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Especialista dá detalhes do potencial do agronegócio brasileiro no mercado internacional

O país é um grande produtor de proteína animal, sendo o maior exportador mundial de carne bovina e de aves e o terceiro maior de carne suína.

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Arquivo/OP Rural

O Brasil é um grande produtor de proteína animal, sendo o maior exportador mundial de carne bovina e de aves e o terceiro maior de carne suína. Se não fosse a nutrição animal, leitor e leitora, talvez o país não teria chegado ao estágio de grande competitividade e presença internacional, cenário que fez o Brasil conquistar posições importantes sobre concorrentes como Estados Unidos e Austrália (gado de corte), Tailândia (carne de frango) e hoje competindo com a carne suína na Europa e em outras regiões. Essa fatia do mercado é consolidada através da existência de um sistema muito sofisticado de arraçoamento de animais, desde a produção de soja, milho e outras commodities, passando por tudo que tem hoje de tecnologia de última geração em nutrição, aditivos e produtos que fazem com que consigamos ter índices excelentes de produtividade e de conversão alimentar.

O potencial do agronegócio brasileiro no mercado internacional dentro do contexto da pandemia do coronavírus foi apresentado durante a 32ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), realizada em formato on-line, pelo engenheiro agrônomo e coordenador do Centro Insper Agro Global, Marcos Sawaya Jank. Com mais de 35 anos de experiência no agronegócio global e de grandes mercados, Jank trouxe uma visão detalhada do ciclo de alta de preços que o setor experimenta e dos impactos que isso causa na dinâmica das exportações brasileiras, aliado ao desempenho e perspectivas das proteínas animais, além de mencionar alguns desafios importantes que o Brasil tem em termos de imagem e de valor adicionado, entre outros, de produtos e de sanidade.

Com a pandemia da Covid-19 ficou ainda mais em evidência no mercado de produção animal a importância da segurança do alimento ou “Food Safety”, que engloba práticas de manipulação para garantir a qualidade do alimento, desde a produção até o consumo. “Vivemos uma época muito desafiadora nesta área, numa nova geopolítica que se instala pelo mundo com uma guerra comercial e hegemônica entre Estados Unidos e China, a questão das grandes negociações internacionais feitas na Conferência do Clima, principalmente na construção do mercado de carbono e dos compromissos assumidos pelos países, do posicionamento do uso da terra, então temos muitos desafios. É um tempo bastante turbulento, polarizado e muito importante para olharmos o que está acontecendo no agronegócio”, pontua.

Conforme o especialista em agro, o volume muito baixo de estoques mundiais está gerando um comportamento de bastante volatilidade de preços, o que aponta para um novo ciclo de alta, similar ao vivido na década de 70, quando o choque do petróleo levou a maior alta de commodities, e entre 2007 e 2014, quando houve dois picos de alta de preços de alimentos em razão da quebra de safras muito importantes no mundo, conforme ilustrado no gráfico 1.

E hoje, ainda em meio a pandemia, vivenciamos um novo ciclo de alta que deriva essencialmente de uma demanda muito firme na Ásia por produtos brasileiros e particularmente na China, a qual não foi acompanhada pela produção, porque houve o rompimento de cadeias produtivas em virtude das restrições impostas pela pandemia. “O Brasil se beneficiou dessa demanda principalmente pelo fato da nossa estrutura exportadora funcionar muito bem, obviamente tivemos também ajuda da taxa de câmbio. A desvalorização cambial aqui no Brasil gerou um aumento em reais de commodities, inclusive um desbalanço de preço entre grãos e carnes, por exemplo. O fato é que estamos realmente em um movimento de alta e não sabemos quanto tempo que ele vai perdurar. O último ciclo durou em torno de seis anos, mas esse aqui eu acho que vai ser mais curto”, pondera.

Em contrapartida, o Brasil está investindo no segmento de infraestrutura logística em transporte ferroviário e hidroviário focadas em exportação, principalmente de grãos. “Isso é muito importante para quem mexe com proteína animal, porque na medida que a logística de exportação melhora para o grão, pode gerar falta de commodities no mercado interno, então hoje é muito mais fácil importar soja e milho do que era, mas acaba faltando esse produto principalmente na região Sul. Esse ano assistimos a uma importação importante de milho vindo dos países vizinhos, então essa questão interna da logística não está resolvida, o que está avançando muito é a logística exportadora, principalmente do Centro-Oeste para os portos do Norte e os portos do Sudeste”, expõe.

A alta de preços se deu em razão da grande demanda por grãos, que teve uma elevação acima da média comparado com outros produtos, que também seguiram o movimento de alta do mercado. Aqui no Brasil, os aumentos foram mais acentuados na carne bovina, produto que apresentou maior alta, puxado pela demanda chinesa, em contrapartida essa alta demanda fez com que a carne de frango também ficasse mais cara no mercado interno, conforme ilustrado no gráfico 2.

No entanto, o que mais preocupa quem está no segmento nutrição animal, segundo Jank, é a subida dos preços de grãos como soja e milho. “Teve uma alta importante, temos a arroba do boi a R$ 300, a soja a R$ 170 e o milho que chegou a R$ 100 a saca, isso obviamente são valores que não estávamos acostumados. E não são apenas nestes produtos, conforme o gráfico 2 aponta, foram também açúcar, algodão, café, ou seja, as principais commodities tiveram aumento de preço. Isso é bom para quem exporta, mas não é tão bom para quem compra commotidies aqui dentro. Percebemos claramente um aumento muito importante no custo da ração em função do aumento do farelo de soja e do milho, então isso gera uma redistribuição de renda”, avalia.

Em contrapartida, no mercado interno, segundo o especialista, os setores de leite e ovos sofreram bastante durante a pandemia porque são produtos sem head cambial, diferente da carne bovina que se beneficiou bastante da demanda chinesa. “Então existe um fenômeno de redistribuição de renda dentro das cadeias produtivas e isso gera ganhadores e perdedores”, menciona.

Como a China produz metade da produção de suínos do mundo, na ordem de 50 milhões de toneladas, a confirmação da PSA em solo chinês fez com que seu rebanho caísse para cerca de 35 milhões de toneladas e isso afetou bastante a rentabilidade da atividade, mas a China conseguiu reagir muito rápido, principalmente mudando o seu modelo produtivo, com a eliminação da produção de fundo de quintal. “E na medida que ela se recupera da peste suína depende menos de carne bovina, que trouxe de certa forma para substituir a carne suína, e é por isso que a gente está vendo a China estender a restrição ao Brasil em vista dos casos suspeitos da vaca louca no país. Eles não voltando a comprar está gerando uma grande crise, é o tal do oportunismo chinês, uma vez que não comprando isso vai se refletir numa queda do preço que eles pagam pela carne bovina, afetando diretamente as nossas exportações”, afirma o coordenador do Insper.

Grãos

Por outro lado, a produção de soja no Brasil foi afetada durante um certo momento pela peste africana, porque teve uma queda do consumo com a perda de rebanho na China e no Sudeste da Ásia, mas que já se recupera e deve superar 100 milhões de toneladas exportadas de soja. “E no milho tivemos um ano complicado, a produção caiu para 86 milhões de toneladas, mas já se recupera e deve terminar esse ano com previsão de crescer ainda mais no futuro. Se esses números estiverem corretos, será uma notícia muito boa para quem cria suínos e aves, que é a recuperação da produção de milho no Brasil, é claro que não dá para falar porque o grosso do milho brasileiro é a segunda safra, que é mais sensível a clima, como aconteceu nessa última safra, então depende muito ainda como as coisas vão se desenrolar no próximo ano”, pondera Jank.

Há uma recuperação muito forte não só da produção de milho, mas também da exportação de milho que pode atingir níveis que nunca foram vistos antes. “E isso é preocupante, porque a China mudou seu modelo produtivo voltado agora para produção comercial e não mais de fundo de quintal, significa que vai consumir muito farelo de soja e milho, aliás a China já está se consolidando como um dos maiores importadores de milho do mundo nos próximos anos, da mesma maneira que já é da soja. Então a pergunta que fica é se o Brasil será exportador de grãos ou se o Brasil será exportador de carne. São coisas bem diferentes e que deveriam estar no centro da estratégia brasileira. Eu acho que dá para fazer as duas coisas, mas eu vejo que é muito mais fácil exportar grão do que exportar rações, farelo ou carnes, inclusive a exportação de carne sofre muito mais restrições do que a exportação de grãos”, pontua.

Oferta e demanda de carnes

Em relação à oferta e demanda brasileira por carne, a produção e a exportação de carne bovina foi a que mais cresceu. Fruto da demanda momentânea da China durante a PSA, a carne suína também apresentou um crescimento na exportação de produtos, diferente da carne de aves, porque o país chinês é autossuficiente neste segmento. A carne bovina ultrapassa a carne de frango em valor de exportação, com mais de US$ 8 bilhões e cerca de US$ 6 bilhões em frango, mas em volume o frango ainda é a principal carne exportada. “Esses dados são bastante interessantes porque mostram uma mudança que vem acontecendo no mix de carnes em favor principalmente da bovina e da suína que foram as grandes beneficiadas da crise da Peste Suína Africana na China, o que faz com que tanto suíno como bovino aumentem o market share da carne na exportação”, destaca.

Conforme o gráfico sobre os preços nominais de produtos agropecuários, a carne de frango representou 30% da produção, mesma porcentagem que a carne suína chegou, enquanto que a bovina chega a mais de 25%, portanto a precificação de bovinos, suínos e aves tem hoje mais relação com o mercado internacional do que tinha antes. Isso é importante porque se tem uma desvalorização cambial que acaba afetando o preço doméstico, porque se 30% é exportado 70% fica aqui dentro, mas acaba havendo uma transferência de preços da exportação para o mercado interno e foi isso que tornou a carne bovina tão cara nos últimos tempos. “A seca, a geada e todos os problemas que afetaram os pastos acabaram levando a uma puxada de preço bastante grande que o consumidor sentiu na carne. E até foi isso que levou a substituição de carne bovina por carne de frango no mercado interno”, diz Jank.

Pontos positivos e negativos

O agronegócio é fundamental para a balança comercial brasileira, estimativas apontam que o agro deve superar US$ 120 bilhões em exportações em 2021. O país é o terceiro maior exportador do mundo em agro e possui o maior superávit comercial do mundo pelo fato de exportar muito e importar pouco, o que gera muitas divisas para o país.

Outro ponto positivo é a produção de grãos do país, que possui alta rentabilidade, com 30% de margem ebtida. “O forte aumento do processo de integração lavoura-pecuária, que nada mais é que a chegada da produção agrícola no pasto, tem impulsionado isso. Somente neste ano estima-se que a integração lavoura-pecuária deverá ultrapassar de 17 milhões de hectares para cerca de 50 milhões de hectares para produção de soja, milho e algodão”, detalha.

Dentre os aspectos negativos estão o risco de inflação e insegurança alimentar, sentido nos últimos tempos bastante pelo consumidor. “Desde o início da pandemia até agora tivemos uma alta generalizada de preços no Brasil, que se refletem na inflação. Para se ter uma ideia a inflação do ano passado foi de 4%, enquanto a inflação do grupo de alimentos foi de 14%”, afirma.

Jank também cita o aumento do preço dos insumos, máquinas e equipamentos, terra e arrendamentos, impacto cruzado do aumento dos preços sobre os usuários de produtos exportados (aves, suínos, aquicultura, leite e ovos), cobertor curto, que faz com que safras de grandes produtores não podem apresentar baixo desenvolvimento se não os preços disparam ainda mais. “Houve um grande desbalanço aqui dentro entre setores que acabaram se beneficiando da demanda internacional e do dólar valorizado e de setores que tiveram aumentos de custo e que tiveram uma perda de margens”, comenta.

Demanda Mundial 

O coordenador do agro global do Insper menciona que as grandes regiões produtoras do mundo são América do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile), América do Norte – apesar dos Estados Unidos serem deficitários em agronegócio, são os maiores exportadores do mundo, Oceania e a região do leste da Europa e do Sul da Rússia que apresenta grande potencial de produção. Por outro lado, existe uma imensa região deficitária, que abrange o leste da Ásia (China e Japão), a Ásia Central, o Oriente Médio, no futuro a Ásia do Sul, além da Índia e da África, que juntas estima-se que até 2050 haja um crescimento populacional para cerca de cinco bilhões de pessoas. “Exatamente por isto que o nosso agronegócio cresce, porque a demanda cresce na China e nos países do Oriente, não mais na Europa e nem nos Estados Unidos. Hoje a gente vende basicamente para países emergentes da África. E isso que explica essa puxada gigantesca da soja e das carnes a partir do ano 2000”, discorre.

É muito importante entender a dinâmica internacional, porque quem vai puxar o agronegócio brasileiro não é o consumidor doméstico. “O agro é o setor mais internacionalizado da economia brasileira e é o setor talvez que tenha mais perspectiva de crescimento no mundo na medida em que a gente vê não só a demanda chinesa, mas também todo o potencial que ainda existe no Oriente Médio, na Índia e no futuro na África”, expõe Jank, acrescentando: “Nosso quadro é olhar para o Oriente para tentar abrir mercado, consolidar nossa posição competitiva naquela região e isso acaba puxando todo desenvolvimento da nossa indústria integrada de soja, milho e carne”.

Em relação ao consumo per capita de carne, as regiões que consomem perto ou acima de 100 kg de carne por habitante/ano são os países ricos – Estados Unidos, Europa e Austrália, e os países onde a carne é muito competitiva, como Brasil e Argentina. Já na África e no Sul da Ásia o consumo está abaixo de 20 kg. “São regiões com grande potencial de aumento de consumo. O consumo de carne nos países emergentes vai subir e muito, estive nessas regiões todas e as pessoas estão ansiosas para poder passar de um bife por semana para um bife a cada dois dias, porque elas não têm acesso a proteína. Existe um déficit proteico profundo nessas regiões e principalmente a comida é inacessível”, explica Jank.

Atualmente, a China saiu de US$ 1 bilhão para US$ 40 bilhões em exportações, com crescimento de outros países como no Sudeste da Ásia e uma queda da Europa, que nos anos 2000 comprova cerca de 70% da soja e da carne bovina, 40% do frango e agora perdeu a importância, consome 16% da exportação. “E vai ser cada vez menor porque já são mercados maduros, o consumidor não está aumentando o consumo, ao contrário, está reduzindo e buscando alternativas. Estão focados em produção doméstica, voltada para produtos orgânicos, carne vegetal e o não uso de promotores de crescimento ou de defensivos, é um modelo diferente, mas que custa mais caro, então nosso consumidor não será o europeu, mas sim o asiático”, afirma.

Neste contexto, Jank diz que a presença brasileira deve ser intensificada na Ásia, que está cada vez mais ganhando importância, representando hoje 80% das vendas de suíno, 70% do bovino e 50% do frango, conforme gráfico 3. “A Ásia é o nosso porto de destino e particularmente a China, que hoje é 60% urbana, com mais de 200 milhões de chineses saindo do campo para a cidade nesses últimos anos e por isso, no período entre 2000 a 2020 se tornou o principal destino do nosso agro”.

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Março inicia com preços recordes para bezerros no Centro-Oeste, segundo Cepea

Demanda dos pecuaristas e sazonalidade da reposição mantêm os valores em patamares elevados.

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Foto: Eduardo Rocha

Os preços dos animais para reposição (bezerro nelore, de 8 a 12 meses) estão em movimento de alta desde o final de 2025. Neste início de ano, o animal é negociado acima de R$ 3.000/cabeça na maior parte das 28 regiões acompanhadas pelo Cepea.

Em Mato Grosso do Sul, o bezerro foi comercializado em fevereiro à média de R$ 3.158,74/cabeça (Indicador CEPEA/ESALQ), a maior, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IGP-DI), desde dezembro de 2021. Neste começo de março, o bezerro segue em valorização, com a média da parcial do mês a R$ 3.236,30.

Em um ano, o preço do animal de reposição sul-mato-grossense subiu pouco mais de 20%. Pesquisadores do Cepea apontam que a valorização é influenciada pela menor oferta de machos e pela demanda mais aquecida.

Ressalta-se que, sazonalmente, os meses de março e maio são os que apresentam os maiores patamares de preços de reposição, uma vez que os terminadores demandam mais bezerros para repor os bois gordos que saem de suas fazendas neste período do ano.

Pelo lado da demanda, a forte procura dos frigoríficos por novos lotes de boi gordo para abate, especialmente para atender à exportação, mantém os pecuaristas terminadores ativos nas aquisições de novos lotes de bezerro e de boi magro.

Fonte: Assessoria Cepea
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Setor leiteiro aposta em plano de incentivo à exportação de lácteos

Aliança Láctea Sul Brasileira projeta a necessidade de superar gargalos para ampliar a competitividade do leite nacional.

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Foto: Divulgação/OP Rural

Nos próximos anos, as entidades que fazem parte da Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB) vão colocar em prática o Plano de Incentivos à Exportação de Lácteos, apresentado na terça-feira (03), em Curitiba. A proposta busca estruturar a capacidade exportadora da região Sul, ampliar a inserção internacional e reduzir a vulnerabilidade da cadeia às oscilações do mercado interno. A Aliança Láctea Sul Brasileira é constituída como fórum público-privado, com o objetivo de harmonizar o ambiente produtivo, industrial e comercial dos estados da região, buscando consolidar um bloco fornecedor de leite e derivados com padrões semelhantes de qualidade para os mercados interno e externo.

Atualmente, as exportações de lácteos representam apenas 0,34% da produção nacional, enquanto 8% do leite consumido no país são importados de países do Mercosul, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cenário evidencia a dependência do mercado interno e reforça a necessidade de diversificação de destinos como forma de dar maior estabilidade à produção, especialmente em momentos de desequilíbrio entre oferta e demanda, quando a disputa por espaço no mercado doméstico pressiona preços e margens.

Presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette

Presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette: “No âmbito do Sistema Faep, em colaboração com as entidades do setor, pretendemos impulsionar as exportações do setor lácteo”

“No âmbito do Sistema Faep, em colaboração com as entidades do setor, pretendemos impulsionar as exportações do setor lácteo. Trabalharemos em conjunto, de forma coordenada e estratégica, para aumentar esse fluxo”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O objetivo é estruturar, ampliar e consolidar a capacidade exportadora da cadeia láctea da região Sul do Brasil até 2030. A proposta prevê a formação de polos produtivos, melhorias na competitividade, investimentos industriais e ações de acesso a mercado, com a meta de ampliar o volume exportado e reduzir a volatilidade de preços do leite, além da vulnerabilidade às importações.

Para o consultor da ALSB, Airton Spies, tornar a região Sul exportadora é uma estratégia que beneficia todo o país. Atualmente, os três Estados respondem por 43% da produção brasileira de leite.

Para o consultor da ALSB, Airton Spies (à esquerda), tornar a região Sul exportadora é uma estratégia que beneficia todo o país

Para o consultor da ALSB, Airton Spies (à esquerda), tornar a região Sul exportadora é uma estratégia que beneficia todo o país: “Se o Sul se tornar exportador, tira pressão do mercado interno. Quando há exportação, abre-se espaço”

“Se o Sul se tornar exportador, tira pressão do mercado interno. Quando há exportação, abre-se espaço. O próprio país deveria se interessar pela estratégia exportadora da Aliança Láctea, porque é importante para o Brasil”, afirma Spies. “Nós identificamos dez gargalos que explicam por que não somos competitivos. Se não enfrentarmos esses pontos, continuaremos limitados ao mercado interno”, complementa.

Entre os principais gargalos estão a escala limitada das propriedades, a baixa eficiência agronômica e zootécnica, a qualidade do leite e o rendimento industrial em sólidos, além da volatilidade de preços e da baixa coordenação entre os elos da cadeia.

Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes

Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes: “Estamos prontos para criar as condições e apoiar os empreendimentos que permitam esse avanço”

Outro conjunto de gargalos envolve fatores estruturais, como problemas sanitários — incluindo brucelose e tuberculose —, capacidade industrial ociosa e deficiência de infraestrutura, especialmente em energia, conectividade e estradas rurais, que impactam diretamente os custos logísticos e a competitividade.

Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, o Estado está preparado para viabilizar os investimentos necessários ao avanço do setor. “Estamos prontos para criar as condições e apoiar os empreendimentos que permitam esse avanço”, afirma. “O governo está investindo fortemente em infraestrutura rural, especialmente na recuperação de estradas, porque sabemos que uma logística eficiente é fundamental para reduzir custos e aumentar a competitividade do produtor”, complementa.

Plano de Incentivos à Exportação de Lácteos foi apresentado pela Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB), em Curitiba

Plano de Incentivos à Exportação de Lácteos foi apresentado pela Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB), em Curitiba

A necessidade de alinhar os custos de produção aos padrões internacionais também é um desafio. Segundo Spies, a competitividade é condição essencial para que o setor avance no mercado externo e reduza a vulnerabilidade. “Quando o leite brasileiro estiver alinhado aos preços internacionais, nós seremos competitivos e romperemos o teto do mercado interno e passaremos a ter dois mercados”, explica.

Entre os mecanismos previstos no plano estão a formalização da cadeia produtiva em modelo de integração vertical, linhas de crédito com juros, prazos e carência diferenciados, salvaguardas para equalização de amortizações em momentos de desalinhamento entre preços internos e internacionais e incentivos fiscais para implantação de projetos, incluindo isenção de tributos sobre equipamentos destinados às indústrias e aos produtores inseridos na estratégia exportadora.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Brangus brasileiro será vitrine global em encontro mundial da raça

Congresso promovido pela Associação Brasileira de Brangus vai percorrer quatro estados para destacar a presença da raça do pampa ao cerrado, de 12 a 25 de março, e reunirá criadores das Américas, África e Europa.

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Foto: Divulgação

O Brasil será a sede do principal encontro mundial dos criadores da raça Brangus de 12 a 25 de março de 2026 para mostrar ao mundo todo o trabalho de seleção e cruzamento que é feito no país, com números impressionantes.

Para contemplar toda a programação, o evento será dividido em três etapas. De 12 a 17 de março, ocorrem as giras técnicas em fazendas selecionadas. Entre os dias 18 e 21, a agenda se concentra em Londrina (PR), com congresso, julgamentos e leilões. Já de 22 a 25 de março, a programação retorna às propriedades para as giras finais. A organização é da Associação Brasileira de Brangus. “O momento é oportuno para a realização do congresso. Queremos mostrar que o Brangus brasileiro está presente em todos os biomas, do pampa ao cerrado. O Brasil tem uma capacidade produtiva extraordinária e a raça contribui muito para nossa cadeia, pois entrega adaptação, desempenho e qualidade à pecuária”, enfatiza o presidente da ABB, João Paulo Schneider da Silva (Kaju).

Além do protagonismo do Brasil, o encontro foi planejado para estimular a atualização técnica e o relacionamento entre criadores, produtores, pesquisadores, técnicos e lideranças da cadeia da carne, explica o diretor de marketing da ABB, Neto Garcia.

A agenda contempla giras técnicas por quatro estados – Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul – para que todos possam visitar as diferentes criações antes e depois da programação técnica central do congresso. Haverá ainda uma programação especial com julgamentos, leilões e atividades de integração, reunindo participantes do Brasil e do exterior ligados à raça Brangus. “O evento é uma vitrine estratégica para apresentar ao mercado global o trabalho desenvolvido no Brasil”, avalia Neto.

Ele lembra que o Brasil vive uma fase de consolidação como maior produtor e exportador de proteína vermelha do mundo e a raça Brangus participa dessa evolução. “Contribuímos com uma evolução genética consistente e com a oferta de animais reconhecidos pela qualidade, incluindo o avanço nas exportações de animais”, salienta.

Programação completa

O Congresso Mundial Brangus 2026 está dividido em três grandes etapas:

12 a 17 de março – Giras técnicas pré-evento, com visitas a fazendas selecionadas nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. São eles: Tellechea e Associados (12/03), GAP São Pedro (12/03), Sigma Brangus (13/03), Brangus La Estancia (14/03), Brangus Guapiara (16/03), Brangus HP (17/03).

18 a 21 de março – Congresso em Londrina, PR, realizado no Parque de Exposições Ney Braga, com extensa programação técnica com destaque para Antonio Chaker, Alcides Torres Scot, entre outros. Haverá julgamento de animais rústicos (19 e 20), julgamento de animais argola (21), além de eventos gastronômicos e leilões (19 a 21).

22 a 25 de março – Giras técnicas pós-evento em fazendas nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, dando continuidade à imersão prática em fazendas referência na produção da raça no Brasil. São elas: Agropecuária Laffranchi (22/03), Fazendas Indaiá e Paraíso das águas (24/03) e Fazenda Bandeirante (25/03).

Inscrições

A inscrição para o Congresso é gratuita e pode ser realizada clicando aqui.

A participação nas giras técnicas pré e pós-evento é paga separadamente, com informações e valores disponíveis no mesmo endereço eletrônico no momento da inscrição.

Fonte: Assessoria ABB
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