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Especialista dá dicas para água e outras abordagens simples que reforçam a imunidade dos suínos

A suinocultura opera como uma cadeia integrada, em que cada elo influencia o próximo. Essa compreensão é essencial para garantir que a imunidade dos suínos seja construída de forma eficaz desde o início, reduzindo assim o risco de condenações no abate.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

“A imunidade é algo muito simples, não tem porquê dificultar”. É o que diz o médico-veterinário e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luiz Felipe Caron. “Imunidade é uma palavra que remete a tanta coisa, tem a ver com diferentes situações, que costumo dividir em três momentos. São aqueles três P’s que a gente tanto trabalha, que são as pessoas, os processos e os produtos”, sintetiza.

Médico-veterinário e professor da UFPR, Luiz Felipe Caron expressa otimismo em relação à evolução na criação de suínos e incentiva investimentos em medidas simples e eficazes – Foto: Francieli Baumgarten

O tema foi abordado durante palestra de Caron no Encontro Regional da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves) 2024, realizado em Toledo, no Paraná. “Acredito essencialmente que o que nos trouxe até aqui, pensando na produção de suíno agora, ou há dois, três anos atrás, não é o que vai nos levar daqui para frente, por vários motivos. E a imunidade é um eixo fundamental. Por que não é o que vai nos levar daqui para frente? Porque existem outras exigências, existem outras situações de consumidor. Existem outras pressões emergentes e reemergentes, e isso vai ter que trazer novos processos no sistema de produção, com produtos que nós não vamos mais poder usar, ou vamos ter que aprender a usar, desde que as pessoas melhorem”, pondera Caron.

Ele complementa: “Daqui pra frente a gente vai ter que se reinventar enquanto acessar essas informações e colocar elas na prática. Porque para colocar elas na prática amanhã, basta a gente respeitar o tripé que cobra da imunidade aquilo que é o ambiente que o animal vive. Aquilo que é a nutrição que o animal recebe e, finalmente, a parte simples, que são os produtos aditivos, vacinas, antibióticos, que vamos ou não usar. Tudo isso, quando misturamos, podemos entender por que o sistema imune vai ter prioridade sempre durante infecções em períodos críticos”.

O professor destaca a importância de investir na construção de barreiras físicas eficientes para fortalecer o sistema imunológico dos suínos. “Para fazer com que barreiras físicas sejam construídas da melhor forma e, depois delas, o compartimento do sistema imune possa gerar a imunidade fundamental, para que então possa se pensar em aplicar vacinas, usar essas células e, inclusive, a reprodutora transferir para a progênie, é necessário que se tenha uma escala, uma hierarquia de atenção”.

Ao abordar esses cuidados com os animais, o palestrante ressalta a importância de questionar o custo-benefício de cada medida adotada, desde a gestação até o abate. “Temos que ver como isso é passado. Não só para nós, porque trabalhamos com o produtor, com o peão, o extensionista e, também, com o diretor da empresa, com o presidente, que é quem tem que acreditar nisso. Acreditar nisso significa questionar como é que nos apropriamos do custo-benefício” relata.

Foto: Jonathan Campos

O professor acentua que, para melhorar a imunidade das doenças respiratórias é preciso responder três perguntas. “Devemos nos perguntar se isso é viável, é efetivo e tem custo-benefício. Se a resposta é sim para as três, se é viável, dá para fazer, é efetivo e se paga, é a primeira coisa”, frisa. Para Caron, a educação continuada é essencial e “faz parte da imunidade, porque são as pessoas que constroem aquilo que, lá no final, como produto, vai trazer resultado dessa construção”.

Microbiota

O médico-veterinário evidencia a relevância da microbiota intestinal e respiratória na saúde e desempenho dos suínos, enfatizando também a necessidade de um ambiente propício para o desenvolvimento dessas microbiotas. “Se fala muito de microbiota hoje e todo mundo acessa e busca entender o que é a microbiota intestinal. Naturalmente, o intestino é o maior órgão do sistema imune, então como maior órgão do sistema imune, se fala muito de imunidade para desempenho, além da saúde, porque é no intestino que ocorrem as interações, é nele que ocorre a quebra de nutrientes, a digestão, a absorção e tudo que leva a desempenho”. Ressalta ainda, que a saúde também depende desse fator. “E saúde é essa relação perfeita de quem pode ganhar 5 ou 6 gramas por hora e consegue ganhar 5 ou 6 gramas por hora, e tem um relógio bem regulado em todos os seus compartimentos”, salienta Caron.

“A microbiota respiratória também tem a ver com saúde e tem a ver com desempenho. E essa é a parte legal”, amplia o profissional. O palestrante faz uma correlação entre o comportamento humano e a saúde dos animais, citando o impacto positivo do isolamento durante a pandemia na redução de surtos de doenças respiratórias na suinocultura. “Se pararmos para pensar em nós, tivemos um histórico muito recente de doença respiratória humana. A parte boa é que a gente sabe que o bem-estar, a capacidade de desempenhar qualquer coisa, depende desse equilíbrio perfeito do sistema respiratório”, acrescenta.

Cadeia integrada

A importância de construir essa imunidade desde os estágios iniciais da criação, antes mesmo que os suínos cheguem ao abatedouro, fica clara nas palavras de Caron. “Imunidade,

Fotos: Shutterstock

para mim, é construir isso antes que, lá no abatedouro, haja um preço caro sendo pago”. Para ele, é essencial compreender que o abate é apenas o último elo de uma longa cadeia de produção. Desde a gestação e creche, cada fase influencia diretamente o resultado final no abatedouro. Ele especifica ainda que, independentemente das ideias ou estratégias adotadas durante o processo, é o abatedouro que, no fim das contas, determina o que é viável. “São eles que vendem, são eles que monitoram como que isso está fazendo para, na rastreabilidade, conseguir provar para mim mesmo que, antes da gestação, antes do parto, aquilo que está acontecendo lá na leitegada, dentro do útero da porca, diz como é que foi a condenação do abate”, complementa.

O especialista enfatiza que a suinocultura opera como uma cadeia integrada, em que cada elo influencia o próximo. Essa compreensão é essencial para garantir que a imunidade dos suínos seja construída de forma eficaz desde o início, reduzindo assim o risco de condenações no abate. “O sistema de integração já nos ajuda nisso, pois entendemos o que é cadeia. Nesse sentido, entender o sistema respiratório é muito mais simples do que imaginamos, pois temos que escolher o lugar para começar”, diz.

Segundo o professor, investir na imunidade dos suínos antes do abate não é apenas uma questão de garantir a qualidade da carne, mas também de assegurar a sustentabilidade e rentabilidade de toda a cadeia produtiva. “É um compromisso com a saúde dos animais, a segurança alimentar e o sucesso a longo prazo da indústria suinícola. Nesse investimento, nessa escolha para saber onde vamos colocar a nossa reação e isso está interligado com algo muito maior, a biosseguridade, que é fundamental”, orienta.

Imunidade respiratória

Caron divide o sistema de imunidade respiratória em duas partes distintas: “do nariz para dentro e do nariz para fora. Do nariz para dentro é a parte simples, pois todo mundo sabe que basta melhorar algum tipo de situação, que aquilo começa a trazer uma reação. E do nariz para fora é tudo o que podemos fazer em termos de estrutura, de conceito e de operação. Quando se reforçam esses três pilares, a imunidade começa a melhorar, pois do nariz para fora começamos a criar um ambiente melhor, que cobrará menos dessa condição”, cita.

Um exemplo contundente destacado pelo professor é a incidência de surtos de influenza, uma preocupação constante na suinocultura. “Eu já vi, mais uma vez, surto de influenza matando 80%, situação assustadora. O México, num momento recente, nos mostrou o que aconteceu, lembrando que em 2019 houve uma presença significativa de surtos de influenza na região, mas em 2020 e 2021 esses surtos desapareceram. “Em 2021 não tinha influenza, e o que aconteceu nesse período foi a pandemia. Com a pandemia houve isolamento, visita só ocorria se fosse necessário, nada de ficar compartilhando coisas. A hora que o ser humano parou de se comportar de forma inadequada, o suíno ficou legal porque a gente começou a respeitar as barreiras.

O professor Caron aponta ainda a importância do muco como “palavra-chave” na luta contra doenças respiratórias que afetam os animais. Ele revela que entender a dinâmica da infecção respiratória é essencial para mitigar seus impactos na produção suína. “A interação desse vírus começa a multiplicar e, a partir de então, se liberam novos vírus. Vai se soltando do muco e da traqueia, infecta o sistema e vai para outros animais. Um quadro simples que diz, se o animal não consegue reagir, o vírus ou a bactéria multiplica no sistema respiratório. E tudo que transmite via sistema respiratório tem alta morbidade”.

Importância da água

Ao explicar porque o muco é tão essencial, Caron descreve que ele é composto, principalmente, de água e atua como uma barreira protetora contra vírus e bactérias. “Se imaginarmos que um processo respiratório, seja vírus ou bactéria, vai entrar por essa porta de entrada, depois o nariz, que tem que encontrar a traqueia e o pulmão cheio de muco, o intestino não é diferente. E isso é composto de água. Muco é composto basicamente de água”, acentua.  Investir na qualidade da água é essencial para garantir a produção de muco eficaz, reduzindo assim, a suscetibilidade dos animais a infecções respiratórias. “Então, se a gente não investir na água, não tem muco de qualidade. E se não tem muco de qualidade, algumas coisas vão cobrar um preço diferente. E quanto melhor o muco, chegamos ao ponto que não há mais ação do vírus”, aponta o professor.

Ele indaga por que, apesar da simplicidade da medida, muitas pessoas negligenciam a importância da hidratação na prevenção de doenças respiratórias. “Um exemplo, sabemos quando vamos pegar gripe e dou uma dica, tome água. Beba três, quatro litros por dia, não há vírus que aguente. Não tem vírus que consiga absorver no sistema respiratório, simplesmente não tem. Eu acho tão simples e por que as pessoas não fazem isso?”.

“Para fazer o animal estar bem e ganhar peso, eu tenho que investir nesse muco”, afirma Caron, enfatizando a importância de proporcionar um ambiente propício para que os suínos assimilem os nutrientes necessários. Ele ressalta a existência de faixas de temperatura de conforto e a relação direta entre a temperatura da água e o consumo pelos animais. De acordo com Caron, a água em temperaturas elevadas pode deter o consumo, enquanto a água mais fria estimula o consumo de forma significativa, contribuindo para a saúde dos suínos e prevenindo a entrada de vírus. “Se você esfriar a água, ele começa a consumir assustadoramente. Dessa forma não tem vírus que entre. Eu garanto”.

Os primeiros investimentos sugeridos por Caron visam melhorar a ambiência e a qualidade da água na criação de suínos. Como exemplo, ele cita: cobrir a caixa d’água com sombrite, enterrar os canos e envolvê-los com fibra de vidro, além de pintar a caixa d’água de branco. Para ele, essas são medidas simples que podem fazer grande diferença no resultado final.

A água, segundo o especialista, desempenha um papel crucial no funcionamento do aparelho urinário dos suínos, agindo como uma barreira contra vírus e contribuindo para a melhoria do ambiente como um todo. “A importância da água para o aparelho urinário, e aí está um grande segredo, é criarmos barreira, o vírus não invade, se não invade, não se multiplica, se não se multiplica, não sai, se não sai, o ambiente começa a melhorar”.

Além disso, o professor Caron fala da importância de monitorar de perto o consumo de água pelos leitões nas primeiras semanas de vida, ressaltando que muitas vezes esse período inicial pode demandar um investimento significativo em termos de acesso à água.

Coisas simples

Contudo, Luiz Felipe Caron expressa otimismo em relação à evolução na criação de suínos e incentiva investimentos em medidas simples e eficazes. “Vamos investir em coisa simples, que a gente não erra. Estamos evoluindo, sem sombra de dúvida. Muitos já se posicionaram na evolução, inclusive, sabem onde é que estão. A gente está melhorando e vai melhorar cada dia mais”, concluiu o especialista.

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Fonte: O Presente Rural

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Piauí decreta emergência zoossanitária para prevenção da peste suína clássica

Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

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Foto: Ari Dias/AEN

O governador Rafael Fonteles decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território do Piauí, para prevenção e controle da Peste Suína Clássica (PSC). A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na terça-feira (06), e tem validade de 180 dias. Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

O decreto foi motivado pela confirmação de um foco da doença no município de Porto. A decisão considera laudos do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, vinculado ao Ministério da Agricultura, que confirmaram a ocorrência do vírus.

Ao justificar a medida, o documento destaca a necessidade de resposta imediata para evitar a disseminação da doença. “A movimentação de animais e de produtos de risco deverá observar normas e procedimentos estabelecidos pela equipe técnica, com vistas à contenção e à eliminação do agente viral”, diz o texto publicado no DOE.

O trânsito de animais só poderá ocorrer conforme normas definidas pela equipe técnica responsável pelas operações de campo, com foco na contenção e eliminação do agente viral.

O decreto também autoriza a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi) a expedir diretrizes sanitárias, adotar manejo integrado da doença e utilizar produtos já registrados no país, além de seguir recomendações técnicas de pesquisas nacionais.

Cabe ainda à Adapi a aquisição dos insumos necessários às ações de prevenção, controle e erradicação da PSC durante o período de emergência.

Fonte: Assessoria Governo do Piauí
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Exportações de carne suína batem recorde em 2025 e Brasil deve superar Canadá

Embarques somam 1,51 milhão de toneladas no ano, com alta de 11,9%, e colocam o Brasil como provável terceiro maior exportador mundial. Filipinas assumem liderança entre os destinos.

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Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram os embarques brasileiros de carne suína totalizaram 1,510 milhão de toneladas ao longo de 2025 (recorde histórico para as exportações do setor), volume 11,6% superior ao registrado em 2024, com 1,352 milhão de toneladas. Com isto, o Brasil deverá superar o Canadá, assumindo o terceiro lugar entre os maiores exportadores mundiais de carne suína.

Foto: Shutterstock

O resultado anual foi influenciado positivamente pelo bom desempenho registrado no mês de dezembro, com os embarques de 137,8 mil toneladas de carne suína, volume 25,8% superior ao registrado em dezembro de 2024, quando os embarques somaram 109,5 mil toneladas.

Em receita, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram US$ 3,619 bilhões em 2025, número 19,3% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 3,033 bilhões. Apenas em dezembro, a receita somou US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 258,4 milhões.

Principal destino da carne suína brasileira em 2025, as Filipinas importaram 392,9 mil toneladas, crescimento de 54,5% em relação a 2024.

Em seguida aparecem China, com 159,2 mil toneladas (-33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%). “Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores. Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025

Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

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Foto: Divulgação

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.

Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.

Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.

Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.

No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.

De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.

“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.

Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.

“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.

Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.

Fonte: Assessoria Acrismat
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