Suínos
Especialista aponta causas, impactos e prevenção das doenças respiratórias em suínos
Para garantir a saúde e o bem-estar dos suínos e prevenir doenças respiratórias, é essencial adotar uma abordagem abrangente que englobe medidas de prevenção e controle.

As doenças respiratórias em suínos representam um dos maiores desafios enfrentados pela suinocultura. Com impactos expressivos na produtividade e na rentabilidade das propriedades, essas enfermidades podem ser causadas por uma variedade de fatores infecciosos, como vírus e bactérias, e não infecciosos, como condições ambientais e de manejo. Identificar e entender as causas dessas doenças é de suma importância para a implementação de estratégias de prevenção e controle, que não apenas garantem o bem-estar dos animais, como também asseguram a sustentabilidade econômica do setor.

Médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, especialista em Sanidade Animal e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Marcos Antônio Zanella Morés: “Estudos mostram que a erradicação do Mycoplasma hyopneumoniae pode gerar um ganho de US$ 7 por suíno abatido, com payback em até sete meses”
Para explorar as principais causas das doenças respiratórias em suínos, abordando tanto os agentes infecciosos quanto os fatores ambientais, além de destacar as melhores práticas para minimizar seus impactos nas granjas, o médico-veterinário Marcos Antônio Zanella Morés, mestre em Ciências Veterinárias, especialista em Sanidade Animal e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, ministrou a palestra “Respire aliviado: desvendando causas, prevenção e impactos das doenças respiratórias em suínos”, durante o Congresso de Suinocultores e Avicultores O Presente Rural, realizado nos dias 11 e 12 de junho em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná.
Além de gastos com medicamentos para controle, perdas nos índices zootécnicos, condenações de carcaças e mortalidade dos animais, as doenças respiratórias em suínos impactam sobretudo o bem-estar animal. Para exemplar isso, Morés apresentou os resultados de algumas pesquisas realizadas nos últimos três anos. Dois estudos de metanálise feitos em 2023 mostraram que o impacto econômico médio de um ou mais agentes patogênicos respiratórios coexistentes varia de R$ 10,30 a R$ 54 por leitão na creche, de R$ 14 a R$ 93 por suíno de terminação e de R$ 605 a R$ 1.956 por matriz/ano no Brasil. Em outra pesquisa, feita em 2020, mostrou que em grupos de suínos com mais de 15,1% da área pulmonar afetada, o custo adicional foi de US$ 6,55 por animal. “Além disso, o estudo revelou que cada 1% de lesão pulmonar resulta em uma redução de 1,8 gramas no ganho de peso diário, impactando tanto na produtividade quanto na economia da suinocultura”, aponta Morés.
Quando o custo das doenças respiratórias é associado às condenações de carcaças, os dados revelam um cenário preocupante. Aderências, pleurites, abscessos e pneumonias representam 50% do total das condenações de carcaças nos frigoríficos e 80% das causas sanitárias. “A média de condenações em frigoríficos é de 3%, equivalente a 1,5% do peso de cada carcaça abatida, o que resulta em um desperdício anual de 100 mil toneladas de carne suína”, revela o pesquisador.
De acordo com o especialista, as doenças respiratórias são frequentes em suínos devido à particularidade anatômica de seus pulmões, que

possuem poucos bronquíolos respiratórios, característica que dificulta a eliminação de partículas, tornando os suínos mais predispostos a infecções.
Causas infecciosas e não infecciosas
As causas das doenças respiratórias em suínos podem ser infecciosas ou não infecciosas. No que se refere às causas infecciosas, Morés destaca o Complexo das Doenças Respiratórias dos Suínos (CDRS), que inclui diversas bactérias como Mycoplasma hyopneumoniae, Actinobacillus pleuropneumoniae, Pasteurella multocida, Glaesserella parasuis, Estreptococo suise e Bordetella bronchiseptica; e vírus, entre os principais Influenza e PCV2.
Além das causas infecciosas, existem fatores de risco relacionados ao manejo e ao ambiente que afetam a incidência de doenças respiratórias. Entre esses fatores, o pesquisador menciona a superlotação, a ventilação atmosférica, o fluxo contínuo de animais e a mistura de suínos de diferentes origens.
Sinais
Os sinais de doenças respiratórias podem se manifestar de várias maneiras. A tosse, por exemplo, explica Morés, pode indicar a presença de pneumonia micoplásmica ou gripe; e os espirros são frequentemente associados à rinite atrófica e também podem ser um sintoma de gripe. A dificuldade respiratória, que inclui dispneia ou batedeira, pode ser causada por condições como pleuropneumonia, pasteurelose, infecções por Actinobacillus suis, Streptococcus suis, circovirose, salmonelose e doença de Glässer. Além disso, a febre, geralmente acompanhada de apatia, prostração e falta de apetite, pode levar a perdas de desempenho e, em casos graves, resultar em mortes.

Fatores de risco para doenças respiratórias
As doenças respiratórias em suínos são frequentemente causadas por uma combinação de fatores de risco ambientais e de manejo, associados a infecções por agentes primários e oportunistas, o que torna essencial a adoção de estratégias eficazes para o controle e prevenção dessas doenças. “No manejo, as situações como a mistura de leitões de diferentes origens na formação dos lotes, a ausência de um vazio sanitário adequado entre os lotes, o fluxo contínuo de produção com várias idades e a superlotação nas baías são fatores críticos”, ressalta o especialista, enfatizando: “Além disso, a limpeza e a desinfecção inadequada das instalações também podem acarretar no surgimento de doenças respiratórias”.
Do ponto de vista ambiental, Morés diz que o excesso de gases nas instalações, como CO2 e amônia, e a temperatura inadequada para a fase de criação são condições que favorecem o desenvolvimento de infecções.
Já em relação à imunidade, a desestabilização do plantel de matrizes, alta taxa de reposição, presença de novas granjas e falhas no processo de aclimatação de leitoas podem comprometer a resistência dos animais a doenças respiratórias. “Esses fatores combinados aumentam a vulnerabilidade dos suínos e favorecem a propagação de patógenos”, aponta o médico-veterinário.
Doenças imunossupressoras também desempenham um papel importante no desenvolvimento de infecções respiratórias em suínos. “A circovirose é uma condição que compromete a imunidade dos animais, tornando-os mais suscetíveis a infecções secundárias. Além disso, as micotoxicoses, que são intoxicações causadas por fungos presentes na alimentação, afetam de forma negativa o sistema imunológico dos suínos”, salienta.
O manejo inadequado do colostro é outro fator crítico, uma vez que o colostro é a principal fonte de anticorpos que protege os leitões

contra doenças nos primeiros dias de vida. “A falta de uma ingestão adequada de colostro pode levar a uma imunidade comprometida, aumentando a vulnerabilidade dos suínos a infecções respiratórias e outras doenças”, frisa Morés.
Prevenção e controle
Para garantir a saúde e o bem-estar dos suínos e prevenir doenças respiratórias, é essencial adotar uma abordagem abrangente que englobe medidas de prevenção e controle. O primeiro passo, segundo Morés, é aumentar a resistência dos animais, o que pode ser feito através da ingestão adequada de colostro, essencial para fornecer proteínas específicas na primeira fase de vida dos leitões. Manter um equilíbrio imunológico protetor e realizar uma aclimatação eficiente dos leitões são igualmente importantes.
Além disso, a gestão da taxa de reposição deve ser cuidadosa, evitando a introdução de animais de granjas novas e garantindo uma administração adequada de vacinas. “O manejo, o estresse ambiental e a prevenção de doenças imunossupressoras também são aspectos que devem ser levados em consideração para manter a saúde dos suínos”, menciona Morés.
Para reduzir a pressão da infecção, o pesquisador diz que é necessário minimizar a mistura de leitões de diferentes origens e garantir um vazio sanitário adequado entre os lotes. “Evitar a superlotação nas baias e manter um protocolo rigoroso de limpeza e desinfecção das instalações são práticas indispensáveis para garantir a saúde dos suínos, assim com o manejo adequado dos animais doentes é essencial para prevenir a propagação de infecções”, complementa.
Suínos doentes
A rápida identificação de suínos doentes é fundamental para um manejo eficiente. “Esses animais devem ser medicados imediatamente e individualmente por via injetável. Se um suíno estiver sendo discriminado na baía ou não conseguir ingerir água e ração, deverá ser transferido para uma baia hospitalar. Caso não esteja sendo discriminado e possa ingerir água e ração, deve ser deixado na baia por 24 horas. Caso o suíno não apresente melhora do seu quadro deve ser transferido para a baia hospitalar”, explica o mestre em Ciências Veterinárias.

Limpeza e desinfecção
A limpeza e desinfecção das instalações devem ser realizadas com rigor, começando pela remoção de matéria orgânica, seguida do uso de detergentes e desinfetantes limpos. A eficácia dos procedimentos deve ser verificada de forma contínua.
O uso de produtos antimicrobianos deve ser preciso, com monitoramento contínuo dos agentes patogênicos e sua sensibilidade antimicrobiana. A administração deve seguir as dosagens adequadas e os períodos de retirada para garantir a eficácia e evitar resistência.
Para a erradicação de agentes primários, como Mycoplasma hyopneumoniae e Actinobacillus pleuropneumoniae, pode ser necessário implementar um protocolo medicamentoso e considerar o fechamento temporário do plantel. “Garantir uma biosseguridade adequada, com a escolha de fontes de animais livres para reposição ou a formação de pirâmides de produção com animais livres é fundamental. Estudos mostram que a erradicação do Mycoplasma hyopneumoniae pode gerar um ganho de US$ 7 por suíno abatido, com payback em até sete meses”, expõe Morés.
O pesquisador também ressalta a importância de adotar medidas de biosseguridade externa, essencial para proteger a granja. Isso inclui o isolamento da granja, o controle rigoroso da entrada de pessoas e veículos, a restrição à entrada de suínos portadores, e a gestão adequada da água e dos alimentos, além do controle de insetos e roedores. “Essas medidas ajudam a manter a saúde do plantel e a minimizar os riscos de surtos de gripes ou de outros agentes patogênicos”, frisa o pesquisador.
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Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais
Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.
Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.
O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.
Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.



