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Época de parições: Momento para buscar produtividade e longevidade do rebanho leiteiro

A medida que se aproxima o parto e durante o início da lactação, a vaca passa por várias mudanças fisiológicas, metabólicas, hormonais e nutricionais

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Artigo escrito por Rogério Isler, gerente de Gado Brasil da Zinpro Saúde Animal

No mês de março, normalmente, temos as menores médias de produções na propriedades leiteiras. Isso ocorre porque o dias em lactação (DEL) do rebanho está alto e muitas vacas estão perto da secagem para o próximo parto. O que queremos chamar a atenção é sobre a importância dos cuidados nessa época que antecede o parto e no início de lactação.

O período ao redor do parto é conhecido como transição. Esta fase, que dura entre os 30 dias antes do parto e o mês seguinte ao nascimento, é o momento de maior desafio para a vaca leiteira. A medida que se aproxima o parto e durante o início da lactação, a vaca passa por várias mudanças fisiológicas, metabólicas, hormonais e nutricionais que refletem em sua alimentação e gasto calórico.

Nos dias que antecedem o parto, o consumo de alimento é reduzido e a demanda de energia do animal aumenta. A vaca precisa de mais energia para o crescimento do feto, a produção de colostro e leite, então a demanda é superior à quantidade ingerida. Esse desequilíbrio é o que chamamos de “balanço energético negativo”.  

Para tentar atender essa demanda fisiológica, ocorre a mobilização de gordura corporal, que acaba levando a deposição de gordura no fígado, comprometendo, assim, suas funções. Esses fatores, junto com a maior demanda de outros nutrientes, como os minerais, suprimem o sistema imunológico e podem desencadear uma série de problemas para a vaca. Dentre eles, estão as chamadas doenças metabólicas (hipocalcemia, fígado gorduroso, cetose, mastite, metrite e deslocamento de abomaso) que podem simplemente comprometer a producão de leite e causar falhas reprodutivas ou, até mesmo, levar ao descarte ou morte do animal.

Pesquisas apontam que muitos descartes ou mortes de vacas em rebanhos leiteiros ocorrem nos primeiros meses de lactação. Um levantamento de dados realizado com 718 rebanhos Holstein mostrou que 25% dos descartes involuntários ocorreram nos primeiro 60 dias após o parto. Os números são semelhantes aos encontrados em outro estudo, que analisou cerca de 60 mil vacas. Em ambas as avaliações, as principais causas de descartes involuntários foram problemas de mastite, reprodução, casco e baixa produção de leite.

Para amenizar os desafios que as vacas leiteiras enfrentam nesse período precisamos ter muita atenção ao manejo, ao conforto e à nutrição desses animais durante o período seco e o início da lactação.

Muitos produtores ainda não investem em conforto e nutrição para esses animais e isso reflete diretamente em sua lucratividde. É perda de dinheiro! E este é um comportamento de risco ao negócio que precisamos mudar. O desempenho da próxima lactação depende, essencialmente, de uma melhor preparação da vaca. Ela deve estar apta e ter as melhores condições disponíveis para dar a largada.

Uma pesquisa da Universidade da Pennsylvania mostra que uma vaca com problemas de saúde (retenção de placenta, febre, cetose, deslocamento de abomaso e metrite), no período de transição, produz uma quantidade de leite menor, durante toda a lactação, se comparada a uma vaca saudável.

Portanto, não podemos aceitar que as vacas secas recebam qualquer resto de trato, sofram restrição alimentar ou, simplesmente, não tenham uma dieta bem elaborada, com adequados níveis de minerais e vitaminas para atender as exigências crescentes do feto e de seu próprio metabolismo.

Um estudo realizado pela Universidade de Minnesota apontou que o status de zinco, manganês e cobre, medidos pela concentração no fígado, são reduzidos no período de transição. Essa insuficiência predispõem as vacas ao aumento da incidência de enfermidades, como a retenção de placentas, mastites, infecções uterinas e lesões de cascos; reduzindo a fertilidade. Portanto, a suplementação de microminerais deve ser criteriosa durante todo o período.

Os microminerais possuem papel importante na proteção às doenças e na função imunológica deste animal, de uma forma geral. O zinco será fundamental para a integridade de pele/intestino, menor apoptose; para a formação de queratina e a produção de linfócitos, da enzima Superóxido Desmutase e Glutationa. Já o manganês aumentará a habilidade de fagocitose dos macrofagos; esteroidogeneses e a produção de sulfato de Condroitina. O cobre favorecerá a ativação de neutrófilo e a produção de colágeno e da Iysil oxidase. Enquanto, o selênio, o cromo e o iodo equilibrarão, respectivamente, a proteção celular, a sensibilidade insulina e a taxa metabólica.

Segundo o NRC 2001, as exigências de mineral são baseadas no peso corporal, na taxa de crescimento, na gestação, no nível de produção de leite e no coeficiente de absorção da fonte mineral. Mas, também é importante considerar outros pontos de interferência, como o nível de antagonistas na dieta e na água, o nível de suplementação, a fonte de mineral suplementada e o nível de estresse que o animal está exposto.

Zinco inorgânico eleva qualidade

A exigência de zinco durante a lactação é altamente influenciada pela produção de leite. Algumas pesquisas internacionais sobre o assunto apontam que a substituição parcial de fontes inorgânicas por fontes orgânicas tem conseguido melhorar a produtividade e a qualidade do leite.

Um estudo recente, realizado pela Universidade de Iowa com dietas de 75 ppm de zinco, comparou os resultados da substituição parcial da fonte de sulfato de zinco por complexo de zinco aminoácidos. A análise mostrou uma melhora linear na eficiência alimentar e na redução de Contagem de Células Somáticas (CCS) nos tratamentos com 16 e 40 ppm de complexo de zinco aminoácidos. A produção de imunoglobulina G (IGg) no colostro das multíparas também aumentou significativamente.

Toda essa análise de cenário mostra que o ditado popular “é melhor prevenir do que remediar” faz todo o sentido quando falamos sobre o período de parição das vacas. Quem busca maior produtividade e longevidade de seu rebanho leiteiro deve focar na necessidade de prevenir problemas relacionados ao período de transição, mastites, casco e reprodução. Doenças metabólicas e digestivas devem ser minimizadas durante a transição para reduzir os descartes e mortes no início da lactação. Para isso, a receita é uma só: conforto, manejo e nutrição. Estes são pontos chaves para o sucesso das vacas leiteiras.

Invista em suas vacas quando elas estão se recuperando, ou seja, já no período seco, para que estejam prontas para enfrentar a próxima lactação. Os micro elementos são “micros” se avaliados sob a perspectiva da quantidade de participação nas dietas, mas são “macros” quando consideramos sua importância para a saúde do rebanho. 

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

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Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

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Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

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Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
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