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Epagri impulsiona agricultura e pesca familiar catarinense nos últimos quatro anos
Órgão modernizou seus sistemas de gestão, investiu em equipamentos de trabalho, dinamizou sua atuação em políticas públicas e fortaleceu suas ferramentas de comunicação.

Entre 2019 e 2022 as ações de pesquisa e extensão da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) ganharam impulso, aumentando o número de famílias atendidas e de tecnologias geradas. A Epagri também modernizou seus sistemas de gestão, investiu em equipamentos de trabalho, dinamizou sua atuação em políticas públicas e fortaleceu suas ferramentas de comunicação. “A Epagri é uma empresa pública do governo de Santa Catarina que desfruta de credibilidade, respeito e admiração da sociedade, graças ao seu trabalho de 31 anos dedicados à agricultura e pesca familiares”, afirma a presidente da Epagri, Edilene Steinwandter.
O resultado mais visível do sucesso da gestão se reflete na pujança da agricultura e pesca familiares catarinenses. Dados da Epagri/Cepa demonstram que o Valor de Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina cresceu 80% entre 2018 e 2021, saltando de R$ 30,8 bilhões para R$ 55,7 bilhões. “É bom lembrar que tal crescimento se deu apesar de estiagens, pandemia e outros percalços superados no período”, destaca Edilene.
O trabalho de extensão rural e pesqueira desenvolvido pela Epagri objetiva o desenvolvimento e a sustentabilidade dos meios rural e pesqueiro de Santa Catarina, através da difusão de conhecimentos, tecnologias e processos gerados pela Empresa, capacitação das famílias, além da viabilização e acesso às políticas públicas do setor. Para tanto, a Epagri realizou entre 2019 e a segunda quinzena de dezembro de 2022 um total de 1,6 milhão de atendimentos às famílias agricultoras e pescadoras do Estado.
O gerente do Departamento Estadual de Extensão Rural e Pesqueira, Paulo Francisco da Silva, enumera que em 2019 foram atendidas 109.264 famílias. Em 2020, em decorrência da pandemia e da necessidade de isolamento social, as atividades de campo dos extensionistas caíram para 93.216 famílias assistidas. Em 2021 o número de famílias atendidas pela extensão chegou a 107.154. Na segunda quinzena de dezembro 2022, a Epagri já havia atingido sua meta anual de atendimentos de famílias, com um total 113.240 assistidas. Como cada família recebe diversos atendimentos ao ano, o número total de atendimentos no período chega a 1,6 milhão.
Com o atual quadro de funcionários, impactado pela saída de profissionais para aposentadoria, houve a necessidade de realizar ajustes, privilegiando a manutenção dos escritórios da Epagri nos municípios com, pelo menos, um profissional. As estruturas regionais de apoio também foram readequadas, sempre com foco em manter a eficiência do serviço de assistência técnica e extensão rural.
A evolução da Epagri no desenvolvimento das ferramentas digitais de gestão, que permitem acompanhar os projetos, as atividades de campo e monitorar as metas e resultados, contribuiu para a otimização dos recursos humanos alocados na extensão. A maior velocidade das redes de internet facilitou a comunicação e realização de reuniões, capacitações e contatos on-line. “Esses ganhos foram obtidos pela decisão correta da instituição em investir na melhoria de processos, com uso das tecnologias de informação e comunicação”, atesta o gerente.
Segundo o estabelecido no plano de ação do Departamento de Extensão, foram colocadas em prática uma série de normativas internas relacionadas às rotinas da extensão, promovendo alinhamentos técnicos, clareza e transparência nas decisões. “Aliado a isso, foram implementadas ações de acompanhamento sistemático das atividades nas unidades regionais, além de apoio e capacitações em metodologia de extensão, para o aprimoramento dos serviços junto às famílias agricultoras e pescadoras”, relata o gestor.
Parcerias
A formalização e o fortalecimento das parcerias com as prefeituras, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e
Extensão Rural (Anater) foi outra ação importante estabelecida na gestão 2019/22. “As prefeituras são entes fundamentais neste elo entre os produtores rurais e a estrutura de pesquisa e extensão da Epagri. Todos os municípios parceiros têm uma entrega de serviços e produtos em alto nível de qualidade”, afirma Paulo.
Nesse âmbito, o gerente ressalta as parcerias com Anater, Mapa e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), para apoio a trabalhos específicos, como a diversificação das áreas produtoras de tabaco, gestão de cooperativas e apoio a públicos específicos, entre eles indígenas e quilombolas. “Também são destaques ações voltadas ao empreendedorismo e liderança com jovens e mulheres de famílias rurais e pescadoras, através de parcerias institucionais, acordos de cooperação técnica com instituições privadas e do terceiro setor, que possibilitaram estender toda essa forma de trabalho para além das fronteiras da Epagri”, relata o gerente.
Informações na palma da mão
Na área técnica, o Departamento de Extensão investiu na implantação de um novo arranjo de projeto, com linhas de trabalho que fortalecem a integram pesquisadores, extensionistas e produtores em torno de objetivos comuns, buscando otimizar os recursos e o tempo de aprendizado para a entrega das inovações desenvolvidas às comunidades rurais e pesqueiras. “Os projetos integrados permitem a construção de soluções em conjunto entre as partes interessadas”, descreve Paulo.
O gerente lembra ainda a importância da digitalização dos serviços de assistência técnica e extensão rural da Epagri a partir do advento da pandemia e do consequente isolamento social. Naquele momento, a Epagri fortaleceu os canais digitais de que já dispunha, como Epagri Mob e Minha Epagri, e criou um canal de capacitações on-line no YouTube, entre outras providências tomadas, como a entrega de notebooks e celulares corporativos para a equipe.
Políticas públicas
Por fim, o gerente de extensão destaca a importância do alinhamento e ampliação das políticas públicas no período entre 2019 e 2022. “Além de novas linhas construídas e operadas junto com os parceiros, como Secretaria da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural (SAR) e Mapa, a melhoria das ferramentas de gestão e processos, aliada à presença da Epagri em todos os municípios, com estrutura suficiente, meios e metodologia de extensão para o desenvolvimento rural, faz com que o Estado consiga chegar a todas as famílias, para que elas possam acessar as políticas públicas”, define o gestor. “A estrutura da Epagri permite o alinhamento de procedimentos transparentes em toda Santa Catarina, na forma de diagnóstico de necessidades, execução, prestação de contas e nos alcances almejados”, conclui.

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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja
Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.
Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.
Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock
padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.
O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.
Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.
Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens
Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias
A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.
Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.
Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.
Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock
tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.
Efeitos diferentes dentro do Brasil
Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.
Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.
Oferta maior e preços menores
No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.
Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros
Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak
A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.
Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.
Anistia a multas
Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.
O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

Foto: Divulgação
das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.
A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.
Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

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Frete mínimo
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).
A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

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pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.
A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

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A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.
Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.
Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.
Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.
A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.
As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.



