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Especialista aponta o que está por trás da nova reputação global da avicultura brasileira

Automatização de processos, uso de energia limpa e ferramentas de nutrição de precisão estão entre as principais aliadas da avicultura brasileira na busca por maior eficiência e menor impacto ambiental.

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Doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges: "“Com ganhos produtivos, menor impacto ambiental e alinhamento com as demandas globais por sustentabilidade, a integração fortalece a imagem do Brasil como um dos principais exportadores mundiais de carne de frango"

Automatização de processos, uso de energia limpa e ferramentas de nutrição de precisão estão entre as principais aliadas da avicultura brasileira na busca por maior eficiência e menor impacto ambiental. Combinando bem-estar animal, redução de resíduos e melhor aproveitamento energético, essas tecnologias vêm transformando o setor em uma referência de sustentabilidade na produção de proteína animal.

Doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges: “A geração de energia limpa, associada à automação dos equipamentos, contribui para reduzir os custos de produção e a pegada ambiental da atividade” – Fotos: Divulgação/Alimenta

Hoje, os sistemas automatizados de climatização e ambiência permitem o controle preciso de temperatura, umidade e ventilação nos aviários, promovendo conforto térmico às aves e, consequentemente, melhor desempenho zootécnico. “Ambientes bem manejados reduzem o estresse dos animais, o consumo de recursos naturais e a emissão de gases como a amônia”, explica o doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges, destacando que tecnologias como ventilação túnel, resfriamento evaporativo e sensores climáticos se consolidaram como pilares da produção moderna e sustentável.

Outra solução que tem ganhado espaço no campo é a utilização de painéis solares para suprir parte da demanda energética das granjas. “A geração de energia limpa, associada à automação dos equipamentos, contribui para reduzir os custos de produção e a pegada ambiental da atividade”, expõe Borges, que vai palestrar sobre ‘Tecnologias aplicadas para melhorar a sustentabilidade do Brasil na produção de aves’ durante o Alimenta 2025 – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal, realizado nesta semana no Campus da Indústria da Fiep, em Curitiba (PR).

A sustentabilidade também avança com o uso de biodigestores, capazes de transformar os dejetos orgânicos das aves em biogás e biofertilizantes, criando uma cadeia mais circular e com menor descarte de resíduos. Além de fornecer energia para a própria propriedade, os biodigestores ajudam a mitigar os impactos ambientais da produção intensiva.

Na área da nutrição, ferramentas de alta precisão estão sendo aplicadas para otimizar o uso de ingredientes e reduzir perdas. “O conceito de proteína ideal, o uso de aditivos zootécnicos, enzimas, minerais orgânicos e fontes alternativas de fósforo fazem parte da estratégia de reduzir as emissões e aumentar a eficiência alimentar das aves”, pontua Borges.

O especialista salienta ainda que tecnologias como a espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) e a cromatografia líquida de alta performance (HPLC) viabilizam análises rápidas e precisas da composição dos alimentos, auxiliando na formulação de dietas mais balanceadas e sustentáveis.

Rastreabilidade agrega valor ao setor

Outra tecnologia que tem ganhado espaço na avicultura moderna é a rastreabilidade. Mais do que uma exigência regulatória, ela tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para garantir transparência, segurança e atender às crescentes demandas ambientais dos mercados internacionais.

Doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges

Doutor em Zootecnia Sebastião Aparecido Borges: “O conceito de proteína ideal, o uso de aditivos zootécnicos, enzimas, minerais orgânicos e fontes alternativas de fósforo fazem parte da estratégia de reduzir as emissões e aumentar a eficiência alimentar das aves”

Através de sistemas que monitoram toda a cadeia produtiva, desde a origem dos insumos usados na ração, passando pelo manejo das aves, até o abate e a distribuição, a rastreabilidade permite comprovar práticas sustentáveis adotadas nas propriedades e agroindústrias. No contexto ambiental, ela tem sido essencial para documentar ações como o não desmatamento, o uso racional de água e energia, a correta gestão de resíduos e o controle das emissões de gases de efeito estufa. “A rastreabilidade não apenas assegura conformidade com protocolos internacionais, como agrega valor ao produto final e fortalece a imagem do Brasil como fornecedor confiável e sustentável de proteína animal”, enfatiza Borges.

Nos setores de nutrição animal, essa rastreabilidade tem sido aplicada de forma rigorosa para garantir a origem segura e ambientalmente responsável dos ingredientes utilizados nas rações. Borges explica que cada etapa do processo da seleção e recebimento das matérias-primas até o processamento e distribuição dos produtos é monitorada com apoio de tecnologias como a espectroscopia NIR, cromatografia líquida de alta performance (HPLC), QR codes e plataformas digitais integradas. “Essas ferramentas permitem fornecer informações em tempo real e com alto grau de confiabilidade, facilitando auditorias e certificações internacionais”, pontua o profissional.

Com esse nível de controle, é possível comprovar que os insumos utilizados são livres de contaminantes, produzidos com menor impacto ambiental e seguros tanto para os animais quanto para o meio ambiente. “A rastreabilidade se tornou uma aliada essencial da sustentabilidade, conectando os requisitos de mercado às boas práticas da produção no campo e na indústria”, reforça Borges.

Eficiência no uso de recursos

A automação e sensoriamento têm papel fundamental na redução do uso de água, energia e insumos na avicultura, contribuindo diretamente para uma produção mais eficiente e sustentável. A automação permite que as decisões deixem de ser baseadas em percepção e passem a ser orientadas por dados concretos. Isso transforma a gestão da granja, reduz desperdícios e melhora o desempenho produtivo.

Ambientes climatizados automaticamente, com sensores que regulam temperatura, umidade e ventilação de forma contínua e precisa, evitam o uso excessivo de ventiladores, nebulizadores e aquecedores, otimizando a demanda energética e o uso da água.

Enquanto o monitoramento remoto, realizado via aplicativos e plataformas digitais, permite ajustes rápidos no manejo, antecipação de falhas e identificação de desperdícios, como vazamentos nos sistemas de água ou fornecimento excessivo de ração.

Além disso, o uso inteligente dessas tecnologias favorece o bem-estar animal, ao garantir condições ambientais

ideais, e contribui para o uso racional dos recursos naturais. “Estamos falando de uma produção mais eficiente, com menor pegada hídrica e energética, que responde tanto às exigências ambientais quanto à necessidade de rentabilidade do produtor”, destaca Borges.

Nutrição de precisão

As inovações em nutrição de precisão têm desempenhado um papel central na busca por uma produção avícola mais sustentável e eficiente. Por meio de formulações ajustadas com base nas necessidades específicas das aves em cada fase de crescimento, os nutricionistas conseguem oferecer dietas mais equilibradas, evitando o fornecimento excessivo de nutrientes como proteína e fósforo, principais responsáveis pela excreção de nitrogênio e fósforo no ambiente. “Isso reduz a produção de amônia, um dos gases mais emitidos na avicultura e prejudicial tanto ao meio ambiente quanto ao bem-estar animal”, observa Borges.

Além dos ajustes finos nas formulações, o setor tem investido cada vez mais em tecnologias nutricionais que potencializam o aproveitamento dos ingredientes. O uso de aminoácidos sintéticos, enzimas exógenas, ácidos orgânicos, óleos essenciais, peptídeos bioativos e aditivos imunomoduladores permite uma digestão mais eficiente e uma menor perda de nutrientes nas excretas. Isso se reflete na redução do impacto ambiental e na manutenção do desempenho zootécnico dos lotes. “Com essas tecnologias, os sistemas de produção se tornam mais sustentáveis, ao mesmo tempo em que mantêm o desempenho zootécnico e reduzem os custos e os volumes utilizados dos insumos”, expõe.

Inteligência artificial e big data

O uso de inteligência artificial e big data na avicultura nacional tem avançado como uma solução estratégica para otimizar recursos e antecipar problemas ambientais. Essas tecnologias permitem o monitoramento em tempo real de variáveis como temperatura, umidade, consumo de ração e água, além do comportamento das aves. “Com algoritmos de aprendizado de máquina é possível prever situações de estresse térmico, identificar padrões que indicam riscos sanitários e ajustar automaticamente os sistemas de ventilação e alimentação”, relata Borges, acrescentando que esses ajustes automáticos resultam na redução do consumo de energia e na minimização do desperdício de insumos, tornando a produção mais eficiente e ambientalmente responsável.

O especialista afirma que algumas agroindústrias já utilizam sensores e sistemas automatizados para monitorar a saúde dos animais e o uso de recursos, o que permite ações rápidas e precisas. Essa abordagem contribui tanto para o bem-estar das aves quanto para a redução dos impactos ambientais.

Além disso, a análise de grandes volumes de dados coletados e compilados nas granjas por meio de softwares especializados possibilita uma gestão mais estratégica. “A partir dessas análises, os produtores conseguem identificar oportunidades de melhoria contínua e garantir conformidade com as exigências dos mercados internacionais em termos de sustentabilidade e rastreabilidade”, aponta Borges, ressaltando que a integração da inteligência artificial e da big data à rotina das granjas representa um avanço significativo rumo a uma produção avícola mais responsável, eficiente e alinhada às crescentes demandas globais por alimentos seguros e sustentáveis.

Integração na cadeia avícola

Os sistemas integrados entre produtores, cooperativas e agroindústrias têm desempenhado um papel central na

promoção de práticas mais sustentáveis na cadeia avícola brasileira. “Essa estrutura de integração favorece a padronização dos processos, aumenta a eficiência e reforça a responsabilidade compartilhada entre os elos da produção”, afirma o especialista.

Ao permitir um planejamento coordenado, o modelo integrado contribui diretamente para a redução de desperdícios de insumos, evita a superlotação nos aviários e otimiza o uso de recursos naturais como água, energia e ração. Além disso, cooperativas e agroindústrias oferecem suporte técnico constante, capacitação e acesso a tecnologias sustentáveis nas áreas de automação, manejo, nutrição e gestão ambiental.

Outro diferencial do sistema é a facilidade para implantar programas de rastreabilidade, bem-estar animal e controle de emissões, já que todos os envolvidos seguem protocolos e metas comuns. Isso assegura maior conformidade com exigências socioambientais de mercados exigentes como União Europeia e Ásia. “Com ganhos produtivos, menor impacto ambiental e alinhamento com as demandas globais por sustentabilidade, a integração fortalece a imagem do Brasil como um dos principais exportadores mundiais de carne de frango, promovendo a confiança e a competitividade da avicultura nacional”, ressalta Borges.

Reaproveitamento de resíduos

O manejo adequado dos resíduos da produção avícola, como a cama de frango e os dejetos, tem se consolidado como uma estratégia sustentável e eficiente para reduzir o impacto ambiental da atividade. “Além de diminuir a necessidade de novas matérias-primas para a cama, o que ajuda a mitigar pressões sobre a indústria do desmatamento, esses resíduos, ricos em matéria orgânica e nutrientes, têm sido amplamente utilizados na produção de biofertilizantes, compostagem e geração de energia por meio do biogás”, expõe Borges, destacando que a comercialização da cama de frango também representa uma importante fonte de renda adicional para os produtores.

Entre as principais tecnologias utilizadas no reaproveitamento dos resíduos avícolas estão a compostagem da cama, realizada nas próprias instalações das granjas por meio de processos aeróbicos que transformam os resíduos em adubo orgânico de alta qualidade, utilizado em diversas culturas agrícolas; os biodigestores anaeróbicos, que convertem os dejetos em biogás (metano) para uso como energia térmica ou elétrica, além de gerarem um biofertilizante líquido como subproduto; a secagem e peletização da cama de frango, que é transformada em pellets, facilitando o transporte, o armazenamento e o uso como fertilizante orgânico sólido; e a separação de sólidos e líquidos em granjas com coleta líquida, permitindo o tratamento mais eficiente dos resíduos, com cada fração sendo destinada ao uso mais adequado.

Borges destaca que os principais desafios para os produtores acessarem tecnologias voltadas à sustentabilidade na avicultura incluem o alto custo dessas ferramentas. “Sistemas como ambiência automatizada, biodigestores e energia solar demandam investimentos iniciais elevados, muitas vezes inviáveis para produtores com menor capital”, menciona.

Além disso, Borges ressalta que a dificuldade no acesso ao crédito rural agrava a situação, embora existam linhas de

financiamento, pequenos produtores enfrentam entraves burocráticos, exigências de garantias e baixa aprovação. Outro obstáculo, segundo o especialista, é o baixo nível de assistência técnica disponível, somado ao desconhecimento e à resistência à adoção de novas tecnologias.

A infraestrutura deficiente em algumas regiões também compromete a viabilidade de implantação dessas soluções. Borges ainda aponta que o acesso a mercados que valorizam produtos sustentáveis é limitado, e os custos e a complexidade das certificações ambientais dificultam a participação de produtores de menor porte.

Adoção de tecnologias sustentáveis

O Brasil tem se destacado globalmente na adoção de tecnologias sustentáveis na produção de aves, especialmente em comparação com outros grandes exportadores, como os Estados Unidos e países da União Europeia.

Em 2023, Brasil e Estados Unidos apresentaram os menores custos de produção de frangos de corte, resultado direto da eficiência gerada pelo uso de tecnologias avançadas em nutrição, controle sanitário rigoroso e manejos de ambiência, com destaque para os aviários climatizados com pressão positiva, que favorecem o bem-estar animal e reduzem o consumo de energia. “O clima tropical brasileiro contribui para a menor necessidade de uso de energia em sistemas de aquecimento ou resfriamento, reforçando a sustentabilidade do setor. Enquanto isso, países europeus enfrentam custos mais elevados, impulsionados por regulamentações ambientais mais rígidas, altos preços de energia e mão de obra, o que dificulta a competitividade e a adoção de inovações sustentáveis de alto investimento”, menciona Borges.

Em contrapartida, o Brasil tem avançado em pesquisa e desenvolvimento, com foco em práticas mais sustentáveis e eficientes na avicultura. “Os investimentos contínuos incluem aprimoramentos em nutrição, manejo ambiental e uso racional dos recursos naturais, consolidando a posição do país como referência mundial em sustentabilidade na produção de carne de frango”, sustenta Borges.

O acesso à edição digital do jornal Avicultura Corte & Postura é gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Armazenamento correto garante qualidade e previne perdas de produtos pecuários

Boas práticas são essenciais para a produtividade da fazenda e envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço.

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Grãos e rações devem ficar sobre paletes com distanciamento da parede para evitar surgimento de roedores – Foto: Divulgação/Connan

Na pecuária, o bom desempenho do rebanho está ligado a fatores como alimentação, controle de doenças e parasitas, cuidado com o bem-estar animal e monitoramento constante do gado. Além desses critérios, as boas práticas no armazenamento de produtos destinados aos animais também devem ser consideradas essenciais, uma vez que previnem perdas e garantem a produtividade da fazenda.

As boas práticas visam garantir a qualidade, segurança e valor dos produtos, prevenindo contaminações e perdas. Os procedimentos envolvem higiene, controle de temperatura e organização física do espaço, e variam conforme o tipo de produto (ração, suplementos, medicamentos). “Esses princípios mantêm a boa qualidade desses itens, evitando, além das perdas ligadas ao seu valor financeiro, chance de contaminar outros artigos ou provocar doenças no rebanho”, explica o zootecnista Bruno Marson.

Antes de armazenar os produtos, é importante observar qual tipo de espaço ele deve ser guardado. Rações e suplementos precisam ser armazenados em locais secos e arejados, preferencialmente em suas embalagens originais ou em recipientes herméticos, sobre paletes e afastados das paredes para evitar umidade e acesso de pragas. “No caso de medicamentos e vacinas veterinárias é preciso seguir rigorosamente as instruções do fabricante quanto à temperatura, uma vez que muitos desses produtos requerem refrigeração e condições de armazenamento em local seguro e separado de outros produtos químicos”, destaca Marson.

No caso de defensivos agrícolas e químicos, o armazenamento deve ser feito em local isolado, com ventilação adequada, piso impermeável e sinalização de perigo. A legislação brasileira dispõe sobre o sistema de armazenagem dos produtos agropecuários, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fornece cartilhas de boas práticas para serviços de alimentação que são relevantes para produtos de origem animal.

Princípios fundamentais

Marson enfatiza que a higiene rigorosa é essencial, por isso é necessário manter as instalações, equipamentos e utensílios sempre limpos e sanitizados, e que a higiene pessoal dos colaboradores também é crucial. Os locais de armazenamento devem ser limpos, organizados, bem ventilados e protegidos da luz solar direta, umidade, insetos, roedores e outros animais.

No caso da temperatura, seu controle é vital, especialmente para insumos como vacinas e medicamentos. Câmaras frias e refrigeradores devem ser usados conforme as especificações do fabricante. “As embalagens devem proteger o produto da umidade e de contaminações externas. No caso de rações e grãos a granel, deve-se prevenir o ataque de pragas através de iscas, evitar acesso livre ao material e bloquear possíveis abrigos”, orienta.

Outra dica de Marson é organizar os produtos de forma a permitir a fácil inspeção e limpeza e implementar a rotação de estoque (primeiro a entrar, primeiro a sair – PEPS) para garantir que os produtos mais antigos sejam usados antes de vencerem. Além disso, implementar um plano eficaz para a gestão de resíduos e controle de pragas para evitar a infestação das instalações. “Seguindo essas orientações, os produtos ficarão bem armazenados, garantindo assim a produtividade do rebanho e a rentabilidade da fazenda”, menciona Marson.

Fonte: Assessoria Connan
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Sobretaxas dos Estados Unidos derrubam exportações brasileiras em vários setores

Estudo mostra que apenas seis dos 21 segmentos conseguiram compensar, em outros mercados, a queda nas vendas ao mercado americano.

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Foto: Gilson Abreu/AEN

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tiveram impacto amplo e negativo sobre as exportações do país. Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que apenas seis dos 21 setores exportadores conseguiram compensar, em outros mercados, as perdas registradas nas vendas ao mercado americano.

Entre agosto e novembro de 2025, todos os setores analisados venderam menos para os Estados Unidos na comparação com o mesmo período de 2024. A queda somada alcançou US$ 1,5 bilhão. Em praticamente todos os segmentos, a retração das exportações para os EUA foi mais intensa do que a variação das vendas globais, o que evidencia o peso do mercado americano para a pauta exportadora brasileira.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR

A tentativa de redirecionar exportações para outros países não foi suficiente para a maioria dos setores. Em 15 dos 21 segmentos avaliados, o crescimento das vendas ao restante do mundo não conseguiu compensar as perdas nos Estados Unidos. Juntas, essas áreas acumularam redução de US$ 1,2 bilhão.

Os impactos mais expressivos foram registrados nos setores de alimentos, como mel e pescados, além de plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte. Apenas seis setores conseguiram equilibrar as perdas com vendas em outros mercados: produtos vegetais; gorduras e óleos; químicos; pedras preciosas; máquinas e aparelhos elétricos; e máquinas e instrumentos mecânicos.

Mesmo nesses casos, a compensação foi limitada. O estudo aponta que, muitas vezes, os produtos exportados para outros destinos não são os mesmos que tradicionalmente têm os Estados Unidos como principal mercado. Isso indica que a substituição do mercado americano ocorre de forma incompleta, tanto em valor quanto em perfil de produtos.

No setor de máquinas e aparelhos elétricos, por exemplo, as exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões no período analisado. Já as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões. Apesar do saldo positivo, itens específicos de maior valor agregado, como transformadores e geradores, também tiveram desempenho fraco fora dos EUA. As exportações de transformadores caíram tanto para o mercado americano quanto para o restante do mundo, enquanto os geradores registraram queda acentuada nos EUA e avanço modesto nos demais destinos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O levantamento reforça que o mercado dos Estados Unidos segue difícil de substituir. Além do volume, o país importa produtos mais diversificados e com maior valor agregado, o que limita a capacidade de redirecionamento das exportações brasileiras no curto prazo.

Para a Amcham, os dados mostram que a diversificação de mercados ajuda, mas não resolve. A entidade avalia que, para grande parte da indústria brasileira, as perdas provocadas pelas sobretaxas não podem ser plenamente revertidas sem avanços nas negociações comerciais com os Estados Unidos.

Fonte: O Presente Rural com informações Amcham
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Preços dos grãos terminam 2025 sob pressão e incerteza no mercado

Soja, milho e trigo enfrentaram um ano de ajustes ao longo da cadeia global.

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O mercado global de commodities encerrou 2025 marcado por preços pressionados, oferta elevada em várias cadeias e forte influência de fatores externos. Para 2026, o cenário segue condicionado a decisões políticas, tensões comerciais, clima e ajustes entre oferta e demanda, aponta a análise da Hedgepoint Global Markets.

No plano internacional, as políticas tarifárias dos Estados Unidos continuam no radar, com potencial para alterar fluxos comerciais, especialmente na relação com a China. A disputa entre as duas potências segue como um dos principais focos de atenção dos mercados. Em países emergentes, eleições também devem influenciar o ambiente econômico. No Brasil, o processo eleitoral previsto para outubro tende a aumentar a volatilidade ao longo do ano.

Na política monetária, a expectativa é de um período de maior equilíbrio. Após cortes de juros em 2025, bancos centrais como o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se aproximam de uma fase de estabilização. No Brasil, há espaço para redução da taxa Selic ao longo de 2026, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas, com projeção de encerrar o ano em torno de 12%.

Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico se soma aos desafios específicos de cada mercado agrícola, especialmente ligados ao clima, à produção e ao consumo.

Complexo soja

O mercado de soja viveu em 2025 um cenário de forças opostas. A safra recorde da América do Sul contrastou com a redução de área nos Estados Unidos. A guerra comercial reduziu a demanda pela soja americana, ao mesmo tempo em que o crescimento do esmagamento e a perspectiva de maior uso de biocombustíveis ajudaram a sustentar o mercado. Uma trégua nas tensões entre EUA e China deu algum fôlego aos preços no fim do ano.

Em 2026, quatro pontos concentram as atenções. O primeiro é o volume de compras da China de soja norte-americana, após o compromisso de aquisição de pelo menos 25 milhões de toneladas. O segundo envolve o biodiesel nos Estados Unidos, cujas definições adiadas em 2025 devem impactar óleos vegetais e farelo no próximo ano. O terceiro fator é o clima na América do Sul, com incertezas sobre o potencial produtivo de Brasil e Argentina. Por fim, a decisão sobre a área de plantio nos EUA para a safra 26/27 dependerá do comportamento dos preços, com possibilidade de migração de área do milho para a soja.

Milho e trigo

No milho, 2025 foi marcado por produção recorde nos Estados Unidos, resultado da combinação entre aumento de área e condições climáticas favoráveis. As exportações surpreenderam positivamente, sustentadas pela competitividade dos preços. No trigo, grandes produtores também ampliaram a oferta, levando a produção global a níveis elevados.

Para 2026, o clima na América do Sul será determinante. Brasil e Argentina podem elevar a produção se as condições forem favoráveis, embora o fenômeno La Niña traga riscos, especialmente para a safra argentina. No Brasil, atrasos no plantio da soja podem comprometer o calendário do milho safrinha, elevando a exposição a riscos climáticos. Ainda assim, há tendência de aumento de área, impulsionada pela demanda crescente por etanol de milho, com novas plantas previstas para entrar em operação.

Nos Estados Unidos, a definição da área entre milho e soja dependerá da relação de preços no primeiro trimestre de 2026. Apesar da possibilidade de redução de área do milho, a demanda aquecida pode limitar cortes mais significativos. No trigo, as atenções se voltam ao clima no desenvolvimento da safra de inverno do Hemisfério Norte, em um contexto de transição do La Niña para condições neutras ao longo do primeiro semestre.

Fonte: O Presente Rural
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