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Especialista aponta parâmetros essenciais para o sucesso da piscicultura brasileira

Profissional reforça que qualidade da água tem impacto direto na qualidade do produto final, influenciando o sabor, textura e cor do peixe.

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Foto: Divulgação/Arquivo/OPR

Investir em manejo e qualidade de água na piscicultura é essencial para garantir a saúde e bem-estar dos peixes, preservar o meio ambiente e oferecer um produto de alta qualidade. Produtores que adotam práticas responsáveis de manejo de água estão dando um importante passo rumo à sustentabilidade do negócio e contribuindo para a valorização da piscicultura como atividade econômica importante e promissora no Brasil.

O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovanni Vitti Moro, enfatiza que a água é o principal meio de vida destes animais e qualquer desequilíbrio na qualidade pode afetar negativamente sua saúde e crescimento, além de aumentar o risco de doenças e mortalidade. “Diferente de outros animais terrestres, o peixe vive dentro da água, então tudo que acontece na água afeta diretamente sua saúde. Ele não obtém água apenas para se hidratar, é o ambiente onde ele vive”, pontua Moro, que tratou sobre os principais parâmetros da piscicultura no Inovameat Toledo 2023, realizado em meados de abril no Oeste do Paraná.

O manejo adequado da qualidade da água envolve uma série de práticas, como a medição regular de pH, temperatura, oxigênio dissolvido e amônia, além de ações para manter os níveis ideais de cada um desses componentes. Também é importante controlar a quantidade de alimento fornecido aos peixes, para evitar sobras e consequente contaminação da água. “A qualidade da água tem impacto direto na qualidade do produto final, influenciando o sabor, textura e cor do peixe. Peixes criados em ambientes com água de boa qualidade são mais saudáveis e saborosos, o que pode aumentar a satisfação dos clientes e a rentabilidade do negócio. Além disso, um bom manejo de água na piscicultura também ajuda a preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade do negócio”, destaca o pesquisador.

Pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovanni Vitti Moro – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Durante a produção de peixes, é crucial prestar atenção em diversos parâmetros para garantir a saúde e o bem-estar dos animais. Um dos principais fatores a ser monitorado é a temperatura da água. Em regiões com invernos rigorosos, como o Oeste do Paraná, a temperatura pode cair drasticamente, afetando diretamente o metabolismo dos peixes. “Isso pode resultar em um crescimento mais lento, menor consumo de alimentos e menor desempenho zootécnico do animal”, ressalta Moro.

Outro aspecto importante é a transparência da água. A presença de sólidos em suspensão e o excesso de fitoplâncton podem prejudicar a qualidade da água e, consequentemente, a saúde dos peixes. Porém, a presença adequada de fitoplâncton é importante para o desenvolvimento da piscicultura. “Por isso é fundamental manter um equilíbrio saudável para garantir uma produção de peixes de qualidade. O manejo e a qualidade da água são elementos cruciais para o sucesso da piscicultura e devem ser tratados com a devida importância”, chama atenção Moro.

O terceiro aspecto crucial a se considerar é a quantidade de oxigênio dissolvido na água. Enquanto os humanos e outros animais obtêm o oxigênio do ar, muitas espécies de peixes precisam extrair o oxigênio da água por meio de difusão. “Por exemplo, tilápias e tambaquis precisam obter oxigênio da água. No entanto, a quantidade de oxigênio dissolvido na água é muito menor do que no ar. Por isso, a capacidade dos peixes em reter oxigênio é limitada, tornando-se esse um dos principais pontos a serem monitorados na produção de piscicultura”, afirma.

Outro fator importante é o pH da água, que varia em uma escala de 0 a 14. Um pH neutro é de 7, enquanto um pH acima de 7 é considerado alcalino e abaixo é ácido. Corpos hídricos apresentam diferentes níveis de pH, desde águas naturalmente com pH em torno de 10 até águas com pH 5,5. Moro diz que essa variação afeta os peixes, prejudicando as mucosas e brânquias, por exemplo. “Monitorar o pH da água é essencial para garantir a saúde dos peixes na piscicultura”, reforça o pesquisador.

O quinto aspecto importante é a dureza e alcalinidade, que estão intimamente ligados ao poder tampão do tanque de piscicultura. E por último os compostos nitrogenados, como a amônia, nitrito e o nitrato. “Os seres humanos excretam compostos nitrogenados através da ureia, enquanto os peixes excretam amônia, que é muito mais tóxica tanto para os peixes quanto para os humanos. Por isso, monitorar esses compostos é crucial para manter a qualidade da água e a saúde dos peixes”, frisa Moro, explicando porque os peixes excretam amônia em vez de ureia: “Isso ocorre porque a amônia é produzida a partir do metabolismo de proteínas com menor gasto energético, enquanto a conversão da amônia em ureia, que é menos tóxica, requer um maior gasto de energia. Como os peixes vivem na água, eles têm a vantagem de excretar a amônia diretamente no ambiente aquático, o que dilui o composto e evita problemas de toxicidade. Já os humanos precisam converter a amônia em ureia para armazená-la de forma menos tóxica no organismo, e excretá-la posteriormente na urina”.

Temperatura

A temperatura é um fator crítico para a sobrevivência e o desenvolvimento dos peixes, uma vez que eles são animais pecilotérmicos e não têm capacidade de controlar a temperatura corporal. Quando a temperatura da água fica muito alta, os peixes podem sofrer saturação e desequilíbrio das reações enzimáticas, o que afeta o metabolismo e pode levar a problemas de saúde. Por outro lado, temperaturas muito baixas podem causar estresse e doenças nos peixes, além de reduzir o metabolismo e a ingestão de alimentos.
Para espécies amazônicas, a temperatura ideal da água é em torno de 28ºC, mas elas podem suportar até 30ºC. Espécies da região Sul, como o jundiá, preferem temperaturas mais baixas, em torno de 25ºC a 26ºC. Já a tilápia, que veio da África para o Brasil, também é uma espécie de temperaturas altas, mas sua temperatura ideal é em torno de 25ºC a 26ºC. “Até 25ºC o desempenho zootécnico da tilápia não é muito afetado pela temperatura”, expõe Moro.

Cada espécie de peixe tem uma tolerância diferente em relação à temperatura da água. Enquanto a truta, que é uma espécie de água fria, começa a ter seu desempenho prejudicado acima de 20ºC, e pode até morrer em temperaturas em torno de 27ºC a 28ºC, por sua vez, o pirarucu já apresenta uma maior tolerância a temperaturas mais elevadas. “No entanto, em algumas de nossas experiências, constatamos que o pirarucu pode não suportar temperaturas extremas, como 24ºC, quando ocorreu mortalidade desses peixes. Por outro lado, há espécies que se adaptam bem a temperaturas mais elevadas, como é o caso de algumas que podem ser criadas em águas de até 32ºC. Portanto, é fundamental entender que a temperatura ideal da água varia bastante de espécie para espécie”, pondera Moro.

Problemas e soluções em temperatura

O especialista ressalta que quando os peixes são expostos a temperaturas inadequadas, eles tendem a ficar constantemente estressados, o que pode aumentar a incidência de doenças, principalmente durante o inverno. “Esse estresse crônico afeta o sistema imunológico dos peixes, prejudicando sua capacidade de combater doenças e tornando-os mais suscetíveis a infecções. Além disso, temperaturas acima do ideal podem levar a desarranjos metabólicos e mau funcionamento das enzimas, podendo até levar à morte dos animais”, sublinha.

Para garantir uma boa produção na piscicultura é fundamental conhecer os níveis adequados para cada espécie de peixe. Espécies de água fria, como a truta e o salmão, têm temperatura ideal mais baixa, enquanto as espécies tropicais, que são as mais produzidas no Brasil, se desenvolvem melhor em uma temperatura entre 24ºC e 28ºC. “É importante ressaltar que temperaturas abaixo de 24ºC diminuem o metabolismo do peixe, afetando seu consumo de alimento, e temperaturas acima de 28ºC podem causar problemas metabólicos e desnaturação de proteínas. Por isso é necessário monitorar e controlar a temperatura da água para garantir o sucesso da produção de peixes”, menciona.

Outros indicadores

Para uma piscicultura saudável, Moro diz que é importante manter a transparência da água entre 20 e 50cm, pois isso indica que a qualidade da água está boa. O nível de oxigênio dissolvido também é essencial e deve ser mantido acima de 3mg/L. “Embora o peixe possa sobreviver em águas com menos oxigênio ele não será capaz de desempenhar todo o seu potencial zootécnico e estará constantemente estressado. O ideal é manter o nível de oxigênio da água próximo da neutralidade, entre 6,5 e 8”, afirma o especialista.

Além disso, Moro ressalta que os níveis de nitrato devem ser mantidos abaixo de 1000mg/L, nitrito abaixo de 0,5mg/L e a amônia tóxica abaixo de 0,05mg/L. “É importante lembrar que o peixe excreta na forma de amônia, que as bactérias do corpo hídrico transformam em nitrito e outras bactérias em nitrato. Portanto, um alto nível de nitrato pode ser tóxico para os peixes, podendo chegar a ser entre 10 a 15 mil vezes mais alto do que o nitrito e a amônia na água”, detalha Moro.

Outro ponto importante é a dureza, que deve estar entre 20 a 120 mg/L, e a alcalinidade, que deve ser maior que 30mg CaCO3/L. “Manter esses parâmetros adequados é crucial para garantir a saúde e o bem-estar dos peixes em tanques escavados”, reitera.

Como fazer a aferição?

Moro diz que existem duas formas principais de medir a qualidade da água na piscicultura. A primeira e mais barata é através de kits colorimétricos, que custam entre R$ 500 e R$ 1 mil, dependendo da marca e das análises que o kit oferece. Esses kits são eficazes para análises de pH, amônia, nitrito e nitrato.

No entanto, ao analisar gases, como o oxigênio dissolvido ou o CO2 na água, Moro frisa que esses kits podem apresentar certa imprecisão devido à coleta, armazenamento e tempo necessários para análise, podendo, desta forma, os valores obtidos não serem tão precisos quando se trata de medições de gases. “Para garantir uma medição mais precisa, é recomendável que o produtor utilize equipamentos digitais, como um oxímetro, que varia entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil, dependendo da marca e da precisão dos dados. Um PHmetro é encontrado por cerca de R$ 2 mil e também é uma opção de equipamento digital para medição de pH na água”, enfatiza o pesquisador.

Um outro equipamento de medição importante na piscicultura é o disco de secchi. Para medir a transparência da água, Moro explica que o disco é dividido em duas partes, uma branca e outra preta, e é colocado na água. O disco é abaixado até que as duas partes não possam mais ser distinguidas e a profundidade é medida. Essa profundidade é uma medida da transparência da água. “Embora alguns produtores possam considerar os oxímetros e PHmetros caros, é importante ressaltar que esses equipamentos são extremamente importantes na monitoração da água. Ter esses instrumentos permite aos produtores detectar rapidamente problemas com a qualidade da água e tomar medidas preventivas para evitar a mortalidade dos peixes, o que pode resultar em prejuízos financeiros significativos”, salienta Moro.

Água totalmente transparente

Moro enfatiza que embora muitos piscicultores acreditem que uma água totalmente transparente seja o ideal para a criação de peixes, isso nem sempre é verdadeiro. Segundo ele, águas muito transparentes podem permitir a infiltração de raios UV, que são bastante prejudiciais para os peixes, especialmente durante períodos de alta incidência solar. Nesses casos, os peixes podem sofrer queimaduras.

Por outro lado, a transparência da água também pode ajudar a reter a incidência de luz solar, proporcionando um ambiente mais confortável para os peixes. “Quando os tanques têm uma transparência adequada, os peixes não conseguem enxergar as pessoas tão bem quanto em águas completamente transparentes, nas quais pode fazer com que os peixes fiquem assustados e parem de se alimentar adequadamente. Portanto, é importante encontrar um equilíbrio na transparência da água, de forma a garantir a saúde e o bem-estar dos peixes”, frisa Moro.

A segunda causa da turbidez da água em tanques de criação de peixes é a presença de algas, que podem levar à eutrofização. Moro afirma que para solucionar o problema da turbidez é possível utilizar tanto calcário quanto gesso agrícola, que ajudam a decantar os sólidos e deixam a água mais suspensa transparente. Porém, essa transparência pode gerar outro problema: a incidência direta de luz solar no fundo do tanque. “O que favorece a presença de algas filamentosas e plantas nativas, que dificultam o manejo e podem pesar na rede durante a despesca. Neste caso o recomendável é aplicar tanto gesso quanto calcário para diminuir a transparência da água. Em seguida, é necessário adubar o tanque para promover a produção de fitoplâncton e garantir que ele seja produzido na coluna d’água, evitando a incidência direta de luz solar”, expõe o pesquisador.

O especialista da Embrapa explica que a eutrofização é um fenômeno que ocorre quando há uma grande quantidade de nutrientes em um ambiente aquático, como nitrogênio, fósforo e potássio. Esses nutrientes são responsáveis pelo crescimento excessivo de fitoplâncton, que se acumula na superfície da água e pode causar problemas graves. “Quando a quantidade de fitoplâncton ultrapassa um nível ideal, a transparência da água começa a diminuir e o tanque fica com um excesso de alga, isso pode levar à formação de uma camada densa de algas na superfície, impedindo a penetração da luz e causando a morte do fitoplâncton na camada inferior, o que resulta em uma deterioração da qualidade da água e na redução da quantidade de oxigênio disponível”, detalha Moro.

Para resolver esse problema, o especialista aponta duas maneiras, sendo a primeira reduzir a quantidade de alimento que os peixes consomem e a segunda aumentar a renovação da água para eliminar parte dos nutrientes e do fitoplâncton acumulado. “É essencial medir regularmente a transparência da água para evitar a eutrofização e seus efeitos negativos”, lembra.

Peixe com gosto de barro

Você já ouviu falar de peixe com gosto de barro? Moro explica que isso acontece porque alguns tipos de algas produzem compostos que podem afetar o sabor da carne do peixe. Quanto mais algas houver no tanque, maior a chance de que o peixe tenha um sabor desagradável.

O especialista recorda que esse problema já causou muita resistência por parte dos consumidores, que costumavam associar o peixe de piscicultura a esse gosto ruim. “Essa situação melhorou com o tempo, graças a um melhor manejo dos tanques, à melhoria da qualidade da água e ao uso de rações de alta qualidade. Mas é importante lembrar que esse problema pode ser prejudicial para a cadeia de produção de peixes, já que o sabor ruim pode levar à perda de mercado e gerar uma reputação negativa para o setor. Por isso, é importante evitar a proliferação excessiva de algas nos tanques e garantir a qualidade da água para produzir peixes saudáveis e saborosos”, enfatiza Moro.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor aquícola acesse gratuitamente a edição digital de Aquicultura. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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Suínos

Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
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Suínos

Pig Fair destaca tecnologias para impulsionar a produtividade na suinocultura

Feira paralela ao Simpósio Brasil Sul reunirá empresas, pesquisadores, técnicos e produtores entre os dias 11 e 13 de agosto, em Chapecó.

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Foto: Divulgação

Tecnologia, inovação e geração de negócios marcarão a 17ª Brasil Sul Pig Fair, feira paralela ao 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O evento será realizado de 11 a 13 de agosto, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), reunindo mais de 50 empresas nacionais e multinacionais que apresentarão as principais tendências, produtos, serviços e tecnologias voltadas à cadeia produtiva da suinocultura.

A Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de biosseguridade, diagnóstico, genética, nutrição, vacinas, aditivos, equipamentos, automação, ambiência e tecnologia, proporcionando aos participantes contato direto com soluções inovadoras para aumentar a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade das granjas. Além da exposição de produtos e serviços, a feira se destaca como um ambiente estratégico para networking, troca de experiências e fortalecimento de parcerias entre empresas, pesquisadores, técnicos, produtores e representantes da agroindústria.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que a Pig Fair complementa a programação científica do Simpósio ao aproximar o conhecimento técnico das soluções disponíveis no mercado. “A feira é um espaço onde inovação e prática caminham juntas. Os participantes têm a oportunidade de conhecer tecnologias que já estão transformando a produção, conversar diretamente com especialistas das empresas e ampliar sua rede de relacionamentos. Essa interação entre indústria, pesquisa e campo é um dos grandes diferenciais do SBSS”, afirma.

Para o presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, a integração entre a programação técnica e a feira fortalece o papel do evento como um ambiente de atualização completa para os profissionais da cadeia produtiva. “Enquanto o Simpósio apresenta as principais discussões científicas e tendências do setor, a Pig Fair permite que os participantes conheçam, na prática, as soluções que estão sendo desenvolvidas pelas empresas. É um espaço de inovação, troca de conhecimento e geração de oportunidades para toda a suinocultura”, ressalta.

Os expositores também preparam lançamentos e novidades para esta edição, reforçando a Pig Fair como uma vitrine das principais inovações do mercado. Durante os três dias de evento, os congressistas poderão visitar os estandes, conhecer novas tecnologias, compartilhar experiências e ampliar o networking com profissionais de diferentes regiões do Brasil e da América Latina.

SBSS

As inscrições já estão disponíveis no site, acesse clicando aqui. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologias e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Programação geral

•  18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

•  17ª Brasil Sul Pig Fair

Terça-feira (11)

WORKSHOP: GESTÃO DE PROGRAMAS SANITÁRIOS NA SUINOCULTURA

9h00 – Módulo 1: A base de qualquer programa

• Conceitos de Bactericida e Bacteriostático

• Por que pensar em Farmacodinâmica e Farmacocinética

• Interações e associações de drogas antimicrobianas

Palestrante: Everson Zotti

9h40 – Módulo 2: Inteligência Sanitária e Diagnóstico

• Entendimento do conceito e desafio sanitário: qual é o meu desafio?

• Diagnóstico de rotina e análise de dados (isolamento, antibiograma, MIC)

• Aprendizado com falhas diagnósticas

Palestrante: Edison Magalhães

10h20 – Módulo 3: Desenhando Programas Factíveis

• Crítica aos protocolos de “amplo espectro”

• Impactos do uso imprudente de antimicrobianos

• O que realmente é necessário para resolver o problema

Palestrante: Augusto Heck

11h00 – Módulo 4: Farmacoeconomia e Monitoramento

• O programa que cabe no bolso (Análise de ROI)

• Como monitorar a efetividade do tratamento

• Tecnologias para detecção precoce de falhas

Palestrante: Luiz Carlos Giongo

11h30 – Mesa Redonda

13h30 – Abertura da Programação Científica

Painel Produção – A BASE

13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade

Palestrante: Rafael Ulguim

14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)

Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann

14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)

Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa

15h25 às 15h55 – Mesa Redonda

16h00 às 16h30 – Coffee break

16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína

Palestrante: Luis Rua

17h10 às 17h30 – Perguntas

17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS

18h30: Palestra de Abertura: A Nova Geopolítica dos Alimentos: Impactos nas proteínas animais e na suinocultura.

Palestrante: Marcos Jank

20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR

Quarta-feira (12)

Painel Biovigilância – Gestão Integrada

08h00 às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação

Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos

Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 – Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades

10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão

Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária

Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h00: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade

Palestrante: Ricardo Rauber

12h00 às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h00 – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade – Saúde Respiratória

14h00 às 15h00 – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação

Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h00 às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel

Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h00: Coffee Break

16h00 às 16h40 – Influenza em Foco: Impactos e alternativas de controle

Palestrante: Ricardo Yuti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura

Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h00 – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h00: Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-feira (13)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional

Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h00 – Coffee Break

Painel Pessoas – Gestão e Performance

10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados

Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance

Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação

Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
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