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Especialista evidencia a importância do controle do mycoplasma em suínos

Isso porque elas são capazes de ser responsáveis por trazer grandes impactos econômicos na produção, uma vez que podem afetar a saúde e o bem-estar dos animais e, desta forma, diminuir a produtividade e a qualidade da carne produzida.

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Foto: Arquivo/OP Rural

Ter um rebanho saudável e produtivo é a meta de todo suinocultor. Entre as muitas variáveis que as granjas estão expostas, todos os dias, uma que chama bastante a atenção e que faz muita diferença no resultado final são as doenças respiratórias. Isso porque elas são capazes de ser responsáveis por trazer grandes impactos econômicos na produção, uma vez que podem afetar a saúde e o bem-estar dos animais e, desta forma, diminuir a produtividade e a qualidade da carne produzida.

Edson Magalhães, ministrou palestra sobre doenças respiratórias no Encontro Abraves Paraná de 2023 – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural

Quem chama a atenção para este apontamento é  o pesquisador Edson Magalhães, da Universidade Estadual de Iowa, dos Estados Unidos, que ministra  palestra sobre os impactos das doenças respiratórias no custo de produção, na qual ele relata sobre a experiência norte-americana em relação ao mycoplasma, enaltecendo que o Brasil tem potencial para também conseguir controlar, de forma satisfatória, suas consequências.

Conforme o professor Edson, quando o assunto são problemas respiratórios muitas são as doenças que podem ser enumeradas. “Porém, sabemos que o mycoplasma é um dos principais agentes que podem iniciar uma doença e que são capazes de ocasionar sérios problemas secundários. É por isso que nos Estados Unidos existe esta incessante busca para tentar acabar com o mycoplasma. A ideia que eu quero difundir é que vocês aqui do Brasil entendam como este assunto está sendo tratado nos EUA e verifiquem se é viável utilizar essa experiência aqui”, disse.

O pesquisador apresentou dados bastante significativos com relação às doenças que acometem as granjas e destacou um número que chamam bastante atenção em relação ao PRRS Vírus. “O PRRS é a doença que mais tem impacto econômico em suínos nos Estados Unidos, com impacto anual de aproximadamente U$ 1 bilhão. As publicações científicas mostram que já existem relatos desta doença nos países: Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru, Chile e Uruguai, sendo que o Brasil ainda continua livre desta enfermidade. Porque estou trazendo esse adendo com relação a PRRS? Porque o mesmo protocolo que os Estados Unidos utilizam para o controle dessa doença foi adaptado e está sendo utilizado para combater o mycoplasma”, informa.

Edson explica que a infecção do PRRSv acontece de várias formas, entre elas: via aerossóis, contato direto (suíno, sêmen), contato indireto (botas contaminadas, uniformes, veículos, suprimentos, etc.). “É importante pontuar que estudos mostram que, normalmente, as doenças não agem sozinhas. Ou seja, na maioria dos casos inicia com uma enfermidade e em seguida o animal é acometido por mais. Vale a pena pontuar ainda que a doença PRRS não foi erradicada nos EUA, mas os protocolos para controlar esta doença forçaram para que o mycoplasma também tivesse protocolos semelhantes”, expõe.

Impactos econômicos

Foto: Arquivo/OP Rural

Os transtornos respiratórios em suínos são responsáveis por um grande impacto financeiro na produção, pois essas doenças são capazes de afetar a saúde e o bem-estar dos animais, bem como diminuir a produtividade e a qualidade da carne produzida. Entre os principais impactos é possível destacar:

1. Mortalidade: Isso porque em muitos casos a doença acaba causando a mortalidade precoce dos animais.

2. Redução da taxa de crescimento: O animal doente pode ter dificuldades em alimentar-se, o que acaba gerando um crescimento menos satisfatório do que o normal.

3. Aumentos nos custos de tratamento: Em muitos casos, essas doenças requerer um tratamento. Desta forma, o produtor precisa investir em medicamentos e profissionais que estarão aptos para dar o suporte necessário.

4. Atraso na comercialização: Após uma doença, os suínos precisam de um tempo maior de espera para serem abatidos e comercializados.

5. Redução da qualidade da carne: Em muitos casos, as doenças respiratórias também podem afetar a qualidade da carne produzida, o que pode vir a reduzir o valor do produto que será comercializado.

Edson Magalhães também faz referência sobre a importância de como cada plantel irá focar nas ações de combate ao mycoplasma. “As opções que temos são buscar controlar ou erradicar, tudo vai depender da meta de cada granja. O mais importante é focar no controle, uma vez que isso irá possibilitar manter uma baixa prevalência de infecção, com a granja clinicamente estável. Isso porque a erradicação ou eliminação completa é algo bastante delicado de se conseguir”, declara.

Protocolo americano

O professor apresentou que o protocolo americano para tratar Mycoplasma Hyopnemoniae consiste em introduzir leitoas negativas em rebanhos positivos, com o objetivo de criar uma imunidade para a doença. “Para controlar o mycoplasma nós precisamos estabilizar o plantel, para isso, é realizado a exposição intencional ao mycoplasma e é feito um acompanhamento. Entre os principais métodos de exposição estão contato natural; inoculação intratraqueal e exposição a aerossóis, sendo que os animais parecem tolerar o processo de aerossóis muito melhor do que o método intratraqueal. Em seguida, vem o fechamento de rebanho e a interrupção da introdução de animais de reposição na Unidade de produção de leitões (UPL), durante um período prolongado. No caso da PRRS a recomendação é 210 dias e no mycoplasma é 240 dias. Esse fechamento do rebanho possibilita a estabilização da imunidade do rebanho, visto que as porcas param de excretar o organismo após o fechamento”, declara.

Por outro lado, se a meta estiver ligada com a erradicação total da doença, são necessários a continuação do protocolo, visando programas de eliminação. “Os estudos mostram que é necessário o fechamento do rebanho e a administração de medicação. Desta forma, esse procedimento permite que o rebanho se estabilize e que os animais não estejam mais excretando. Uma vez que o tempo de fechamento foi concluído, o programa de erradicação pode começar”, emenda.

Programas de vacinação

Outra forma de ter controle sobre a doença são os programas de vacina. “Trata-se de projeto de vacinação continuada, no qual todo o rebanho precisa ser vacinado no início do projeto. Normalmente estes protocolos são realizados trimestralmente e eles seguem até que o projeto esteja concluído, ou seja, que o plantel tenha adquirido imunidade”, explica.
O pesquisados também discorreu sobre a possibilidade de medicação massal, quando leitões recém nascidos recebem uma injeção em massa. “Esse tratamento deve ser repetido aos 14 dias de idade e os leitões podem ser desmamados como de costume, dos 18 aos 21 dias. O que precisa ficar claro é que o leitão não nasce com imunidade, é necessário que a gente auxilie na construção de uma boa imunidade, sendo que o processo de amamentação é super necessário, bem como as vacinações”, observa.

Conforme o docente, o cuidado com a obtenção da imunidade e o controle do mycoplasma pode trazer inúmeros benefícios financeiros, uma vez que os resultados positivos destas ações irão proporcionar a redução do uso de antibióticos, uma melhora na qualidade da carne produzida, bem como a baixa mortalidade dos animais, etc. “Os resultados das nossas pesquisam mostram que a utilização de protocolos para combater as doenças respiratórias podem aumentar o valor das receitas, uma vez que é possível produzir mais suínos por lote, já que a tendência é de diminuição da mortalidade. Desta forma, podemos ter uma redução dos custos de produção e um aumento nas receitas”, afirma.

O pesquisador reforçou a importância do cuidado com a aclimatação de leitoas, bem como a necessidade do cuidado com a higiene o bem-estar dos animais. “Ter um cuidado especial com a aclimatação de leitoas, bem como ter o cuidado de a fêmea, na hora do parto, não estar excretando mycoplasma é muito importante, assim como os protocolos de lavagem e desinfecção dos barracões. Temos que lembrar que a leitoa é peça fundamental e que a biossegurança hoje é a peça chave para o êxito do plantel”, afirma.

Potencial implantação a nível de Brasil

O profissional enalteceu ainda que o protocolo americano é passível de ser utilizado no Brasil. “É claro que aqui terão desafios diferenciados, sendo que as múltiplas origens é um deles, posto que estimula ainda mais a eliminação de patógenos. É oportuno lembrar que diferentes programas de medicação podem ajudar a melhorar a taxa de sucesso e que o controle de uma doença pode beneficiar o tratamento de outros agentes. E outro ponto que considero bastante importante é que este protocolo contra o mycoplasma pode ser uma preparação para futuros desafios que podem surgir no Brasil, e nada melhor para estar preparado para as intempéries que podem surgir do que praticar”, finaliza.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Primeiro clone suíno da América Latina nasce em unidade da Secretaria de Agricultura de SP

Avanço inédito combina ciência da USP com estrutura do Instituto de Zootecnia e reforça papel da pesquisa paulista na geração de soluções para a saúde e o agro

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Primeiro clone da América Latina nasceu na unidade de Tanquinho do Instituto de Zootecnia, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

O primeiro clone suíno da América Latina nasceu na unidade do Instituto de Zootecnia, em Piracicaba, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O feito inédito é resultado de pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo, com apoio da Agência Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), responsável pela estrutura, manejo e cuidado dos animais por meio do Instituto de Zootecnia.

O nascimento ocorreu no dia 24 de março, na unidade experimental do IZ em Tanquinho, onde as instalações foram readequadas conforme a legislação para a produção desses animais, com rigor em biossegurança, bem-estar e controle sanitário.

A iniciativa integra um projeto voltado à produção de suínos com potencial para doação de órgãos e tecidos para humanos, dentro do campo do xenotransplante — técnica que busca reduzir a fila por transplantes e ampliar as possibilidades de compatibilidade entre doadores e receptores.

A pesquisa mobiliza uma equipe multidisciplinar, envolvendo especialistas em zootecnia, medicina veterinária e biotecnologia. No Instituto de Zootecnia, foram desenvolvidos protocolos específicos de manejo produtivo, sanitário, nutricional e ambiental, além de técnicas reprodutivas e cirúrgicas para implantação dos embriões, incluindo sincronização de cio e procedimentos de alta complexidade.

De acordo com a equipe envolvida, os manejos são minuciosamente acompanhados para garantir o sucesso da gestação e o desenvolvimento dos animais. A próxima etapa do projeto prevê o monitoramento dos clones até a maturidade sexual, com geração de dados para subsidiar futuras aplicações científicas e tecnológicas.

O manejo dos animais nas baias do Instituto de Zootecnia segue protocolos técnicos rigorosos, especialmente por se tratar de uma pesquisa sensível, voltada à produção de suínos com finalidade biomédica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O trabalho conduzido pelo Instituto de Zootecnia e pela Universidade de São Paulo marca um avanço decisivo para a ciência paulista e reforça o papel da pesquisa em gerar soluções concretas. O trabalho das nossas instituições abre novas fronteiras para a saúde humana, a produção animal e a bioeconomia. É esse investimento em ciência que sustenta a liderança de São Paulo e prepara o Estado para o futuro”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

O coordenador do Instituto de Zootecnia destaca o papel da instituição no projeto. “A estrutura e a expertise do IZ são fundamentais para garantir o manejo adequado dos animais, com foco em biossegurança e bem-estar. É essa base que permite que a ciência avance com segurança e responsabilidade”, afirma.

As pesquisas voltadas ao xenotransplante têm como objetivo enfrentar um dos principais desafios da saúde pública: a escassez de órgãos para transplante. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, pacientes morrem diariamente à espera de um órgão compatível, cenário que reforça a relevância de iniciativas científicas dessa natureza.

Além do impacto na saúde humana, o avanço posiciona São Paulo na vanguarda da biotecnologia aplicada ao agro, consolidando o papel das instituições públicas de pesquisa como ativos estratégicos para o desenvolvimento do Estado.

O projeto segue em desenvolvimento, com novas etapas já em andamento, incluindo a gestação de outros clones, ampliando o potencial de aplicação da tecnologia e reforçando a integração entre ciência, produção e inovação no Estado de São Paulo.

De acordo com a pesquisadora do Instituto de Zooctenia, Simone Raymundo de Oliveira, os manejos produtivos – sanitário, nutricional e ambiental – são minuciosamente estudados pela equipe para garantir o sucesso da gestação. “Nosso objetivo agora é acompanhar o crescimento dos clones até a maturidade sexual, fornecendo dados sobre este animal para futura tomadas de decisões”.

Fonte: Assessoria
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Qualidade de carne suína: a genética da matriz como escolha estratégica

Quando se discute qualidade de carne suína, é comum que o foco recaia sobre o macho terminador, uma vez que suas características genéticas estão diretamente associadas ao ganho de peso, ao rendimento de carcaça e à composição corporal dos animais abatidos.

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Fotos: Divulgação/Topgen

Artigo escrito por João Cella, Zootecnista, coordenador Comercial na Topgen Genética Suína

Quando se discute qualidade de carne suína, é comum que o foco recaia sobre o macho terminador, uma vez que suas características genéticas estão diretamente associadas ao ganho de peso, ao rendimento de carcaça e à composição corporal dos animais abatidos. No entanto, essa abordagem desconsidera um fator estrutural do sistema produtivo: a genética da matriz, que contribui com 50% do patrimônio genético dos leitões e influencia de forma decisiva o desempenho produtivo e a qualidade final da carne.

A matriz não é apenas a base reprodutiva da granja. Ela exerce influência direta sobre o peso ao nascimento, a uniformidade da leitegada e a capacidade de crescimento dos leitões nas fases subsequentes. Esses fatores iniciais condicionam respostas metabólicas, eficiência alimentar e padrões de deposição de músculo e gordura, que se refletem até o abate. Assim, a qualidade da carne começa a ser definida muito antes da escolha do macho, ainda na seleção genética das fêmeas.

Os programas de melhoramento genético de matrizes tradicionalmente priorizam características como prolificidade, habilidade materna, produção de leite e longevidade produtiva. Esses atributos seguem sendo fundamentais para a eficiência econômica da granja. Entretanto, uma visão moderna de genética reconhece que desempenho reprodutivo e qualidade de carne caminham juntos. A matriz transmite genes que influenciam diretamente a conversão alimentar, o ganho de peso diário, a uniformidade dos lotes e a composição da carcaça, especialmente o equilíbrio entre gordura e carne magra.

Equilíbrio entre gordura, carne magra e marmoreio

A gordura não deve ser interpretada de forma isolada como um componente indesejado da carcaça, mas como parte essencial do equilíbrio entre gordura e carne magra que sustenta a qualidade da carne suína. A genética exerce influência direta não apenas sobre a quantidade total de gordura depositada, mas também sobre sua distribuição e composição, determinando o perfil de ácidos graxos, a estabilidade oxidativa e a interação entre os tecidos muscular e adiposo. Nesse contexto, a gordura contribui para atributos fundamentais da carne suína, como sabor, textura e suculência.

Matrizes geneticamente equilibradas favorecem níveis adequados e estáveis de marmoreio, resultando em melhor qualidade tecnológica da carne, com maior capacidade de retenção de água, coloração mais uniforme e menor variabilidade entre lotes destinados à indústria.

O marmoreio, resultante da gordura intramuscular entremeada às fibras musculares, é um dos principais indicadores desse equilíbrio fisiológico. Níveis adequados de marmoreio contribuem para maior maciez, suculência e intensidade de sabor, ao mesmo tempo em que preservam os padrões industriais de rendimento e proporção de carne magra.

Esse ajuste fino entre deposição muscular e gordura intramuscular pode ser conduzido de forma consistente por meio de programas de melhoramento genético de matrizes, reforçando o papel estratégico da genética na construção da qualidade final da carne suína.

Genética da matriz e bem-estar animal

Matrizes selecionadas para equilíbrio fisiológico e temperamento contribuem para a produção de suínos mais dóceis, com melhor adaptação ao manejo e menor sensibilidade ao estresse, especialmente no pré-abate.

Animais menos reativos apresentam menor risco de oscilações de pH muscular, reduzindo a incidência de alterações como PSE e DFD. Isso resulta em carne com melhor coloração, maior capacidade de retenção de água e maior consistência entre lotes. Esses fatores impactam diretamente os processos industriais e ampliam a janela de comercialização no varejo.

É importante destacar que protocolos corretos de manejo, jejum, transporte, descanso e resfriamento são indispensáveis. Contudo, sem uma base genética adequada, esses cuidados têm sua eficácia limitada. A genética atua como o alicerce sobre o qual todas as demais práticas produtivas se apoiam.

Qualidade de carne como estratégia de longo prazo

Considerar a genética da matriz sob a ótica da qualidade de carne representa uma mudança de mentalidade na suinocultura. Trata-se de enxergar a fêmea não apenas como produtora de leitões, mas como agente estratégico na construção do valor do produto final. Essa abordagem atende a um mercado consumidor cada vez mais atento à qualidade sensorial, à padronização e à imagem da carne suína como proteína saudável, saborosa e versátil.

Para o produtor rural, os benefícios se refletem em melhor conversão alimentar, maior ganho de peso diário, uniformidade dos lotes, menor mortalidade e maior previsibilidade dos resultados. Para a indústria, significam carcaças mais consistentes, processos mais eficientes e menor variabilidade. Para o consumidor, resultam em carne com melhor sabor, maciez e estabilidade.

Nesse cenário, a genética animal assume papel central. A evolução da carne suína como carne de qualidade passa, inevitavelmente, pela escolha criteriosa das matrizes.

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Fonte: O Presente Rural
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Micotoxinas começam no silo: por que o controle fúngico define a saúde dos suínos

Zootecnista Fernanda de Andrade explica como o armazenamento inadequado de grãos favorece fungos e a formação de micotoxinas, impactando desempenho, saúde e produtividade na suinocultura.

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Fotos: Shutterstock

Artigo escrito por Fernanda de Andrade, zootecnista, gerente de Feed Safety and Nutritional Solution da Trouw Nutrition

Embora frequentemente subestimado, o controle fúngico ao longo da cadeia de produção de ração tem papel determinante na saúde e no desempenho dos suínos. A presença de fungos nos ingredientes utilizados na formulação é a principal causa da formação de micotoxinas, substâncias tóxicas que representam um dos maiores desafios sanitários e produtivos da suinocultura moderna.

Nos últimos anos, a incidência de micotoxinas cresceu de maneira significativa em diversas regiões produtoras. Mesmo com avanços em manejo nutricional, a ocorrência de contaminações por fungos ainda é tratada com menos prioridade do que deveria, sobretudo no armazenamento de grãos e na higienização das fábricas de ração. Trata-se de etapas frequentemente negligenciadas, mas que determinam grande parte da qualidade final do alimento fornecido aos animais.

Impactos de alto custo

A suinocultura é especialmente sensível às micotoxinas, em particular à deoxinivalenol (DON) e à zearalenona (ZEA), que afetam diretamente fases críticas do ciclo produtivo. Entre os efeitos mais comuns estão queda de desempenho, redução da eficiência alimentar, comprometimento imunológico, lesões orgânicas e, no caso de matrizes, natimortos, abortos, prolapsos e irregularidades reprodutivas.

O cenário se agrava quando há policontaminação, isto é, a presença simultânea de diferentes micotoxinas. Estudos recentes mostram que, enquanto há alguns anos eram conhecidas cerca de 600 micotoxinas, o número já ultrapassa 700 compostos identificados no mundo, tornando o desafio ainda mais complexo. Mesmo considerando apenas as seis micotoxinas de maior relevância zootécnica, como Fumonisina, DON, ZEA, Aflatoxina, Ocratoxina e Toxina T-2, os impactos são amplos e multifatoriais.

Armazenamento de grãos

O armazenamento é o ponto de maior vulnerabilidade da cadeia. Um armazém sem monitoramento adequado de umidade, temperatura, higiene e ventilação cria as condições ideais para proliferação de fungos e produção de micotoxinas. Assim, o silo deve ser visto não como um simples depósito, mas como um ambiente dinâmico, sujeito à migração de umidade, variações térmicas e intensa atividade microbiológica.

Quando esses fatores não são controlados, ocorre oxidação de ingredientes, deterioração nutricional e formação de compostos tóxicos. São as chamadas “perdas invisíveis”: alterações que não são perceptíveis visualmente, mas que comprometem o valor nutricional e aumentam o risco sanitário. Além disso, falhas de higienização nas fábricas de ração podem perpetuar contaminantes e permitir o desenvolvimento contínuo de fungos nos equipamentos.

Controle fúngico

Diferentemente das micotoxinas já presentes no grão, situação em que apenas adsorventes podem atuar, a contaminação fúngica durante o armazenamento pode e deve ser prevenida. Entre as ferramentas disponíveis, os blends de ácidos orgânicos estão entre as soluções mais eficazes para controle direto de fungos em grãos, ingredientes e ambientes de produção de ração.

Esses blends podem atuar em versões líquidas ou em pó, dependendo da necessidade da operação. Em tecnologias mais avançadas, combinações específicas de ácidos orgânicos aceleram o efeito antifúngico e fortalecem a ação do ácido propiônico, resultando em rompimento mais rápido da membrana do fungo e, consequentemente, em maior eficiência de controle.

Como os ácidos orgânicos atuam sobre fungos

O mecanismo de ação é bem estabelecido na literatura científica. Primeiramente ocorre uma penetração na membrana fúngica na qual os ácidos orgânicos não dissociados atravessam a membrana plasmática, especialmente em pH mais ácido. Depois, acontece uma acidificação do citoplasma dentro da célula fúngica, que libera prótons (H⁺), reduzindo o pH interno.

Em seguida, vem um desbalanço osmótico e energético para tentar restabelecer seu equilíbrio interno, o fungo precisa gastar grandes quantidades de energia, consumindo ATP para bombear íons. A partir deste momento acontece uma inibição da síntese e do crescimento celular, onde a acidificação desestabiliza enzimas metabólicas e compromete a formação de proteínas, o que leva a morte celular do fungo. Sem energia e com a integridade da membrana comprometida, a célula fúngica entra em colapso.

Essa sequência reduz significativamente a proliferação fúngica e, por consequência, diminui o risco de formação de micotoxinas ao longo da estocagem e do processamento.

Estudos recentes comprovaram que a combinação de três ingredientes ao ácido propiônico potencializa essa ação e leva a um rompimento mais rápido da membrana dos fungos. Esta combinação acelera o efeito do ácido propiônico em até três vezes, ampliando sua eficácia.

Abordagem preventiva e integrada

O controle eficaz exige uma abordagem contínua, iniciando no recebimento do grão e se estendendo até a produção da ração. O uso de aditivos conservantes deve ser combinado com iniciativas como inspeção e limpeza dos silos, monitoramento de umidade e temperatura, boas práticas de armazenamento, higienização completa das fábricas e uma análise contínua de risco de contaminações.

Uma mudança de mentalidade é urgentemente necessária. A qualidade da ração começa no armazém. Não basta investir em formulações balanceadas se os ingredientes chegam comprometidos por má estocagem. Quando o controle fúngico deixa de ser tratado como etapa secundária e passa a ser parte estratégica da nutrição, os resultados aparecem em saúde animal, produtividade e rentabilidade.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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