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Especialistas apresentam estratégias para a imunidade herdada e a microbiota intestinal durante 16º SBSS

Doutor em Saúde Suína, Geraldo Alberton, e o Ph.D. em Ciência Animal e Ecologia Microbiana, Andres Gomez, apresentaram suas pesquisas no segundo dia de Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, durante o Painel Imunidade e Microbiota.

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Painel Imunidade e Microbiota ocorreu no segundo dia de evento, em Chapecó (SC)

Em um mundo onde o bem-estar animal e a eficiência produtiva na suinocultura são extremamente valorizados, os profissionais precisam estar sempre atualizados sobre técnicas e inovações no segmento. É com esse intuito que o doutor em Saúde Suína, Geraldo Alberton, e o Ph.D. em Ciência Animal e Ecologia Microbiana, Andres Gomez, apresentaram suas pesquisas no segundo dia de Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), durante o Painel Imunidade e Microbiota. O evento, que iniciou na última terça-feira (13), em Chapecó (SC), encerra nesta quinta-feira (15).

Doutor em Saúde Suína, Geraldo Alberton, colocou em debate as formas como a imunidade herdada e modulada interfere na resposta vacinal – Fotos: Caroline Lorenzetti/MB Comunicação

Alberton colocou em debate as formas como a imunidade herdada e modulada interfere na resposta vacinal e chamou atenção para o fato de existirem dois extremos quando pensamos na resposta vacinal. “Um dos extremos é o otimista demais, aquele que confia na inibição da infecção. Outro é o pessimista, que entende que tem tanta coisa para dar errado, que a vacina não funcionará. É preciso procurar o meio termo entre a ciência e a prática”.

A necessidade de trabalhar outros fatores além da interferência dos anticorpos maternos foi um ponto de partida na explanação. “Precisamos explorar outros fatores que a mãe pode transmitir durante a gestação. Essas adaptações, seja do pai ou da mãe, podem impactar a expressão gênica do leitão, desde a fertilização até o nascimento”, explicou ao apontar que é necessário prestar atenção nos fatores de imunidade passiva, antibióticos em maternidade e creche, microbiota do leitão e epigenética”.

Primeiramente, o médico-veterinário reiterou que a imunidade passiva robusta é uma ferramenta crucial, embora possa interferir em algumas etapas da resposta vacinal, pois retarda infecção/viremia, previne mortalidade precoce e protege o leitão durante a etapa de colonização e treinamento do sistema imunológico. Outro ponto fortalecido por Alberton é de que outros fatores, além da imunidade passiva, interferem muito mais na resposta vacinal, como o processo de vacinação, o antígeno viral e tecnologia da vacina utilizada e a conservação da vacina.

O uso de antibióticos nas porcas na maternidade, especialmente quando há problemas ou intervenções, também foi citado pelo médico veterinário. “Antibióticos administrados durante a gestação ou lactação podem afetar a resposta vacinal dos leitões. Porém, vários estudos mostram que, em geral, a preocupação não deve ser excessiva. A interferência dos antibióticos, apesar de existente, não deve ser um motivo para evitar o uso prudente após a vacinação”.

Ao tratar da microbiota, Alberton pontuou que esta é crucial para a saúde imunológica ao longo da vida do leitão. Recebida na maternidade pelo leitão, por parte da mãe e do ambiente, ela ajuda a treinar seu sistema imunológico. “Se a colonização for prejudicada devido à utilização de antibióticos ou por um ambiente com baixa diversidade bacteriana, a resposta vacinal pode ser comprometida”, complementou.

O último fator analisado foi a epigenética. “Ainda temos poucos estudos demonstrando o quanto ela vai interferir em vacinação, mas já compreendemos como interfere no comportamento do animal. Por exemplo, uma porca com lesões de casco ou condições de bem-estar comprometidas pode, a partir de mecanismos de ativação de genes, gerar filhotes mais suscetíveis ao estresse e com dificuldades sociais. Esses estresses podem impactar negativamente a resposta imunológica após a vacinação”, exemplificou, reforçando que os estudos acerca deste campo específico ainda estão sendo iniciados.

Alberton enfatizou ao público que quando fatores não ideais são alinhados, você cria condições propícias para o surgimento de doenças ou, no caso em questão, para que uma vacina não tenha um bom desempenho no suíno. “Embora algumas interferências sejam pequenas, do ponto de vista científico, todas devem ser consideradas”.

Em sua conclusão, o especialista falou sobre o que chama de “leitões hipersensíveis”, aqueles que tiveram um treinamento imunológico fraco na maternidade, devido a uma colonização intestinal inadequada, e acabam com uma capacidade imunológica reduzida. “Esses leitões apresentam uma resposta vacinal menos eficaz e estão menos preparados para enfrentar desafios na creche, recria e terminação. Isso justifica o porquê de termos essa necessidade tão grande de medicações injetáveis e via água, e, mesmo assim, as altas taxas de condenação nos frigoríficos”.

Microbiota intestinal e saúde respiratória

A importância do microbioma intestinal e sua relação com a saúde intestinal foi tratada pelo PhD. Andres Gomez – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A importância do microbioma intestinal e sua relação com a saúde intestinal, ou integridade intestinal, foi o tema da explanação do PhD. Andres Gomez. Com base nesse conceito, ele enfatizou o quanto a dieta e o ambiente são importantes para modular a microbiota intestinal, como essa modulação tem um efeito direto na função do intestino e como o que acontece no intestino com os microrganismos e a função intestinal se reflete em todo o organismo, incluindo o trato respiratório.

Um dos pontos destacados pelo especialista foi que alternativas aos antibióticos, como probióticos, pós-bióticos ou pré-bióticos, podem ajudar a estimular o microbioma intestinal. “Enfatizo isso pois pode trazer benefícios, não apenas do ponto de vista dos microrganismos que desempenham funções benéficas, mas também para a integridade e para a saúde do intestino do animal. Precisamos ver muito claramente a importância de manter essa saúde, incluindo as bactérias e a função do intestino. É essencial aplicar estratégias como estas para estimular as bactérias intestinais e seus microrganismos a alcançar saúde não apenas localmente, mas também sistêmica, atingindo, assim, o trato respiratório”.

Ainda sobre estratégias, Andres pontuou que manipular o ambiente também tem um efeito significativo em modular e em mudar a composição e a função dessas bactérias. Segundo os dados apresentados por ele, animais que respondem melhor às vacinas contra diferentes patógenos respiratórios têm características importantes em seu microbioma intestinal, como uma maior diversidade e uma maior presença de bactérias potencialmente benéficas. “O que vemos e é importante dar ênfase quando falamos sobre isso são os muitos eixos de conexão entre o microbioma e outras partes do organismo, como o sistema respiratório, no que é chamado de eixo intestino-pulmão, por exemplo”.

Por fim, o membro do Instituto de Genômica Microbiana e Vegetal da Universidade de Minnesota apresentou estratégias que prospectam manipular interações precoces entre o hospedeiro e o microbioma. Na fase de nascimento e amamentação, é necessário aumentar com segurança as exposições microbianas e manipular fontes maternas por meio do IG do leite. Na creche, manipular a nutrição dos suínos com pró/pré/pós-bióticos. E no crescimento e terminação, monitorar o desenvolvimento da microbiota (específico para o ambiente de produção) e compartilhar dados sobre pontos de tempo de saúde e desempenho. “Em síntese, trabalhar de forma precoce é essencial para a manipulação do microbioma, com implicações críticas para o desempenho e a saúde. Seguir essas estratégias são fundamentais para termos suínos mais produtivos e saudáveis em nossos planteis”, finalizou Andres Gomez.

Fonte: Assessoria Nucleovet

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Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações. Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar o mercado interno.

“Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
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