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Epagri completa 50 anos levando tecnologia do laboratório direto para o campo catarinense

Com dados climáticos em tempo real, agricultura digital e avanço dos bioinsumos, pesquisa pública ajuda produtores a enfrentar clima instável, custos altos e a busca por produção mais sustentável.

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Mudanças climáticas, custos de produção e sustentabilidade ambiental são os maiores desafios da agropecuária - Foto: Jonatas Jumes/Epagri

Em 50 anos de pesquisa, a Epagri levou avanços à eficiência da agropecuária catarinense com inovações que vão de dados climáticos mais precisos a sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. Para o futuro, a empresa aposta na consolidação da agricultura digital e no desenvolvimento de soluções de biotecnologia.

O objetivo é ajudar produtores rurais do estado a enfrentar os maiores desafios da agropecuária na atualidade: mudanças climáticas, custos de produção e sustentabilidade ambiental. O pesquisador Reney Dorow, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Epagri, defende a busca incessante por uma pesquisa conectada com as demandas do mercado.

“O plano estratégico da Epagri se volta para um futuro que exigirá cada vez mais da pesquisa agropecuária a entrega de soluções práticas para o campo. A agropecuária precisa aumentar a produtividade com o menor custo e impacto ambiental possível e a agricultura 4.0 e a biotecnologia são essenciais para alcançar esses resultados”, afirma Reney.

Agricultura digital

A Epagri já disponibiliza uma infinidade de dados que ajudam o produtor rural a tomar decisões com foco em produtividade e custos. Entre as ferramentas digitais disponíveis está o Agroconnect, sistema que reúne informações sobre clima, recursos hídricos, solo e meio ambiente, além de alertas fitossanitários. Os dados são capturados em tempo real a partir de uma rede de mais de 300 estações meteorológicas.

Eventos extremos estão cada vez mais comuns, tornando o monitoramento hídrico e climático em tempo real cada vez mais necessário – Foto: Divulgação/Epagri

A pesquisadora Cristina Pandolfo, gerente do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram), explica que o monitoramento em tempo real permite que produtores ajustem plantios, irrigação e colheitas de acordo com condições climáticas e hídricas. Essas variáveis se tornam ainda mais importantes num cenário de instabilidade climática.

“Recentemente, o agronegócio catarinense teve perdas de R$2,7 bilhões em decorrência de eventos extremos como chuvas fortes, granizo, vendavais e geadas. O impacto dessa instabilidade climática é direto na renda familiar e na segurança alimentar local. Por isso, o acesso à agricultura digital, com informações meteorológicas, se torna ainda mais importante”, destaca Cristina.

Entre os dados disponibilizados pelo Agroconnect está o monitoramento do frio, essencial para o cultivo de frutas de clima temperado, como a maçã. O acúmulo de horas de frio é uma variável importante no manejo de pomares de frutas de clima temperado porque ela define o momento ideal da quebra química da dormência, intervenção necessária para garantir maior produtividade e qualidade da fruta.

Monitoramento do frio

O produtor de maçã Eduardo Scapinelli, de Caçador, utiliza o monitoramento do frio da Epagri desde que iniciou seu pomar, há quase dez anos. “Normalmente, a partir de junho nós já começamos a monitorar os índices de frio com os dados que a Epagri fornece diariamente. A partir do conjunto dessas informações, nós tomamos as decisões das quebras de dormências nas macieiras”, afirma o produtor.

Produtor Eduardo Scapinelli monitora os índices de frio disponibilizados pela Epagri Ciram para saber a hora de quebrar a dormência nas macieiras – Foto: Eduardo Scapinelli

Segundo Eduardo, é uma decisão que requer gestão porque garante maior precisão na dose de químicos aplicados na quebra da dormência, protegendo o pomar e aumentando a produtividade. Além disso, há situações que podem levar à redução de custos. “Se houver mais frio, economizamos com a diminuição da dose da vitamina usada no tratamento, um dos mais caros da macieira”, explica o produtor, que colhe em torno de 120 toneladas de maçã por ano.

Para a gerente Cristina Pandolfo, o principal desafio na digitalização da agricultura catarinense é transformar os dados em informações acessíveis aos produtores. “Estamos aprimorando constantemente as ferramentas digitais para que os dados coletados sejam organizados e apresentados de uma forma que o agricultor possa se apoderar deles para otimizar a gestão da propriedade”.

A agricultura 4.0 já é consolidada em grandes empresas do agronegócio. Os dados alimentam robôs, sensores e drones, entre outras tecnologias que aprimoram o controle, o monitoramento e os sistemas de produção. Entre os benefícios, há redução de desperdício de insumos, reduzindo custos e tornando o negócio mais competitivo e lucrativo. O desafio é disseminar essas tecnologias para médias e pequenas propriedades rurais.

Evolução dos bioinsumos

O futuro da pesquisa agropecuária também passa pela biotecnologia. No Brasil, o mercado de insumos agrícolas de origem biológica cresceu a uma média anual de 22% nos últimos três anos, índice quatro vezes maior do que a média global.  Os dados são da Blink/CropLife Brasil. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, 49% dos agricultores brasileiros já utilizam algum tipo de bioinsumo, o maior índice no mundo.

“Os bioinsumos não são o futuro, eles são o presente da agricultura. Se não tivéssemos a inoculação da soja por meio de bactérias fixadoras de nitrogênio (rizóbio), por exemplo, não teríamos viabilidade na produção desta oleaginosa que é a principal cultura no Brasil e também em Santa Catarina”, afirma Leandro Ribeiro, pesquisador do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó. O rizóbio é uma bactéria que capta o nitrogênio da atmosfera e oferece à soja, reduzindo consideravelmente o uso de nitrogênio sintético, muito mais caro e poluente.

Para o pesquisador Leandro do Prado Ribeiro, os bioinsumos já são indispensáveis para a agricultura – Foto: Karin Helena Antunes de Moraes/Epagri

Segundo Leandro Ribeiro, a utilização de bioinsumos atende uma demanda da sociedade por produções mais sustentáveis e com menor nível de resíduo de agrotóxicos. Do ponto de vista agronômico, eles também contribuem com os programas de manejo integrado de pragas e doenças, principalmente para contornar os casos de evolução de resistência e de surtos de pragas, tanto  nativas quanto exóticas, assim como reduzir os níveis de resíduos de agrotóxicos sintéticos em produtos agroalimentares.

Na Epagri, o desenvolvimento tecnológico de bioinsumos ainda é tímido, com grande parte das ações voltadas para a validação de produtos já registrados. Mas há avanços importantes, com grandes potencialidades. Uma pesquisa coordenada por Ribeiro isolou fungos entomopatogênicos nativos de Santa Catarina, constituindo um banco de isolados para avaliar o potencial desses agentes biológicos no manejo de pragas de pastagens.

Após uma série de coletas e de estudos laboratoriais, os pesquisadores constituíram um banco de isolados, obtidos de locais com diferentes tipos de solo e clima de Santa Catarina. “Conseguimos avaliar ou obter isolados multifuncionais, com ação biopesticida, promotora de crescimento e também indutora de resistência. Alguns desses isolados têm despertado o interesse da iniciativa privada. Já temos uma proposta de desenvolvimento conjunto por parte de uma empresa de produção de biológicos do sul do Brasil”, adianta Leandro.

Em relação ao mercado, o pesquisador aponta a legislação como principal desafio. Em dezembro de 2024, a União promulgou o marco regulatório de bioinsumos, mas os decretos reguladores ainda estão em discussão. “Acreditamos que essa questão seja contornada em breve, deixando clara as regras para pesquisa, registro, controle de qualidade, produção on farm (na propriedade) e utilização em escala industrial. Por sua grende biodiversidade, o Brasil tem potencial para conduzir estudos prospectivos de bioinsumos e a geração de produtos comerciais”, avalia Leandro.

Aprovação do produtor

Produtor rural e engenheiro agrônomo, Leonardo Zeni, utiliza bioinsumos desde 2020 na propriedade que administra junto com o pai, em Guatambu, no Oeste catarinense. Entre as culturas, destaque para o milho. “Nós estamos sempre buscando formas de melhorar a produtividade e foi assim que conhecemos os bioinsumos. Fizemos testes com diversos produtos que estavam disponíveis no mercado. Em um pedaço do talhão aplicamos os bioinsumos e no outro não. Na colheita, observamos melhorias na produção e passamos a utilizar em toda a propriedade”, conta Leonardo.

Produtor Leonardo Zeni utiliza bioinsumos há mais de cinco anos em sua propriedade, especialmente no controle de pragas e doenças nas plantações de milho – Foto: Divulgação

Na visão do agricultor, os bioinsumos não substituem os produtos químicos, mas melhoram a performance da estratégia de manejo e, consequentemente, o rendimento da cultura. “Nenhum deles vai resolver tudo sozinho, mas quando associados levam a melhores resultados, ampliando a produtividade”, avalia. Leonardo conta que a consultoria da Epagri foi fundamental para o processo de utilização de bioinsumos ao validá-los para aplicação em larga escala. “Esse trabalho dá mais confiança ao produtor rural em usar uma tecnologia que é um caminho sem volta”, afirma o agricultor.

O presidente da Epagri, Dirceu Leite, reforça que as tecnologias desenvolvidas pela Epagri têm como finalidade melhorar a vida das pessoas e fortalecer a produção sustentável de alimentos, como foi relatado pelos agricultores  Leonardo e Eduardo “A pesquisa pública tem esse papel de olhar para o futuro, antecipar desafios e entregar soluções que muitas vezes não nasceriam apenas da lógica de mercado. Investir em ciência, tecnologia e inovação na Epagri é investir em segurança alimentar, em renda no campo e em um modelo de desenvolvimento mais justo e resiliente para Santa Catarina e para o Brasil”.

Fonte: Assessoria Epagri

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Logística reversa do agro destina 76 mil toneladas de embalagens para reciclagem

Com alta de 11% na destinação de embalagens em 2025, Sistema Campo Limpo amplia operações, investe em capacitação e fortalece a economia circular no agronegócio.

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O crescimento do agronegócio brasileiro tem ampliado a demanda por profissionais em áreas que vão além da produção dentro da porteira. À medida que a sustentabilidade e a economia circular ganham espaço nas estratégias do setor, aumenta a necessidade de mão de obra qualificada para atuar em logística reversa, gestão ambiental, inovação e operações.

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Esse movimento pode ser observado no Sistema Campo Limpo, responsável pela logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas. Em 2025, o programa registrou um crescimento de 11% no volume de embalagens destinadas ambientalmente de forma correta, alcançando quase 76 mil toneladas.

A expansão das operações acompanhou esse avanço. Ao longo do ano, o Sistema incorporou quatro novas centrais de recebimento, instaladas no Pará, Maranhão e Rondônia, além de nove novos postos de atendimento aos agricultores. Com isso, ampliou sua atuação em regiões de forte expansão agrícola e reforçou a demanda por profissionais para atividades ligadas à operação, logística e gestão das unidades, contribuindo também para a geração de empregos e a movimentação da economia local.

Esse crescimento se refletiu no quadro de pessoal do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias

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(inpEV), entidade que representa a indústria fabricante dentro do Sistema Campo Limpo. Em 2025, o número de colaboradores aumentou 9%, chegando a 524 profissionais distribuídos pelo país.

Segundo a gerente de Recursos Humanos do inpEV, Silvana Carvalho, a expansão da operação exige equipes cada vez mais qualificadas. “À medida que o Sistema Campo Limpo cresce, também aumenta a necessidade de profissionais preparados para atuar em uma operação cada vez mais complexa e tecnológica. Por isso, investimos continuamente em capacitação e desenvolvimento, criando condições para que nossas equipes ampliem suas competências e acompanhem a evolução da logística reversa no país”, afirma.

Para atender a essa demanda, o instituto também vem ampliando investimentos em desenvolvimento profissional e fortalecimento da estrutura operacional. “O crescimento da logística reversa acompanha a evolução do agronegócio brasileiro e exige profissionais cada vez mais preparados para operar um sistema que combina eficiência, sustentabilidade e inovação. Por isso, investimos continuamente no desenvolvimento das nossas equipes e na

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ampliação da capacidade operacional em regiões estratégicas para o setor”, destaca o diretor-presidente do inpEV, Marcelo Okamura.

Capacitação e inovação impulsionam a operação

Mais do que ampliar o quadro de funcionários, o inpEV tem investido na formação das equipes para atender às demandas de uma operação cada vez mais tecnológica. Em 2025, foram destinadas mais de 41 mil horas à capacitação profissional, volume 50% superior ao registrado no ano anterior. Os treinamentos priorizaram temas como liderança, inovação, gestão de projetos e melhoria contínua. Na média, cada colaborador recebeu 79,6 horas de capacitação, alta de quase 40% em relação a 2024.

Segundo a gerente de Recursos Humanos do inpEV, Silvana Carvalho, a qualificação acompanha a evolução da

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logística reversa no país. “À medida que o Sistema Campo Limpo cresce, também aumenta a necessidade de profissionais preparados para atuar em uma operação cada vez mais complexa e tecnológica. Por isso, investimos continuamente em capacitação e desenvolvimento, criando condições para que nossas equipes ampliem suas competências e acompanhem a evolução da logística reversa no país”, salienta.

Entre as iniciativas implantadas está o Programa INOVE, desenvolvido em parceria com o Senai para incentivar os colaboradores a propor soluções para os desafios da operação. Na primeira edição, o programa reuniu mais de 100 profissionais e recebeu 66 propostas voltadas à melhoria de processos. “A gestão do Programa INOVE parte do princípio de que as melhores soluções também podem nascer dentro da própria operação. Nosso objetivo é criar um ambiente em que os colaboradores se sintam estimulados a compartilhar ideias, desenvolver propostas e participar ativamente da melhoria dos processos do Sistema Campo Limpo”, ressalta Micheli Statuti, gerente de Processos Operacionais do inpEV.

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Para o diretor-presidente do instituto, Marcelo Okamura, fortalecer a cultura de inovação também significa valorizar o conhecimento de quem atua diariamente nas unidades. “A inovação não acontece apenas por meio de tecnologia e equipamentos. Ela também nasce das pessoas que vivenciam os desafios da operação diariamente. O Programa INOVE foi criado justamente para estimular esse protagonismo e transformar boas ideias em ganhos concretos para o Sistema Campo Limpo”, destaca.

Expansão gera empregos nas regiões agrícolas

Os efeitos da expansão do Sistema Campo Limpo também chegam às economias locais. Em 2025, as empresas parceiras responsáveis pela destinação final das embalagens mantiveram mais de 2.100 empregos diretos, reforçando o papel da logística reversa como atividade geradora de renda, oportunidades e desenvolvimento regional. “Cada nova unidade representa mais capacidade para atender os agricultores, mas também significa oportunidades de trabalho, movimentação econômica e fortalecimento das comunidades onde estamos presentes. O crescimento do Sistema Campo Limpo gera impactos que vão além da agenda ambiental”, afirma Okamura.

Presente em 25 estados e no Distrito Federal, o Sistema Campo Limpo reúne 411 unidades de recebimento e é

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considerado uma das maiores estruturas de logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas do mundo. Desde o início das operações, em 2002, já destinou ambientalmente de forma correta mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias e sobras pós-consumo, consolidando o Brasil como referência internacional nesse modelo de gestão.

inpEV
O inpEV é a entidade gestora do Sistema Campo Limpo e representa a indústria fabricante de defensivos agrícolas na coordenação da logística reversa no setor. Com mais de 20 anos de atuação, o inpEV atua como articulador entre os diferentes elos do sistema: indústria, canais de distribuição, agricultores, recicladoras e poder público, garantindo que a logística reversa das embalagens vazias funcione com eficiência, segurança e responsabilidade.

Instituição sem fins lucrativos, reúne mais de 195 fabricantes e entidades representativas, promovendo a integração das boas práticas, conscientização e educação ambiental, inovação e evolução tecnológica.

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O inpEV tem como propósito transformar a logística reversa em valor para toda a cadeia, contribuindo para a reputação do setor e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Sobre o Sistema Campo Limpo
O Sistema Campo Limpo é uma referência mundial em logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Desde o início de sua operação, em 2002, o Sistema já destinou de forma ambientalmente correta mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias e sobras pós-consumo em todo o Brasil.

A operação é baseada no princípio da responsabilidade compartilhada entre os elos da cadeia produtiva: indústria, canais de distribuição e agricultores, com o suporte e fiscalização do poder público.

Presente em todo o país, o Sistema conta com 411 unidades de recebimento, mais de 256 associações de revendas e cooperativas, e ações como os Recebimentos Itinerantes, que ampliam o alcance junto aos pequenos produtores. No total, mais de dois milhões de propriedades rurais são impactadas.

Com o propósito de construir um destino melhor, o Sistema Campo Limpo mobiliza o setor agro para ações sustentáveis, eficientes e de impacto social e ambiental compartilhado.

Fonte: Assessoria inpEV
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Renegociação de dívidas do agro exige cautela, diz especialista

Medida provisória permite alongar débitos de produtores, cooperativas e CPRs, mas pode ampliar o endividamento nos próximos anos.

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Medida Provisória nº 1.376/2026 abre caminho para a renegociação de dívidas de produtores rurais, cooperativas e operações de crédito ligadas ao agronegócio, em uma tentativa de aliviar a pressão financeira enfrentada pelo setor. Apesar de considerar a iniciativa necessária, o advogado André Aidar, doutor em Agronegócio e especialista em Direito Empresarial e Análise Econômica do Direito, alerta que a medida pode apenas adiar o problema se não vier acompanhada de mudanças na política de financiamento rural.

Advogado André Aidar, doutor em Agronegócio e especialista em Direito Empresarial e Análise Econômica do Direito: “O risco é criar um efeito de bola de neve. Os produtores renegociam as dívidas agora, mas precisarão contratar novos financiamentos para custear as próximas safras, aumentando ainda mais o passivo” – Foto: Divulgação

Segundo Aidar, o agronegócio brasileiro atravessa um dos momentos de maior endividamento da história recente, resultado da combinação de perdas climáticas, aumento dos custos de produção, juros elevados e oscilações de mercado. “O risco é criar um efeito de bola de neve. Os produtores renegociam as dívidas agora, mas precisarão contratar novos financiamentos para custear as próximas safras, aumentando ainda mais o passivo”, afirma.

Na avaliação do especialista, os pequenos e médios produtores são os mais vulneráveis, pois dependem do crédito rural para financiar praticamente todo o ciclo produtivo e, em geral, não possuem fluxo de caixa suficiente para absorver sucessivas safras com rentabilidade comprometida.

Pelas regras da medida provisória, poderão solicitar a renegociação produtores que

Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

comprovarem perdas de pelo menos 30% em duas safras entre 2019 e 2025. Nesses casos, o prazo de pagamento poderá chegar a oito anos, com dois anos de carência para amortização do principal.

Para propriedades que registraram perdas superiores a 40% em três safras, o prazo de renegociação poderá ser estendido para até dez anos, também com dois anos de carência.

As taxas de juros variam conforme o enquadramento do produtor. Beneficiários do Pronaf pagarão entre 5% e 6% ao ano. No Pronamp, as taxas ficam entre 8% e 9%. Para os demais produtores, os juros variam de 11% a 12% ao ano.

A comprovação das perdas deverá ser feita por meio de laudos técnicos. A medida não contempla operações já renegociadas por programas emergenciais anteriores nem débitos inscritos na Dívida Ativa da União.

Cooperativas e CPRs entram na renegociação

Um dos principais avanços da MP, segundo Aidar, é a inclusão de operações que tradicionalmente ficaram fora de programas anteriores de renegociação. Entre elas estão as dívidas de cooperativas e as Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira contratadas junto às instituições financeiras. “A Cédula de Produto Rural é hoje um dos principais instrumentos de financiamento do agronegócio brasileiro. Ao incluir as CPRs financeiras, a medida amplia significativamente o universo de produtores que poderão renegociar suas operações”, explica.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Para o especialista, a inclusão das cooperativas também tem impacto direto sobre pequenos agricultores e pecuaristas, que utilizam essas organizações como principal canal de financiamento, aquisição de insumos e comercialização da produção.

Aprovação depende dos bancos

Embora as regras da medida provisória sejam nacionais, a efetivação da renegociação dependerá da análise de cada instituição financeira. “As regras do crédito rural são padronizadas e se aplicam igualmente aos bancos. No entanto, a aprovação da renegociação continua sujeita à política de crédito e à avaliação de risco de cada instituição”, afirma Aidar.

Os produtores que não atenderem aos critérios estabelecidos pela MP ainda poderão recorrer a outros mecanismos

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

de renegociação previstos no Manual de Crédito Rural, negociando diretamente com os agentes financeiros.

Medida não resolve problemas estruturais

Para Aidar, a MP atende a uma situação emergencial, mas não elimina as fragilidades do sistema de financiamento do agronegócio brasileiro. “Não podemos ficar socorrendo produtores rurais sempre que ocorre uma crise sem enfrentar os problemas estruturais do crédito rural”, ressalta.

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Na avaliação do especialista, o Plano Safra continua insuficiente, especialmente para agricultores familiares, pequenos e médios produtores. Entre as medidas que considera necessárias para reduzir novos ciclos de endividamento estão a ampliação do seguro rural, o fortalecimento da gestão financeira das propriedades e a criação de mecanismos que ampliem as garantias de crédito.

O prazo para adesão às linhas de renegociação previstas na MP termina em 12 de novembro. A orientação é que os produtores reúnam a documentação necessária, providenciem os laudos técnicos exigidos e busquem assessoria jurídica e financeira antes de formalizar o pedido, avaliando se as condições oferecidas são compatíveis com sua capacidade de pagamento.

Fonte: O Presente Rural com Lara Martins Advogados
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Setor produtivo do Paraná pede exclusão de novos tributos do ICMS na Reforma Tributária

Medida colocaria o Estado como o primeiro do país a evitar a duplicidade de cobrança, além de garantir segurança jurídica e atrair novos investimentos.

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O setor agropecuário paranaense entrou nas discussões sobre os impactos da Reforma Tributária e defende mudanças na forma de cálculo do ICMS durante a transição para o novo modelo. O Sistema Faep e outras entidades que integram o G7 Paraná entregaram, na última quarta-feira (22), ao procurador-geral do Estado, Luciano Borges, um documento com argumentos técnicos e jurídicos para apoiar o Projeto de Lei (PL) 523/2026, que prevê a exclusão dos novos tributos federais, Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Imposto Seletivo (IS),  da base de cálculo do imposto estadual.

Foto: Divulgação/Faep

A proposta em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), de autoria do deputado estadual Fábio Oliveira, é defendida pelo Sistema Faep como uma forma de evitar aumento da carga tributária sobre cadeias produtivas que envolvem produtores rurais, cooperativas agropecuárias e empresas de processamento de alimentos.

Segundo as entidades, a inclusão dos novos tributos federais na composição do ICMS poderia gerar uma cobrança sobre outros impostos, elevando custos e reduzindo a competitividade das atividades econômicas do Estado. “Queremos adequar a legislação estadual às mudanças promovidas pela Reforma Tributária e impedir a incidência de imposto sobre imposto, situação que poderia elevar os preços ao consumidor, gerar insegurança jurídica e estimular disputas judiciais”, afirma o coordenador do G7 Paraná e presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Impacto sobre cadeias agroindustriais

Embora a discussão envolva toda a economia paranaense, o setor agropecuário acompanha o tema devido ao peso das cooperativas e agroindústrias na estrutura produtiva do Estado. O Paraná possui cadeias integradas de produção de grãos, carnes, leite, açúcar, café e alimentos processados, nas quais alterações tributárias podem afetar custos de produção, logística e comercialização.

Foto: Divulgação

Para o Sistema Faep, a adequação da legislação estadual é necessária para garantir previsibilidade durante a implementação do novo sistema tributário. A entidade argumenta que a medida não representa redução de impostos ou benefício fiscal, mas apenas uma adequação da base de cálculo do ICMS às mudanças previstas pela Reforma Tributária. “O documento comprova a ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão de CBS, IBS e IS na base de cálculo do ICMS. Reforçamos, por meio de argumentos técnicos e jurídicos, que a aprovação do PL 523/2026 garante segurança jurídica para empresas e consumidores e evita o aumento artificial de preços e uma onda de litígios no Judiciário”, afirma Meneguette.

O G7 Paraná reúne, além do Sistema Faep, entidades como Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar), Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap) e Associação Comercial do Paraná (ACP).

As entidades sustentam que a aprovação do projeto contribuiria para reduzir incertezas na adaptação das empresas ao novo modelo tributário e preservar a competitividade das cadeias produtivas do Paraná, incluindo aquelas ligadas ao agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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