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Notícias Retrospectiva

Epagri encerra 2020 superando metas e se reinventando

Apesar de todas as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19 e o consequente distanciamento social necessário, a Epagri conseguiu metas estabelecidas para 2020, entre elas a de lançamento de novas tecnologias. A extensão precisou se reinventar e alcançou grande sucesso com capacitações on-line. A Empresa também atuou intensamente na minimização dos efeitos da estiagem e no apoio ao enfrentamento da pandemia.

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Reprodução/Internet

“Diante de um ano tão atípico, a Epagri provou seu compromisso com a sociedade, mantendo suas atividades essenciais e encontrando formas de estar perto do seu público”, resume Edilene Steinwandter, presidente da Empresa. Ela lembra que 2020 não foi fácil, em decorrência da diversidade de eventos climáticos extremos que se somaram à pandemia, como granizos e vendavais, além da estiagem. “Mas são nos momentos difíceis que os fortes mostram seu valor e foi o que os catarinenses fizeram neste ano. A Epagri se manteve firme, no seu papel de garantir desenvolvimento sustentável dos meios rural e pesqueiro e, junto com os produtores, manter a segurança alimentar da população”.

Pesquisa bate metas

O corpo de pesquisadores da Epagri desenvolveu e lançou ao longo do ano 21 tecnologias, superando a meta estabelecida pelo governo do Estado, que é 14.

Foram lançados três cultivares: de arroz irrigado, de cebola e de pastagem azevém anual. Também foram entregues à sociedade seis softwares: sistema de interpretação e disponibilização de resultados de monitoramento sanitário de moluscos bivalves; metodologia de cálculo de anomalias do Índice de Vegetação (NDVI do Satélite Modis) utilizando Arcgis 10 e Python 2.7; programa para recomendação de adubação da mandioca (AdubaMANÍ-SC); sistema de preços agropecuários; avaliação do estado nutricional e recomendação de adubação para videiras americanas; e o HidroClimaSC, que fornece Informações climáticas e hidrológicas dos municípios catarinenses.

A Epagri também lançou três equipamentos, um para plantio direto de cebola, um verificador de offset portátil e o sistema automático de monitoramento e controle de temperatura para fermentadores de bebidas alcoólicas. Na área de zoneamento, a Epagri entregou em 2020 a delimitação da região produtora de vinhos de altitude de Santa Catarina para indicação geográfica, e o mapeamento do uso do solo e da paisagem vitícola na região de indicação de procedência dos vinhos de altitude de Santa Catarina.

Entre as tecnologias lançadas também estão seis novas práticas: melhoria produtiva de caívas com a introdução da grama missioneira-gigante; recomendação de manejo para missioneira-gigante SCS315 Catarina Gigante; metodologia para estimativa de produtividade em lavouras de milho, trigo, soja e feijão; corredor elevado Catarina para propriedades leiteiras; seleção e produção de rainhas de abelhas Apis melífera; ração prática para o lambari-do-rabo-amarelo. A linhagem de tilápia GIFT-Epagri SC03 completa a lista de lançamentos da pesquisa da Epagri em 2020.

A Epagri possui uma meta junto ao governo do Estado de executar ao longo do ano 1,3 projetos de pesquisa por pesquisador. A empresa possui 138 pesquisadores em seu quadro e um total de 337 projetos foram executados ano, perfazendo 2,4 projetos por pesquisador, quase o dobro do objetivo estabelecido.

O número de publicações é outro índice que traduz a importância da produção científica de uma instituição de pesquisa. São trabalhos apresentados em eventos ou publicados em periódicos, folders técnicos, capítulos de livros e outras publicações seriadas que apresentam ao meio científico o conhecimento produzido pela pesquisa da Epagri. Até o início de dezembro foram 597 publicações assinada pela Epagri, numa média de 4,3 trabalhos por pesquisador. O número representa mais uma meta batida, que nesse caso é de 2,7 publicações por pesquisador por ano.

Extensão se reinventa

Em 2020 a Epagri atendeu 102.878 famílias rurais e pescadoras catarinenses com serviços de assistência técnica e extensão rural ou pesqueira. Se forem consideradas repetições nos atendimentos, esse número se eleva a 306.159. Entre as entidades (associações, sindicatos etc), foram 2.628 assistidas sem repetição e 12.926 com repetição.

Foram capacitadas 10.334 famílias agricultoras e pescadoras. Em 2020 a Epagri ofertou 1.283 capacitações, entre atividades on-line, dias de campo, reuniões com demonstração de método, oficinas e cursos. Também foram realizadas 1865 reuniões, 125 palestras, 73 encontros, 74 excursões e 20 seminários.

A pandemia e consequente necessidade de isolamento social levou a Epagri a migrar em março para o formato de capacitações on-line. Assim, do total de mais de 10 mil famílias capacitadas, 3.310 se deram no ambiente virtual.

Para enfrentar os novos tempos de isolamento social a Epagri criou o canal Capacitações On-line onde cursos, palestras e eventos são ministrados ao vivo e permanecem disponíveis para o público em geral. Essa ação ampliou muito o alcance das atividades de formação. Até dezembro foram disponibilizados no canal 87 cursos, que alcançaram mais de 171 mil visualizações. O mais visualizado foi o de Boas Práticas na Alimentação Escolar (manhã), que ultrapassou a casa das 31 mil visualizações. O canal conta com mais de 7 mil inscritos.

Infelizmente, o ano foi profícuo em eventos naturais extremos, com registro de estiagem, vendavais e granizo. Nesse contexto, a Epagri realizou 904 perícias e laudos técnicos, a maioria deles (401) em decorrência da estiagem, seguido por vento forte, com 239 documentos.

A Epagri também executa as políticas públicas dos governos federal e estadual para que agricultores familiares e pescadores artesanais possam acessar financiamentos de investimento e custeio na propriedade. São os extensionistas da Epagri que elaboram os projetos que vão embasar os pedidos de financiamento, bem como acompanham a execução do projetado, com aplicação dos recursos.

Esforços contra a estiagem

Os baixos índices de chuva verificados entre junho de 2019 e novembro de 2020 provocaram a pior estiagem que Santa Catarina enfrentou desde 1957. Neste cenário, a Epagri teve forte atuação durante o ano, que vai muito além das 401 perícias e laudos que atestaram as condições das propriedades atingidas.

Para minimizar os efeitos da prolongada falta de chuvas, os extensionistas da Epagri executaram projetos e deram orientação para agricultores acessarem as políticas públicas adequadas. Também foi ainda mais reforçada a disseminação de práticas conservacionistas de água. Coube à pesquisa gerar e difundir informações que apoiaram a tomada de decisão nos setores público e privado.

O Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram) fez o monitoramento constante de níveis de rios e de chuva e identificou em 2020 quatro períodos de crise hídrica que resultaram na emissão de 114 avisos hidrológicos de estiagem. O sistema de monitoramento ambiental da Epagri/Ciram é composto por mais de 300 estações agro-hidrometeorológicas que medem automaticamente variáveis ambientais (temperatura, vento, umidade, etc) em todo o Estado. Esses dados são enviados para um banco digital em Florianópolis, validados e publicados no site da instituição, tudo em tempo quase real e sem a intervenção humana. Em 2020 foram medidos e armazenados cerca de 33 milhões de dados. Destes, mais de 5 milhões são de níveis de chuva e de rio.

Durante a estiagem, o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) realizou o acompanhamento das safras, de modo a identificar as cadeias produtivas mais atingidas pela escassez de água. Tais informações eram periodicamente apresentadas a entes públicos e privados em reuniões, bem como divulgadas para a imprensa. Os encontros, coordenados pela Secretaria da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, contaram com a participação de membros do governo e de entidades representativas dos agricultores, como cooperativas e federações.

Paralelamente, a Epagri reforçou ainda mais a disseminação de práticas conservacionistas de solo e de água, que são fundamentais para ajudar o agricultor a atravessar momentos de estiagem. Entre elas estão o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), a proteção de fonte modelo Caxambu, a captação de água da chuva e o terraceamento.

Luta contra a pandemia

A pandemia da Covid-19, que alterou a realidade mundial em 2020, também teve reflexos na Epagri, como era de se esperar. A equipe agiu de forma rápida e em poucos dias teve início uma mobilização que desencadeou ações em várias frentes, visando atender às demandas mais urgentes. A equipe técnica também foi ágil na adaptação e encontrou novas formas de continuar desenvolvendo e levando conhecimento ao meio rural catarinense.

Assim que crise se instalou, profissionais da Epagri se mobilizaram para fabricação de máscaras distribuídas aos colegas que precisavam continuar trabalhando, além de hospitais, Defesa Civil, asilos e outras instituições. O Centro de Treinamento da Epagri em São Miguel do Oeste destinou 600 litros de cachaça artesanal que tinha em estoque para ser transformada em álcool 70% num alambique da cidade. Em Curitibanos, uma ação conjunta entre Epagri, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), prefeitura e a família de agricultores Girotto, transformou álcool 46% em 70%.

Outros profissionais da Epagri passaram a recolher óleo usado na vizinhança e produzir em suas próprias casas sabão e outras materiais de limpeza. A produção foi distribuída entre indígenas e outros públicos que manifestaram interesse.

Também foi preciso agir rapidamente para que, diante do fechamento de feiras e outras unidades de comercialização, os agricultores encontrassem formas de escoar sua produção. Os extensionistas da Epagri entraram em ação na orientação, criação, organização e divulgação de entregas de alimentos diretamente do produtor na casa dos clientes. O modelo provou-se um sucesso e, na maioria dos casos, persistiu mesmo com o retorno das atividades do comércio.

Com a necessidade de distanciamento social, as atividades da extensão, que são essencialmente coletivas e presenciais, ficaram em risco. A internet foi o caminho mais curto para fazer a mensagem da Epagri ir mais longe e mais rápido. Além de contatos via WhatsApp diretamente entre extensionistas e seus assistidos, as redes sociais começaram a ser usadas para transferir conhecimento e informações aos públicos da Empresa. O passo seguinte foi a criação do canal Capacitações On-line, que encerrou o ano com 87 cursos e 171 mil visualizações.

Outras modalidades de extensão à distância, com as quais a Epagri já contava, passaram a ser mais demandadas. O aplicativo Epagri Mob traz diversas funcionalidades, como os endereços da Empresa, calendário de eventos, tecnologias, além de traçar a rota desde o local onde a pessoa está acessando até a unidade consultada. O sistema Minha Epagri, disponível gratuitamente no site da empresa e no aplicativo, coloca o agricultor, pecuarista, pescador ou maricultor residente em Santa Catarina em contato direto com um técnico do escritório mais próximo e permite que ele acesse seu prontuário na Epagri e laudos.

A Epagri/Ciram também participa do Comitê Gestor de Inteligência de Dados para o enfrentamento da Covid-19, mantendo o serviço de mapas “Vulnerabilidade Social, Redes Agrícolas e a Covid-19 em Santa Catarina” e acompanhando a evolução dos casos no meio rural.

Prêmio e certificação

Em 2020 a Epagri foi vencedora em seis categorias do 27º Prêmio Expressão de Ecologia (2020-2019). A Empresa firmou-se como a maior campeã da história da disputa, somando 22 Troféus Onda Verde, contra 18 da segunda colocada. Também foi a instituição mais vezes premiada nesta edição.

Para levar os seis troféus, a Epagri concorreu com outros 164 projetos inscritos, entre os quais foram selecionados 27 vencedores. Esta é a maior premiação ambiental do país no segmento empresarial com reconhecimento do Ministério do Meio Ambiente e se destaca como a de maior longevidade ininterrupta.

A Epagri foi premiada por seus trabalhos com meliponicultura, energia solar fotovoltaica, visitação em trilhas da Mata Atlântica, educação ambiental com estudantes, tecnologias para produção leiteira e melhoria produtiva de áreas de caíva.

Já no final do ano, a Epagri foi uma das agraciadas na 10ª edição do prêmio de Certificação e Troféu de Responsabilidade Social – Destaque SC. Promovido pelo Parlamento catarinense e entidades parceiras desde 2011, o certame presta reconhecimento às instituições que tenham ações sociais e para preservação do meio ambiente incluídas em suas políticas de gestão.

Excelência em gestão

A Epagri é a instituição pública catarinense pioneira na adoção do Modelo de Excelência em Gestão (MEG-Tr). Trata-se de uma abordagem formada por padrões de referência para a gestão organizacional, visando ao aprimoramento organizacional, ao aperfeiçoamento dos fluxos e práticas, à maximização dos níveis de eficiência e efetividade e ao aumento da capacidade de geração de valor.

Até março os dirigentes da Epagri foram capacitados no modelo. Devido à pandemia, a finalização do primeiro ciclo, que consiste na validação da pontuação por avaliadores externos, precisou se paralisada. Apesar disso, práticas previstas no plano de melhorias, como a implantação do comitê de risco e compliance, elaboração de normas de conduta e integridade, evolução dos painéis gerenciais, entre outras, foram implementadas e estão funcionando normalmente.

Força do agronegócio

Todas as ações da Epagri se traduzem na força do agronegócio catarinense. Mesmo ocupando apenas 1,13% do território nacional, o Estado é líder na produção de maçãs, cebolas, moluscos e suínos. Ocupa ainda a segunda colocação em produção de arroz e se destaca nessa cultura pela alta produtividade. A sustentabilidade também vem se tornando, cada vez mais, uma marca da agropecuária de Santa Catarina. A produção de leite à base de pasto e o Sistema Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), são exemplos de práticas sustentáveis e altamente produtivas que, graças ao trabalho da Epagri, ganham cada vez mais força no meio rural catarinense.

Fonte: Ass. de Imprensa.
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Notícias Vacinação

Febre aftosa: 2ª etapa da campanha de vacinação alcança mais de 98% do rebanho nacional

Cerca de 76 milhões de bovinos e bubalinos com até 2 anos de idade foram imunizados

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Divulgação/MAPA

Durante a segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa de 2020, 98,36% do rebanho brasileiro foram imunizados, o equivalente a 76 milhões de bovinos e bubalinos vacinados com até 2 anos de idade.

Das 22 unidades da Federação que adotam a vacinação, foram contabilizados os dados de 21, faltando apenas a Paraíba, que ainda não enviou o relatório com os dados finais. Em razão da pandemia da Covid-19, o prazo da vacinação e envio da declaração pelo produtor ao órgão de defesa sanitária animal do seu estado foi prorrogado em 13 estados.

“A porcentagem alcançada na etapa é satisfatória, atinge os índices estabelecidos no Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (Pnefa) e mostra o comprometimento do setor em manter o status de área livre com vacinação”, destaca o diretor do Departamento de Saúde Animal, Geraldo Moraes.

Retirada da vacinação

Conforme o Plano Estratégico do Pnefa 2017-2026, o Brasil segue executando as ações para garantir o status de país livre da febre aftosa e ampliar as zonas livres de febre aftosa sem vacinação.

Em 2020, o Mapa reconheceu seis estados brasileiros – Acre, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, regiões do sul do Amazonas e do noroeste do Mato Grosso – como livres de febre aftosa sem vacinação.

O reconhecimento nacional pelo Mapa é um dos passos para alcançar o reconhecimento internacional junto à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). O pleito brasileiro segue em avaliação e a expectativa é a OIE conceder esse reconhecimento para esses estados em maio deste ano.

 Atualmente, no Brasil, apenas Santa Catarina é considerada, internacionalmente, como zona livre de febre aftosa sem vacinação.

Fonte: MAPA
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Notícias Santa Catarina

FAESC analisa medidas de apoio ao setor leiteiro

Resoluções emergenciais concedem crédito para produtores, cooperativas e indústrias

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“Na cadeia leiteira é preciso equilíbrio”. A afirmação é do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), Enori Barbieri, ao analisar as medidas emergenciais anunciadas pelo Governo Federal para conter a crise do setor de lácteos no País.

As Resoluções n°4.890/2021 e 4.896/2021 do Conselho Monetário Nacional (CMN) liberam a concessão de crédito de custeio aos produtores e o financiamento a cooperativas e indústrias para Garantia de Preços ao Produtor (FGPP). As medidas concedem prazo de até dois anos para retenção de matrizes bovinas de leite nas propriedades e limite de até R$ 65 milhões – com taxa de juros de 6% ao ano e prazo de reembolso de até 240 dias – para beneficiamento ou industrialização do produto. Produtores e empresários têm até o dia 30 de junho de 2021 para contratar os recursos.

“São medidas emergenciais importantes para auxiliar os produtores e a indústria na mitigação dos impactos da crise no setor, em função dos elevados custos de produção e queda no preço do leite”, avalia Barbieri ao destacar, no entanto, que as ações não resolvem o problema da cadeia produtiva.

“A queda no consumo no País e a alta nos custos derrubaram entre 15% a 20% do preço do leite ao produtor, que está recebendo em torno de R$ 0,30 a menos por litro. Esses fatores também impedem a indústria de aumentar os preços nas gôndolas e pagar melhor os produtores. As medidas anunciadas dão condições da indústria socorrer os produtores momentaneamente, porém são empréstimos que não resolvem o problema. Nesta cadeia, é preciso equilíbrio”, aponta o dirigente.

Barbieri cita a redução dos custos de produção e o aumento do consumo no País como ações importantes a médio e longo prazos. “É fundamental que o consumidor tenha poder de compra, os produtores consigam cobrir seus custos e a indústria mantenha competitividade”, sublinha.

Fonte: Assessoria
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Notícias Opinião

Agronegócio: a vocação do Brasil pujante

Os dados do Caged mostram claramente onde estão as oportunidades de emprego e desenvolvimento do nosso país: na Indústria e no Agro

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Artigo escrito por Jacyr Costa Filho, membro da diretoria do Grupo Tereos e presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp 

Em 2020, diversos setores econômicos passaram por grandes transformações, algumas muito impactantes, como o encerramento de operações e, consequentemente, fechamento de postos de trabalho, redução de investimentos e outros reflexos que atingiram a engrenagem do país e contribuíram para a sua desaceleração, em um ambiente atípico em função da pandemia de Covid-19. Começamos um novo ano e tivemos notícias preocupantes no âmbito econômico, como o encerramento das operações fabris da Ford e a eliminação de três mil empregos diretos.

Em um país emergente como o Brasil, que tem uma forte industrialização, presença de empresas multinacionais, crescimento do setor terciário, condições medianas de desenvolvimento econômico e humano, o emprego é uma necessidade premente. O fechamento de postos de trabalho é uma questão importante para ser debatida e analisada. Após o anúncio de encerramento da Ford, uma empresa comprou os ativos e comunicou que transformará a antiga fábrica da montadora em empreendimento imobiliário, de comércio e logística. Com isso abrirá 4 mil vagas de trabalho.

Apesar de ser uma ótima notícia, fica a reflexão: as quatro mil oportunidades em comércio e construção civil que serão criadas substituirão os três mil postos ocupados por profissionais especializados em tecnologia e mecânica? Qualquer novo posto de trabalho deve ser celebrado, é claro, pois gera desenvolvimento pessoal e para o País. Entretanto, nesse caso, teremos profissionais capacitados que dificilmente encontrarão novas oportunidades em outros segmentos que demandem o conhecimento acumulado, que não deveria ser perdido. Então, é importante pensarmos: afinal, qual é a vocação do Brasil para crescer e gerar empregos?

Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, o Brasil abriu mais de 142 mil vagas de emprego com carteira assinada em 2020. De acordo com o mesmo levantamento, houve saldo positivo em alguns setores, como a indústria geral, com mais de 95 mil postos, e a agricultura, que envolve pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, ultrapassando 61 mil postos.

Os dados do Caged mostram claramente onde estão as oportunidades de emprego e desenvolvimento do nosso país: na Indústria e no Agro. Os dois setores têm uma forte sinergia entre si, principalmente a agroindústria com as montadoras de veículos e equipamentos agrícolas, peças e insumos. Ambos caminham juntos e fazem parte de uma grande cadeia de valor. Segundo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com base nos dados de 2019 do Ministério da Economia, o país conta com mais de 319 mil estabelecimentos industriais e quase 7 milhões de vínculos empregatícios, sendo mais de 128 mil empresas da agroindústria, que empregam quase três milhões de pessoas.

Na região administrativa de São José do Rio Preto, formada por 96 municípios, são mais de 4 mil estabelecimentos industriais, que empregam quase 92 mil trabalhadores. Destes estabelecimentos, mais de mil são do setor agroindustrial e contam com quase 55 mil postos de trabalho. Mais da metade dos empregados da região estão ligados ao agronegócio.

Para nos destacarmos ainda mais na seara mundial, devemos incentivar o desenvolvimento tecnológico em nossa maior vocação: o setor agroindustrial. Se o Brasil tem oferecido há décadas os principais fatores para uma boa agricultura – terra, sol e água, é na indústria que podemos reduzir a nossa dependência externa de insumos importados e gerar mais empregos e renda. Afinal, o agronegócio já representa 21% do nosso Produto Interno Bruto (PIB), tem uma grande demanda por tecnologia, equipamentos, insumos e ferramentas e tem recebido investimentos por meio de empresas inovadoras que olham o futuro.

Para isso, é fundamental ter uma mão de obra qualificada e especializada. Aqui temos bons exemplos, como a mecanização da colheita da cana-de-açúcar ocorrida nos anos 2000. Na época, o setor sucroenergético capacitou colaboradores para que pudessem operar os equipamentos na colheita. A evolução tecnológica trouxe ganhos relevantes de eficiência e de menor impacto ambiental. Esse é apenas um dos muitos cases de sucesso da cadeia de valor do agronegócio, formada por insumos, implementos, biocombustíveis – uma verdadeira propulsora de empregos.

Outro exemplo de integração entre o agro e a indústria está na sinergia entre os setores sucroenergético e o automobilístico, iniciada com o lançamento do PróÁlcool (Programa Nacional do Álcool), que desenvolveu uma grande e inovadora tecnologia nacional: o uso do etanol como combustível limpo e sustentável e depois, nos anos 2000, com o carro flex fuel. Essa integração foi responsável por constituir uma importante agroindústria no interior do país e desenvolver uma tecnologia automotiva ímpar no mundo, além de inúmeros postos de trabalho. Precisamos nos preparar agora, para crescer ainda mais no futuro. A expectativa é que a indústria de transformação brasileira cresça 2,9% nos próximos 10 anos, em média. No caso da agroindústria, a projeção é de um crescimento de 3,6% em média no período, segundo a Fiesp. Vamos aproveitar a nossa estrutura e continuar girando a roda da nossa economia gerando empregos, renda, tecnologia e desenvolvimento. O principal já sabemos: a vocação do Brasil é a agroindústria, na qual está inserida a agroenergia.

Fonte: Assessoria
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CONBRASUL/ASGAV

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