Bovinos / Grãos / Máquinas
Especialista defende homeopatia na bovinocultura
Doutora Talita Nader, uma das maiores autoridades da homeopatia usada na produção animal no Brasil, revela que o país atualmente é referência mundial quando se trata de pesquisas em homeopatia
O Presente Rural entrevistou com exclusividade a doutora Talita Thomaz Nader, uma das maiores autoridades da homeopatia usada na produção animal no Brasil. Médica veterinária e uma das maiores pesquisadoras sobre o tema, Nader acredita que o uso da homeopatia, que utiliza doses muito pequenas de medicamentos, gera benefícios para o animal, para o produtor, para o consumidor e para o meio ambiente. Ela tem graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia (2003), especialização em Homeopatia Veterinária pelo Instituto Homeopático François Lamasson (2008), mestrado (2010) e doutorado (2014) em Medicina Veterinária Preventiva na Universidade Estadual Paulista (Unesp – Jaboticabal, SP), com ênfase em atividade antimicrobiana de compostos naturais frente a microrganismos livre e em biofilme.
É ainda responsável pelo Laboratório de Experimentação Animal da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), presidente do Instituto Homeopático François Lamasson e coordenadora e docente do curso de Especialização em Homeopatia Veterinária e professora colaboradora da pós graduação de Medicina Veterinária da Universidade de Marília (Unimar). A profissional também é membro da Comissão de Homeopatia, do Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado de São Paulo (CRMV-SP) e atua na área de medicina veterinária preventiva envolvendo as terapêuticas homeopática e fitoterápica, a sanidade animal e ambiental. Ela acredita que a terapêutica homeopática atende a uma demanda mundial de maior sustentabilidade e uso consciente dos recursos.
A doutora Nader revela: “O Brasil atualmente é referência mundial quando se trata de pesquisas em homeopatia, incluindo pesquisas básicas de modelo de atuação de medicamentos até pesquisas bem direcionadas na área humana, veterinária e também na agricultura”.
O Presente Rural (OP Rural) – O que é a homeopatia?
Talita Thomaz Nader (TTN) – Homeopatia é uma terapêutica proposta por um médico alemão chamado Samuel Hahnemann, no século XIX, baseada em uma lei denominada a lei dos semelhantes. Este princípio determina que, para curar um indivíduo doente, é necessário dar-lhe um medicamento que, quando experimentado no indivíduo sadio, provocou os mesmos sintomas que o doente apresenta.
OP Rural – Qual a diferença para a medicina tradicional?
TTN – A medicina tradicional está fundamentada na alopatia (tratamento pelo contrário), que utiliza medicamentos com alta dose ponderal e de atividade oposta ao quadro. Por exemplo, uso de antitérmico para sanar a febre. Já a homeopatia consiste na prescrição de um medicamento altamente diluído que apresente semelhança com o quadro, ou seja, utiliza de doses mínimas do medicamento para evitar a intoxicação e estimular a reação orgânica do doente.
OP Rural – Como a homeopatia pode ser usada na produção animal, especialmente em bovinos de corte e leite?
TTN – Os medicamentos homeopáticos na produção animal atuam não somente no tratamento de doenças, mas também em um modelo preventivo, visando melhor reação orgânica do indivíduo. Na prática, observa-se nos rebanhos homeopatizados mais resiliência imunológica diante de injúrias, por exemplo, os ectoparasitas, melhor aproveitamento de nutrientes e maior conversão alimentar. Isso resulta em um melhor aproveitamento do potencial de produção do rebanho, seja de corte ou leite.
OP Rural – Os medicamentos homeopáticos podem substituir os convencionais?
TTN – Em muitas situações é possível instituir um manejo homeopático substituindo os medicamentos convencionais. Um exemplo muito difundido é o controle de ectoparasitas através do uso de complexos homeopáticos. Além disso, podem ser utilizados no tratamento de mastite bovina, com resultados bem interessantes, diarreias, papilomatose, endoparasitoses, etc.
OP Rural – Qual a diferença de ação entre os dois tipos de medicamentos?
TTN – Os medicamentos homeopáticos, por serem altamente diluídos, não provocam efeitos colaterais, não causam intoxicação, não favorecem a seleção de microrganismos resistentes, não deixam resíduo na carne, leite ou ovos, portanto, não há descarte de produtos e subprodutos e ainda não gera qualquer dano para o ambiente.
OP Rural – Quais os benefícios da homeopatia na produção animal?
TTN – O uso da homeopatia na produção gera muitos benefícios para o animal, para o produtor, para o consumidor e também para o meio ambiente. O animal, ao ser tratado com substancias não toxicas, está livre de efeitos deletérios para o seu organismo e também tem o seu potencial de produção e seus aspectos fisiológicos preservados, gerando, por consequência, um produto de melhor qualidade. O produtor ganha ao perceber a condição de saúde do rebanho homeopatizado e também na qualidade e no valor agregado ao produto. O consumidor, por sua vez, tem suas exigências atendidas, ao buscar um alimento mais saudável e seguro. E, por fim, o meio ambiente é poupado de resíduos tóxicos e nocivos das drogas convencionais, com efeitos muitas vezes ainda desconhecidos. Portanto, a terapêutica homeopática atende a uma demanda mundial de maior sustentabilidade e uso consciente dos nossos recursos.
OP Rural – Quais os prejuízos da homeopatia na produção animal?
TTN – A homeopatia não gera qualquer prejuízo à produção animal. Eu falaria em dificuldades e não em prejuízos. As dificuldades estão em encontrar profissionais capacitados para a prescrição homeopática e também em romper com hábitos muito estabelecidos no que diz respeito à utilização de drogas na cadeia produtiva de alimentos de origem animal.
OP Rural – A homeopatia pode ser usada mesmo em produção intensiva, como bovinocultura, suinocultura e avicultura?
TTN – Sim. A homeopatia pode ser utilizada em qualquer sistema de produção, desde que o profissional compreenda quais são as demandas específicas do modelo avaliado, para que a prescrição seja direcionada.
OP Rural – Com que intensidade a homeopatia é usada na produção de proteína animal no Brasil e no mundo?
TTN – Devido a mudanças do comportamento da sociedade relacionadas à segurança alimentar e maior exigência por produtos mais saudáveis, livres de contaminantes e resíduos, o mercado de produção do alimento orgânico vem crescendo a cada ano e a produção de alimentos de origem animal também se insere nesse contexto. A produção de alimentos orgânicos contempla uma série de medidas relacionadas à produção sustentável com tecnologia “limpa” e a homeopatia apresenta-se como a principal terapêutica desse modelo de produção. No Brasil, a produção de carnes orgânicas em geral vem aumentando a cada ano, pois o valor agregado ao produto é muito atrativo, com destaque para a avicultura, na qual o modelo já está bem estabelecido.
OP Rural – Há algum setor de proteína que esteja usando mais esse método?
TTN – Em um escalonamento eu diria que a avicultura se destaca, com ovos e carne orgânicos em abundancia no mercado, seguida da bovinocultura de corte e leite, que já encontra maior valorização do produto gerado em condições mais “limpas”, como o mercado de queijos orgânicos, que está em ascensão.
OP Rural – Como está a pesquisa no Brasil sobre o tema homeopatia?
TTN – Há uma relação direta entre as pesquisas realizadas e o estabelecimento da terapêutica homeopática no mercado. O Brasil atualmente é referência mundial quando se trata de pesquisas em homeopatia, incluindo pesquisas básicas de modelo de atuação de medicamentos até pesquisas bem direcionadas na área humana, veterinária e também na agricultura.
OP Rural – Que ações a Comissão de Homeopatia Veterinária do CRMV-SP e outras entidades fazem para disseminar o conhecimento sobre o tema?
TTN – A Comissão de Homeopatia do CRMV/SP tem como um dos objetivos trabalhar na divulgação e sustentação da terapêutica homeopática, considerada a primeira especialidade da medicina veterinária pelo CFMV em 1995. Para isso, a Comissão vem realizando encontros itinerários no estado de São Paulo para apresentar e discutir o tema entre estudantes de Medicina Veterinária e profissionais. Entendemos que há uma necessidade de maior informação, principalmente durante a formação dos médicos veterinários, pois estes serão os futuros profissionais. Nesse sentido, a CHV (Comissão de Homeopatia Veterinária) também dialoga com as entidades formadoras, ou seja, com as instituições que fornecem os cursos de especialização em Homeopatia Veterinária, para que possamos atuar de forma conjunta.
OP Rural – A produção livre de antibióticos é cada vez mais iminente para a indústria da proteína. A senhora acredita que a homeopatia pode ser uma alternativa ao uso desses medicamentos, inclusive como promotores de crescimento?
TTN – Com certeza. Em rebanhos orgânicos isto já é uma realidade, com resultados muito satisfatórios.
OP Rural – Como o produtor pode fazer para ter acesso a esses medicamentos homeopáticos?
TTN – Atualmente existem medicamentos homeopáticos industrializados, ou seja, são produtos com alguns medicamentos associados, encontrados em lojas rurais e pet shops, de fácil acesso e para situações corriqueiras da linha produção. Uma outra forma seria solicitar a visita de um médico veterinário homeopata para fazer um diagnóstico da situação e uma prescrição direcionada, o que nem sempre é possível, dependendo da região.
OP Rural – O custo é maior em relação aos tradicionais?
TTN – O custo do tratamento homeopático é inferior aos tratamentos convencionais e às vezes com diferenças muito significativas.
OP Rural – A mão de obra para administração dos homeopáticos precisa ser especializada?
TTN – Os medicamentos homeopáticos são facilmente administrados, inclusive para uma grande quantidade de animais, pois podem ser incorporados no sal mineral, ração ou água, não necessitando, portanto, de mão de obra especializada. Lembrando que para a obtenção de resultados é de extrema importância seguir as orientações recomendadas.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
