Conectado com

Suínos

Especialistas apontam como garantir que a hiperprolificidade se traduza em produtividade real no campo

Com leitegadas cada vez mais numerosas e leitões mais leves, o desafio de transformar o potencial genético em desempenho produtivo sustentável tem mobilizado as principais empresas de genética suína no país.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

Com leitegadas cada vez mais numerosas e leitões mais leves, o desafio de transformar o potencial genético em desempenho produtivo sustentável tem mobilizado as principais empresas de genética suína no país. A busca por soluções que aliem prolificidade, viabilidade e desempenho será o ponto central do painel Hiperprolificidade: como a genética está trabalhando para que o potencial genético aconteça no campo, um dos destaques da programação técnica do 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que acontece nesta semana em Chapecó (SC).

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, representantes das principais empresas de genética suína no Brasil detalharam os principais entraves e as estratégias adotadas para transformar os avanços obtidos com a seleção de fêmeas hiperprolíficas em maior número de leitões desmamados, com saúde, viabilidade e uniformidade. Durante o painel, os especialistas também vão apresentar como suas genéticas vêm trabalhando para garantir que as porcas mais produtivas também entreguem leitegadas de qualidade, sustentando essa eficiência ao longo de toda a cadeia de produção.

Médica-veterinária Amanda Pimenta Siqueira, e gerente de Serviços Técnicos da Agroceres PIC: “A plena expressão do potencial das fêmeas exige uma atuação integrada entre genética, manejo, nutrição e ambiente” – Foto: Divulgação/Agroceres PIC

Para a médica-veterinária, doutora em Ciência Animal e gerente de Serviços Técnicos da Agroceres PIC, Amanda Pimenta Siqueira, os avanços genéticos têm gerado fêmeas mais produtivas e leitões mais vigorosos. “Essa evolução decorre do foco de seleção em características como prolificidade, peso ao nascimento e habilidade materna, elementos-chave para impulsionar produtividade, eficiência e rentabilidade”, enaltece.

Segundo dados do Benchmarking de Reprodução da empresa, em 10 anos a média de leitões nascidos totais por fêmea passou de 14,32 em 2015 para 16,73 em 2025; no mesmo período, o número de desmamados por fêmea ao ano aumentou de 30,94 para 35,39. Em granjas de alto desempenho, já se ultrapassam os 18 leitões por parto e 36 desmamados ao ano. “Todo esse progresso, no entanto, traz consigo novos desafios. A plena expressão do potencial das fêmeas exige uma atuação integrada entre genética, manejo, nutrição e ambiente”, afirma Amanda.

Segundo ela, a matriz hiperprolífica precisa ser tratada com um olhar mais individualizado. “É indispensável oferecer uma alimentação balanceada, água de boa qualidade, ambiência adequada, instalações compatíveis e equipes capacitadas para esse novo perfil de animal. A genética entrega, mas o resultado depende da eficiência do sistema como um todo”, salienta.

Atenção redobrada ao parto e colostro

Com foco no melhoramento genético realizado de forma balanceada, o zootecnista Marcos Lopes, doutor em Melhoramento Genético Animal e pesquisador do Centro de Pesquisa da Topigs Norsvin, na Holanda, destaca que se a seleção é feita com equilíbrio, não focando apenas em prolificidade, mas também em características complementares, o trabalho com fêmeas hiperprolíficas se torna mais previsível e manejável.

Para ele, a principal mudança está na forma de encarar esse novo animal. “A porca de hoje não é mais aquela que desmamava 20 a 25 leitões ao ano. Ela exige um programa nutricional específico e um ambiente preparado. É preciso abandonar a ideia de que o manejo tradicional serve para essa nova realidade. Desde o pré-parto até a ingestão do colostro, tudo precisa ser planejado. É nesse início de vida que se define boa parte do sucesso do leitão nas fases seguintes”, enfatiza.

Resultados x complexidade da produção

O médico-veterinário Geraldo Shukuri, diretor técnico da DanBred Brasil, lembra que, ao ultrapassar a média de 16 a 16,5 leitões nascidos vivos por parto, os desafios naturalmente se intensificam. Mas ele vê isso como oportunidade. “Com leitegadas volumosas, questões como uniformidade e vigor ao nascimento, habilidade materna e capacidade de produção leiteira da matriz se tornam ainda mais críticas. É aí que o trabalho conjunto entre genética e ambiente se torna indispensável”, ressalta.

Shukuri ressalta que avanços em nutrição, ambiência e sanidade têm sido fundamentais para melhorar o aproveitamento dos leitões. “O campo tem respondido bem. A troca de informações entre as áreas de manejo, nutrição e sanidade tem permitido ganhos consistentes, com mais quilos produzidos por matriz por ano e menor custo de produção”, afirma, acrescentando: “O desafio é dinâmico e o ajuste contínuo.”

Da prolificidade à hiperprolificidade

Para o médico-veterinário Thomas Bierhals, mestre em Reprodução Suína, diretor técnico e membro do Conselho de Administração da DNA South America, o cenário atual exige uma nova forma de mensurar o sucesso da genética. “Há 20 anos, tínhamos médias de 10 leitões nascidos vivos. Hoje, a média nacional já ultrapassou 14. Mas a partir de certo ponto, o benefício econômico de cada leitão adicional passou a cair, especialmente porque outras variáveis se tornaram limitantes”, explica.

Entre essas variáveis, Bierhals menciona a mão de obra especializada e a estrutura física das maternidades, duas exigências que nem sempre evoluíram na mesma velocidade do melhoramento genético. “Nasceu, mas não desmamou. Esse é o ponto crítico. Por isso, programas de seleção genética mais avançados começaram a ajustar os critérios. O conceito de hiperprolificidade expandida surge nesse contexto: trata-se de garantir o máximo de suínos abatidos com valor cheio, ao menor custo possível”, resume.

Genética em busca de equilíbrio

Médico-veterinário Geraldo Shukuri, diretor técnico DanBred Brasil: “O melhoramento genético tem mostrado que alguns paradigmas podem ser reavaliados e que o equilíbrio entre quantidade e qualidade é possível” – Foto: Divulgação/DanBred Brasil

A transformação da suinocultura passa pela busca incessante por equilíbrio entre o número de leitões nascidos e a sua viabilidade até o desmame. Se antes o foco principal era aumentar prolificidade, hoje os programas genéticos evoluíram para integrar, cada vez mais, critérios de qualidade, robustez e habilidade materna. A boa notícia é que esse equilíbrio já está em curso, segundo os especialistas ouvidos com exclusividade por O Presente Rural.

A doutora em Ciência Animal explica que, embora o índice de seleção da PIC sempre tenha valorizado o número total de nascidos, com ganhos médios recentes de 0,35 leitões por parto, o objetivo atual vai além da quantidade. “Desde a introdução da genômica, em 2012, intensificamos a seleção para características como peso ao nascimento e sobrevivência pré-desmame. Houve ganho médio de 260 gramas por leitão ao nascer e a taxa de leitões abaixo de 900 gramas caiu para 6%”, detalha Amanda, ressaltando que com isso nasceram leitegadas mais uniformes, com maior chance de sobrevivência e melhor desempenho nas fases subsequentes.

Na mesma direção, Shukuri destaca que a busca por esse equilíbrio é constante e vem se materializando com solidez. A DanBred Brasil incorporou, já em 2004, a característica LV5 (leitões vivos ao quinto dia), com o objetivo de aumentar nascidos e reduzir mortalidade na maternidade. “Durante anos, essa foi a característica de maior peso em nosso índice genético. A partir de 2022, intensificamos ainda mais a seleção para características de vigor e resistência dos leitões, que hoje representam 62% do peso do índice”, expõe o médico-veterinário.

O programa também introduziu a característica “ganho de peso da leitegada”, com foco na capacidade de amamentação e habilidade materna da matriz. “A evolução tem ocorrido de forma simultânea entre quantidade e qualidade, e esse equilíbrio já é possível no campo”, ressalta.

Esse alinhamento entre múltiplos objetivos genéticos também está no centro da estratégia da Topigs Norsvin. De acordo com o doutor em Melhoramento Genético Animal, o segredo está na seleção balanceada. “Incluir várias características nos objetivos de seleção pode tornar os avanços mais lentos, mas certamente mais sustentáveis. Trabalhamos para ampliar o tamanho da leitegada mantendo o peso médio ao nascimento, com alta uniformidade e excelente habilidade materna”, diz, enaltecendo que o resultado desse enfoque integrado é medido em produtividade real: “Hoje conseguimos desmamar mais de 300 kg de leitões fêmea ao ano por matriz”, afirma Lopes.

Já Bierhals, reforça que o equilíbrio está sendo construído com base em inovação e ciência. O programa da DNA South America passou a incorporar características como sobrevivência dos leitões, associação entre peso ao nascer e LV5, redução de defeitos genéticos (como hérnias e criptorquidismo), além de eficiência alimentar, tanto no pós-desmame quanto na fase lactacional, para garantir mais leite e menor necessidade de mães de leite. “A fêmea de hoje precisa produzir mais e melhor, por conta própria”, menciona.

Outro diferencial apontado por Bierhals é o uso de ferramentas tecnológicas como o software Matesel, que cruza informações sobre variabilidade genética, resistência a doenças e características produtivas. “É uma seleção baseada em matemática e ciência, não apenas na observação humana. Isso permite ganhos em múltiplas frentes simultaneamente”, evidencia.

Amanda também destaca o papel crescente dos dados de campo para retroalimentar os programas genéticos. “Desde 2018, o GNxBred Materno avalia mais de 200 mil fêmeas ao ano em granjas comerciais. Esses dados são incorporados ao programa de seleção, promovendo avanços consistentes sob condições reais de produção”, comenta.

Quando o campo precisa acompanhar o ritmo da genética

Médico-veterinário Thomas Bierhals, mestre em Reprodução Suína, diretor técnico e membro do Conselho de Administração da DNA South America: “A verdadeira expressão da hiperprolificidade expandida, aquela que se estende até o abate, só acontece com genética de qualidade aliada a campo bem estruturado” – Foto: Divulgação/DNA South America

Se o avanço genético aponta o caminho, é no campo que ele precisa se concretizar. Com fêmeas mais exigentes e leitegadas mais numerosas, a hiperprolificidade impõe uma nova rotina de cuidados e ajustes nas granjas, do tipo de dieta ao perfil da mão de obra. Nesse cenário, o diálogo entre genética, manejo, nutrição e ambiência se torna fundamental para que o potencial registrado nos índices se converta, de fato, em produtividade e retorno econômico.

Amanda ressalta que é a genética quem tradicionalmente lidera a transformação produtiva da suinocultura. “Ela aponta as tendências, induz a evolução e puxa as demais áreas – manejo, nutrição, gestão e ambiência – a novos patamares”, afirma.

Segundo a doutora em Ciência Animal, estudos da equipe técnica da Agroceres PIC projetam, para os próximos 10 anos, indicadores de desempenho ainda mais ambiciosos: 304,3 kg de leitão desmamado por matriz/ano, 19,1 leitões por leitegada e até 47 por fêmea/ano. Mas ela faz um alerta: “Nada disso se sustenta sem o suporte técnico adequado. A fêmea moderna exige dietas específicas, ambiência controlada, água de qualidade e mão de obra qualificada. É uma sinergia que precisa funcionar para que o que está no índice genético não se perca na prática”, evidencia Amanda.

Shukuri reforça essa necessidade de integração. “A genética precisa interagir com todas as áreas técnicas da cadeia. É um trabalho feito a várias mãos, em que a troca de informações entre pesquisadores, consultores e granjeiros permite ajustar os manejos e consolidar as práticas que realmente fazem o potencial genético se expressar no campo”, afirma.

Segundo o médico-veterinário, essa conexão entre pesquisa, campo e indústria tem gerado soluções práticas e uma perspectiva otimista de desempenho nas granjas brasileiras. “A interação técnica e a troca de informações com todos os elos da cadeia geram soluções personalizadas para cada realidade de produção”, reforça.

Lopes compartilha desta mesma opinião, enfatizando que o sucesso do sistema passa pela colaboração entre todas as áreas que atuam na suinocultura. “Genética, nutrição, sanidade e manejo têm um objetivo comum: o sucesso do produtor. E isso só é possível com diálogo. Eventos como o SBSS têm esse papel estratégico, compartilhar bons exemplos e integrar experiências entre diferentes elos da cadeia”, observa.

Já Bierhals, alerta para o risco de supervalorizar as melhorias de ambiente como únicas responsáveis pela performance. “Ganhos ambientais são importantes, mas são temporários. Quando o lote vai embora, o ganho vai junto. Já os ganhos genéticos são permanentes, uma vez incorporados, seguem com a população”, argumenta.

Para ele, o papel da genética vai além da seleção: está também em orientar, com base em dados concretos, o que cada sistema pode ajustar para extrair o máximo da fêmea hiperprolífica. “Chamamos isso de interação genótipo-ambiente. A genética observa os resultados nos mais diversos sistemas e ambientes e, a partir disso, indica quais condições favorecem a expressão do potencial dos animais”, detalha, emendando: “Isso inclui, por exemplo, alertas sobre aumento da duração gestacional com leitegadas maiores ou recomendações sobre o espaço físico necessário na maternidade.”

Além disso, Bierhals aponta que a seleção vem se concentrando cada vez mais em características robustas, que facilitam o manejo e reduzem a dependência de intervenção humana: resistência a doenças, maior peso ao nascer, menor incidência de defeitos congênitos, habilidade materna superior e eficiência alimentar por meio de maior consumo e conversão. “A verdadeira expressão da hiperprolificidade expandida, aquela que se estende até o abate, só acontece com genética de qualidade aliada a campo bem estruturado”, reforça.

Potencial genético pede estrutura e preparo

Zootecnista Marcos Lopes, doutor em Melhoramento Genético Animal e pesquisador no Centro de Pesquisa da Topigs Norsvin, na Holanda: “A suinocultura que queremos construir precisa manter o foco em eficiência, mas também em sustentabilidade. A genética pode e deve ser a força propulsora dessas transformações, sempre em sintonia com o campo, com responsabilidade e com os limites naturais da biologia” – Foto: Divulgação/Topigs Norsvin

A convergência entre genética e práticas de manejo não é mais uma opção, mas uma exigência da suinocultura atual. A fêmea hiperprolífica de hoje é mais produtiva, mas também mais exigente, e isso demanda um novo olhar sobre todo o sistema produtivo. “As práticas que funcionavam no passado já não dão conta de explorar todo o potencial das fêmeas de genótipo moderno”, frisa Amanda, destacando que para que o desempenho expresso nos índices genéticos se concretize no campo, é preciso adequar estrutura de granja, qualidade de ambiência, formulação das dietas, oferta de água, conforto térmico e, principalmente, capacitação das equipes. Só assim o potencial se transforma em resultados consistentes.

Na visão de Shukuri, a hiperprolificidade já não está mais vinculada, como antes, a leitegadas menos uniformes ou com baixa sobrevivência. “O melhoramento genético tem mostrado que alguns paradigmas podem ser reavaliados e que o equilíbrio entre quantidade e qualidade é possível. Os animais de hoje produzem mais, sobrevivem mais, desempenham melhor e certamente ainda haverá muitos avanços adiante”, aponta.

Mas essa evolução precisa andar lado a lado com responsabilidade e sustentabilidade. “Leitegadas numerosas acompanhadas de altas taxas de mortalidade pré-desmame ou de mortalidade de fêmeas não podem mais ser aceitáveis”, alerta Lopes.

De acordo com ele, matrizes com boa habilidade materna, alto número de tetos funcionais e produção de leite suficiente para seus próprios leitões são cada vez mais indispensáveis. O uso excessivo de mães de leite e práticas que extrapolam os limites biológicos das fêmeas colocam em risco a longevidade, o bem-estar e a eficiência do sistema. “Já atingimos esses limites biológicos? Acredito que não, e talvez nem os atinjamos algum dia, mas é fundamental que avancemos com responsabilidade”, afirma.

A genética, por sua vez, não atua isoladamente. Como destaca o mestre em Reprodução Suína, os ganhos genéticos são estáveis e permanentes, ao contrário dos ganhos obtidos apenas via manejo, nutrição ou ambiência, que se encerram ao fim de cada lote. Mas para que esses avanços genéticos se concretizem, é preciso reconhecer a importância da interação genótipo-ambiente. “É comum que as empresas de genética colaborem com técnicos, trazendo impressões e resultados observados em diferentes realidades. Assim, é possível identificar quais condições permitem aos animais expressarem seu melhor potencial”, explica Bierhals.

Ele lembra que essa interação se dá de diversas formas: por meio da geração de orientações técnicas atualizadas, do foco em características mais robustas, como resistência a doenças, maior peso ao nascer, menor taxa de defeitos congênitos, melhor habilidade materna e maior consumo alimentar, e da promoção de ajustes finos conforme as novas demandas produtivas. “O verdadeiro ganho vem da sinergia entre genética de qualidade e condições de campo adequadas, permitindo explorar ao máximo o valor econômico da hiperprolificidade expandida até o abate”, admite.

E se o presente já mostra saltos impressionantes de desempenho, com mais de 19 leitões por leitegada e mais de 47 leitões desmamados por matriz ao ano, o futuro exigirá ainda mais. “A suinocultura que queremos construir precisa manter o foco em eficiência, mas também em sustentabilidade. A genética pode e deve ser a força propulsora dessas transformações, sempre em sintonia com o campo, com responsabilidade e com os limites naturais da biologia”, enfatiza Lopes.

O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra

Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.

O desafio dos custos de produção

O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.

A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.

Principais propostas para o Plano Safra

Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:

Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.

Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.

Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.

Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.

Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).

Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.

Importância econômica e segurança alimentar

Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.

Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria ACCS
Continue Lendo

Suínos

Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira

Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra

Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.

Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).

Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.

A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.

Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.

Prevenção

A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.

Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.

Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.

Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.

Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

Exportações de suínos do Paraná atingem 21,36 mil toneladas em março

Volume cresce 10,1% em relação a 2025, com forte demanda internacional.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A suinocultura paranaense enviou 21,36 mil toneladas para o mercado externo em março de 2026, configurando o melhor desempenho exportador para este mês, segundo o boletim semanal do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgado nesta quinta-feira (16).

O resultado foi impulsionado pela demanda do mercado filipino, que importou 4,64 mil toneladas no terceiro mês de 2026, um aumento de 86,9% (2,16 mil toneladas) em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Março registrou o quarto melhor resultado da história, ficando atrás apenas dos volumes exportados em setembro (25,18 mil t), outubro (22,18 mil t) e dezembro (22,12 mil t) do ano passado.

Foto: Fernando Dias

Os dados da plataforma Comex Stat/MDIC, que levantam os números das exportações brasileiras desde 1997, mostram que as 21,36 mil toneladas exportadas em março representam um aumento de 10,1% em relação a março de 2025. Esse padrão de resultados recordes vem sendo observado no Paraná desde julho de 2024.

O boletim traz notícias positivas também para a pecuária leiteira. Após a alta no preço do leite no varejo, evidenciada na última pesquisa elaborada pelo Deral referente ao mês de março, o valor recebido pelo produtor também passou a se movimentar no mesmo sentido na última semana. Houve um avanço de 12,8% em relação à semana anterior.

“O pecuarista passou a receber, em média, R$ 2,43 por litro posto na indústria, ante R$ 2,15 registrados na pesquisa anterior. O período de entressafra das pastagens, aliado à redução na captação, é o principal fator por trás da valorização do produto”, explicou o veterinário do Deral Thiago de Marchi da Silva.

Frango

O custo de produção do frango vivo no Paraná está estabilizado em R$ 4,72/kg, informa o técnico do Deral, Roberto Carlos de Andrade e Silva. Já o preço nominal médio pago ao produtor fechou o mês passado em R$ 4,59/kg – 2,75% menor que no mês anterior.

A alta dos insumos é a principal causa do aumento dos custos de produção. Segundo informações da Deral, o preço do milho no atacado paranaense, em março, atingiu R$ 62,92 a saca de 60 kg, representando um aumento de 2,5% em relação ao mês anterior. Roberto Carlos ressalta que os indicadores de março ainda não sofreram os impactos do conflito entre Estados Unidos/Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro.

“Como a guerra teve início no fechamento do bimestre, os números de março ainda não refletiram os custos dos insumos que tendem a subir num cenário de guerra, mesmo que bem longe do Brasil”, observou.

Óleo de soja

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Houve redução no valor do óleo de soja no varejo nos primeiros três meses do ano, em comparação ao preço médio de 2025. A redução se deve à retração do preço da soja em grão. Em março, o preço recebido pelo produtor de soja fechou em R$ 115,09 por saca de 60 quilos, 3% inferior à média de 2025.

A pesquisa de preços no varejo, realizada mensalmente pelo Deral, apontou que a embalagem de 900ml de óleo de soja foi comercializada no Estado a R$ 7,25, na média, em março, enquanto no ano passado era de R$ 7,42. Assim, os preços atuais estão 2,3% menores em relação à média de 2025. Já na comparação com fevereiro, houve alta de 2,1%.

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.