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Especialista alerta para impacto bilionário das tarifas de Trump sobre o agronegócio brasileiro

Com imposto de 50% sobre exportações, EUA encarecem carne, café, açúcar e soja, reduzindo competitividade e acendendo alerta para inflação, desemprego e queda na arrecadação.

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Foto: Gilson Abreu

Entrou em vigor na última quarta-feira (06) a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre a maioria dos produtos brasileiros exportados, com impacto direto sobre o agronegócio. Anunciada pelo governo de Donald Trump como uma medida protecionista, a nova alíquota representa um forte revés para a balança comercial brasileira e já preocupa especialistas e representantes do setor.

Apesar de alguns produtos terem sido poupados, como suco e polpa de laranja, itens estratégicos da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café, açúcar, soja e frutas, foram diretamente afetados. O aumento de custo para esses itens no mercado norte-americano tende a reduzir sua competitividade, abrindo espaço para concorrentes de outros países.

Para a contadora tributarista, Lindsay Wellen, os impactos vão muito além do agronegócio. “As consequências se estendem para toda a economia, dado o peso do agro na geração de divisas, empregos e arrecadação. Essa tarifa cria um choque negativo imediato, com redução nas exportações, queda na entrada de dólares no país e pressão inflacionária”, alerta.

O setor agropecuário responde por cerca de 25% do PIB brasileiro, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com o aumento das tarifas, o Brasil perde competitividade num de seus maiores mercados consumidores e pode sofrer com a desvalorização do real, retração no PIB e aumento do dólar.

Segundo Lindsay, o momento exige ação estratégica. “No médio prazo, será essencial buscar a diversificação comercial e o reposicionamento do agro brasileiro no mercado global para mitigar perdas. Caso contrário, o país sofrerá consequências duradouras, tanto no setor produtivo quanto no dia a dia da população”, afirma a especialista.

Ela explica que os impactos da medida também serão sentidos nos supermercados, nos postos de gasolina e nas contas das famílias brasileiras. “Com o dólar mais caro e a inflação pressionada, alimentos, combustíveis, medicamentos e bens industrializados devem ficar mais caros, afetando o poder de compra da população”, diz.

Foto: Gilson Abreu

Além disso, a redução nas exportações deve afetar o nível de emprego nas cadeias produtivas ligadas ao campo. “Com menos demanda, produtores, transportadoras, indústrias e cooperativas tendem a reduzir produção e quadro de funcionários. Isso pode gerar desemprego principalmente em cidades menores e regiões dependentes do agronegócio”, completa.

Outro efeito colateral, segundo Lindsay, será a queda nos investimentos públicos e privados. Com a arrecadação comprometida e a instabilidade econômica em alta, obras de infraestrutura, linhas de crédito agrícola e serviços públicos essenciais podem ser impactados, travando ainda mais a retomada do crescimento.

A medida também reacende o debate sobre a fragilidade das relações comerciais do Brasil com grandes potências e a urgência em fortalecer acordos bilaterais com novos mercados compradores. “A dependência de poucos parceiros deixa o país vulnerável a decisões unilaterais como essa. É preciso ampliar a presença internacional do agro”, recomenda.

Fonte: Assessoria NTW Contabilidade e Gestão Empresarial

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Master Agroindustrial avança para o exterior com entrada em empresa chilena

Negócio envolve aquisição de ações e criação de sinergias produtivas e comerciais entre as companhias.

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Foto: Divulgação

A Master Agroindustrial S.A., empresa brasileira do setor de carne suína, concluiu a aquisição de 38% das ações do Grupo Coexca S.A., do Chile. A operação envolve a compra de participações de diferentes sócios, entre eles o fundo de investimento dinamarquês Impact Fund Denmark (IFU).

Com o negócio, as duas companhias passam a estruturar uma parceria voltada à geração de sinergias nas áreas produtiva, industrial, comercial e de inovação. A transação marca a entrada mais forte da Master no mercado internacional, ampliando sua atuação para além do Brasil.

De acordo com o CEO da Master, Mario Faccin, a operação faz parte do processo de internacionalização da empresa, que já exporta para mais de 20 países. Ele afirma que a associação com a Coexca reforça a estratégia de expansão e integração industrial, além de contar com o apoio do Grupo Vall Companys.

A Master atua no mercado brasileiro de proteína suína com a marca Sulita. A empresa registra faturamento anual de US$ 250 milhões, conta com mais de 2.000 funcionários, 350 produtores integrados e produção superior a 100 mil toneladas de carne por ano. São 42 mil matrizes reprodutoras e cerca de 1,2 milhão de suínos produzidos anualmente, sendo 70% destinados ao processamento e 30% comercializados vivos. A companhia projeta dobrar o faturamento até 2030.

O CEO da Coexca S.A., Guillermo García, destacou que a entrada da Master na empresa abre uma nova etapa de crescimento, apoiada na experiência do grupo brasileiro e do Grupo Vall Companys.

Com sede na região do Maule, no Chile, a Coexca atua na produção e exportação de carne suína em modelo verticalizado. A empresa registra vendas de US$ 165 milhões, exporta para mais de 30 mercados e gera mais de 1.000 empregos. Possui 14 mil matrizes e abate mais de 470 mil suínos por ano, com volume superior a 56 mil toneladas de carne processada.

O responsável internacional do Grupo Vall Companys, Tomás Blasco, afirmou que a parceria deve reforçar a presença do grupo no mercado latino-americano. O conglomerado espanhol, com sede em Lleida, atua em cadeia produtiva integrada e registra faturamento superior a 4 bilhões de euros, com mais de 15 mil funcionários.

Fonte: Assessoria
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Pesquisa brasileira atrai produtores argentinos para troca de conhecimento

Programação abordou desde manejo reprodutivo até sistemas integrados no bioma Pampa.

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Foto: Róger Nobre

Durante a quarta-feira (14), a Embrapa Pecuária Sul recebeu uma comitiva da Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (AACREA), formada por 83 produtores rurais e técnicos. O grupo, envolvido em atividades de pecuária, silvicultura e produção de grãos, nas províncias de Corrientes e Missiones, está fazendo um giro técnico no Brasil e a visita à Embrapa foi para conhecer as pesquisas e tecnologias desenvolvidas para o setor primário.

O grupo foi recepcionado pela equipe de gestão na unidade da Embrapa e na sequência participou de palestras sobre diferentes temas que são trabalhados pela pesquisa. Segundo o analista da Embrapa, Marco Antônio Karam, esse tipo de iniciativa é importante para reforçar os laços com os países da região. “Além disso, estamos difundindo conhecimentos e tecnologias disponíveis para que possam ser utilizados lá, visando sistemas produtivos mais sustentáveis”.

Ainda na parte da manhã os pesquisadores Danilo Sant’Anna e Daniel Montardo apresentaram a vitrine de forrageiras, onde estão algumas das cultivares desenvolvidas pela instituição. Outro tema discutido foi o conceito Pasto sobre Pasto, que visa a oferta de forragem de qualidade para animais durante todo o ano.

No início da tarde, a comitiva assistiu a palestra Manejo da reprodução: fisiologia e uso de hormônios, ministrada pelo pesquisador José Carlos Ferrugem. O evento teve prosseguimento tendo como tema o melhoramento genético bovino. Os pesquisadores Fernando Cardoso e Cristina Genro falaram sobre pesquisas e tecnologias na área, como a utilização da genômica para o melhoramento de animais em características como eficiência alimentar e resistência ao carrapato, além dos trabalhos para a adaptação das raças taurinas a regiões tropicais.

A programação foi encerrada com a apresentação sobre o projeto Integra Pampa, feita pelos pesquisadores Naylor Perez e Hélio Tonini. Esse projeto está avaliando os melhores arranjos e desenhos de sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta para o bioma Pampa.

Segundo o coordenador regional da Crea, Mariano Lanz, um dos objetivos do grupo foi conhecer soluções tecnológicas que possam ser implantadas nos sistemas de produção deles. “Somos produtores do nordeste Argentino, região com muitas semelhanças com esta. Estamos procurando ideias e encontramos aqui alternativas muito interessantes, principalmente no melhoramento animal e das pastagens”, afirmou.

A Crea é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 1960 e formada por empresários agropecuários organizados em grupos regionais. Voltada ao desenvolvimento sustentável e à inovação, a entidade promove a troca de experiências e a geração de conhecimento entre produtores, com foco na melhoria da gestão e no crescimento das empresas do setor.

Fonte: Assessoria Embrapa
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Mercado externo e estoques apertados elevam cotações do trigo

Clima no Hemisfério Norte e previsão de menor área plantada reforçam alta.

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Foto: Cleverson Beje

Os preços do trigo avançaram em março no mercado brasileiro, acompanhando o movimento internacional e o período de entressafra. No Paraná, a saca de 60 kg fechou o mês cotada a R$ 63, alta de 3,4% em relação a fevereiro. Já nos primeiros dias de abril, as cotações subiram ainda mais, com média de R$ 66 por saca.

A valorização ocorre em um momento de menor disponibilidade de produto no mercado interno. Com estoques mais ajustados, os preços passaram a seguir mais de perto a paridade de exportação, o que limitou uma reação mais forte da demanda doméstica.

Foto: Fábio Carvalho

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário externo também contribuiu para sustentar as cotações no Brasil. No mercado internacional, o trigo registrou volatilidade ao longo de março. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o primeiro vencimento do trigo soft variou entre 572 e 635 centavos de dólar por bushel, encerrando o mês a 616 centavos, alta de 4% frente a fevereiro.

As oscilações foram influenciadas principalmente pelo clima seco nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, o que elevou as preocupações com a produção. Além disso, o mercado ganhou suporte após relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicar redução da área cultivada, reforçando a expectativa de uma safra menor em 2026/27.

Com isso, o mercado segue atento às condições climáticas e às revisões de oferta, fatores que continuam impactando diretamente a formação dos preços do trigo no Brasil.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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