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Especialista aponta desafios e soluções na transferência de imunidade aos suínos

Ter uma boa imunidade desses animais é uma garantia para não haver perdas na produção. E uma das estratégias para assegurar a melhor imunidade dos animais são os protocolos vacinais.

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Fotos: Shutterstock

A saúde de bem-estar dos animais deve ser um dos focos de toda a cadeia produtiva, desde o produtor até a indústria, que busca por bons resultados na produção. Dessa forma, ter uma boa imunidade desses animais é uma garantia para não haver perdas na produção. E uma das estratégias para assegurar a melhor imunidade dos animais são os protocolos vacinais. A partir desse gancho, e olhando especialmente para as matrizes e sua prole, é que o médico veterinário, doutor em Ciência Veterinária e professor associado na UFPR (Universidade Federal do Paraná) Geraldo Alberton, fala sobre a importância da imunidade materna nos protocolos vacinais, durante o SBSS (Simpósio Brasil Sul de Suinocultura), realizado em meados de agosto em Chapecó (SC).

De acordo com o especialista, a imunidade materna é a garantia de sobrevivência e desenvolvimento adequado para os leitões. Alberton explica que a transição do ambiente uterino para o ambiente da maternidade gera um desafio microbiológico gigante para o recém-nascido, e o que irá protege-lo de infecções é a imunidade passiva. “Entretanto, essa imunidade é transitória e será substituída em poucas semanas pela imunidade ativa, gerada pelo próprio leitão a partir da infecção natural e pela vacinação. Portanto, existe uma fase de transição, em que os títulos maternos estarão altos suficientes para ainda proteger o leitão de infecções, mas não tão altos para que o antígeno vacinal não seja totalmente inativado”, informa.

Alberton comenta que, via de regra, quando os leitões são vacinados com pelo menos 21 dias de idade, essa transição é adequada. “Leitões vacinados mais jovens podem ter a eficácia vacinal comprometida não somente pelos altos títulos da imunidade passiva, mas principalmente pela imaturidade do sistema imunológico, o qual ainda não está totalmente preparado para a imunização. Essa imaturidade é fisiológica, afinal a natureza programou o animal para estar protegido pela imunidade materna nesta fase”.

Além disso, a imunidade materna influencia de forma direta na saúde dos leitões, já que eles são colonizados por trilhões de microrganismos que irão compor a microbiota, defende o médico veterinário. “Mais de 90% desses agentes são benéficos, mas uma parte importante pode gerar doenças, como por exemplo a Escherichia coli e o rotavírus. Sem essa proteção do colostro, a colonização dos leitões poderia resultar em muitas enfermidades, com grande risco de morte”, alerta.

Cuidados essenciais

Segundo Alberton, para que a imunidade materna seja transferida adequadamente, os leitões precisam mamar colostro imediatamente após o nascimento. “Leitões fracos e aqueles que nascem por último em leitegadas numerosas (mais de 15) são os de maior risco, por ingerirem menos colostro, ou colostro de menor qualidade, respectivamente”, comenta.

Ele explica que permitir que os leitões mamem de preferência na mãe biológica, o quanto antes e pelo máximo de tempo possível – ideal pelo menos 8 a 12h na mãe biológica – é uma das medidas mais importantes. “As equalizações excessivas e precoces acabam prejudicando a ingestão de colostro. O revezamento de mamadas pode contribuir na melhor ingestão de colostro, mas quando mal executado, acaba prejudicando, pois os leitões acabam ficando muito tempo sem acesso ao úbere, gerando estresse, hipotermia e menor ingestão de colostro”, diz.

Para que a porca transfira a imunidade aos leitões, ela precisa ter sido exposta aos mesmos agentes que desafiarão precocemente os leitões, portanto a vacinação das matrizes e o manejo de feedback são indispensáveis para garantir que o colostro seja protetor, informa Alberton.

Ele comenta que outro ponto extremamente importante e que tem sido negligenciado é o investimento em saúde de plantel, com a adoção de medidas preventivas e curativas visando o aumento de longevidade das matrizes. “Atualmente, a longevidade das porcas é de 3,2 partos; muito aquém do ideal, tanto do ponto de vista econômico, quanto do sanitário. Com relação a esse último ponto, temos que lembrar que na medida que as matrizes ficam maduras, elas transferem maior competência imunológica para seus leitões, tanto via colostro, como via epigenética e via microbiota. Assim, nesse cenário de alta mortalidade de plantel e alta taxa de reposição, os leitões tornam-se muito mais suscetíveis às infecções”.

Imunidade merece atenção

Médico veterinário, doutor em Ciência Veterinária e professor associado na UFPR (Universidade Federal do Paraná) Geraldo Alberton: “Granjas de grande porte precisam treinar um colaborador para ter como atividade prioritária identificar e tratar precocemente as porcas enfermas” – Foto: Arquivo pessoal

As porcas devidamente imunizadas via vacinação ou via feedback e que gozem de boa saúde, irão produzir colostro e leite com a qualidade necessária para proteger os leitões até que imunidade ativa seja suficientemente robusta. Além disso, ela também transferirá a microbiota para seus leitões, que irá colonizar principalmente o intestino do leitão e irá treinar o sistema imunológico. “Assim, quando os níveis de imunidade passiva estiverem declinando, uma grande população de bactérias e outro microrganismos que colonizaram o leitão irão ajudar na defesa dele, fazendo a exclusão competitiva ou produzindo substâncias que inibam a proliferação dos agentes patogênicos. Essa combinação de imunidade passiva robusta com microbiota adequada permite que o leitão não adoeça mesmo sem ter seu sistema imunológico suficientemente maduro”, explica Alberton.

O especialista comenta que as porcas constituem o patrimônio imunológico da granja, pois delas virá a imunidade dos leitões bem como a microbiota. Portanto, não tem como esperar que os leitões possuam boa capacidade imunológica se as matrizes não estiverem saudáveis. “Como os planteis são muito grandes, as porcas muitas vezes adoecem e os colaboradores só percebem quando o animal já está muito debilitado ou já veio a óbito. Para ser possível o diagnóstico precoce, granjas de grande porte precisam treinar um colaborador para ter como atividade prioritária identificar e tratar precocemente as porcas enfermas, bem como organizar monitorias de infecção urinária e de problemas locomotores”, explica.

Ele diz que outro ponto importante é fazer o controle adequado das infecções urinárias, que deve ser feito com medidas de manejo e nunca com o uso preventivo de antibiótico, já que isso desequilibra a microbiota das porcas, com consequente desequilíbrio da microbiota dos leitões. “Dentre os pontos mais importantes para o controle de infecção urinária está a ingestão de água, limpeza das instalações e qualidade dos cascos”.

Estratégias eficazes

Alberton comenta que para que o leitão reaja adequadamente ao estímulo vacinal, ele precisa ter o sistema imunológico devidamente preparado para montar a resposta imunológica adequada. “Dessa forma, leitões que ingerem pouco colostro, que sofreram intervenções com antibiótico ao longo da lactação e que ao desmame não estão saudáveis, poderão ter a resposta vacinal comprometida”, avisa.

Ele diz que quando se trata de vacina oral, leitões que apresentam diarreia durante a vacinação ou que passaram por episódios de diarreia causadas pela rotavirose ou pela coccidiose, não terão as mucosas íntegras para processar adequadamente o antígeno vacinal, consequentemente menos protegidos pela vacina. “O sistema imunológico do leitão amadurece com o passar das primeiras semanas. Nas várias pesquisas que avaliaram a interferência dos altos títulos de anticorpos maternos e da idade da vacinação sobre a resposta vacinal, concluíram que a idade da vacinação interfere mais na resposta vacinal do que os títulos de anticorpos maternos. Portanto, os programas vacinais devem ser posicionados, de preferência, a partir dos 21 dias de idade”.

Para ele, a forma mais simples de monitorar a imunidade dos animais é por índices como ganho de peso diário, conversão alimentar, percentual da animais enfermos e mortos por lote e necessidade de intervenções com antibiótico. “Atualmente estão disponíveis muitos exames laboratoriais que permitem avaliar o status imunológico do plantel, mas são técnicas caras e mais aplicadas em estudos científicos. Uma técnica barata é a avaliação do Grau Brix do colostro, que é uma medida da concentração de imunoglobulinas no colostro. Essa avaliação é feita por um aparelho portátil denominado refratômetro. Uma gota do colostro é colocada no aparelho, e a leitura é feita contra a luz, gerando um valor que indica o quanto concentrado o colostro está em imunoglobulinas. Essa avaliação é muito interessante para monitorar a qualidade do colostro e avaliar o resultado de intervenções de manejo ou nutricionais, sobre a qualidade do colostro”, explica.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso

Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.

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Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).

Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins

Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.

Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações. Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar o mercado interno.

“Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.

Gestão eficiente será decisiva

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.

Superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer

Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.

Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.

Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.

Segundo ele, um dos principais objetivos do 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso foi aproximar os produtores das informações técnicas e econômicas que impactam diretamente a rentabilidade das granjas, fortalecendo o setor para enfrentar os desafios dos próximos anos.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas

Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

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Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.

Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.

Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.

Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.

O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.

A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.

Fonte: Assessoria ABRAVES
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Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína

Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.

De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.

Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.

Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].

Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.

Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.

O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.

Raça Landrace

No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.

A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.

É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.

Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.

Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.

Fonte: Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
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