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Escassez de suínos e falhas no mercado retiram US$ 1,9 bilhão da cadeia americana

Alta no preço dos leitões, mortalidade elevada e distorções no cálculo dos cortes pressionam rentabilidade da suinocultura nos Estados Unidos.

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O mercado de suínos nos Estados Unidos atravessa um momento de forte desequilíbrio entre oferta e demanda, marcado por pressão sobre frigoríficos, valorização acelerada dos leitões e perdas bilionárias para os produtores. Estimativas do setor apontam que falhas no cálculo do valor dos cortes de carne suína estariam custando cerca de US$ 1,9 bilhão por ano à cadeia produtiva americana.

Mesmo com os preços dos suínos magros ainda estagnados na faixa dos 90 centavos de dólar por libra, o mercado já começa a reagir à redução da oferta de animais para abate. Frigoríficos americanos anunciaram cortes expressivos nas escalas, movimento interpretado pelo setor como reflexo direto da menor disponibilidade de suínos.

A lógica é simples: menos animais disponíveis significam menor produção de carne e maior pressão altista sobre os preços.

Esse cenário já aparece com clareza no mercado de reposição. O preço médio à vista de leitões de 18 quilos nos Estados Unidos chegou a US$ 108,55 na última semana, contra US$ 79,28 no mesmo período do ano passado.

Os leitões desmamados precocemente também registraram forte valorização, passando de US$ 49,04 para US$ 77,08 na comparação anual.

Os números indicam um descompasso crescente entre oferta e demanda dentro da suinocultura americana.

Levantamento diário da consultoria DTN AgDayta mostra que o ponto de equilíbrio para compra de um leitão de 18 quilos, visando abate em setembro, estava em US$ 83,56. Ou seja, uma diferença superior a US$ 25 em relação ao preço praticado no mercado à vista.

Segundo analistas, trata-se de uma das maiores diferenças já observadas no setor, reforçando a percepção de escassez de animais frente à demanda da indústria.

O mercado agora aposta em uma recuperação mais consistente dos preços do suíno terminado no segundo semestre. Na última sexta-feira (08), os contratos futuros de suínos magros para outubro eram negociados a US$ 90,73.

Mercado de ovos mostra impacto da oferta sobre preços
Ao mesmo tempo, o setor observa com atenção os efeitos da gripe aviária sobre outras proteínas animais nos Estados Unidos.

No ano passado, o avanço da doença provocou forte redução no plantel de galinhas poedeiras e levou os preços dos ovos a níveis recordes. Neste ano, porém, o cenário mudou radicalmente.

Com menor impacto sanitário e recomposição dos plantéis, o número de galinhas poedeiras no país passou de 283 milhões para 310 milhões de aves em apenas um ano, aumento de cerca de 9%.

O reflexo veio diretamente nos preços. O Índice de Ovos Urner Barry, referência do mercado americano, despencou de US$ 3,14 por dúzia na mesma semana do ano passado para apenas US$ 0,13 neste ano.

O movimento é tratado pelo mercado como um exemplo clássico da chamada demanda inelástica em commodities agrícolas: pequenos aumentos na oferta podem provocar quedas bruscas nos preços.

Mortalidade segue como principal desafio da produção

Enquanto isso, outro problema segue pressionando a rentabilidade da suinocultura americana: a mortalidade elevada nas fases de creche e terminação.

Dados divulgados pela Meta Farms mostram que 2025 registrou a segunda maior taxa de mortalidade do desmame ao abate dos últimos 11 anos, atingindo 7,04%.

A diferença de desempenho entre produtores chama atenção. Os 10% mais eficientes registraram mortalidade de

3,05%, enquanto os 10% piores chegaram a 12,89%.

Segundo especialistas, a mortalidade continua sendo um dos principais fatores de impacto sobre a lucratividade da atividade.

Estimativas do setor indicam que uma diferença de 10 pontos percentuais na mortalidade pode elevar os custos de produção em pelo menos US$ 16 por animal.

Parte do problema, segundo análises técnicas, está ligada ao avanço de linhagens genéticas extremamente voltadas à eficiência alimentar, mas com menor capacidade de resistência sanitária.

Na prática, animais selecionados para consumir menos ração e apresentar melhor conversão alimentar acabam mais vulneráveis a doenças e desafios sanitários dentro dos sistemas produtivos.

O resultado é uma combinação de menor oferta, custos mais altos e maior pressão sobre a eficiência operacional das granjas americanas.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Infecções sem sintomas podem comprometer ganho de peso e conversão alimentar dos suínos

Especialistas alertam que infecções subclínicas passam despercebidas nas granjas, mas reduzem desempenho produtivo. Tema será debatido no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, na Universidade de São Paulo (USP).

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Nem toda perda na suinocultura está associada a surtos ou animais com sinais clínicos evidentes. Infecções subclínicas, que evoluem sem sintomas aparentes, podem comprometer o ganho de peso, a conversão alimentar, a uniformidade dos lotes e, consequentemente, a rentabilidade das granjas.

Por ocorrerem de forma silenciosa, essas infecções costumam passar despercebidas na rotina das propriedades, exigindo monitoramento contínuo, protocolos sanitários bem definidos e análise de indicadores produtivos para serem identificadas.

Segundo especialistas, o controle sanitário eficiente começa antes do surgimento da doença clínica. Mais do que cumprir protocolos, a biosseguridade precisa estar integrada ao manejo diário, reduzindo a circulação de agentes infecciosos e permitindo a detecção precoce de alterações no desempenho dos animais.

O tema será um dos destaques do 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, na Universidade de São Paulo (USP). A médica-veterinária Letticie Ruiz apresentará a palestra “Infecções subclínicas e biosseguridade”, abordando estratégias de diagnóstico e prevenção aplicáveis às granjas comerciais.

Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro reunirá profissionais da cadeia suinícola para discutir temas ligados à sanidade, manejo e produtividade.

As inscrições e a programação completa estão disponíveis clicando aqui.

Fonte: Assessoria Abraves-SP
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Recuo em junho não impede exportações recordes de carne suína

Embarques caíram 3,5% no mês, mas o primeiro semestre de 2026 foi o melhor da história para o setor.

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As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 132,4 mil toneladas em junho, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 3,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 137,2 mil toneladas.

A receita das exportações alcançou US$ 312,8 milhões, resultado 8,4% inferior ao obtido em junho de 2025, quando foram registrados US$ 341,7 milhões.

Apesar do ajuste observado em junho, o setor encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor desempenho da história das exportações brasileiras de carne suína. Entre janeiro e junho, os embarques alcançaram 794,2 mil toneladas, volume 10% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram exportadas 722 mil toneladas.

Em receita, o crescimento acumulado alcança 7,9%, com US$ 1,859 bilhão entre janeiro e junho deste ano, frente aos US$ 1,723 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras em junho, as Filipinas permaneceram na liderança, com 23,5 mil toneladas embarcadas (-30,4%). Em seguida aparecem Japão, com 17,2 mil toneladas (+33,8%), Chile, com 11,7 mil toneladas (+3,1%), China, com 11,4 mil toneladas (-26,5%), Hong Kong, com 8 mil toneladas (+1,4%), México, com 6,9 mil toneladas (-4,8%), Singapura, com 5,9 mil toneladas (-35,4%), Argentina, com 5,9 mil toneladas (+46,5%), Vietnã, com 5,8 mil toneladas (+1,5%) e Uruguai, com 4,7 mil toneladas (-3,3%).

No desempenho por estados exportadores, Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 65,2 mil toneladas embarcadas em junho (-6,9%), seguido por Rio Grande do Sul, com 31,4 mil toneladas (-4,7%), Paraná, com 20,7 mil toneladas (+3,2%), Minas Gerais, com 4,1 mil toneladas (+26,3%) e Mato Grosso, com 4 mil toneladas (+23,3%).

“Embora junho tenha registrado um ajuste pontual em relação ao mesmo período do ano passado, o desempenho do primeiro semestre confirma a solidez das exportações brasileiras de carne suína. O setor segue ampliando sua presença internacional por meio de uma estratégia cada vez mais diversificada, reduzindo a dependência de mercados específicos e fortalecendo sua atuação em destinos de maior valor agregado. Os resultados acumulados reforçam nossa expectativa de um novo ano histórico para a suinocultura brasileira”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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Suínos

Suinfair 2026 discute desafios da inovação na suinocultura em Minas Gerais

Palestra de abertura destacou a importância da adaptação em um mercado em constante transformação.

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A programação da Suinfair 2026 teve início na tarde da última quarta-feira (01º), às 15 horas, em Ponte Nova (MG), com a palestra de abertura conduzida por Eduardo Shinyashiki. O especialista em desenvolvimento humano, liderança e performance foi o primeiro palestrante do evento e apresentou uma reflexão sobre os desafios da inovação, da ruptura de padrões de comportamento e da formação de lideranças em um cenário de constante transformação.

Diante de produtores e profissionais da cadeia da suinocultura, Shinyashiki afirmou que, embora o setor evolua rapidamente em tecnologia e gestão, o maior desafio continua sendo a mudança de mentalidade. Segundo ele, a capacidade de adaptação será cada vez mais determinante para quem deseja crescer em um ambiente competitivo. “O cérebro não é programado para inovar. Ele é programado para repetir padrões”, explicou. Para o palestrante, esse mecanismo ajuda a entender por que tantas empresas e profissionais resistem às mudanças, mesmo diante de novas oportunidades.

Ao longo da palestra, ele ressaltou que a velocidade das transformações exige uma postura diferente das lideranças. Em vez de esperar que as mudanças aconteçam para então reagir, é preciso antecipar cenários e construir novas soluções continuamente.

Três comportamentos que limitam a liderança

Durante a apresentação, Eduardo Shinyashiki afirmou que existem três “vírus” capazes de comprometer o desenvolvimento de líderes e equipes.

O primeiro é a necessidade constante de agradar e atender às expectativas dos outros. Segundo ele, muitos gestores deixam de exercer a própria liderança porque tentam apenas se encaixar em ambientes e situações.

O segundo está relacionado à dificuldade de pedir ajuda. Para o especialista, muitos profissionais assumem todas as responsabilidades sozinhos, acreditando que essa postura demonstra força. No entanto, essa resistência acaba tornando o trabalho mais desgastante e reduzindo as possibilidades de alcançar melhores resultados.

Já o terceiro comportamento é o perfeccionismo excessivo. Na avaliação de Shinyashiki, a busca constante pela perfeição faz com que muitas pessoas adiem decisões importantes e deixem de colocar projetos em prática. “O feito é melhor do que o perfeito”, destacou, ao incentivar os participantes a agir com mais rapidez e confiança.

Resistência à mudança pode custar caro

Outro ponto abordado pelo palestrante foi a resistência às transformações. Segundo ele, muitas empresas enfrentam dificuldades não por falta de estratégia ou recursos, mas porque seus líderes permanecem presos a antigas formas de pensar.

Shinyashiki lembrou que esse cenário ficou evidente durante a pandemia, quando organizações que conseguiram adaptar rapidamente seus processos responderam melhor aos desafios do mercado.

Para ele, a inovação começa antes da tecnologia. Ela nasce da disposição para rever crenças, abandonar hábitos antigos e experimentar novos caminhos.

Suinocultura precisa acompanhar novas demandas

Ao relacionar os conceitos ao agronegócio, Eduardo Shinyashiki destacou que a suinocultura passou por mudanças profundas nos últimos anos e continuará evoluindo.

Segundo o especialista, fatores como genética, manejo, bem-estar animal, uso de medicamentos e as exigências dos consumidores vêm transformando o setor de forma acelerada. Por isso, produtores e empresas precisam estar preparados para atender a um mercado que valoriza cada vez mais sustentabilidade, qualidade e inovação.

Nesse contexto, ele citou o economista austríaco Joseph Schumpeter, considerado um dos principais estudiosos da inovação. A ideia central apresentada foi que o novo não substitui imediatamente o antigo, mas surge ao lado dele até se tornar o novo padrão do mercado.

Criar tendências em vez de apenas acompanhar

Shinyashiki incentivou os participantes a deixarem de apenas reagir às mudanças e passarem a criar novas oportunidades.

Para ilustrar esse conceito, mencionou empresários como Steve Jobs, Bill Gates, Jeff Bezos e Elon Musk, que transformaram mercados ao desafiar modelos tradicionais e propor soluções inéditas.

Segundo ele, esse mesmo comportamento pode ser aplicado à suinocultura. Em vez de esperar que o mercado imponha mudanças, produtores e lideranças podem desenvolver uma postura mais inovadora, questionando processos, buscando melhorias contínuas e criando novos caminhos para o crescimento do setor.

A mensagem final reforçou que inovação não depende apenas de tecnologia ou investimentos, mas principalmente da mentalidade das pessoas. Para Eduardo Shinyashiki, quem desenvolve a capacidade de aprender, adaptar-se e liderar mudanças estará mais preparado para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades da suinocultura nos próximos anos.

Fonte: Assessoria Suinfair
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