Avicultura
Especialista aponta ajustes nutricionais e de manejo para reduzir miopatias em frangos de corte
Frango está entre as carnes mais consumidas no mundo, uma popularidade impulsionada pela genética avançada e pela eficiência produtiva.

A produção de carne de frango é uma das indústrias mais robustas do agronegócio global, com destaque para o Brasil, os Estados Unidos e a China, líderes no mercado mundial. No entanto, para além da quantidade de carne produzida, a indústria enfrenta o desafio crescente de garantir a qualidade dos produtos.
Dados recentes mostram que 72% do frango brasileiro é vendido em cortes e apenas 20% inteiros, refletindo a preferência dos consumidores e as especificações do mercado. “O frango está entre as carnes mais consumidas no mundo, uma popularidade impulsionada pela genética avançada e pela eficiência produtiva. Além de ser uma fonte nutritiva e com baixo teor de gordura, sua acessibilidade torna essa proteína uma opção altamente rentável para a indústria”, expôs a doutora em Ciência Avícola e Alimentar, Casey Owens, durante sua participação no Simpósio “Uma visão holística sobre os fatores que afetam a carne comercializável: desafios do campo ao processamento”, realizado na Conferência Científica Latino-Americana (PSA Latam), de 08 a 10 de outubro, em Foz do Iguaçu, PR.
O crescente consumo da carne de frango tem feito com que a cadeia avícola aprimore cada vez mais seus processos para garantir um menor índice de perda de carcaças durante o processamento. Conforme um estudo apresentado pela especialista, as vísceras representam 6,4% do total do produto que se perde durante o abate, enquanto glândulas preen e miudezas, que incluem fígado, coração, pescoço e moela, somam 0,1% e 9,6%, respectivamente. Outras perdas incluem 3,8% de sangue, 4,2% de penas, 2,2% de cabeças e 1,5% devido à coleta de água.
Em termos de rendimento, a carcaça quente apresenta 69% de aproveitamento, enquanto o rendimento da carcaça fria varia entre 70% a 75%, dependendo da condição do produto. O peso médio vivo das aves varia de 3,2 kg a 4 kg, com o peso da carcaça oscilando entre 2,2 kg a 3 kg. “No competitivo mercado de frango de corte, maximizar o rendimento das diferentes partes das aves é essencial para gerar lucratividade”, ressalta a especialista, expondo que o rendimento de cortes do frango, como peito, asas e pernas, podem variar dependendo do tamanho da ave e do processo de corte, influenciando no valor econômico obtido por cada frango abatido.
Entre os cortes mais valorizados estão o peito desossado e sem pele e a coxa desossada e sem pele, que representam respectivamente 21,8% e 9,2% do peso vivo da ave. O peito, em particular, pode alcançar até 26,6% do peso da carcaça, sendo um dos cortes mais lucrativos. “Esse corte atende ao mercado que valoriza carnes magras e seu rendimento aumenta proporcionalmente ao tamanho da ave, um fator que tem incentivado a produção de frangos de maior porte voltados para o mercado de peito desossado”, indica Casey, que também é pesquisadora e professora na Universidade do Arkansas, nos Estados Unidos.
Casey enfatiza a importância para o setor do quadro de rendimento dos cortes de frango, frisando que essa é uma ferramenta valiosa para orientar decisões de produção, pois fornece uma visão clara do aproveitamento de cada parte do frango em relação ao peso vivo e ao peso da carcaça. “Em um setor avícola que cada grama conta, compreender o rendimento das partes permite que produtores e plantas frigoríficas ajustem suas estratégias de criação e processamento, atendendo à demanda do mercado e maximizando o valor agregado em cada corte”, menciona.
Custo da carne desperdiçada
De acordo com a especialista, para cada 1% de perda no rendimento, uma planta de processamento de frango pode enfrentar um prejuízo anual de cerca de US$ 2,92 milhões. Segundo ela, essas perdas podem estar associadas em causas de campo, como aerossaculite, septicemia, leucose, hematomas e celulite, ou em causas de planta, que incluem cadáveres, escaldamento excessivo, mutilação, contaminação e ausência de vísceras.
Adicionalmente, problemas de qualidade como o peito lenhoso e a carne pálida, macia e exsudativa têm impacto direto na viabilidade de venda desses produtos. “A celulite, por exemplo, é causada por inflamações na pele da ave e afeta tanto o rendimento quanto a qualidade visual, o que pode levar à rejeição do consumidor”, afirma.
Miopatias musculares
Nos últimos anos, problemas como as miopatias musculares – incluindo as listras brancas e o peito lenhoso – ganharam notoriedade por afetarem a textura, aparência e composição nutricional da carne de frango.
Essas condições são especialmente prevalentes em aves de crescimento rápido, afetando principalmente filés de peito, que perdem valor nutricional ao exibir menos proteína e mais colágeno e gordura. O peito lenhoso altera a textura da carne, que fica mais rígida e fibrosa, sendo atualmente um dos principais desafios enfrentados pela indústria. “Para cada 10% de aumento na ocorrência do peito lenhoso, estima-se que as perdas econômicas para a indústria americana podem chegar a US$ 800 milhões”, afirma a pesquisadora.
Como a indústria pode lidar com as miopatias?

Diante desses desafios, a cadeia discute soluções tanto no manejo das aves quanto no processamento da carne. No curto prazo, Casey diz que as plantas de processamento podem optar por abater as aves antes que atinjam um peso muito elevado, reduzindo a incidência de miopatias severas, embora impacte o rendimento final.
Outra estratégia, segundo ela, é separar os cortes afetados para direcioná-los a produtos processados de menor valor agregado, como carne moída ou em partículas pequenas.
No campo, a docente do Arkansas recomenda a mudança na dieta dos animais e práticas de manejo para mitigar o crescimento acelerado e melhorar a vascularização dos músculos, minimizando, assim, o risco de miopatias.
Equilíbrio entre quantidade e qualidade
Os problemas de qualidade refletem uma realidade complexa: o crescimento rápido das aves atende à demanda do mercado, mas exige um equilíbrio cuidadoso entre genética, manejo, nutrição e condições ambientais. “A alta velocidade das linhas de produção, por exemplo, impacta diretamente o manuseio das aves, o que pode levar a danos físicos, como ossos quebrados e hematomas, além de comprometimentos na integridade das carcaças”, destaca Casey. “A necessidade de um manejo mais preciso e de um processamento que considere essas variáveis é vista como fundamental para manter a qualidade da carne de frango”, complementa.
Diante deste contexto, a pesquisadora salienta que a pressão por quantidade, imposta pelo mercado e pela competitividade global, deve ser contrabalanceada com práticas que assegurem a qualidade da carne. “A solução parece estar em ajustar práticas ao longo de toda a cadeia, do campo ao processamento, para atender não só à demanda por volume, mas também à crescente exigência por um produto de alta qualidade”, menciona, ressaltando: “Em um setor em que cada detalhe pode significar milhões de dólares em perdas ou ganhos, a busca por melhorias contínuas é vital para fortalecer o mercado e oferecer aos consumidores um produto que alie quantidade à qualidade que desejam”.
Gerenciamento de miopatias em curto prazo
Para gerenciar miopatias em curto prazo, Casey sugere o processamento das aves mais cedo, com pesos mais leves, contudo, a especialista reforça a necessidade de avaliar o impacto econômico desta ação, considerando o rendimento geral versus a contabilização de perdas associadas ao peito lenhoso. “É recomendável dentro das plantas de processamento selecionar os animais conforme o grau de miopatia, o que exige treinamento específico para a equipe”, menciona.
Para aprimorar o manejo das miopatias, algumas estratégias de nutrição e gestão de produção podem oferecer resultados importantes em curto prazo. “Uma alteração nutricional, por exemplo, pode ser uma tática para desacelerar o crescimento das aves de forma estratégica, diminuindo a pressão sobre a estrutura muscular e, assim, minimizando a ocorrência de miopatias. Nesse sentido, a inclusão de antioxidantes na dieta e de ingredientes que incentivam uma melhor vascularização dos tecidos musculares é uma opção recomendada”, revela.

Doutora em Ciência Avícola e Alimentar, pesquisadora e professora da Universidade do Arkansas, Casey Owens: “No competitivo mercado de frango de corte, maximizar o rendimento das diferentes partes das aves é essencial para gerar lucratividade” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A especialista diz que diversos fatores influenciam diretamente na redução dos defeitos de qualidade nas carcaças de aves. A genética desempenha um papel fundamental, assim como a nutrição, o manejo agrícola, a gestão da velocidade de crescimento e do período de engorda.
Outros fatores, como a logística, as condições ambientais e o gerenciamento na planta de abate, especialmente a velocidade da linha de processamento, também impactam significativamente a qualidade final. “Ajustes coordenados nesses pontos-chave podem contribuir para reduzir a prevalência de miopatias e melhorar a qualidade da carne para atender melhor às exigências do mercado”. OLHO “Uma alteração nutricional pode ser uma tática para desacelerar o crescimento das aves de forma estratégica, diminuindo a pressão sobre a estrutura muscular”
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Avicultura
Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano
Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.
No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.
As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.
Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.
Avicultura
Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval
Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.
Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.
A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.
No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.
Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.
De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.
Avicultura
Avicultura gaúcha resiste a crises, mantém relevância e freia expansão diante de incertezas
Mesmo entre pressões climáticas, custos elevados e desafios sanitários, setor mantém posição estratégica no cenário nacional, projeta crescimento moderado nas exportações e adota postura cautelosa para preservar competitividade e rentabilidade em 2026.

A avicultura do Rio Grande do Sul vive um momento de transição, marcado pela necessidade de ajustar produção, custos e mercados em um cenário que combina instabilidade climática, incertezas sanitárias e mudanças no ambiente regulatório. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, traçou um panorama da atividade para 2026 e apontou os principais gargalos que limitam a competitividade do estado, apesar de sua tradição como um dos maiores produtores e exportadores de carne de frango e líder nacional nas exportações de ovos.
De acordo com o dirigente, o setor sofreu nos últimos três anos com situações atípicas que retardaram planos de expansão e reconfiguraram a estrutura produtiva. “As adversidades climáticas e os acontecimentos sanitários retardaram parcialmente o crescimento do setor”, frisa.

Presidente da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade” – Foto: Divulgação/Asgav
A perspectiva é de uma retomada gradual. Com os resultados de 2025 ainda sendo fechados, Santos projeta crescimento de 3% a 4% nas exportações de carne de frango, de 10% a 20% nas exportações de ovos, e de 2% a 3% na produção de carne de frango, mantendo uma postura cautelosa. No segmento de ovos, a expectativa é de manutenção da estabilidade na produção. “Havendo uma safra de grãos regular, o custo de produção poderá estabilizar e os ganhos e rentabilidade no mercado interno dependerão da disciplina do setor em analisar o cenário de oferta e procura”, avalia.
A análise do executivo revela uma preocupação central para a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico. Ele alerta que, mesmo com condições favoráveis de produção, a rentabilidade vai depender da capacidade do setor de controlar a oferta e de entender o comportamento do consumo.
Cautela para 2026
Em relação a 2026, Santos aposta em um comportamento ainda mais prudente. “O cenário econômico nacional, global e a geopolítica que se molda ultimamente no mundo, nos remete a uma cautela permanente”, pontua, enfatizando que a definição de rumos, seja para crescimento ou estabilidade, exige monitoramento constante do contexto internacional e doméstico. “A tendência é que o estado adote um modelo cauteloso e equilibrado na ampliação da produção”, salienta.
O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do país, mantém estabilidade no abate, com crescimento moderado. A decisão de não acelerar a expansão, segundo Santos, reflete a necessidade de evitar sobredimensionamento diante de um cenário que pode mudar de forma repentina, especialmente por fatores externos.
Exportações e mercados em recuperação
Os episódios sanitários recentes no estado, como a Influenza aviária e a Doença de Newcastle, tiveram impacto bem menor do que inicialmente se previa nas exportações gaúchas. “Tivemos uma queda de 0,77%, comparando 686,3 mil toneladas exportadas em 2025 com 691,6 mil em 2024”, informa, relembrando que em 2024 o estado sofreu redução do volume embarcado de 6,75% em relação a 2023, em um ano marcado por enchentes e o caso de Newcastle.
Para 2026, ele não aponta mercados específicos como puxadores da retomada, mas destaca que a consolidação e reabertura de mercados ainda exigem esforço contínuo, sobretudo na reestruturação de credibilidade e previsibilidade sanitária do estado.
Competitividade frente a Paraná e Santa Catarina

Foto: Rodrigo Felix Leal
O Rio Grande do Sul enfrenta, historicamente, forte concorrência interna com estados como Paraná e Santa Catarina. Santos destaca que o estado mantém sua posição de destaque há décadas, mas reconhece que o ambiente competitivo exige ações estruturais. “Infelizmente, no Rio Grande do Sul, a ‘guerra fiscal’ nos atropelou e a insuficiência de milho nos trouxe um custo de produção elevado”, lamenta.
Para o dirigente, a ausência de políticas de incentivo fiscal adequadas teria contribuído para a perda de competitividade. Ele aponta que o estado passou a se tornar atrativo para empresas de outros estados que direcionam volumes consideráveis de carne de frango para a região gaúcha. “Não obtivemos políticas de incentivo fiscal suficientes que nos ajudassem a reverter os danos da ‘guerra fiscal’. Mas apesar de todas as dificuldades que o Rio Grande do Sul enfrenta, o estado se manter entre os três principais em produção e exportação é algo que merece destaque”, menciona.
Santos ressalta que o estado mantém características favoráveis que podem sustentar o crescimento a médio e longo prazo, como mão de obra qualificada, empreendedorismo, sistema integrado e cooperativado bem-organizado. “Somado a estes fatores se houver o surgimento de uma gestão governamental que nos ofereça condições de maior competitividade vamos poder alavancar o crescimento de forma mais dinâmica da avicultura do Rio Grande do Sul”, projeta o executivo, ressaltando que o estado tem atraído novos investimentos e a manutenção de muitas indústrias de pequeno, médio e grande porte.
Pressões de custos
Além da guerra fiscal e do alto custo do milho, outros itens pressionam a competitividade. Grãos, energia, logística e mão de obra seguem como fatores críticos, mas Santos destaca novos pontos de atenção para 2026. Entre eles, a Reforma Tributária e propostas de mudanças na jornada de trabalho, que podem elevar os custos com pessoal. “São pontos de atenção que podem afetar o custo do setor, e principalmente temos que ficar muito atentos aos reais impactos da efetivação que a Reforma Tributária poderá trazer para a avicultura”, enfatiza Santos.
A leitura do dirigente sugere que o setor está atento ao risco de deterioração da margem produtiva por pressões regulatórias e fiscais, especialmente em um ano eleitoral, quando mudanças podem ser aceleradas ou postas em debate.
Comunicação ampla e contínua

Para o mercado doméstico, Santos acredita que há espaço para crescimento do consumo, mas não sem estratégia. Ele defende a necessidade de ações mais proativas para fortalecer a percepção da carne de frango como alimento essencial na dieta dos brasileiros, apontando para a necessidade de uma política de comunicação mais ampla e contínua, com recursos e estrutura adequados para sustentar campanhas de longo prazo. “Muitos acham que o que se faz hoje é suficiente, que a população já está ciente e saturada com muita informação sobre a carne de frango, mas essa visão não considera o contexto de transformação social e cultural, com muitos outros tipos de alimentos e dietas, novos conceitos e ideologias. O planejamento de algo audacioso, constante e criativo pode alavancar o consumo de carne de frango no Brasil, mas lógico que é preciso um bom investimento”, salienta.
Setor emergente no agro
O segmento de ovos é, para o dirigente, um dos principais vetores de crescimento e consolidação internacional do Rio Grande do Sul. O estado figura entre os principais nas exportações do produto, e Santos avalia que o segmento se tornou um exemplo de setor emergente no agro.
Ele destaca o Programa Ovos RS, que está em sua 13ª edição e reúne módulos técnicos e de promoção. “O programa possui módulos que dão um suporte importante para indústria e produtores, contando com módulo técnico que audita e orienta os estabelecimentos membros do programa a se qualificarem e manterem suas empresas dentro das diretrizes legais de produção”, explica, ressaltando que a iniciativa também promove ações permanentes de incentivo ao consumo de ovos.
Com base nesse modelo, Santos acredita que o estado gaúcho pode ampliar sua participação no mercado externo, desde que mantenha estabilidade nas exportações vigentes e fidelize os mercados importadores. “Com ações de aprimoramento constante, uma boa prospecção de mercados com apoio da ABPA e do Governo Federal, vamos poder ampliar ainda mais nossa participação no mercado externo”, diz, otimista.
Biossegurança como prioridade estratégica
Os episódios recentes de Doença de Newcastle e Influenza aviária reforçaram a importância de biossegurança, um tema que Santos considera central para reduzir riscos sanitários e garantir previsibilidade em 2026. Ele afirma que a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) tem trabalhado com máxima atenção para que o setor atenda aos procedimentos normativos vigentes, além de comunicar continuamente a importância da proteção dos plantéis.
A entidade também atua em iniciativas de conscientização e mobilização política. “Pensando em vulnerabilidade e aumentar a biossegurança no setor é que a Asgav apresentou na ABPA minuta de um Projeto de lei que institui o Dia Nacional da Biosseguridade na Produção Animal, com a proposta sendo aprovada por unanimidade no Conselho Diretivo da entidade e encaminhada à Câmara Federal. O objetivo do PL é evidenciar cada vez mais a importância da biosseguridade, estimular criação de políticas públicas para atender e orientar pequenos produtores de aves domésticas e outras criações de subsistência”, detalha.
Ele reforça ainda que as autoridades ligadas direta e indiretamente com o agro precisam entender o potencial prejuízo de surtos em larga escala e que é melhor investir em prevenção do que enfrentar perdas imensuráveis. “É melhor investir e disponibilizar recursos para prevenção e defesa sanitária, do que, em caso de uma catástrofe, o país sofrer prejuízos imensuráveis com os impactos diretos e indiretos com uma possível incidência expressiva de Influenza aviária”, ressalta.
Gargalos estruturais
Entre os principais obstáculos ao avanço da avicultura gaúcha, Santos destaca a dependência de milho de fora do estado e a falta de incentivos fiscais. Ele também aponta o acesso ao crédito e a necessidade de um fundo de apoio para modernização e adequações de indústrias e aviários como itens críticos para a competitividade. “A falta de incentivos fiscais nos deixam em desvantagem competitiva em relação a outras unidades produtivas da federação”, reforça, acrescentando que as tratativas com o governo do estado avançam lentamente, com dificuldades para liberação de créditos de ICMS e outros mecanismos que poderiam apoiar investimentos.
Orientação para o setor em 2026
Para 2026, a agenda da Asgav junto ao poder público se concentra em fortalecer programas de incentivo e ampliar a defesa sanitária do estado. Santos destaca a importância de um quadro técnico estruturado na defesa sanitária, capaz de executar suas atividades com eficiência.
Ao setor produtivo, ele recomenda cautela e atenção à gestão econômica e ao contexto político, sobretudo em um ano eleitoral. “Cautela nunca é demais e muita atenção no cenário mundial, pois os conflitos que porventura possam surgir no exterior poderão refletir na nossa atividade”, alerta, lembrando que o setor avícola nacional tem forte presença no mercado externo e responde por quase 40% do fornecimento de proteína animal para o mundo, o que reforça a necessidade de previsibilidade e planejamento estratégico.
O executivo reforça ainda que a avicultura do Rio Grande do Sul mantém sua relevância nacional e internacional, mas enfrenta uma combinação de desafios que exigem adaptação e disciplina. “A recuperação das exportações, a consolidação de mercados, a promoção do consumo interno, a segurança sanitária e a necessidade de políticas públicas estruturadas aparecem como eixos centrais para que o setor retome um ritmo de crescimento mais robusto em 2026”, salienta Santos.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.



