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ESG não é moda, é necessidade, aponta Lar

A Lar Cooperativa Agroindustrial tem o ESG em seu DNA, com o “S” de social muito forte em sua atuação junto à comunidade onde está inserida, viabilizando aproximadamente 80% dos mini e pequenos produtores rurais.

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Crianças participam de atividade de conscientização com plantio de árvores nativas nas margens de nascentes em alusão ao Dia Mundial da Água - Fotos: Arquivo Lar

O Brasil é um dos principais produtores do agronegócio mundial, liderando a produção e exportação de uma infinidade de produtos agropecuários. Conforme estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), até 2030 a produção agrícola do país deve crescer mais de 20%. Esta produção demandará um maior uso de recursos naturais – como da água e do solo -, e de insumos agrícolas, os quais precisarão ser cada vez mais manejados de modo eficiente a fim de não interferirem no meio ambiente e nas gerações futuras.

Do lado das empresas, aquelas que adotarem práticas e modelos alinhadas à Agenda ESG – um conjunto de condutas ambientais, sociais e de governança para guiar investimentos e escolhas de consumo – se diferenciarão no mercado e criarão as bases para um crescimento sustentável.

Diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues: “A Lar monitora o atendimento aos padrões de qualidade do ar em 100% de suas unidades, com isso, somente em 2021 sequestrou 640 toneladas de carbono do ar”

A Lar Cooperativa Agroindustrial tem o ESG em seu DNA, com o “S” de social muito forte em sua atuação junto à comunidade onde está inserida, viabilizando aproximadamente 80% dos mini e pequenos produtores rurais. O respeito e a preservação ao meio ambiente também norteiam as ações da Lar, que tem atuado intensamente na preservação e na economia d’água, tratamento de efluentes, resíduos sólidos, qualidade do ar e em educação ambiental. “Temos ainda muitas oportunidades para melhorar nossas práticas, mas também temos muito o que capitalizar em nossos negócios com as ações que já realizamos”, pontua o diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues.

Com clientes em diversas regiões do Brasil e do mundo, Rodrigues ressalta que a questão ambiental tem sido bastante valorizada no fechamento de novos negócios, principalmente após a COP26, realizada ano passado na Escócia. “Além disso, as instituições financeiras há algum tempo já estão considerando as ações ambientais, sociais e de governança como itens de avaliação das organizações para a concessão de crédito. Não se consegue conceder um empréstimo ou fazer negociações com empresas que poluem o meio ambiente, desmatam de forma ilegal, discriminam seus funcionários ou mesmo não praticam ações de governança, como a participação nas decisões e a transparência nas informações”, evidencia.

Compromisso

Conforme Rodrigues, a Agenda ESG é, em primeiro lugar, um compromisso da diretoria e do Conselho de Administração da Lar, instâncias onde são definidas as prioridades e as estratégias de atuação da cooperativa. Dentro da Lar, o tema está ligado à Superintendência Administrativa e Financeira na Gerência de Qualidade, Meio Ambiente e Inovação. “Não existe um departamento criado exclusivamente para essa finalidade, uma vez que o tema permeia em toda a cooperativa, em suas diferentes áreas. A evolução econômica, do conhecimento, cultural e social é notável na família associada e no quadro de funcionários”, expõe Rodrigues.

Governança

Vista aérea da Unidade Industrial de Aves em Matelândia, PR, em que mostra as florestas de eucalipto que recebem o efluente tratado da indústria

No que diz respeito à governança, foi criado na Lar o Conselho Consultivo, que trouxe o associado ainda mais perto da cooperativa, participando e opinando sobre os rumos da companhia; a Universidade Corporativa, que conta com um número enorme de programas de treinamento e preparação de pessoas, tanto para associados quanto para os funcionários; além dos comitês por atividades, que são fóruns técnicos de discussão, onde os associados podem aprender mais sobre o segmento que atuam, visando a evolução de suas atividades.

“A Lar atua e continuará atuando fortemente na preparação de lideranças, além de trabalhar junto à comunidade, através da conscientização da necessidade da cooperação como forma de melhoria da qualidade de vida das pessoas, assim como também atuará junto aos stakeholders na conscientização sobre a importância da preservação do meio ambiente para garantia da sustentabilidade, ou seja, que as gerações futuras também possam aproveitar dos recursos naturais do nosso planeta”, salienta o diretor-presidente da Lar.

Entre as principais ações de governança realizadas pela Lar estão a formalização em estatuto do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal, auditoria interna, auditoria externa com reconhecimento internacional, planejamento estratégico, divulgação das demonstrações financeiras, criação do Conselho Consultivo e de Comitês por atividades, decisões colegiadas na alta administração, que envolve diretores e as superintendências, bem como da inserção de mulheres e jovens no ambiente empresarial do Sistema Lar.

Para reduzir ao mínimo as chances de erros contábeis, Rodrigues reforça que boa parte das informações são geradas por softwares específicos e interligados para cada atividade ou processo, porém, ainda assim, podem haver riscos de alguns erros por algum lançamento errôneo. “Utilizamos diversos mecanismos internos de checagem, como as conciliações diárias e mensais, auditorias internas e externas profundas, e o próprio conhecimento dos profissionais das áreas que, conhecendo detalhadamente os negócios, conseguem identificar quando algum número passa a não corresponder à realidade. Esses desvios são fáceis e rapidamente identificados, tratados e os sistemas melhorados para que não voltem a acontecer”, enfatiza.

Agenda ambiental

Através do Programa Prioridade Ambiental, a cooperativa desenvolve um rigoroso monitoramento em todas as atividades de forma a manter a qualidade do ar, do controle e gerenciamento dos parâmetros da água, resíduos e efluentes, além de trabalhar de forma a melhorar a eficiência energética, com o uso de fontes alternativas e de atuação junto à comunidade com temas voltados à educação ambiental.

Um belo exemplo é da família Colombari que, com uma pequena propriedade em São Miguel do Iguaçu, PR, diversifica sua produção de grãos com a criação de suínos e de gado de corte. Os dejetos dos animais são removidos para um biogestor para gerar energia elétrica para as instalações do sítio. Já são quatro gerações da família que trabalham no campo.

Em 2021, a cooperativa reduziu 867 mil m³ de água no processo de abate de aves, volume considerado o bastante para atender o consumo de 3.942 residências durante um ano. Outro projeto de extrema relevância para a sustentabilidade, elencado por Rodrigues, é a recuperação de nascentes degradadas das propriedades dos associados e da própria cooperativa, onde já foram recuperadas mais de 150 nascentes, devolvendo água pura e abundante à natureza e ao consumo nas propriedades.

São mais de 150 minas já revitalizadas pela Lar para aumentar e garantir a disponibilidade hídrica no Oeste do Paraná

Em relação ao tratamento de resíduos, após o processo de filtração da água de abate e sua adequação aos parâmetros legais, a cooperativa realiza a sua disposição em solo por meio da fertirrigação em uma área de 331 hectares. Além do aproveitamento da água que retorna à natureza, a Lar também sequestra carbono com o plantio e manejo de florestas de eucalipto.

“A Lar possui áreas de reflorestamento com 1.830,26 hectares e mais 1.369,77 hectares de vegetação nativa. Além disso, monitora o atendimento aos padrões de qualidade do ar em 100% de suas unidades. Somente em 2021, sequestrou 640 mil toneladas de carbono do ar”, relatou Rodrigues.

Os gases de efeito estufa, principalmente o metano, são os mais prejudiciais ao meio ambiente e a Lar tem adotado formas de evitar a sua emissão para a atmosfera, entre elas com a implantação de biodigestores nas unidades de produção de leitões e a canalização do gás para transformar em energia elétrica, alimentando geradores e abastecendo as unidades as quais estão instalados. Em 2021, a cooperativa estima que foram evitados a emissão de 740 mil m³ de metano na atmosfera.

“Também trabalhamos fortemente com a gestão dos resíduos sólidos. Em nossas unidades de aves, de rações e de produção de ovos realizamos a logística reversa de embalagens. E nas unidades de produção de pintainhos e leitões, além das propriedades dos associados, fizemos a recolha dos resíduos de serviço de saúde animal, desta forma conseguimos no ano passado destinar adequadamente 62 toneladas destes resíduos”, pontua Rodrigues.

No último ano, a Lar também destinou de forma correta 293 toneladas de embalagens de agrotóxicos, material gerado por 15 municípios do Oeste paranaense.

Com vistas à conscientização ambiental, a Lar realiza eventos de valorização de datas comemorativas, como o Dia Mundial do Meio Ambiente, Dia da Água, Dia da Terra, Dia da Árvore, envolvendo a comunidade estudantil de forma a contribuir para uma sociedade mais integrada com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Ações futuras

Com forte atuação na preservação de recursos naturais, entre as ações previstas para os próximos estão a implantação de um projeto de reuso de água em uma das plantas de abate de aves. Em funcionamento, o sistema reduzirá em 30% o consumo de água. Outra iniciativa que está em andamento é o Prêmio Lar de Sustentabilidade, que irá premiar os associados que praticam as Boas Práticas de Sustentabilidade na propriedade. “Nosso objetivo é disseminar e estimular a cultura de sustentabilidade junto aos associados e à comunidade, a partir de critérios ESG. As inscrições encerraram no fim de junho, agora serão feitas as avaliações nas propriedades e os vencedores serão conhecidos no mês de novembro”, declara o diretor-presidente da Lar.

Conforme Rodrigues, a Agenda ESG para a Lar não é mais uma prática de gestão que está na moda, mas uma necessidade para as empresas que anseiam atuar no mercado mundial. “As empresas de classe mundial que adotam medidas ESG serão as preferidas em negociações comerciais e financeiras”, encerra.

Para saber um pouco mais de como a agenda ESG está movimentando o cooperativismo brasileiro acesse a versão digital da edição Especial de Cooperativismo clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural

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Comitê lista ações prioritárias para Programa de Redução de Agrotóxico

Diário Oficial publica responsabilidade de cada instituição.

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Foto: Fernando Dias

O Comitê Gestor Interministerial do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) publica na edição desta quarta-feira (4) do Diário Oficial da União iniciativas prioritárias para implementar o plano. 

As medidas tomam por base o Decreto 12.538/2025, que criou o programa, e incluem as ações intersetoriais a serem executadas inicialmente. O plano tem validade para o biênio 2026-2027.

Ao todo, são 31 eixos de atuação, com a participação de mais de dez instituições, como ministérios do Meio Ambiente, da Saúde, Educação; da Agência Nacional de Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Entre os principiais pontos, estão ações para o desenvolvimento de alternativas aos agrotóxicos, formação e qualificação para o uso desses produtos, além de medidas econômicas e fiscais para a redução no uso desses produtos.

Fonte: Agência Brasil
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Plataforma com inteligência artificial aprimora diagnóstico da ferrugem asiática da soja

Sistema em nuvem integra dados climáticos, agronômicos e imagens digitais para indicar risco da doença e recomendar manejo técnico.

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Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi

Cientistas brasileiros desenvolveram uma plataforma para diagnosticar a ferrugem asiática da soja, uma das doenças mais severas que afetam a cultura. A tecnologia integra inteligência artificial (IA) com a análise combinada de dados climáticos, agronômicos e de imagens digitais. O sistema, baseado em nuvem, avalia o risco de ocorrência da doença e gera relatórios com recomendações de manejo técnico, contribuindo para decisões mais precisas no campo.

A ferramenta coleta dados de sensores ambientais, imagens digitais de folhas e parâmetros agronômicos como cultivar, espaçamento e época de semeadura. Os resultados são apresentados em um painel online, que permite aos agricultores acompanhar séries temporais de dados climáticos e imagens de plantas.

O sistema foi desenvolvido como parte do projeto Ferramenta Digital Avançada para Gestão de Riscos Agrícolas , com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ). A iniciativa fez parte do doutorado do cientista da computação Ricardo Alexandre Neves na Universidade Federal de São Carlos ( UFSCar ), com Paulo Cruvinel , pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), como orientador. 

O estudo “Um sistema de inteligência baseado em nuvem para análise de risco de ferrugem asiática da soja em culturas de soja” foi publicado em julho de 2025 pela revista AgriEngineering . 

Foto: Ricardo Alexandre Neves

A fusão de dados facilita o diagnóstico.

Os cientistas desenvolveram o sistema por meio de pesquisa em fazendas, utilizando um modelo que incorpora variáveis ​​climáticas, dados relacionados a plantas de soja e dados obtidos a partir de imagens digitais de folhas de soja. As variáveis ​​climáticas foram observadas durante o período de monitoramento da área.

“A tecnologia classifica a favorabilidade da doença em três níveis — baixo, médio e alto — dependendo da combinação de variáveis ​​relacionadas ao estágio da infestação. Isso permite diagnósticos e prognósticos para o controle da doença com maior eficácia e precisão”, acrescenta Neves. Segundo ele, o nível de favorabilidade é definido por inferência estatística com base no comportamento do conjunto de variáveis. 

Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT

Os pesquisadores explicam que o sistema funciona combinando dados. Os principais permitem a análise de fatores essenciais para o desenvolvimento do fungo, como o período de umidade foliar — umidade relativa acima de 90%, na faixa de temperatura entre 15°C e 28°C — ou o ponto de orvalho. 

O trabalho utiliza técnicas de processamento avançadas e específicas para extrair informações de imagens digitais de folhas de soja. Padrões de cores, como verde, amarelo e marrom, são associados aos estágios de progressão da doença.

Cruvinel relata que, para integrar os dados, o estudo avaliou dois métodos. Ao final, a escolha para o sistema recaiu sobre o modelo de Cadeias Ocultas de Markov, que proporciona robustez, eficácia e eficiência ao processo de tomada de decisão. Essa metodologia mostrou-se superior à lógica fuzzy, alcançando 100% de precisão na correspondência dos cenários avaliados para o risco de ocorrência da ferrugem asiática em áreas de cultivo de soja. 

“O modelo desenvolvido para combinar dados de diferentes variáveis ​​possibilitou estruturar um conjunto completo de regras que considera sistematicamente diferentes situações em que a doença tem probabilidade de ocorrer”, afirma o pesquisador.

Durante o estudo de quatro anos com a cultivar convencional de soja BRS 536 da Embrapa , os pesquisadores utilizaram mais de 2 gigabytes de dados por ciclo de cultivo, considerando informações coletadas em campos reais durante o cultivo, em parcelas georreferenciadas na região de Poxoréu-MT e fotografadas sob índices de luminosidade conhecidos. 

Dados disponíveis para agricultores na web

Os relatórios analíticos disponíveis no painel de controle foram compilados com base em vinte anos de dados históricos e permitem a avaliação dos períodos do ciclo de cultivo. O sistema possui uma interface amigável para navegação, pois está organizado com informações básicas de interesse para agricultores e potenciais usuários.  

Segundo Cruvinel e Neves, os relatórios visam apoiar a tomada de decisões dos agricultores relativamente à gestão das áreas cultivadas, permitindo avaliar a ocorrência ou ausência da ferrugem asiática e a severidade da doença. Além disso, oferecem recomendações agronómicas baseadas no diagnóstico para o controlo da doença.

Cruvinel acrescenta que os relatórios podem ser encontrados na aba “Recomendações Agrícolas” do painel de controle, onde também há um link para o site AGROFIT , um banco de dados com informações sobre agroquímicos e produtos relacionados que foram registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ) do Brasil , para consulta e seleção de fungicidas recomendados para o controle da ferrugem asiática. 

A solução reduz o uso de fungicidas.

Os pesquisadores afirmam que o sistema possibilita monitorar a presença ou ausência da ferrugem asiática da soja, bem como avaliar a dinâmica da ocorrência da doença em diferentes estágios de severidade e risco no processo de produção agrícola.

“O ponto-chave da pesquisa foi criar um método que integre dados heterogêneos para fornecer um diagnóstico mais confiável. Basear-se apenas em imagens ou dados climáticos isolados não é suficiente para uma avaliação precisa, o que pode levar a diagnósticos falso-positivos. Além disso, a solução oferece prevenção e uso racional de fungicidas”, afirma Neves, que atualmente é professor do Instituto Federal de São Paulo ( IFSP ), campus São João da Boa Vista.

Fonte: Assessoria Embrapa Instrumentação
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Setor produtivo cobra diálogo sobre jornada de trabalho no Brasil

Entidades empresariais defendem debate técnico e alertam para impactos econômicos e operacionais de mudanças na legislação trabalhista.

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Foto: Jonathan Campos

A Coalizão de Frentes Produtivas recebeu na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), na terça-feira (03), presidentes e representantes das principais confederações nacionais para discutir a modernização da jornada de trabalho no Brasil. No encontro, parlamentares e lideranças do setor produtivo defenderam que o debate avance com base técnica, diálogo e responsabilidade, diante de riscos como aumento de custos e informalidade.

Ao longo da reunião, deputados e senadores reforçaram que a discussão sobre a modernização da jornada de trabalho é legítima e relevante, mas exige cautela na condução. A avaliação apresentada foi a de que mudanças dessa dimensão precisam considerar diferenças setoriais, impactos econômicos e efeitos sobre o emprego formal.

Presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho: “Precisamos passar que querem que a gente vote uma narrativa eleitoral”

O presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), afirmou que o tema não pode ser tratado apenas sob a lógica da disputa eleitoral, nem ser simplificado diante de sua complexidade. “Precisamos passar que querem que a gente vote uma narrativa eleitoral. O cidadão não vai querer essa proposta quando descobrir que o alimento vai ficar mais caro, o combustível, tudo. Precisamos ser responsáveis com o nosso país e precisamos deixar isso para depois da eleição”, disse.

Já o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), ressaltou a importância de incluir os representantes dos trabalhadores no debate. Segundo ele, sindicatos e empresários compartilham o interesse de proteger os trabalhadores e devem participar da construção de soluções para o tema. “Quero lembrar aos empresários que os sindicatos dos trabalhadores têm o mesmo interesse em proteger os trabalhadores ou deveriam ter assim como os empresários. Eles precisam fazer parte dessa discussão. Se temos a convicção de que determinadas mudanças podem prejudicar os trabalhadores, por que não chamá-los para o debate? Eles precisam estar entre nós”, afirmou.

Deputado Alceu Moreira: “Quero lembrar aos empresários que os sindicatos dos trabalhadores têm o mesmo interesse em proteger os trabalhadores ou deveriam ter assim como os empresários”

O deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, também criticou a polarização em torno do tema e defendeu um debate mais equilibrado. “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população. Temos que debater para que essa armadilha não pegue o povo brasileiro”, afirmou.

O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, também destacou a importância da reunião e afirmou que o debate não pode ser conduzido sob a lógica eleitoral. Segundo ele, o foco deve estar no que é melhor para o país.

Deputado Domingos Sávio: “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população”

Durante o encontro, o professor e sociólogo José Pastore fez uma apresentação aos parlamentares e representantes das confederações sobre os possíveis impactos da proposta em discussão. Ele afirmou que a PEC prevê uma redução rápida e impositiva da jornada, sem espaço para negociação, e lembrou que, historicamente, mudanças desse tipo no Brasil ocorreram de forma gradual.

 

Pastore avaliou que, diante de uma alteração abrupta, setores público e privado tenderiam a buscar mecanismos de ajuste, com efeitos como repasse de custos aos preços, aceleração da automação e redução de postos de trabalho formais, além de aumento da informalidade. “Os trabalhadores mais afetados são os que trabalham 44 horas, que são os mais vulneráveis. Essa nova lei pode, infelizmente, desproteger os trabalhadores”, salientou.

Manifesto

Deputado Júlio Lopes: “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população”

O manifesto entregue à Coalizão nesta terça-feira parte da premissa de que o debate sobre a modernização da jornada não deve ser tratado como uma escolha entre qualidade de vida e atividade econômica. Segundo as entidades, os dois objetivos podem avançar juntos, desde que o emprego formal seja preservado como ativo social e que eventuais mudanças sejam construídas com base técnica, previsibilidade e diálogo entre trabalhadores, empregadores e poder público.

O documento também defende que o aprofundamento da discussão ocorra em ambiente institucional propício à construção de consensos duradouros, com análise técnica dos impactos e das alternativas de implementação. Para o setor produtivo, uma agenda dessa dimensão exige tempo político e debate qualificado para acomodar diferenças entre cadeias produtivas, regiões e modelos operacionais.

A presidente-executiva da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA), Tania Zanella, afirmou que o manifesto dá unidade ao posicionamento do setor produtivo e coloca as entidades à disposição para contribuir com a construção de alternativas. “Assinamos e apresentamos hoje esse manifesto para trazer unicidade a essa discussão e estamos juntos para amadurecer e buscar melhores alternativas para essa modernização. O passo é importante, mas a gente precisa de coerência. Esse manifesto coloca o setor à disposição para esse debate”, enfatizou.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, reiterou a necessidade de evitar a redução do tema a narrativas políticas e criticou a condução apressada do debate. “O capital e o trabalho se complementam. Por qual motivo fazer uma discussão tão séria de forma tão açodada? Isso não faz sentido”, ressaltou.

A vice-presidente da Fecomércio, Gisela Lopes, disse que a entidade está alinhada ao manifesto e defendeu mais tempo para discussão, com valorização da negociação coletiva. “Nós temos a negociação coletiva e o assunto em si precisa ser prorrogado para o ano que vem, visto que deve prejudicar muita gente. Estamos de acordo com o movimento por um debate amplo e paciente”, declarou.

Para Cristiane de Oliveira, diretora-presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), o setor financeiro acompanha com preocupação o andamento das discussões no Congresso e considera essencial garantir segurança jurídica nas contratações e negociações. “Se não tivermos equilíbrio no debate, e isso só é possível com diálogo, caso o texto seja aprovado como está e como alguns querem, teremos problema em todos os segmentos”, avaliou.

Na mesma linha, o vice-presidente da Firjan, Antonio Carlos Vilela, afirmou que a indústria vê risco de impactos negativos sobre emprego e preços, caso a proposta avance sem a devida transição. “Nós da indústria estamos alinhados com o setor. O aumento da informalidade e dos preços será absurdo, trazendo inúmeros prejuízos para o país”, disse.

Emprego formal no centro do debate

Segundo o IBGE, em 2025, o Brasil tinha 38,9 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado. Já o Ministério do Trabalho e Emprego registrou estoque de 48,45 milhões de vínculos celetistas em dezembro de 2025, de acordo com o Novo Caged. Embora as bases usem recortes diferentes do mercado de trabalho, ambas apontam para a dimensão do contingente formal que, na avaliação das entidades, deve estar no centro de qualquer mudança na jornada.

Fonte: Assessoria FPA
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