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Suínos Sinsui 2024

Especialista aponta como a hiperprolificidade impacta a nutrição e saúde das fêmeas suínas durante gestação e lactação

A especialista aponta para a importância da otimização da dieta para atender às necessidades individuais das fêmeas, levando em consideração fatores como condição corporal, tamanho da leitegada e ambiente de alojamento.

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A indústria suinícola tem testemunhado um avanço significativo na produtividade das fêmeas suínas, resultando em leitegadas cada vez maiores. No entanto, esse aumento na hiperprolificidade traz consigo desafios nutricionais e de saúde que demandam uma análise aprofundada. Ao longo da gestação e lactação, as exigências nutricionais das fêmeas suínas se tornam uma preocupação primordial. A doutora em Zootecnia, professora, orientadora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ines Andretta, ressalta que durante o terço final da gestação, as diferenças entre leitegadas pequenas e grandes se tornam mais evidentes devido às demandas crescentes por aminoácidos e outros nutrientes.

Esse tema será tratado pela especialista na palestra “Aspectos nutricionais em relação aos quais devemos estar atentos com a hiperprolificidade de fêmeas suínas” durante o 16º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que foi realizado entre os dias 23 a 25 de julho, no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Doutora em Zootecnia, professora, orientadora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ines Andretta. Foto: Divulgação

A especialista aponta para a importância da otimização da dieta para atender às necessidades individuais das fêmeas, levando em consideração fatores como condição corporal, tamanho da leitegada e ambiente de alojamento. Estratégias como a inclusão de fibras na dieta podem aumentar a ingestão de ração e preparar a fêmea para uma transição suave para a lactação. “A nutrição das fêmeas suínas é uma área que carece de maior atenção e investimento, mas é essencial para garantir a produtividade, saúde e bem-estar não apenas das fêmeas, mas também dos leitões em todas as fases da produção suína”, afirma a especialista em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural. Confira!

O Presente Rural – Como a hiperprolificidade afeta as necessidades nutricionais das fêmeas suínas durante a gestação e lactação?

Ines Andretta – O impacto do número de leitões na gestação varia ao longo do tempo. No terço final, quando os leitões se desenvolvem de forma mais acelerada, as diferenças entre leitegadas pequenas e grandes se tornam significativas devido às exigências nutricionais das matrizes, especialmente para aminoácidos. Na lactação, o número de leitões influencia diretamente na produção de leite, pois a lactogênese demanda muita energia, aminoácidos e nutrientes. No entanto, o impacto é mais perceptível quando os leitões permanecem com a porca. Por exemplo, em sistemas de manejo de mãe de leite, a hiperprolificidade da fêmea pode não afetar tanto sua lactação, a menos que ela permaneça com os leitões da própria leitegada.

O Presente Rural – Quais são os impactos da hiperprolificidade na saúde metabólica das matrizes suínas e como a nutrição pode desempenhar um papel importante na prevenção de distúrbios metabólicos, como a síndrome do desmame súbito?

Ines Andretta – O primeiro aspecto a se considerar é a questão nutricional. Quando a demanda por determinados nutrientes excede a quantidade adquirida pela fêmea através da alimentação, ela mobiliza recursos do próprio corpo para priorizar a função reprodutiva, visando sustentar o crescimento dos leitões durante a gestação. Esse fenômeno é ainda mais evidente durante a lactação, quando a insuficiência na ingestão de ração pode levar a quadros de catabolismo, prejudicando a saúde metabólica da fêmea. Além das questões nutricionais, a hiperprolificidade também está associada a um aumento nos níveis de inflamação e estresse oxidativo durante a gestação e lactação, os quais estão intimamente ligados à nutrição. A utilização de aditivos nutricionais que possam melhorar o quadro metabólico da fêmea pode ser uma estratégia para mitigar os impactos negativos da hiperprolificidade na saúde dos animais. Essas duas abordagens oferecem vias para lidar com os desafios impostos pela hiperprolificidade.

O Presente Rural – Quais são as estratégias nutricionais recomendadas para garantir a saúde e bem-estar das matrizes suínas hiperprolíficas durante a gestação?

Ines Andretta – A otimização da dieta em relação às necessidades dos animais é essencial para garantir sua saúde e desempenho. As granjas devem conhecer as exigências específicas de seus animais, que podem variar de acordo com fatores como condição corporal, curva de crescimento, tamanho da leitegada e ambiente. Fatores ambientais, como alojamento coletivo e condições climáticas, também influenciam nas exigências nutricionais das fêmeas. Além da genética e produtividade, esses aspectos contribuem para demandas distintas entre as porcas.

É importante trabalhar na otimização das dietas para atender às exigências individuais dos animais, buscando a alimentação de precisão sempre que possível. Muitas baias de alimentação coletiva não permitem isso, então é importante que a gente saiba que existem limitações para sua aplicação, mas que esse seria o cenário ideal.

Além dos aspectos nutricionais, certos componentes da dieta podem ter efeitos não apenas na nutrição, mas também na saúde geral das fêmeas. Por exemplo, fibras podem promover saciedade e saúde intestinal, enquanto aditivos e outros componentes da ração podem ter diversos efeitos benéficos. Ou seja, a nutrição precisa ser ajustada de acordo com o contexto específico de cada animal, ou pelo menos de cada granja.

O Presente Rural – Como a hiperprolificidade pode afetar a qualidade e quantidade do leite produzido pelas matrizes e quais são os ajustes nutricionais necessários para atender às demandas nutricionais dos leitões em fase de lactação?

Ines Andretta – Desde o colostro a produção de leite pode ser influenciada, mas isso está muito associado ao número de leitões que permanecem com a porca. Assim, a hiperprolificidade afeta a lactação quando um grande número de leitões é mantido com a porca, o que é comum quando as leitegadas são grandes.

Algumas granjas, embora não seja comum, podem mitigar esse efeito usando sucedâneos ou adotando o método de mãe de leite. No entanto, a quantidade de leite produzida tende a ser maior em leitegadas maiores devido ao estímulo necessário para a produção de leite, o que impacta nas necessidades nutricionais da fêmea.

Durante a lactação, o ajuste nutricional não é tão significativo, uma vez que as dietas já são formuladas para serem altamente concentradas em energia, aminoácidos e outros nutrientes. No entanto, é fundamental garantir que as fêmeas consumam adequadamente os alimentos, o que pode ser alcançado estimulando-as e oferecendo um ambiente confortável.

O Presente Rural – Quais são os desafios específicos em relação à ingestão alimentar das matrizes suínas hiperprolíficas e quais estratégias podem ser adotadas para garantir que recebam os nutrientes adequados para manter sua saúde e condição corporal?

Ines Andretta – Durante a lactação, muitas fêmeas não conseguem atender às exigências nutricionais devido à limitada capacidade de consumo ou à alta demanda nutricional. Uma estratégia adotada para enfrentar esse desafio é a inclusão de fibras no terço final da gestação ou nos últimos dias, visando aumentar a ingestão de ração nesse período e preparar a fêmea para uma transição mais suave para a lactação.

Durante a gestação, o fornecimento de ração é controlado, reduzindo o problema de consumo insuficiente. No entanto, os profissionais devem monitorar de perto a condição corporal das fêmeas, especialmente aquelas que perderam massa corporal durante lactações anteriores, a fim de garantir a reposição adequada dessas reservas.

Embora as avaliações geralmente se baseiem em escores corporais ou espessura de toucinho, há uma necessidade crescente de fazer um ajuste mais fino para entender se essa recuperação que a fêmea está tendo durante o início da gestação é uma recuperação completa em termos de massa magra e gordura, ou se de repente está repondo o peso, mas não necessariamente repondo as massas específicas que ela perdeu na lactação anterior. Essa abordagem é complexa, mas se tem um espaço para se trabalhar nos dois terços iniciais da gestação.

O Presente Rural – Quais são os desafios práticos enfrentados pelos produtores ao implementar estratégias nutricionais para matrizes hiperprolíficas e como podem ser superados?

Ines Andretta – Os sistemas de produção geralmente fornecem uma grande quantidade de dados, como número de leitões produzidos e peso dos leitões, permitindo estimar as exigências das fêmeas. No entanto, ajustar a dieta durante a gestação, especialmente para cada indivíduo, pode ser desafiador em sistemas coletivos. Fêmeas mais jovens, em crescimento, têm exigências diferentes das fêmeas mais velhas, cujo peso já está estabilizado. Esses ajustes, muitas vezes, requerem tecnologia ou individualização da alimentação, o que pode ser complicado de ser realizado em sistemas coletivos de produção.

Os desafios práticos incluem a redução da mão de obra na granja, que muitas vezes não permite dedicar tempo para ajustar a alimentação individualmente ou realizar verificações frequentes.

E na lactação é necessário verificar o que pode estar atrapalhando o consumo de ração da fêmea, pode ser o estresse térmico, frequente no Brasil em razão das altas temperaturas, a própria questão do bem-estar geral dos animais e a disponibilidade de mão de obra ou de equipamentos que estimulem a fêmea a aumentar o número de refeições, como dietas úmidas, que podem ajudar a melhorar o consumo, mas isso também requer tempo e investimento dentro da granja.

O Presente Rural – Quais são as áreas de pesquisa em nutrição suína que precisam de maior atenção para melhorar nossa compreensão dos aspectos nutricionais relacionados à hiperprolificidade e desenvolver estratégias nutricionais mais eficazes e sustentáveis?

Ines Andretta – A nutrição das fêmeas suínas é uma área que ainda carece de muita pesquisa e informação, especialmente quando comparada à nutrição de leitões na creche, crescimento e terminação. Apesar de haver mais grupos de pesquisa e modelos matemáticos disponíveis nos últimos anos, ainda há um grande potencial para melhorias nesse campo. Além da produtividade das fêmeas, é essencial investigar sua relação com a longevidade e o bem-estar, bem como questões de saúde como membros locomotores, casco e articulações.

Embora a pesquisa sobre nutrição das fêmeas demande mais investimento e seja mais desafiadora devido ao ciclo mais longo, é importante destacar que elas são o ponto de partida de todo o processo produtivo. Estudos têm mostrado que investir na nutrição das fêmeas traz benefícios significativos para as fases seguintes da produção, incluindo melhorias na digestibilidade, metabolismo e saúde intestinal dos leitões na creche. Portanto, é essencial focar em melhorar as condições das fêmeas para que os leitões possam enfrentar melhor os desafios do desmame e do estresse no início da creche.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de suinocultura acesse a versão digital de Suínos, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

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O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

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O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
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Suínos

Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

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Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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