Avicultura Ambiental, Social e Governança
ESG ganha força na agropecuária brasileira
Grandes investidores, consumidores e as legislações pressionam cada vez mais os setores produtivos a ter uma agenda verde, positiva aos consumidores e à sociedade e seja ética. O líder global de sustentabilidade da DSM, Carlos Saviani concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural onde ele explica mais sobre o assunto e o motivo pelo qual o agro está no centro desse debate.

A expressão ESG, relacionada às questões ambientais, sociais e de governança de uma empresa, tem tomado conta da pauta do agronegócio nos últimos tempos. Grandes investidores, consumidores e as legislações pressionam cada vez mais os setores produtivos a ter uma agenda verde, positiva aos consumidores e à sociedade e seja ética. O jornal O Presente Rural foi atrás de profissionais e empresas para saber mais sobre os conceitos ESG e sobre as práticas de sustentabilidade que estão inseridas dentro do agro brasileiro. Nessa entrevista exclusiva, o líder global de sustentabilidade da DSM, Carlos Saviani, explica mais sobre o assunto e o motivo pelo qual o agro está no centro desse debate.
O Presente Rural: O que é ESG?

Líder global de sustentabilidade da DSM, Carlos Saviani – Foto: Divulgação
Carlos Saviani: ESG vem da sigla em inglês environmental, social and governance, que é a forma uma empresa trata esses três assuntos, como que ela lida com o meio ambiente, com a parte social e com a parte de governança. ESG pode ser usado para dizer quanto que um negócio busca de diferentes formas minimizar os seus impactos no meio ambiente, como construir um mundo mais justo e responsável para as pessoas, para os seus funcionários, mas também para as pessoas que não são usuárias de seus produtos, e como que ela mantém os melhores processos de administração para que empresa não esteja envolvida em fraudes, não corra riscos administrativos e não comenta erros contábeis. Que seja uma empresa ética do ponto de vista administrativo, mas também cuidando de uma forma correta para a geração de lucro, para a geração de resultados, pois seus acionistas dependem dos resultados. ESG está relacionado à redução de riscos de maneira geral, tanto os riscos ambientais e sociais quanto os riscos relacionados ao negócio.
A gente pode dizer, e aí vem uma analogia com sustentabilidade, que tanto ESG quanto sustentabilidade estão sempre buscando os três Ps (People, planet, profit), que são pessoas, planeta e a lucratividade. Esses três andam sempre juntos e é onde o ESG se encontra com sustentabilidade. A sustentabilidade nada mais é do que a capacidade de uma pessoa ou de uma empresa se manter, se sustentar ao longo dos anos, das décadas, das gerações vindouras. É a capacidade que você, como uma empresa, tem de continuar existindo e continuar existindo de uma forma que se auto perpetue ao longo dos anos, tanto no lado ambiental e no lado social quanto na parte da lucratividade.
Você imagine, por exemplo, uma empresa que tenha práticas ambientais fantásticas, que preserve florestas, que tenha um impacto pequeno nas emissões de carbono da forma como produz seus produtos, que usa energia renovável, enfim, faça tudo super legal para o meio ambiente, mas que em cinco anos quebra porque não está tendo lucro suficiente. Quer dizer, a empresa em cinco anos sai do negócio, então qual que é a vantagem disso? Você teve uma atuação fantástica em relação ao meio ambiente, que te permite existir na parte ambiental, mas você descuidou da parte econômica, da parte administrativa e, com isso, todo esse trabalho bonito na parte ambiental vai por água abaixo porque a empresa não vai continuar existindo. A mesma coisa no campo social. Imagina que você é pego com trabalho escravo ou teus funcionários têm baixos salários, um ambiente ruim de trabalho, você tem um alto turnover (taxa de rotatividade de funcionários), isso também vai trazer prejuízos para o teu negócio, vai inviabilizar outras coisas positivas que a empresa possa estar querendo fazer.
Por isso que a gente diz que a sustentabilidade é o encontro dessas três áreas, que são as áreas abordadas pelo ESG, que é mais usado na questão corporativa. Ou seja: como que a empresa relata essas suas políticas, as suas práticas na parte ambiental, na parte social, na parte de governança, que estratégias que ela tem. A sustentabilidade é o resultado disso tudo, o quanto a empresa é sustentável, o quanto a empresa está conseguindo ter sucesso na parte ambiental, na parte social e na parte econômica.
O Presente Rural: Quando o termo começou a ser empregado nas empresas?
Carlos Saviani: Foi nos últimos anos. É uma é uma sigla relativamente recente que vem sendo adotada pelas empresa. A parte econômica, não é segredo para ninguém que as empresas já vem atendendo há muitos anos a parte de governança, parte administrativa e de negócios e resultados financeiros vem sendo reportado, analisado. A parte social também já tem um pouco mais de tempo. Começou muito com as políticas internas de segurança no trabalho, de motivação e elevação da motivação dos funcionários, retenção de funcionários, e que vem se estendendo para as comunidades, para os usuários dos produtos ou mesmo para projetos sociais fora do escopo da empresa. E o mais recente ambiental realmente, o E do ESG, que foi o último que foi agregado. Por isso a sigla completa como ESG é relativamente recente, algo que começou nessa última década, porque o ambiental é o que está despertando mais interesse, mais preocupação nos últimos anos e é aonde mais desenvolvimento tem que ocorrer dentro dos três.
O Presente Rural: Porque as empresas estão usando esses conceitos em seus negócios? Novo consumidor, investidores, necessidade?
Carlos Saviani: Porque ESG está se tornando tão importante e tão importante também no nosso meio agropecuário. Porque existe uma preocupação crescente de três stakeholders, ou três grupos de pessoas importantes para as empresas no mundo. Uma delas é dos consumidores, a outra é dos investidores e acionistas e o terceiro grupo seria os reguladores, vamos falar um pouquinho sobre cada um deles, começando pelos consumidores.
Com toda essa revolução digital, evolução que a internet trouxe, as pessoas têm muito mais acesso a informações e com isso querem saber e querem ter acesso a como as coisas são feitas, o que eles estão consumindo, como que os produtos que estão sendo comprados são produzidos. Esse acesso à informação também traz muito mais conhecimento para as pessoas e levanta questões importantes, né? (Exemplo) eu não sabia que a comida que eu como tem um impacto ambiental. Em função da comunicação eu sei, então agora que eu sei eu quero entender o que eu estou comprando de alimentos, que impacto ambiental isso tem no planeta, que pacto isso tem na minha saúde, que impacto isso tem na minha comunidade e por aí vai.
Os consumidores cada vez mais informados, com acesso ao conhecimento e recebendo ativamente através das mídias sociais uma série de questionamentos sobre como os alimentos são feitos, o impacto ambiental e social que
eles têm, isso desperta um alto nível de interesse. E não só nos millennials ou nas gerações mais recentes, mas até mesmo nas gerações nas da década de 80, 70, 60 até mesmo da década de 50. Têm várias pesquisas têm mostrado isso, várias redes de varejistas têm feito pesquisas, monitoram seus consumidores o tempo inteiro, e têm notado essa preocupação crescente dos consumidores em saber mais sobre como os alimentos são produzidos, de onde eles vêm, que impacto ambiental eles têm. Isso é crescente e a pandemia só potencializou essa demanda. Todas as redes varejistas hoje que têm conexão com seus consumidores estão notando esse crescimento, essa demanda.
Isso não é só nos países desenvolvidos não, está acontecendo um processo mundial, inclusive (consumidores de) países que têm maiores problemas ambientais, como a China por exemplo, têm uma elevada preocupação, inclusive maior do que em países desenvolvidos. Isso resume um pouco o lado da pressão que os consumidores têm feito e isso tem gerado uma série de iniciativas, como por exemplo Ecolabels, que são selos ou certificações ou rankings para demonstrar não empresas, mas produtos específicos, qual o impacto ambiental que eles têm. Isso vem já sendo usado em vários países da Europa, começando a ser usado Estados Unidos, e a gente vai ver, similar aos labels que têm na parte nutricional, que traz as informações nutricionais dos produtos, a gente vai ver isso cada vez mais nas embalagens dos produtos mostrando os impactos ambientais. Uma empresa, por exemplo, que já anunciou que vai ter pelo menos a pegada de carbono em todos os seus 70 mil produtos é a Unilever, que já vem trabalhando para conseguir fazer isso. Existem vários outros exemplos. Tem um score que chama Ecoscore, que vem sendo usado por grandes varejistas na França, na Bélgica também. É um processo, é uma tendência sem volta. As empresas preocupadas com isso têm que começar a mensurar suas pegadas ambientais, têm que começar a usar metodologias para saber quais são as pegadas ambientais de seus diferentes produtos.
Outro grupo dos stakeholders que também têm colocado muita pressão são as ONGS. Eu trabalhei por cinco anos na ONG WWF. Para muitas pessoas é considerado um grupo ativista, embora o maior trabalho da WWF é junto às empresas, junto aos governos, para buscar soluções, para melhorar a sustentabilidade, reduzir o impacto ambiental das diversas atividades humanas.
Mas existem sim uma série de ONGs que são bastante ativistas, acho que é mais conhecida de todo mundo é o Greenpeace. É uma ONG voltada realmente a apontar para os problemas, em levantar questões para a sociedade que têm importância para o meio ambiente.
Mas hoje eu digo que os maiores ativistas não são mais as ONGs. WWF ou Greenpeace outras ONGs que existem por aí. Os maiores ativistas hoje do ponto de vista do meio ambiente são os bancos, são os investidores, é o mercado financeiro. Hoje o mercado financeiro está muito preocupado com os riscos com sustentabilidade ou com a falta da sustentabilidade pode trazer para uma empresa, como por exemplo rupturas em cadeias de fornecimento, pagamento de multas ambientais, a própria reputação, o risco reputacional das empresas, que pode aumentar quando uma empresa não está fazendo um mínimo em relação à sustentabilidade, não está respeitando normas ambientais, não está sendo transparente para o seu consumidor, para o mercado, em relação aos seus impactos ambientais, isso tudo traz riscos. Um escândalo ambiental para uma marca pode destruir a marca do dia para noite e com isso os investidores, os bancos que estão emprestando dinheiro, os acionistas que estão investindo naquela empresa vão perder os seus investimentos.
Hoje existem até rankings, talvez um dos mais conhecidos é o FAIRR (Farm Animal Investment Risk and Return), que é um ranking específico para proteínas animais, é muito interessante. Existem vários outros, têm por exemplo ranking do CDP (Carbon Disclosure Project) que é mais focado nas emissões de carbono, mas eles também estão olhando para desmatamento, têm têm rankings que são específicos de países, mas esse FAIRR eu acho muito interessante, que é um ranking focado apenas em empresas de proteínas animais que produzem carne de frango, suíno, leite, carne bovina e salmão. Ele ranqueia as 60 maiores empresas do setor no mundo e tem por trás dessa iniciativa um grupo de investidores, bancos, acionistas, fundos de pensão, seguradoras que juntos têm um portifólio de 40 trilhões de dólares, maior que as maiores economias do mundo.
Essa iniciativa, esse grupo de investidores está analisando todos os critérios de ESG, não tanto na parte de governança, mas muito na parte social e na parte principalmente ambiental, eles estão avaliando essas empresas e todo ano publicam um ranking de como essas empresas estão em relação são aos seus riscos em mais de dez critérios diferentes, como emissões de carbono, desmatamento, bem-estar animal, uso da água, uma série de métricas que são usadas e aí eles avaliam as empresas nessas métricas. Incrivelmente a gente tem visto uma melhoria nos rankings das empresas de maneira geral, mas a grande maioria delas ainda são consideradas de alta ou de médio risco por terem ainda muito que fazer principalmente na questão ambiental, como a menstruação da suas pegadas ambientais, a pegada de carbono, a pegada hídrica, a divulgação transparente de suas pegadas ao longo dos anos.
E tem um terceiro grupo que são os reguladores. Os reguladores ou órgãos reguladores são principalmente agentes do governo que estão cada vez mais preocupados com as questões ambientais, mas também sociais, e que impõem regras, tarifas e impostos, enfim, controlam o mercado através desses mecanismos e cada vez mais esses mecanismos estão olhando para as questões sociais e ambientais. Hoje já existem 38 mais no mundo que têm impostos para as emissões de carbono, vários países têm regras e regulações em relação às emissões na água, as emissões no ar de gases de efeito estufa, por exemplo, ou de compostos nitrogenados ou fósforo na água para praticamente reduzir a autorização.
Com a Cop-26 a gente viu vários países, inclusive o Brasil, assumindo compromissos importantes para reduzir a emissão de metano ou para reduzir as emissões de gases de efeito estufa de forma geral ou mesmo para reduzir o desmatamento, como no caso do compromisso que o Brasil assumiu, e tudo isso tem que ser executado. Esses compromissos são sérios, tem uma série de mecanismos que são criados ao redor deles para que os países possam atingir essas metas se não eles perdem uma série de benefícios, como por exemplo investimentos a juros baixos ou mesmo acesso a certos programas internacionais.
Essas reduções elas não estão na mão do governo, as emissões vêm da sociedade, vêm das atividades que a sociedade tem que estão, na sua grande maioria atrelada às empresas, as empresas agrícolas, empresas pecuárias, as empresas da indústria, do comércio, esse conjunto de empresas no país que gera aquele total de emissões que o país tem. E está no controle das empresas mais do que ninguém de promover essas reduções. A forma que o governo encontra de poder atingir as suas metas é trabalhando junto com o setor privado, muitas vezes através de iniciativas conjuntas, através de fornecimento de capital a mais baixo custo, programas como o plano ABC, por exemplo na agropecuária, que é um plano fantástico para que os produtores rurais possam implementar práticas que reduzam as emissões de carbono.
Mas também essas regulações se dão para que as metas sejam atingidas, se dão através de criação de impostos, tarifas, multas e por aí vai. Hoje o Brasil ainda não tem um imposto sobre as emissões de carbono, mas é uma tendência mundial, vários países já implementaram e é algo que a gente precisa ficar de olho. Ou mesmo incentivos, programas que incentivem e ajudem na geração de créditos de carbono e a comercialização desse crédito de carbono desde que isso feito numa forma correta, de uma forma precisa, com mensurações, evitando contagem dupla.
Outro ponto importante também que está gerando muito movimento no sentido da sustentabilidade são as regras e todas as regulações que estão sendo postas por governos. Na Europa por exemplo está sendo discutido um pacote de políticas inclusive atreladas aos subsídios agropecuárias que são dados para os produtores atrelados a metas ambientais. Tem todo um pacote de regras e regulações e políticas públicas da comunidade europeia que estão sendo discutidas e vão ser transformadas, através desse new green deal, que é como estão chamando, que é um processo que vai modificar todas as regras do jogo para que tudo leve em consideração a redução das pegadas ambientais, a redução do impacto do ser humano no meio ambiente.
O Presente Rural: Quais as vantagens para o agronegócio em aplicar essas práticas?
Carlos Saviani: Primeiro a gente tem que dizer que o agronegócio está no centro dessa discussão, porque a hora que você olha para qualquer cadeia de produção de alimentos e você calcula os impactos ambientais dessa cadeia, desde lá da produção do fertilizante até a pizza que chega lá no supermercado existe um todo um processo de transformação, de produção, existe transporte, existe embalagem. Mas a hora que você calcula a pegada ambiental desse processo inteirinho, considerando tudo, você vai invariavelmente descobrir que 50% ou mais, e muitas vezes é muito mais, das pegadas ambientais dessa pizza lá no final do ponto de venda do varejo, está dentro da fazenda, está dentro do setor produtivo, está no conjunto das emissões, do impacto ambiental, da produção do fertilizante, dos grãos, do uso do solo, das vacas que produziram o leite que foi no queijo que foi lá na pizza, está na produção do trigo que gerou a farinha, está na soja que foi espremida para produzir o óleo que foi naquela mistura da massa. A grande parte das pegadas ambientais de qualquer alimento na gôndola está dentro da fazenda. Têm casos que a fazenda representa 80 ou 90% da pegada ambiental daquele produto final.
O agronegócio e o setor produtivo agrícola e pecuário estão no centro dessa discussão. Primeiro porque a produção de alimentos tem um papel importante, tem uma participação importante em várias pegadas ambientais. No uso da água representa mais de 70% do uso da água doce, no caso das pegadas de carbono, quase que 30%, lógico que são números generalistas, variam de país para país, de setor para setor, mas são impactos importantes na biodiversidade, no uso da terra, está muito atrelado ao desmatamento.
A produção de alimentos, depois do setor de energia e transporte, é o setor que está mais em foco em relação às pegadas ambientais. Dentro do setor de produção de alimentos, as fazendas, o setor produtivo, porque é onde grande parte dos impactos estão. Todas empresas, frigoríficos, laticínios, empresas processadoras de carne, todas que estão fazendo compromissos para reduzir suas pegadas ambientais, você pode ver nos relatórios de sustentabilidade e olhar da onde vêm as pegadas ambientais, você vai ver que a grande parte vem do chamado escopo 3, que são as emissões que vêm lá dos fornecedores deles, e quem são os fornecedores deles, as fazendas que produzem a carne, o leite, os ovos, o peixe, os grãos que vão na composição dos seus produtos finais.
A grande boa notícia da sustentabilidade, principalmente do ponto de vista ambiental, principal área foco no setor do agronegócio, é que na grande maioria dos casos existe uma correlação positiva entre reduzir pegadas ambientais e reduzir custos. Lógico que existem exceções, existem casos onde isso não é verdade, mas na grande maioria dos casos quando você reduz as pegadas ambientais você acaba reduzindo custos porque a redução das pegadas ambientais está diretamente relacionada ao aumento de produtividade, aumento de eficiência, em você produzir mais com menos. Se você consegue produzir mais com menos matérias-primas, com menos recursos naturais, com menos emissões de gases de efeito estufa, você vai ter um impacto ambiental por quilo de produto produzido muito menor. Ao mesmo tempo que essas práticas comprovadamente reduzem custos também acabam tornando o quilo do seu produto mais barato, seja em um litro de leite, quilo de ovos, quilo de carne, você acaba produzindo esses alimentos com custo menor e isso pode refletir em aumento de lucratividade, aumento de competitividade, mas ao mesmo tempo um aumento da sustentabilidade porque você está reduzindo as pegadas ambientais ao mesmo tempo.
É lógico que isso nem sempre é o caso. Existem tecnologias e soluções que têm que ser implantadas ou que serão implantadas no futuro que não necessariamente reduzem custos. Exemplo seria o plantio de árvores. Você plantar árvores na fazenda ajuda a capturar carbono, ajuda no sombreamento para os animais se for na produção pecuária, mas geralmente o custo de plantio, do reflorestamento, principalmente com matas nativas, que é o ideal, não é barato. Custa em torno de US$ 3 mil por hectare reflorestado. E por mais que você possa explorar alguma coisa dessa área, dificilmente ela vai ter um retorno sobre o investimento, pelo menos no curto prazo.
Porém, através das práticas ambientais corretas, não só você reduz os teus riscos, mas você também pode capturar mais valor. Acho que isso é um segundo. Depois da redução de custos é um segundo ponto que deve ser explorado pelo setor, como que eu agrego valor ao meu produto tendo um produto mais sustentável, com menor pegada ambiental. Isso é um aspecto que vem sendo explorado por várias empresas.
Existe uma série de produtos, o Brasil lançou recentemente até uma carne carbono neutro, existem várias empresas ao redor do mundo lançando Leite carbono neutro, ou carbono net zero, que inclusive é a forma mais correta de expressar o produto que tem uma emissão zero de carbono, e existe uma série de outros projetos e iniciativas que demonstram que o consumidor está disposto a pagar um pouco mais por produtos que são mais sustentáveis e que têm uma pegada ambiental menor. Isso foi demonstrado não só em pesquisas de opinião, mas também na prática.
Tem um resultado de um trabalho recente da Universidade de Nova York onde eles mostram que os produtos que mais vêm crescendo nos Estados Unidos são os produtos que têm uma pegada de sustentabilidade, são produtos que demonstram uma redução dos impactos ambientais ou melhorias na sustentabilidade e que eles têm preferência dos consumidores e que inclusive conseguem ter uma pregação maior de valor, um preço maior em relação aos seus concorrentes. São os que mais vêm crescendo, apesar de serem mais caros, Isso é real, não é uma pesquisa de intenção de compra. Isso realmente está demonstrado, esse trabalho é publicado e público, qualquer um pode ir pode ir lá e ver. Isso a gente tem visto em várias partes do mundo e é uma tendência que está atrelada ao consumidor estar interessado em fazer o bem através daquilo que ele compra.
Além disso, os investimentos em sustentabilidade, não necessariamente investimentos de capital, você por exemplo começar mensurar tuas pegadas ambientais na sua fazenda. Por exemplo começar mensurar tuas pegadas ambientais da tua fazenda ou se você é uma empresa processadora de alimentos, da tua cadeia de suprimentos, das fazendas que fornecem para você, começar a mensurar e reportar suas pegadas ambientais, não é algo difícil de ser feito, não é algo que é muito caro e que já traz uma grande agregação de valor. Permite você publicar relatório sustentabilidade, permite você publicar as pegadas dos seus produtos, seja no seus materiais de comunicação até mesmo na embalagem do produto, permite você traçar planos para melhoria dessas pegadas ambientais.
É importante mensurar primeiro antes de qualquer coisa. A gente não melhora aquilo que a gente não mensura, nem gerencia e nem comunica aquilo que a gente não mensura. E se a gente não mensurar, outros vão fazer isso por nós e aí vão colocar para o mercado qualquer número que eles quiserem. A gente tem visto vários detratores do setor de proteínas animais, por exemplo, que vêm a público e colocam para o setor de carne bovina ou de leite ou de frango ou suínos, colocam números péssimos de emissões de carbono, por exemplo, impactos no desmatamento. Se você não está comunicando, se o setor não está comunicando ativamente os seus próprios números, os seus próprios impactos ambientais, alguém vai preencher essa lacuna.
E muitas vezes são detratores, são ativistas, são grupos que têm por exemplo uma agenda vegana e que são contra as proteínas animais, querem ver o seu fim. Com isso essas informações acabam colando na cabeça das pessoas. Para aquilo que a gente não tem uma informação, a gente não tem a uma conclusão formada, a gente tem na nossa cabeça uma gavetinha em branco, e a primeira pessoa, a primeira iniciativa que nos trouxer informação sobre aquele tema, vai acabar preenchendo aquela gavetinha, vai acabar assumindo aquele espaço vazio que a gente tem nosso cérebro. É o que está acontecendo muitas vezes, por exemplo, a questão da pegada de carbono da carne bovina, que para muitas pessoas virou quase o segundo cigarro, faz tão mal para o planeta comer carne bovina quanto fumar um cigarro e isso não é verdade, não necessariamente.
Existe uma um prisma de pegadas ambientais à carne bovina gigantesco. Esses números mundiais que são usados muitas vezes, essas médias globais que são usadas, elas não se aplicam aquele seu caso específico, ao caso específico
de uma carne, de um litro de leite que a gente está consumindo. Só que se esse produto não tem informação para nos passar, essas empresas não têm informação para nos passar, a gente acaba assumindo aqueles números que a gente recebe de outras fotos. E aí você é considerado culpado até conseguir provar o contrário e fica muito mais difícil.
Por isso é importante as empresas que têm marcas, que têm os seus produtos nos supermercados, assumirem a responsabilidade sobre as suas pegadas ambientais e trabalhar com sua cadeia de fornecimento, com seus produtores, pecuaristas, fazendeiros, trabalhar com eles para calcular essas pegadas ambientais da fazenda porque eles perfazem, a gente falou, 50% ou mais da pegada ambiental do produto final, consolidar essas informações das fazendas para você poder reportar isso para os produtos que estão atingindo o consumidor. Acho que é outro aspecto importante, os produtores e pecuaristas devem estar abraçando e interessados no sistema também porque disso Depende a nossa sobrevivência como setor produtivo e também a gente ter a nossa licença social para operar no futuro.
O Presente Rural: Como as práticas ESG podem ajudar na sustentabilidade financeira dos negócios?
Carlos Saviani: Outro aspecto importante, que pode trazer benefícios, é na questão de acesso a capital. A gente está vendo um crescimento muito grande de fundos ESG, de fundos verdes, como são chamados, ou mesmo de linhas de crédito tradicionais que oferecem condições especiais, juros mais baixos, termos mais longos, para empresas que estão investindo em sustentabilidade. Você atrela o seu financiamento a metas de redução, de mensuração de pegadas ambientais e com isso você consegue ter acesso a essas linhas de crédito e consegue ter um custo do seu capital mais baixo. Isso também está se estendendo para seguros, para o valor das ações. Empresas que têm capital aberto e que mexem com sustentabilidade tendem a ter uma avaliação melhor das suas ações e ao longo dos anos conseguem uma geração maior de valor e com isso conseguem ter um valor de mercado maior do que os seus pares que não estão investindo em sustentabilidade.
O Presente Rural: Como mensurar a eficiência das práticas ESG. Como saber se estão de acordo com a consciência coletiva?
Carlos Saviani: Na mensuração de ESG ou sustentabilidade existe uma série de métricas que são adotadas, que são aceitas pelas comunidades científicas, mas também pelas comunidades empresariais e pela organização civil, que estão na área de análise ambiental, na área social e também na área de governança. Eu vou me ater mais a falar sobre essas métricas da parte ambiental, embora eu saiba e é importante dizer que existem sim, métricas também para questão social e para a questão de governança.
Na questão ambiental você tem tanto práticas quanto métricas. Eu sou muito mais favorável às métricas por que as métricas mostram como as coisas estão na realidade, que tipo de resultados a empresa está obtendo, e também permitem à empresa ser criativa e poder trabalhar com as práticas que melhor lhe convêm para chegar naqueles resultados. Embora existem sim algumas práticas que são importantes, como por exemplo você monitorar os seus fornecedores, para garantir que eles não tenham desmatamento nas suas fazendas. Essa prática pode ser revertida numa métrica que você pode reportar isso por exemplo em quantos hectares de desmatamento que a sua cadeia de suprimentos está exposta, ou quantos hectares de desmatamento são reduzidos na sua cadeia de suprimentos.
Mas o mais importante em relação a esse tema é uma informação binária de se existe desmatamento ou se não existe desmatamento nos seus fornecedores. Então aí no caso a prática seria dos fornecedores não praticar desmatamento ou não praticar desmatamento ilegal nas suas propriedades. Se isso acontece, esses fornecedores seriam retirados do sistema de fornecimento. Isso é uma prática muito adotada e muito discutida nos programas de sustentabilidade.
Mas como eu disse eu prefiro me manter nas métricas. Acho que as métricas são mais interessantes e elas permitem você trabalhar com uma miríade de práticas para poder melhorar essas métricas. Hoje em dia a métrica mais importante são as emissões de gases de efeito estufa, que é mensurada em CO2 equivalente. Essa é a grande preocupação planetária do ser humano e então por isso é que mais tem tomado evidência e que é uma métrica que pode ser mensurada inclusive por fazendas adotando a prática de ACV, análise de ciclo de vida, que é uma metodologia em que existem regras para elas, são ditados pelo IPCC, no caso de produção animal, por uma organização da FAO.
Existem regras e metodologias colocadas pelo ISO 14040 e 14044, você tem regras específicas que vêm da comunidade econômica europeia, enfim, assim como existe em contabilidade regras contábeis de como você deve reportar as finanças de uma empresa, você tem regras contábeis, regras para os cálculos das pegadas ambientais. Existe um grupo de regras específicos para pegada de carbono, existe um grupo de regras para a pegada hídrica, um grupo de regras para você mensurar por exemplo risco de eutrofização (risco de poluir corpos hídricos), um grupo de regras para você calcular o uso da terra e essas regras são todas né publicação, aceitas pela comunidade científica e, lógico, como tudo na vida passa por melhorias, por aprimoramentos, por atualizações.
É importante que todas as empresas, se não terem funcionários especialistas nisso, trabalharem com prestadores de serviços, consultoria, com empresas que possam ajudá-las, possam ajudar nesses cálculos. E esses cálculos todos são feitos a partir das informações dos insumos usados na produção e dos resultados desta produção. No caso de uma fazenda de proteína animal você tem que coletar dados desde a quantidade de grãos usada na ração, de onde que esses grãos vieram, você tem que coletar informações sobre o uso de energia, de diesel, tipo de tratamento de esterco, tipo de cama que é usado para os animais ou tipo de pastagem e depois olhar para tudo aquilo que é gerado pela fazenda nesse mesmo período.
Essas métricas são calculadas para um ano, para um ciclo produtivo. Você tem que colocar nos cálculos os dias e ver tudo que foi gerado ao mesmo tempo por essa fazenda, quantos quilos de carne foram produzidos, ou quilo de animais ou quilo de leite ou quilos de esterco, tudo isso entra no cálculo para que no final você possa ter os quilos de carbono que foram emitidos por cada quilo de carne ou de leite, ovos que a fazenda produziu. Essa metodologia é conhecida, é aceita e existem uma série de prestadores de serviço que pode ajudar o produtor ou uma empresa do setor produtivo a mensurá-las inclusive no nível da fazenda.
Depois da pegada de carbono você tem uma série de outras pegadas, algumas já mencionei, que são a pegada hídrica, pegada no uso da terra, na conversão do uso da terra, métricas na emissão de nitrogênio e fósforo que estão ligados a um potencial de eutrofização dos mares e das bacias hidrográficas, métrica em ecotoxicidade, muito ligado às emissões de amônia, por exemplo.
Existe uma série de outras métricas, mas essas são as principais. Para todas elas existem metodologias, regras de cálculo através dos dados de produção você mensurar elas de uma forma bem precisa, de uma forma que vai ser aceita pelos seus investidores, pelos seus clientes, pelos consumidores. O importante é trabalhar com pessoas que entendam disso e com especialistas no assunto que possam ajudar a transformar os dados da fazenda, os dados da produção em pegadas ambientais.
O Presente Rural: Qual o maior desafio ou dificuldade para incorporar práticas ESG no agronegócio e que práticas devem ser incorporadas pelo agronegócio nos próximos anos?
Carlos Saviani: O principal desafio está na montagem de um plano estratégico. A empresa, seja ela uma propriedade rural, uma produtor, uma fábrica processadora de alimentos, um laticínio, um frigorífico, precisa ter uma estratégia clara para mapear quais são os riscos principais da empresa na parte social ambiental e de governança, quais as áreas que precisam de melhorias, quais as áreas que precisam de medições para montar um plano.
Esse é o primeiro passo, ter um plano estratégico geralmente é baseado nessa análise de risco não só daquilo que acontece dentro da empresa, mas aquilo que acontece na cadeia de suprimentos da empresa. Em cima desce desse mapeamento de riscos e dessa análise crítica da principais áreas que a empresa deve focar, deve-se então ser feita uma análise de materialidade, que é uma análise de onde a empresa se encontra em cada um desses pontos.
Por exemplo, em relação a desmatamento. Isso é uma área de risco para empresa porque a empresa compra soja que vem da Amazônia ou compra carne bovina que vem de áreas de desmatamento. O próximo passo é fazer um estudo de materialidade em relação a esse risco, qual que é a exposição que a empresa tem hoje, quantos por cento dessa carne ou dessa soja vêm dessas áreas de desmatamento, quanto que desse suprimento já é hoje monitorado, já é hoje controlado, quanto que ainda não se sabe a origem desses produtos, qual a demanda que os clientes estão fazendo, o que aquilo que a empresa já consegue fornecer hoje em relação a, por exemplo, produtos rastreadas para desmatamento.
A partir dessa análise de materialidade você vai ver qual que é a importância desse tema, você vai criar uma matriz entre a importância desse tema versus a exposição a esse risco que a empresa tem hoje. Em função das análises de materialidade a empresa consegue desenvolver um plano de ação, de prioridade, diretrizes, um plano de metas para começar a primeiro mensurar. De novo, a gente não gerencia e não melhora aquilo que a gente não mede. Precisa começar a mensurar. Uma vez tendo essas métricas, começar a implementar o plano de ação para melhorar essas métricas, tomar medidas, montar projetos e iniciativas, muitas vezes até em parceria com outras empresas, auxiliando associações ou iniciativas que ajudam as empresas no atendimento às melhorias de sustentabilidade.
Na pecuária de corte do Brasil, por exemplo, você tem o GTPS, que é o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável. Através do GTPS um produtor de carne ou de leite, seja um frigorífico, laticínio ou mesmo um produtor, consegue ter uma série de apoios, de ferramentas de suporte e até mesmo poder discutir esses temas com empresas que também estão interessados em melhorar sua sustentabilidade na pecuária. Existem iniciativas como essa também para outras espécies, para outras culturas. É uma questão da empresa buscar aquilo que é melhor para ela.
O mais importante é a coleta de dados, começar a coletar dados para saber para onde as coisas estão caminhando. Isso depende de dados, principalmente no caso do impactos ambientais das fazendas, depende da coleta de dados de cada uma das fazendas fornecedoras da sua cadeia de suprimentos. Dependendo da onde a empresa está nessa cadeia ela tem que trabalhar junto com os produtores, junto com as fazendas, junto com as empresas produtoras de ração, para conseguir dados que permitam à empresas mensurar suas pegadas ambientais.
Para os cálculos existe uma série de soluções de serviços que pode ajudar empresas de diferentes setores. No caso da produção animal, existe um serviço inteligente que permite à empresa, através dos dados das fazendas que fornecem para ela, seja um frigorífico, empresa processadora, uma cooperativa, ter a mensuração das suas pegadas ambientais em 19 métricas diferentes.
É importante a empresa começar a mensurar, ter um histórico dessas métricas, porque uma hora ela vai ser cobrada em relação a isso, seja de investidores, seja dos seus clientes, seja pelo mercado. Já que os dados vão ter que vão ter que ser coletados de qualquer forma para mensurar a pegada de carbono, com esses dados da fazenda você já consegue calcular todas essas 19 métricas das quais a pegada de carbono faz parte.
É algo que permite à empresa do setor de produção animal não só mensurar essas pegadas ambientais, mas também traçar planos para melhorar suas pegadas, recebendo uma série de insights, de análises, comparativos que permitem à empresa entender como que ela está, como que as suas fazendas estão ela só pegadas ambientais quando comparadas a outras fazendas e outras empresas do setor, a média do mercado, a média nacional, a média de outros países.
Através dessas análises a empresa consegue identificar onde ela pode melhorar, onde as suas pegadas estão muito altas, onde elas já estão boas e quais são as oportunidades para tornar melhores ainda, e identificando passo a passo da onde essas pegadas vêm, se vêm da ração, de qual nutriente da ração, se vêm do tratamento do esterco, se vêm dos próprios animais. O serviço demonstra de onde exatamente vem cada uma das pegadas ambientais, permitindo assim à empresa tomar ações de correção e traçar planos para melhorar essas pegadas.
Um passo adiante, com um sistema de modelagem baseado nas análises de base, a gente calcula quais seriam os impactos da adoção de diferentes tecnologias, diferentes soluções para melhorar essas pegadas ambientais. Isso permite que a empresa já saiba de antemão, antes mesmo de adotar essas práticas, antes mesmo de adotar essas tecnologias, o resultado que ela vai ter com essas adoções, com essas práticas e intervenções.

Avicultura
Conbrasfran 2026 atrai expositores e líderes da avicultura nacional
Conferência em Gramado registra 60% dos espaços comerciais vendidos meses antes do evento, reforçando papel estratégico para a cadeia produtiva.

A 2ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango (Conbrasfran), promovida pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), já apresenta forte mobilização empresarial meses antes de sua realização, marcada para 23 a 25 de novembro, em Gramado, na serra gaúcha.
A Central de Negócios do evento registra cerca de 60% dos espaços comercializados, refletindo o interesse de empresas fornecedoras, indústrias e parceiros estratégicos em integrar um ambiente qualificado de relacionamento, visibilidade institucional e construção de agenda setorial, antecipa o presidente Executivo da Asgav e organizador do evento, José Eduardo Santos. “Surpreendeu a quantidade de expositores já confirmada”.
A conferência tem uma configuração estratégica, técnica e empresarial que atrai lideranças, profissionais e produtores do setor. A Conbrasfran 2026 vai reunir representantes de todos os elos da cadeia produtiva para discutir inovação, eficiência, sustentabilidade, gestão e tendências de mercado. A programação é estruturada para estimular troca de experiências, atualização técnica e conexões de alto nível.
“O objetivo da Conbrasfran é fortalecer a integração da cadeia produtiva e ampliar o diálogo entre indústria, fornecedores e especialistas, criando um ambiente estratégico para a evolução da avicultura brasileira”, afirma Santos. Para ele, a adesão antecipada à área de negócios reforça o papel do encontro como espaço estruturante para o setor, consolidando a conferência como ponto de convergência da avicultura nacional.
“Em um ambiente que exige planejamento, visão integrada e capacidade de adaptação, a mobilização antecipada do mercado demonstra a importância de fóruns capazes de antecipar debates e alinhar estratégias”, encerra o executivo. Outras informações sobre a 2ª Conbrasfran, realizada pela Asgav, podem ser encontradas na página do evento, acesse clicando aqui, através do Instagram @conbrasfran, do What’sApp (51) 9 8600.9684 ou do e-mail conbrasfran@asgav.com.br.
Avicultura
Queda de energia mata 20 mil frangos no Oeste do Paraná
Interrupção no fornecimento compromete ventilação de aviário em São Miguel do Iguaçu e causa prejuízo de R$ 150 mil.

Uma interrupção no fornecimento de energia elétrica resultou na morte de 20 mil frangos de corte em uma granja de São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, na terça-feira (03). As aves tinham 26 dias de criação e estavam a menos de três semanas do envio para uma cooperativa da região. O prejuízo estimado pela proprietária da área, Sandra Bogo, é de R$ 150 mil.
A mortalidade foi identificada por volta do meio-dia. No mesmo dia, as aves foram recolhidas e descartadas conforme os protocolos de biosseguridade exigidos para esse tipo de situação.
De acordo com a produtora, a propriedade possui gerador de energia, mas a instabilidade no fornecimento comprometeu o funcionamento do equipamento, afetando o sistema de ventilação do aviário. No momento da ocorrência, os termômetros marcavam cerca de 35°C no município, com sensação térmica próxima de 40°C, conforme dados do Simepar.
As altas temperaturas, associadas à falta de ventilação, agravaram a situação. Conforme orientações da Embrapa Suínos e Aves, a faixa ideal de conforto térmico para frangos em fase final de criação varia entre 21°C e 24°C.
A granja possui três aviários de 1.500 metros quadrados cada, com 20 mil aves alojadas em cada estrutura. Apenas um dos galpões foi afetado. Segundo Sandra, o produtor responsável pela atividade conta com seguro que cobre danos estruturais e mortalidade de animais, mas a liberação de eventual indenização depende da análise técnica do laudo.
Em nota, a Copel informou que o desligamento na região de Nova Santa Rosa do Ocoy foi causado pelo rompimento de um cabo de energia. A empresa afirmou que o fornecimento ao cliente mencionado ficou interrompido por 17 minutos, entre 11h16 e 11h33, período em que equipes realizaram manutenção e manobras para restabelecer o serviço a partir de outra fonte. A companhia acrescentou que redes aéreas estão sujeitas a interferências externas, como contato com vegetação, e que vem investindo em tecnologias para reforçar a operação do sistema.
Avicultura
Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres
Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.
O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.
O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.
O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.



