Suínos
Especialista aponta estratégias que realmente funcionam na preparação de leitões aos desafios sanitários
Treinamento do sistema imune, a modulação da microbiota intestinal e o uso de biorremediação surgem como alternativas integradas para reduzir o uso de antibióticos.

Do nascimento ao desmame, o leitão enfrenta diversos desafios que afetam sua saúde, desempenho e longevidade produtiva. Estratégias como o treinamento do sistema imune, a modulação da microbiota intestinal e o uso de biorremediação surgem como alternativas integradas para reduzir o uso de antibióticos. Mas o que a ciência e a prática comprovam como eficaz, seguro e viável?
Para o médico-veterinário Álvaro Menin, mestre em Ciência Animal, doutor em Biotecnologia e Biociências, PhD em Medicina Veterinária Preventiva e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o treinamento imunológico é uma abordagem preventiva e sistêmica que começa ainda no útero da matriz. “O ambiente intrauterino influencia a maturação do sistema imune fetal, envolvendo fatores como estado imunológico e metabólico da mãe, microbiota e estresse oxidativo. A fêmea estrutura componentes essenciais da imunidade inata que formam a base para a imunidade adaptativa do leitão”, afirma Menin, que vai palestrar sobre como preparar o leitão para os desafios sanitários durante o 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que acontece de 12 a 14 de agosto em Chapecó (SC).
O especialista ressalta que após o nascimento, é fundamental garantir uma colostragem eficiente, associada a um programa vacinal da matriz, modulação da microbiota e exposição gradual a antígenos. Essas ações visam reduzir a ‘janela de susceptibilidade imunológica’, período em que a imunidade passiva diminui antes da maturação da imunidade ativa, deixando o leitão vulnerável.
Treinar o sistema imune vai além da vacinação: é criar um ambiente fisiológico, nutricional e sanitário equilibrado, sem sobrecarga inflamatória. A estratégia integrada, que abrange cuidados da fêmea, manejo colostral, modulação da microbiota e biosseguridade rigorosa, prepara o leitão para enfrentar desafios sanitários, reduzindo o uso de antimicrobianos e promovendo uma produção sustentável e eficiente.
Papel da microbiota intestinal na formação da imunidade precoce

Médico-veterinário, mestre em Ciência Animal, doutor em Biotecnologia e Biociências, PhD em Medicina Veterinária Preventiva e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Álvaro Menin: “Nenhum aditivo ou dieta substitui programas vacinais robustos, protocolos de limpeza e desinfecção eficientes e validados, vazio sanitário e controle rigoroso de entrada de patógenos” – Foto: Arquivo pessoal
A composição da microbiota intestinal está diretamente associada à saúde e ao desempenho zootécnico dos leitões. No entanto, mais do que simplesmente considerada ‘boa’, essa microbiota precisa ser resiliente, ou seja, capaz de manter sua estabilidade funcional mesmo diante dos desafios impostos pelo ambiente, pelo manejo e pela transição alimentar, reduzindo o risco de disbiose e a proliferação de microrganismos oportunistas, os chamados patobiontes.
A formação dessa microbiota é fortemente influenciada pela matriz. Microrganismos presentes no canal do parto, na mucosa vaginal, no colostro, leite, saliva, fezes e até mesmo no ambiente imediato de nascimento atuam na colonização inicial do intestino do leitão. “Por isso, a intervenção nutricional e sanitária sobre a microbiota da fêmea durante a gestação tem se mostrado uma estratégia eficaz para modular positivamente a microbiota do leitão, com efeitos que podem se estender por toda a sua vida”, pontua o especialista.
As primeiras duas a quatro semanas de vida constituem uma janela crítica, na qual o eixo microbiota–epitélio–sistema imune apresenta alta plasticidade e maior responsividade às intervenções. Nesse período, ressalta Menin, práticas como a administração de prebióticos, probióticos, simbióticos, aliadas à adoção rigorosa de boas práticas sanitárias, podem favorecer a maturação do sistema imunológico, a integridade das mucosas e a resistência a infecções.
Biorremediação e modulação da microbiota
Probióticos, prebióticos, simbióticos e estratégias de biorremediação têm ganhado destaque como ferramentas de suporte ao manejo sanitário e imunológico dos leitões. No entanto, as evidências científicas são claras ao apontar que essas soluções não devem ser aplicadas de forma isolada, mas integradas a uma abordagem mais ampla de manejo sanitário e imunológico.
Menin salienta que quando utilizados corretamente, probióticos podem melhorar a estabilidade da microbiota intestinal e reduzir a incidência de diarreias, especialmente em períodos de maior vulnerabilidade. Os prebióticos, por sua vez, atuam como substratos funcionais que favorecem seletivamente o crescimento de bactérias benéficas, como Bifidobacterium e Lactobacillus, promovendo um ambiente intestinal mais equilibrado e resistente a disbioses. E os simbióticos, que combinam probióticos e prebióticos, buscam um efeito sinérgico, unindo o estímulo ao crescimento microbiano benéfico com a introdução de microrganismos vivos, otimizando assim a colonização intestinal e contribuindo para uma modulação mais eficiente do sistema imunológico.
No campo da biorremediação, o foco está no controle da carga antigênica e microbiana do ambiente, por meio de intervenções sanitárias, nutricionais e de manejo. O objetivo não é criar um ambiente estéril, mas sim garantir uma pressão de infecção controlada, que permita ao sistema imune do leitão se organizar de forma gradual, funcional e com menor desgaste energético.
Entre as estratégias sistemáticas de biorremediação, Menin menciona a estabilização da microbiota intestinal e respiratória por meio do uso de nutrientes específicos, como pré e probióticos; a implementação de higienogramas quantitativos e qualitativos para avaliar a eficácia dos protocolos de limpeza e desinfecção; o uso de ferramentas moleculares, como a qPCR, para mapear a prevalência de agentes infecciosos endêmicos e ajustar os programas vacinais e de biosseguridade; o controle de fatores imunossupressores, como micotoxinas e infecções subclínicas; e ainda a adoção de medidas voltadas à regeneração ambiental, com o objetivo de reduzir a carga microbiana patogênica e diminuir a transferência de genes de resistência a antimicrobianos.
Biosseguridade segue sendo o alicerce

Embora as estratégias nutricionais e ambientais tenham papel cada vez mais relevante no preparo sanitário dos leitões, o risco de superestimar sua eficácia em detrimento de medidas clássicas de biosseguridade é real e preocupante.
O médico-veterinário é categórico ao afirmar que nenhum aditivo, dieta ou intervenção ambiental substitui os fundamentos básicos da sanidade. “Nenhum aditivo ou dieta substitui programas vacinais robustos, protocolos de limpeza e desinfecção eficientes e validados, vazio sanitário e controle rigoroso de entrada de patógenos”, adverte.
Para o especialista, o equilíbrio está em compreender que biosseguridade, nutrição funcional, ambiência e imunização não competem entre si, são ferramentas complementares, que devem atuar de forma integrada e sinérgica para garantir a saúde e o desempenho dos animais.
Menin reforça que intervenções nutricionais, tanto em matrizes quanto em leitões, devem ser encaradas com seriedade, uma vez que representam investimentos de alto valor agregado e impacto direto sobre a fisiologia dos animais. Por isso, precisam ser baseadas em monitoramento laboratorial criterioso e embasadas por evidências robustas. “É fundamental que essas intervenções atendam às exigências metabólicas da fêmea, favoreçam a produção de um colostro rico em imunoglobulinas, células de defesa e compostos bioativos e, ao mesmo tempo, promovam o nascimento de leitões com a imunidade inata bem estruturada, preparados para enfrentar os desafios sanitários das primeiras fases da vida”, ressalta o mestre em Ciência Animal.
Colostro: a primeira vacina do leitão
A transferência de imunidade passiva (TIP) por meio do colostro é um dos pilares da sanidade nas primeiras semanas de vida do leitão. Como a placenta suína é do tipo epiteliocorial, o que impede a passagem de anticorpos durante a gestação, o colostro se torna a única e exclusiva fonte de imunoglobulinas, citocinas, fatores antimicrobianos e células de defesa no período neonatal. “É a primeira e mais importante linha de defesa do leitão, e sua eficácia depende de dois fatores-chave: a qualidade do colostro e a eficiência da colostragem”, destaca o especialista.
A colostrogênese, ou seja, a capacidade da matriz de produzir colostro rico em compostos imunológicos e nutricionais, é influenciada por fatores como estado de saúde, nutrição, manejo e protocolo vacinal da fêmea. Já a colostragem diz respeito ao manejo imediato após o parto: o tempo, a quantidade e a frequência com que os leitões ingerem o colostro são determinantes para sua sobrevivência e desempenho.
Segundo o doutor em Biotecnologia e Biociências, a ingestão adequada nas primeiras duas a seis horas de vida é essencial para garantir a absorção eficiente de imunoglobulinas e a proteção contra infecções, reduzindo de forma significativa os índices de mortalidade pré-desmame. “Leitões que não recebem colostro de forma eficiente ficam mais suscetíveis a doenças e têm a resposta vacinal comprometida, pois não estruturam adequadamente o sistema imunológico a tempo”, alerta.
Outro ponto crítico é o timing da vacinação. De acordo com Menin, a presença de altos níveis de anticorpos maternos no momento da aplicação pode interferir na eficácia da imunização ativa, neutralizando os antígenos vacinais antes que o sistema imune do leitão tenha a chance de reconhecê-los e responder. Por outro lado, aplicar a vacina tarde demais pode deixar o animal desprotegido em uma janela de vulnerabilidade imunológica. “É indispensável seguir as recomendações técnicas das fabricantes quanto ao momento ideal de aplicação de cada vacina, considerando o histórico sanitário da granja, o perfil de agentes circulantes e a dinâmica da imunidade passiva e ativa”, reforça o médico-veterinário.
O leitão está pronto?
Saber se um leitão está de fato imunologicamente preparado para enfrentar os desafios sanitários não é mais apenas uma questão de observação empírica. Hoje, há ferramentas práticas e laboratoriais que permitem avaliar tanto a qualidade do colostro quanto a eficiência da colostragem.
No campo, a opção mais acessível é o refratômetro de Brix, que estima a concentração de sólidos no colostro. “Valores acima de 26% Brix indicam um colostro de boa qualidade, rico em imunoglobulinas e capaz de garantir uma transferência de imunidade passiva eficaz”, explica Menin.
Para avaliar se o leitão realmente absorveu esses anticorpos, o foco se volta ao sangue. Menin cita o uso de testes como o imunócrito e o ELISA para medir a concentração de IgG no soro dos leitões, idealmente coletado até 24 horas após o nascimento. “As mesmas análises também podem ser aplicadas diretamente ao colostro e ao leite para mensurar os níveis de IgG e IgA”, aponta.
Quando algo dá errado, seja na produção de colostro pela matriz ou na ingestão por parte dos leitões, os sinais não tardam a aparecer. “Desuniformidade da leitegada, maior incidência de diarreias, baixo ganho de peso, falhas vacinais, aumento da mortalidade e baixa resposta a tratamentos são indicativos clássicos de falhas na colostrogênese ou colostragem”, evidencia o PhD em Medicina Veterinária Preventiva, enfatizando: “O uso sistemático dessas ferramentas permite identificar precocemente os pontos críticos e corrigir o manejo, contribuindo para maior sanidade, desempenho e eficiência produtiva ao longo de toda a cadeia”.
Preparar o leitão é enxergar o sistema
Na busca por leitões mais saudáveis e produtivos, não há espaço para soluções isoladas ou atalhos. Vacinas, aditivos, manejo ambiental e protocolos de exposição controlada têm papel relevante, mas o que realmente deve ser priorizado depende do perfil sanitário da granja, de sua estrutura e dos principais desafios enfrentados. “Programas vacinais bem estruturados são inegociáveis nos sistemas de produção brasileiros, especialmente diante da presença constante de agentes endêmicos com alto poder imunossupressor e impacto direto sobre a mortalidade e a eficiência produtiva. Sem vacinação eficaz, os demais esforços, por mais bem executados, perdem força”, frisa Menin.

Aditivos funcionais também são aliados importantes na promoção da saúde intestinal, suporte imunológico e redução da dependência de antibióticos. No entanto, Menin adverte que seu uso deve ser estratégico, baseado em evidências e acompanhado por monitoramento laboratorial contínuo, com análises simples, como perfis hematobioquímicos e estudos de microbiota.
Outro alicerce da preparação sanitária está no manejo de ambiência, que vai muito além do conforto térmico. “A ambiência deve estar integrada às práticas de biorremediação, com protocolos de limpeza e desinfecção validados, focados na redução de patobiontes e na contenção da disseminação de genes de resistência a antimicrobianos”, enfatiza.
O especialista reforça ainda que protocolos de exposição controlada a agentes específicos podem ser utilizados pontualmente, com acompanhamento técnico rigoroso, contudo não substituem medidas clássicas de biosseguridade, como o vazio sanitário e o controle rigoroso do fluxo de pessoas e materiais.
Avanços tecnológicos
Do ponto de vista tecnológico, os avanços são promissores e apontam para uma nova era na preparação sanitária dos leitões. O médico-veterinário destaca quatro frentes que devem transformar esse processo nos próximos anos.
A primeira delas é o uso de biomarcadores imunológicos e metabólicos, que permitem monitorar, de forma mais precisa e em tempo real, o estado de saúde dos animais.
A segunda é o desenvolvimento de vacinas personalizadas, com base em tecnologias como o RNA mensageiro (mRNA) e o CRISPR, que possibilitam respostas imunológicas mais específicas e eficientes.
A terceira frente é a análise de microbioma aplicada à suinocultura, cada vez mais utilizada para orientar a modulação intestinal e o uso racional de antibióticos ao longo das diferentes fases de produção.
E a quarta é o avanço das plataformas de análise de dados, impulsionadas pela inteligência artificial, que vêm tornando as decisões de manejo e sanidade mais precisas, rápidas e embasadas em evidências concretas.
Para Menin, preparar o leitão não é apenas uma questão de imunidade, mas de visão sistêmica. “A matriz é a primeira ‘fábrica de saúde’ do leitão. Colostro, microbiota, ambiente e biosseguridade formam um ecossistema integrado. Investir em diagnóstico precoce, monitoramento e capacitação das equipes de campo é tão importante quanto a escolha do aditivo ou vacina. Não existe fórmula secreta. Existe coerência técnica, execução consistente e compromisso com a performance”, ressalta.

Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais
Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.
Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.
O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.
Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.



