Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Entusiasta do trigo

Produtor dos Campos Gerais garante que não deixa de produzir nem mesmo por conta dos riscos que a cultura traz consigo

Publicado em

em

O ano de 2017 não foi bom para o produtor de trigo no Paraná. A seca no plantio e o excesso de chuvas na hora da colheita fizeram o cereal perder qualidade e produtividade. Nos últimos anos, o preço também não tem arrancado sorrisos do agricultor. Mesmo assim, tem gente que defende o trigo a unhas e dentes. Um deles é Bernardo Bouwman, proprietário da Agropecuária Mirella, com sede em Castro, nos Campos Gerais do Paraná. “Não desisto do trigo nunca, mesmo com todos as dificuldades. Produzo trigo há 25 anos e nunca deixei de produzir”, admite o agricultor.

O disposto Bouwman conta que neste ano a cultura sofreu em dois momentos distintos, que afetaram decisivamente a qualidade do grão, interferindo nos resultados finais. “Tivemos uma seca no começo, na hora do plantio, e excesso de água na hora da colheita. Isso reduziu a qualidade do trigo da nossa região para tipo 3, que não serve para panificação, tem baixo valor de mercado. Eu, no entanto, particularmente não tenho muito do que reclamar. Colhi algumas áreas com o tipo 1 e 2, mas também tive trigo tipo 3”, conta o produtor, que cultiva 580 hectares do cereal nos municípios de Tibagi e Castro. Na última safra de inverno, reservou outros 115 hectares para cevada.

Ele conta que sua produtividade na safra de inverno ficou abaixo do esperado, justamente por conta da questão climática. Eu estava esperando colher em torno de cinco mil quilos por hectare. Acabei colhendo 4.112 quilos/ha de média, um pouco abaixo da safra anterior (2016)”, comenta. De acordo com ele, a média de suas áreas gira em torno de 4,6 mil quilos por hectare. Para isso, diz que já colheu até seis mil quilos no melhor talhão.

O excesso de chuva, segundo Bouwman, também aumenta os custos de produção por conta da manutenção da lavoura. “Com o excesso de chuva, geralmente precisamos fazer mais pulverização. Isso aumenta nossos custos. O gasto para cuidar da lavoura é maior”, explica.

Ainda assim, o paranaense, de 52 anos, garante que vai continuar apostando no trigo, muito também por conta de seus benefícios para a safra de soja seguinte. “O trigo é um mal necessário, por assim dizer. Além do lucro, ele é muito importante como rotação de cultura para a soja. Em 2018 vou plantar com certeza”, admite.

Estudo revela medos do triticultor

O clima ruim que acometeu os Campos Gerais em 2017 é o principal receio de produtores de trigo, segundo levantamento da Embrapa com 24 cooperativas que movimentam 34% do cereal produzido no país. A percepção da maioria dos entrevistados é que superar as adversidades do clima, como seca, geadas e chuva na colheita, é o maior desafio à produção de trigo no Brasil. Conforme a Embrapa, em 2017 a produção brasileira de trigo foi de 4,5 milhões toneladas, volume 32% menor em relação ao ano anterior em função de problemas com o clima que afetou os resultados na região Sul, responsável por 90% da produção nacional.

A pesquisa “Avaliação de cenários para a produção de trigo nas cooperativas brasileiras” destaca que as limitações impostas pelos fatores climáticos ao cultivo do trigo foram apontadas pela maioria dos entrevistados como um importante gargalo do setor. As doenças mais temidas são a giberela (87%) e a brusone (51%), cuja incidência está diretamente relacionada ao clima quente e úmido e para as quais ainda não existe resistência genética e os defensivos não apresentam controle satisfatório. “As adversidades do clima são riscos inerentes à triticultura, causando prejuízos que nem sempre encontram fontes de resistência no melhoramento genético das plantas”, argumenta o chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski.

Outro problema relacionando ao clima é o risco de germinação pré-colheita, apontado por 86% dos entrevistados. A fase final de maturação do trigo na região Sul, responsável por 90% da produção nacional, muitas vezes atravessa dias com chuvas intensas e altas temperaturas, que podem ocasionar a germinação dos grãos ainda na espiga, diminuindo o potencial de rendimento e a qualidade tecnológica. “Nossa colheita ocorre justamente na primavera, período mais chuvoso do ano. Na Coopavel, contamos com 60 agrônomos monitorando as lavouras durante toda a safra, mas escapar da chuva na colheita não depende apenas da competência técnica, tem sido questão de sorte com clima favorável para o trigo”, argumenta o presidente da Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), Dilvo Grolli.

Como os problemas associados ao clima não ocorrem de forma generalizada, implicando danos pontuais em cada região (como seca, geadas, granizos, chuvas, pragas e doenças), o desafio das cooperativas tem sido investir em estruturas de segregação do trigo. Na Coopavel, com sede no município paranaense de Cascavel, a instalação do moinho fez a área de trigo dobrar, passando de 50 mil hectares, em 2012, para 110 mil hectares no ano seguinte. “O moinho trouxe segurança para o produtor, tanto em liquidez quanto em preço. O trigo passou de planta de cobertura para cultura importante”, conta o presidente da cooperativa, Dilvo Grolli. Segundo ele, não existem mais áreas de pousio na região de abrangência da cooperativa, na qual o trigo compõe o sistema de produção com rotação de cinco culturas em dois anos: soja-feijão-trigo-soja-milho safrinha.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações

Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

Publicado em

em

Foto: Ana Maio

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.

As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso

Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.

Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.

Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA Agro
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais

Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

Publicado em

em

Foto: Carlos Eduardo Santos

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).

O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.

O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.

O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.

A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.

Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.

O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira

Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Publicado em

em

Foto: Julio Palhares

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.

O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.

De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.

A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.

O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sudeste
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.