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Especialista aponta estratégias nutricionais para maximizar desempenho das fêmeas hiperprolíficas

Com uma produtividade superior, esses animais têm o potencial de parir uma média entre 14 e 18 leitões por leitegada, o que representa um aumento expressivo em relação às linhagens tradicionais, que em média parem entre 10 e 12 leitões por ninhada.

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A evolução genética das fêmeas suínas, especialmente as hiperprolíficas, tem sido uma das grandes conquistas da suinocultura. Com uma produtividade superior, esses animais têm o potencial de parir uma média entre 14 e 18 leitões por leitegada, o que representa um aumento expressivo em relação às linhagens tradicionais, que em média parem entre 10 e 12 leitões por ninhada. Contudo, esse avanço traz consigo desafios nutricionais que impactam diretamente a saúde e a produtividade das reprodutoras.

Com a maior quantidade de leitões, as fêmeas suínas hiperprolíficas exigem uma atenção especial à sua nutrição. A necessidade de energia, proteína e outros nutrientes essenciais aumenta durante a gestação e lactação, períodos críticos para o desenvolvimento dos leitões e para o bem-estar da mãe. Durante a lactação, por exemplo, a demanda por energia é muito maior, uma vez que as fêmeas precisam produzir leite suficiente para alimentar uma ninhada numerosa.

Além disso, a recuperação do estado corporal após o parto também precisa ser cuidadosamente monitorada. Fêmeas com excesso de gordura corporal podem apresentar problemas de fertilidade e complicações no parto, enquanto aquelas com baixa condição corporal podem ter dificuldades em sustentar uma lactação eficiente, comprometendo o crescimento dos leitões.

Produção de leitões e exigências nutricionais

O corpo das reprodutoras hiperprolíficas pode atingir até 300 kg, e no útero, o desenvolvimento dos leitões pode chegar a 25 kg. Durante a lactação, essas fêmeas são capazes de produzir até 400 kg de colostro e leite, o que é fundamental para o desenvolvimento saudável da ninhada. “Após a lactação, a fêmea precisa recuperar cerca de 40 kg de massa corporal, o que exige um aporte nutricional equilibrado e eficiente”, aponta o doutor em Ciência Animal e mestre em Zootecnia, Johan Zonderland, durante sua participação na PorkExpo Brasil & Latam 2024, realizada nos dias 23 e 24 de outubro, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

De acordo com o especialista, três fatores determinam o crescimento das marrãs em recria: o peso ao nascimento, a ingestão de colostro e o componente genético, que reflete o valor genético do crescimento. “O peso ao nascimento influencia diretamente a capacidade de adaptação e o desempenho nas fases subsequentes, enquanto a ingestão de colostro é essencial para a transferência de imunidade e o início do desenvolvimento saudável. Já o valor genético do crescimento das marrãs desempenha um papel fundamental no potencial de ganho de peso e na eficiência de produção”, explica.

Fêmeas com alto peso ao nascimento, em média acima de 1,5 kg, têm um crescimento mais fácil de controlar, são menos suscetíveis a problemas de locomoção e apresentam uma maior taxa de retenção. Por outro lado, marrãs com baixo peso ao nascimento, em torno de 1,2 kg, possuem menos folículos nos ovários, comprimento vaginal menor e são menos produtivas, com uma menor taxa de retenção.

Desafios no desenvolvimento das marrãs em recria

O desenvolvimento do peso corporal das marrãs em recria deve ser acompanhado de perto. Fêmeas que não atingem o peso ideal ao nascimento ou que não ingerem colostro adequadamente têm um desenvolvimento mais lento e apresentam dificuldades para atingir o peso necessário para a primeira parição. A nutrição nessa fase precisa ser ajustada para garantir que as marrãs atinjam o peso corporal alvo, determinado pela genética, para a primeira parição.

Para garantir que as marrãs se desenvolvam adequadamente e possam parir com eficiência, o cronograma de alimentação precisa ser cuidadosamente planejado. “Durante a recria, é essencial fornecer nutrientes suficientes em períodos críticos, como o final da gestação. O fornecimento de cálcio e fósforo em níveis mais elevados é fundamental para o desenvolvimento adequado das pernas e articulações, além de contribuir para a longevidade das fêmeas. Dessa forma, além de garantir o crescimento até a primeira parição, a nutrição também pode otimizar a vida produtiva das reprodutoras”, sustenta.

Opções para alinhar as exigências nutricionais durante a lactação

Garantir uma nutrição adequada durante a lactação é essencial para o sucesso reprodutivo das porcas, especialmente em matrizes multíparas, que podem apresentar variações nas necessidades nutricionais entre uma gestação e outra. Para alcançar um bom desempenho tanto para a porca quanto para os leitões, estratégias bem planejadas são fundamentais.

Zonderland diz que a primeira etapa é garantir que as matrizes recebam os nutrientes necessários próximo ao parto. “Isso não só garante a saúde da porca, mas também prepara o corpo para atender às altas demandas nutricionais durante a lactação”, expõe, acrescentando: “Um plano nutricional eficaz deve incluir uma alimentação de transição, que, ao ser seguida por uma ração de pré-lactação rica em nutrientes para melhor atender às exigências nutricionais na fase final da gestação, favorece a adaptação gradual à exigência nutricional na fase de amamentação”, ressaltou o especialista.

Durante a primeira semana de lactação, o aumento progressivo da ingestão de nutrientes é essencial. Esse período exige um suporte nutricional eficiente, pois, além das exigências da porca, a qualidade da produção de leite, vital para o desenvolvimento dos leitões, depende diretamente da alimentação adequada de nutrientes. “O consumo de ração pelos leitões também desempenha um papel importante, já que isso não só melhora o ganho de peso dos leitões, como também ajuda a porca a manter sua condição corporal”, salienta.

No caso das porcas multíparas, que apresentam desafios específicos em termos de exigências nutricionais, é essencial adotar programas de alimentação personalizados. “Para que todas as porcas atinjam seu peso corporal ideal no próximo parto, é necessário avaliar seu peso corporal e a espessura de gordura após o desmame. Com base nesses dados, é possível designar os animais para diferentes programas de alimentação, ajustando a dieta de acordo com as necessidades individuais”, aponto o doutor em Ciência Animal.

Um dos componentes-chave para melhorar a nutrição na fase final da gestação, segundo Zonderland, é a utilização de rações pré-lactação com níveis mais elevados de nutrientes. Isso garante que a porca tenha uma reserva adequada para suportar as demandas nutricionais da lactação e, ao mesmo tempo, promovendo o desenvolvimento saudável dos leitões. “Ao adotar essas estratégias alimentares, os produtores podem garantir que tanto a porca quanto os leitões recebam a nutrição necessária para seu pleno desempenho”, afirma.

Dicas valiosas

Doutor em Ciência Animal e mestre em Zootecnia, Johan Zonderland: “Nos últimos estágios da gestação, os fetos necessitam de uma grande quantidade de nutrientes, por isso, a alimentação deve ser adequada para garantir o desenvolvimento saudável”

Zonderland ainda dá algumas dicas importantes para a cadeia produtiva: é fundamental garantir um crescimento controlado das porcas durante o período de recria até atingir o peso corporal ideal para a inseminação e o primeiro parto. “Nos últimos estágios da gestação, os fetos necessitam de uma grande quantidade de nutrientes, por isso, a alimentação deve ser adequada para garantir o desenvolvimento saudável”, ressalta.

Durante a lactação, ele continua, a produção de leite exige uma maior quantidade de nutrientes. Se a ingestão não for suficiente, as porcas mobilizarão suas reservas de gordura e músculo, o que pode impactar a saúde e a produtividade. “A recuperação do peso corporal após a lactação é essencial para garantir uma gestação saudável na fase seguinte, especialmente dependendo da perda de condição durante a lactação”, pontua.

O especialista ressalta a importância de escolher uma estratégia de alimentação que atenda às necessidades nutricionais das porcas em cada fase de sua vida reprodutiva, destacando que o mais importante é avaliar o peso corporal e a gordura dorsal das porcas para garantir que elas sejam saudáveis, felizes e produtivas.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo, acesse a versão digital de Nutrição e Saúde Animal clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Suinocultura discute comportamento do consumidor na primeira Escola de Gestores de 2026

Evento da ABCS abordará tendências de consumo e impactos nas decisões estratégicas do setor de proteínas.

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Entender o comportamento do consumidor se tornou um dos principais diferenciais estratégicos para o mercado de proteínas. Em um cenário de rápidas transformações, antecipar tendências, reduzir riscos e tomar decisões mais assertivas depende, cada vez mais, da leitura qualificada do consumo.

Com esse foco, a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realiza a primeira edição de 2026 da Escola de Gestores, com o tema “Proteína, Consumo e Decisão de Compra: Tendências que Importam para 2026”, no dia 25 de fevereiro de 14h30  às 16 horas. O encontro será conduzido por Tayara Beraldi, consultora da ABCS e especialista em comunicação estratégica, e tem como objetivo ampliar a capacidade analítica e decisória dos gestores da suinocultura com dados reais e atualizados do comportamento do consumidor em uma época em que o consumo de proteínas tem ganhado destaque.

Voltada aos desafios atuais do setor, a iniciativa propõe uma reflexão aprofundada sobre como o consumidor pensa, quais fatores influenciam suas escolhas e de que forma essas decisões impactam o marketing, o posicionamento e a competitividade das proteínas no mercado. Na suinocultura, compreender esses movimentos deixou de ser uma opção e passou a ser parte central das decisões estratégicas.

Durante o encontro, os participantes irão discutir como interpretar tendências de consumo com mais clareza, transformar comportamento do consumidor em estratégia de mercado, fortalecer o posicionamento da carne suína e tomar decisões mais embasadas, com visão de futuro e impacto real no negócio.

A Escola de Gestores da ABCS é uma iniciativa que busca apoiar lideranças do setor na construção de conhecimento aplicado, conectando dados, comportamento e estratégia. O evento é exclusivo para o Sistema ABCS e contribuintes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS), com o objetivo de fortalecer o poder de decisão dos gestores, ampliando a capacidade de antecipação e a geração de vantagem competitiva no mercado de proteínas. Faça sua inscrição clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suinocultura enfrenta queda nas cotações em importantes estados produtores

Dados mostram retrações diárias e mensais, com exceção do Rio Grande do Sul, que apresenta leve avanço no acumulado do mês.

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Os preços do suíno vivo registraram variações negativas na maioria dos estados acompanhados pelo indicador do CEPEA, ligado à Esalq, conforme dados divulgados em 13 de fevereiro.

Em Minas Gerais, o valor do animal posto foi cotado a R$ 6,76 por quilo, com recuo diário de 0,29% e queda acumulada de 4,52% no mês. No Paraná, o preço do suíno a retirar ficou em R$ 6,65/kg, com retração de 0,30% no dia e de 2,06% no comparativo mensal.

No Rio Grande do Sul, o indicador apresentou leve alta no acumulado do mês, com valorização de 0,59%, alcançando R$ 6,80/kg, apesar da pequena queda diária de 0,15%. Já em Santa Catarina, o valor registrado foi de R$ 6,59/kg, com baixa de 0,60% no dia e retração de 1,79% no mês.

Em São Paulo, o suíno posto foi negociado a R$ 6,92/kg, apresentando redução diária de 0,57% e queda mensal de 2,40%.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suínos

Exportações sustentam desempenho da suinocultura brasileira no início de 2026

Embarques crescem mais de 14% e ajudam a equilibrar o setor, conforme análise da Consultoria Agro Itaú BBA, mesmo diante do aumento da oferta interna.

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O início de 2026 registrou queda significativa nos preços do suíno, reflexo da expansão da produção observada ao longo do ano anterior. Mesmo com a pressão no mercado interno, o setor manteve resultados positivos, sustentado pelo bom desempenho das exportações e pelo controle nos custos de produção, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

As cotações do animal vivo em São Paulo apresentaram forte recuo no começo do ano, passando de R$ 8,90/kg em 1º de janeiro para R$ 6,90/kg em 9 de janeiro, queda de 23% no período. Com o ajuste, os preços retornaram a níveis próximos aos registrados no início de 2024 e ficaram abaixo do observado no começo do ano passado, quando o mercado apresentou maior firmeza nas cotações, com valorização a partir de fevereiro.

O avanço da produção de carne suína ao longo de 2025 foi impulsionado pelas margens favoráveis da atividade. A expectativa é de que esse ritmo tenha sido mantido no primeiro mês de 2026, embora os dados oficiais de abate ainda não tenham sido divulgados.

No mercado externo, o setor iniciou o ano com desempenho positivo. Os embarques de carne suína in natura somaram 100 mil toneladas, volume 14,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Entre os principais destinos, destacaram-se Filipinas e Japão, responsáveis por 31% e 13% das exportações brasileiras no mês, respectivamente.

Mesmo com os custos de produção sob controle, a queda de 5% no preço do animal na comparação entre janeiro e dezembro resultou na redução do spread da atividade, que passou de 26% para 21%. Ainda assim, o resultado por cabeça terminada permaneceu em nível considerado satisfatório, com média de R$ 206.

No comércio internacional, o spread das exportações também apresentou recuo, influenciado pela redução de 0,8% no preço da carne suína in natura e pela valorização cambial. Com isso, o indicador convergiu para a média histórica de 40%, após registrar 42% no mês anterior.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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