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Epagri/Cepa atualiza estimativas da safra de inverno em Santa Catarina
Boletim Agropecuário de agosto mostra aumento na área plantada de cebola e diminuição na de trigo e alho.

O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) atualizou as estimativas da safra de inverno em Santa Catarina. O Boletim Agropecuário de agosto aponta uma redução de 2% para área de trigo em comparação com a safra anterior. Anteriormente a projeção era de perda de 1,6%. A previsão atual é de que a safra 2023/2024 seja um pouco menor que a anterior, com uma diminuição de 1% no volume de produção.
Até a última semana de julho, cerca de 94% da área destinada ao plantio de trigo nesta safra encontrava-se em fase de desenvolvimento vegetativo e 6% já havia alcançado a fase de florescimento. Com relação às condições das lavouras desse grão, 99,5% foram avaliadas como boas e somente 0,5% como em condição média. O preço médio recebido pelos produtores de trigo catarinense continuou em queda no mês de julho. A redução foi de 0,24%, com uma média mensal em R$ 69,95 a saca de 60 kg. Na comparação anual, em termos nominais, os preços recebidos em julho deste ano estão cerca de 35% abaixo dos registrados no mesmo mês de 2022.

Produção catarinense de cebola está estimada em mais de 568 mil toneladas em 2023 – Fotos: Divulgação/Epagri
Por sua vez, a área plantada de cebola no Estado catarinense passou para 19 mil hectares e não 18,4 mil hectares, como foi inicialmente estimado pela Epagri/Cepa e disponibilizado no site do Observatório Agro Catarinense. Já a área plantada com alho foi atualizada para baixo: a estimativa inicial era que a cultura ocuparia aproximadamente 1,17 mil hectares na safra 2023/2024, mas números da Epagri/Cepa apontam para uma área de 995 hectares. Já o trigo teve redução de 2% na área plantada estimada, o que representaria uma queda de mais de 27% em relação ao ano anterior.
De acordo com o Boletim Agropecuário, as lavouras apresentam bom desenvolvimento até o momento. Em relação à cebola, cerca de 80% da área estimada para o cultivo na safra 2023/2024 já foi plantada e a produção está estimada em mais de 568 mil toneladas. Na cultura do alho, a redução na área plantada também resulta em queda de produção de quase 1,3 toneladas em relação ao volume inicialmente previsto, passando para 10,7 mil toneladas.
Confira as informações dos demais produtos acompanhados pela Epagri/Cepa:
Soja
A safra catarinense 2022/23 tem os números definitivos: a produção total alcançou volume próximo de 3 milhões de toneladas, considerada a maior safra registrada no Estado da leguminosa. Contribuiu para esse desempenho a crescente área cultivada e condições climáticas favoráveis durante o ciclo de desenvolvimento das lavouras. No Brasil, a confirmação de uma safra recorde em 2022/23 de 155 milhões de toneladas pressionou os preços da soja no mercado interno no primeiro semestre. No entanto, em julho, houve uma mudança no movimento de baixa. No Estado, os preços tiveram uma elevação de 6,6% em relação ao mês anterior. As exportações recordes no ano e a demanda por parte das indústrias de biodiesel em julho e agosto impulsionam os preços.

Foto: Wenderson Araujo/CNA/Trilux
Milho
No Estado, os preços ao produtor apresentaram uma elevação de 1,2% nos preços médios mensais em relação ao mês de junho, revertendo uma sequência de queda desde janeiro. A relação de preços soja/milho se constitui num dos condicionantes na decisão do próximo plantio pelos produtores. No momento, a relação é favorável à soja; no entanto, o mercado do milho é complexo e dinâmico: ele é afetado por uma série de fatores que podem se modificar ao longo do tempo, com potencial para gerar um quadro mais positivo para o produtor. As exportações do cereal pelo Brasil, em agosto, podem alcançar volumes próximos a 10 milhões de toneladas, o que traz uma expectativa de elevação dos preços no mercado interno no segundo semestre.
Bovinos
Na primeira quinzena de agosto, os preços do boi gordo em Santa Catarina apresentaram queda de 1,1% em relação à média do mês anterior, seguindo a tendência observada nos principais Estados produtores. Na comparação com o valor de agosto de 2022, observou-se queda de 15,7% no preço médio catarinense. Esses movimentos de queda devem-se, principalmente, à oferta elevada, em âmbito nacional, de animais prontos para abate. Além disso, as carnes concorrentes (de frango e suína) também têm apresentado variações negativas de preços, o que acirra a disputa pela preferência do consumidor e acentua a pressão de queda sobre a carne bovina. Segundo os dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), sistematizados pela Epagri/Cepa e divulgados no Observatório Agro Catarinense, de janeiro a julho deste ano foram abatidos 345 mil bovinos em Santa Catarina – queda de 3,8% em relação à produção do mesmo período de 2022.
Frangos

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Santa Catarina exportou 90,3 mil toneladas de carne de frango em julho (in natura e industrializada) – queda de 0,7% em relação às exportações do mês anterior, mas alta de 3,5% na comparação com as de julho de 2022. As receitas foram de US$196,2 milhões – queda de 0,3% em relação às do mês anterior e de 3,4% na comparação com as de julho de 2022.
No acumulado de janeiro a julho, Santa Catarina exportou 635,4 mil toneladas, com receitas de US$1,38 bilhão – altas de 6,9% em quantidade e de 9,5% em valor, na comparação com as do mesmo período do ano passado. Os resultados do período refletem o crescimento dos embarques para a maioria dos principais destinos, com destaque para a China, que registrou alta de 45,5% em quantidade e 46,3% em receitas.
O Estado foi responsável por 23,3% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de carne de frango nos sete primeiros meses do ano. Segundo os dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), em julho deste ano o Estado atingiu a marca de 503,2 milhões de frangos destinados ao abate, alta de 3,4% em relação à produção do mesmo período de 2022.
Suínos
Santa Catarina exportou 53,8 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos) em julho – queda de 9,7% em relação às exportações do mês anterior, mas alta de 4,9% na comparação com as de julho de 2022. As receitas foram de US$133,4 milhões, queda de 11,4% em relação às do mês anterior, mas elevação de 8,1% em relação às de julho de 2022. No acumulado de janeiro a julho, o estado exportou 373,8 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$927,0 milhões – altas de 13,1% e 22,9%, respectivamente, em relação às do mesmo período de 2022.
Os resultados positivos desse período devem-se ao crescimento dos embarques para quase todos os compradores, em especial a China (2,4% em quantidade e 14,3% em valor), as Filipinas (19,9% e 32,6%) e o Chile (82,3% e 105,5%), os três principais destinos. Santa Catarina respondeu por 56,3% das receitas e por 54,9% do volume de carne suína exportada pelo Brasil este ano. Segundo os dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), de janeiro a julho deste ano foram produzidos em Santa Catarina, e destinados ao abate, 10,5 milhões de suínos – alta de 4,7% em relação ao mesmo período de 2022.

Foto: JM Alvarenga
Leite
No dia 10 de agosto, o IBGE divulgou novos números sobre a quantidade de leite cru adquirida pelas indústrias inspecionadas do Brasil. No primeiro semestre de 2023, a quantidade adquirida foi 1,3% maior do que no mesmo período de 2022. Considerados todos os primeiros semestres dos últimos cinco anos (2019-2023), apenas no primeiro semestre de 2022 a quantidade foi menor do que no primeiro semestre deste ano. Portanto, a produção industrializada de 2023 poderá superar os 23,9 bilhões de litros de 2022, mas dificilmente alcançará a casa dos 25 bilhões de litros do período de 2019 a 2021.
Em julho, as importações brasileiras foram de 23,4 milhões de quilos de lácteos. O crescimento – 75,9% em relação a julho de 2022 – é muito significativo, mas é o menor percentual no ano. Dadas as fortes quedas nos preços dos lácteos no mercado interno nos meses mais recentes, é bem provável que de agosto a dezembro de 2023 as importações sejam sempre inferiores às dos mesmos meses de 2022.
Banana
Entre junho e julho de 2023, os preços ao produtor da banana-caturra apresentaram recuperação com valorização de 2,2%. A banana-prata sofreu desvalorização de 0,5% devido à redução na demanda por conta da concorrência com outras frutas da época e da presença de chilling nas frutas, que são lesões causadas pelo excesso de frio. No mercado atacadista estadual, no comparativo com o mês de julho do ano anterior, os preços mantiveram-se valorizados em 8,1% para banana-caturra e em 12,5% para a banana-prata. No primeiro semestre, a produção de banana catarinense participou com 8,9% do total no mercado atacadista das centrais de abastecimento nacionais, um aumento de 48,1% em relação ao mesmo período de 2022. O valor negociado chegou a R$79,1 milhões.
Arroz
A safra 2022/23 está encerrada em Santa Catarina. Contrariando a expectativa inicial, a safra fechou com produtividade média 1,6% maior do que a observada na safra 2021/22, alcançando a maior marca registrada no estado (8.621kg por hectare). Os preços ao produtor de arroz apresentaram tendência de crescimento a partir do mês de julho e da primeira quinzena de agosto, tanto em Santa Catarina quanto no Rio Grande do Sul. Estima-se que aproximadamente 92% da produção da safra 2022/23 já tenha sido comercializada no Estado.
Feijão
No mês de julho, o preço médio mensal recebido pelos produtores catarinenses de feijão-carioca fechou em R$161,35 a saca de 60kg, uma redução de praticamente 30%. Por outro lado, para o feijão-preto, o preço médio sofreu um acréscimo de 6,44%, com a média mensal em R$208,20 a saca de 60kg. Na comparação, o preço médio da saca do feijão-carioca, em termos nominais, está 39% abaixo do que foi pago em julho de 2022. Já para o feijão-preto, houve um incremento anual de aproximadamente 16%. Um aspecto importante que contribui para a queda dos preços pagos aos produtores de feijão é a baixa procura pelo produto. A cada ano que passa, mais brasileiros deixam de comer feijão diariamente.
O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal da Epagri/Cepa e tem como objetivo reunir informações conjunturais sobre alguns dos principais produtos agropecuários de Santa Catarina. Acesse a íntegra da edição de agosto.

Notícias No Paraná
Porto de Paranaguá se firma como principal corredor de carnes do Brasil
TCP movimenta 11,5 milhões de toneladas em 2025, amplia participação no embarque de bovinos e frango e reforça papel estratégico no comércio exterior.

O Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná, atingiu em 2025 uma movimentação recorde de 11,5 milhões de toneladas de cargas. A soma do volume de exportações e importações, sem considerar o peso de contêineres, representa um crescimento de 7% frente às 10,8 milhões de toneladas registradas em 2024.
O resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações, que chegaram a 8,290 milhões de toneladas de cargas, alta de 7%, enquanto as importações tiveram um aumento de 2%, totalizando um volume de 3,177 milhões de toneladas.
Os segmentos comerciais que mais tiveram destaque nas exportações ao longo do ano foram o de carnes e congelados (3,822 milhões de toneladas), madeira (1,394 milhões de toneladas) papel e celulose (991 mil toneladas), e agronegócio (393 mil toneladas).

Nas importações, a liderança foi do segmento químico e petroquímico (619 mil toneladas), seguido do automotivo (544 mil toneladas), de eletrônicos e maquinários (333 mil toneladas), e de construção e infraestrutura (233 mil toneladas). “Em um cenário global mais complexo, por conta da imposição de cotas de importação e tarifas a produtos brasileiros, o TCP se demonstrou um eixo fundamental para a corrente de comércio do país. Com uma alta concentração de serviços marítimos e maior capacidade de transporte por navio, após a ampliação do calado operacional, encerramos 2025 com uma movimentação recorde, o que reflete a confiança do mercado em operar por Paranaguá”, explica Carolina Merkle Brown, gerente comercial de Armadores e de Inteligência de Mercado do TCP.
Desde 2024, o calado operacional do canal de acesso ao Porto de Paranaguá já passou por três revisões, passando de 12,10 metros para 13,30 metros. O incremento da profundidade em 1,20 metros representa um aumento de capacidade de 960 TEUs cheios por navio.
O número de atracações no Terminal de Contêineres de Paranaguá teve um aumento de 3% em 2025, chegando a 1.019 navios. O TCP é o maior concentrador de linhas marítimas entre os terminais brasileiros, contando com 23 escalas semanais regulares de cobertura global (Ásia, Europa, Américas e África), além da Cabotagem.
Embarques de carne bovina têm nova máxima histórica

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostram que o Brasil exportou, em 2025, 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, uma alta de 20,9% em volume e que gerou uma receita de US$ 18,03 bilhões em receita total, alta de 40,1% em comparação com 2024.
No período, a TCP foi responsável pelo embarque de 1,034 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 53% em volume frente às 675 mil toneladas exportadas em 2024.
O crescimento do volume acima da média nacional representa um avanço do Terminal em participação de mercado, que passou de 23% para 29% entre 2024 e 2025. “O aumento da participação de mercado na exportação de carne bovina está diretamente relacionado ao aumento da confiança do mercado brasileiro na infraestrutura e na qualidade do atendimento oferecido pelo TCP para as indústrias exportadoras de carne. Com a maior área para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, o Terminal de Contêineres de Paranaguá se destaca como o maior corredor de exportação de carnes e congelados do Brasil, convertendo clientes de Norte a Sul”, destaca Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento do TCP.
Parque para armazenagem de contêineres
Em 2024, o TCP inaugurou o maior parque para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, após a conclusão da obra que ampliou o número de tomadas no pátio de operações de 3.624 para 5.268. No ranking nacional, o Terminal de Contêineres de Paranaguá possui um número de tomadas 32% superior ao segundo colocado.
Atualmente, o TCP é o maior corredor de exportação de carnes e congelados do Brasil, detendo uma participação de mercado de 39% no segmento.
Embarques de frango disparam no quarto trimestre

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Entre outubro e dezembro, o TCP embarcou 670 mil toneladas de carne de frango congelada, alta de 9% em comparação às 617 mil toneladas registradas no mesmo período de 2024. O resultado demonstra uma retomada nos embarques de carne de frango após um ano desafiador para as indústrias exportadoras.
Com a identificação de um foco de Influenza aviária em uma granja no município de Montenegro (RS), em maio, diversos compradores suspenderam temporariamente as importações do produto brasileiro, gerando impacto nos embarques. “Com a resolução rápida do caso e o Brasil se declarando livre de gripe aviária em junho, após 28 dias sem registrar novos casos, as restrições aos embarques foram gradativamente removidas. Com isso, o TCP alcançou um volume recorde na exportação de carne de frango no quarto trimestre e teve o melhor mês da série histórica em dezembro” comenta Guidolim.
De acordo com os dados levantados pelas Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), apenas no mês de dezembro, o Brasil exportou 510,8 mil toneladas de frango, o que representou uma alta de 13,9% frente ao desempenho do mesmo mês no ano anterior, gerando uma receita total de US$ 947,7 milhões.
No mesmo mês, o TCP registrou um novo recorde mensal para o embarque de carnes de frango, sendo responsável pela exportação de

Foto: Jonathan Campos
233,9 mil toneladas, alta de 19% em comparação ao desempenho de dezembro de 2024, que havia sido de 197,4 mil toneladas.
A ABPA também informou que, em 2025, o país embarcou 5,324 milhões de toneladas de frango, alta de 0,6% em volume, gerando uma receita total de US$ 9,790 bilhões. Já o TCP, maior corredor de exportação de carne de frango congelada do Brasil, foi responsável pelo embarque de 2,398 milhões de toneladas do produto, representando uma participação de mercado de 45% nas exportações.
O Paraná foi o estado de origem de mais de 70% do volume de frango exportado pelo TCP. Já os principais destinos das cargas foram Emirados Árabes Unidos (9,1%), África do Sul (8%) e Japão (6,7%).
Notícias
Capal reforça estrutura para receber safra de verão 2025/2026
Cooperativa reúne colaboradores para garantir recebimento seguro e preservação da qualidade dos grãos. Com ampliação de silos, capacidade de armazenamento da empresa soma 601 mil toneladas de grãos.

A Capal Cooperativa Agroindustrial reuniu colaboradores em Arapoti (PR), na última semana, para um evento de sensibilização da safra de verão 2025/2026. O encontro marca a preparação para o recebimento da safra verão na matriz e nas unidades, com ênfase para as culturas de soja e milho, e promove um alinhamento entre os diversos setores da Cooperativa que atuam na frente operacional da recepção, beneficiamento e armazenagem dos grãos. Também estiveram presentes representantes das áreas de apoio diretamente relacionadas à recepção da safra.
Para a diretora industrial da Capal, Valquíria Demarchi, o envolvimento de todas as áreas no evento, do operacional ao administrativo, é importante para que a cooperativa possa se planejar para um recebimento assertivo e sem incidentes. “O objetivo é receber a safra com tranquilidade e atender o cooperado para que ele consiga realizar uma boa gestão da safra, colhendo no momento certo e preservando a qualidade dos grãos”, explica.
Os temas abordados na reunião incluem cenário do campo, logística, gestão de pessoas, segurança do trabalho, preservação ambiental, obrigatoriedades fiscais, planejamento no pós-colheita, beneficiamento e armazenagem dos grãos. Com a construção de uma nova bateria de silos em Arapoti, a capacidade de armazenamento da Capal passa a totalizar 601 mil toneladas, somadas todas as Unidades.
O engenheiro agrônomo Eliezer Fatiga Solda, do Departamento de Assistência Técnica – Agrícola da Capal, avalia que a safra atual está dentro das expectativas e que não teve muitas ocorrências em relação a pragas e doenças. “De maneira geral, o desenvolvimento das lavouras está muito bom. O que tem acontecido é uma irregularidade de chuvas, mas, em geral, os campos estão recebendo a quantidade de chuva necessária. O potencial produtivo está dentro do esperado, com exceção de casos específicos de déficit hídrico”, comenta.
Segundo o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado na semana passada, a soja já ocupa uma área de 4,8 milhões de hectares plantados no Paraná. A estimativa inicial é de que sejam colhidas 22 milhões de toneladas no estado.
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Acordo com a União Europeia pode redesenhar presença do Brasil no comércio global
Presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirma que tratado abre mais de 500 frentes imediatas de exportação, fortalece a previsibilidade econômica e mantém ambiente favorável à ratificação apesar da judicialização no Parlamento Europeu.

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, reafirmou o otimismo do governo brasileiro em relação ao futuro do Acordo Mercosul–União Europeia e destacou o potencial transformador do tratado para a inserção internacional das empresas brasileiras. Em entrevista coletiva realizada na quinta-feira (22), na sede da Agência, em Brasília, Viana apresentou dados inéditos que apontam para mais de 500 oportunidades imediatas de exportação assim que o acordo entrar em vigor.

Foto: Claudio Neves
Politicamente concluído em 2024 e assinado em 2025, o acordo é tratado pela ApexBrasil como um marco histórico de abertura econômica. Segundo Viana, mesmo diante da apreensão gerada pela judicialização temporária do texto no Parlamento Europeu, o ambiente segue favorável à ratificação. “O acordo não trata apenas de comércio. Estamos falando da retomada de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de valor e incentivar fluxos de investimento”, afirmou.
O presidente da ApexBrasil avaliou que o envio do texto à instância judicial europeia não altera o entendimento estrutural entre os blocos. “Foi uma manobra política dos que eram contra e isso faz parte do jogo da política”, disse aos jornalistas. Ele ressaltou ainda a relevância da União Europeia como principal investidor estrangeiro no Brasil, com estoque superior a US$ 464 bilhões, o equivalente a cerca de 41% de todo o Investimento Direto Estrangeiro (IED) no país.
Articulação política
Para avançar na aprovação do acordo, Viana informou que a ApexBrasil está intensificando a articulação com o Congresso Nacional e o diálogo diplomático com a Europa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Nelsinho Trad, aceitaram integrar uma comitiva brasileira que deverá ir ao Parlamento Europeu para ampliar as conversas sobre o tratado. “A missão agora é também o Congresso Nacional ajudar na interlocução com os outros parlamentos aqui do Mercosul para aprovar o quanto antes o acordo”, afirmou Viana, ao destacar a necessidade de coordenação política entre os países do bloco sul-americano.
Reposicionamento do Brasil na Europa
Paralelamente às articulações institucionais, a ApexBrasil prepara uma estratégia de comunicação voltada ao mercado europeu. O objetivo é melhorar a percepção sobre o Brasil, especialmente junto ao setor privado, por meio de uma campanha de reposicionamento internacional. “Vamos mostrar que o Brasil não é um bicho-papão”, disse Viana, ao citar reuniões, missões empresariais e encontros com parlamentares europeus previstos no planejamento da Agência.
O presidente da ApexBrasil também destacou os resultados positivos do fluxo comercial brasileiro em 2025, avaliando que o desempenho reflete a retomada do protagonismo do país no cenário internacional. “O Brasil voltou a ter um protagonismo que tinha perdido no governo passado”, afirmou.
Mais de 500 oportunidades mapeadas

Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana: “O acordo não trata apenas de comércio. Estamos falando da retomada de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de valor e incentivar fluxos de investimento” – Foto: Divulgação/ApexBrasil
Segundo levantamento da área de Inteligência da ApexBrasil, foram identificadas 543 oportunidades de exportação com desgravação tarifária imediata após a entrada em vigor do acordo. Esses produtos correspondem a um mercado potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia. Atualmente, o Brasil exporta apenas US$ 1,1 bilhão desses itens ao bloco.
Para Viana, os números evidenciam um amplo espaço para crescimento. “É um oceano de oportunidades” para empresas brasileiras de todos os portes, abrangendo setores industriais, agropecuários, tecnológicos e de bens de maior valor agregado.
As oportunidades estão distribuídas em 25 dos 27 países da União Europeia, com maior concentração na Europa Ocidental, que reúne 266 possibilidades de expansão. Também há espaço relevante na Europa Meridional, Oriental e Setentrional. Entre os setores com maior potencial estão máquinas e equipamentos de transporte, obras diversas, artigos manufaturados, produtos químicos, materiais em bruto e alimentos, além de segmentos estratégicos como motores, geradores elétricos, aeronaves, autopeças e produtos de base agrícola.
Agro com ganho de competitividade

Foto: Roberto Dziura Jr
Questionado sobre o impacto do acordo no agronegócio, Jorge Viana afirmou que o setor deverá registrar um salto competitivo, com previsão de eliminação tarifária gradual, ampliação de cotas e redução de barreiras. “Será um fluxo complementar e não concorrencial entre os blocos”, destacou.
O presidente da ApexBrasil reforçou ainda que o papel da Agência será preparar as empresas brasileiras para transformar o potencial identificado em negócios concretos. Segundo ele, a atuação seguirá integrada ao governo federal, ao Poder Legislativo, ao setor privado e a parceiros internacionais. “O Brasil está diante de uma das maiores janelas estratégicas para ampliar exportações das últimas décadas e o cenário, embora às vezes turbulento, segue favorável para o avanço das negociações”, enfatizou.



