Suínos
Especialista aponta parâmetros essenciais para o sucesso da piscicultura brasileira
Profissional reforça que qualidade da água tem impacto direto na qualidade do produto final, influenciando o sabor, textura e cor do peixe.

Investir em manejo e qualidade de água na piscicultura é essencial para garantir a saúde e bem-estar dos peixes, preservar o meio ambiente e oferecer um produto de alta qualidade. Produtores que adotam práticas responsáveis de manejo de água estão dando um importante passo rumo à sustentabilidade do negócio e contribuindo para a valorização da piscicultura como atividade econômica importante e promissora no Brasil.
O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovanni Vitti Moro, enfatiza que a água é o principal meio de vida destes animais e qualquer desequilíbrio na qualidade pode afetar negativamente sua saúde e crescimento, além de aumentar o risco de doenças e mortalidade. “Diferente de outros animais terrestres, o peixe vive dentro da água, então tudo que acontece na água afeta diretamente sua saúde. Ele não obtém água apenas para se hidratar, é o ambiente onde ele vive”, pontua Moro, que tratou sobre os principais parâmetros da piscicultura no Inovameat Toledo 2023, realizado em meados de abril no Oeste do Paraná.
O manejo adequado da qualidade da água envolve uma série de práticas, como a medição regular de pH, temperatura, oxigênio dissolvido e amônia, além de ações para manter os níveis ideais de cada um desses componentes. Também é importante controlar a quantidade de alimento fornecido aos peixes, para evitar sobras e consequente contaminação da água. “A qualidade da água tem impacto direto na qualidade do produto final, influenciando o sabor, textura e cor do peixe. Peixes criados em ambientes com água de boa qualidade são mais saudáveis e saborosos, o que pode aumentar a satisfação dos clientes e a rentabilidade do negócio. Além disso, um bom manejo de água na piscicultura também ajuda a preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade do negócio”, destaca o pesquisador.
Durante a produção de peixes, é crucial prestar atenção em diversos parâmetros para garantir a saúde e o bem-estar dos animais. Um dos principais fatores a ser monitorado é a temperatura da água. Em regiões com invernos rigorosos, como o Oeste do Paraná, a temperatura pode cair drasticamente, afetando diretamente o metabolismo dos peixes. “Isso pode resultar em um crescimento mais lento, menor consumo de alimentos e menor desempenho zootécnico do animal”, ressalta Moro.
Outro aspecto importante é a transparência da água. A presença de sólidos em suspensão e o excesso de fitoplâncton podem prejudicar a qualidade da água e, consequentemente, a saúde dos peixes. Porém, a presença adequada de fitoplâncton é importante para o desenvolvimento da piscicultura. “Por isso é fundamental manter um equilíbrio saudável para garantir uma produção de peixes de qualidade. O manejo e a qualidade da água são elementos cruciais para o sucesso da piscicultura e devem ser tratados com a devida importância”, chama atenção Moro.
O terceiro aspecto crucial a se considerar é a quantidade de oxigênio dissolvido na água. Enquanto os humanos e outros animais obtêm o oxigênio do ar, muitas espécies de peixes precisam extrair o oxigênio da água por meio de difusão. “Por exemplo, tilápias e tambaquis precisam obter oxigênio da água. No entanto, a quantidade de oxigênio dissolvido na água é muito menor do que no ar. Por isso, a capacidade dos peixes em reter oxigênio é limitada, tornando-se esse um dos principais pontos a serem monitorados na produção de piscicultura”, afirma.
Outro fator importante é o pH da água, que varia em uma escala de 0 a 14. Um pH neutro é de 7, enquanto um pH acima de 7 é considerado alcalino e abaixo é ácido. Corpos hídricos apresentam diferentes níveis de pH, desde águas naturalmente com pH em torno de 10 até águas com pH 5,5. Moro diz que essa variação afeta os peixes, prejudicando as mucosas e brânquias, por exemplo. “Monitorar o pH da água é essencial para garantir a saúde dos peixes na piscicultura”, reforça o pesquisador.
O quinto aspecto importante é a dureza e alcalinidade, que estão intimamente ligados ao poder tampão do tanque de piscicultura. E por último os compostos nitrogenados, como a amônia, nitrito e o nitrato. “Os seres humanos excretam compostos nitrogenados através da ureia, enquanto os peixes excretam amônia, que é muito mais tóxica tanto para os peixes quanto para os humanos. Por isso, monitorar esses compostos é crucial para manter a qualidade da água e a saúde dos peixes”, frisa Moro, explicando porque os peixes excretam amônia em vez de ureia: “Isso ocorre porque a amônia é produzida a partir do metabolismo de proteínas com menor gasto energético, enquanto a conversão da amônia em ureia, que é menos tóxica, requer um maior gasto de energia. Como os peixes vivem na água, eles têm a vantagem de excretar a amônia diretamente no ambiente aquático, o que dilui o composto e evita problemas de toxicidade. Já os humanos precisam converter a amônia em ureia para armazená-la de forma menos tóxica no organismo, e excretá-la posteriormente na urina”.
Temperatura
A temperatura é um fator crítico para a sobrevivência e o desenvolvimento dos peixes, uma vez que eles são animais pecilotérmicos e não têm capacidade de controlar a temperatura corporal. Quando a temperatura da água fica muito alta, os peixes podem sofrer saturação e desequilíbrio das reações enzimáticas, o que afeta o metabolismo e pode levar a problemas de saúde. Por outro lado, temperaturas muito baixas podem causar estresse e doenças nos peixes, além de reduzir o metabolismo e a ingestão de alimentos.
Para espécies amazônicas, a temperatura ideal da água é em torno de 28ºC, mas elas podem suportar até 30ºC. Espécies da região Sul, como o jundiá, preferem temperaturas mais baixas, em torno de 25ºC a 26ºC. Já a tilápia, que veio da África para o Brasil, também é uma espécie de temperaturas altas, mas sua temperatura ideal é em torno de 25ºC a 26ºC. “Até 25ºC o desempenho zootécnico da tilápia não é muito afetado pela temperatura”, expõe Moro.
Cada espécie de peixe tem uma tolerância diferente em relação à temperatura da água. Enquanto a truta, que é uma espécie de água fria, começa a ter seu desempenho prejudicado acima de 20ºC, e pode até morrer em temperaturas em torno de 27ºC a 28ºC, por sua vez, o pirarucu já apresenta uma maior tolerância a temperaturas mais elevadas. “No entanto, em algumas de nossas experiências, constatamos que o pirarucu pode não suportar temperaturas extremas, como 24ºC, quando ocorreu mortalidade desses peixes. Por outro lado, há espécies que se adaptam bem a temperaturas mais elevadas, como é o caso de algumas que podem ser criadas em águas de até 32ºC. Portanto, é fundamental entender que a temperatura ideal da água varia bastante de espécie para espécie”, pondera Moro.
Problemas e soluções em temperatura
O especialista ressalta que quando os peixes são expostos a temperaturas inadequadas, eles tendem a ficar constantemente estressados, o que pode aumentar a incidência de doenças, principalmente durante o inverno. “Esse estresse crônico afeta o sistema imunológico dos peixes, prejudicando sua capacidade de combater doenças e tornando-os mais suscetíveis a infecções. Além disso, temperaturas acima do ideal podem levar a desarranjos metabólicos e mau funcionamento das enzimas, podendo até levar à morte dos animais”, sublinha.
Para garantir uma boa produção na piscicultura é fundamental conhecer os níveis adequados para cada espécie de peixe. Espécies de água fria, como a truta e o salmão, têm temperatura ideal mais baixa, enquanto as espécies tropicais, que são as mais produzidas no Brasil, se desenvolvem melhor em uma temperatura entre 24ºC e 28ºC. “É importante ressaltar que temperaturas abaixo de 24ºC diminuem o metabolismo do peixe, afetando seu consumo de alimento, e temperaturas acima de 28ºC podem causar problemas metabólicos e desnaturação de proteínas. Por isso é necessário monitorar e controlar a temperatura da água para garantir o sucesso da produção de peixes”, menciona.
Outros indicadores
Para uma piscicultura saudável, Moro diz que é importante manter a transparência da água entre 20 e 50cm, pois isso indica que a qualidade da água está boa. O nível de oxigênio dissolvido também é essencial e deve ser mantido acima de 3mg/L. “Embora o peixe possa sobreviver em águas com menos oxigênio ele não será capaz de desempenhar todo o seu potencial zootécnico e estará constantemente estressado. O ideal é manter o nível de oxigênio da água próximo da neutralidade, entre 6,5 e 8”, afirma o especialista.
Além disso, Moro ressalta que os níveis de nitrato devem ser mantidos abaixo de 1000mg/L, nitrito abaixo de 0,5mg/L e a amônia tóxica abaixo de 0,05mg/L. “É importante lembrar que o peixe excreta na forma de amônia, que as bactérias do corpo hídrico transformam em nitrito e outras bactérias em nitrato. Portanto, um alto nível de nitrato pode ser tóxico para os peixes, podendo chegar a ser entre 10 a 15 mil vezes mais alto do que o nitrito e a amônia na água”, detalha Moro.
Outro ponto importante é a dureza, que deve estar entre 20 a 120 mg/L, e a alcalinidade, que deve ser maior que 30mg CaCO3/L. “Manter esses parâmetros adequados é crucial para garantir a saúde e o bem-estar dos peixes em tanques escavados”, reitera.
Como fazer a aferição?
Moro diz que existem duas formas principais de medir a qualidade da água na piscicultura. A primeira e mais barata é através de kits colorimétricos, que custam entre R$ 500 e R$ 1 mil, dependendo da marca e das análises que o kit oferece. Esses kits são eficazes para análises de pH, amônia, nitrito e nitrato.
No entanto, ao analisar gases, como o oxigênio dissolvido ou o CO2 na água, Moro frisa que esses kits podem apresentar certa imprecisão devido à coleta, armazenamento e tempo necessários para análise, podendo, desta forma, os valores obtidos não serem tão precisos quando se trata de medições de gases. “Para garantir uma medição mais precisa, é recomendável que o produtor utilize equipamentos digitais, como um oxímetro, que varia entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil, dependendo da marca e da precisão dos dados. Um PHmetro é encontrado por cerca de R$ 2 mil e também é uma opção de equipamento digital para medição de pH na água”, enfatiza o pesquisador.
Um outro equipamento de medição importante na piscicultura é o disco de secchi. Para medir a transparência da água, Moro explica que o disco é dividido em duas partes, uma branca e outra preta, e é colocado na água. O disco é abaixado até que as duas partes não possam mais ser distinguidas e a profundidade é medida. Essa profundidade é uma medida da transparência da água. “Embora alguns produtores possam considerar os oxímetros e PHmetros caros, é importante ressaltar que esses equipamentos são extremamente importantes na monitoração da água. Ter esses instrumentos permite aos produtores detectar rapidamente problemas com a qualidade da água e tomar medidas preventivas para evitar a mortalidade dos peixes, o que pode resultar em prejuízos financeiros significativos”, salienta Moro.
Água totalmente transparente
Moro enfatiza que embora muitos piscicultores acreditem que uma água totalmente transparente seja o ideal para a criação de peixes, isso nem sempre é verdadeiro. Segundo ele, águas muito transparentes podem permitir a infiltração de raios UV, que são bastante prejudiciais para os peixes, especialmente durante períodos de alta incidência solar. Nesses casos, os peixes podem sofrer queimaduras.
Por outro lado, a transparência da água também pode ajudar a reter a incidência de luz solar, proporcionando um ambiente mais confortável para os peixes. “Quando os tanques têm uma transparência adequada, os peixes não conseguem enxergar as pessoas tão bem quanto em águas completamente transparentes, nas quais pode fazer com que os peixes fiquem assustados e parem de se alimentar adequadamente. Portanto, é importante encontrar um equilíbrio na transparência da água, de forma a garantir a saúde e o bem-estar dos peixes”, frisa Moro.
A segunda causa da turbidez da água em tanques de criação de peixes é a presença de algas, que podem levar à eutrofização. Moro afirma que para solucionar o problema da turbidez é possível utilizar tanto calcário quanto gesso agrícola, que ajudam a decantar os sólidos e deixam a água mais suspensa transparente. Porém, essa transparência pode gerar outro problema: a incidência direta de luz solar no fundo do tanque. “O que favorece a presença de algas filamentosas e plantas nativas, que dificultam o manejo e podem pesar na rede durante a despesca. Neste caso o recomendável é aplicar tanto gesso quanto calcário para diminuir a transparência da água. Em seguida, é necessário adubar o tanque para promover a produção de fitoplâncton e garantir que ele seja produzido na coluna d’água, evitando a incidência direta de luz solar”, expõe o pesquisador.
O especialista da Embrapa explica que a eutrofização é um fenômeno que ocorre quando há uma grande quantidade de nutrientes em um ambiente aquático, como nitrogênio, fósforo e potássio. Esses nutrientes são responsáveis pelo crescimento excessivo de fitoplâncton, que se acumula na superfície da água e pode causar problemas graves. “Quando a quantidade de fitoplâncton ultrapassa um nível ideal, a transparência da água começa a diminuir e o tanque fica com um excesso de alga, isso pode levar à formação de uma camada densa de algas na superfície, impedindo a penetração da luz e causando a morte do fitoplâncton na camada inferior, o que resulta em uma deterioração da qualidade da água e na redução da quantidade de oxigênio disponível”, detalha Moro.
Para resolver esse problema, o especialista aponta duas maneiras, sendo a primeira reduzir a quantidade de alimento que os peixes consomem e a segunda aumentar a renovação da água para eliminar parte dos nutrientes e do fitoplâncton acumulado. “É essencial medir regularmente a transparência da água para evitar a eutrofização e seus efeitos negativos”, lembra.
Peixe com gosto de barro
Você já ouviu falar de peixe com gosto de barro? Moro explica que isso acontece porque alguns tipos de algas produzem compostos que podem afetar o sabor da carne do peixe. Quanto mais algas houver no tanque, maior a chance de que o peixe tenha um sabor desagradável.
O especialista recorda que esse problema já causou muita resistência por parte dos consumidores, que costumavam associar o peixe de piscicultura a esse gosto ruim. “Essa situação melhorou com o tempo, graças a um melhor manejo dos tanques, à melhoria da qualidade da água e ao uso de rações de alta qualidade. Mas é importante lembrar que esse problema pode ser prejudicial para a cadeia de produção de peixes, já que o sabor ruim pode levar à perda de mercado e gerar uma reputação negativa para o setor. Por isso, é importante evitar a proliferação excessiva de algas nos tanques e garantir a qualidade da água para produzir peixes saudáveis e saborosos”, enfatiza Moro.
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Suínos
Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol
Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”
Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.
Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.
Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.
Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock
A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.
A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.
Produção segura e rentável
De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.
Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.




