Avicultura
Especialista aponta riscos do jejum prolongado em frangos de corte
O jejum pré-abate pode evitar e reduzir o percentual de contaminações das carcaças a níveis baixos, garantindo que todos os programas de qualidade implantados e controles de pontos críticos na indústria e auditados pelos órgãos públicos reduza e mantenham níveis de contaminação abaixo dos limites preconizados legalmente, garantindo segurança alimentar.

Para reduzir a probabilidade de contaminações de resíduos gastrointestinal e biliar durante o processamento dos frangos de corte e minimizar o desperdício de ração não digerida pelos animais, o correto cumprimento do jejum alimentar pré-abate é uma etapa extremamente importante e não deve ser negligenciada, porque além de afetar diretamente o bem-estar das aves, influencia na qualidade e no rendimento da carne.

Médico-veterinário e especialista em Processos de Qualidade da Cobb-Vantress Brasil e América Latina, Eder Barbon – Foto: Divulgação
Vários fatores podem interferir na eficiência produtiva do plantel ao atingir a idade de processamento, por isso no manejo pré-abate é fundamental que sejam seguidas quatro etapas: tempo no aviário sem alimento, tempo de apanha e carregamento das aves, tempo de transporte e tempo na área de espera antes do abate. “O jejum pré-abate nas aves proporciona o esvaziamento correto do trato intestinal, reduzindo e evitando as contaminações das carcaças, em especial durante a evisceração das aves”, ressalta o médico-veterinário e especialista em Processos de Qualidade da Cobb-Vantress Brasil e América Latina, Eder Barbon, que é um dos palestrantes do Bloco Abatedouro no 23º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que acontece de 04 a 06 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó, SC.
O programa de retirada dos frangos da granja começa com o jejum, que inicia antes do carregamento das aves e consiste na retirada completa de ração e acesso livre à água até o início do carregamento. Essa etapa objetiva minimizar a contaminação à nível de abatedouro, garantindo menor volume de resíduos, melhor eficiência de utilização da ração e menor mortalidade e regurgitação ao transporte. O tempo médio de jejum adotado pela cadeia produtiva no Brasil é entre oito e 12 horas. “Jejum pré-abate inadequado, tanto curto como longo, pode impactar diretamente no extravasamento interno ou externo do conteúdo do trato gastrointestinal nas carcaças, principalmente por rompimentos durante o processo, e proporcionar contanto da flora bacteriana do trato digestivo nas carcaças”, explica.
De acordo com Barbon, o jejum prolongado proporciona inúmeros prejuízos para o processo, entre eles fragilidade da parede intestinal, que pode se romper com maior facilidade durante o processo de evisceração e aumentar o percentual de contaminação gastrointestinal das carcaças, aumento de volume e entumecimento da vesícula biliar por maior acumulo de bile, aumentando a probabilidade de rompimento e contaminação das carcaças por bile, e pode impactar diretamente o rendimento de carcaça em virtude de desidratação das aves.
Entre os principais microrganismos que podem estar presentes no trato gastrointestinal das aves e que devem ser priorizados nos programas das indústrias são Campylobacter jejuni, salmonelas e Clostridium perfringes.
Retirar a ração do galpão exatamente no horário preconizado e estipulado, acender as luzes do galpão após a retirada da ração e estimular periodicamente as aves a beber água para que o jejum seja uniformizado entre todas as aves do lote vão garantir, de acordo com o especialista, as melhores práticas de manejar o jejum pré-abate. “A manutenção da potabilidade da água durante todo período de criação do lote é de fundamental importância e garante baixos níveis ou ausência de contaminações bacterianas na água ingerida pelas aves, assim como no jejum pré-abate”, menciona.
O jejum pré-abate pode evitar e reduzir o percentual de contaminações das carcaças a níveis baixos, garantindo que todos os programas de qualidade implantados e controles de pontos críticos na indústria e auditados pelos órgãos públicos reduza e mantenham níveis de contaminação abaixo dos limites preconizados legalmente, garantindo segurança alimentar.
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Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
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Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




