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Especialista aponta parâmetros essenciais para o sucesso da piscicultura brasileira

Profissional reforça que qualidade da água tem impacto direto na qualidade do produto final, influenciando o sabor, textura e cor do peixe.

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Foto: Divulgação/Arquivo/OPR

Investir em manejo e qualidade de água na piscicultura é essencial para garantir a saúde e bem-estar dos peixes, preservar o meio ambiente e oferecer um produto de alta qualidade. Produtores que adotam práticas responsáveis de manejo de água estão dando um importante passo rumo à sustentabilidade do negócio e contribuindo para a valorização da piscicultura como atividade econômica importante e promissora no Brasil.

O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovanni Vitti Moro, enfatiza que a água é o principal meio de vida destes animais e qualquer desequilíbrio na qualidade pode afetar negativamente sua saúde e crescimento, além de aumentar o risco de doenças e mortalidade. “Diferente de outros animais terrestres, o peixe vive dentro da água, então tudo que acontece na água afeta diretamente sua saúde. Ele não obtém água apenas para se hidratar, é o ambiente onde ele vive”, pontua Moro, que tratou sobre os principais parâmetros da piscicultura no Inovameat Toledo 2023, realizado em meados de abril no Oeste do Paraná.

O manejo adequado da qualidade da água envolve uma série de práticas, como a medição regular de pH, temperatura, oxigênio dissolvido e amônia, além de ações para manter os níveis ideais de cada um desses componentes. Também é importante controlar a quantidade de alimento fornecido aos peixes, para evitar sobras e consequente contaminação da água. “A qualidade da água tem impacto direto na qualidade do produto final, influenciando o sabor, textura e cor do peixe. Peixes criados em ambientes com água de boa qualidade são mais saudáveis e saborosos, o que pode aumentar a satisfação dos clientes e a rentabilidade do negócio. Além disso, um bom manejo de água na piscicultura também ajuda a preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade do negócio”, destaca o pesquisador.

Pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovanni Vitti Moro – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Durante a produção de peixes, é crucial prestar atenção em diversos parâmetros para garantir a saúde e o bem-estar dos animais. Um dos principais fatores a ser monitorado é a temperatura da água. Em regiões com invernos rigorosos, como o Oeste do Paraná, a temperatura pode cair drasticamente, afetando diretamente o metabolismo dos peixes. “Isso pode resultar em um crescimento mais lento, menor consumo de alimentos e menor desempenho zootécnico do animal”, ressalta Moro.

Outro aspecto importante é a transparência da água. A presença de sólidos em suspensão e o excesso de fitoplâncton podem prejudicar a qualidade da água e, consequentemente, a saúde dos peixes. Porém, a presença adequada de fitoplâncton é importante para o desenvolvimento da piscicultura. “Por isso é fundamental manter um equilíbrio saudável para garantir uma produção de peixes de qualidade. O manejo e a qualidade da água são elementos cruciais para o sucesso da piscicultura e devem ser tratados com a devida importância”, chama atenção Moro.

O terceiro aspecto crucial a se considerar é a quantidade de oxigênio dissolvido na água. Enquanto os humanos e outros animais obtêm o oxigênio do ar, muitas espécies de peixes precisam extrair o oxigênio da água por meio de difusão. “Por exemplo, tilápias e tambaquis precisam obter oxigênio da água. No entanto, a quantidade de oxigênio dissolvido na água é muito menor do que no ar. Por isso, a capacidade dos peixes em reter oxigênio é limitada, tornando-se esse um dos principais pontos a serem monitorados na produção de piscicultura”, afirma.

Outro fator importante é o pH da água, que varia em uma escala de 0 a 14. Um pH neutro é de 7, enquanto um pH acima de 7 é considerado alcalino e abaixo é ácido. Corpos hídricos apresentam diferentes níveis de pH, desde águas naturalmente com pH em torno de 10 até águas com pH 5,5. Moro diz que essa variação afeta os peixes, prejudicando as mucosas e brânquias, por exemplo. “Monitorar o pH da água é essencial para garantir a saúde dos peixes na piscicultura”, reforça o pesquisador.

O quinto aspecto importante é a dureza e alcalinidade, que estão intimamente ligados ao poder tampão do tanque de piscicultura. E por último os compostos nitrogenados, como a amônia, nitrito e o nitrato. “Os seres humanos excretam compostos nitrogenados através da ureia, enquanto os peixes excretam amônia, que é muito mais tóxica tanto para os peixes quanto para os humanos. Por isso, monitorar esses compostos é crucial para manter a qualidade da água e a saúde dos peixes”, frisa Moro, explicando porque os peixes excretam amônia em vez de ureia: “Isso ocorre porque a amônia é produzida a partir do metabolismo de proteínas com menor gasto energético, enquanto a conversão da amônia em ureia, que é menos tóxica, requer um maior gasto de energia. Como os peixes vivem na água, eles têm a vantagem de excretar a amônia diretamente no ambiente aquático, o que dilui o composto e evita problemas de toxicidade. Já os humanos precisam converter a amônia em ureia para armazená-la de forma menos tóxica no organismo, e excretá-la posteriormente na urina”.

Temperatura

A temperatura é um fator crítico para a sobrevivência e o desenvolvimento dos peixes, uma vez que eles são animais pecilotérmicos e não têm capacidade de controlar a temperatura corporal. Quando a temperatura da água fica muito alta, os peixes podem sofrer saturação e desequilíbrio das reações enzimáticas, o que afeta o metabolismo e pode levar a problemas de saúde. Por outro lado, temperaturas muito baixas podem causar estresse e doenças nos peixes, além de reduzir o metabolismo e a ingestão de alimentos.
Para espécies amazônicas, a temperatura ideal da água é em torno de 28ºC, mas elas podem suportar até 30ºC. Espécies da região Sul, como o jundiá, preferem temperaturas mais baixas, em torno de 25ºC a 26ºC. Já a tilápia, que veio da África para o Brasil, também é uma espécie de temperaturas altas, mas sua temperatura ideal é em torno de 25ºC a 26ºC. “Até 25ºC o desempenho zootécnico da tilápia não é muito afetado pela temperatura”, expõe Moro.

Cada espécie de peixe tem uma tolerância diferente em relação à temperatura da água. Enquanto a truta, que é uma espécie de água fria, começa a ter seu desempenho prejudicado acima de 20ºC, e pode até morrer em temperaturas em torno de 27ºC a 28ºC, por sua vez, o pirarucu já apresenta uma maior tolerância a temperaturas mais elevadas. “No entanto, em algumas de nossas experiências, constatamos que o pirarucu pode não suportar temperaturas extremas, como 24ºC, quando ocorreu mortalidade desses peixes. Por outro lado, há espécies que se adaptam bem a temperaturas mais elevadas, como é o caso de algumas que podem ser criadas em águas de até 32ºC. Portanto, é fundamental entender que a temperatura ideal da água varia bastante de espécie para espécie”, pondera Moro.

Problemas e soluções em temperatura

O especialista ressalta que quando os peixes são expostos a temperaturas inadequadas, eles tendem a ficar constantemente estressados, o que pode aumentar a incidência de doenças, principalmente durante o inverno. “Esse estresse crônico afeta o sistema imunológico dos peixes, prejudicando sua capacidade de combater doenças e tornando-os mais suscetíveis a infecções. Além disso, temperaturas acima do ideal podem levar a desarranjos metabólicos e mau funcionamento das enzimas, podendo até levar à morte dos animais”, sublinha.

Para garantir uma boa produção na piscicultura é fundamental conhecer os níveis adequados para cada espécie de peixe. Espécies de água fria, como a truta e o salmão, têm temperatura ideal mais baixa, enquanto as espécies tropicais, que são as mais produzidas no Brasil, se desenvolvem melhor em uma temperatura entre 24ºC e 28ºC. “É importante ressaltar que temperaturas abaixo de 24ºC diminuem o metabolismo do peixe, afetando seu consumo de alimento, e temperaturas acima de 28ºC podem causar problemas metabólicos e desnaturação de proteínas. Por isso é necessário monitorar e controlar a temperatura da água para garantir o sucesso da produção de peixes”, menciona.

Outros indicadores

Para uma piscicultura saudável, Moro diz que é importante manter a transparência da água entre 20 e 50cm, pois isso indica que a qualidade da água está boa. O nível de oxigênio dissolvido também é essencial e deve ser mantido acima de 3mg/L. “Embora o peixe possa sobreviver em águas com menos oxigênio ele não será capaz de desempenhar todo o seu potencial zootécnico e estará constantemente estressado. O ideal é manter o nível de oxigênio da água próximo da neutralidade, entre 6,5 e 8”, afirma o especialista.

Além disso, Moro ressalta que os níveis de nitrato devem ser mantidos abaixo de 1000mg/L, nitrito abaixo de 0,5mg/L e a amônia tóxica abaixo de 0,05mg/L. “É importante lembrar que o peixe excreta na forma de amônia, que as bactérias do corpo hídrico transformam em nitrito e outras bactérias em nitrato. Portanto, um alto nível de nitrato pode ser tóxico para os peixes, podendo chegar a ser entre 10 a 15 mil vezes mais alto do que o nitrito e a amônia na água”, detalha Moro.

Outro ponto importante é a dureza, que deve estar entre 20 a 120 mg/L, e a alcalinidade, que deve ser maior que 30mg CaCO3/L. “Manter esses parâmetros adequados é crucial para garantir a saúde e o bem-estar dos peixes em tanques escavados”, reitera.

Como fazer a aferição?

Moro diz que existem duas formas principais de medir a qualidade da água na piscicultura. A primeira e mais barata é através de kits colorimétricos, que custam entre R$ 500 e R$ 1 mil, dependendo da marca e das análises que o kit oferece. Esses kits são eficazes para análises de pH, amônia, nitrito e nitrato.

No entanto, ao analisar gases, como o oxigênio dissolvido ou o CO2 na água, Moro frisa que esses kits podem apresentar certa imprecisão devido à coleta, armazenamento e tempo necessários para análise, podendo, desta forma, os valores obtidos não serem tão precisos quando se trata de medições de gases. “Para garantir uma medição mais precisa, é recomendável que o produtor utilize equipamentos digitais, como um oxímetro, que varia entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil, dependendo da marca e da precisão dos dados. Um PHmetro é encontrado por cerca de R$ 2 mil e também é uma opção de equipamento digital para medição de pH na água”, enfatiza o pesquisador.

Um outro equipamento de medição importante na piscicultura é o disco de secchi. Para medir a transparência da água, Moro explica que o disco é dividido em duas partes, uma branca e outra preta, e é colocado na água. O disco é abaixado até que as duas partes não possam mais ser distinguidas e a profundidade é medida. Essa profundidade é uma medida da transparência da água. “Embora alguns produtores possam considerar os oxímetros e PHmetros caros, é importante ressaltar que esses equipamentos são extremamente importantes na monitoração da água. Ter esses instrumentos permite aos produtores detectar rapidamente problemas com a qualidade da água e tomar medidas preventivas para evitar a mortalidade dos peixes, o que pode resultar em prejuízos financeiros significativos”, salienta Moro.

Água totalmente transparente

Moro enfatiza que embora muitos piscicultores acreditem que uma água totalmente transparente seja o ideal para a criação de peixes, isso nem sempre é verdadeiro. Segundo ele, águas muito transparentes podem permitir a infiltração de raios UV, que são bastante prejudiciais para os peixes, especialmente durante períodos de alta incidência solar. Nesses casos, os peixes podem sofrer queimaduras.

Por outro lado, a transparência da água também pode ajudar a reter a incidência de luz solar, proporcionando um ambiente mais confortável para os peixes. “Quando os tanques têm uma transparência adequada, os peixes não conseguem enxergar as pessoas tão bem quanto em águas completamente transparentes, nas quais pode fazer com que os peixes fiquem assustados e parem de se alimentar adequadamente. Portanto, é importante encontrar um equilíbrio na transparência da água, de forma a garantir a saúde e o bem-estar dos peixes”, frisa Moro.

A segunda causa da turbidez da água em tanques de criação de peixes é a presença de algas, que podem levar à eutrofização. Moro afirma que para solucionar o problema da turbidez é possível utilizar tanto calcário quanto gesso agrícola, que ajudam a decantar os sólidos e deixam a água mais suspensa transparente. Porém, essa transparência pode gerar outro problema: a incidência direta de luz solar no fundo do tanque. “O que favorece a presença de algas filamentosas e plantas nativas, que dificultam o manejo e podem pesar na rede durante a despesca. Neste caso o recomendável é aplicar tanto gesso quanto calcário para diminuir a transparência da água. Em seguida, é necessário adubar o tanque para promover a produção de fitoplâncton e garantir que ele seja produzido na coluna d’água, evitando a incidência direta de luz solar”, expõe o pesquisador.

O especialista da Embrapa explica que a eutrofização é um fenômeno que ocorre quando há uma grande quantidade de nutrientes em um ambiente aquático, como nitrogênio, fósforo e potássio. Esses nutrientes são responsáveis pelo crescimento excessivo de fitoplâncton, que se acumula na superfície da água e pode causar problemas graves. “Quando a quantidade de fitoplâncton ultrapassa um nível ideal, a transparência da água começa a diminuir e o tanque fica com um excesso de alga, isso pode levar à formação de uma camada densa de algas na superfície, impedindo a penetração da luz e causando a morte do fitoplâncton na camada inferior, o que resulta em uma deterioração da qualidade da água e na redução da quantidade de oxigênio disponível”, detalha Moro.

Para resolver esse problema, o especialista aponta duas maneiras, sendo a primeira reduzir a quantidade de alimento que os peixes consomem e a segunda aumentar a renovação da água para eliminar parte dos nutrientes e do fitoplâncton acumulado. “É essencial medir regularmente a transparência da água para evitar a eutrofização e seus efeitos negativos”, lembra.

Peixe com gosto de barro

Você já ouviu falar de peixe com gosto de barro? Moro explica que isso acontece porque alguns tipos de algas produzem compostos que podem afetar o sabor da carne do peixe. Quanto mais algas houver no tanque, maior a chance de que o peixe tenha um sabor desagradável.

O especialista recorda que esse problema já causou muita resistência por parte dos consumidores, que costumavam associar o peixe de piscicultura a esse gosto ruim. “Essa situação melhorou com o tempo, graças a um melhor manejo dos tanques, à melhoria da qualidade da água e ao uso de rações de alta qualidade. Mas é importante lembrar que esse problema pode ser prejudicial para a cadeia de produção de peixes, já que o sabor ruim pode levar à perda de mercado e gerar uma reputação negativa para o setor. Por isso, é importante evitar a proliferação excessiva de algas nos tanques e garantir a qualidade da água para produzir peixes saudáveis e saborosos”, enfatiza Moro.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor aquícola acesse gratuitamente a edição digital de Aquicultura. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra

Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

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A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.

O desafio dos custos de produção

O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.

A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.

Principais propostas para o Plano Safra

Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:

Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.

Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.

Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.

Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.

Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).

Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.

Importância econômica e segurança alimentar

Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.

Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria ACCS
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Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira

Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

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Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra

Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.

Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).

Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.

A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.

Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.

Prevenção

A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.

Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.

Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.

Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.

Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Exportações de suínos do Paraná atingem 21,36 mil toneladas em março

Volume cresce 10,1% em relação a 2025, com forte demanda internacional.

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A suinocultura paranaense enviou 21,36 mil toneladas para o mercado externo em março de 2026, configurando o melhor desempenho exportador para este mês, segundo o boletim semanal do Deral (Departamento de Economia Rural), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento, divulgado nesta quinta-feira (16).

O resultado foi impulsionado pela demanda do mercado filipino, que importou 4,64 mil toneladas no terceiro mês de 2026, um aumento de 86,9% (2,16 mil toneladas) em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Março registrou o quarto melhor resultado da história, ficando atrás apenas dos volumes exportados em setembro (25,18 mil t), outubro (22,18 mil t) e dezembro (22,12 mil t) do ano passado.

Foto: Fernando Dias

Os dados da plataforma Comex Stat/MDIC, que levantam os números das exportações brasileiras desde 1997, mostram que as 21,36 mil toneladas exportadas em março representam um aumento de 10,1% em relação a março de 2025. Esse padrão de resultados recordes vem sendo observado no Paraná desde julho de 2024.

O boletim traz notícias positivas também para a pecuária leiteira. Após a alta no preço do leite no varejo, evidenciada na última pesquisa elaborada pelo Deral referente ao mês de março, o valor recebido pelo produtor também passou a se movimentar no mesmo sentido na última semana. Houve um avanço de 12,8% em relação à semana anterior.

“O pecuarista passou a receber, em média, R$ 2,43 por litro posto na indústria, ante R$ 2,15 registrados na pesquisa anterior. O período de entressafra das pastagens, aliado à redução na captação, é o principal fator por trás da valorização do produto”, explicou o veterinário do Deral Thiago de Marchi da Silva.

Frango

O custo de produção do frango vivo no Paraná está estabilizado em R$ 4,72/kg, informa o técnico do Deral, Roberto Carlos de Andrade e Silva. Já o preço nominal médio pago ao produtor fechou o mês passado em R$ 4,59/kg – 2,75% menor que no mês anterior.

A alta dos insumos é a principal causa do aumento dos custos de produção. Segundo informações da Deral, o preço do milho no atacado paranaense, em março, atingiu R$ 62,92 a saca de 60 kg, representando um aumento de 2,5% em relação ao mês anterior. Roberto Carlos ressalta que os indicadores de março ainda não sofreram os impactos do conflito entre Estados Unidos/Israel contra o Irã, iniciado em fevereiro.

“Como a guerra teve início no fechamento do bimestre, os números de março ainda não refletiram os custos dos insumos que tendem a subir num cenário de guerra, mesmo que bem longe do Brasil”, observou.

Óleo de soja

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Houve redução no valor do óleo de soja no varejo nos primeiros três meses do ano, em comparação ao preço médio de 2025. A redução se deve à retração do preço da soja em grão. Em março, o preço recebido pelo produtor de soja fechou em R$ 115,09 por saca de 60 quilos, 3% inferior à média de 2025.

A pesquisa de preços no varejo, realizada mensalmente pelo Deral, apontou que a embalagem de 900ml de óleo de soja foi comercializada no Estado a R$ 7,25, na média, em março, enquanto no ano passado era de R$ 7,42. Assim, os preços atuais estão 2,3% menores em relação à média de 2025. Já na comparação com fevereiro, houve alta de 2,1%.

Fonte: AEN-PR
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