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Epagri completa 50 anos levando tecnologia do laboratório direto para o campo catarinense

Com dados climáticos em tempo real, agricultura digital e avanço dos bioinsumos, pesquisa pública ajuda produtores a enfrentar clima instável, custos altos e a busca por produção mais sustentável.

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Mudanças climáticas, custos de produção e sustentabilidade ambiental são os maiores desafios da agropecuária - Foto: Jonatas Jumes/Epagri

Em 50 anos de pesquisa, a Epagri levou avanços à eficiência da agropecuária catarinense com inovações que vão de dados climáticos mais precisos a sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. Para o futuro, a empresa aposta na consolidação da agricultura digital e no desenvolvimento de soluções de biotecnologia.

O objetivo é ajudar produtores rurais do estado a enfrentar os maiores desafios da agropecuária na atualidade: mudanças climáticas, custos de produção e sustentabilidade ambiental. O pesquisador Reney Dorow, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Epagri, defende a busca incessante por uma pesquisa conectada com as demandas do mercado.

“O plano estratégico da Epagri se volta para um futuro que exigirá cada vez mais da pesquisa agropecuária a entrega de soluções práticas para o campo. A agropecuária precisa aumentar a produtividade com o menor custo e impacto ambiental possível e a agricultura 4.0 e a biotecnologia são essenciais para alcançar esses resultados”, afirma Reney.

Agricultura digital

A Epagri já disponibiliza uma infinidade de dados que ajudam o produtor rural a tomar decisões com foco em produtividade e custos. Entre as ferramentas digitais disponíveis está o Agroconnect, sistema que reúne informações sobre clima, recursos hídricos, solo e meio ambiente, além de alertas fitossanitários. Os dados são capturados em tempo real a partir de uma rede de mais de 300 estações meteorológicas.

Eventos extremos estão cada vez mais comuns, tornando o monitoramento hídrico e climático em tempo real cada vez mais necessário – Foto: Divulgação/Epagri

A pesquisadora Cristina Pandolfo, gerente do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram), explica que o monitoramento em tempo real permite que produtores ajustem plantios, irrigação e colheitas de acordo com condições climáticas e hídricas. Essas variáveis se tornam ainda mais importantes num cenário de instabilidade climática.

“Recentemente, o agronegócio catarinense teve perdas de R$2,7 bilhões em decorrência de eventos extremos como chuvas fortes, granizo, vendavais e geadas. O impacto dessa instabilidade climática é direto na renda familiar e na segurança alimentar local. Por isso, o acesso à agricultura digital, com informações meteorológicas, se torna ainda mais importante”, destaca Cristina.

Entre os dados disponibilizados pelo Agroconnect está o monitoramento do frio, essencial para o cultivo de frutas de clima temperado, como a maçã. O acúmulo de horas de frio é uma variável importante no manejo de pomares de frutas de clima temperado porque ela define o momento ideal da quebra química da dormência, intervenção necessária para garantir maior produtividade e qualidade da fruta.

Monitoramento do frio

O produtor de maçã Eduardo Scapinelli, de Caçador, utiliza o monitoramento do frio da Epagri desde que iniciou seu pomar, há quase dez anos. “Normalmente, a partir de junho nós já começamos a monitorar os índices de frio com os dados que a Epagri fornece diariamente. A partir do conjunto dessas informações, nós tomamos as decisões das quebras de dormências nas macieiras”, afirma o produtor.

Produtor Eduardo Scapinelli monitora os índices de frio disponibilizados pela Epagri Ciram para saber a hora de quebrar a dormência nas macieiras – Foto: Eduardo Scapinelli

Segundo Eduardo, é uma decisão que requer gestão porque garante maior precisão na dose de químicos aplicados na quebra da dormência, protegendo o pomar e aumentando a produtividade. Além disso, há situações que podem levar à redução de custos. “Se houver mais frio, economizamos com a diminuição da dose da vitamina usada no tratamento, um dos mais caros da macieira”, explica o produtor, que colhe em torno de 120 toneladas de maçã por ano.

Para a gerente Cristina Pandolfo, o principal desafio na digitalização da agricultura catarinense é transformar os dados em informações acessíveis aos produtores. “Estamos aprimorando constantemente as ferramentas digitais para que os dados coletados sejam organizados e apresentados de uma forma que o agricultor possa se apoderar deles para otimizar a gestão da propriedade”.

A agricultura 4.0 já é consolidada em grandes empresas do agronegócio. Os dados alimentam robôs, sensores e drones, entre outras tecnologias que aprimoram o controle, o monitoramento e os sistemas de produção. Entre os benefícios, há redução de desperdício de insumos, reduzindo custos e tornando o negócio mais competitivo e lucrativo. O desafio é disseminar essas tecnologias para médias e pequenas propriedades rurais.

Evolução dos bioinsumos

O futuro da pesquisa agropecuária também passa pela biotecnologia. No Brasil, o mercado de insumos agrícolas de origem biológica cresceu a uma média anual de 22% nos últimos três anos, índice quatro vezes maior do que a média global.  Os dados são da Blink/CropLife Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, 49% dos agricultores brasileiros já utilizam algum tipo de bioinsumo, o maior índice no mundo.

“Os bioinsumos não são o futuro, eles são o presente da agricultura. Se não tivéssemos a inoculação da soja por meio de bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbio), por exemplo, não teríamos viabilidade na produção desta oleaginosa que é a principal cultura no Brasil e também em Santa Catarina”, afirma Leandro Ribeiro, pesquisador do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó. O rizóbio é uma bactéria que capta o nitrogênio da atmosfera e oferece à soja, reduzindo consideravelmente o uso de nitrogênio sintético, muito mais caro e poluente.

Para o pesquisador Leandro do Prado Ribeiro, os bioinsumos já são indispensáveis para a agricultura – Foto: Karin Helena Antunes de Moraes/Epagri

Segundo Leandro Ribeiro, a utilização de bioinsumos atende uma demanda da sociedade por produções mais sustentáveis e com menor nível de resíduo de agrotóxicos. Do ponto de vista agronômico, eles também contribuem com os programas de manejo integrado de pragas e doenças, principalmente para contornar os casos de evolução de resistência e de surtos de pragas, tanto  nativas quanto exóticas, assim como reduzir os níveis de resíduos de agrotóxicos sintéticos em produtos agroalimentares.

Na Epagri, o desenvolvimento tecnológico de bioinsumos ainda é tímido, com grande parte das ações voltadas para a validação de produtos já registrados. Mas há avanços importantes, com grandes potencialidades. Uma pesquisa coordenada por Ribeiro isolou fungos entomopatogênicos nativos de Santa Catarina, constituindo um banco de isolados para avaliar o potencial desses agentes biológicos no manejo de pragas de pastagens.

Após uma série de coletas e de estudos laboratoriais, os pesquisadores constituíram um banco de isolados, obtidos de locais com diferentes tipos de solo e clima de Santa Catarina. “Conseguimos avaliar ou obter isolados multifuncionais, com ação biopesticida, promotora de crescimento e também indutora de resistência. Alguns desses isolados têm despertado o interesse da iniciativa privada. Já temos uma proposta de desenvolvimento conjunto por parte de uma empresa de produção de biológicos do sul do Brasil”, adianta Leandro.

Em relação ao mercado, o pesquisador aponta a legislação como principal desafio. Em dezembro de 2024, a União promulgou o marco regulatório de bioinsumos, mas os decretos reguladores ainda estão em discussão. “Acreditamos que essa questão seja contornada em breve, deixando clara as regras para pesquisa, registro, controle de qualidade, produção on farm (na propriedade) e utilização em escala industrial. Por sua grende biodiversidade, o Brasil tem potencial para conduzir estudos prospectivos de bioinsumos e a geração de produtos comerciais”, avalia Leandro.

Aprovação do produtor

Produtor rural e engenheiro agrônomo, Leonardo Zeni, utiliza bioinsumos desde 2020 na propriedade que administra junto com o pai, em Guatambu, no Oeste catarinense. Entre as culturas, destaque para o milho. “Nós estamos sempre buscando formas de melhorar a produtividade e foi assim que conhecemos os bioinsumos. Fizemos testes com diversos produtos que estavam disponíveis no mercado. Em um pedaço do talhão aplicamos os bioinsumos e no outro não. Na colheita, observamos melhorias na produção e passamos a utilizar em toda a propriedade”, conta Leonardo.

Produtor Leonardo Zeni utiliza bioinsumos há mais de cinco anos em sua propriedade, especialmente no controle de pragas e doenças nas plantações de milho – Foto: Divulgação

Na visão do agricultor, os bioinsumos não substituem os produtos químicos, mas melhoram a performance da estratégia de manejo e, consequentemente, o rendimento da cultura. “Nenhum deles vai resolver tudo sozinho, mas quando associados levam a melhores resultados, ampliando a produtividade”, avalia. Leonardo conta que a consultoria da Epagri foi fundamental para o processo de utilização de bioinsumos ao validá-los para aplicação em larga escala. “Esse trabalho dá mais confiança ao produtor rural em usar uma tecnologia que é um caminho sem volta”, afirma o agricultor.

O presidente da Epagri, Dirceu Leite, reforça que as tecnologias desenvolvidas pela Epagri têm como finalidade melhorar a vida das pessoas e fortalecer a produção sustentável de alimentos, como foi relatado pelos agricultores  Leonardo e Eduardo “A pesquisa pública tem esse papel de olhar para o futuro, antecipar desafios e entregar soluções que muitas vezes não nasceriam apenas da lógica de mercado. Investir em ciência, tecnologia e inovação na Epagri é investir em segurança alimentar, em renda no campo e em um modelo de desenvolvimento mais justo e resiliente para Santa Catarina e para o Brasil”.

Fonte: Assessoria Epagri

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Resolução do CMN reforça direito ao alongamento da dívida rural

Especialistas afirmam que exigência de pedido antes do vencimento não tem previsão no Manual de Crédito Rural e que norma de 2025 impõe dever de análise às instituições financeiras.

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Foto: Jonathan Campos

O alongamento da dívida rural voltou ao centro do debate jurídico após a edição da Conselho Monetário Nacional nº 5.220/2025. A norma alterou o Manual de Crédito Rural e passou a autorizar expressamente a renegociação de operações mesmo quando o pedido é apresentado após o vencimento da parcela, ponto que vinha sendo utilizado por instituições financeiras para negar o benefício.

A controvérsia gira em torno da interpretação do MCR 2-6-4, que trata do alongamento em casos de comprometimento da capacidade de pagamento por fatores adversos, especialmente frustração de safra e eventos climáticos. Bancos passaram a indeferir solicitações sob o argumento de que o produtor deveria ter protocolado o pedido antes do vencimento da operação.

Advogada e mestre em Direito, Charlene de Ávila: “Criar requisito não previsto em lei viola o princípio da legalidade estrita, especialmente quando estamos falando de crédito rural, que é instrumento de política agrícola constitucional” – Foto: Arquivo pessoal

Para a advogada e mestre em Direito, Charlene de Ávila, essa exigência carece de base normativa. “A MCR 2-6-4 não condiciona o alongamento de dívida rural à apresentação do pedido antes do vencimento da operação. Não há prazo decadencial expresso nem menção a pedido prévio obrigatório”, afirma.

Segundo ela, trata-se de criação interpretativa restritiva a um direito subjetivo previsto em política pública. “Criar requisito não previsto em lei viola o princípio da legalidade estrita, especialmente quando estamos falando de crédito rural, que é instrumento de política agrícola constitucional”, sustenta.

Crédito rural não é contrato comum

O debate extrapola o campo contratual. O crédito rural foi institucionalizado pela Lei 4.829/1965 como instrumento de desenvolvimento do setor primário, vinculado ao artigo 187 da Constituição Federal. Diferentemente do crédito comercial, envolve recursos públicos equalizados pelo Tesouro Nacional e finalidades de interesse coletivo, como produção de alimentos e segurança alimentar.

Para o advogado agrarista, especialista em Direito Tributário e em Direito Processual Civil, Néri Perin, aplicar ao crédito rural a lógica estrita do direito privado é equívoco técnico. “O crédito rural não envolve apenas banco e produtor. Há interesse público direto, com recursos subsidiados e finalidade constitucional. Não se pode tratar esse instrumento como simples contrato bancário regido apenas pelo ‘pacta sunt servanda'”, frisa.

Perin ressalta que o princípio segundo o qual o contrato deve ser cumprido nunca foi absoluto. “Se ele já comporta flexibilizações no direito privado, com maior razão deve ser interpretado à luz da função social e da política pública quando falamos de crédito rural”, menciona.

Formalismo x realidade produtiva

Na prática, produtores afetados por geadas, estiagens, doenças ou oscilações abruptas de preços relatam dificuldades para dimensionar prejuízos antes do vencimento das parcelas. A extensão das perdas, muitas vezes, só é conhecida após a colheita ou comercialização. “Exigir pedido prévio é exigir que o produtor preveja o imprevisível. O direito ao alongamento passa a ser uma ficção jurídica se condicionado a uma formalidade que a própria norma não exige”, afirma Charlene.

A advogada argumenta que a negativa automática, baseada exclusivamente na intempestividade, esvazia a finalidade do instituto. “O alongamento nasce da frustração objetiva da safra, não do protocolo. O direito material decorre do fato gerador, a quebra produtiva, e não de um requisito formal inexistente”, pontua.

Impacto da Resolução 5.220/2025

Advogado agrarista, especialista em Direito Tributário e em Direito Processual Civil, Néri Perin: “O crédito rural não envolve apenas banco e produtor. Há interesse público direto, com recursos subsidiados e finalidade constitucional” – Foto: Arquivo pessoal

A Resolução nº 5.220/2025 alterou o MCR ao incluir a possibilidade de renegociação mesmo após o vencimento, desde que observadas as regras do MCR 2-6-7, que disciplina o alongamento por frustração de safra. A mudança afasta a lógica da preclusão automática e impõe às instituições financeiras o dever de analisar o pedido. “Essa norma retira o tema do campo da discricionariedade contratual e o coloca no âmbito do dever regulatório. O banco não pode simplesmente negar por atraso; precisa examinar os pressupostos técnicos da frustração de safra”, explica Néri Perin.

Na avaliação dele, a manutenção de decisões judiciais que validem negativa automática pode gerar tensão com o novo marco regulatório. “Após a edição da resolução, insistir na intempestividade como óbice absoluto pode configurar afronta à própria regulamentação vigente”, salienta.

Segurança jurídica

Especialistas ouvidos apontam que a controvérsia tem reflexos que ultrapassam casos individuais. A restrição indevida ao alongamento pode resultar em execuções judiciais, perda de patrimônio rural e retração produtiva, afetando cadeias agroindustriais e a oferta de alimentos. “O alongamento da dívida rural não é concessão benevolente. É direito previsto em norma de política agrícola, criado justamente para proteger o produtor de eventos alheios à sua vontade”, ressalta Charlene.

Para Perin, o debate exige revisão interpretativa por parte de bancos e do Judiciário. “Estamos falando de instrumento de estabilização da produção agrícola, não de mecanismo punitivo. O foco deve ser a finalidade econômica e social do crédito rural”, enfatiza.

Com a nova redação do MCR, o centro da análise passa a ser a comprovação da frustração produtiva, e não o momento do protocolo. A mudança sinaliza tentativa de reequilibrar a relação entre produtores e instituições financeiras, reafirmando o crédito rural como instrumento de política pública e não de exclusão econômica.

Fonte: O Presente Rural
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Startups ganham protagonismo no Show Rural Coopavel com soluções voltadas ao campo

Batalha de pitches no Espaço Impulso reuniu 25 empresas e destacou tecnologias que transformam desafios do agro em oportunidades de negócio.

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Foto: Divulgação

O último dia do Espaço Impulso no Show Rural terminou como começou: com o agro no centro da conversa. Mas, desta vez, no ritmo acelerado de uma batalha de pitches. E nas apresentações que aconteceram, 25 startups subiram ao palco para defender soluções pensadas a partir de desafios reais do campo, diante de produtores, cooperativas, investidores e representantes de grandes empresas.

Ao longo da semana, o hub de inovação do Itaipu Parquetec, em parceria com a Coopavel, consolidou-se como um espaço estratégico de conexão entre demandas reais do campo e soluções aplicáveis no agronegócio. O encerramento, com a disputa de pitches, reforçou esse propósito ao evidenciar o caminho da inovação na prática: identificar desafios, estruturar propostas, validar soluções e transformá-las em oportunidade concretas de negócio.

Dados que impactam diretamente a rentabilidade 

Quando o nome da startup STAC foi anunciado como vencedora da batalha de pitches, o reconhecimento veio comprovado por uma solução que já possui 760 equipamentos em campo e mais de 146 milhões de dados coletados. A empresa conquistou o 1º lugar ao apresentar as sondas AVESTEC, tecnologia validada em aviários de diferentes regiões do Brasil.

Com as sondas instaladas, esses dados deixam de ser percebidos apenas “no olhar” e passam a aparecer, em tempo real, na tela: temperatura, umidade, níveis de CO₂, consumo de ração e água, além do peso do lote. O efeito aparece na rotina e, depois, no fechamento das contas: menos perdas, mais previsibilidade e melhor resultado financeiro.

Nas palavras do CEO e cofundador da Stac, Mahuan Abdala, a premiação reflete a trajetória construída pela empresa no setor. “Esse reconhecimento representa todo o caminho que percorremos e a seriedade do nosso trabalho ao longo dos anos, desenvolvendo soluções específicas para o mercado avícola. A parceria com o Itaipu Parquetec e o Espaço Impulso fortalece esse movimento de levar inovação com aplicação real ao campo, tanto no cenário nacional quanto internacional”, destacou, emocionado com a conquista do primeiro lugar.

Conectividade que muda a rotina no campo 

A AgroMobility by Venko, resultado da recente fusão entre a Venko Networks e a AgroMobility, já mostrou a que veio ao unificar a expertise em redes privativas 4G e 5G, Wi-Fi e conectividade via satélite à experiência prática de atuação em áreas rurais. Na rotina do produtor, isso significa permitir que máquinas “conversem” entre si para monitorar operações, automatizar processos e aplicar agricultura de precisão, com maior controle sobre insumos, uso de água e desempenho produtivo.

A solução garantiu à startup o 2º lugar na batalha de pitches. Para o founder Leonardo Slaviero, o reconhecimento reforça a consistência do trabalho desenvolvido. “Esse prêmio mostra que estamos no caminho certo ao enfrentar um dos principais desafios do agro, que é a conectividade. O valor recebido será reinvestido no crescimento da solução e na evolução do nosso portfólio. A troca com produtores e empresas durante o Espaço Impulso fortaleceu nossa atuação e, com certeza, abrirá portas para novos projetos”, finalizou.

Espaço para quem está começando e para quem quer escalar 

Quando chegou a vez do CEO da Aqui9, Maicon Brande, apresentar a proposta da startup, ele levou ao palco uma solução pensada para dialogar diretamente com as demandas do campo e conquistou o 3º lugar no pódio. Para Maicon, o resultado sintetiza o que o ambiente proporciona a quem desenvolve soluções para o agro.

“Essa premiação representa oportunidade. Ao longo do evento, conversamos com cooperativas, empresas e diferentes players do setor, ampliando as possibilidades de parceria e evolução das nossas soluções. Também é um reconhecimento de mercado, que mostra que o que estamos desenvolvendo tem relevância e aderência real às necessidades do agro”, afirmou.

Ao longo da programação, as startups circularam pelo espaço em uma dinâmica que vai além da apresentação no palco. Em muitos casos, é ali que um pitch pode se transformar em projeto-piloto, o primeiro passo para escalar soluções que nascem pequenas, mas miram grande impacto no campo.

A trajetória da Zeit se transformou em um exemplo dessa premissa. A startup ampliou sua atuação ao conectar tecnologia e eficiência operacional no agro, ampliando mercado e parcerias estratégicas após passar por ambientes de inovação como o Impulso.

O mesmo movimento pode ser observado em grandes empresas que buscam soluções mais ágeis por meio de startups. Casos de conexão com corporações como a Cargill, Baldan, Sansuy e Embio, entre outros grandes players do setor, demonstram que o setor tradicional está aberto e atento às tecnologias que trazem ganho real de produtividade, eficiência e inovação.

Com o encerramento do Show Rural, a programação do Impulso segue ao longo do ano, mantendo a agenda de eventos. O próximo encontro já está marcado para o mês de março, com o CooperElas, evento voltado às mulheres que integram a Coopavel. Na sequência, estão previstas atividades setoriais para discutir temas como bovinocultura, suinocultura, editais de inovação aberta e outras pautas prioritárias para o desenvolvimento do setor.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Cota da China pode retirar carne brasileira do mercado em menos de seis meses

Diferença entre volumes já embarcados e limite autorizado cria desequilíbrio de quase 50% e pressiona diplomacia por ajuste técnico nas regras.

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Foto: Shutterstock

A salvaguarda adotada pela China para proteger sua produção local é, sem dúvida, uma medida legítima e até exemplar. Trata-se de uma decisão soberana que demonstra o zelo com o produtor interno, algo que também deveríamos praticar com igual rigor. O ponto que exige atenção, contudo, não é a existência da salvaguarda em si, mas as condições e adaptações necessárias à sua implementação.

No caso específico da carne vermelha brasileira, é indispensável considerar a dinâmica própria desse comércio. A relação entre produção, embarque e entrega opera em ritmo acelerado e com contratos previamente estabelecidos. O ciclo médio entre a produção e a chegada do produto ao destino gira em torno de 75 dias, o que significa que qualquer alteração abrupta nas regras impacta volumes já comprometidos e em trânsito.

Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).

À época da implementação da medida, o volume comercializado era da ordem de 170 mil toneladas por mês, o que representa aproximadamente 7.700 toneladas por dia. Projetado para o período de 75 dias, isso resulta em cerca de 500 mil toneladas em trânsito, desconsiderando inclusive eventuais interrupções por feriados. Diante da cota atual, a diferença alcança quase 50% do total pretendido, criando um descompasso evidente entre oferta e limite autorizado.

Esse cenário pode levar, em menos de seis meses, à ausência do produto brasileiro no mercado chinês. Por isso, a solicitação do Brasil para que sejam consideradas na cota de 2026 apenas as cargas efetivamente embarcadas neste ano não é um pleito meramente setorial, mas uma medida vital para a sobrevivência do setor produtivo brasileiro e para o equilíbrio do abastecimento, sem prejuízo ao produtor chinês, justamente o objetivo central da salvaguarda.

Os números são claros. Em 30 de dezembro de 2025 havia cerca de 350 mil toneladas entre portos chineses e cargas em trânsito. Somam-se a isso 120 mil toneladas exportadas em janeiro e uma previsão de 100 mil toneladas para fevereiro. Ao final desse período, o total entregue poderá alcançar 570 mil toneladas. Restariam, então, para os dez meses seguintes de 2026, apenas 530 mil toneladas, o equivalente a 53 mil toneladas por mês, frente às 170 mil entregues em dezembro.

Não se trata de uma análise teórica ou de projeções especulativas, mas da leitura objetiva de números que já sinalizam risco de desabastecimento no mercado chinês e grave impacto sobre a cadeia produtiva brasileira. É imprescindível que a diplomacia brasileira leve à mesa das relações bilaterais essa realidade concreta, demonstrando que ajustes técnicos são necessários para preservar a previsibilidade e a estabilidade do comércio.

A China é, indiscutivelmente, nossa grande e leal parceira comercial. O que se impõe agora é a capacidade de expor, com dados e serenidade, as preocupações legítimas de um setor estratégico para ambas as economias.

Fonte: Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).
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