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Especialistas debatem difusão genética por meio de doses de sêmen

O Presente Rural conversou com três especialistas para saber mais sobre o assunto

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Arquivo/OP Rural

O 12º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu, em uma mesa redonda, renomados especialistas das maiores empresas do país para debater sobre a difusão genética através de doses de sêmen, um mercado que tem ganhado cada vez mais espaço na suinocultura moderna. O Presente Rural questionou os três debatedores, que estiveram à frente das discussões no evento, que aconteceu de 21 a 23 de maio, em Porto Alegre, RS. Confira o que pensam Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC, Diego Alkmin, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred, e Marcos Lopes, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin.

 Diego Alkmin, PhD, supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da DB Genética Suína/Danbred

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Diego Alkmin (DA) – A difusão genética via doses de sêmen é uma forma de atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, segura, econômica e prática. De maneira geral, são doses de sêmen produzidas por centrais especializadas, conhecidas como UDGs (Unidade de Difusão Genética), onde estão alojados sempre os reprodutores do topo da pirâmide genética e que possuem tecnologia avançada e rígidos controles de qualidade e biosseguridade.

A difusão genética via doses de sêmen torna possível que qualquer produtor esteja sempre em consonância com o progresso obtido pelas empresas de melhoramento genético, garantindo o máximo potencial genético em seus animais.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

DA – A difusão genética via doses de sêmen permite que produtores de todos os tamanhos tenham acesso igual à genética superior, ou seja, teoricamente, um cliente que tenha 100 matrizes poderia receber sêmen com potencial genético similar a um cliente de 4000 matrizes por exemplo, isso é fantástico e sem dúvida é uma das grandes vantagens.

Para granjas médias e pequenas que ainda produzem as doses internamente, as vezes é muito difícil justificar o investimento em um reprodutor da ponta do ranking e que possui um valor mais elevado, mas se esse mesmo macho estiver em uma UDG especializada, o custo por dose para esses produtores será muito menor e se torna completamente acessível.

De qualquer forma, atualmente não há dúvidas que, independente do tamanho da granja, há enormes benefícios em adquirir doses de uma central especializada, ou seja, mesmo um produtor que tenha 5000 matrizes por exemplo, teria vantagens em adquirir o sêmen ao invés de produzi-lo, pois além da possibilidade de sempre ter acesso aos reprodutores geneticamente superiores, o nível de tecnologia requerido, controles de qualidade e pessoal especializado para realizar esse trabalho é muito alto, e dificilmente isso é encontrado em uma central interna na granja.

OP Rural – Quando e porque a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

DA – Na DB a primeira UDG foi inaugurada há mais de 10 anos, mas foi nos últimos cinco anos que realmente houve um trabalho mais intenso e focado nesse mercado. Nos últimos anos, o mercado brasileiro acabou seguindo uma tendência que já era difundida nos principais países produtores da Europa e também nos EUA, ou seja, a partir do momento que os produtores brasileiros visualizaram o maior potencial de progresso genético, vantagens sanitárias e a própria praticidade decorrente da tecnologia,  houve essa migração para a difusão genética via doses de sêmen.

OP Rural – Como foi a evolução dessa atividade?

DA – O principal desafio da indústria suína é otimizar a produção de carne suína e, ao mesmo tempo, garantir sustentabilidade a um custo competitivo. Por essa razão, se exige cada dia mais esforços para aumentar a eficiência da atividade e inevitavelmente, isso se traduz na necessidade de uma maior tecnificação do setor. Nesse sentido, a utilização de tecnologias reprodutivas sempre irá ocupar lugar de destaque, especialmente as que permitem acelerar o ganho genético, como é o caso da difusão via doses de sêmen produzidas nas UDGs especializadas, principalmente por promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel. Com isso, nos últimos anos houve uma grande evolução no uso de doses de sêmen de UDGs especializadas, exatamente pela maior aceitação e confiabilidade dos produtores quanto às vantagens e eficiência da tecnologia. As empresas de genética tiveram um papel fundamental nessa evolução, exatamente por disponibilizar ao produtor uma forma eficiente e mais rápida de atualização genética de seu plantel.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – O uso de doses de sêmen através das UDGs – DB gera vários benefícios ao sistema de produção. A principal vantagem desta tecnologia é promover uma atualização contínua do potencial genético do plantel, de forma extremamente segura do ponto de vista sanitário e de qualidade do sêmen, visando a evolução na eficiência produtiva do rebanho e melhoria nos índices zootécnicos da granja, garantindo maior retorno econômico para o suinocultor.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

DA – Certamente as vantagens são imensamente superiores. Alguns consideram como desvantagem ou limitação o custo, quando comparado às doses produzidas na própria granja, mas em minha opinião isso é uma falsa percepção. O custo genético advindo do reprodutor corresponde a cerca de 1% do custo total de produção de uma granja, ou seja, mesmo que considerado somente os custos absolutos dos valores das doses, a economia seria mínima. De qualquer forma, é muito importante nesse cenário considerar os ganhos advindos da maior eficiência na produção, quando os ganhos zootécnicos e reprodutivos passam a ser contabilizados em virtude da utilização de reprodutores de maior potencial genético, fica evidente a vantagem financeira para o uso de doses de sêmen via difusão genética.

Mas como em qualquer tecnologia, existem sim desafios. Considero como principais a logística para entrega das doses, especialmente considerando a longa extensão territorial e condições geralmente ruins das estradas no Brasil; cada vez há uma maior necessidade em aumentar durabilidade (longevidade) das doses, exatamente pela estratégia de reduzir o número de entregas por semana nas granjas; a conservação e manuseio das doses nas granjas após a entrega; cada vez produzir mais doses por macho, ampliando o uso de machos geneticamente superiores (maior mérito genético);

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

DA – Uma das formas de melhorar a produtividade de uma granja é investir na evolução genética do plantel, o que garante ao produtor avanços consistentes dos resultados de campo. Para responder a esta demanda do mercado, a DB Genética Suína vem investindo continuamente em tecnologias que possam promover a atualização genética dos plantéis multiplicadores e comerciais de forma rápida, econômica e prática.

Foi com este objetivo que a empresa implementou o programa “Difusão Genética Avançada (DGA)”, um meio de expansão de sua genética superior via comercialização de doses de sêmen, através de Unidades de Difusão Genética (UDG). A DB possui atualmente três UDGs, com capacidade total para alojamento de 600 reprodutores. Há ainda uma quarta UDG em construção, a qual terá capacidade para 400 reprodutores em regime de produção de sêmen.

Além disso a empresa possui parceria com outras centrais de cooperativas e centrais independentes, participando sempre da gestão estratégica do plantel, garantindo sempre a utilização de machos geneticamente superiores.

As UDGs estão localizadas em regiões estratégicas, com capacidade para atender praticamente todas as regiões do Brasil de forma segura e eficiente. Atualmente temos clientes que utilizam a Difusão Genética Avançada via doses de sêmen nos estados de MG, SP, ES, RJ, GO, DF, MT, MS, PR, SC e RS.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

DA – A suinocultura é uma atividade dinâmica, novas tecnologias estão sempre em evidência, então considero essencial manter-se atualizado sobre temas relevantes como é a difusão genética via doses de sêmen. Esse debate possibilitará ouvir diferentes opiniões e pontos de vista, com o objetivo de esclarecer, mas também aumentar o interesse dos presentes sobre o assunto, estimular o pensamento crítico, etc. Os produtores e técnicos presentes poderão analisar outras realidades e aproveitar a experiência dos participantes da mesa redonda sobre o tema.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

DA – Gostaria de parabenizar a organização do evento e à Minitube por promover essa mesa redonda, possibilitando o debate de um assunto tão importante e em evidência como é a difusão genética via doses de sêmen.

Sem dúvida as discussões, perguntas, etc., irão contribuir muito para esclarecer dúvidas que possam existir sobre o assunto. Não tenho dúvidas que será um debate saudável, marcado principalmente pela elevação do conhecimento de todos ao final do evento.

Considerando ser um assunto tão atual e que acredito que seja a primeira vez em que se esteja reunindo representantes das principais genéticas do país, realmente é esperado uma grande participação de todo o público presente no evento, o que sem dúvidas irá enriquecer muito o debate.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

DA – A utilização de doses de sêmen via UDG pelos suinocultores é uma tendência mundial e que já está altamente difundida entre os principais países produtores de carne suína. A tendência global no uso de doses de sêmen via UDGs é a resposta do mercado, que está sempre em busca de novas tecnologias que possam contribuir para a evolução do sistema de produção de suínos. Não há dúvidas que esse é um caminho sem volta, a tendência em minha opinião é que cada vez mais os produtores irão adotar essa tecnologia e usufruir das inúmeras vantagens.

Nevton Hector Brun, gerente de Produção da Agroceres PIC 

O Presente Rural (OP Rural) – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

Nevton Hector Brun (NHB) – É uma avançada tecnologia reprodutiva de suínos que permite acelerar e otimizar o uso de genes superiores nas unidades de produção por meio da utilização de doses inseminantes (e não da compra de machos). Trata-se de uma tecnologia fundamentada pelo modelo das Unidades de Disseminação de Genes (UDGs) – estruturas de excelência, altamente modernas e tecnificadas, cuja produção automatizada, garante agilidade, qualidade e segurança ao processamento das doses, a chamada Genética Líquida Agroceres PIC.

São inúmeras as vantagens competitivas que a Genética Líquida traz ao suinocultor e aos sistemas de produção. A primeira e mais importante diz respeito à máxima atualização genética e a consequente elevação dos padrões zootécnicos e produtivos do rebanho suinícola. As doses inseminantes comercializadas provêm das últimas gerações de reprodutores. Ou seja, os reprodutores de nossas UDGs estão no topo da pirâmide genética. Isso permite a disseminação de material genético de ponta, com ênfase em características de grande interesse econômico.

Outro benefício é o alto status de biossegurança. Ao optar pelo uso da genética líquida, o produtor reduz os riscos sanitários decorrentes da introdução, circulação e trânsito de machos reprodutores em sua granja. Essa tecnologia permite, ainda, potencializar o uso de sua mão-de-obra, direcionando-a para outras atividades importantes dentro da granja, sem contar a eliminação de gastos com instalações, exames laboratoriais e estoque de reprodutores.

OP Rural – Qual a porcentagem de mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

NHB – A genética líquida é uma tecnologia consolidada entre os grandes players mundiais de carne suína e também no Brasil. A comercialização das doses inseminantes representa cerca de 70% do share de machos na Europa e América do Norte. No Brasil esse percentual é de aproximadamente 30%, mas vem crescendo rapidamente. A razão é simples: a suinocultura brasileira tende a crescer e ganhar qualidade. Com isso deve intensificar o movimento de migração de tecnologia ao longo dos próximos anos. O ganho de produtividade proporcionado pelo modelo de doses inseminantes deverá estimular a mudança de padrão tecnológico pelos produtores.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro?

NHB – A Agroceres PIC foi responsável por introduzir o modelo de comercialização de doses inseminantes no Brasil, em 2013, quando inaugurou sua primeira UDG, em Fraiburgo (SC). Com o lançamento do conceito de genética líquida no mercado brasileiro, a Agroceres PIC quebrou paradigmas ao instituir uma tecnologia reprodutiva, até então inédita e perfeitamente alinhada às demandas da suinocultura de alta performance por eficiência produtiva, biossegurança, qualidade e competitividade. Desde então, a genética líquida firmou-se como um dos fatores produtivos mais efetivos para aumentar a produtividade dos sistemas de produção suína no país, alçando a suinocultura brasileira a um novo patamar de eficiência e competitividade.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – É promover a atualização genética dos plantéis de suínos em tempo real, de forma contínua, econômica e prática, sem precisar manter na propriedade a estrutura onerosa de uma Central de Inseminação Artificial (CIA). Em suma, a genética líquida Agroceres PIC permite acelerar a disseminação de genes superiores, elevando o padrão genético dos plantéis e a eficiência produtiva do rebanho – recurso que, na prática, confere mais competitividade e rentabilidade para os suinocultores. Tudo isso com máxima biossegurança e total garantia de qualidade.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

NHB – Como tecnologia reprodutiva, a genética líquida só traz vantagens, conforme pudemos ressaltar nas questões respondidas anteriormente. Agora, os desafios existem, sobretudo para a execução desse modelo de negócios no Brasil, especialmente os logísticos, já que temos um país de dimensões continentais. Quando decidimos investir no negócio de genética líquida, estruturando uma rede de UDGs no Brasil, sabíamos que quebraríamos paradigmas de qualidade, biossegurança e velocidade em atualização genética. Ao mesmo tempo, as enormes distâncias do país, as péssimas condições das estradas e as grandes variações de temperatura entre os Estados se impunham como desafios a serem enfrentados.

Para superar os desafios logísticos, investimos e desenvolvemos uma tecnologia própria. Para garantir total precisão, rastreabilidade e qualidade na entrega das doses inseminantes, criamos um sistema logístico inédito e exclusivo, que integra todas as etapas produtivas e permite monitorar e controlar as diferentes variáveis envolvidas na produção, expedição e transporte do produto.

A partir desse sistema, chamado GL Log, tudo é absolutamente identificado e controlado. Monitoramos o produto desde o pedido feito pelo cliente, por meio de um aplicativo específico, em um processo que dura apenas de 24 a 48 horas, até o envio das doses para o produtor. Um atendimento feito de forma bastante ágil e com muita segurança em todos os detalhes, até mesmo na entrega, realizada em veículo com conservadora de sêmen, com temperatura interna rigidamente controlada, seguindo rota sanitária pré-estabelecida e monitorado online, via software especial de rastreamento. Hoje temos cerca de 25 veículos dedicados exclusivamente à entrega de genética líquida. Essa frota especializada roda 200.000 km por mês, distância que equivale a mais de 5 voltas ao redor do planeta Terra.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

NHB – A Agroceres PIC detém a maior e mais avançada estrutura de genética líquida da América Latina. Um sistema total com capacidade de produção instalada de aproximadamente 3 milhões de doses inseminantes por ano, volume capaz de atender um plantel aproximado de meio milhão de matrizes tecnificadas em todo o Brasil. Nossas 5 UDGs estão estrategicamente localizadas em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. Nos últimos 5 anos, investimos cerca de R$ 80 milhões em nosso negócio de genética líquida. Os aportes foram direcionados, principalmente, para a construção das UDGs, mas também para a importação de animais de alto valor genético e no desenvolvimento de sistemas automatizados de controle da qualidade das doses de sêmen nas etapas de produção, expedição e transporte.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

NHB – Atividades produtivas como a suinocultura exigem a constante incorporação de novas tecnologias. De tempos em tempos, esse processo resulta em um salto tecnológico responsável por estabelecer novos patamares de eficiência e rentabilidade. Com a genética líquida foi assim. Desde a sua introdução no país, ela se tornou uma ferramenta tecnológica fundamental para aumentar a produtividade dos sistemas de produção de suínos no Brasil. Debater as potencialidades produtivas da genética líquida, as características desse modelos de negócio e formas de aumentar o seu uso pelos produtores é fundamental para elevar ainda mais a competitividade da suinocultura brasileira.

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

NHB – Ações como esta, que estimulam o diálogo, a exposição de ideias e o compartilhamento de informações em prol de uma suinocultura mais moderna e competitiva são sempre positivas. Na Agroceres PIC buscamos, incansavelmente, novas alternativas que possam trazer maior eficiência e rentabilidade aos nossos clientes, mas, sobretudo, à suinocultura brasileira. Acreditamos que esta iniciativa da Minitube, de realizar esta mesa redonda, proporcionará um debate positivo, contribuindo para o avanço da atividade a qual estamos inseridos.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

NHB – Vivemos um momento especial e extremamente desafiador na suinocultura. Os avanços tecnológicos estão surgindo em uma velocidade jamais vista e nos permitindo obter resultados e experiências que não imaginávamos serem possíveis a poucos anos atrás e a disseminação genética não é exceção. Somos a favor de toda e qualquer tecnologia que nos permita disseminar os genes de nossos melhores animais de forma mais eficiente, rápida e segura. Nesse contexto, enxergamos muitas oportunidades e ganhos no processo de disseminação genética via doses de sêmen. Talvez a maior delas seja ainda a alta concentração espermática que é necessário ser utilizada atualmente em uma dose de sêmen fresco. A medida que tivermos a introdução de novas tecnologias que nos permitam utilizar uma concentração menor, mantendo os mesmos ou melhores índices zootécnicos, teremos ganhos ainda maiores de resultado, pois isto permitirá que um número menor de machos possa atender a mesma ou uma quantidade maior de fêmeas e com isto estaremos subindo mais um degrau da pirâmide genética, diminuindo o GAP genético entre a granja núcleo e a granja comercial, contribuindo de forma direta e positiva para que nossos clientes tenham uma estrutura de produção mais competitiva e rentável.

 Marcos Lopes, zootecnista, PhD, gerente de Genética Global da Topigs Norsvin

OP Rural – Quais os modelos de difusão genética empregados atualmente na suinocultura brasileira?

Marcos Lopes (ML) – A difusão genética no Brasil atualmente é feita por meio da venda de reprodutores que serão utilizados para monta natural ou para coleta de sêmen na própria granja e também pela venda de sêmen coletado e distribuído por centrais de inseminação.

OP Rural – O que é a difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Quando a difusão genética é feita por doses de sêmen, o produtor deixa de adquirir reprodutores na sua propriedade e passa a receber somente sêmen de animais de alto potencial genético. Com isso, reduz-se a entrada de animais vivos na granja, aumentando-se assim a biossegurança da propriedade.

OP Rural – Qual o mercado que atinge, seja na sua empresa ou no Brasil?

ML – A venda sêmen hoje é uma realidade em grande parte do Brasil, mesmo em algumas áreas mais remotas. Mas claro que em algumas regiões mais distantes de centrais de inseminação que não contam uma boa infraestrutura para transporte rodoviário ou aéreo, o uso de reprodutores na própria granja ainda é a ferramenta mais viável.

OP Rural – Quando e por que a difusão genética através de doses de sêmen começou a ser difundida no mercado brasileiro? Como foi a evolução dessa atividade?

ML – Esta ferramenta vem sendo utilizada e aprimorada no Brasil já há décadas. Devemos ressaltar que a partir da década de 1970 o seu uso foi se intensificando e nos últimos anos, com a implantação de modernas centrais de inseminação pelas empresas de genética, houve um grande salto na utilização da difusão genética através de doses de sêmen. Devemos dizer também que o desenvolvimento de programas computacionais capazes de realizar uma acurada avaliação da qualidade espermática e de diluentes que possibilitam manter o sêmen fresco com excelente qualidade por até sete dias, viabilizando assim a logística em rotas de longa distância, foram marcos imprescindíveis para a evolução e sucesso da implementação desta ferramenta, não só no Brasil, mas também a nível mundial.

OP Rural – Quais as vantagens da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – Em resumo, podemos ressaltar a otimização do uso de reprodutores de alto potencial genético; maior biossegurança da propriedade, já que os produtores passam a receber somente sêmen e não mais animais vivos em sua granja; e o uso de tecnologia de ponta para avaliação e posterior descarte de ejaculados impróprios à reprodução e consequentemente a melhoria dos índices reprodutivos. Enquanto na monta natural um ejaculado resulta em apenas uma cobertura, quando é feita a coleta de sêmen e posterior inseminação artificial, o mesmo ejaculado pode produzir dezenas de coberturas. Além disso, a coleta e processamento de sêmen em centrais de inseminação modernas contam com alto aparato tecnológico que devido aos seus altos custos não seriam viáveis de serem implantados na granjas.

OP Rural – Há desvantagens ou desafios?

ML – Eu não vejo nenhuma desvantagem da difusão genética feita por doses de sêmen, porém, os desafios existem. Um dos principais gargalos para uma mais vasta implementação desta ferramenta é a logística. Em um país com dimensões continentais como o nosso, que carece de investimentos urgentes em infraestrutura, a logística é de fato um desafio. Além disso, eu não poderia deixar de citar a qualificação da mão de obra empregada na granja, que também é um fator decisivo para a implementação desta ferramenta. Contar com colaboradores bem treinados para uma correta identificação do cio e aplicação dos protocolos envolvidos no processo são indispensáveis para o sucesso da inseminação artificial.

OP Rural – Como essa difusão é feita na sua empresa? Infraestrutura, números, logística, etc.?

ML – Na Topigs Norsvin nós contamos com uma central de inseminação própria no estado do Paraná que fornece sêmen a diversos estados brasileiros, além de contarmos com centrais de inseminação parceiras em outros estados. As centrais de inseminação contam com alto nível tecnológico para coleta, processamento e controle de qualidade do sêmen para que possibilitem excelentes resultados nas granjas dos nossos clientes. Todo o processo desde a coleta até o envasamento do sêmen vem sendo automatizado para garantirmos a máxima qualidade do produto. Hoje os nossos clientes realizam os seus pedidos por meio de um aplicativo de celular ou pelo seu computador e diversas outras ferramentas estão sendo desenvolvidas para maximizar a satisfação dos clientes desde o pedido do sêmen até a entrega deste na granja. Em termos de logística, a maior parte do sêmen hoje é entregue por rotas rodoviárias com mais de 2000 Km de extensão e também pela combinação de transporte aéreo e rodoviário.

OP Rural – Por que é importante debater esse tema?

ML – Ainda existem alguns produtores que acreditam que a utilização de inseminação artificial pode acarretar perda de produtividade da granja. Por isso é muito importante discutir o tema para mostrarmos que é uma ferramenta eficiente e segura que quando corretamente implementada é garantia de sucesso e excelentes resultados.b

OP Rural – O que você espera na mesa redonda do Sinsui sobre o tema?

ML – Eu tenho certeza que será um evento de sucesso que levará aos participantes muita informação relevante dentro do tema. Atualizar produtores e profissionais sobre novas ferramentas desenvolvidas pelas empresas de genética suína é sempre uma oportunidade ímpar para abrir caminho para implementação de novas tecnologias nas granjas e assim promover o avanço da suinocultura nacional.

OP Rural – Qual o futuro da difusão genética através de doses de sêmen?

ML – O futuro próximo da difusão genética por meio de doses de sêmen é a utilização de doses com menor concentração espermática. Isso já é realidade em outros países, como a Holanda, e possibilitam um uso mais intensivo dos reprodutores de mais alto potencial genético, que por sua vez possibilitam acelerar o progresso genético do plantel.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações

Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

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O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).

Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.

Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.

Os dados têm como base levantamento do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suínos

Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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carne suína

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos

Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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