Peixes
Escassez hídrica limita produção de peixes e preocupa criadores na Paraíba
Produtores enfrentam dificuldades em regiões como Curimataú e Cariri, enquanto esperam soluções estruturais para garantir sustentabilidade da atividade.

A piscicultura paraibana encerrou o ano de 2024 enfrentando um velho conhecido: a escassez de água. Apesar de apresentar uma leve retração em relação ao ano anterior — com produção de 4.180 toneladas ante 4.290 em 2023 —, o setor manteve desempenho superior ao registrado no início da década e segue como uma importante atividade econômica, especialmente no interior do estado. No entanto, o potencial produtivo está longe de ser plenamente explorado.

Segundo o engenheiro de pesca Celso Carlos Fernandes Duarte, gestor de piscicultura da Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap), a limitação de áreas de cultivo e a insuficiência hídrica continuam sendo os principais obstáculos para o crescimento da produção. “A questão hídrica segue impondo dificuldades em importantes regiões, como Curimataú, Cariri e Sabugi, o que dificulta o fomento da produção. Isso impacta a produtividade, que em 2024 foi um pouco menor”, explica.
A falta de recursos hídricos reduz o uso de viveiros escavados e tanques-rede, dificultando o aproveitamento de áreas com potencial para a atividade. Atualmente, a piscicultura na Paraíba ocupa uma área de 828 hectares, com 3.312 viveiros e 165 tanques-rede em operação. Apesar das limitações, o estado alcançou um crescimento acumulado de 32% desde 2021, segundo dados da Associação Brasileira de Peixe (Peixe BR).
Espécies cultivadas
Entre as espécies cultivadas, a tilápia lidera com folga: foram 4.100 toneladas produzidas em 2024, seguidas por espécies nativas com 60 toneladas e outras variedades — como carpa, truta e panga — que somaram 20 toneladas.
Maiores municípios produtores
Os municípios que mais se destacaram na produção foram Mari, Bananeiras e Mamanguape, com Riachão do Poço e São Miguel de Taipu completando os cinco primeiros colocados. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de levantamento preliminar de 2022.
Diante do cenário desafiador, a expectativa do setor para 2025 é elevada. A chegada das águas da transposição do Rio São Francisco, prevista para ocorrer com mais regularidade, promete ser um divisor de águas — literalmente. A expectativa é de que os volumes sirvam tanto para a irrigação quanto para impulsionar atividades como a piscicultura e a carcinicultura, promovendo o desenvolvimento sustentável das regiões mais afetadas pela seca.
Além disso, está programada a distribuição de 10 milhões de alevinos para pequenos produtores ao longo de 2025, uma medida que pode estimular ainda mais a produção local e garantir a manutenção da atividade mesmo em tempos de adversidade climática.
Embora os desafios persistam, a piscicultura paraibana segue viva, resistente e com potencial de expansão — à espera apenas da combinação certa de água, incentivo e estratégia.

Peixes
Brasil leva tilápia e tecnologia de aquicultura para feira internacional no Chile
Pavilhão brasileiro na Aquasur 2026 apresentou produtos, equipamentos e soluções para pesca e crustáceos, atraindo empresários de 34 países.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio da Embaixada do Brasil em Santiago, participou da 13ª edição da Aquasur 2026, realizada na última semana em Puerto Montt, Chile. Considerada uma das principais feiras de aquicultura da América Latina, o evento reuniu mais de 550 expositores de 34 países e teve a abertura oficial com a presença do presidente chileno José Antonio Kast.

Foto: Divulgação/Mapa
No Pavilhão Brasil, representantes do Mapa, da Embaixada do Brasil, da Embrapa, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), da Abipesca, do Sindipi-SC e da ABRA apresentaram produtos, serviços, máquinas e equipamentos voltados à aquicultura. O espaço também destacou peixes e crustáceos destinados à exportação, com ênfase na produção de tilápia.
Além da exposição, o pavilhão sediou reuniões entre instituições brasileiras e chilenas, promovendo encontros com empresários interessados em tecnologias e serviços brasileiros para a produção de pescado. A participação reforça a estratégia do Brasil de fortalecer a presença no mercado internacional de aquicultura, ampliar oportunidades de negócios e consolidar a imagem do setor como competitivo e inovador.

Foto: Divulgação/Mapa
Um dos destaques da participação brasileira foi o lançamento do 8º International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2026, marcado para os dias 2 a 4 de setembro, em Foz do Iguaçu. O evento deve reunir representantes de toda a cadeia produtiva do pescado para fomentar negócios, promover a troca de experiências e discutir inovação no setor.
Realizada a cada dois anos, a Aquasur é hoje uma das principais vitrines da aquicultura no hemisfério sul. Em 2026, o evento recebeu mais de 30 mil visitantes e registrou crescimento de 37% em relação à edição anterior. A programação incluiu congresso internacional, espaços de networking e apresentação de novas tecnologias para o setor.
Brasil e Chile mantêm uma relação comercial sólida no agro, apoiada por instrumentos de

Foto: Divulgação/Mapa
cooperação e facilitação de comércio, como o Acordo de Livre Comércio entre os dois países, em vigor desde 2022, que contribui para dar mais previsibilidade, segurança e agilidade às trocas comerciais. No último ano, o Chile importou mais de US$ 2,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para carnes, cacau, café, rações para animais, soja e produtos florestais. Já o Chile fornece ao Brasil produtos como vinhos, pescados, especialmente salmão, além de frutas frescas e secas.
Saiba como participar
Empresas interessadas em participar de feiras internacionais e dos pavilhões brasileiros podem acompanhar o calendário de eventos e as oportunidades de inscrição nos canais oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária e de entidades parceiras. A participação varia de acordo com o perfil de cada feira e com os critérios definidos para cada ação de promoção comercial. O Mapa também tem incentivado a presença de cooperativas e de empresas de pequeno porte com interesse em ampliar sua atuação no mercado internacional.
Peixes
Édipo Araújo assume Ministério da Pesca e Aquicultura
Engenheiro de pesca terá desafios regulatórios e estruturais para fortalecer a piscicultura e políticas do setor no Brasil.

A nomeação de Rivetla Édipo Araújo Cruz para o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) é vista com otimismo por parte do setor de piscicultura. Engenheiro de Pesca formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Araújo integra uma geração que ajudou a transformar o extrativismo predatório no Norte do país em uma cadeia produtiva mais estruturada e sustentável.
Para a Peixe BR, associação que representa produtores de pescado, a experiência do novo ministro reforça a expectativa de uma gestão técnica e alinhada às demandas do setor.
Entre os principais desafios apontados estão questões regulatórias consideradas urgentes. A entidade destaca a necessidade de parecer da Consultoria Jurídica do MPA sobre a atuação da Conabio na definição da lista de espécies exóticas invasoras sem análise de impacto regulatório; a articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para garantir a realização da Análise de Risco de Importação (ARI) da tilápia proveniente do Vietnã; e a prorrogação por três anos da obrigatoriedade da Licença de Aquicultor.
A Peixe BR afirma que pretende acompanhar e colaborar com o Ministério para avançar em políticas que fortaleçam a piscicultura no país, equilibrando crescimento produtivo e sustentabilidade.
Peixes
Curso de sanidade aquícola será destaque na Aquishow Brasil 2026
Capacitação ocorre em junho, em Uberlândia, com foco nas principais doenças da tilapicultura

A Aquishow Brasil 2026 firmou parceria com a Aquivet Saúde Aquática para a realização do Curso de Sanidade Aquícola, marcado para os dias 9 e 10 de junho, no Castelli Master, em Uberlândia. O tema desta edição será “Doenças na Tilapicultura: patógenos, imunidade e competitividade”.
O curso vai abordar a epidemiologia das principais doenças bacterianas que afetam a criação de tilápia no Brasil, com foco em informações voltadas à gestão sanitária nas propriedades. Entre os temas, está a expansão de agentes como Streptococcus agalactiae sorotipo III, em avanço sobre Minas Gerais e Espírito Santo, e Lactococcus petauri, com novas linhagens identificadas em expansão global.
A presidente da comissão organizadora da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício Fernandes, afirma que o curso reforça a programação técnica do evento ao tratar de pontos considerados críticos para a cadeia produtiva da tilapicultura e para a competitividade do setor.
Segundo Santiago Benites de Pádua, da Aquivet Saúde Aquática, a iniciativa reúne produtores e empresas fornecedoras de insumos para nivelar informações sobre doenças e estratégias de controle sanitário com profissionais do setor.
A programação contará com palestras do próprio Santiago Benites de Pádua e do professor Henrique Figueiredo, da Universidade Federal de Minas Gerais. O curso também terá a participação do pesquisador Francisco Yan Tavares Reis, da Embrapa Amazônia Ocidental, com discussões sobre epidemiologia e imunidade da tilápia. A pesquisadora e empresária Paola Barato, da Corpavet Colômbia, abordará a gestão de doenças emergentes, como Streptococcus agalactiae sorotipo Ia e o vírus TiLV na Colômbia.
- Santiago Benites de Pádua
- Henrique Figueiredo
A organização destaca que o curso integra a programação técnica da Aquishow Brasil e busca promover a troca de conhecimento entre pesquisa, setor produtivo e indústria, com foco nos desafios sanitários da tilapicultura.





