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Especialista aposta em “recuo mais expressivo” no preço do milho só na próxima safrinha

O ano de 2021 foi marcado por uma expressiva volatilidade no mercado do cereal.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

O ano de 2021 foi marcado por uma expressiva volatilidade no mercado do milho. No primeiro semestre, houve uma alta expressiva na Bolsa de Chicago, que foi motivada, especialmente, pelas elevadas importações da China, pelas adversidades climáticas na América do Sul, especialmente no Brasil, que registrou uma quebra de safra, por uma área plantada aquém do esperado nos Estados Unidos e por estoques mundiais apertados.

Analisando os números globais, a produção permaneceu praticamente estável em comparação com a safra 2019/2020, em 1,12 bilhão de toneladas, enquanto o consumo avançou 1,2%, para 1,14 bilhão. Desse modo, os estoques globais em 2020/2021 recuaram 4,8%, para 304,4 milhões de toneladas, o menor patamar desde a temporada 2014/2015, enquanto a relação estoque/uso recuou para 25,5%, o menor valor desde 2013/2014.

A partir do segundo semestre, principalmente após a colheita da safrinha no Brasil, o mercado passou a dar mais atenção à temporada 2021/2022 e o que se observou em Chicago foi uma reversão da tendência altista. Ao longo do terceiro trimestre deste ano, o contrato contínuo do grão recuou 25,5%.

Analista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, João Lopes: “Mesmo com os preços internacionais em patamares elevados, a menor oferta interna fez com que, de um modo geral, as cotações praticadas internamente aumentassem e se tornassem mais atrativas que os preços obtidos através da exportação” – Foto: Divulgação/StoneX

De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, João Lopes, um dos principais direcionadores do mercado foi a questão climática nos EUA e as perspectivas de produção para o país. Em relação à oferta do cereal norte-americano, a safra 2021/2022 (set/2021 a ago/2022) caminha para a obtenção de uma robusta produção. “De um modo geral, a colheita no país ocorreu sem grandes adversidades e se encontra em seu trecho final”, afirma.

Pelo lado da condição de safra, o cenário também foi favorável para o grão nos EUA. “O USDA estima a produção norte-americana em 382,6 milhões de toneladas, 6,7% a mais do que o registrado na safra 2020/2021, o que seria o segundo maior volume produzido em sua história. A StoneX espera um número ainda mais positivo para a temporada 2021/2022, com a produção dos EUA estimada em 384 milhões de toneladas”, destaca.

Lopes aponta também o bom desenvolvimento da safra ucraniana, cuja colheita ocorre no final do ano e está estimada em 38 milhões de toneladas, quase oito milhões a mais que na safra anterior, possibilitando que o país volte a ter uma maior participação nas exportações globais. O USDA estima os embarques ucranianos em 2021/2022 em 31,5 milhões de toneladas, contra 23,8 milhões na safra 2020/2021.

Com a colheita dos EUA em sua fase final, expectativas favoráveis para a demanda por milho para a produção de etanol nos EUA e perspectivas de significativas taxas de inflação nos EUA e no mundo, o analista da StoneX afirma que o contrato contínuo do cereal tem apresentado um movimento de alta nestes últimos dois meses. “Nos próximos meses, o foco será, majoritariamente, o desenvolvimento das safras 2021/2022 sulamericanas”, menciona.

Estoques Mundiais

O USDA estima que os estoques finais mundiais da safra 2021/2022 de milho ficarão em 304,4 milhões de toneladas, 12,5 milhões de toneladas acima do estimado para a temporada 2020/2021. Apesar do crescimento no comparativo anual, os estoques finais ainda continuariam abaixo dos volumes observados entre as temporadas 2015/2016 e 2019/2020.

Além dos estoques finais, Lopes diz que é interessante analisar também a relação estoque/uso mundial, estimada em 26% para a safra 2021/2022 pelo USDA, contra 25,5% na safra anterior. Assim como no caso anterior, apesar do avanço no comparativo anual, a relação ficaria abaixo do registrado entre as safras 2014/2015 e 2019/2020.

Oferta doméstica

Lopes destaca que apesar da colheita da safra de verão no início do próximo ano, o que aumentaria a disponibilidade do cereal no mercado interno, seu volume representa uma pequena parte da oferta doméstica total. “Desse modo, com o balanço não ficando exatamente folgado no curto prazo, o que deve limitar o espaço para quedas muito significativas. A partir do desenvolvimento da safrinha 2022, se estiver tudo dentro do esperado, os preços domésticos podem apresentar um recuo mais expressivo”, avalia.

O principal fator que contribuiu para o menor volume exportado em 2021 foi a quebra da safrinha brasileira, cuja produção ficou em 59,2 milhões de toneladas segundo estimativa da StoneX, contra 74,8 milhões na temporada 2019/20. “Mesmo com os preços internacionais em patamares elevados, a menor oferta interna fez com que, de um modo geral, as cotações praticadas internamente aumentassem e se tornassem mais atrativas que os preços obtidos através da exportação, fazendo com que grande parte do milho nacional deixasse de ser direcionado ao mercado externo e continuasse no mercado doméstico”, pontua Lopes.

Demanda do Cereal

As perspectivas de demanda pelo milho brasileiro no mercado interno também são positivas. A StoneX projeta em 2021/2022, que o consumo interno chegará a 73,5 milhões de toneladas (número que ainda deve aumentar), dois milhões a mais que o observado no último ano, sustentado principalmente pela continuidade de um elevado uso do grão para a produção de ração.

Outro ponto interessante de se destacar é o avanço na geração de etanol de milho no país, com a StoneX apontando que a produção do biocombustível no Centro-Sul deva alcançar cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos em 2021/2022 (abr/21-mar/22), representando avanço anual de 37,1%. “A perspectiva é de que o setor continue crescendo no país, aumentando também a demanda interna pelo cereal”, vislumbra Lopes.

Pelo lado do mercado externo, após um ano de exportações bem abaixo do usual em 2020/2021, estimada pela StoneX em 16 milhões de toneladas, a expectativa é que, com uma produção mais robusta, o Brasil volte a direcionar maiores volumes do cereal para o mercado externo. A StoneX projeta que os embarques totalizarão 41 milhões na temporada 2021/2022.

Compra antecipada reduz impacto da alta dos insumos

Com relação aos custos dos insumos, o analista da StoneX avalia que apesar dos elevados patamares de preços dos fertilizantes atualmente, o impacto sobre os custos da safra de verão 2021/2022 não deverá ser muito significativo. “A grande maioria dos agricultores garantiram a compra dos adubos durante o primeiro semestre de 2021, quando os níveis de preços dos fertilizantes eram significativamente mais baixos e as relações de troca estavam em níveis mais favoráveis aos agricultores”, relata Lopes.

De acordo com Lopes, o principal questionamento tem sido a respeito dos preços e da disponibilidade de fertilizantes. “Apesar de boa parte dos fertilizantes necessários já terem sido comprados, ainda há um volume significativo que precisa ser importado sob relações de troca historicamente muito ruins para os agricultores. É possível que haja uma redução dos volumes aplicados, o que poderá trazer algum impacto na produtividade, e até mesmo uma expansão menor que a inicialmente prevista na área semeada”, estima, acrescentando: “A melhor forma de contornar essas questões é um bom planejamento, com a elaboração de boas estratégias de gerenciamento de risco, buscando mitigar seus riscos e tomar as melhores decisões”.

Ainda assim, por enquanto, Lopes diz que as expectativas apontam para uma área plantada maior na safrinha 2021/2022 em comparação com a 2020/2021 e uma boa safra no país.

Perspectivas para 2022

A StoneX espera um resultado muito positivo para a safra 2021/2022 brasileira de milho, conforme o gráfico abaixo. Em seu relatório de estimativa de safra, divulgado no início de novembro, a StoneX apontava para uma produção de 30,4 milhões na safra de verão, maior produção desde 2016/2017, e 87,5 milhões de toneladas na safra de inverno, um recorde para o país. Considerando as três safras, a StoneX estima uma produção de 119,6 milhões de toneladas, também um recorde histórico.

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“É muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global”, afirma especialista

Para o pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta.

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Arquivo/OP Rural

Com capacidade de retenção de calor superior a do dióxido de carbono (CO2), a redução das emissões de metano (CH4) pode ter um impacto significativo e muito rápido no controle do aquecimento global, pois, apesar da sua curta vida na atmosfera – pouco mais de dez anos – é 28 vezes mais potente que o CO2 como gás de efeito estufa em um período de 100 anos. Dessa forma, sua captura poderia contribuir para esfriar o planeta, se contrapondo ao CO2, que permanece na atmosfera por cerca de um milênio.

Chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner: “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos” – Foto: Reprodução

É o que afirmou o chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, durante o Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido no mês de maio pela JBS, em parceria com a Silva Team, em São Paulo (SP).

Essa comparação entre os gases feita pelo pesquisador norte-americano ilustra os cálculos do GWP 100 (Potencial Global de Aquecimento), medida adotada mundialmente para mensurar as emissões globais de gases do efeito estufa, no entanto, esse sistema considera apenas o potencial dos gases e não o período de vida útil de cada um. “É importante entendermos que o metano é muito diferente de outros gases”, ressalta, acrescentando: “Esse sistema tem sido usado nos últimos 30 anos, apesar dos cientistas já terem alertado sobre outros fatores que devem ser levados em consideração neste cálculo, porque o metano tem um alcance bem maior em sua vida útil”, pontua Mitloehner.

Para ele, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta. “O GWP* é uma nova maneira de caracterizar os gases de efeito estufa de curta duração, ele não é apenas responsável pela curta vida útil do metano, mas também pela sua remoção atmosférica. Ao contrário do GWP 100 que superestima o impacto do aquecimento do metano por um fator quatro vezes maior do que realmente é, ignorando sua capacidade de induzir o resfriamento quando as emissões de CH4 são reduzidas. Por isso, reafirmo, é muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global e o GWP100 não faz isso”, expõe Mitloehner.

Segundo o professor PhD, anualmente mais de 558 milhões de toneladas de metano são produzidas no mundo, emitidas não apenas pelo agronegócio, mas também através da produção de combustíveis fósseis, da energia elétrica, do desmatamento, dos aterros sanitários, das indústrias de carvão e gás natural. Desta quantidade, segundo Mitloehner, cerca de 548 milhões de toneladas são destruídas na atmosfera pela reação com o radical livre hidroxila (OH). “Isso significa que há um processo de remoção atmosférica para o metano, ou seja, não está apenas sendo produzido, mas também está sendo destruído”, pontua.

De acordo com o chefe do Clear, se num horizonte de dez anos as emissões de metano permanecerem constantes no rebanho bovino, a pecuária de corte contribuirá para o aumento da temperatura do planeta somente na primeira década, porque após esse período a quantidade emitida será a mesma que está sendo destruída, ou seja, o CH4 não será adicionado à atmosfera, consequentemente o aquecimento será neutralizado. “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos, com isso o metano não mais vai aquecer a terra, no entanto, se aumentar a quantidade de animais na pecuária não será possível conseguir essa neutralização”, expõe.

“O metano é um gás do efeito estufa poderoso e que nós queremos reduzir, mas é importante pensar em todas as suas propriedades para entender que o metano não é apenas um problema, mas também uma oportunidade de buscarmos a solução. O metano é basicamente energia, pode ser queimado, pode virar eletricidade, combustíveis, nós não queremos perder o metano, para isso precisamos mudar a maneira como pensamos neste gás, é essa a mensagem que quero passar para vocês”, salientou.

Neste sentido, o pesquisador destacou que as tecnologias existentes para reduzir as emissões da pecuária, como aditivos alimentares para melhorar a eficiência de digestão dos animais que podem contribuir, inclusive, para resfriar a atmosfera e compensar as emissões de outros gases.

Agropecuária e o metano

Por ano são criados mais de 70 bilhões de animais para consumo humano. Entre as principais fontes de emissão de metano na agropecuária estão o estrume e a fermentação entérica – um processo digestivo natural que acontece em animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras – responsáveis por cerca de 40% das emissões da agropecuária nas últimas duas décadas.

O esterco no pasto libera óxido nitroso, um gás de efeito estufa cuja contribuição, por tonelada, para o aquecimento global é 265 vezes mais potente do que a do dióxido de carbono. Esses dois processos da pecuária correspondem a mais da metade das emissões totais da produção agrícola. O cultivo de arroz e os fertilizantes sintéticos também são fontes emissoras de CH4, cada um representa mais de 10% das emissões do setor.

Nos EUA, em 2021 a produção de carne bovina foi de 12,6 milhões de toneladas e a produção total de leite registrou 102,5 bilhões de quilos, enquanto o Brasil produziu 10,3 milhões de toneladas de carne bovina e mais de 34 bilhões de litros de leite. “De 114 mil cabeças de gado na década de 70, os EUA chegaram próximo de 92 milhões de cabeças no ano passado, mas, apesar deste crescimento, as emissões se mantiveram estáveis”, relata.

Origem das emissões

Mitloehner explica que o sistema de emissões da pecuária começa pelo pasto, que utiliza o gás carbônico (CO2) presente no ar para fazer a fotossíntese. Em seguida, essa pastagem é consumida pelo gado, que transforma o CO2 em metano durante a digestão, liberando-o na atmosfera. “Ou seja, o metano volta a se transformar em gás carbônico, que novamente será utilizado pelas plantas. Dessa forma, concluímos que a origem das emissões de metano por bovinos é decorrente do carbono, que já estava presente na atmosfera”, frisa.

O que acontece quando aumenta, estabiliza ou diminuiu o metano?

Mitloehner nos convida a imaginar três cenários com o CH4 em um horizonte de 30 anos. No primeiro, com aumento da emissão de metano em 35% – isso aconteceu nos países em que a produção de gado está crescendo ano após ano; no segundo, com perspectiva de diminuição em 10% e no terceiro com uma hipótese em que as emissões sejam reduzidas a 35%. “Ao diminuir levemente o metano na pecuária não terá nenhum aquecimento adicional, ou seja, seu resultado será negativo para o aquecimento, e é isso que estamos buscando. Mas, se diminuir fortemente o metano estará tirando muito carbono do ar e terá um aquecimento negativo. Agora, se diminuir o metano constantemente, mesmo que pouco, não teremos nenhum aquecimento e é isso que estamos buscando fazer”, sugere o pesquisador.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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Boas práticas de manejo de gado

Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades

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Foto: Assessoria

A pecuária é uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil e do mundo e, cada vez mais, a demanda por alimentos de origem animal aumenta. Nesse contexto, é necessário adotar boas práticas de manejo de gado, seja ele de corte ou leite, em pasto ou em confinamento.

Todas as fases da vida do animal devem ser observadas atentamente, do nascimento ao abate. Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades.

Quando se trata de animais de corte, para que o manejo seja o melhor possível se faz necessário contribuir fortemente com o bem-estar animal e, assim, garantir a qualidade de vida dos animais enquanto se produz mais e melhor. No entanto, antes de saber o que fazer exatamente para melhorar os resultados, é preciso identificar o que está errado.

Segundo o coordenador Técnico da Premix, André Pastori D’Aurea, além de estressar o gado, o manejo inadequado dos animais os deixa agitados e dificulta a atividade como um todo. Barulhos causados pelas instalações, como portões, ferrolhos e bretes de contenção podem gerar ruídos que incomodam os animais, assim como gritos e movimentos bruscos podem assustá-los. Da mesma forma, o número de acidentes com os animais e colaboradores tende a aumentar nesse cenário.

“Em propriedades onde o manejo é ineficaz, é comum encontrar animais doentes ou lesionados com fraturas, torções, cortes e hematomas, por exemplo, o que, além de afetar o bem-estar dos bovinos, interfere na qualidade da carne após o abate”, explica D’Aurea.

Em poucas palavras, com manejo inadequado, o pecuarista não produz de maneira lucrativa e apenas arca com os prejuízos da falta de cuidado.

Já o manejo de gado adequado leva em conta a forma como o pecuarista lida com os animais, além da atenção à segurança do trabalho dos profissionais envolvidos no processo. Os cuidados começam desde o nascimento do bezerro, passando pelo transporte dos animais de corte até ao abate, como é exemplificado nas etapas abaixo:

– Recepção e destinação;

– Identificação dos animais;

– Pesagem individual;

– Vermifugação e vacinação do rebanho;

– Monitoração do consumo e do desempenho do gado;

– Leitura de cocho para o ajuste da alimentação;

– Condições adequadas de cocho e de água.

“Os bovinos devem ter acesso a um bom manejo em cada uma dessas etapas. Os animais devem ser conduzidos sempre ao passo, sem correrias e sem gritos e o vaqueiro deve trabalhar sempre à frente do lote que está conduzindo, atuando como ponteiro”, ressalta o coordenador.

 

Bem-estar animal

Como já destacado, um bom manejo de gado passa pela atenção ao bem-estar animal. Por isso, o criador deve cuidar para que os animais tenham comida e água disponíveis, estejam livres de qualquer tipo de desconforto, libertos de dor, doença e injúria, tenham facilidade para expressar seu comportamento natural e não sofram com estresse e medo.

Para cumprir todos os requisitos, é necessário contar com uma equipe treinada e alinhada com os propósitos da fazenda. “É importante capacitar os funcionários sobre as boas práticas de manejo de gado no curral em relação à sanidade, alimentação e outras atividades realizadas diariamente na propriedade. Assim, a equipe vai compreender a importância de tratar bem o rebanho”, orienta D’Aurea.

 

Conforto térmico

Além de tudo o que já foi dito sobre manejo de gado, é importante estar atento ao conforto térmico, já que boa parte do estresse animal pode ocorrer devido ao calor.

Para minimizar a temperatura, podem ser utilizadas sombras naturais provenientes de árvores, por exemplo. O esquema utilizado pela ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta) possui esse grande benefício, já que os animais usam o sistema arbóreo natural para obter conforto.

Caso a propriedade não disponha de sombra natural, é possível utilizar sombras artificiais para proporcionar maior conforto aos animais em confinamento.

 

Dicas de manejo

Veja algumas dicas práticas para fazer um manejo racional e fornecer condições para o bem-estar dos animais:

– Profilaxia (prevenção) e tratamento de doenças são sempre necessários;

– Forneça quantidade e qualidade adequadas de alimento e água;

– Forneça espaço de cocho correto para o tipo de dieta e categoria animal;

– Avalie os comportamentos individuais da mesma forma que os em rebanho;

– Não utilize materiais pontiagudos na condução dos animais;

– Auxilie o manejo de gado durante as pesagens para que não ocorra pisoteio e lesões;

– Evitar aglomeração de pessoas nos currais durante o manejo;

– Evite gritos. Essa atitude estressa o animal e dificulta o manejo, além de afetar a qualidade da carne.

Para finalizar, é importante ressaltar que todos os manejos, quando bem executados, contribuem para a qualidade de vida e promovem melhor desempenho dos animais.

 

André Pastori D’Aurea – coordenador técnico da Premix

Fonte: Assessoria
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Imediatismo e falta de coordenação prejudicam setor lácteo brasileiro

Essa análise é do coordenador da Câmera do Leite, Vicente Nogueira Netto, que trouxe ao 1º Dia do Leite O Presente Rural/Frimesa algumas reflexões do setor no país, entre elas o paradoxo que existe entre a atividade leiteira no Brasil e os preços praticados no mercado.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

“O único momento em que conseguimos conversar com as grandes redes é quando há escassez. Quando falta leite tudo vai bem”, a análise crítica é de Vicente Nogueira Netto, coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).

Coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Mapa, Vicente Nogueira Netto: “Quando conseguimos chegar ao consumidor com um preço mais alto, conseguimos distribuir resultados ao longo de toda a cadeia” 

Ele foi um dos palestrantes do 1º Dia do Leite, evento híbrido alusivo ao Dia Internacional do Leite, promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O encontro foi no início de junho em Marechal Cândido Rondon, região Oeste do Paraná, e contou com a presença de produtores e autoridades do setor, além de expectadores pelas redes sociais.

Com a proposta de realizar reflexões do mercado de lácteos, Netto disse haver um paradoxo entre a atividade leiteira no Brasil e os preços praticados no mercado. Ele destaca os atuais preços do leite e derivados nos supermercados e afins. “Por outro lado, quando a gente consegue chegar ao consumidor com um preço mais alto, conseguimos distribuir resultados ao longo de toda a cadeia”, afirma Netto.

Entretanto, ele se diz assustado com o fato do setor ser obtuso quanto a leitura do mercado e quanto as atitudes da cadeia leiteira do Brasil. Tal afirmação segundo ele, serve de reflexão para as cooperativas, mas principalmente para as indústrias. “Desde maio do ano passado a produção e as importações são menores que o consumo”, destaca.

A disponibilidade per capita de litros de leite por habitantes, recuou 13,6% no primeiro quadrimestre e manutenção do patamar de preços na cadeia produtiva.

Conforme Vicente, na primeira semana de maio, período de menor oferta de do produto, houve a tentativa de provocar uma redução do preço pago ao produtor, no momento em que para ele, a produção deveria ter sido estimulada. “Isso não tem cabimento, afinal, se todo mundo estava vendo que faltaria produtos, por que a indústria deu sinal contrário para a oferta”, indaga.

Segundo ele, talvez isso se deva ao imediatismo da indústria láctea brasileira e à falta de coordenação da cadeia produtiva. Em contra ponto, ele cita as cooperativas de leite, e afirma que quando bem geridas atingem resultados positivos e desempenham melhor a relação com o produtor. “O cooperativismo de leite no Brasil passou ou passa por diversas fases, e talvez precise se reinventar”, ressalta.

De acordo com Netto a cadeia produtiva de leite no Brasil conhece pouco o mercado ao qual está inserida. “Precisamos nos conhecer melhor para dar sinais corretos para o mercado”.

Excedente

Outro apontamento feito por Netto se refere ao excedente de produção. Segundo ele, a cadeia de leite não está preparada para trabalhar com esse fator, considerado por ele o principal problema da economia leiteira do país. “Quando sobra 1% por exemplo, as quedas são desproporcionais”, ressalta.

Ele destaca o papel das informações em tempo real que maximizam a rapidez com que o mercado atualiza as informações. “Quando cai o valor do Spot o mercado vem pra cima e na queda de braço a gente perde”, salienta.

Para Netto, para que haja avanços na cadeia produtiva de leite no Brasil é preciso que existam políticas de melhor convivência com o excedente. Quando tem excedente o varejo ganha força contra a indústria, e consequentemente, reflete negativamente no produtor, elo mais frágil da cadeia.  “Talvez por conta disso a produção não saia do lugar nos últimos cinco anos”, conclui.

Oferta global

É natural em momentos de queda na produção interna que o mercado de varejo ou até mesmo a indústria importe leite de outros países, porém, Netto alerta para a desaceleração da produção nas principais regiões exportadoras. Entretanto, conforme dados elaborados pelo Sistema OCB, a produção está negativa desde 2021. “Os principais ofertantes também estão em decrescimento na produção de leite”, afirma.

De acordo com Netto, a escassez de leite no Brasil deve durar um pouco mais de tempo do que nas principais regiões produtoras do mundo. Entre os países da América do Sul junto ao Brasil, Netto cita o Uruguai a Argentina, ambos comprometidos com a exportação. O primeiro também diminuiu a produção, enquanto que a Argentina teve um ligeiro crescimento no último ano. “E mesmo assim a gente deu um sinal contrário. No mês passado a gente fez quem ofertava leite acreditar que tinha que baixar preços”, salienta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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