Avicultura
Especialista aponta benefícios ao uso de aditivos alternativos na dieta de poedeiras comerciais
A busca por soluções nutricionais eficazes e sustentáveis tornou-se uma prioridade na indústria. É nesse contexto que os aditivos alternativos na dieta das aves se apresentam como uma área promissora, oferecendo uma abordagem mais natural e inovadora para otimizar a produção.

Manter a qualidade de vida, a saúde, a sustentabilidade e a produtividade das poedeiras comerciais é um desafio constante. A busca por soluções nutricionais eficazes e sustentáveis tornou-se uma prioridade na indústria. É nesse contexto que os aditivos alternativos na dieta das aves se apresentam como uma área promissora, oferecendo uma abordagem mais natural e inovadora para otimizar a produção.

Fotos: Shutterstock
Tradicionalmente, as dietas das poedeiras comerciais são formuladas com uma variedade de ingredientes convencionais, como milho, soja e suplementos vitamínicos e minerais. No entanto, questões como resistência aos antibióticos e sustentabilidade têm impulsionado a busca por alternativas. É aqui que entram os aditivos alternativos, que incluem probióticos, prebióticos, extratos de plantas e enzimas naturais.
Eles oferecem uma série de benefícios. Os probióticos, por exemplo, podem melhorar a saúde intestinal das aves, promovendo uma microbiota equilibrada e aumentando a resistência a doenças. Os prebióticos, por sua vez, fornecem substratos que promovem o crescimento de bactérias benéficas no trato gastrointestinal das aves, melhorando a digestão e a absorção de nutrientes. Além disso, os extratos de plantas e as enzimas naturais têm demonstrado potencial para melhorar a eficiência alimentar e reduzir a necessidade de antibióticos na produção avícola.
Recentemente, estudos têm explorado ainda mais o potencial desses aditivos, buscando entender melhor seus mecanismos de ação e seus efeitos sobre a saúde e a produção das aves. “Pesquisas têm mostrado resultados promissores, sugerindo que esses aditivos podem não apenas melhorar o desempenho das aves, mas também contribuir para a produção de ovos de maior qualidade, com menor impacto ambiental”, frisou a especialista em Ciências Animais Agrícolas, Anne Möddel.
De acordo com ela, embora os aditivos alternativos ofereçam muitos benefícios potenciais, é importante continuar a pesquisa para garantir sua eficácia e segurança. “Os produtores devem considerar questões como custo, disponibilidade e regulamentações ao decidir incorporar esses aditivos nas dietas das poedeiras comerciais”, ressaltou.
Soluções naturais
Os aditivos alternativos já desempenham um papel significativo na indústria avícola, porém, Anne ressalta a necessidade de um uso ainda mais amplo no futuro. Ela aponta que os desafios enfrentados pelo setor, tanto ambientais quanto regulatórios, exigem alternativas aos aditivos convencionais e aos antibióticos. “A busca por soluções naturais que proporcionem segurança e eficácia no desempenho das aves e em suas funções intestinais é fundamental”, enfatiza.
Anne destaca o papel de aditivos como o lúpulo, que possui efeitos antibacterianos, especialmente contra bactérias gram-positivas como o clostridium. “Esses aditivos ajudam a reduzir a pressão bacteriana no intestino das aves, promovendo uma melhor digestão e absorção de nutrientes, além de contribuir para uma conversão alimentar mais eficiente. Isso não apenas beneficia o desempenho das aves, mas também reduz a pressão ambiental, garantindo uma utilização mais eficiente da ração e proporcionando uma produção avícola mais sustentável”, evidencia.
Desafios à saúde intestinal das aves
A profissional enfatizou que quando as poedeiras apresentam problemas de saúde intestinal isso afeta tanto a qualidade dos ovos quanto o bem-estar das aves. Entre os efeitos listados por Anne estão um aumento no número de ovos quebrados e sujos, uma fisiologia intestinal deficiente, maior incidência de fraturas ósseas, redução da qualidade interna dos ovos e diminuição do peso dos ovos.
Diante desses desafios, os produtos à base de plantas surgem como uma solução multifuncional, natural, sustentável, econômica e amplamente aceita. “Uma análise mais aprofundada de seus componentes revela a presença de polifenóis, óleos essenciais e ácidos amargos, que possuem uma variedade de propriedades benéficas, incluindo ação antibacteriana, anticâncer, antiviral, anti-inflamatória, antifúngica e expectorante”, salienta.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Esses produtos à base de plantas oferecem uma série de coefeitos que beneficiam o uso de aditivos alternativos na dieta das poedeiras comerciais. “Além de promover a saúde intestinal das aves, esses aditivos podem resultar em sinergias positivas, como uma plumagem mais densa até o final do período de postura, maior habitabilidade e redução de lesões nas aves”, pontua Anne.
Mais benefícios
Anne reforça que os aditivos alternativos à base de plantas têm o potencial de estimular a secreção de enzimas digestivas, melhorar o epitélio intestinal, reduzir bactérias gram-positivas e regular a microbiota intestinal, resultando em um melhor desempenho do animal e suporte ao sistema imunológico. “Além de melhorar a saúde das aves, esses aditivos também têm demonstrado impactos positivos no desempenho de crescimento e na qualidade do produto final. O que podemos fazer é reduzir a dependência de antibióticos na produção avícola, aproveitando ao máximo o potencial dos aditivos alternativos”, reforça.
Ao adotar aditivos alternativos à base de plantas, Anne afirma que há uma melhora do índice de conversão alimentar e do desempenho das aves, uma vez que estes aditivos promovem uma maior digestibilidade dos nutrientes, garantindo uma melhor saúde intestinal para sistemas imunológicos mais robustos e, por fim, proporcionam uma qualidade de produto final aprimorada.
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Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
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Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.
Avicultura
Por que a vacina não resolve sozinha o controle da Salmonella na avicultura
Imunização reduz multiplicação do agente, mas não impede infecção nas granjas brasileiras.

A utilização de vacinas no controle da Salmonella na avicultura ainda enfrenta um problema recorrente: expectativa equivocada sobre o que, de fato, elas entregam no campo. A avaliação foi apresentada durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR), ao discutir o papel real da imunização dentro dos programas sanitários.
Segundo a palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka, o primeiro ponto que precisa ser ajustado é conceitual: a Salmonella não é eliminada – é controlada. “A gente não vai eliminar Salmonella. A gente tem que controlar Salmonella, que é bem diferente”, afirmou.
A explicação está na própria biologia do agente. A bactéria possui múltiplos hospedeiros e capacidade de permanência no ambiente produtivo, o que inviabiliza a erradicação completa dentro dos sistemas intensivos.
Vacina não impede infecção

Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural
Um dos pontos centrais da apresentação foi a limitação funcional das vacinas. Diferentemente do que parte do setor ainda presume, elas não atuam como barreira absoluta contra a entrada do agente. “A vacina não é um campo de força. Ela não protege contra a infecção”, destacou.
Na prática, o efeito esperado é outro: reduzir a multiplicação da bactéria no organismo e, com isso, diminuir a pressão de infecção ao longo do sistema. “A vacina diminui a taxa de multiplicação do agente, melhora a defesa do organismo”, explicou. Esse efeito é suficiente para reduzir a ocorrência de sinais clínicos e contribuir para manter a bactéria em níveis baixos – muitas vezes não detectáveis -, mas não impede que a ave entre em contato com o patógeno.
Ferramenta dentro de um sistema, não solução isolada
A consequência direta dessa limitação é clara: a vacina não pode ser tratada como solução única. “Ela não deve ser usada sozinha. É mais uma ferramenta dentro de um programa de controle”, afirmou. Para a palestrante, o controle efetivo depende da combinação de fatores: biosseguridade, manejo, controle ambiental, qualidade intestinal e capacitação das equipes.
A vacina atua sobre um ponto específico: a dinâmica de multiplicação da bactéria dentro do hospedeiro.
Quebra-cabeça sanitário exige integração

Palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka: “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”
Durante a apresentação, o controle da Salmonella foi descrito como um sistema de múltiplas camadas, em que cada ferramenta cumpre uma função distinta. “A gente tem um quebra-cabeça. Não é uma bala de prata, não é milagre”, afirmou. Nesse modelo, o manejo reduz a pressão ambiental, a biosseguridade controla a entrada, a vacinação reduz a multiplicação e a microbiota intestinal atua na competição.
E há um elemento transversal: as pessoas. “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”, alertou. Mesmo com tecnologia disponível, falhas operacionais comprometem diretamente a eficácia das vacinas. “A vacina só funciona se for utilizada da maneira correta”, afirmou.
Entre os erros ainda comuns, Eva Hunka citou “dose inadequada, falhas de aplicação, manejo incorreto, uso fora do momento ideal”. A consequência é uma percepção equivocada de ineficiência, quando, na prática, o problema está na execução. “Qualquer produto para a saúde animal precisa respeitar momento de uso, dose, via de aplicação”, destacou.
Sanidade de precisão
Ao final, a especialista chamou atenção para uma lacuna recorrente no setor: enquanto áreas como nutrição e ambiência avançaram para modelos de precisão, a sanidade ainda opera, muitas vezes, de forma menos estruturada. No caso da Salmonella, isso significa abandonar soluções isoladas e trabalhar com estratégias coordenadas – em que a vacina é uma peça relevante, mas nunca suficiente sozinha.



