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Suínos Sinsui 2024

Especialista aponta como a hiperprolificidade impacta a nutrição e saúde das fêmeas suínas durante gestação e lactação

A especialista aponta para a importância da otimização da dieta para atender às necessidades individuais das fêmeas, levando em consideração fatores como condição corporal, tamanho da leitegada e ambiente de alojamento.

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Foto: Shutterstock

A indústria suinícola tem testemunhado um avanço significativo na produtividade das fêmeas suínas, resultando em leitegadas cada vez maiores. No entanto, esse aumento na hiperprolificidade traz consigo desafios nutricionais e de saúde que demandam uma análise aprofundada. Ao longo da gestação e lactação, as exigências nutricionais das fêmeas suínas se tornam uma preocupação primordial. A doutora em Zootecnia, professora, orientadora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ines Andretta, ressalta que durante o terço final da gestação, as diferenças entre leitegadas pequenas e grandes se tornam mais evidentes devido às demandas crescentes por aminoácidos e outros nutrientes.

Esse tema será tratado pela especialista na palestra “Aspectos nutricionais em relação aos quais devemos estar atentos com a hiperprolificidade de fêmeas suínas” durante o 16º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que foi realizado entre os dias 23 a 25 de julho, no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Doutora em Zootecnia, professora, orientadora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ines Andretta. Foto: Divulgação

A especialista aponta para a importância da otimização da dieta para atender às necessidades individuais das fêmeas, levando em consideração fatores como condição corporal, tamanho da leitegada e ambiente de alojamento. Estratégias como a inclusão de fibras na dieta podem aumentar a ingestão de ração e preparar a fêmea para uma transição suave para a lactação. “A nutrição das fêmeas suínas é uma área que carece de maior atenção e investimento, mas é essencial para garantir a produtividade, saúde e bem-estar não apenas das fêmeas, mas também dos leitões em todas as fases da produção suína”, afirma a especialista em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural. Confira!

O Presente Rural – Como a hiperprolificidade afeta as necessidades nutricionais das fêmeas suínas durante a gestação e lactação?

Ines Andretta – O impacto do número de leitões na gestação varia ao longo do tempo. No terço final, quando os leitões se desenvolvem de forma mais acelerada, as diferenças entre leitegadas pequenas e grandes se tornam significativas devido às exigências nutricionais das matrizes, especialmente para aminoácidos. Na lactação, o número de leitões influencia diretamente na produção de leite, pois a lactogênese demanda muita energia, aminoácidos e nutrientes. No entanto, o impacto é mais perceptível quando os leitões permanecem com a porca. Por exemplo, em sistemas de manejo de mãe de leite, a hiperprolificidade da fêmea pode não afetar tanto sua lactação, a menos que ela permaneça com os leitões da própria leitegada.

O Presente Rural – Quais são os impactos da hiperprolificidade na saúde metabólica das matrizes suínas e como a nutrição pode desempenhar um papel importante na prevenção de distúrbios metabólicos, como a síndrome do desmame súbito?

Ines Andretta – O primeiro aspecto a se considerar é a questão nutricional. Quando a demanda por determinados nutrientes excede a quantidade adquirida pela fêmea através da alimentação, ela mobiliza recursos do próprio corpo para priorizar a função reprodutiva, visando sustentar o crescimento dos leitões durante a gestação. Esse fenômeno é ainda mais evidente durante a lactação, quando a insuficiência na ingestão de ração pode levar a quadros de catabolismo, prejudicando a saúde metabólica da fêmea. Além das questões nutricionais, a hiperprolificidade também está associada a um aumento nos níveis de inflamação e estresse oxidativo durante a gestação e lactação, os quais estão intimamente ligados à nutrição. A utilização de aditivos nutricionais que possam melhorar o quadro metabólico da fêmea pode ser uma estratégia para mitigar os impactos negativos da hiperprolificidade na saúde dos animais. Essas duas abordagens oferecem vias para lidar com os desafios impostos pela hiperprolificidade.

O Presente Rural – Quais são as estratégias nutricionais recomendadas para garantir a saúde e bem-estar das matrizes suínas hiperprolíficas durante a gestação?

Ines Andretta – A otimização da dieta em relação às necessidades dos animais é essencial para garantir sua saúde e desempenho. As granjas devem conhecer as exigências específicas de seus animais, que podem variar de acordo com fatores como condição corporal, curva de crescimento, tamanho da leitegada e ambiente. Fatores ambientais, como alojamento coletivo e condições climáticas, também influenciam nas exigências nutricionais das fêmeas. Além da genética e produtividade, esses aspectos contribuem para demandas distintas entre as porcas.

É importante trabalhar na otimização das dietas para atender às exigências individuais dos animais, buscando a alimentação de precisão sempre que possível. Muitas baias de alimentação coletiva não permitem isso, então é importante que a gente saiba que existem limitações para sua aplicação, mas que esse seria o cenário ideal.

Além dos aspectos nutricionais, certos componentes da dieta podem ter efeitos não apenas na nutrição, mas também na saúde geral das fêmeas. Por exemplo, fibras podem promover saciedade e saúde intestinal, enquanto aditivos e outros componentes da ração podem ter diversos efeitos benéficos. Ou seja, a nutrição precisa ser ajustada de acordo com o contexto específico de cada animal, ou pelo menos de cada granja.

O Presente Rural – Como a hiperprolificidade pode afetar a qualidade e quantidade do leite produzido pelas matrizes e quais são os ajustes nutricionais necessários para atender às demandas nutricionais dos leitões em fase de lactação?

Ines Andretta – Desde o colostro a produção de leite pode ser influenciada, mas isso está muito associado ao número de leitões que permanecem com a porca. Assim, a hiperprolificidade afeta a lactação quando um grande número de leitões é mantido com a porca, o que é comum quando as leitegadas são grandes.

Algumas granjas, embora não seja comum, podem mitigar esse efeito usando sucedâneos ou adotando o método de mãe de leite. No entanto, a quantidade de leite produzida tende a ser maior em leitegadas maiores devido ao estímulo necessário para a produção de leite, o que impacta nas necessidades nutricionais da fêmea.

Durante a lactação, o ajuste nutricional não é tão significativo, uma vez que as dietas já são formuladas para serem altamente concentradas em energia, aminoácidos e outros nutrientes. No entanto, é fundamental garantir que as fêmeas consumam adequadamente os alimentos, o que pode ser alcançado estimulando-as e oferecendo um ambiente confortável.

O Presente Rural – Quais são os desafios específicos em relação à ingestão alimentar das matrizes suínas hiperprolíficas e quais estratégias podem ser adotadas para garantir que recebam os nutrientes adequados para manter sua saúde e condição corporal?

Ines Andretta – Durante a lactação, muitas fêmeas não conseguem atender às exigências nutricionais devido à limitada capacidade de consumo ou à alta demanda nutricional. Uma estratégia adotada para enfrentar esse desafio é a inclusão de fibras no terço final da gestação ou nos últimos dias, visando aumentar a ingestão de ração nesse período e preparar a fêmea para uma transição mais suave para a lactação.

Durante a gestação, o fornecimento de ração é controlado, reduzindo o problema de consumo insuficiente. No entanto, os profissionais devem monitorar de perto a condição corporal das fêmeas, especialmente aquelas que perderam massa corporal durante lactações anteriores, a fim de garantir a reposição adequada dessas reservas.

Embora as avaliações geralmente se baseiem em escores corporais ou espessura de toucinho, há uma necessidade crescente de fazer um ajuste mais fino para entender se essa recuperação que a fêmea está tendo durante o início da gestação é uma recuperação completa em termos de massa magra e gordura, ou se de repente está repondo o peso, mas não necessariamente repondo as massas específicas que ela perdeu na lactação anterior. Essa abordagem é complexa, mas se tem um espaço para se trabalhar nos dois terços iniciais da gestação.

O Presente Rural – Quais são os desafios práticos enfrentados pelos produtores ao implementar estratégias nutricionais para matrizes hiperprolíficas e como podem ser superados?

Ines Andretta – Os sistemas de produção geralmente fornecem uma grande quantidade de dados, como número de leitões produzidos e peso dos leitões, permitindo estimar as exigências das fêmeas. No entanto, ajustar a dieta durante a gestação, especialmente para cada indivíduo, pode ser desafiador em sistemas coletivos. Fêmeas mais jovens, em crescimento, têm exigências diferentes das fêmeas mais velhas, cujo peso já está estabilizado. Esses ajustes, muitas vezes, requerem tecnologia ou individualização da alimentação, o que pode ser complicado de ser realizado em sistemas coletivos de produção.

Os desafios práticos incluem a redução da mão de obra na granja, que muitas vezes não permite dedicar tempo para ajustar a alimentação individualmente ou realizar verificações frequentes.

E na lactação é necessário verificar o que pode estar atrapalhando o consumo de ração da fêmea, pode ser o estresse térmico, frequente no Brasil em razão das altas temperaturas, a própria questão do bem-estar geral dos animais e a disponibilidade de mão de obra ou de equipamentos que estimulem a fêmea a aumentar o número de refeições, como dietas úmidas, que podem ajudar a melhorar o consumo, mas isso também requer tempo e investimento dentro da granja.

O Presente Rural – Quais são as áreas de pesquisa em nutrição suína que precisam de maior atenção para melhorar nossa compreensão dos aspectos nutricionais relacionados à hiperprolificidade e desenvolver estratégias nutricionais mais eficazes e sustentáveis?

Ines Andretta – A nutrição das fêmeas suínas é uma área que ainda carece de muita pesquisa e informação, especialmente quando comparada à nutrição de leitões na creche, crescimento e terminação. Apesar de haver mais grupos de pesquisa e modelos matemáticos disponíveis nos últimos anos, ainda há um grande potencial para melhorias nesse campo. Além da produtividade das fêmeas, é essencial investigar sua relação com a longevidade e o bem-estar, bem como questões de saúde como membros locomotores, casco e articulações.

Embora a pesquisa sobre nutrição das fêmeas demande mais investimento e seja mais desafiadora devido ao ciclo mais longo, é importante destacar que elas são o ponto de partida de todo o processo produtivo. Estudos têm mostrado que investir na nutrição das fêmeas traz benefícios significativos para as fases seguintes da produção, incluindo melhorias na digestibilidade, metabolismo e saúde intestinal dos leitões na creche. Portanto, é essencial focar em melhorar as condições das fêmeas para que os leitões possam enfrentar melhor os desafios do desmame e do estresse no início da creche.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de suinocultura acesse a versão digital de Suínos, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol

Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

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Foto: O Presente Rural

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”

Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.

Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.

Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.

Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock

A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.

A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.

Produção segura e rentável

De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.

Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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Fotos: Shutterstock

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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