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Entra em vigor na UE legislação que bane uso indiscriminado de antibióticos e estimula o bem-estar na criação animal; normas alcançam até importações
Brasil pode chegar a ser impactado em relação às vendas da avicultura. Expectativa é de efeito positivo em outros países, inspirando a modernização de leis que visem a promoção de sistemas mais éticos e sustentáveis e a mitigação dos riscos de resistência antimicrobiana.

Entraram em vigor hoje na União Europeia (UE) novas leis proibindo que animais de criação nos países membros sejam alimentados rotineiramente com rações contendo antibióticos. Um dos regulamentos deve impactar mercados internacionais, incluindo o Brasil, uma vez que o bloco, que é o maior importador de alimentos do mundo, também rejeitará a entrada de animais vivos ou de produtos de origem animal nos quais antibióticos tenham sido usados como promotores de crescimento (tal finalidade já estava proibida internamente na Europa desde 2006).
“Enaltecemos essa legislação. É a iniciativa mais progressista de que temos notícia e um exemplo a ser seguido em todo o mundo”, destaca José Ciocca, gerente de campanha de Agropecuária Sustentável da Proteção Animal Mundial. “O uso irresponsável de antibióticos na criação industrial intensiva de animais é uma prática que está fomentando um outro problema gravíssimo: a resistência antimicrobiana. Isso ameaça jogar por terra as conquistas de proteção à saúde humana alcançadas pela medicina moderna”, explica. “A solução mais correta do ponto de vista ético e científico é eliminar a dependência de antibióticos nas criações por meio do aumento dos níveis de bem-estar animal no sistema: animais felizes são naturalmente mais saudáveis”.
A crise mencionada está mais perto do que se imagina. Há cerca de um mês um relatório da Proteção Animal Mundial, organização não-governamental que trabalha em prol do bem-estar animal, com pesquisa de campo e análise coordenadas por cientistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), apontou grave presença e alta variedade de genes de resistência antibacteriana em amostras de solos e águas nas proximidades de granjas de criação intensiva de suínos em cinco cidades paranaenses. Os resultados corroboram os quadros encontrados em outros quatro países já investigados pela ONG (Canadá, Espanha, Estados Unidos e Tailândia).
A emergência da resistência das bactérias (e outros micróbios) aos antibióticos (e outros medicamentos) é mundial e não está restrita à criação animal. Inclui também usos exagerados e inadequados de antibióticos para a saúde humana. Engloba a complexidade do desenvolvimento de novas drogas eficazes, sua distribuição, o monitoramento da comercialização e uso das substâncias, além de vigilância sanitária pública.
Estudo robusto publicado na semana passada compilando dados de 204 países elevou o cálculo de mortes anuais associadas à resistência antimicrobiana para 1,27 milhões de pessoas ao ano – uma letalidade que supera as de HIV e malária no mundo.
Sensata decisão europeia
Em toda a Europa, existem mais de 300 milhões de animais criados em gaiolas e 7,2 bilhões de frangos de corte produzidos a cada ano. A maioria desses animais sofre em fazendas industriais nas quais recebe antibióticos em sua ração ou água para evitar que sucumbam a doenças e deem margem a perdas de produtividade e lucratividade.
As novas normas – Regulamento (UE) 2019/61 sobre medicamentos veterinários[i] e Regulamento (UE) 2019/4 sobre alimentos medicamentosos para animais – determinam que apenas animais doentes, e individualmente (ao invés de rebanhos inteiros), podem receber antibióticos para fins terapêuticos. Passa a ser ilegal usar antibióticos de forma rotineira, ou seja, para compensar ou mascarar problemas de criação resultantes de baixos níveis de bem-estar (associado a aspectos como superlotação, confinamento, alimentação pouco saudável, hidratação inadequada, falta de luz natural, linhagens genéticas de crescimento acelerado, estresse, falta de enriquecimento ambiental, impossibilidade de exercer comportamentos naturais, entre outros).
Os possíveis impactos econômicos para o Brasil em função das limitações à importação de animais ou derivados que tenham recebido antibióticos ainda precisam ser estimados. Mas é certo que a condição deve estimular a ampliação do enfoque de bem-estar nas criações, além de favorecer inicialmente os produtores que já adotam práticas responsáveis.
Dados compilados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) referentes ao ano de 2020, todavia indicam a dimensão do alcance. Em relação à avicultura, uma das produções em que é frequente o uso rotineiro de antibióticos para fins não terapêuticos, a União Europeia aparece como maior destino para a carne de peru nacional (21,1% de participação do total brasileiro exportado), 6º principal comprador de carne de frango (6,3% de participação) e 15º maior mercado para as exportações de carne de pato e outras aves (0,05% de participação). Em todos os casos houve tendência de alta nas vendas em 2020. Em relação à suinocultura, em que a questão dos antibióticos é também muito preocupante, a própria UE possui um papel destacado como produtor, o que limita a entrada das exportações brasileiras.
É preciso abrir os olhos
De forma surpreendente, cerca de três quartos dos antibióticos do mundo são usados em animais de criação, especialmente pela agropecuária industrial intensiva. Em contraste, os animais que vivem em fazendas com altos níveis de alto bem-estar são mais saudáveis e mais resistentes a doenças, e não dependem de antibióticos.
“Dentro dos galpões fechados, os frangos crescem tão rápido que têm dificuldade para caminhar ou permanecer em pé por períodos longos, e os leitões são desmamados precocemente e rotineiramente submetidos a práticas de mutilação, como corte de cauda, dente, mossa e castração. Bilhões de animais nascidos em fazendas industriais atravessam a vida nessas condições. Isso pode até fornecer carne a baixo custo para as pessoas, mas nós também já estamos pagando o preço com nossa saúde”, diz Daniel Cruz, coordenador de Agropecuária Sustentável da Proteção Animal Mundial.
A Proteção Animal Mundial prega que os animais de produção devem ser criados em sistemas livres de crueldade, humanos e sustentáveis, nos quais suas necessidades sejam totalmente atendidas. Isso garante que eles sejam mais resistentes a doenças, e que a dosagem de rotina de antibióticos não seja necessária.
Para alertar e guiar a sociedade brasileira, a Proteção Animal Mundial e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) publicaram em dezembro o documento de orientação a políticas públicas “Como evitar a próxima catástrofe sanitária: resistência antimicrobiana”. Ele foi concebido segundo uma abordagem de Saúde Única, que considera a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. Em breve a ONG vai reforçar ainda mais as ações sobre o tema no país com o lançamento da campanha “Haja Estômago”, denunciando o uso irresponsável de antibióticos na criação animal nacional e seus efeitos.
O artigo 107 do Regulamento de Medicamentos Veterinários proíbe o uso rotineiro de antimicrobianos em animais de fazenda e todos os tratamentos preventivos de grupo com antimicrobianos (n.º 1, 3 e 4 do artigo 107).
O artigo 107.1 dispõe: “Os medicamentos antimicrobianos não devem ser aplicados rotineiramente nem usados para compensar má higiene, pecuária inadequada ou falta de cuidados ou para compensar má gestão da fazenda”.
O artigo 118 do Regulamento de Medicamentos Veterinários proíbe a importação de animais ou produtos de origem animal para a UE se forem utilizados antibióticos para fins de promoção do crescimento.

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Copacol lidera ranking nacional de co-manufatura entre mais de 21 mil empresas
Cooperativa paranaense ficou em primeiro lugar no CPG Leaders 100 após ampliar portfólio por meio de parcerias que movimentaram R$ 184,7 milhões em 2025.

A Copacol lidera o primeiro ranking nacional que mede a capacidade das empresas de bens de consumo de crescer via co-manufatura, o CPG Leaders 100, produzido pela GrowinC, plataforma que conecta marcas a fabricantes terceirizados. A cooperativa paranaense que vem crescendo continuamente e atingiu R$ 11,1 bilhões de faturamento ano passado ficou à frente de 21 mil empresas mapeadas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Esse é um modelo investido pela Copacol no decorrer dos anos e que trouxe maior participação de mercado, com nossa marca nas gôndolas em diferentes corredores das principais redes supermercadistas
Embora esteja diretamente ligada a produção de aves, peixes, suínos e leite, a Copacol buscou estratégias para ampliar o portifólio, indo muito além para garantir espaço e aproveitar a rede logística. Além de tilápia e frango, uma infinidade de produtos com a marca da empresa fazem parte da rotina dos consumidores, sempre com qualidade e segurança. “Esse é um modelo investido pela Copacol no decorrer dos anos e que trouxe maior participação de mercado, com nossa marca nas gôndolas em diferentes corredores das principais redes supermercadistas. Prezamos por parcerias que cooperem com resultados para todos os envolvidos e possam garantir uma diversidade de alimentos saudáveis nas mesas dos consumidores”, afirma o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
São 50 produtos Copacol desenvolvidos em parceria com empresas que mantêm rigorosamente o padrão de qualidade. Só ano passado, a Cooperativa revendeu 11.455 mil toneladas em alimentos dessa procedência, que movimentaram R$ 184,7 milhões.
Entre os 12 fornecedores, dois são da Bélgica e da Holanda, outros dez de diferentes estados brasileiros, impulsionando setores e incentivando a produção de alimentos em diferentes regiões do País. O ranking desenvolvido pela GrowinC avalia a capacidade de crescer, inovar e escalar operações de co-manufatura para acelerar lançamentos, ampliar portfólio e construir redes produtivas resilientes.
Top 10 do CPG Leaders 100
A Copacol ficou à frente de algumas das maiores multinacionais do setor: 1 Copacol (85,6) 2 Unilever (82,2) 3 Linea (80,6) 4 JBS Brasil (80,2) 5 Native Orgânicos (79,9) 6 Nestlé (79,8) 7 Catupiry (79,5) 8 Korin Agropecuária (77,9) 9 Mondelez (77,7) 10 Mais Mu (75,4).
Das quase 170 mil inovações e lançamentos de produtos rastreados pelo estudo ao longo das últimas três décadas, cerca de 30 mil itens foram produzidos por meio de parcerias terceirizadas. Isso significa que quase 1 a cada 5 novos produtos (18%) que chegam às gôndolas brasileiras já são fabricados sob o modelo de co-manufatura.
Metodologia

Sede e complexo industrial em Cafelândia
O CPG Leaders 100 é o primeiro ranking anual dedicado a medir a capacidade de empresas de bens de consumo embalados crescerem por meio da co-manufatura. O estudo analisou 168.992 lançamentos de produtos de alimentos e bebidas realizados no Brasil entre 1996 e 2026, dos quais 29.938 foram produzidos por meio de parcerias de co-manufatura.
Ao todo, 21.094 empresas foram rastreadas. Para esta edição, 135 organizações atenderam aos critérios mínimos de elegibilidade. A metodologia considera três pilares: Escala (50%) Inovação (25%) e Network (25%). A pontuação final varia de 0 a 100 e busca medir a capacidade das empresas de utilizar a co-manufatura como instrumento de crescimento, inovação e expansão de mercado.
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Entregas de fertilizantes crescem 1,6% no primeiro quadrimestre
Alta nas entregas foi impulsionada pela demanda da segunda safra de milho, mas abril registrou desaceleração nas compras para a safra de verão.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 12,30 milhões de toneladas entre janeiro e abril de 2026, alta de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram comercializadas 12,11 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).
O resultado positivo do quadrimestre foi sustentado pela demanda registrada nos três primeiros meses do ano, impulsionada principalmente pela segunda safra de milho. Em abril, no entanto, o ritmo de entregas perdeu força. No mês, foram comercializadas 2,54 milhões de toneladas, volume 6% inferior ao registrado em abril de 2025, indicando o início das compras para a safra de verão em um cenário mais cauteloso.
Mato Grosso liderou as entregas no período, com 3,06 milhões de toneladas, o equivalente a 24,9% do volume nacional. Na sequência aparecem São Paulo (1,39 milhão de toneladas), Paraná (1,33 milhão), Goiás (1,31 milhão) e Minas Gerais (1,05 milhão).
Produção nacional recua 14,4%
A produção brasileira de fertilizantes intermediários seguiu em trajetória de queda no primeiro quadrimestre. Entre janeiro e abril, foram produzidas 1,92 milhão de toneladas, redução de 14,4% frente às 2,24 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.
Em abril, a produção alcançou 510 mil toneladas, volume 9,2% inferior ao do mesmo mês do ano passado.
Segundo a ANDA, a retração está relacionada principalmente ao aumento dos custos do enxofre, insumo utilizado na fabricação de fertilizantes fosfatados e que vem acumulando sucessivas altas no mercado internacional.
A entidade ressalta ainda que parte da produção nacional pode não ter sido capturada no levantamento em razão de mudanças societárias e da retomada de operações em algumas empresas.
Importações permanecem em patamar elevado
As importações de fertilizantes intermediários totalizaram 11,21 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre, praticamente estáveis em relação ao mesmo período de 2025, quando o Brasil importou 11,26 milhões de toneladas, retração de apenas 0,4%.
Em abril, as compras externas atingiram 3,05 milhões de toneladas, alta de 10,4% na comparação anual. De acordo com a ANDA, o desempenho também foi influenciado pela demanda da segunda safra de milho.
Paranaguá concentra um quarto das importações
Principal porta de entrada de fertilizantes no país, o Porto de Paranaguá recebeu 2,84 milhões de toneladas entre janeiro e abril, volume 6,5% menor que o registrado no mesmo período de 2025.
Apesar da redução, o terminal respondeu por 25,4% de todas as importações brasileiras de fertilizantes no quadrimestre, segundo dados do Siacesp/MDIC.
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Exportações brasileiras para o Líbano crescem 18,2% em 2026
Carne bovina lidera os embarques, seguida por gado vivo, café e açúcar. Vendas somam US$ 266,1 milhões no ano.

As exportações do Brasil para o Líbano acumulam alta de 18,2% neste ano e somam US$ 266,1 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) organizados pela Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. No sentido contrário, as importações registram queda de 7,2%, para US$ 1,1 milhão.
De acordo com as informações do Mdic, carne bovina é o principal produto exportado pelo Brasil ao Líbano, com um total de US$ 57,6 milhões, em alta de 18,9% sobre o acumulado entre janeiro e junho do ano passado. Em seguida, as vendas de gado vivo somam US$ 51,5 milhões, em queda de 1,2% em comparação com o mesmo período de 2024. Café e açúcar são outros dos principais produtos enviados ao Líbano. No sentido contrário, frutas, produtos hortícolas e máquinas para preparação de alimentos são os principais produto que o Líbano vende ao Brasil no ano.
Em junho, as vendas do Brasil ao Líbano subiram 119,7%, para US$ 42,4 milhões. As importações caíram 50,8%, para US$ 141 mil na comparação anual.



