Avicultura Sistema de produção
Especialista destaca técnicas de controle de contaminantes em carnes
A segurança do alimento requer controles capazes de gerenciar riscos zoonóticos em toda as fases da cadeia agroindustrial e devem ser factíveis, práticos e econômicos. Além disso, esses controles precisam determinar prioridade e alocar recursos adequados, informar a persistência de risco residual na rotulagem do produto e a violação aos padrões devem ser gerenciadas, incluindo o recolhimento quando cabível.

O Brasil é um dos maiores produtores de proteína animal do mundo e o terceiro maior produtor de carne de frango, com 14,3 milhões de toneladas, atrás somente dos Estados Unidos e da China.
Do total produzido no país, 69% são destinados ao mercado interno e o restante é exportado para mais 150 países, especialmente da Ásia, África, Oriente Médio e União Europeia.
Diante do volume e da dimensão da produção brasileira, o assunto contaminação em carnes se torna de extrema relevância para todo o setor, pois pode afetar toda a cadeia, inclusive os consumidores.
Por conta de tamanha pertinência, o tema foi debatido por profissionais da área durante o Simpósio de Atualização em Avicultura, organizado pela Fundação Apinco de Ciência e Tecnologia Avícolas (Facta). Os debates ocorreram em março de maneira 100% online na plataforma da instituição.

Marisete Cerutti, gerente de qualidade da Seara Alimentos: “Abater um frango é uma arte, isso porque é preciso retirar toda a porção muscular comestível de uma área externa contaminada e de uma área interna onde devem ser mitigados os riscos de rompimento” – Foto: Arquivo pessoal
Durante o encontro virtual, a gerente de qualidade da Seara Alimentos, Marisete Cerutti, palestrou sobre o “Controle de Contaminantes Químicos e Biológicos em Carnes – Legislação global e nacional”.
Na ocasião, a palestrante destacou a importância em oferecer um produto de qualidade para os consumidores, para isso, de acordo com Marisete, a provisão de alimento segura está avançando e internalizando cada vez mais no sistema produtivo, tendo com princípio a base na ciência. “Quando se trabalha dessa forma existe um objetivo a ser conquistado para que ele se torne mais viável economicamente”, destaca. Isso permite a locação de recursos de forma mais eficiente por parte dos agentes envolvidos no sistema de produção e fiscalização.
Principais riscos
Os principais perigos relacionados a carne de aves são estudados e apresentados à comunidade mundial pela Comissão do Codex Alimentarius, criada em 1963 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). A instituição desenvolve normas, diretrizes e códigos de práticas alimentares internacionais para proteger a saúde dos consumidores e garantir práticas comerciais justas no comércio de alimentos. Também promove a coordenação de todo o trabalho de padrões alimentares realizado por organizações governamentais e não governamentais internacionais.
De acordo com os últimos relatórios, os principais perigos em carnes de aves estão relacionados a contaminantes químicos como Anticocidianos, antimicrobianos e sulfonamidas, nitrofuranos e metabólicos de nitrofuranos, antiparasitários, betagonistas, pesticidas organoclorados e PCB’S, contaminantes inorgânicos, micotoxinas e anabolizantes.
Os contaminantes biológicos mais recorrentes acontecem por meio da Salmonela spp, Campylobacter spp, Escherichia coli, Clostridium perfringens, Staphylococcus aureus e Listeria Monocytogenes.
Conforme Marisete, esses microrganismos podem ser decorrentes de doenças ou de uma infecção silenciosa. “Ou mesmo de uma contaminação cruzada no abatedouro”, comenta.
Diretrizes
A profissional ressalta o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), referentes às diretrizes regulatórias que servem como base para a segurança dos consumidores, e têm como princípios a rastreabilidade, a transparência, a integração das informações, as decisões verticalizadas e a governança. “Essa nova trilha é sem dúvida uma base para a segurança dos consumidores e orientação aos produtores e de uma fiscalização cada vez mais segura”, menciona.
Certificação sanitária
Os acordos internacionais de importação e exportação são operados pelo embasamento de certificação por meio de modelos. Atualmente, existem no Brasil dois modelos de certificação que foram definidos pela portaria número 431 de outubro de 2021. Trata-se dos modelos de Certificado Sanitário Internacional CSI BR e CSI específico.
CSI BR
O CSI BR é usado para a comercialização dentro do país e também na exportação para países que não possuem requisitos sanitários específicos. “Quando não há modelo disponível o estabelecimento pode consultar a autoridade sanitária do país sobre a autorização para poder usar o CSI BR”, comenta. Se aceito o pedido, a empresa exportadora precisa formalizar a declaração junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF), se responsabilizando então pelo envio e a integralização do produto no país. Uma vez que o estabelecimento estiver registrado sob SIF, ele se torna apto para exportar para países que não possuem esses exigências. “E da mesma forma ele não é alvo de suspensão dessas habilitações dos países signatários”, menciona Cerutti.
Segundo ela, o modelo CSI BR possui determinações consistentes, desde a necessidade dos produtos serem submetidos a inspeção ante e post mortem considerados aptos ao consumo, como também a necessidade de abate que respeite preceitos de bem-estar de acordo com normativas ou verificação sistemática. “O estabelecimento precisa participar do Plano de Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), estar em conformidade com os parâmetros microbiológicos e com o monitoramento de salmonela na granja e no abate, dentre outros”, explica.
CSI específico
O modelo CSI específico é particular de cada país. Existem atualmente, cerca de 50 países que possuem esse tipo de certificação. Os requisitos mais comuns são referentes a saúde e alimentação animal, cadeia primária de produção, autocontrole, requerimentos microbiológicos e controles químicos. “Muitas vezes existem também alguns pontos da legislação nacional”, menciona.
Para Marisete, é fundamental que as legislações internacionais sejam internalizadas também e transformadas em planejamento e entendimento para o embasamento de certificação. “E para as garantias de que o produto não será rejeitado nas alfândegas ou mesmo pelos clientes”, enaltece.
Notificação de doença
A Instrução Normativa 50 de setembro de 2013 norteia as doenças de notificação obrigatória e prevê a notificação imediata para casos suspeitos ou confirmados de patologias já erradicadas do Brasil, como, influenza aviária, rinotraqueite do peru e hepatite do pato. Por sua vez, mesmo em casos suspeitos de newcastle e laringotraqueite a notificação também precisa ser feita imediatamente.
Os casos de Clamidiose aviária, Mycoplasma (M. Gallisepticum; M. melleagridis; M. synoviae), Salmonella (S. enteritidis; S. gallinarum; S. pullorum; S. typhimurium) devem ser comunicados quando forem confirmados.
Já em casos de adenovírus, anemia infecciosa das galinhas, bronquite infecciosa aviária e tuberculose aviária, entre outras doenças, a notificação deve ocorrer mensalmente para casos confirmados. “Esses comunicados são importantes por que essas doenças fazem parte do comércio nacional e internacional e podem ter impacto quando as carnes cruas são comercializadas a nível mundial, ou mesmo carnes não processadas”, aponta.
Segurança do alimento
Os pontos de prevenção de contaminações químicas e biológicas precisam ser considerados em toda a cadeia produtiva. Segundo Marisete, a ave é a expressão da sua origem, de como ela foi criada, da água e alimento consumido, da higiene das instalações, ou seja, do bem-estar animal como um todo. “A ave somatiza todo esse conjunto para se apresentar saudável, com uma infecção inaparente como é o caso de uma salmonella, ou mesmo com uma doença”, enfatiza.
A segurança do alimento requer controles capazes de gerenciar riscos zoonóticos em toda as fases da cadeia agroindustrial e devem ser factíveis, práticos e econômicos. Além disso, esses controles precisam determinar prioridade e alocar recursos adequados, informar a persistência de risco residual na rotulagem do produto e a violação aos padrões devem ser gerenciadas, incluindo o recolhimento quando cabível.
De acordo com Marisete, o swab pré abate, a inspeção do lote e o jejum hídrico são determinantes, pois essas informações são transmitidas para o boletim sanitário. “A inspeção de lote é uma das etapas mais importantes, onde se começa bem para terminar bem”, salienta.
Abate
No processo de abate das aves a evisceração é vista como um dos pontos-chave, onde a eficiência dos equipamentos é decisória para que não ocorra a contaminação interna e nem externa da carcaça. “A aspiração dos pulmões é importante para que não haja contaminação no sistema de pré-resfriamento”, comenta.
Cerruti destaca o avanço ocorrido nos últimos anos no processamento das aves, e segundo ela, quando compreendido o que acontece com a microbiota que entra com a ave e sobre a eficiência de cada etapa do processo. “Assim, é possível chegar a um produto mais seguro, com chance maior de inocuidade e redução de perdas”, afirma Cerutti.
Ela destaca os importantes avanços ocorridos em 2016 com a Instrução Normativa 20 para a cadeia produtiva. “O Brasil evoluiu muito, antes disso havia uma incidência muito grande de salmonella e outros contaminantes de relevância para a saúde pública”, comenta.
De acordo com a profissional, alguns pontos como a implementação de 100% dos lotes pré-abate, a informação e o gerenciamento do PRP, as ações tomadas pelas empresas e o “sistema de fiscalização do Brasil, elevam a qualidade do produto na mesa dos consumidores brasileiros e internacionais”, destaca.
Cerutti ressalta ainda a importância dos controles oficiais realizados pelo Mapa, entre eles, o Programa de Avaliação de Conformidade (PACPOA), que analisa as carnes pelos princípios físico-químico e microbiológico. “Observa-se uma melhora desde 2016 no grau de conformidade dos produtos de carnes de aves no Brasil”, salienta.
Marisete destaca também o Programa Nacional de Controle de Patógenos (PNCP) que traz a listéria monocytogenes como indicadora regulamentada pela Instrução Normativa 9 de abril de 2009 que apresentou em 2020 um percentual de 2.69 sobre 223 produtos avaliados e 12,81% de positividade para Salmonella spp nas carcaças.
Segundo Marisete, o histórico de 2017 a 2020 observa-se uma tendência de melhora. No resultado publicado pelo Mapa nota-se a identificação de 30 diferentes sorovares e ausência de Salmonella Enteritidis em 370 amostras e apenas 0,54% de Salmonella Thyphimurium. “Um cenário bastante promissor e positivo para o Brasil”, ressalta.
No entanto, de acordo com ela, o fator preocupante é a presença de Salmonella Minesota e Salmonella Heidelberg como persistentes na avicultura brasileira. “A resolução 459 solicita que a gente rotule e se comunique com o consumidor, para que ele também, como elo participante, faça os procedimentos adequados para prevenção de contaminação cruzada e da conservação adequada do produto”, menciona.
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Avicultura
Tributação no meio da cadeia avícola eleva custos e pressiona preços do frango
Sindiavipar alerta que LC nº 224/2025 mantém desoneração do frango, mas reintroduz custos em elos estratégicos da produção, com impacto indireto no preço final.

Apesar de preservar a carne de frango na lista de produtos desonerados da cesta básica, a Lei Complementar nº 224/2025 traz efeitos econômicos relevantes para a cadeia produtiva avícola, sobretudo ao reintroduzir tributação em etapas intermediárias consideradas estruturais para o setor. A avaliação consta em comunicado divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), que aponta risco de aumento indireto de custos ao longo do sistema produtivo.

Foto: Ari Dias
Segundo a entidade, a nova legislação mantém a isenção na etapa final, mas altera o tratamento tributário de operações fundamentais, como a comercialização de ovos férteis e a venda de pintinhos de um dia destinados a incubatórios e à integração. Esses insumos estão na base da cadeia industrial e, ao serem tributados, fazem com que a carga fiscal passe a incidir antes da fase de abate e industrialização.
O principal ponto de atenção, de acordo com o Sindiavipar, está na combinação entre a oneração dessas etapas intermediárias e a ausência ou limitação do direito ao crédito nos elos seguintes. Nesse formato, o tributo pago ao longo da cadeia não é integralmente compensado, se transformando, total ou parcialmente, em custo definitivo de produção.
Esse mecanismo, destaca a entidade, compromete o princípio econômico da não cumulatividade. Na prática, cria-se um custo tributário cumulativo disfarçado, especialmente sensível em cadeias longas e altamente integradas, como a avicultura industrial brasileira.
Mudanças na sistemática de alíquotas e créditos
O comunicado também chama atenção para mudanças específicas na sistemática de alíquotas e créditos. Produtos que antes operavam

Foto: Divulgação/Copacol
com alíquota zero passam a ser tributados em 10% da alíquota padrão. Além disso, os créditos presumidos, anteriormente integrais, sofrem redução de 10%, passando a 90% do valor, o que amplia a parcela de imposto não recuperável ao longo do processo produtivo.
Sem crédito pleno, o tributo incorporado tende a se propagar por todas as etapas seguintes – incubatórios, integração, engorda, abate e industrialização – pressionando margens das empresas ou induzindo repasses ao preço final. Com isso, embora a carne de frango permaneça formalmente desonerada, o custo embutido ao longo da cadeia pode resultar em elevação de preços ao consumidor.
Na avaliação do Sindiavipar, esse efeito indireto acaba onerando produtos classificados como cesta básica, uma vez que os custos tributários acumulados nas fases anteriores não são passíveis de recuperação. O alerta reforça a necessidade de análise sistêmica da tributação, considerando não apenas o produto final, mas toda a estrutura produtiva que sustenta a oferta de alimentos essenciais.
Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.



