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Especialista aponta o que está por trás da nova reputação global da avicultura brasileira
Automatização de processos, uso de energia limpa e ferramentas de nutrição de precisão estão entre as principais aliadas da avicultura brasileira na busca por maior eficiência e menor impacto ambiental.

Automatização de processos, uso de energia limpa e ferramentas de nutrição de precisão estão entre as principais aliadas da avicultura brasileira na busca por maior eficiência e menor impacto ambiental. Combinando bem-estar animal, redução de resíduos e melhor aproveitamento energético, essas tecnologias vêm transformando o setor em uma referência de sustentabilidade na produção de proteína animal.

Doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges: “A geração de energia limpa, associada à automação dos equipamentos, contribui para reduzir os custos de produção e a pegada ambiental da atividade” – Fotos: Divulgação/Alimenta
Hoje, os sistemas automatizados de climatização e ambiência permitem o controle preciso de temperatura, umidade e ventilação nos aviários, promovendo conforto térmico às aves e, consequentemente, melhor desempenho zootécnico. “Ambientes bem manejados reduzem o estresse dos animais, o consumo de recursos naturais e a emissão de gases como a amônia”, explica o doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges, destacando que tecnologias como ventilação túnel, resfriamento evaporativo e sensores climáticos se consolidaram como pilares da produção moderna e sustentável.
Outra solução que tem ganhado espaço no campo é a utilização de painéis solares para suprir parte da demanda energética das granjas. “A geração de energia limpa, associada à automação dos equipamentos, contribui para reduzir os custos de produção e a pegada ambiental da atividade”, expõe Borges, que vai palestrar sobre ‘Tecnologias aplicadas para melhorar a sustentabilidade do Brasil na produção de aves’ durante o Alimenta 2025 – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal, realizado nesta semana no Campus da Indústria da Fiep, em Curitiba (PR).
A sustentabilidade também avança com o uso de biodigestores, capazes de transformar os dejetos orgânicos das aves em biogás e biofertilizantes, criando uma cadeia mais circular e com menor descarte de resíduos. Além de fornecer energia para a própria propriedade, os biodigestores ajudam a mitigar os impactos ambientais da produção intensiva.

Na área da nutrição, ferramentas de alta precisão estão sendo aplicadas para otimizar o uso de ingredientes e reduzir perdas. “O conceito de proteína ideal, o uso de aditivos zootécnicos, enzimas, minerais orgânicos e fontes alternativas de fósforo fazem parte da estratégia de reduzir as emissões e aumentar a eficiência alimentar das aves”, pontua Borges.
O especialista salienta ainda que tecnologias como a espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) e a cromatografia líquida de alta performance (HPLC) viabilizam análises rápidas e precisas da composição dos alimentos, auxiliando na formulação de dietas mais balanceadas e sustentáveis.
Rastreabilidade agrega valor ao setor
Outra tecnologia que tem ganhado espaço na avicultura moderna é a rastreabilidade. Mais do que uma exigência regulatória, ela tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para garantir transparência, segurança e atender às crescentes demandas ambientais dos mercados internacionais.

Doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges: “O conceito de proteína ideal, o uso de aditivos zootécnicos, enzimas, minerais orgânicos e fontes alternativas de fósforo fazem parte da estratégia de reduzir as emissões e aumentar a eficiência alimentar das aves”
Através de sistemas que monitoram toda a cadeia produtiva, desde a origem dos insumos usados na ração, passando pelo manejo das aves, até o abate e a distribuição, a rastreabilidade permite comprovar práticas sustentáveis adotadas nas propriedades e agroindústrias. No contexto ambiental, ela tem sido essencial para documentar ações como o não desmatamento, o uso racional de água e energia, a correta gestão de resíduos e o controle das emissões de gases de efeito estufa. “A rastreabilidade não apenas assegura conformidade com protocolos internacionais, como agrega valor ao produto final e fortalece a imagem do Brasil como fornecedor confiável e sustentável de proteína animal”, enfatiza Borges.
Nos setores de nutrição animal, essa rastreabilidade tem sido aplicada de forma rigorosa para garantir a origem segura e ambientalmente responsável dos ingredientes utilizados nas rações. Borges explica que cada etapa do processo da seleção e recebimento das matérias-primas até o processamento e distribuição dos produtos é monitorada com apoio de tecnologias como a espectroscopia NIR, cromatografia líquida de alta performance (HPLC), QR codes e plataformas digitais integradas. “Essas ferramentas permitem fornecer informações em tempo real e com alto grau de confiabilidade, facilitando auditorias e certificações internacionais”, pontua o profissional.

Com esse nível de controle, é possível comprovar que os insumos utilizados são livres de contaminantes, produzidos com menor impacto ambiental e seguros tanto para os animais quanto para o meio ambiente. “A rastreabilidade se tornou uma aliada essencial da sustentabilidade, conectando os requisitos de mercado às boas práticas da produção no campo e na indústria”, reforça Borges.
Eficiência no uso de recursos
A automação e sensoriamento têm papel fundamental na redução do uso de água, energia e insumos na avicultura, contribuindo diretamente para uma produção mais eficiente e sustentável. A automação permite que as decisões deixem de ser baseadas em percepção e passem a ser orientadas por dados concretos. Isso transforma a gestão da granja, reduz desperdícios e melhora o desempenho produtivo.
Ambientes climatizados automaticamente, com sensores que regulam temperatura, umidade e ventilação de forma contínua e precisa, evitam o uso excessivo de ventiladores, nebulizadores e aquecedores, otimizando a demanda energética e o uso da água.
Enquanto o monitoramento remoto, realizado via aplicativos e plataformas digitais, permite ajustes rápidos no manejo, antecipação de falhas e identificação de desperdícios, como vazamentos nos sistemas de água ou fornecimento excessivo de ração.
Além disso, o uso inteligente dessas tecnologias favorece o bem-estar animal, ao garantir condições ambientais

ideais, e contribui para o uso racional dos recursos naturais. “Estamos falando de uma produção mais eficiente, com menor pegada hídrica e energética, que responde tanto às exigências ambientais quanto à necessidade de rentabilidade do produtor”, destaca Borges.
Nutrição de precisão
As inovações em nutrição de precisão têm desempenhado um papel central na busca por uma produção avícola mais sustentável e eficiente. Por meio de formulações ajustadas com base nas necessidades específicas das aves em cada fase de crescimento, os nutricionistas conseguem oferecer dietas mais equilibradas, evitando o fornecimento excessivo de nutrientes como proteína e fósforo, principais responsáveis pela excreção de nitrogênio e fósforo no ambiente. “Isso reduz a produção de amônia, um dos gases mais emitidos na avicultura e prejudicial tanto ao meio ambiente quanto ao bem-estar animal”, observa Borges.
Além dos ajustes finos nas formulações, o setor tem investido cada vez mais em tecnologias nutricionais que potencializam o aproveitamento dos ingredientes. O uso de aminoácidos sintéticos, enzimas exógenas, ácidos orgânicos, óleos essenciais, peptídeos bioativos e aditivos imunomoduladores permite uma digestão mais eficiente e uma menor perda de nutrientes nas excretas. Isso se reflete na redução do impacto ambiental e na manutenção do desempenho zootécnico dos lotes. “Com essas tecnologias, os sistemas de produção se tornam mais sustentáveis, ao mesmo tempo em que mantêm o desempenho zootécnico e reduzem os custos e os volumes utilizados dos insumos”, expõe.

Inteligência artificial e big data
O uso de inteligência artificial e big data na avicultura nacional tem avançado como uma solução estratégica para otimizar recursos e antecipar problemas ambientais. Essas tecnologias permitem o monitoramento em tempo real de variáveis como temperatura, umidade, consumo de ração e água, além do comportamento das aves. “Com algoritmos de aprendizado de máquina é possível prever situações de estresse térmico, identificar padrões que indicam riscos sanitários e ajustar automaticamente os sistemas de ventilação e alimentação”, relata Borges, acrescentando que esses ajustes automáticos resultam na redução do consumo de energia e na minimização do desperdício de insumos, tornando a produção mais eficiente e ambientalmente responsável.
O especialista afirma que algumas agroindústrias já utilizam sensores e sistemas automatizados para monitorar a saúde dos animais e o uso de recursos, o que permite ações rápidas e precisas. Essa abordagem contribui tanto para o bem-estar das aves quanto para a redução dos impactos ambientais.
Além disso, a análise de grandes volumes de dados coletados e compilados nas granjas por meio de softwares especializados possibilita uma gestão mais estratégica. “A partir dessas análises, os produtores conseguem identificar oportunidades de melhoria contínua e garantir conformidade com as exigências dos mercados internacionais em termos de sustentabilidade e rastreabilidade”, aponta Borges, ressaltando que a integração da inteligência artificial e da big data à rotina das granjas representa um avanço significativo rumo a uma produção avícola mais responsável, eficiente e alinhada às crescentes demandas globais por alimentos seguros e sustentáveis.
Integração na cadeia avícola
Os sistemas integrados entre produtores, cooperativas e agroindústrias têm desempenhado um papel central na

promoção de práticas mais sustentáveis na cadeia avícola brasileira. “Essa estrutura de integração favorece a padronização dos processos, aumenta a eficiência e reforça a responsabilidade compartilhada entre os elos da produção”, afirma o especialista.
Ao permitir um planejamento coordenado, o modelo integrado contribui diretamente para a redução de desperdícios de insumos, evita a superlotação nos aviários e otimiza o uso de recursos naturais como água, energia e ração. Além disso, cooperativas e agroindústrias oferecem suporte técnico constante, capacitação e acesso a tecnologias sustentáveis nas áreas de automação, manejo, nutrição e gestão ambiental.
Outro diferencial do sistema é a facilidade para implantar programas de rastreabilidade, bem-estar animal e controle de emissões, já que todos os envolvidos seguem protocolos e metas comuns. Isso assegura maior conformidade com exigências socioambientais de mercados exigentes como União Europeia e Ásia. “Com ganhos produtivos, menor impacto ambiental e alinhamento com as demandas globais por sustentabilidade, a integração fortalece a imagem do Brasil como um dos principais exportadores mundiais de carne de frango, promovendo a confiança e a competitividade da avicultura nacional”, ressalta Borges.
Reaproveitamento de resíduos
O manejo adequado dos resíduos da produção avícola, como a cama de frango e os dejetos, tem se consolidado como uma estratégia sustentável e eficiente para reduzir o impacto ambiental da atividade. “Além de diminuir a necessidade de novas matérias-primas para a cama, o que ajuda a mitigar pressões sobre a indústria do desmatamento, esses resíduos, ricos em matéria orgânica e nutrientes, têm sido amplamente utilizados na produção de biofertilizantes, compostagem e geração de energia por meio do biogás”, expõe Borges, destacando que a comercialização da cama de frango também representa uma importante fonte de renda adicional para os produtores.
Entre as principais tecnologias utilizadas no reaproveitamento dos resíduos avícolas estão a compostagem da cama, realizada nas próprias instalações das granjas por meio de processos aeróbicos que transformam os resíduos em adubo orgânico de alta qualidade, utilizado em diversas culturas agrícolas; os biodigestores anaeróbicos, que convertem os dejetos em biogás (metano) para uso como energia térmica ou elétrica, além de gerarem um biofertilizante líquido como subproduto; a secagem e peletização da cama de frango, que é transformada em pellets, facilitando o transporte, o armazenamento e o uso como fertilizante orgânico sólido; e a separação de sólidos e líquidos em granjas com coleta líquida, permitindo o tratamento mais eficiente dos resíduos, com cada fração sendo destinada ao uso mais adequado.
Borges destaca que os principais desafios para os produtores acessarem tecnologias voltadas à sustentabilidade na avicultura incluem o alto custo dessas ferramentas. “Sistemas como ambiência automatizada, biodigestores e energia solar demandam investimentos iniciais elevados, muitas vezes inviáveis para produtores com menor capital”, menciona.
Além disso, Borges ressalta que a dificuldade no acesso ao crédito rural agrava a situação, embora existam linhas de

financiamento, pequenos produtores enfrentam entraves burocráticos, exigências de garantias e baixa aprovação. Outro obstáculo, segundo o especialista, é o baixo nível de assistência técnica disponível, somado ao desconhecimento e à resistência à adoção de novas tecnologias.
A infraestrutura deficiente em algumas regiões também compromete a viabilidade de implantação dessas soluções. Borges ainda aponta que o acesso a mercados que valorizam produtos sustentáveis é limitado, e os custos e a complexidade das certificações ambientais dificultam a participação de produtores de menor porte.
Adoção de tecnologias sustentáveis
O Brasil tem se destacado globalmente na adoção de tecnologias sustentáveis na produção de aves, especialmente em comparação com outros grandes exportadores, como os Estados Unidos e países da União Europeia.
Em 2023, Brasil e Estados Unidos apresentaram os menores custos de produção de frangos de corte, resultado direto da eficiência gerada pelo uso de tecnologias avançadas em nutrição, controle sanitário rigoroso e manejos de ambiência, com destaque para os aviários climatizados com pressão positiva, que favorecem o bem-estar animal e reduzem o consumo de energia. “O clima tropical brasileiro contribui para a menor necessidade de uso de energia em sistemas de aquecimento ou resfriamento, reforçando a sustentabilidade do setor. Enquanto isso, países europeus enfrentam custos mais elevados, impulsionados por regulamentações ambientais mais rígidas, altos preços de energia e mão de obra, o que dificulta a competitividade e a adoção de inovações sustentáveis de alto investimento”, menciona Borges.
Em contrapartida, o Brasil tem avançado em pesquisa e desenvolvimento, com foco em práticas mais sustentáveis e eficientes na avicultura. “Os investimentos contínuos incluem aprimoramentos em nutrição, manejo ambiental e uso racional dos recursos naturais, consolidando a posição do país como referência mundial em sustentabilidade na produção de carne de frango”, sustenta Borges.
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Colunistas Reconquista do território
Como frigoríficos regionais desafiam gigantes e remodelam o varejo da carne no Brasil
Com agilidade logística, conhecimento do consumidor local e foco em qualidade, players de menor porte ganham preferência nas gôndolas e forçam uma nova dinâmica na indústria.

Uma transformação silenciosa, mas de profundo impacto, está redesenhando o mapa do varejo de carnes no Brasil. Se por décadas o domínio pertenceu a grandes conglomerados frigoríficos e redes de supermercados nacionais, que ditavam as regras com produtos e estratégias padronizadas, hoje o cenário é outro.
Uma nova força, pulverizada e potente, emerge com vigor: os players regionais. Eles não apenas estão competindo, mas estão ganhando espaço em seus próprios territórios, conquistando a preferência do consumidor e, crucialmente, do varejista.
Essa mudança de eixo força toda a cadeia produtiva a repensar suas estratégias. A análise dessa tendência revela um novo playbook para o sucesso, baseado não mais na escala continental, mas na excelência local.
A mudança mais expressiva está nos números. Há cerca de uma década, as grandes redes nacionais detinham mais de 80% do faturamento do setor supermercadista. Hoje, a realidade é drasticamente diferente. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) revelam que, entre os 20 maiores grupos do país, as redes regionais já respondem por aproximadamente 70% do faturamento. Essa inversão de poder demonstra uma nova configuração de mercado, onde múltiplos campeões regionais se fortalecem em suas respectivas áreas de atuação.
Armas dos campeões locais
O que explica essa reviravolta? Os frigoríficos e supermercados regionais construíram um fosso competitivo baseado em vantagens claras e difíceis de replicar por conglomerados de escala continental.
A principal delas é a intimidade com o mercado. Um frigorífico regional entende as nuances do paladar local, os cortes de carne preferidos, os hábitos de consumo sazonais e até a forma como o churrasco é preparado na região. Essa compreensão permite a criação de um portfólio de produtos perfeitamente ajustado à demanda e uma comunicação direta com o consumidor, transformando a marca de um fornecedor genérico em parte da cultura local.
Em segundo lugar, a logística funciona como a principal arma competitiva, com impacto direto na rentabilidade do varejista. A agilidade dos frigoríficos regionais vai muito além da simples entrega rápida. Ela é a garantia de um produto que chega ao ponto de venda com o máximo de sua vida útil, o que se desdobra na vantagem mais cobiçada pelo varejo: maior tempo de exposição na gôndola sem perda de qualidade visual e sensorial.
Enquanto produtos de cadeias logísticas longas já chegam com dias a menos de validade e sinais de desgaste, a carne do frigorífico regional mantém sua cor, textura e frescor por mais tempo. Para o varejista, isso significa:
- Maximização da Janela de Venda e Redução de Perdas: Cada dia a mais de prateleira com qualidade impecável é uma oportunidade extra de venda e uma redução direta no volume de produtos remarcados ou descartados.
- Otimização do Capital de Giro: A confiança em um fornecedor que entrega um produto com maior durabilidade, padrão e regularidade permite ao varejista manter estoques mais enxutos e estratégicos, liberando capital de giro que estaria imobilizado.
- Aumento do Giro e da Satisfação do Cliente: A reposição frequente com produtos de alta qualidade eleva o giro do estoque e garante que o consumidor final sempre encontre na gôndola um produto atraente, fresco e com padrão superior fortalecendo a fidelidade tanto à marca do frigorífico quanto ao próprio ponto de venda.
Força da Origem e dos Valores
Além da agilidade e do conhecimento do mercado, as marcas regionais capitalizam sobre uma tendência de consumo crescente: a valorização da origem. O marketing de propósito e identidade territorial transforma um produto que poderia ser visto como commodity em uma especialidade com história e propósito. Comunicar que a carne vem daqui, produzida por pessoas daqui, cria uma conexão emocional que transcende a etiqueta de preço.
Essa conexão é aprofundada quando a marca demonstra um compromisso genuíno com valores que o consumidor moderno preza. A preocupação com a sustentabilidade dos processos e o respeito ao bem-estar animal deixaram de ser um diferencial de nicho para se tornarem uma expectativa. Para os players regionais, que possuem maior controle sobre sua cadeia produtiva, comunicar essas práticas de forma transparente é uma oportunidade de ouro para fortalecer a confiança e justificar a preferência do consumidor.
Federação de gigantes regionais
A ascensão dos frigoríficos e supermercados regionais não é uma tendência passageira, mas a consolidação de um novo modelo de mercado no Brasil. A complexidade e a diversidade cultural de um país continental se provaram um desafio intransponível para a padronização excessiva. O futuro do varejo de carnes não pertencerá a um único gigante, mas a uma federação de players fortes, cada um dominando seu território com maestria.
Para os profissionais do agronegócio e do marketing, a lição é clara: o caminho para o crescimento não está em tentar ser tudo para todos, mas em ser o melhor e mais relevante para uma comunidade específica. A verdadeira força reside em conhecer profundamente o seu quintal e em adotar uma visão de futuro, demonstrando que é possível alimentar hoje, cuidando do amanhã. A força, no fim das contas, está em fazer o certo, do começo ao fim.
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Rio Grande do Sul já colheu 50% do milho e define sede da Abertura Nacional de 2027
Reunião da Câmara Setorial avaliou o andamento da safra 2025/2026 e confirmou Santo Ângelo como palco do evento oficial do próximo ciclo.

Avaliação da safra, perspectivas e definição do município-sede da abertura oficial da colheita de 2027 estiveram na pauta da primeira reunião da Câmara Setorial do Milho de 2026, realizada de forma online na manhã desta quinta-feira (19).
Os dados do Informativo Conjuntural publicado pela Emater/RS-Ascar na última semana apontam que o Rio Grande do Sul já tem hoje cerca de 50% do milho colhido. Uma avaliação desta safra ainda é prematura, segundo as entidades que participaram da reunião.

De acordo com o assistente técnico da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo Alencar Rugeri, este foi um ano bastante peculiar, com áreas que tiveram boa produção e outras nem tanto. “As regiões que tiveram boa produtividade foram associadas a um bom manejo e a boas cultivares”, avaliou Rugeri. Segundo ele, a produtividade média deve chegar aos mesmos números do ano passado, em torno de 7 toneladas/hectare, em uma área total de 785 mil hectares. Uma nova projeção deve ser divulgada no início de março pela Emater.
O gerente de Desenvolvimento e Suporte Estratégico da Conab/RS, Matias José Fuhr, destacou como um dos pontos positivos desta safra o aumento de 9,31% da área cultivada, passando de 718 mil ha para 780 mil ha. “Estes números mostram o potencial que o milho tem para a economia do Rio Grande do Sul”, afirmou Fuhr. A Companhia, informou o gerente, faz estimativas mensais da safra, sendo a última publicada na semana passada.
Abertura da Colheita
A última cerimônia de Abertura da Colheita do Milho 2025/2026 ocorreu em janeiro deste ano, em São Borja, na propriedade da família Sallet. E na reunião de hoje, a Câmara aprovou pedido apresentado pelo município de Santo Ângelo e pelos dirigentes da Fenamilho Internacional, para que a Abertura Oficial da Safra de Milho 2026/2027 seja realizada na cidade e faça parte da programação da Feira. A Abertura será realizada nos meses de janeiro ou fevereiro, em data a ser definida.
Uma nova reunião da Câmara está prevista para o mês de maio, tendo como pauta o Plano Safra, uma avaliação da safra 2025/2026 e perspectivas para o plantio.
Participaram da reunião: Emater/RS-Ascar, Apromilho, Famurs, Farsul, Sistema Ocergs, SIPS, Conab/RS, Sindilat e Seapi.
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Adapar regulamenta cadastro de empresas para inspeção de animais de corte
Portaria estabelece regras para credenciamento e atuação de empresas nas inspeções ante e post-mortem no Paraná, mantendo a supervisão sanitária sob responsabilidade do Estado.

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) emitiu nesta quinta-feira (19) a que regulamenta o credenciamento de empresas para a inspeção ante e post-mortem de animais de produção para corte. A medida permite que profissionais cadastrados pela Adapar sejam contratados para realizar a fiscalização para empresas antes do abate, para atestar a sanidade da produção, e após, com o objetivo de verificar o estado das carcaças.
A medida está fundamentada na Lei Estadual nº 22.953, de 17 de dezembro de 2025, que alterou a legislação anterior, de 1994, e modernizou o marco legal da inspeção de produtos de origem animal no Paraná. A assinatura da portaria regulamentadora consolida o avanço normativo, dando efetividade prática à lei. O texto cria base legal para que o Estado possa credenciar pessoas jurídicas, públicas ou privadas, para executar atividades de inspeção sanitária e industrial de produtos de origem animal, incluindo as inspeções ante e post-mortem no abate.
O diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, explicou que a responsabilidade de credenciamento, fiscalização e descredenciamento das empresas continua sendo da autarquia, mas que a medida agiliza as atividades fiscalizatórias.
“O poder de fiscalização e de auditoria continua sendo do Estado, porque isso é indelegável, mas as empresas poderão contratar empresas credenciadas para fazer a inspeção, o que é um avanço”, afirma. “No Brasil há uma portaria publicada pelo Ministério da Agricultura que permite que isso aconteça, antes tudo era atribuído ao Estado”.
Critérios
As empresas credenciadas devem cumprir critérios técnicos, sanitários e legais rigorosos para poderem atuar nas inspeções. A atuação delas ocorre estritamente sob a supervisão e controle do poder público, preservando a autoridade sanitária do Estado, na figura da Adapar. O Poder Executivo está autorizado a regulamentar a lei por meio de portarias, detalhando procedimentos, requisitos, prazos e responsabilidades.
Os objetivos da medida são, além de regulamentar, de forma técnica e operacional, o credenciamento de empresas privadas para apoio às inspeções no Paraná, estabelecer critérios claros para habilitação, funcionamento, supervisão e fiscalização dessas empresas. Como resultado, garantir a segurança sanitária, a padronização de procedimentos e a transparência das atividades.
Outros motivos que dão base à regulamentação são a ampliação da capacidade operacional do Estado, diante do crescimento da produção e da agroindustrialização; a manutenção do controle sanitário sob responsabilidade do Estado, mas com o apoio técnico da iniciativa privada uma vez que devidamente credenciada.
Medida estratégica
O Paraná é um dos maiores produtores e exportadores de proteínas animais do Brasil, com cadeias altamente integradas aos mercados nacional e internacional. Por muitos anos, o Estado é o maior produtor de frangos do País. Mais de um terço de todo frango produzido no Brasil é paranaense. Além disso, as produções de proteína bovina e suína também vêm se destacando e alcançando mercados internacionais inéditos.
Com a medida, os processos de inspeção serão modernizados e ganharão agilidade, sem abrir mão do rigor sanitário, atendendo às demandas do setor produtivo, especialmente frigoríficos e agroindústrias. O resultado será o fortalecimento e a consolidação da competitividade do Paraná na produção e exportação de proteína animal. Além, disso, a medida contribui com o alinhamento com políticas nacionais de inspeção, o que garante coerência normativa, segurança jurídica e integração entre os sistemas de inspeção de diferentes esferas, seja municipal, estadual ou federal.



