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Especialista dá detalhes do potencial do agronegócio brasileiro no mercado internacional

O país é um grande produtor de proteína animal, sendo o maior exportador mundial de carne bovina e de aves e o terceiro maior de carne suína.

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Arquivo/OP Rural

O Brasil é um grande produtor de proteína animal, sendo o maior exportador mundial de carne bovina e de aves e o terceiro maior de carne suína. Se não fosse a nutrição animal, leitor e leitora, talvez o país não teria chegado ao estágio de grande competitividade e presença internacional, cenário que fez o Brasil conquistar posições importantes sobre concorrentes como Estados Unidos e Austrália (gado de corte), Tailândia (carne de frango) e hoje competindo com a carne suína na Europa e em outras regiões. Essa fatia do mercado é consolidada através da existência de um sistema muito sofisticado de arraçoamento de animais, desde a produção de soja, milho e outras commodities, passando por tudo que tem hoje de tecnologia de última geração em nutrição, aditivos e produtos que fazem com que consigamos ter índices excelentes de produtividade e de conversão alimentar.

O potencial do agronegócio brasileiro no mercado internacional dentro do contexto da pandemia do coronavírus foi apresentado durante a 32ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), realizada em formato on-line, pelo engenheiro agrônomo e coordenador do Centro Insper Agro Global, Marcos Sawaya Jank. Com mais de 35 anos de experiência no agronegócio global e de grandes mercados, Jank trouxe uma visão detalhada do ciclo de alta de preços que o setor experimenta e dos impactos que isso causa na dinâmica das exportações brasileiras, aliado ao desempenho e perspectivas das proteínas animais, além de mencionar alguns desafios importantes que o Brasil tem em termos de imagem e de valor adicionado, entre outros, de produtos e de sanidade.

Com a pandemia da Covid-19 ficou ainda mais em evidência no mercado de produção animal a importância da segurança do alimento ou “Food Safety”, que engloba práticas de manipulação para garantir a qualidade do alimento, desde a produção até o consumo. “Vivemos uma época muito desafiadora nesta área, numa nova geopolítica que se instala pelo mundo com uma guerra comercial e hegemônica entre Estados Unidos e China, a questão das grandes negociações internacionais feitas na Conferência do Clima, principalmente na construção do mercado de carbono e dos compromissos assumidos pelos países, do posicionamento do uso da terra, então temos muitos desafios. É um tempo bastante turbulento, polarizado e muito importante para olharmos o que está acontecendo no agronegócio”, pontua.

Conforme o especialista em agro, o volume muito baixo de estoques mundiais está gerando um comportamento de bastante volatilidade de preços, o que aponta para um novo ciclo de alta, similar ao vivido na década de 70, quando o choque do petróleo levou a maior alta de commodities, e entre 2007 e 2014, quando houve dois picos de alta de preços de alimentos em razão da quebra de safras muito importantes no mundo, conforme ilustrado no gráfico 1.

E hoje, ainda em meio a pandemia, vivenciamos um novo ciclo de alta que deriva essencialmente de uma demanda muito firme na Ásia por produtos brasileiros e particularmente na China, a qual não foi acompanhada pela produção, porque houve o rompimento de cadeias produtivas em virtude das restrições impostas pela pandemia. “O Brasil se beneficiou dessa demanda principalmente pelo fato da nossa estrutura exportadora funcionar muito bem, obviamente tivemos também ajuda da taxa de câmbio. A desvalorização cambial aqui no Brasil gerou um aumento em reais de commodities, inclusive um desbalanço de preço entre grãos e carnes, por exemplo. O fato é que estamos realmente em um movimento de alta e não sabemos quanto tempo que ele vai perdurar. O último ciclo durou em torno de seis anos, mas esse aqui eu acho que vai ser mais curto”, pondera.

Em contrapartida, o Brasil está investindo no segmento de infraestrutura logística em transporte ferroviário e hidroviário focadas em exportação, principalmente de grãos. “Isso é muito importante para quem mexe com proteína animal, porque na medida que a logística de exportação melhora para o grão, pode gerar falta de commodities no mercado interno, então hoje é muito mais fácil importar soja e milho do que era, mas acaba faltando esse produto principalmente na região Sul. Esse ano assistimos a uma importação importante de milho vindo dos países vizinhos, então essa questão interna da logística não está resolvida, o que está avançando muito é a logística exportadora, principalmente do Centro-Oeste para os portos do Norte e os portos do Sudeste”, expõe.

A alta de preços se deu em razão da grande demanda por grãos, que teve uma elevação acima da média comparado com outros produtos, que também seguiram o movimento de alta do mercado. Aqui no Brasil, os aumentos foram mais acentuados na carne bovina, produto que apresentou maior alta, puxado pela demanda chinesa, em contrapartida essa alta demanda fez com que a carne de frango também ficasse mais cara no mercado interno, conforme ilustrado no gráfico 2.

No entanto, o que mais preocupa quem está no segmento nutrição animal, segundo Jank, é a subida dos preços de grãos como soja e milho. “Teve uma alta importante, temos a arroba do boi a R$ 300, a soja a R$ 170 e o milho que chegou a R$ 100 a saca, isso obviamente são valores que não estávamos acostumados. E não são apenas nestes produtos, conforme o gráfico 2 aponta, foram também açúcar, algodão, café, ou seja, as principais commodities tiveram aumento de preço. Isso é bom para quem exporta, mas não é tão bom para quem compra commotidies aqui dentro. Percebemos claramente um aumento muito importante no custo da ração em função do aumento do farelo de soja e do milho, então isso gera uma redistribuição de renda”, avalia.

Em contrapartida, no mercado interno, segundo o especialista, os setores de leite e ovos sofreram bastante durante a pandemia porque são produtos sem head cambial, diferente da carne bovina que se beneficiou bastante da demanda chinesa. “Então existe um fenômeno de redistribuição de renda dentro das cadeias produtivas e isso gera ganhadores e perdedores”, menciona.

Como a China produz metade da produção de suínos do mundo, na ordem de 50 milhões de toneladas, a confirmação da PSA em solo chinês fez com que seu rebanho caísse para cerca de 35 milhões de toneladas e isso afetou bastante a rentabilidade da atividade, mas a China conseguiu reagir muito rápido, principalmente mudando o seu modelo produtivo, com a eliminação da produção de fundo de quintal. “E na medida que ela se recupera da peste suína depende menos de carne bovina, que trouxe de certa forma para substituir a carne suína, e é por isso que a gente está vendo a China estender a restrição ao Brasil em vista dos casos suspeitos da vaca louca no país. Eles não voltando a comprar está gerando uma grande crise, é o tal do oportunismo chinês, uma vez que não comprando isso vai se refletir numa queda do preço que eles pagam pela carne bovina, afetando diretamente as nossas exportações”, afirma o coordenador do Insper.

Grãos

Por outro lado, a produção de soja no Brasil foi afetada durante um certo momento pela peste africana, porque teve uma queda do consumo com a perda de rebanho na China e no Sudeste da Ásia, mas que já se recupera e deve superar 100 milhões de toneladas exportadas de soja. “E no milho tivemos um ano complicado, a produção caiu para 86 milhões de toneladas, mas já se recupera e deve terminar esse ano com previsão de crescer ainda mais no futuro. Se esses números estiverem corretos, será uma notícia muito boa para quem cria suínos e aves, que é a recuperação da produção de milho no Brasil, é claro que não dá para falar porque o grosso do milho brasileiro é a segunda safra, que é mais sensível a clima, como aconteceu nessa última safra, então depende muito ainda como as coisas vão se desenrolar no próximo ano”, pondera Jank.

Há uma recuperação muito forte não só da produção de milho, mas também da exportação de milho que pode atingir níveis que nunca foram vistos antes. “E isso é preocupante, porque a China mudou seu modelo produtivo voltado agora para produção comercial e não mais de fundo de quintal, significa que vai consumir muito farelo de soja e milho, aliás a China já está se consolidando como um dos maiores importadores de milho do mundo nos próximos anos, da mesma maneira que já é da soja. Então a pergunta que fica é se o Brasil será exportador de grãos ou se o Brasil será exportador de carne. São coisas bem diferentes e que deveriam estar no centro da estratégia brasileira. Eu acho que dá para fazer as duas coisas, mas eu vejo que é muito mais fácil exportar grão do que exportar rações, farelo ou carnes, inclusive a exportação de carne sofre muito mais restrições do que a exportação de grãos”, pontua.

Oferta e demanda de carnes

Em relação à oferta e demanda brasileira por carne, a produção e a exportação de carne bovina foi a que mais cresceu. Fruto da demanda momentânea da China durante a PSA, a carne suína também apresentou um crescimento na exportação de produtos, diferente da carne de aves, porque o país chinês é autossuficiente neste segmento. A carne bovina ultrapassa a carne de frango em valor de exportação, com mais de US$ 8 bilhões e cerca de US$ 6 bilhões em frango, mas em volume o frango ainda é a principal carne exportada. “Esses dados são bastante interessantes porque mostram uma mudança que vem acontecendo no mix de carnes em favor principalmente da bovina e da suína que foram as grandes beneficiadas da crise da Peste Suína Africana na China, o que faz com que tanto suíno como bovino aumentem o market share da carne na exportação”, destaca.

Conforme o gráfico sobre os preços nominais de produtos agropecuários, a carne de frango representou 30% da produção, mesma porcentagem que a carne suína chegou, enquanto que a bovina chega a mais de 25%, portanto a precificação de bovinos, suínos e aves tem hoje mais relação com o mercado internacional do que tinha antes. Isso é importante porque se tem uma desvalorização cambial que acaba afetando o preço doméstico, porque se 30% é exportado 70% fica aqui dentro, mas acaba havendo uma transferência de preços da exportação para o mercado interno e foi isso que tornou a carne bovina tão cara nos últimos tempos. “A seca, a geada e todos os problemas que afetaram os pastos acabaram levando a uma puxada de preço bastante grande que o consumidor sentiu na carne. E até foi isso que levou a substituição de carne bovina por carne de frango no mercado interno”, diz Jank.

Pontos positivos e negativos

O agronegócio é fundamental para a balança comercial brasileira, estimativas apontam que o agro deve superar US$ 120 bilhões em exportações em 2021. O país é o terceiro maior exportador do mundo em agro e possui o maior superávit comercial do mundo pelo fato de exportar muito e importar pouco, o que gera muitas divisas para o país.

Outro ponto positivo é a produção de grãos do país, que possui alta rentabilidade, com 30% de margem ebtida. “O forte aumento do processo de integração lavoura-pecuária, que nada mais é que a chegada da produção agrícola no pasto, tem impulsionado isso. Somente neste ano estima-se que a integração lavoura-pecuária deverá ultrapassar de 17 milhões de hectares para cerca de 50 milhões de hectares para produção de soja, milho e algodão”, detalha.

Dentre os aspectos negativos estão o risco de inflação e insegurança alimentar, sentido nos últimos tempos bastante pelo consumidor. “Desde o início da pandemia até agora tivemos uma alta generalizada de preços no Brasil, que se refletem na inflação. Para se ter uma ideia a inflação do ano passado foi de 4%, enquanto a inflação do grupo de alimentos foi de 14%”, afirma.

Jank também cita o aumento do preço dos insumos, máquinas e equipamentos, terra e arrendamentos, impacto cruzado do aumento dos preços sobre os usuários de produtos exportados (aves, suínos, aquicultura, leite e ovos), cobertor curto, que faz com que safras de grandes produtores não podem apresentar baixo desenvolvimento se não os preços disparam ainda mais. “Houve um grande desbalanço aqui dentro entre setores que acabaram se beneficiando da demanda internacional e do dólar valorizado e de setores que tiveram aumentos de custo e que tiveram uma perda de margens”, comenta.

Demanda Mundial 

O coordenador do agro global do Insper menciona que as grandes regiões produtoras do mundo são América do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile), América do Norte – apesar dos Estados Unidos serem deficitários em agronegócio, são os maiores exportadores do mundo, Oceania e a região do leste da Europa e do Sul da Rússia que apresenta grande potencial de produção. Por outro lado, existe uma imensa região deficitária, que abrange o leste da Ásia (China e Japão), a Ásia Central, o Oriente Médio, no futuro a Ásia do Sul, além da Índia e da África, que juntas estima-se que até 2050 haja um crescimento populacional para cerca de cinco bilhões de pessoas. “Exatamente por isto que o nosso agronegócio cresce, porque a demanda cresce na China e nos países do Oriente, não mais na Europa e nem nos Estados Unidos. Hoje a gente vende basicamente para países emergentes da África. E isso que explica essa puxada gigantesca da soja e das carnes a partir do ano 2000”, discorre.

É muito importante entender a dinâmica internacional, porque quem vai puxar o agronegócio brasileiro não é o consumidor doméstico. “O agro é o setor mais internacionalizado da economia brasileira e é o setor talvez que tenha mais perspectiva de crescimento no mundo na medida em que a gente vê não só a demanda chinesa, mas também todo o potencial que ainda existe no Oriente Médio, na Índia e no futuro na África”, expõe Jank, acrescentando: “Nosso quadro é olhar para o Oriente para tentar abrir mercado, consolidar nossa posição competitiva naquela região e isso acaba puxando todo desenvolvimento da nossa indústria integrada de soja, milho e carne”.

Em relação ao consumo per capita de carne, as regiões que consomem perto ou acima de 100 kg de carne por habitante/ano são os países ricos – Estados Unidos, Europa e Austrália, e os países onde a carne é muito competitiva, como Brasil e Argentina. Já na África e no Sul da Ásia o consumo está abaixo de 20 kg. “São regiões com grande potencial de aumento de consumo. O consumo de carne nos países emergentes vai subir e muito, estive nessas regiões todas e as pessoas estão ansiosas para poder passar de um bife por semana para um bife a cada dois dias, porque elas não têm acesso a proteína. Existe um déficit proteico profundo nessas regiões e principalmente a comida é inacessível”, explica Jank.

Atualmente, a China saiu de US$ 1 bilhão para US$ 40 bilhões em exportações, com crescimento de outros países como no Sudeste da Ásia e uma queda da Europa, que nos anos 2000 comprova cerca de 70% da soja e da carne bovina, 40% do frango e agora perdeu a importância, consome 16% da exportação. “E vai ser cada vez menor porque já são mercados maduros, o consumidor não está aumentando o consumo, ao contrário, está reduzindo e buscando alternativas. Estão focados em produção doméstica, voltada para produtos orgânicos, carne vegetal e o não uso de promotores de crescimento ou de defensivos, é um modelo diferente, mas que custa mais caro, então nosso consumidor não será o europeu, mas sim o asiático”, afirma.

Neste contexto, Jank diz que a presença brasileira deve ser intensificada na Ásia, que está cada vez mais ganhando importância, representando hoje 80% das vendas de suíno, 70% do bovino e 50% do frango, conforme gráfico 3. “A Ásia é o nosso porto de destino e particularmente a China, que hoje é 60% urbana, com mais de 200 milhões de chineses saindo do campo para a cidade nesses últimos anos e por isso, no período entre 2000 a 2020 se tornou o principal destino do nosso agro”.

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Países árabes ampliam compras e impulsionam exportações brasileiras de carne bovina

Argélia, Egito e Emirados Árabes Unidos registraram fortes altas nas importações em 2025, em um ano recorde para o Brasil, que embarcou 3,5 milhões de toneladas e alcançou receita de US$ 18,03 bilhões.

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Fotos: Shutterstock

Pelo menos três países árabes, a Argélia, o Egito e os Emirados Árabes Unidos, registraram aumentos expressivos nas importações de carne bovina do Brasil no ano passado em relação aos volumes de 2024, segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Abiec informou que a Argélia importou um volume 292,6% maior, enquanto as compras do Egito subiram 222,5% e as dos Emirados Árabes Unidos avançaram 176,1%.

O Brasil conseguiu no ano passado o seu maior volume de exportação de carne bovina, embarcando 3,50 milhões de toneladas, que significaram alta de 20,9% em relação a 2024. A receita gerada foi de US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais.  Os dados incluem carne in natura, industrializadas, miúdos e outros.

No total a carne bovina brasileira foi fornecida a mais de 170 países em 2025. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas, que geraram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, os outros maiores mercados, por ordem decrescente, foram Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia e México.

Fonte: ANBA
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Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná

Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade

Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

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Foto: Coopavel

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.

Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.

Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.

Mais produtividade

Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.

Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025

Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

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Foto: Divulgação/Adapar

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.

Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.

As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso

O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.

Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.

O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.

Antropozoonoses

Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato

brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.

No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.

Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.

Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN

Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.

Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.

Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.

Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação

a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.

O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.

Prevenção

A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.

Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.

Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves

Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.

Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.

Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves

A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.

Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.

A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo

Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.

O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.

Fonte: AEN-PR
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