduzindo ou eliminando a dependência de antimicrobianos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Intestino saudável, leitão saudável

A composição da microbiota intestinal impacta na saúde intestinal, utilização dos nutrientes e saúde do animal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Mara Costa, gerente de Serviços Técnicos para Suínos na Kemin do Brasil

Para alcançar a máxima performance proposta pelas linhagens genéticas e com a melhor eficiência alimentar que acarretará na lucratividade da atividade, é necessário a melhor utilização dos nutrientes pelos suínos, e apenas um intestino saudável promoverá melhor digestão e absorção dos nutrientes. Além da função digestiva, o sistema digestivo é a primeira linha de defesa do animal contra patógenos do ambiente e quando ocorre a ativação desse sistema de defesa inicial tem-se a produção de células imunológicas com perdas na eficiência digestiva. Garantir um intestino saudável é um dos desafios na produção de leitões.

A composição da microbiota intestinal impacta na saúde intestinal, utilização dos nutrientes e saúde do animal. O leitão nasce com o intestino estéril, a colonização inicial vem das excreções da sua mãe, fezes e do meio ambiente. A matriz não tem influência sobre qual parte de sua microbiota ela irá passar para o leitão, contudo, o leite materno contém açúcares prebióticos que estimulam uma colonização rápida de Lactobacillus e Bifidobacteria.

Um erro é apenas olhar para leitão e começar a busca pela saúde intestinal tarde demais. A matriz tem um sistema imunológico desenvolvido, por isso, embora possa parecer saudável, ela ainda pode transmitir patógenos a seus leitões. Considerando o sistema imunológico imaturo dos leitões, somente eles podem mostrar doença que foi transmitida pela mãe. A abordagem ideal se inicia com a matriz na fase de gestação, pois apenas uma matriz saudável e com um microbioma equilibrado pode produzir leite suficiente e fornecer uma microbiota positiva à sua leitegada.

À medida que o leitão e seu sistema imunológico se desenvolvem, a microbiota se diversifica se estabelecendo até uma semana após o nascimento. A microbiota intestinal é um micro-ecossistema complexo com aproximadamente 1.014 microrganismos, sendo a maioria bactérias, o intestino saudável depende do equilíbrio desta.

Os processos de digestão de nutrientes no trato gastrointestinal do suíno envolvem, de modo geral, hidrólise enzimática e fermentação microbiana dos alimentos.A microbiota intestinal também é responsável pela produção de vitaminas. A microbiota positiva produz metabólitos que irão auxiliar na competição com os patógenos e atuando na manutenção da barreira intestinal com ação na resposta anti-inflamatória. 

Como promover a saúde intestinal com menos antibióticos

O sistema intensivo moderno promove eficiência de produção, porém criam condições  para propagação e transmissão de bactérias patogênicas levando ao aparecimento das doenças. A prática do desmame entre 14 a 21 dias de idade reduz a chance de leitões jovens serem infectados pelas matrizes, mas também os priva de oportunidades para adquirir uma microbiota intestinal protetora da matriz.

No desmame os sistemas mais afetados são o sistema digestivo e o sistema imunológico. O sistema digestivo é afetado por uma mudança na microbiota, dano mecânico e inflamação como reação ao estresse do desmame. Os efeitos são agravados pelo sistema imunológico imaturo que não desenvolveu uma resposta imune adaptativa completa e, portanto, está confiando mais na resposta imune inata. Os leitões correm um risco substancial de doença e translocação de patógenos do trato intestinal ao desmame.O uso de melhoradores de desempenho tem sido uma ferramenta utilizada em todo mundo e há tempos com o objetivo de manter o equilíbrio da microbiota intestinal e melhorar a performance dos suínos com menor morbidade e mortalidade nessa fase. Entretanto a eficiência e custo da substituição na dieta ainda é um paradigma na decisão do técnico.  

Probióticos: Como escolher?

Os probióticos são definidos pela Organização Mundial de Saúde como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um bom benefício à saúde do hospedeiro, melhorando seu equilíbrio microbiano intestinal.

Existe uma grande variedade de microrganismos que foram estudados como  probióticos, o que leva a inúmeros produtos comerciais com essa classificação. Os produtos comerciais disponíveis podem conter bactérias, células de levedura, ou ambos, enzimas e/ou extratos brutos com diferentes origens e modo de ação. Alguns critérios para classificação são:

  • Probióticos simples ou multiespécies;
  • Probióticos bacterianos ou não bacterianos;
  • Com ou não formação de esporos.

Na fase de creche a maioria dos trabalhos mostraram que o uso do probiótico melhorou significativamente o desempenho da média do ganho diário, consumo médio diário de ração e conversão alimentar.

Escolha

O uso do probiótico gera confiança do técnico, se tornando uma ferramenta valiosa para promover a saúde animal. Para ter produtos eficazes e seguros, é necessário ter clareza sobre o motivo do uso do probiótico escolhido.

Entretanto, é difícil de fazer generalizações em termos dos efeitos do uso de probióticos na produção devido à variação nas cepas microbianas utilizadas, as doses aplicadas, compatibilidade com o uso de antibióticos, a duração do tratamento, bem como as práticas de manejo como fase utilizada.Ao escolher a melhor opção deve se considerar:

  • Origem – A origem preferida deve ser sempre de um animal
  • Estabilidade na ração e água – Forma esporulada  para resistir ao armazenamento, à peletização e passagem pelo estômago
  • Ação comprovada – Avaliar o modo de ação (ação direta sobre patógenos, bactérias benéficas e integridade intestinal), resultado na fase de desafio (ação em matrizes e leitões) e compatibilidade com melhoradores de crescimento e ácido orgânicos.

Apenas um bom probiótico, com seu uso correto, tem-se a garantia da sua ação na saúde intestinal, permitindo que o leitão tenha saúde sistêmica e alcance seu máximo desempenho.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Sanidade

Moscas na suinocultura podem transmitir até PSA

Além das doenças que podem transmitir aos lotes, as moscas causam estresse aos animais e às pessoas envolvidas na rotina de trabalho da granja

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Maurício Schiavo Marchi, médico veterinário e coordenador Técnico na Theseo Saúde Animal

A mosca é o inseto mais prevalente na suinocultura brasileira, sendo considerada uma das maiores pragas das criações de suínos. Em um país tropical como o Brasil, as altas temperaturas e umidade relativa elevada favorecem a multiplicação do inseto, fazendo com que 100% das nossas granjas sofram com as consequências negativas da infestação da praga.

Dentre as diferentes espécies, a mosca doméstica (Musca domestica) é a mais comum. Possui um ciclo de vida curto, chegando à fase adulta em até 10 dias no verão. Sendo assim, caso não sejam tomadas medidas de controle em tempo hábil, a biosseguridade dos lotes será colocada em xeque, comprometendo o desempenho do plantel e causando prejuízos ao suinocultor.

De acordo com pesquisadores, para efeito de estudo de campo considera-se que cerca de 60% da população de moscas domésticas permanece em um raio de 500m do criadouro, 80% até 1,5 km e o restante até 3 km. Em termos práticos, é muito comum a migração de população de moscas entre diferentes granjas, núcleos e propriedades.

As moscas atuam como vetores e hospedeiros de diversos patógenos causadores de diarreias neonatais e em leitões lactentes, como o Cystoisospora suis, causador da coccidiose suína. Segundo outros estudiosos, a coccidiose suína pode causar perdas econômicas significantes por diarreias transitórias, desidratação em leitões lactantes, seguidas por queda no desempenho. A queda no ganho de peso é a principal manifestação da doença, porém, em casos graves pode vir acompanhada de mortalidade de até 20%.

Estudos apontam que moscas hematófagas da espécie Stomoxys calcitrans que se alimentam do sangue de suídeos selvagens contaminados com o vírus da Peste Suína Africana (PSA) representam uma rota potencial na transmissão da doença aos lotes de suínos industriais, mesmo em fazendas com alto nível de biosseguridade.

Um estudo, realizado em 2018, demonstra que é possível a transmissão via oral do vírus da PSA quando suínos ingerem moscas da espécie S. calcitrans que foram alimentadas com sangue de suídeos selvagens contaminados com o vírus.

Outros patógenos também são carreados por moscas, como a Salmonela spp., agente da Salmonelose, doença gastrointestinal que acomete animais na fase de terminação; o Streptoccus suis, agente da Meningite Estreptocócica Suína; e agentes virais, como o PCV-2, causador da Circovirose Suína, um dos agentes primários mais importantes na suinocultura.

Além das doenças que podem transmitir aos lotes, as moscas causam estresse aos animais e às pessoas envolvidas na rotina de trabalho da granja. É extremamente desconfortável realizar as tarefas diárias, como raspagem de baias, arraçoamento e administração de medicação injetável com alta infestação de moscas.

Controle integrado

O controle de moscas na suinocultura deve ser realizado através de medidas integradas de controle: o controle químico e mecânico. O controle químico deve ser realizado com objetivo de quebrar o ciclo de vida da mosca, atuando nas fases adulta e larval.

No campo, muitas vezes o controle é realizado com foco em adultos, porém os adultos representam apenas 20% da infestação total, enquanto 80% é representado por formas jovens: larvas, pupas e ovos.

Portanto, recomenda-se escolher inseticidas com dupla ação: adulticida e larvicida, e que aceita diferentes vias de aplicação, como pulverização, nebulização, atomização e termonebulização.

Outro ponto importante no controle das moscas é a frequência de aplicação dos inseticidas. Em períodos de primavera-verão é comum haver maior aumento populacional, pois condições de alta temperatura e umidade aceleram o ciclo biológico das moscas, aumentando o número de gerações neste período.

Além do intervalo de aplicação de inseticidas, outro ponto importante deve ser considerado: os locais de procriação das moscas em uma instalação de suínos.

O controle mecânico deve ser focado em reduzir locais de oviposição das moscas. Carcaças expostas e chorume na composteira, poças de água nos arredores da instalação, vazamentos em sistemas de fornecimento de água etc., devem ser evitados. Utilizar lâmina de água nas calhas de dejetos evita que moscas adultas depositem seus ovos nestes locais. Tal manejo deve ser constante e acompanhado de perto pelo produtor.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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