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Suínos / Peixes

Especialista dá dicas para água e outras abordagens simples que reforçam a imunidade dos suínos

A suinocultura opera como uma cadeia integrada, em que cada elo influencia o próximo. Essa compreensão é essencial para garantir que a imunidade dos suínos seja construída de forma eficaz desde o início, reduzindo assim o risco de condenações no abate.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

“A imunidade é algo muito simples, não tem porquê dificultar”. É o que diz o médico-veterinário e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luiz Felipe Caron. “Imunidade é uma palavra que remete a tanta coisa, tem a ver com diferentes situações, que costumo dividir em três momentos. São aqueles três P’s que a gente tanto trabalha, que são as pessoas, os processos e os produtos”, sintetiza.

Médico-veterinário e professor da UFPR, Luiz Felipe Caron expressa otimismo em relação à evolução na criação de suínos e incentiva investimentos em medidas simples e eficazes – Foto: Francieli Baumgarten

O tema foi abordado durante palestra de Caron no Encontro Regional da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves) 2024, realizado em Toledo, no Paraná. “Acredito essencialmente que o que nos trouxe até aqui, pensando na produção de suíno agora, ou há dois, três anos atrás, não é o que vai nos levar daqui para frente, por vários motivos. E a imunidade é um eixo fundamental. Por que não é o que vai nos levar daqui para frente? Porque existem outras exigências, existem outras situações de consumidor. Existem outras pressões emergentes e reemergentes, e isso vai ter que trazer novos processos no sistema de produção, com produtos que nós não vamos mais poder usar, ou vamos ter que aprender a usar, desde que as pessoas melhorem”, pondera Caron.

Ele complementa: “Daqui pra frente a gente vai ter que se reinventar enquanto acessar essas informações e colocar elas na prática. Porque para colocar elas na prática amanhã, basta a gente respeitar o tripé que cobra da imunidade aquilo que é o ambiente que o animal vive. Aquilo que é a nutrição que o animal recebe e, finalmente, a parte simples, que são os produtos aditivos, vacinas, antibióticos, que vamos ou não usar. Tudo isso, quando misturamos, podemos entender por que o sistema imune vai ter prioridade sempre durante infecções em períodos críticos”.

O professor destaca a importância de investir na construção de barreiras físicas eficientes para fortalecer o sistema imunológico dos suínos. “Para fazer com que barreiras físicas sejam construídas da melhor forma e, depois delas, o compartimento do sistema imune possa gerar a imunidade fundamental, para que então possa se pensar em aplicar vacinas, usar essas células e, inclusive, a reprodutora transferir para a progênie, é necessário que se tenha uma escala, uma hierarquia de atenção”.

Ao abordar esses cuidados com os animais, o palestrante ressalta a importância de questionar o custo-benefício de cada medida adotada, desde a gestação até o abate. “Temos que ver como isso é passado. Não só para nós, porque trabalhamos com o produtor, com o peão, o extensionista e, também, com o diretor da empresa, com o presidente, que é quem tem que acreditar nisso. Acreditar nisso significa questionar como é que nos apropriamos do custo-benefício” relata.

Foto: Jonathan Campos

O professor acentua que, para melhorar a imunidade das doenças respiratórias é preciso responder três perguntas. “Devemos nos perguntar se isso é viável, é efetivo e tem custo-benefício. Se a resposta é sim para as três, se é viável, dá para fazer, é efetivo e se paga, é a primeira coisa”, frisa. Para Caron, a educação continuada é essencial e “faz parte da imunidade, porque são as pessoas que constroem aquilo que, lá no final, como produto, vai trazer resultado dessa construção”.

Microbiota

O médico-veterinário evidencia a relevância da microbiota intestinal e respiratória na saúde e desempenho dos suínos, enfatizando também a necessidade de um ambiente propício para o desenvolvimento dessas microbiotas. “Se fala muito de microbiota hoje e todo mundo acessa e busca entender o que é a microbiota intestinal. Naturalmente, o intestino é o maior órgão do sistema imune, então como maior órgão do sistema imune, se fala muito de imunidade para desempenho, além da saúde, porque é no intestino que ocorrem as interações, é nele que ocorre a quebra de nutrientes, a digestão, a absorção e tudo que leva a desempenho”. Ressalta ainda, que a saúde também depende desse fator. “E saúde é essa relação perfeita de quem pode ganhar 5 ou 6 gramas por hora e consegue ganhar 5 ou 6 gramas por hora, e tem um relógio bem regulado em todos os seus compartimentos”, salienta Caron.

“A microbiota respiratória também tem a ver com saúde e tem a ver com desempenho. E essa é a parte legal”, amplia o profissional. O palestrante faz uma correlação entre o comportamento humano e a saúde dos animais, citando o impacto positivo do isolamento durante a pandemia na redução de surtos de doenças respiratórias na suinocultura. “Se pararmos para pensar em nós, tivemos um histórico muito recente de doença respiratória humana. A parte boa é que a gente sabe que o bem-estar, a capacidade de desempenhar qualquer coisa, depende desse equilíbrio perfeito do sistema respiratório”, acrescenta.

Cadeia integrada

A importância de construir essa imunidade desde os estágios iniciais da criação, antes mesmo que os suínos cheguem ao abatedouro, fica clara nas palavras de Caron. “Imunidade,

Fotos: Shutterstock

para mim, é construir isso antes que, lá no abatedouro, haja um preço caro sendo pago”. Para ele, é essencial compreender que o abate é apenas o último elo de uma longa cadeia de produção. Desde a gestação e creche, cada fase influencia diretamente o resultado final no abatedouro. Ele especifica ainda que, independentemente das ideias ou estratégias adotadas durante o processo, é o abatedouro que, no fim das contas, determina o que é viável. “São eles que vendem, são eles que monitoram como que isso está fazendo para, na rastreabilidade, conseguir provar para mim mesmo que, antes da gestação, antes do parto, aquilo que está acontecendo lá na leitegada, dentro do útero da porca, diz como é que foi a condenação do abate”, complementa.

O especialista enfatiza que a suinocultura opera como uma cadeia integrada, em que cada elo influencia o próximo. Essa compreensão é essencial para garantir que a imunidade dos suínos seja construída de forma eficaz desde o início, reduzindo assim o risco de condenações no abate. “O sistema de integração já nos ajuda nisso, pois entendemos o que é cadeia. Nesse sentido, entender o sistema respiratório é muito mais simples do que imaginamos, pois temos que escolher o lugar para começar”, diz.

Segundo o professor, investir na imunidade dos suínos antes do abate não é apenas uma questão de garantir a qualidade da carne, mas também de assegurar a sustentabilidade e rentabilidade de toda a cadeia produtiva. “É um compromisso com a saúde dos animais, a segurança alimentar e o sucesso a longo prazo da indústria suinícola. Nesse investimento, nessa escolha para saber onde vamos colocar a nossa reação e isso está interligado com algo muito maior, a biosseguridade, que é fundamental”, orienta.

Imunidade respiratória

Caron divide o sistema de imunidade respiratória em duas partes distintas: “do nariz para dentro e do nariz para fora. Do nariz para dentro é a parte simples, pois todo mundo sabe que basta melhorar algum tipo de situação, que aquilo começa a trazer uma reação. E do nariz para fora é tudo o que podemos fazer em termos de estrutura, de conceito e de operação. Quando se reforçam esses três pilares, a imunidade começa a melhorar, pois do nariz para fora começamos a criar um ambiente melhor, que cobrará menos dessa condição”, cita.

Um exemplo contundente destacado pelo professor é a incidência de surtos de influenza, uma preocupação constante na suinocultura. “Eu já vi, mais uma vez, surto de influenza matando 80%, situação assustadora. O México, num momento recente, nos mostrou o que aconteceu, lembrando que em 2019 houve uma presença significativa de surtos de influenza na região, mas em 2020 e 2021 esses surtos desapareceram. “Em 2021 não tinha influenza, e o que aconteceu nesse período foi a pandemia. Com a pandemia houve isolamento, visita só ocorria se fosse necessário, nada de ficar compartilhando coisas. A hora que o ser humano parou de se comportar de forma inadequada, o suíno ficou legal porque a gente começou a respeitar as barreiras.

O professor Caron aponta ainda a importância do muco como “palavra-chave” na luta contra doenças respiratórias que afetam os animais. Ele revela que entender a dinâmica da infecção respiratória é essencial para mitigar seus impactos na produção suína. “A interação desse vírus começa a multiplicar e, a partir de então, se liberam novos vírus. Vai se soltando do muco e da traqueia, infecta o sistema e vai para outros animais. Um quadro simples que diz, se o animal não consegue reagir, o vírus ou a bactéria multiplica no sistema respiratório. E tudo que transmite via sistema respiratório tem alta morbidade”.

Importância da água

Ao explicar porque o muco é tão essencial, Caron descreve que ele é composto, principalmente, de água e atua como uma barreira protetora contra vírus e bactérias. “Se imaginarmos que um processo respiratório, seja vírus ou bactéria, vai entrar por essa porta de entrada, depois o nariz, que tem que encontrar a traqueia e o pulmão cheio de muco, o intestino não é diferente. E isso é composto de água. Muco é composto basicamente de água”, acentua.  Investir na qualidade da água é essencial para garantir a produção de muco eficaz, reduzindo assim, a suscetibilidade dos animais a infecções respiratórias. “Então, se a gente não investir na água, não tem muco de qualidade. E se não tem muco de qualidade, algumas coisas vão cobrar um preço diferente. E quanto melhor o muco, chegamos ao ponto que não há mais ação do vírus”, aponta o professor.

Ele indaga por que, apesar da simplicidade da medida, muitas pessoas negligenciam a importância da hidratação na prevenção de doenças respiratórias. “Um exemplo, sabemos quando vamos pegar gripe e dou uma dica, tome água. Beba três, quatro litros por dia, não há vírus que aguente. Não tem vírus que consiga absorver no sistema respiratório, simplesmente não tem. Eu acho tão simples e por que as pessoas não fazem isso?”.

“Para fazer o animal estar bem e ganhar peso, eu tenho que investir nesse muco”, afirma Caron, enfatizando a importância de proporcionar um ambiente propício para que os suínos assimilem os nutrientes necessários. Ele ressalta a existência de faixas de temperatura de conforto e a relação direta entre a temperatura da água e o consumo pelos animais. De acordo com Caron, a água em temperaturas elevadas pode deter o consumo, enquanto a água mais fria estimula o consumo de forma significativa, contribuindo para a saúde dos suínos e prevenindo a entrada de vírus. “Se você esfriar a água, ele começa a consumir assustadoramente. Dessa forma não tem vírus que entre. Eu garanto”.

Os primeiros investimentos sugeridos por Caron visam melhorar a ambiência e a qualidade da água na criação de suínos. Como exemplo, ele cita: cobrir a caixa d’água com sombrite, enterrar os canos e envolvê-los com fibra de vidro, além de pintar a caixa d’água de branco. Para ele, essas são medidas simples que podem fazer grande diferença no resultado final.

A água, segundo o especialista, desempenha um papel crucial no funcionamento do aparelho urinário dos suínos, agindo como uma barreira contra vírus e contribuindo para a melhoria do ambiente como um todo. “A importância da água para o aparelho urinário, e aí está um grande segredo, é criarmos barreira, o vírus não invade, se não invade, não se multiplica, se não se multiplica, não sai, se não sai, o ambiente começa a melhorar”.

Além disso, o professor Caron fala da importância de monitorar de perto o consumo de água pelos leitões nas primeiras semanas de vida, ressaltando que muitas vezes esse período inicial pode demandar um investimento significativo em termos de acesso à água.

Coisas simples

Contudo, Luiz Felipe Caron expressa otimismo em relação à evolução na criação de suínos e incentiva investimentos em medidas simples e eficazes. “Vamos investir em coisa simples, que a gente não erra. Estamos evoluindo, sem sombra de dúvida. Muitos já se posicionaram na evolução, inclusive, sabem onde é que estão. A gente está melhorando e vai melhorar cada dia mais”, concluiu o especialista.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos / Peixes

Tendências e desafios para o futuro norteiam Simpósio da ABCS no Siavs 2024

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Diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke: "Será uma oportunidade enriquecedora, e todos estão convidados para acompanhar" - Foto: Divulgação

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) vai estar presente no Siavs, este que é considerado o maior evento das cadeias produtivas no Brasil, reunindo o setor da suinocultura, avicultura, bovinocultura, e de peixes, em um único grande momento, promovendo um encontro de especialistas, inovadores e líderes do setor agroindustrial. O Siavs  acontece nos dias 06 a 08 de agosto no Parque Anhembi, São Paulo.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o Siavs é um evento organizado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), uma importante entidade para o setor, e parceira da ABCS no trabalho de promover a abertura de novos mercados e de valorização da carne suína. “É um prazer para nós fazer parte dessa iniciativa”, enaltece.

O Simpósio da ABCS está programado para o primeiro dia do evento,dia 06 de agosto, e abordará três temas essenciais em momentos distintos, como: “Inserção do Agronegócio Brasileiro na Produção e no Consumo Global”, “Aprendizados e desafios no enfrentamento de doenças imunossupressoras concomitantes” e “Perspectivas e desafios para o agronegócio envolvendo os principais elos da cadeia – do campo ao consumidor”.

A diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, destaca que o simpósio foi planejado para discutir questões relevantes para a suinocultura, desde a inserção do agronegócio brasileiro no cenário global, sustentabilidade: visão nacional e internacional, bem como os desafios e as perspectivas futuras. “O evento contará com a participação de profissionais renomados, que debaterão temas relevantes relacionados às exportações, ao mercado asiático, à relação com os consumidores e à importância da sustentabilidade na cadeia suinícola e na segurança alimentar. Será uma oportunidade enriquecedora, e todos estão convidados para acompanhar!”, conclui.

Programação

Painel 1: Inserção do agronegócio brasileiro na produção e no consumo global

  • Perspectivas para o mercado de carnes: como compreender a dinâmica das exportações e o mercado asiático.
    Palestrante: Fernando Iglesias, consultor Safras & Mercado
  • Tendências do mercado consumidor e como estamos nos comunicando no cenário global?
    Palestrante: José Tejon, sócio-diretor na Biomarketing
  • Sustentabilidade no agronegócio – O Brasil é protagonista e competitivo?
    Palestrante: Silvia Massruhá, presidente da Embrapa
  • Comprovação da sustentabilidade na suinocultura: Visão internacional
    Palestrante: Robert Hoste, pesquisador de Suinocultura da Escola de Economia da Universidade de Wageningen, Holanda.

Palestra: Aprendizados e desafios em doenças imunossupressoras concomitantes (PRRS, Circovirose, PED e PSA)
Palestrante: Maurício Dutra, diretor GFD Consultoria

Painel 2: Perspectivas e desafios para o agronegócio envolvendo os principais elos da cadeia – do campo ao consumidor
Debatedores: Marcelo Lopes, presidente da ABCS; Alexandre Rosa, presidente da ABEGS e Luís Rua, diretor de Mercado da ABPA.

O Simpósio da ABCS será gratuito e disponível a todos os participantes. Para verificar toda a programação clique aqui. Não perca esta oportunidade de se atualizar e conectar com os principais líderes do setor!

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos / Peixes

Fêmea jovem: o que fazer para maximizar a produtividade e longevidade?

É o desempenho da fêmea quando jovem que determina o potencial reprodutivo futuro, ou seja, quanto melhor for o manejo da leitoa e o resultado ao primeiro parto/desmame, melhor será o desempenho subsequente dessa matriz.

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Foto: Divulgação/DNA South America

Quando tratamos do sucesso reprodutivo de um plantel, o manejo da fêmea de reposição é assunto corriqueiro. É o desempenho da fêmea quando jovem que determina o potencial reprodutivo futuro, ou seja, quanto melhor for o manejo da leitoa e o resultado ao primeiro parto/desmame, melhor será o desempenho subsequente dessa matriz.

Convenientemente, na prática, usamos critérios à primeira cobertura como direcionadores para garantir o máximo desempenho ao primeiro parto. A cobertura na idade e faixa de peso ideal, a não cobertura de leitoas no primeiro cio, o período de no mínimo 15 dias de flushing e o uso adequado das vacinas reprodutivas são alguns dos pontos que tratamos como inegociáveis. No entanto, ainda assim, o resultado reprodutivo alcançado pelas granjas é bastante variável.

Isso nos leva a seguinte pergunta: o que leva uma granja a produzir na média 18 nascidos totais ao primeiro parto, ou então, por que granjas de mesmo potencial genético têm resultados ao primeiro parto tão divergentes?

Quando analisamos a distribuição de leitões nascidos no primeiro parto de um número expressivo de fêmeas (gráfico e tabelas), identificamos uma menor variabilidade (CV) na distribuição de nascidos em granjas com excelente desempenho reprodutivo. Ou seja, aquela leitoa que tem menos de 12 leitões nascidos ao primeiro parto é figura menos presente do que tradicionalmente acontece em granjas de desempenho inferior.

Quando correlacionamos esse resultado com o check-list de preparação da leitoa, o qual avalia 15 itens de manejo durante a fase de preparação da leitoa até a primeira cobertura, vemos que há uma relação direta, ou seja, a excelência no desempenho ao primeiro parto é alcançada e determinada pela qualidade no manejo de preparação. Nesse contexto, sabemos que há pontos que impactam mais o resultado reprodutivo e outros menos, entretanto, o que realmente impacta o desempenho geral é a capacidade que a granja possui de cumprir os critérios para 100% das leitoas que vão para a linha de cobertura. Na prática vemos que isso é falho e geralmente aquela fêmea que teve um número de nascidos que impacta negativamente a média, é uma fêmea que pulou alguma das etapas e por isso teve o seu desempenho impactado.

 

Além de respeitar os parâmetros para a primeira cobertura determinados pela genética, existem outros manejos adicionais que têm melhorado o desempenho no campo. Um desses manejos é o protocolo de indução a puberdade realizado 100% em alojamento individualizado, em substituição ao manejo realizado na baia ou com uso do centro erótico. Oposto ao que é preconizado na literatura, de que a taxa de sucesso é superior quando alojamos os animais em grupos de até 15 animais, o manejo com a leitoa alojada individualmente nos traz a garantia de que a interação focinho/focinho rufião-leitoa ocorra com maior eficiência. Além disso, temos uma maior garantia de que estamos realizando o manejo adequado em 100% das leitoas. Outros pontos que observamos na prática que corroboram com esse manejo individualizado são:

  • Maior precisão no manejo alimentar
  • Melhor padronização do escore de condição visual (ECV) e peso à cobertura;
  • Garantia do “efeito flushing” através do aporte superior de energia 15-21 dias pré-cobertura para 100% das leitoas
  • Melhoria na avaliação clínica diária das leitoas
  • Identificação rápida de leitoas doentes
  • Diminuição de problemas locomotores ocasionados pela monta do rufião em leitoas em cio
  • Aumento da taxa de retenção de leitoas
  • Diminuição dos problemas de corrimento e locomotores
  • Diminuição das taxas de Retorno ao Cio (RC), devido a melhor condição ambiental no momento do estímulo a puberdade e melhor adaptação ao ambiente individual no momento da cobertura

A seguir vemos evolução do resultado reprodutivo após adoção dessa estratégia em uma mesma granja comercial brasileira.

Outro ponto que devemos levar em consideração na preparação de leitoas é o flushing. Embora pesquisas recentes apontem para uma perda de efeito do flushing sobre a reprodução, resultados de campo têm demonstrado impacto positivo sobre o desempenho ao primeiro parto de acordo com o manejo alimentar utilizado no flushing e na fase que antecede ao flushing, denominado de pré-flushing.

Quando realizamos o flushing em fêmeas que são alimentadas de forma à vontade ao longo de toda recria e preparação, de fato podemos ter um efeito reduzido, uma vez que não conseguimos o “choque energético” que o flushing deve proporcionar. No entanto, quando alimentamos as leitoas de acordo com o esquema abaixo, vemos um incremento no número de nascidos. Isso ocorre porque na fase de pré-flushing as fêmeas são submetidas a um volume de ração abaixo do que vinha sendo fornecido na fase de preparação e mais baixo ainda em relação ao que será fornecido no flushing. É importante salientar que mais importante que o volume de ração fornecido, é a realização dessa transição de volume de ração em cada uma das fases que antecedem a inseminação.

Por fim, contrariando a ampla maioria das recomendações para a matriz a ser utilizada como mãe de leite, tem-se visto impacto positivo sobre o número de leitões nascidos e sobre a longevidade quando utilizamos a primípara como mãe de leite.

Quando analisamos a lactação de uma primípara, vemos um cenário de catabolismo, ou seja, a demanda energética para mantença e produção de leite é superior à capacidade de ingestão. O resultado disso é a perda de peso com consequente impacto negativo no ciclo seguinte. Usando a primípara como mãe de leite, temos num primeiro momento, a impressão de que esse catabolismo irá se exacerbar, uma vez que o período lactacional será estendido, piorando ainda mais o cenário para o ciclo seguinte. No entanto, na prática a fêmea tem seu pico de perda de peso na segunda semana de lactação e a partir dali, consegue equilibrar a demanda de energia com o seu potencial de consumo. Com isso, há a manutenção com consequente recuperação de peso e escore corporal nas semanas em que a fêmea fica lactando como mãe de leite, contribuindo para um desempenho subsequente favorável.

Além disso, o maior intervalo entre o parto e a nova concepção da gestação confere à leitoa um ambiente uterino mais propício à fixação embrionária e, consequentemente, maior número de leitões nascidos no parto subsequente:

Falar do manejo da fêmea jovem é sempre pertinente, uma vez que o desempenho até o final da primeira lactação segue sendo o principal direcionador de potencial produtivo do plantel. Vamos agregando pesquisas, ajustando manejos e compartilhando experiências porque quanto mais excelência tivermos nessa fase, mais produtividade no sistema teremos, sempre lembrando que o sucesso nessa fase é determinado pela constância na realização dos manejos para 100% das fêmeas.

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Fonte: Equipe de Serviços Técnicos da DNA South America
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Suínos / Peixes Doenças consideradas multifatoriais

Os impactos das doenças respiratórias na suinocultura

Dentre as afecções respiratórias dos suínos que mais causam prejuízos ao produtor, podemos destacar, a Pleuropneumonia Suína (PPS) e a Pneumonia Enzoótica (PES).

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As doenças respiratórias representam um desafio significativo para a suinocultura, pois impactam o desempenho produtivo dos animais e, consequentemente, a lucratividade das granjas. O surgimento dessas enfermidades engloba a ação de agentes bacterianos ou virais, distintas condições de ambiência e práticas de manejo. Estas doenças, consideradas multifatoriais, comprometem os animais de maneira geral, impactam o bem-estar e interferem negativamente no índice produtivo da granja, seja pela redução no ganho de peso dos animais, pelo alto índice de mortalidade ou pela condenação das carcaças no abate.

Dentre as afecções respiratórias dos suínos que mais causam prejuízos ao produtor, podemos destacar, a Pleuropneumonia Suína (PPS) e a Pneumonia Enzoótica (PES). Os impactos econômicos dessas enfermidades estão associados à sua morbidade e o incremento da mortalidade no plantel.

Pleuropneumonia suína

A Pleuropneumonia Suína, causada pela bactéria Actinobacillus pleuropneumoniae (APP), acomete suínos de todas as idades, com leitões de até 100 dias de vida sendo mais vulneráveis. Sua importância mundial não se deve apenas ao fato de ser uma doença com elevado índice de mortalidade, mas pelo alto impacto na produção animal, gerando altos custos com tratamentos e profilaxia, além de retardar e até mesmo limitar o ganho de peso dos animais. Outro fator relevante é o aumento do descarte de carcaça ao abate devido às lesões pulmonares oriundas de infecções crônicas.

A transmissão do agente infeccioso acontece pelo contato direto dos animais sadios com secreções respiratórias de animais infectados e pela dissipação de aerossóis a curtas distâncias. A bactéria é capaz de permanecer no ambiente por alguns dias se estiver protegida por material orgânico, como muco ou fezes, por isso a limpeza e desinfecção das baias e dos instrumentos utilizados na granja são de suma importância.

As manifestações clínicas da doença e seu desenvolvimento dependem de uma combinação de fatores, desde a virulência da cepa causadora, a suscetibilidade imunológica dos animais, estresse e concentração de indivíduos do lote, infecções concomitantes, manejo sanitário e as condições ambientais do confinamento.

A característica principal da doença é uma broncopneumonia fibrino-hemorrágica e necrosante, podendo evoluir para pleurite adesiva com formação de nódulos. Na forma aguda e hiperaguda os animais apresentam febre, anorexia, tosse ou vômitos e em alguns casos morte súbita. Em situações de surto epidemiológico em granjas, a morbidade pode exceder 50% dos animais, com mortalidade variando entre 1 e 10%.

Manifestações crônicas da doença podem ocorrer após a recuperação de um quadro agudo, com o animal apresentando tosse esporádica, baixo desempenho e registros de condenação dos pulmões e carcaça por aderência da pleura ao abate. Muitas vezes os indivíduos com quadros crônicos são portadores assintomáticos do APP e fontes de infecção para os outros animais do lote, sendo assim a principal fonte de contaminação das granjas. Vacinas comerciais contendo antígenos do A. pleuropneumoniae têm demonstrado reduzir a gravidade da doença e a disseminação do patógeno em rebanhos suínos.

Pneumonia enzoótica suína

Já a Pneumonia Enzoótica Suína é uma doença altamente contagiosa, mas com baixo índice de mortalidade e que apresenta grande incidência nas granjas brasileiras, sendo considerada uma doença de difícil erradicação. Causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae, ela é responsável por comprometer a imunidade respiratória do animal e favorecer infecções oportunistas.
O M. hyopneumoniae adere ao epitélio ciliado da traqueia, brônquios e bronquíolos, destruindo o principal mecanismo de defesa inespecífico do trato respiratório dos suínos, deixando-os suscetíveis a patógenos secundários de forma permanente. O micoplasma se dissemina de forma rápida em ambientes que apresentam condições favoráveis, e afetam principalmente animais na fase de crescimento e terminação, sendo beneficiado pela alta concentração de animais, higiene pouco eficaz e instalações com ventilação inadequada.

Assim como a Pps, a transmissão da Pes ocorre por contato direto com outros animais acometidos, por fômites e por aerossóis eliminados durante as crises de tosse, logo, as variáveis ambientais e as relacionadas ao manejo sanitário da granja são fatores que podem facilitar a sua proliferação.

A principal característica da Pes é a broncopneumonia catarral, que se manifesta clinicamente por tosse seca e atraso no crescimento dos animais. As perdas econômicas relacionadas à doença são decorrentes da queda de produtividade que, dependendo da gravidade das lesões e infecções secundárias do lote, pode reduzir em até 30% o ganho de peso do animal.
O controle da PES engloba a imunização dos animais associada à adoção de medidas de biossegurança, como controle de densidade populacional e boa ventilação, ações que são fundamentais para prevenir a disseminação do patógeno.

Prevenção e controle

As doenças infectocontagiosas, como é o caso das doenças respiratórias, podem ser prevenidas e controladas de maneira eficaz através de um manejo sanitário rigoroso e adequado, incluindo, além das medidas ambientais, vazio sanitário e quarentena dos novos animais inseridos ao plantel, a vacinação dos animais da granja.

Contra a Pleuropneumonia Suína, a imunização com vacina inativada contra o Actinobacillus pleuropneumoniae é altamente vantajosa, pois, por ter em sua formulação agentes imunizantes contra os sorotipos de APP e suas toxinas das cepas causadoras da doença, o imunizante promove uma proteção cruzada contra todos os sorotipos conhecidos da bactéria Actinobacillus pleuropneumoniae, entregando ao produtor a excelente combinação de alta eficácia e máxima segurança, sem apresentar nenhuma reação pós-vacinal específica nos animais.
Numerosos estudos de campo já comprovaram que granjas vacinadas com essa solução apresentam índices significativos na redução de lesões pulmonares associadas à doença e melhoras relevantes nos índices produtivos, principalmente quando associada ao bom manejo sanitário.

Para a prevenção da Pneumonia Enzoótica Suína e da Circovirose, a proteção dos suínos através da vacinação na terceira semana de vida do animal confere uma proteção robusta contra o agente causador da enfermidade. A vacinação feita com cepa específica promove uma resposta imunológica mais efetiva e como consequência melhora nos índices produtivos.
Os investimentos visando melhoria dos resultados e sanidade do plantel são imprescindíveis para o controle e combate a essas enfermidades respiratórias, que dificultam no mundo todo a excelência da produtividade e competitividade do setor suinícola. Desta forma é possível garantir a sustentabilidade e o crescimento da suinocultura para um futuro ainda mais promissor. As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: gisele@assiscomunicacoes.com.br.

Fonte: Assessoria Equipe técnica da Ceva
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