Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal
Escolha adequada dos equipamentos de vacinação para eficiência de cada manejo
A precisão e a certeza de que os processos são bem feitos são cada vez mais necessários

Artigo escrito por Giana Hirose, médica veterinária e gerente nacional de vendas da Agrozootec
Na pecuária de corte ou de leite, as práticas de vacinação e vermifugação são rotinas básicas de saúde animal na fazenda que demandam atualização de processos e equipamentos. A precisão e a certeza de que os processos são bem feitos são cada vez mais necessários. Sem os equipamentos apropriados, corre-se o risco de uma subdosagem e falha na expectativa do protocolo que está sendo trabalhado, o que pode interferir em uma reposta imunológica ou reprodutiva. Por outro lado, com a superdosagem, há risco de se criar uma resistência ao medicamento, impacto ambiental e desperdício de recursos.
Portanto, a palavra de ordem é precisão e, atualmente, existem muitos equipamentos acessíveis para isso. A turma precisa deixar de usar uma única seringa para todas aplicações de vacinas, vermífugos, complexos vitamínicos, antibióticos e hormônios (IATF) e por aí vai. É preciso lembrar que cada medicamento tem dosagem e densidade diferente de acordo com o veículo utilizado no produto.
Após a mudança do volume da dose de vacina de Febre Aftosa de 5ml para 2ml, isso ficou mais evidente. Antes, um equipamento com defeito ou refluxo, que gerasse uma perda de 0,5 ml impactava em 10% da dose. Agora, ao usar o equipamento com problema, a perda vai representar um quarto da dose. Por isso, o pecuarista precisa estar muito atento aos processos e aos produtos disponíveis.
Apesar de estarem acostumados com a vacinadora de 50 ml, o mercado tem disponível, equipamentos com capacidade de 30 ml, 25 ml e outras de 5 ml e 2 ml com fluxo contínuo, ou seja, com frasco acoplado diretamente na seringa ou com o frasco ligado a ela por uma mangueira, o que é muito usado em suínos.
Mas, por qual motivo deveria mudar o equipamento? Pela precisão e eficiência. Principalmente, nessa, com a mangueira, há a melhor conservação do produto, já que o frasco pode ficar na caixa e é mantido refrigerado pelo maior tempo.
Em regiões muito quentes isso é essencial, além disso, a vacinadora tem conquistado os vaqueiros pela agilidade de aplicação e percepção na mão de que “a missão foi cumprida”. Antes, com a vacinadora de 50 ml perdem a percepção do gatilho, pois ele ficou mais curto. E, vem a dúvida: será que a dose foi completa? Com a mudança no tipo de equipamento, evita-se o problema. Isso vale para a vacinação, como também para a vermifugação.
Nos protocolos para IATF muitos usam a seringas descartáveis de 1ml, 3ml e 5ml, porém, há também equipamentos muito precisos de excelente qualidade usados para a vacinação de aves e peixes, para doses pequenas e, que podem ser alternativa na utilização de hormônios nos protocolos. Com a busca incessante pela redução de custo do ciclo pecuário, mais uma vez, a palavra de ordem é a precisão.
Por fim, além da escolha da seringa adequada, é necessário que o produtor tenha reparos e equipamentos de reserva. Principalmente na época em que o manejo é mais intenso, não há como parar uma vacinação, para buscar um reparo na cidade. Essas são emergências que atrapalham todo o processo.
Atenção às boas práticas
Diante disso, cada produtor deve analisar suas prioridades de gestão, realidade de clima e das instalações e treinamento da equipe. O pecuarista eficiente já tem a certeza de que precisa do equipamento certo para cada atividade e tirou da cabeça que se usa a mesma seringa para tudo.
Feita a escolha, para se ter bons resultados também é preciso investir na capacitação constante da equipe. Antes de qualquer manejo é importante repassar as etapas em uma reunião no próprio curral e explicar a finalidade de cada uma delas.
Atualmente, fala-se da importância de que as aplicações sejam feitas no tronco de contenção, para certeza da aplicação e também segurança da equipe. Essa é uma regra que cada vez mais avança pelas fazendas, demanda conscientização constante de todos. Mesmo em grandes rebanhos, quando se fala em sanidade, a atenção individual é essencial para o melhor resultado.
Outro ponto importante é a conscientização para separar e organizar todo material antes de iniciar os procedimentos, trocar de agulha a cada 10 animais, independente da seringa que irá utilizar.
Após o manejo, todos os equipamentos devem ser higienizados e desinfectados, principalmente as seringas e agulhas, pois quando sujas, são ótimos veículos de contaminações e formação de abcessos nos animais. Já existem fazendas que, ao fim do dia, passam todo o material em autoclave para, realmente, evitar qualquer contaminação.
Com todas essas medidas simples e positivas, o resultado é bom para o produtor e para a cadeia como um todo, pois há a garantia sanitária e produtiva, assim o produtor terá um bom ganho de peso da carcaça (gado de corte) e melhor qualidade e produtividade de leite (gado de leite). Esteja atento aos processos e as ferramentas ideais para cada etapa.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

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MBRF passa a integrar colaboração brasileira de bem-estar animal
Entrada na COBEA reforça atuação conjunta entre grandes empresas para avançar em práticas responsáveis em toda a cadeia produtiva.

A MBRF é o mais novo membro da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), iniciativa inédita de cooperação pré-competitiva no Sul Global, criada em 2024 pela certificadora Produtor do Bem para impulsionar o avanço contínuo do bem-estar animal no país. Ao integrar o grupo, a empresa se junta a outras oito organizações — Grupo IMC (International Meal Company), Special Dog Company, Minerva Foods, JBS Brasil, Planalto Ovos, Mantiqueira Brasil, Danone Brasil e Nestlé Brasil —, somando esforços na troca de boas práticas, no aprimoramento de conceitos e na ampliação do diálogo sobre condutas responsáveis em toda a cadeia produtiva.
“É muito significativo contar com a MBRF na coalizão. Como uma das líderes na produção de proteína animal no Brasil e no mundo, a empresa tem papel essencial para fortalecer o trabalho colaborativo na cadeia de valor e impulsionar soluções que acelerem os avanços em bem-estar animal”, afirma a diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom.
A MBRF mantém um trabalho consolidado em bem-estar animal em toda a sua cadeia produtiva, com compromissos públicos e específicos para aves, suínos e bovinos, alinhados a diretrizes nacionais e internacionais que promovem o manejo responsável e o abate humanitário, tanto nas operações próprias quanto na cadeia de fornecimento.
Entre os avanços alcançados, todas as unidades de abate da companhia são auditadas conforme padrões internacionais de bem-estar animal. Além disso, 100% das aves do sistema de integração são criadas livres de gaiolas, e todos os ovos utilizados globalmente pela empresa provêm de galinhas criadas fora de gaiolas, entre outros marcos relevantes.
A companhia também mantém uma relação estreita com os fornecedores das demais espécies presentes em sua cadeia de suprimentos global por meio do projeto Excelência em Bem-estar Animal na Cadeia de Suprimentos, que promove capacitações, visitas técnicas e materiais orientativos com o objetivo de impulsionar continuamente o bem-estar dos animais e engajar todos os elos do setor.
“Ao aderirmos à COBEA, somamos forças em uma sinergia estratégica que amplia e fortalece esse trabalho, reafirmando nossa dedicação ao cuidado e ao manejo responsável dos animais. A colaboração também nos permite contribuir de forma ainda mais ativa para o diálogo global, demonstrando que o Brasil trata o tema com seriedade, qualidade e transparência. Estamos convencidos de que essa união impulsionará avanços relevantes para todo o setor, consolidando padrões que representem não apenas o que realizamos hoje, mas o futuro que queremos construir para o agronegócio”, afirma o diretor global de Sustentabilidade e Relações Corporativas da MBRF, Paulo Pianez.
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Leite inicia 2026 com preços pressionados após forte queda no fim de 2025
Desvalorização no fim de 2025 e projeções negativas dos Conseleites afetam o produtor.

O ano de 2025 terminou com os menores preços de leite e derivados registrados ao longo do período, refletindo um cenário de excesso de oferta no mercado interno e externo. Levantamentos do Cepea/OCB indicam que as cotações passaram a recuar a partir de abril e se intensificaram no último trimestre do ano.
A produção de leite foi favorecida pela melhora da rentabilidade observada em 2024 e no início de 2025, além das condições climáticas positivas, o que contribuiu para o aumento da oferta. Ao mesmo tempo, as importações somaram 2,14 bilhões de litros de leite equivalentes, marcando o terceiro ano consecutivo com volumes acima de 2 bilhões de litros e ampliando a pressão sobre os preços domésticos.

Foto: Divulgação/Semagro
Os principais derivados lácteos encerraram 2025 nos menores patamares do ano. No atacado paulista, o leite UHT e o leite em pó registraram quedas expressivas na comparação com dezembro de 2024, enquanto, frente a novembro de 2025, o UHT apresentou leve alta e o leite em pó recuou. A muçarela também fechou o ano em baixa no atacado de São Paulo. Já o leite spot em Minas Gerais acumulou forte desvalorização no comparativo anual, apesar de alta na comparação mensal.
No mercado internacional, o comportamento foi semelhante ao observado no Brasil, com a oferta superando a demanda e provocando recuo nas cotações globais de lácteos.
Para o produtor, as perspectivas de curto prazo seguem desafiadoras. As sinalizações dos Conseleites estaduais para o leite entregue em dezembro de 2025, com pagamento em janeiro de 2026, apontam novas variações negativas. As maiores quedas foram projetadas em Santa Catarina e Minas Gerais, enquanto Paraná e Rio Grande do Sul também indicaram recuos, porém menos intensos.
As informações integram o Informativo Mensal do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite, que destaca a continuidade da pressão sobre os preços ao produtor diante do desequilíbrio entre oferta e demanda no setor lácteo.
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Carne bovina sustenta recorde e reforça protagonismo do Brasil no mercado árabe
Receita com o produto somou US$ 1,79 bilhão em 2025, com alta no Egito, Arábia Saudita e avanço acelerado na Argélia.

As vendas brasileiras de carne bovina para os países árabes fecharam 2025 com alta de 1,91% sobre o ano anterior, para US$ 1,79 bilhão, resultado que foi o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco, informou a Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que acompanha o comércio com a região de 22 nações.
As vendas brasileiras de carne bovina cresceram de forma consistente em mercados tradicionais, como o Egito, que respondeu por US$ 375,35 milhões e registrou alta de 24,53%, e a Arábia Saudita, com compras de US$ 333,10 milhões e avanço de 29,90%, os dois maiores destinos do produto. O desempenho positivo também alcançou frentes mais recentes abertas pela indústria frigorífica, especialmente a Argélia, que vem intensificando as aquisições do Brasil desde 2024 e, apenas em 2025, elevou as compras em 40,56%, gerando receitas de US$ 286,58 milhões.

Na avaliação da entidade, o resultado decorre tanto da atuação mais intensa dos frigoríficos brasileiros, como da disposição dos países árabes em reforçar estoques, especialmente os de gêneros alimentícios, temendo desabastecimentos decorrentes de desorganização de cadeias de suprimentos por conta do tarifaço americano imposto a diferentes fornecedores, entre eles o Brasil, que fornece metade dos alimentos adquiridos no exterior pelos árabes. “Os árabes intensificaram as aquisições, e o Brasil foi particularmente beneficiado na carne bovina porque tinha maior disponibilidade do produto. O reforço dos estoques, no entanto, limitou o espaço para outros alimentos e produziu um recuo no total das exportações. Mesmo assim, o resultado foi muito positivo. Tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial. Os árabes seguem extremamente relevantes para os exportadores”, destacou Mohamad Mourad, secretário-geral da entidade.
Considerando todas as exportações brasileiras para os países árabes, os embarques recuaram 9,81% em 2025, para US$ 21,34 bilhões, em comparação com as receitas de 2024, quando as vendas cresceram 22% sobre 2023. Além da ação para reforçar estoques, o recuo de 2025 é creditado à desvalorização das commodities e ao foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul no primeiro trimestre do ano, que impactaram as vendas de frango, embora todos os produtos tenham sido adquiridos em volumes expressivos.
A pauta de exportações brasileiras para os países árabes em 2025 foi liderada pelo açúcar, com receitas de US$ 4,63 bilhões, apesar de uma queda de 29,89% em relação ao ano anterior. Na sequência vieram o frango, que somou US$ 3,34 bilhões e recuou 6,40%, e o milho, cujas vendas alcançaram US$ 3,07 bilhões, com crescimento de 24,94%. O minério de ferro gerou US$ 2,65 bilhões, em retração de 12,70%, enquanto a carne bovina respondeu por US$ 1,79 bilhão, com avanço de 1,91%. Entre os principais parceiros comerciais, os Emirados Árabes Unidos lideraram as compras, com US$ 3,78 bilhões e queda de 16,90%, seguidos pelo Egito, com US$ 3,73 bilhões e recuo de 6,20%, pela Arábia Saudita, com US$ 3,13 bilhões e leve retração de 0,10%, pela Argélia, que importou US$ 2,33 bilhões e reduziu as compras em 9,20%, e pelo Iraque, com US$ 1,49 bilhão e queda de 21,3%.
Agronegócio

As exportações do agronegócio brasileiro para os países árabes recuaram 11,19% em 2025, somando US$ 15,91 bilhões, resultado que, ainda assim, respondeu por 72,51% de tudo o que o Brasil vendeu à região. Os produtos do setor tiveram como principais destinos o Egito, com compras de US$ 2,93 bilhões e queda de 6,61%, a Arábia Saudita, que importou US$ 2,73 bilhões e registrou crescimento de 2,61%, os Emirados Árabes Unidos, com US$ 2,44 bilhões e retração de 21,65%, a Argélia, que adquiriu US$ 2,00 bilhões e ampliou as compras em 11,91%, e o Iraque, com US$ 1,35 bilhão e recuo de 24,30%.
Chama atenção nas estatísticas o desempenho dos insumos usados para produzir proteínas animais, alimento que os países árabes têm se esforçado para disponibilizar localmente com incentivos produtivos. As vendas de gado vivo para abate, por exemplo, avançaram 18,10% no ano, para US$ 695,09 milhões. As de milho destinado à criação de aves subiram 24,93%, para US$ 3,07 bilhões.
Mourad também destaca que, mesmo com os incentivos à produção local, a proteína brasileira, ainda sim, encontrou espaço na região. A Arábia Saudita, onde foram anunciados os principais investimentos produtivos, e que vinha buscando reduzir compras brasileiras, foi o mercado que mais adquiriu frango do Brasil, ampliando aquisições em 15,14%, para o total de US$ 942,39 milhões.

Os Emirados Árabes Unidos, outro mercado que historicamente compra bastante frango do Brasil, principalmente para operações de reexportação para nações com comunidades muçulmanas na África e na Ásia, fez aquisições no ano passado em níveis equiparáveis às de 2024: US$ 937,43 milhões, apenas 0,97% menos, e com avanço nos volumes.
Para Mourad, num ano em que teve sua resiliência testada, o comércio Brasil-Países Árabes conseguiu registrar desempenho satisfatório e deve ter recuperação em 2026. Segundo ele, no último trimestre do ano, as vendas ganharam tração, superando em 8,2% o resultado do mesmo trimestre de 2024, indicando reaquecimento. “Em 2026, teremos Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que é um feriado flutuante, iniciando em 17 de fevereiro. A intensificação de embarques vista no fim de 2025 é um esforço de formação de estoques para a data festiva, mas também acreditamos que seja reflexo da normalização do comércio neste momento pós-tarifaço”, destaca.



